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A cereja do bolo, o conforto, a base.

Meio que por acaso resolvi dividir com vocês que desde o início da pandemia um ano atrás eu abandonei 100% o uso de meias.

Faz muitos e muitos anos que eu não uso palmilhas. Coisa de mais de década. A primeira coisa que faço é arrancar e jogar fora pra não correr o risco de usar.

E sempre as pessoas se espantam. Como se o ser humano nascesse de palmilhas. Acho um pouco estranho eu ter que ficar explicando por que não uso algo que nunca se mostrou superior ou essencial ou vantajoso.

O Fábio Pierry escreveu em seu Instagram uma sequência de 3 posts bem didáticos sobre a importância do músculo mais subestimado no esporte: os do pé.

 O pé é a base, o fundamento. É a ligação com o solo firme (e por isso acho estúpido o uso de desestabilizadores como bosu e pranchas, isso não existe na execução prática. O solo é firme, a estabilidade pode ser buscada de forma mais inteligente).

Um pé fraco significa menor estabilidade. Menos estabilidade significa menor força. Menos força, menos desempenho.

Um músculo não exigido e não solicitado se fragiliza.

E nada fragiliza e amolece mais do que o conforto, do que o isolamento, do que a mobilização.

A palmilha tira a sensibilidade do pé. A meia tira também (ainda que bem menos) e tira graus de liberdade (mobilização).

Então era mais do que natural que apó\s dividir isso com vocês quem tentasse o mesmo relataria o óbvio:

1. Os pés cansam (décadas sem graus naturais de liberdade);

2. A diferença aparece em dias.

O corredor amador se preocupa com o que vai aos pés e esquece deles. Se preocupa com a cereja do bolo e esquece a base.

Não tem como dar certo.

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A corrida é intrínseca, vem de dentro.

Esse da foto é o sueco Daniel Stahl. Ele é um dos melhores lançadores de disco do mundo (campeão mundial) e pesa a bagatela de 155kg. Me responda: quantos caras na sua assessoria correm com uma postura melhor que a dele?
Você pode não entender de atletismo, saiba então que no esporte de Stahl o atleta tem um diâmetro de apenas 2,5m para lançar o mais longe possível um “implemento” de exatos 2kg. E ele faz isso GIRANDO, não correndo! O sueco apenas corre na hora de comemorar mais uma vitória! Ele NÃO treina isso!
A gente vive tempos estranhos. Corredores amadores em um debate sem fim sobre padrão e técnica de corrida. Meu amigo Fabio Pierry acha que o Instagram tem peso nisso! Também acho!
Nunca vi amigo nadador obcecado com técnica ou amigo que joga handebol analisando o “chute com apoio” da elite. Mas corredor amador é MUITO narcisista… se acha especial. E nada melhor do que convencer um cliente de que ele é especial. É só fazê-lo acreditar nessa mentira.
Sempre falo: você precisa entender as demandas do seu esporte. O peso corporal tem dinâmicas MUITO distintas na Maratona e no lançamento do peso. Mas a corrida…
A corrida é INTRÍNSECA ao ser humano! Não acredite em quem diz o contrário! Não se ensina um peixe a nadar porque lhe é natural! No caso de humanos, a gente não ensina alguém a correr, mas TREINAMOS na pessoa as capacidades físicas que proporcionam um gesto que já possuímos, a habilidade de correr!
Dito isso, o treinamento trabalha aquilo que faz a corrida se expressar de sua maneira mais eficiente! Lembre-se: a corrida é a expressão harmônica de um conjunto de capacidades físicas. A corrida em si nós já possuímos.
Mas vão tentar te vender diferente.
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Linha Diagonal e os clássicos

Essa é a LINHA DIAGONAL, um exercício fabuloso que o Léo Moratta me apresentou e que, segundo ele, está na sua rotina de treino incessantemente faz 2 anos. E ele ainda hoje se desequilibra às vezes. Por que falo isso…

Dia desses li um cara que gosto muito dizendo que não importa quão bom você seja, você NUNCA será bom pra deixar de lado exercícios fundamentais como Terra e Agachamento se quiser trabalhar força. (*a linha diagonal trabalha força AND mobilidade)

OS CLÁSSICOS IMPORTAM!

Quando eu tinha assessoria lembro que tínhamos que ficar fazendo malabarismo para o treino “ser legal”. Mas pera lá!!!

Quando vou no studio do Léo Moratta vou lá pra fazer justamente o que eu NÃO gosto. Ele NUNCA me pediu pra correr porque sabe que eu gosto, ele não precisa pedir. No studio eu faço o desconfortável, o difícil, o duro, o aborrecido.

Nutrição tem MUITO disso! O que mais ouço é as pessoas falando que não “gostam disso”, que “enjoaram daquilo”. E daí?! Eu como brócolis 90% dos dias. Mas queria MESMO era besuntar cheddar em cima. Cheddar é low-carb! Bolso eu tenho, mas não tenho DNA pra isso (laticínios são NÃO naturais à espécie)

Nutrição e Esporte não são sobre comer e fazer “o que gosta” ou o que “não enjoe”!

Vamos lá. CARNES, OVOS, FOLHAS, LEGUMES e COGUMELOS são os agachamentos e terras da Nutrição. O resto, sem exceção, é sobremesa. Repito: Sem exceção.

TUDO o que não for o que listei acima é sobremesa.

Repito: Tudo.

 

OS CLÁSSICOS IMPORTAM!

Ou você trabalha a base e “tempera” com o resto (digamos 80% das calorias vindas daquela lista, tal qual Princípio de Pareto), ou você não progredirá como poderia.

Você nunca será bom a ponto de eliminar aquela lista. Ter a sobremesa como base não costuma funcionar. Acredite em mim.

***

A linha diagonal é um exercício sensacional que tenho pedido em meus treinos presenciais na pista. Ela replica o gesto atlético. É uma expressão da força e mobilidade práticas na corrida.

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Conselhos de Landy ao jovem Clarke

John Landy (E) é um dos maiores atletas da história, ex-recordista mundial, segundo homem a baixar dos 4 minutos na Milha.Quando ainda jovem, Ron Clarke (D) decidiu escrever ao seu conterrâneo Landy pedindo dicas.

Landy é tido como um gentleman singular. E eis que sem esperar Clarke recebe uma resposta escrita a mão. Nela dicas que ele usaria e provavelmente o ajudaria a torná-lo um dos 5 maiores corredores da era amadora.

Landy explica ao jovem que a corrida exige duas coisas: velocidade e resistência. Explica ainda que fazer grandes volumes é necessário para desenvolver resistência, mas que isso NÃO irá melhorar aquilo que ele também muito precisa, a velocidade!

E como ganhar velocidade, um dos 2 componentes? Treinando a velocidade correndo… rápido!

Clarke na carta original destacou que muita gente dizia que sua técnica não era refinada (diziam que seu movimento de braço era estranho). No que Landy respondeu:

Eu não me preocuparia com isso. O mais importante é estar em forma, a técnica e outras características menos importantes cuidarão de si mesmas. À medida que você evolui, o estilo se torna mais importante, mas você não consegue mudar muito o estilo do corredor – apenas modificá-lo – porque cada um tem seu estilo particular de correr”.

Bom, se Landy falou isso e Clarke acatou, quem sou eu para argumentar contra, não?! Mas talvez eles estejam errados, que o melhor jeito de ganhar velocidade seja ficar rodando e rodando sem velocidade nem qualidade ou que antes de treinar bastante a pessoa deva é ficar olhando para a ”entrada do pé” e esses detalhes com os quais os dois não se importavam.

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BIOMECÂNICA vs TREINAMENTO

OU AINDA: é possível “ensinar” um guepardo a correr mais rápido melhorando sua técnica?

Muitos anos atrás me apaixonei pela história do cavalo Seabiscuit. E tempos atrás mergulhei no mundo das corridas de cachorro para escrever meu livro O Veterinário Clandestino. Ambos os mundos conseguem uma proeza: fazer animais incríveis correrem ainda mais rápido.

Como? Treinando suas CAPACIDADES. Cavalos e cães não fazem educativos. O que sobra é melhorar suas valências (níveis de força e resistência, por exemplo). Você nunca verá cavalos na academia nem cães fazendo educativos de corrida. Ok, não são racionais como nós humanos.

Será que poderíamos fazer o guepardo, o animal mais rápido do mundo, correr ainda mais? Sim! Com certeza! E se ele fosse racional como o Haroldo amigo do Calvin? Poderíamos dizer COMO ele deveria correr para ser mais rápido?

Fiz um vídeo dias atrás porque me perguntaram o que achava do enfoque na biomecânica. O que vejo que muito amador não percebe é que o PADRÃO biomecânico de uma pessoa REFLETE, é uma expressão de suas capacidades físicas, enquanto muita gente entende a biomecânica como sendo CAUSA da corrida.

Como “melhorar” alguém tecnicamente/biomecanicamente se à medida que a força, resistência e potência aumentam sua biomecânica TAMBÉM muda, uma vez que ela é a expressão dos anteriores?

Esse é (mais) um dos motivos pelos quais interfiro ZERO na mecânica de meus atletas. Ao treinar suas CAPACIDADES, elas se refletirão no novo padrão de corrida da pessoa. Duvida? Venha em janeiro em um treino meu, filme meus atletas e volte em maio! E verá como mudarão sem fazer UM exercício educativo sequer! Como isso é possível?

Eu tento olhar o padrão de corrida como indicador de CAPACIDADE que faltam ser treinadas. E apenas querer ou falar (faça isso, pise assim) POUCO ou NADA muda. Para você fazer o fadeaway do Jordan ou enterrar como LeBron, não basta educativos. Você precisa ter capacidades físicas mínimas e brutas, além de praticar o gesto POR COMPLETO. Focar primeiro em ângulos não te levará a lugar nenhum. E DENTRO do gesto completo seu corpo encontrará as alternativas mais adequadas de ajuste.

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