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De Daniel Komen, corrida descalço e “estar faminto”..

Você conhece Daniel Komen, o queniano que nos anos 90 parecia que ia reescrever os recordes mundiais? Uma matéria INCRÍVEL tentou descobrir o que aconteceu com ele.

O que Haile, Bekele e Kipchoge compartilham de especial, além de recordes, é a longevidade.

Sábado fomos assistir à corrida infantil da The Great Ethiopian Run. Nunca vi nada tão grande. Sempre me perguntam se etíopes correm descalços. NÃO. Nesse dia vi somente 2 meninos descalços. O da foto (que GANHOU sua prova) e um outro que foi VICE.

Komen parece que depois dos prêmios ($) cansou daquela vida. Eu conversava aqui sobre o que faz:

1. Os etíopes tão bons;
2. A maioria desaparecer;

Não há uma única explicação. O alto nível mundial, lesões, azar… Mas uma não sai da minha cabeça.

Como ganhar de quem tem fome?? Quem MAIS precisa e mais QUER é que vai estar disposto a sangrar mais. Enquanto uns buscam conforto nos pés, o outro “empurra” até o DESCONFORTO SUPERAR a dor das pedras do asfalto enquanto corre descalço.

Você NUNCA vai se superar enquanto não ABRAÇAR E ACEITAR O DESCONFORTO.

É isso que um nutricionista NUNCA vai entender quando vem com a miopia de pré-treino:

NÃO EXISTE RECOMPENSA SEM PRÉVIO ESFORÇO.

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Até logo, Etiópia!

Parece que foi dia desses que eu pensava “faltam 3 semanas… Dá pra treinar direito até lá”… Semana atrás cheguei e pensei “são vários treinos”… E agora já estou tomando um café etíope de despedida em minha última noite…

Falar até logo é a parte dura… Dura como um tiro de 800m num pasto… Um povo impressionantemente carente materialmente vive sempre sorrindo e ensinando a pessoas que fazem questão de não enxergar que quando o assunto é corrida você tem que calar a boca, assumir sua ignorância e observar… E aprender… E não ficar bancando ser mais esperto que eles.

Não me deram um “input” biomecânico, não se falou de nutrição, não se falou de tênis, não se faz educativos… mas corremos todos os dias, 6h00 todos prontos… Em jejum e sangrando na subida.

No tempo que você faz overthinking tem um etíope e um queniano esquentando o lombo fazendo aquilo que os faz os melhores do mundo.

Enquanto você busca atalho e corre mal. Ele trabalha duro e corre bem. Nada supera o trabalho. Nem seu fancy shoes, nem sua cápsula. Recovery é pra quem treina, não pra você, aceite que dói menos.

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O que a Etiópia nos ensina…

Na primeira vez que vim à Etiópia era um pouco angustiante ver a confirmação de MUITO do que acreditava e ter que relatar com palavras. A vantagem de enganarQUERO DIZER convencer outros a virem comigo experimentar torna a coisa menos angustiante, pois não viro o louco falando sozinho.

Foi assim ano passado, está sendo assim agora. Ao final de um treino leve e guiado pela floresta pude conversar com o André Savazoni (que também é treinador) sobre a simplicidade dos melhores do mundo.

Não há lojas de suplemento… E o que não falta no Brasil é nutricionista e vendedor fantasiado de especialista empurrando suplemento… Uns deles são só burros mesmo, outros são apenas picaretas lucrando com mentiras.

Os melhores tênis (na verdade os mais caros ou novos) estão nos pés dos amadores (nós). GPS? Nada! Eles aceleram e ditam ritmo na sensação 100% do tempo. Como fazem isso? TREINANDO.
Por fim, a técnica, ou como vocês gostam de chamar, a biomecânica. Sabe quantos toques recebemos ou vimos até agora? ZERO. Por quê? Como ensinar pássaros a voar, peixes a nadar?
A hierarquia do treinamento exige que se dê prioridade ao que é importante. Enquanto a corrida for um esporte que ganha quem chegar na frente e não quem corre bonito, o foco é esse.
Tenho poucos minutos com meus atletas. Se o homem é um animal corredor, tenho que focar no que interessa! Se eles aqui não ligam pra isso, eu vou fazer como eles, focar naquilo que ELES mostram ser importante.
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3×15 = 42km ?!?

Sempre tenho enorme dificuldade de explicar aos corredores como que uma pessoa treinando usando velocidades de provas de 5km pode ajudar alguém a correr 42km. Eu poderia talvez usar o exemplo da musculação. É bem claro na cabeça dessa pessoa que treinando sempre levantando muito peso por – sei lá – 5 repetições, torne fácil usar cargas baixas por 20 repetições, por exemplo. Afinal, você irá usar apenas PARTE da sua REAL capacidade máxima.

Já o contrário não é verdadeiro. Pegue aquela pessoa da academia que você vê sempre fazendo 200 repetições de elevação de perna com tornozeleira de 1kg e peça pra ela fazer um agachamento com 30kg em cada lado. A lógica NÃO funciona na contramão.

O que estou querendo dizer? Que é MAIS FÁCIL fazer alta intensidade e ESTENDER o tempo de atividade com baixa carga do que fazer baixa carga por muito tempo e conseguir altas intensidades.

Pegue grandes nomes da história da Maratona. Kipchogue, Bekele, Haile e mesmo Zatopek. TODOS tiveram êxitos na elite mundial em provas curtas, de 3.000m a 5.000m. Os ritmos de 3.000m a 5km são os que MAIS melhoram nossa velocidade em ritmo de VO2máx (um dia falo a respeito), mudando positivamente assim praticamente TODOS os demais parâmetros.

Dias atrás me lembrei de uma famosa maneira indireta de você chegar ao seu possível limite de tempo na maratona. A conta é BEM simples! Você pega seu recorde pessoal nos 15km e faz a conta abaixo:

3x15km = Maratona (*desvio padrão de ~1 minuto)

Essa conta costuma ser MAIS precisa que baseando-se no seu tempo de Meia Maratona! E como você melhora DE FATO seu tempo nos 15km? Rodando lento por horas? NÃO. Estalando o chicote. Afinal, 15km nada mais é que um 10km saindo um pouquiiiinho mais lento. É um “Tempozão Run”. E como você melhora seu tempo nos 10km? Rodando lento por horas? Bom, acho que já entendeu meu ponto.

Você quer melhorar sua Maratona? Você PRECISA fazer aquele ritmo parecer fácil.

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Emagrecimento: Xadrez x Corrida

O ano é 1984, o Campeonato Mundial de Xadrez é temporariamente adiado porque o defensor do título, o russo Anatoly Karpov, havia perdido 10kg por causa das partidas.

Em outra edição, 20 anos depois, era a vez do campeão Rustam Kasimdzhanov sair 8kg mais magro.

Eu sempre falo que a ideia de que nosso peso (para mais ou para menos!) é resultado da teoria nunca antes DEVIDAMENTE testada do “balanço calórico” ainda permanece viva e forte é porque ela é apaixonante! (na verdade ela já foi N vezes refutada)

Ela é tão simples! É só jogar um conceito matemático em algo que SABEMOS ser biológico. Nela você ainda joga a culpa do sobrepeso em um fator meio puritano (a gula e preguiça do obeso!) e tira 100% das costas do especialista o caráter de incompetente por não compreender de conceitos básicos de sua área.

Se um profissional de saúde Marciano chegasse à Terra e fosse a um parque público sairia de lá com a teoria de que correr engorda, tamanha é a quantidade de pessoas acima do peso correndo.

Mentira!

Sabe por quê? Porque depois ele iria à África ver quenianos e etíopes magérrimos também correndo e concluiria que não é que corrida engorda ou emagrece.

É que africanos correm PORQUE são magros (e não para FICAR magros). E que os amadores acima do peso correm porque querem ser magros porque aqueles que são pagos para nos emagrecer ainda não entenderam que é uma questão de biologia… É sobre O QUE se come… E que não é matemático, sobre o QUANTO se come.

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