Arquivo da categoria: Fisiologia

O que o Cócoras nos fala sobre o mundo da corrida…

Os amadores migram rotineiramente entre algumas insistências, manias, como se tivessem descoberto o Santo Graal da corrida. Buscam a alquimia que transformaria chumbo em ouro porque garimpar com uma picareta dá trabalho. Dá mesmo! Por isso também encontrar ouro enriquecia!

Palatinose, educativos, suco de beterraba, BCAA… Repare: há SEMPRE alguém VENDENDO a solução. E quando ela não é palpável (ex: educativos), o vendedor a torna complexa pra ser o intermediário que dará o atalho, igual um coiote de fronteira que foge no meio da noite porque NÃO irá entregar a promessa!

O Thadeu Miranda falou um negócio brilhante pra mim: “vivemos tempos estranhos, da complicação e metodolização de coisas que até um cachorro é capaz de fazer sozinho”. SIM, eu não preciso calcular necessidade hídrica de um labrador, por que preciso fazer pra corredor??

Ele segue: “somos ainda muito pautados pelo positivismo, tudo que é natural e funciona parece que acreditamos que se sistematizado será melhor”. Perfeito! Nutricionista ADORA fazer cálculo assim seja porque NÃO entende, seja porque te APRISIONA (sempre recebendo, lógico) seja porque acha que estruturar apresenta vantagens. Não, NÃO apresenta.

 

Andam me perguntando sobre “treinar” cócoras! Isso NÃO existe! Cócoras é sobre CONSEGUIR chegar e sustentar uma posição NATURAL ao ser humano. Você não treina isso, você pratica para RECUPERAR um gesto que é NATURAL e se perde o no mundo moderno. E se você NÃO chega à naturalidade envolvendo duas das três articulações mais importantes na corrida é porque há algo de MUITO errado.

Acabei ontem um desafio proposto pelo Léo Moratta que é ficar 30 minutos seguidos por 30 dias seguidos de cócoras. Sem folga! Dói! Visitar o desconforto o nome já diz… exercício, jejum, restrição de carboidratos… TUDO vem com… desconforto! Sou mais uma vez grato ao Léo porque sem ele “individualizar” (BULSHITAGEM DESGRAÇADA) o resultado foi surreal!

A extensão ótima da passada na corrida não se consegue VENDO imagens, fazendo educativos, mas tendo os RECURSOS (Mobilidade e Força) necessários!

Volume mata sua Velocidade?

Temos que sempre olhar com um pouco de cautela o que a elite tem a dizer. Primeiro porque precisamos olhar as nuances. É fácil adotar a dieta que a elite consome fingindo não saber que treinam 12 vezes na semana e que são tolerantes, são fora da curva.

Tem mais. Muitos usam substâncias proibidas, que jogam fumaça na compreensão do que é fruto de treino ou do doping. E por fim porque esses caras são – de novo – fora da curva. Eles parecem tolerar e melhorar com qualquer coisa.

Dia desses vi o longevo Nick Willis falando sobre treino de velocidade. Muito me espanta o tão pouco que amadores treinam essa capacidade. Seja por ignorância técnica do treinador, seja porque dá (muito) mais trabalho coordenar uma sessão assim, seja porque exige vivência (olhar crítico) de um profissional que em sua enorme maioria só conheceu corrida pelos livros da faculdade.

O conceito de que volume diminui a velocidade é um ENORME erro interpretativo. Você perde aquilo que você NÃO treina. Quando você sai do curso de francês pra passar a estudar espanhol não é que ler Gabriel García Marquez te faz esquecer a língua da Édith Piaf. Você piorou o francês porque você DEIXOU de praticá-lo.

Willis falou do tanto que faz treinos de velocidade com ADEQUADO descanso (entre os tiros) AINDA QUE possa estimular a velocidade DIARIAMENTE. Falo tranquilamente: mais de 95% das minhas intervenções em treinos é pedindo que o corredor REDUZA a velocidade do tiro. Motivo? É o ácido lático constante que parece “matar” o corredor. Mesmo meio-fundistas o visitam somente 2, 3, 4x na semana.

Dia desses um leitor que corre provas de 5km a 6’00″/km falava que dava tiros de 1km abaixo de 5’00” porque acha que (mais) ritmo é o que determina a evolução. Resultado: treinos com intensidades de meio-fundista e volumes de fundista. ISSO é que mata o corredor.

Lições básicas (não ensinadas na faculdade):

1. A velocidade é o que o corredor MAIS quer. Então ela PODE ser visitada TODO SANTO DIA se feita com estímulos e pausas adequadas.

2. Se você NÃO a estimula, você a perde! Volume NÃO diminui a velocidade. É NÃO treiná-la que te faz perdê-la.

3. É a dose CERTA da carga de treino que gera melhora. Mais não é melhor!

 

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Live/Palestra Beneficente: vamos ajudar? (Coronavírus)

Nesta 3a feira 26 de maio às 19h00 (amanhã!) vou realizar uma live em forma de palestra interativa (aberta a perguntas) totalmente beneficente! Tema? Treinamento de Corrida com aplicações práticas a quem deseja bater seu recorde pessoal nos 5km e nos 10km.

Todo o valor arrecadado com as inscrições será revertido em prol ao Fundo Emergencial para a Saúde – Coronavírus Brasil.

A aula terá duração de cerca de 1h00 e será transmitida via YouTube (em link fechado compartilhado com os inscritos duas horas antes). Para ajudar é bem simples! Basta se inscrever neste link aqui.

São apenas R$50 que podem fazer a diferença a quem precisa!

Posso contar com sua ajuda??

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As mentiras que nos contam…

Não sei vocês, estou me divertindo (e me emocionando) com o The Last Dance (Netflix). Uma das coisas que a gente sempre especula na faculdade é como seria a rotina dos melhores do mundo… devem fazer fisio preventiva, profilaxia, devem seguir o que os nutricionistas esportivos tanto pregam por aí… pffff…

No meu tempo de faculdade era um mundo de pouco fluxo de informação, baseado em desejo, teoria e especulação. Aí você vai conhecer a realidade…. A experiência que eu tive até hoje acompanhando e ouvindo é essa do The Last Dance

Para quem não viu ou nem vai ver a minissérie, ela revela jogadores da principal liga de basquete do planeta (NBA) terminando jogos decisivos. O que acontece? Gelo? Botas pneumáticas? Lanche com proteína 4:1 carboidrato? Não… charuto, cerveja, vestiários sem cuidados…

Futebol? Idem. Minha experiência com atletismo? Idem. Handebol, rugby, natação, ciclismo…? Idem.

AH O AMADOR… como é fácil iludi-lo… Basta dizer você DIZER o que supostamente prós fazem para eles (literalmente) comprarem a ideia (pagando bem)…

 

p.s.: os melhores com quem treinei e competi faziam (e fazem!) coisas INIMAGINÁVEIS após os treinos… e andavam na frente… já os que andam lá atrás…. nossa… que vida triste… que morte horrível.

p.s.2: mas esses caras treinavam horrores…. igual um cachorro!

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Obesidade e aposentadoria no esporte – parte 3

Ontem trouxe aqui o caso do ultramaratonista Michael McKnight que correu 160km à base de água e eletrólitos, o que vai na contramão das diretrizes nutricionais esportivas, que são fundamentadas em muita fé, pouca prática e nenhuma observação. Hoje lhes trago Marshal Yanda, um dos melhores guards da NFL.

Yanda se aposentou de um esporte que exige uma montanha de músculos. Muito acima do peso de um não-profissional, do que é saudável, ele decidiu perder o excesso de gordura. Em 3 meses o ex-jogador perdeu 30,5kg. Bom, né? Vamos ver como?

Na imagem 2 desse post eu coloco sua dieta típica de jogador e a adotada pra derreter o excesso de gordura. A base da Nutrição estabelece que nosso peso é fruto do balanço calórico. Gaste mais do que consome e você emagrece, coma mais, engorde. Ou seja, trata as calorias como IGUAIS, seria QUANTO comemos e não O QUE comemos.

O problema: associação não é necessariamente causa. Se você perguntar ao meu professor na USP que ainda fala essas bobagens por que sua sala tem gente, ele dirá que é porque entrou mais gente na sala do que saiu e não necessariamente a CAUSA de termos que estar lá (assinar a lista porque ninguém merecia ver aquilo). Entrar mais gente que sair foi uma CONSEQUÊNCIA da real CAUSA (termos que estar presentes lá pra ter presença).

Você pode argumentar: “Balu, a dieta pós-NFL tem menos calorias”. SIM, tem! Até meu ex-professor acertaria essa. A Física e a Matemática estão certas! Energia não vira esperança (apenas quem pede pra comermos carboidrato complexo acha isso!). Mas repare no que vai em amarelo. São alimentos ricos em carboidrato. Yanda decidiu por cortá-los da dieta e é a retirada deles (e NÃO das calorias!) que dá condições ao corpo para que se queime gordura! O motivo: é com baixos níveis de insulina que ocorre a lipólise. Isto está em qualquer livro vagabundo de fisiologia, mas as faculdades fingem não estar.

Repare o que vai ainda em lilás. Yanda cortou um shake/smooth (“calorias líquidas” dão baixa saciedade) e antecipou sua última refeição, aumentando o jejum, que é o MELHOR jeito não-medicamentoso de se diminuir os índices de insulina possibilitando assim: (sim!) acesso às reservas de gordura (que ele quer queimar)!

Se ele cortasse igualmente as calorias e não os carboidratos, ele ainda teria níveis elevados de insulina, não tendo acesso à gordura corporal e assim teria fome! É o que acontece quando você segue a dieta padrão do Nutri-Nesfit. POR ISSO ninguém a segue por mais que poucas semanas e POR ISSO que a profissão é um fracasso, já que o histórico da dieta hipocalórica é de redundante fracasso.

p.s: Yanda cortou ainda parte do consumo de gordura porque um corpo high-fat como ele era não precisa de gordura exógena… ele assim precisa é ser low-carb para ter acesso, para poder queimar o high fat corporal.

p.s.2: já escrevi duas vezes sobre NFL, obesidade e aposentadoria… a primeira aqui e outra vez também usando um exemplo prático aqui.

 

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