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Livro novo na área?!? O VETERINÁRIO CLANDESTINO

É com enorme satisfação e alegria que venho até você, que compartilha muitas das minhas ideias, dizer que minha nova obra finalmente ganhou vida! Sou dono (ou como gostam de dizer, tutor) de duas cadelas.

Uma delas ficou obesa enquanto eu morava no exterior. Isso resultou em questionamentos, uma pós-graduação em Nutrição Animal e um livro que questiona tudo – absolutamente TUDO! – o que os especialistas acham que sabem sobre a silenciosa epidemia recente de obesidade em nossos amigos de 4 patas.

Em O Veterinário Clandestino faco questão de trazer estudos esquecidos, alguns escondidos, outros ignorados sobre como combater esse problema tão grave. Você irá se surpreender, eu te GARANTO!

Caso você queira saber mais, basta clicar e entrar no site do livro (e-book)!

http://www.oclandestino.com.br/veterinario

Muito obrigado!

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De Café, Placebo & “skin in the game”…

Já não acompanho mais matérias sobre café e cafeína na corrida. Não há como acompanhar esse tipo de abordagem no volume que são publicadas ou requentadas frequentemente (é isso que fazem portais e perfis de saúde, agem como revistas de adolescentes dos anos 90 que não existem mais, sinal claro de que não são terreno fértil para buscarmos informação com um mínimo de qualidade).

Primeiro porque estudos dos 2 lados não faltam, seja provando ou “desprovando” X ou Y, que consumir faz BEM ou faz MAL. Lembremos que você consegue achar pesquisas para tudo, por isso a maior parte delas é puro ruído, não sinal. Sinal você encontrará utilizando 2 recursos: o TEMPO e quando existe SKIN IN THE GAME “pele em jogo”).

Uma heurística (ou proxy ou regra) muito simples que uso com Esporte e Nutrição quando o assunto é suplementação passa por quem usa ou o recomenda. Se vem de acadêmicos, simplesmente não me importa nada. Por quê? Eles não têm “skin in the game”. No esporte o resultado é soberano. Já o sonho do acadêmico não sobrevive à realidade. Se o acadêmico vivesse fora do mundo de unicórnios, estaria no esporte. Acadêmico é aquela pessoa que sabe dar uma aula teórica sobre natação, mas que você jamais teria como salva-vidas da piscina da escola do seu filho. Isso é skin in the game.

E o que diz o mundo real sobre a cafeína?

Antes, vamos à minha sequência de proxy para suplementos:

1. Se o suplemento não foi banido, provavelmente não é efetivo;
2. Se o suplemento é efetivo, provavelmente já foi banido;
3. Há algumas exceções. Porém, não sabemos quais.

Duvida?

No caso da cafeína ela era anteriormente proibida pelo COI. Sabe o que aconteceu quando ela foi liberada? Seu consumo entre atletas CAIU. Por quê? Porque a liberação era um sinal claro de que ela NÃO melhorava tanto o desempenho. Lembrem-se: o acadêmico que fala que jejum não deveria ser feito entre atletas ou que tenta determinar protocolos de consumo de cafeína NÃO tem “skin in the game”, atletas SIM.

Voltando à cafeína. Ela é um estimulante. Porém, nosso organismo cria tolerância a algo em função de 2 variáveis: frequência e intensidade. Vejamos o caso da pimenta. Caso você se sente à mesa com um baiano (ou um tailandês ou um mexicano) verá que terá enorme dificuldade de acompanhar o consumo deles de pimenta (ou outros condimentos). Isso porque eles consomem em enorme frequência e/ou intensidade esse alimento.

Com a cafeína não deixa de ser parecido. Há pessoas mais sensíveis (como o há, por exemplo, com o consumo de sal) e menos sensíveis. Um consumo regular de cafeína (seja na forma de café, refrigerante cola ou energético) atinge pessoas de forma individual e pode gerar uma sensibilidade diferente com o tempo (em função da frequência e intensidade, lembra?).

Mas o mais importante é: SIM, a cafeína pode gerar estímulos (positivos) na prática da atividade física, mas eles são de forma individual (de acordo com nossa tolerância ou sensibilidade). E o mais importante: estão longe de serem garantidos OU do tipo “mais é melhor”, se fosse, os atletas continuariam a usar independentemente do que dizem os acadêmicos sem “skin in the game”.

Se você consome uma xícara de café e vai correr e se sente bem, siga o jogo! Quer experimentar duas? Tente, experimente! Agora se você acha que 18 xícaras te fará mais veloz ou segue recomendação de acadêmico sem “skin in the game” achando que pode ser melhor que a prática, eu tenho uma má notícia a te dar…

*Se você gostou do que leu aqui, estou certo de que vai gostar do que vai encontrar de surpreendente no e-book O Treinador Clandestino!

Danilo Balu
autor

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TRATAMENTOS DA MODA. Ou ainda “A Natureza sempre dá um jeito”

Uma teoria apresentada em um congresso recente com resultados preliminares encontrou que corredores que pisam com o calcanhar têm economia de corrida similar àqueles que pisam com a parte mais anterior. Basicamente aquele tem uma extensão maior da panturrilha enquanto este teria maior carga. Ou ainda, usando um clássico de Jeff Goldblum em Jurassic Park (1993): a natureza sempre dá um jeito.

A corrida, não podemos nos esquecer nunca disso, é extremamente simples, antiga, facilmente mensurável, acessível e bem disseminada. Tudo que você tentar (e achar revolucionário), é improvável que não tenham tentado antes, então não assuma a priori que nunca alguém tenha pensado e tentado o que você tem mente. É assim que eu vejo alguns especialistas que vivem de enchê-la de espuma.

 

Quando o gelo engana o fisioterapeuta

O mundo dá voltas e a natureza dará sempre um jeito. Parece ter virado praxe a recomendação de aplicar gelo em atletas mesmo em indivíduos não-lesionados. Ignoremos de cara duas verdades do amador: a primeira é que se você paga uma consulta e seu fisioterapeuta/ortopedista fala que você pode voltar para casa sem recomendar nada, você o avaliará como menos competente. Então ele vai mandar você fazer algo que não te prejudique, mas que não o torne um profissional malvisto. A segunda é que todo corredor amador gosta de ser visto como especial, como mais próximo de um atleta profissional (uma mentira) do que alguém sedentário (uma verdade)*. Então ele gosta de ser orientado a fazer algo que seria “para ele” (personalizado) ou próximo do que faz, por exemplo, um LeBron James, que faz gelo ao final do jogo 2 da apertada série de 7 partidas.

*gosto muito da definição da Runner’s World sul-africana que meio que prega que alguém que corra 30 minutos 3 vezes por semana (a maioria absoluta dos corredores) não tenha um estresse fisiológico que impacte e/ou faça qualquer alteração ser necessária.

Não é de se espantar que estudo atrás de estudo encontre que aplicar o gelo após a sessão de treino traria apenas adaptações negativas, contraproducentes ao corredor não lesionado. Eu sempre me pergunto os motivos das pessoas seguirem orientações esportivas de fisioterapeutas, médicos e nutricionistas… sempre acho que é como perguntar sobre hidrodinâmica a pescadores. As coisas se parecem, mas cada um tem seu funcionamento distinto.

Falo isso porque esporte é basicamente gerenciamento de estresse aplicado a um sistema orgânico complexo buscando adaptação. Qualquer prática incidindo em qualquer uma dessas variáveis vai impactar seu resultado. O nutricionista que sugere a ideia estúpida de oferecer uma refeição com proteína e carboidrato (sempre a 4:1!) sem fome impacta o resultado. O fisioterapeuta ou médico que sugere gelo sem lesão impacta a carga. Costumo dizer que essas são ideias tão esdrúxulas, de quem ainda não entendeu o básico, porque seria o mesmo que pedir que a pessoa corra sempre em descida porque as velocidades médias de treino serão maiores, quando no dia da competição a pessoa correrá no plano (ou na subida).

 

O estresse é essencial

O corpo precisa ser submetido ao estresse. Fazer gelo é tirar as condições para que isso ocorra. Isso porque o estresse revela e propicia benefícios que ficam escondidos no conforto. No conforto do gelo para tirar a dor (que não é fruto de lesão), o conforto da palmilha de silicone ou o conforto da refeição a cada 3 horas. Basicamente, podemos dizer que oferecer nutrientes que ele ainda não “pede” é alterar negativamente toda uma rede complexa que é intrinsecamente regulada. O homem parece ser o único animal que vai à mesa sem fome ou que sai dela sem estar satisfeito. E é o único que sofre de algumas doenças crônicas por causa disso. Por isso mesmo…

Não tente enganar a natureza

Por fim, chego a outro estudo interessante, um envolvendo maximalismo e impacto. O resultado de um levantamento é que aqueles que correram com o que é estupidamente apontado como solução por vendedores (mecanismos para reduzir o impacto na corrida) tiveram maiores cargas de impacto em sua corrida. Ou seja, tênis maximalistas geravam maiores cargas de impacto que tênis neutros.

Veja bem, para vender (mais) tênis, vendedores disfarçados de pesquisadores vieram nos dizer que um pedacinho de borracha ao calcanhar melhoraria um trabalho de milhares de anos Do Criador (seja lá quem seja Ele para você). Não tinha como dar certo! A natureza criou e cria o jeito dela de passar por cima disso. Era óbvio que usar tênis grandes mudaria nosso padrão de corrida. Que ao corrermos enfatizando uma parte do pé fariam as lesões apenas migrarem de lugar.

 

O que os profissionais da saúde fazem é mudar para menos a carga de estresse. Só que, ainda que o condicionamento aeróbio seja calibrado pela média da distribuição de cargas, parte deles, os níveis de força, são calibrados pelos extremos (dessas cargas), então, SIM, diminuir essa carga oferendo as intervenções da moda (gelo, crioterapia, meias de compressão, lanche pós-treino, glutamina….) só pode ser contraproducente.

Não caia nessa pegadinha!

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Low-carb e Corrida. O corredor Low-carb.

Tomei a liberdade de roubar os prints que vão ao final desse texto para falar algo de um tema um tanto quanto atual: O CORREDOR LOW-CARB. No dia que escrevo esse texto descobri que duas meias maratonas deste final de semana tiveram palestrantes na retirada de kit falando sobre “suplementação de carboidrato em corredores (amadores)”.

Para falar sobre um assunto é essencial, fundamental diria, que aquele que fala entenda do fenômeno em questão. O quanto nutricionistas entendem de esporte e corrida? Pouco, bem pouco, quase nada. Não é o assunto de sua formação, por mais que alguns se ofendam com a afirmação.

Na corrida de longa distância temos que nos atentar a duas questões FUNDAMENTAIS, CRUCIAIS no desempenho. A primeira delas é que amadores e profissionais praticam dois esportes completamente diferentes. Enquanto um maratonista profissional corre 42km em pouco mais de 2h00, o atleta médio o faz em bem mais de 4h00. Qualquer livro vagabundo de fisiologia dirá o mesmo: são modalidades diferentes dentro de suas características metabólicas mais intrínsecas e fundamentais, ainda que tenham a mesma distância (*até por isso recomendar que maratona deva ser feita em split negativo carece de lógica, é apenas fé e raciocínio raso). Mesmo atletas amadores mais velozes, o bico da pirâmide, menos de 3%, correm 50% mais lento! Fisiologicamente eu não pratico o mesmo esporte que o Kenenisa Bekele!

MUITO do que envolve ATUALMENTE treinamento em academias de musculação é feito tomando como base o que foi feito em fisiculturistas ultradedicados meio século atrás que em seu protocolo corriqueiro envolvia consumo estratosféricos de substâncias proibidas anabolizantes, Pois bem, nutricionistas geralmente estabelecem protocolos de dieta em corredores amadores seguindo o que fazem alguns dos homens mais rápidos do mundo. Ou seja, aplicamos em pessoas normais que ficam 1h00 na academia duas vezes por semana o que faziam atletas diariamente que suavam recursos ergogênicos. Pedimos que um amador que corre 4h30 consuma de carboidrato o que come um queniano que faz 200km por semana e corre em 2h09. Faz sentido para você? A donos de academia e nutricionistas convencionais acham que faz. Ambos não têm skin in the game.

O QUE DETERMINA O SUCESSO NA CORRIDA?

Basicamente são 3 os fatores que determinam o sucesso de alguém (amador ou profissional) na longa distância. Um deles é bem básico e qualquer um pode imaginar. Há uma muito alta correlação positiva entre quem corre mais quilômetros e desempenho. Os atletas que correm 42km em 2h20 correm mais volume do que os que correm 3h00 que por sua vez correm mais do que os que correm em 3h40. Apenas revistas de corrida e treinadores que ainda não entenderam o jogo acreditam que ciclismo, natação e deep running fazem alguém correr mais do que… corrida!

O segundo fator que determina o sucesso é a capacidade do nosso corpo em dissipar calor. Não é à toa que as melhores marcas são obtidas em ambientes frios e secos (que nos ajudam a dissipar mais calor). Não é por acaso ainda que a elite corre usando regatas minúsculas e shortinhos. Por isso que para fazer uma Paula Radcliffe ou uma Shalane Flanagan usarem meia de compressão ou um Mo Farah usar manguitos você tem que investir muito dinheiro, porque eles sabem que aquilo os faz mais lentos. Amador paga para piorar a si próprio, a elite fatura alto para usar penduricalhos que sabidamente comprometem seu desempenho.

O treinamento e a vestimenta são feitos entre outras coisas para proporcionar que o corpo dissipe calor. Aí chegamos ao terceiro fator que contém relação grande com este segundo: o baixo peso do atleta. *gordura atrapalha a dissipação do calor, além de tornar mais ineficiente pela relação superfície/peso. Até mesmo músculos atrapalham esta relação, por isso você não encontra bons atletas fortes na longa distância.

O peso é tão crucial no desempenho que hoje sabemos que 100g a menos no peso do tênis aumenta em 1% a eficiência do atleta. Sim, apenas amadores lentos acham que tênis pesado pode ser bom. Mas quem quer mesmo correr rápido usa é calçado leve, com pouca entressola que só traz peso e ineficiência.

Esquecendo o equipamento, quando olhamos desempenho temos que: baixo peso é crucial.

Baixo peso é essencial no desempenho da corrida de longa distância

EIS QUE AQUI ENTRA O LOW-CARB

Nenhuma dieta torna mais fácil ou factível a vida de um atleta em se manter em baixo peso. Atualmente mais da metade da população está obesa ou com sobrepeso, acima do peso. E aí voltamos aos prints do começo do texto.

Existe uma crença na Nutrição (não corroborada pela prática) de que corredores amadores precisam de muito carboidrato para correr. A prática nos mostra que esse tipo de pessoa precisa de baixo peso, conseguir dissipar calor e correr muitos quilômetros. Reforçando: não existe uma correlação positiva entre maior consumo crônico de carboidrato e desempenho.

O ser humano retira energia na atividade física pela gordura E pelo carboidrato. Não importa quão radical seja sua dieta (low-fat ou low-carb), o corpo faz as duas coisas como dito em uma ótima analogia em um texto incrível de Mark Cuccuzella. Ele diz que nosso corpo correndo funciona como um veículo híbrido (com 2 tipos de combustível). E é mesmo, trata-se de uma mistura de carboidrato e gordura, não é algo binário entre um OU outro. É com o treinamento em longa distância, menor intensidade e/ou em baixa reserva de carboidrato que você aprimora esta via lipídica (de queima de gordura como combustível).

Por mais treinado que você esteja, não há como “aumentar” nosso tanque de glicogênio (carboidrato) para que ele tenha autonomia de 42km. Por outro lado, este tanque pode ser muito pequeno que ainda assim você tem combustível para correr 10km (por isso apenas desavisados usam gel em provas menores que uma São Silvestre). E ainda usando outro extremo, mesmo atletas magérrimos como os africanos da elite têm gordura corporal para correr 42km sem esgotar essas reservas.

Voltando ao ponto central, low-carb e corrida, temos que:

  1. Na corrida o baixo peso é essencial;
  2. É a dieta low-carb a maneira mais factível de mantermos baixo o nosso peso, algo fundamental à corrida;
  3. Não existe uma correlação positiva entre consumo crônico de carboidrato e desempenho.

Neste momento você deve estar se perguntando duas coisas:

Como vou correr sem carboidrato?

Como estará minha reserva de glicogênio ao final da prova? Não vou quebrar assim?

Primeiro, o corpo consegue correr, como dito, extraindo energia de ambos combustíveis, mas ele só “aprende” a ser eficiente queimando gordura na ausência/restrição do consumo de carboidrato, por isso se treina aquilo que pretendemos replicar em um evento esportivo. O estoque de glicogênio é bem limitado, o de gordura não. Um corredor muito bem adaptado é quase à prova de quebras. E isso exige treinar nessas condições de baixo carboidrato.

Por fim, nossas reservas de combustível.

Algo que surpreendeu até os maiores defensores de dietas low-carb ou cetogênica (very low-carb) é que as reservas de glicogênio desses atletas, ao contrário do que eles queriam muito acreditar, NÃO estavam maiores ao final da prova. Basicamente os atletas chegam na hora do sprint com o tanque igualmente vazio, mas apenas os low-carb têm a via metabólica treinada para continuar tirando energia de gorduras. Porém, aqui um aspecto sempre relegado, a reserva de glicogênio gera um peso extra. Para cada grama de glicogênio vão outros 4g de pura água.

Enfim, estou acabando (prometo!)… o esporte pauta muito de seus protocolos baseado naquilo que fazem os vencedores. E não há na corrida um grupo que tenha conseguido resultados expressivos, consistentes e duradouros com uma dieta low-carb ou cetogênica. Por que um amador deveria então ir nessa contramão? São 2 os motivos:

O primeiro é que os amadores não seguem NADA dos protocolos da elite, nem mesmo seu equipamento, mas insistem em usar suas estratégias alimentares. Não seguir sua dieta é apenas ser coerente.

E segundo porque uma dieta low-carb não é necessariamente ir na contramão do que fazem os melhores, mas é buscar um fator que é sabidamente decisivo para um melhor desempenho: baixo peso (que impacta positivamente ainda outro dos 3 fatores).

Para finalizar, repare nos valores da imagem inicial que reposto abaixo. A glicemia desta corredora amadora SUBIU após um treino LONGO em jejum. O temor teórico de que correr em low-carb ou jejum compromete nossa glicemia não sobrevive ao mais preguiçoso escrutínio. Entre o que diz o sonho do nutricionista tradicional e a prática da corrida, espero ter esclarecido alguns pontos. Entre a prática e a teoria, fico sempre com a prática.

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Números de uma grande Maratona brasileira

Recebi ontem um e-mail marketing da Iguana Sports falando de sua Maratona, a SP City. Há ali números interessantes! Primeiros, falemos de hidratação, compromisso (ou obrigação) de quem coloca milhares de pessoas para correr ao mesmo tempo. Entre água (cerca de 45.000L), isotônico (~15.000L) e refrigerante (300L), haverá no evento de julho cerca de 60.000L de líquido para hidratação. Dividido por 11.000 pessoas, número de participantes que largaram em 2017, temos 5,5L para cada corredor.

Isso dá pouco menos de 600ml para CADA 3 QUILÔMETROS por pessoa. Obviamente que há ajustes, como as perdas inerentes de um posto estar no início da prova ser pouco requisitado, ou ainda os maratonistas que, por uma intensidade menor de esforço (por tempo), beberem menos água.

Se a média por corredor em função da distância (3km) não agrada, vejamos pelo tempo. Levando o tempo de conclusão como parâmetro, temos que cada corredor terá como hidratação:

475ml a cada 15 minutos OU 635ml para cada 20 minutos, bem acima de qualquer uma das já exageradas recomendações de hidratação.

Você pode ainda alegar que é uma informação não-crível, papo de vendedor, no caso, a Iguana Sports. Tenho que dar o voto de confiança a eles por 2 motivos: primeiro que só assim o meu texto seria possível e segundo e mais importante porque já trabalhei para eles e tive EU certa vez que fazer esses cálculos. E os números eram já tão grandiosos que era desnecessário inflá-los mais.

Mas o número que chama atenção e que deveria ser explicado por qualquer um que alega que as corridas custam muito menos do que os preços praticados, é o de envolvidos no trabalho. São cerca de 1.500 profissionais (entretenimento, fotografia, filmagem, segurança e limpeza NÃO constam na imagem), todos devidamente pagos (não temos o hábito de ter voluntários como nos EUA, por exemplo).

Para colocarmos em perspectiva, há mais gente trabalhando nesta prova do que correndo em qualquer outra maratona brasileira com exceção de Rio, SP (Yescom), Curitiba e Porto Alegre. Há mais profissionais envolvidos que atletas PARTICIPANDO em mais de 100 Meias Maratonas pelo Brasil.

Como pagar tanta gente? Como oferecer e transportar água (um produto pesado) ao longo de tantos quilômetros? Tem que ser muito ingênuo para achar que as fabricantes de água oferecem gratuitamente seu produto (isso não existe). Isso envolve trabalho, muito trabalho. Mas o corredor continua achando que organizar corrida é fácil, mais que isso, BARATO e deixa qualquer um rico. É como se algo que você vai comprar brotasse na prateleira.

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