Leituras de 5a Feira

(Meio) Off-topic: um ciclista ainda em começo de carreira fez todo um laboratório parar para checar se o equipamento estava mesmo funcionando e calibrado ou se acabavam de fazer a maior medição de VO2máx da história. O Vo2 é aquela típica medida distante e ineficiente ao desempenho esportivo, mas prendeu gerações inteiras de fisiologistas que agora que vão descobrindo sua inutilidade é tarde demais para admitir o erro e abandoná-lo. Aqui a Outside reconta este episódio.

Autojabá: no outro blog falo sobre o mito do “carne demais pra um cão”

Autojabá 2: Para saber quando o podcast 3 Lados da Corrida do qual faço parte postou novos episódios, basta assinar aqui ou então assinar ou conferir no blog!

Os caras da Citius Mag fizeram um curto documentário sobre uma prova de revezamento de 550km que teve participação de uma equipe inteira feminina que quebrou o antigo recorde feminino, ficou em 3o geral e ainda correu abaixo de 4’00”/km!

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Treino ou malabarismo?

Tempo atrás quando lia um artigo sobre como melhorar seu condicionamento, um dos mandamentos era: se você precisa escrever o treino (como se fosse uma cola para poder executá-lo), ele é complicado demais para que valha a pena ser feito.

A corrida ela é linda por inúmeros motivos, mas 2 deles especialmente me encantam:

1. Ela te devolve o tanto quanto você dedica a ela. Ela é talvez o esporte mais justo que existe;

2. Ela é simples demais. Você não precisa de NADA, nem mesmo tênis especiais para praticá-la.

 

Todo mundo que a complica em sua teoria parece apenas querer criar uma dificuldade para depois vender-lhe a facilidade. Então eu sempre tenho comigo que meu atleta ele tem que ser capaz de decorar o treino do dia sem fazer muita força! Eu me dou o direito de apenas eventualmente prescrever uma sessão que seja um pouco mais difícil de decorar. E ainda assim TODOS os atletas do grupo fazem o MESMO treino (cada um em seu ritmo individual).

 

E veja bem, eu vou à pista carregando absolutamente NADA! Treinadores de velocistas e saltadores precisam de cones, paraquedas, blocos de saída, trenas… eu não! Nem cronômetro de punho eu levo!

Mas quando seu chefe, seu patrão, aquele que lhe paga o salário é o próprio atleta, temos aí um problema. Para ganhar mais ($) você precisa não fazer o melhor a ele, você precisa fazer parecer que aquilo ali é o melhor a ele.

Como você teoricamente instrui um leigo nesse assunto, você precisa de certa forma ou ludibriá-lo ou encantá-lo. A eficiência fica em segundo plano. Nasceu assim ao longo dos tempos uma tendência crescente nesse campo: o de tornar tudo complexo. Por quê? Porque assim é um jeito de se esconder a incompetência técnica fazendo malabarismos. E você encanta e pode cobrar mais caro.

Houve uma época que aos sábados na USP (local com maior número de corredores e assessorias nesse dia em SP) você encontrava pranchas, bosu, “gaiola” de abdominal, extensores, fit ball

Muitos dos equipamentos eram para apenas enganar (no sentido de esconder um desconhecimento técnico), entreter e encantar o corredor. Nunca serviram para muita coisa! Servia sim porque da noite para o dia espalhou-se a ideia de que fazer exercícios em bases instáveis (sobre o bosu ou sobre uma fit ball) era uma descoberta das melhores!

 

Como disse um grande especialista em treino de força, convenhamos: agachar-se na bola suíça é completamente idiota. É um truque de circo.

Não que elas não sirvam para nada! Elas servem para quase nada, é diferente! Elas podem servir a um surfista que compete em uma base instável, mas não a um corredor! Ela pode servir àquele cliente sedentário de 45 anos que desde os 20 faz nada, mas não a alguém condicionado ou minimamente fortalecido!

Se um treinador tem que carregar pra lá e pra cá um monte de equipamento é porque ou isso faz bem ao marketing (concordo!), ou para entreter um cliente que não gosta de correr ou porque ainda não entendeu direito para o que aquilo tudo serve.

Sempre (sempre!) que você quiser saber se algum equipamento é MESMO necessário para melhorar sua corrida, basta se perguntar: como as pessoas faziam antes SEM ele? Pois é…

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Leituras de 6a Feira

O crescimento dos participantes das corridas de rua teria chegado ao teto? Bom, na verdade há levantamentos que dizem que estamos em pequena queda. Um texto da Runner’s World reforça o discurso de que não apenas nos EUA, mas também na Europa temos menos gente participando de provas de 2016 pra cá. O crescimento asiático parece não compensar. As provas maiores parecem se segurar melhor, mas as pequenas estariam pagando o preço.

No The New York Times matéria sobre o livro de corrida de um dos gurus desse esporte.

Quão rápido são os britânicos correndo maratona? Não são muito diferentes de nós brasileiros… A verdade é que ficar acima da média lá fora não é nada difícil, mas por experiência própria, se destacar lá fora é MUITO mais difícil do que aqui no Brasil… britânicos, espanhóis, irlandeses, americanos… tenso… tenso mesmo acompanhá-los! Os dados sobre quão rápido eles correm na média lá fora você tem neste levantamento do Run Repeat aqui!

No The New York Times um corredor amador explica como a corrida o ajuda/ajudou a fazer melhor seu trabalho!

A Let’s Run fala daquelas que seriam as 3 principais ultramaratonas do mundo. Difícil discordar… mesmo sendo matéria patrocinada pela Hoka One One.

Não sei o quanto acompanham ou gostam do alto nível. Tempo atrás a fundista americana Gabe Grunewald passou a enfrentar uma duríssima batalha contra o câncer. Uma guerra que ela perdeu recentemente e que levou o atletismo ao luto. Uma mulher singular!

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A academia não te fará um corredor melhor

Pergunte a um corredor ou pra alguém que quer começar a correr: o que se deve fazer para poder correr melhor e de forma mais segura, com menos lesões?

 “Musculação, certo?”

Um dos temas pelo qual MAIS me mais interessava ainda na faculdade era JUSTAMENTE sobre treinamento de força em corredores. Ele é tão praticado, tão difundido, tão intuitivo que parece que ir à academia deveria ser uma espécie de item obrigatório de quem quer levar a corrida de longa distância mais a sério ou de forma mais segura (menos lesões).

O que a prática e a observação me ensinaram? Academia!? Dane-se! Faça por razões estéticas. E só.

Duvida? Pergunte a qualquer orientado meu se peço para que eles façam academia com esse intuito (desempenho e/ou lesão). Zero. Nada. Niente. Rien. Nichts.

 

 Por que fazer academia?

Corrida é um movimento feito em cadeia. Ela nada mais é que uma sucessão alternada de saltos horizontais. É nossa capacidade de produzir força de forma rápida e usando cadeias musculares que determinam nosso resultado.

 Quando você se senta para fazer Mesa Flexora, por exemplo. Você se isola de uma forma TOTALMENTE NÃO específica. A cada passo de uma corrida seu quadril por ação da gravidade, tende a ir para baixo. O que seu corpo faz? “Desacelera o quadril” para manter a forma.

 Se você olhar em uma academia tradicional o que há ali que simula AINDA QUE de longe o gesto? Mesa Extensora? Cadeira Flexora? Abdutora? Adutora? Lixo puro!

 

Reforço: se você quer fazer por questões ESTÉTICAS esses 4 exercícios, OK! (*ainda que eu NUNCA recomende que se faça a extensora… nem mesmo esteticamente… nem mesmo os inimigos, seria não respeitar a Convenção de Genebra, um crime de guerra). Porém, se você faz por causa da corrida, tenho uma PÉSSIMA notícia…

 

*Se você faz Leg Press isso SÓ SE justifica se não há na academia uma máquina de agachamento. Se há máquina para agachamento, essa SÓ SE justifica se não houver uma barra livre (pro agachamento). Se há barra livre, abandone o resto! A vida é curta! O tempo é seu bem mais valioso pra perdê-lo fazendo exercício errado!

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Leituras de 4a Feira

Um texto da Outside sugere que pelo achado no Mundial de Atletismo não devemos prestar muita atenção em nosso tipo de pisada (se com o calcanhar ou com a parte frontal). Então tá… antes fosse simples assim!

Auto-jabá: no outro blog retomo que NADA na Nutrição deveria ser visto que não fosse aos olhos da cronicidade. É sobre oferta, senhores!

No meu segundo livro, O Treinador Clandestino, um dos capítulos é justamente sobre a importância do desaquecimento. As pessoas fazem isso pensando em segurança (reduzir as chances de um evento cardíaco, o que é uma enorme bobagem). Mas na verdade temos ganhos não-esperados. Em um texto sucinto e didático Steve Magness fala dessa ideia e de alguns ganhos indiretos com desaquecimentos poucos usuais.

No The Guardian o grande Adharanand Finn no vácuo de seu novo livro fala sobre como a ultramaratona o trouxe uma paz inesperada.

Um belo texto falando do prodígio que assombrou o atletismo americano semanas atrás: Matthew Boling!

Cada vez menos tenho aquela paixão por acompanhar o alto nível do atletismo. Motivo? O doping disseminado sem um combate real por parte dos dirigentes faz tudo aquilo parecer ser um teatro, puro entretenimento, um filme, uma peça de teatro. Para que se envolver emocionalmente? É só esperar o próximo filme, a próxima peça…. sem decepção, sem sensação de ter sido enganado, afinal, é tudo ficção. Falo isso e reforçado pela matéria da Reuters que fez o que já se sabia… foram ver onde estão os treinadores russos banidos do esporte por doping. Adivinhem… sim! Seguem na ativa com dirigentes fingindo que nada sabem.

Auto-jabá: questão de dias atrás, vendo um vídeo do Kei, do canal de YouTube Keiando, acabei por trocar mensagens com ele para gravarmos um vídeo juntos sobre mitos na corrida! O motivo foi que ele é corredor mais raiz, que não consegue aceitar muitas das coisas tenta nos empurrar/vender. O resultado? Um vídeo longo para os padrões! Juro que não imaginava ter falado por tanto tempo! Coitado do Kei! hahahaha Espero que gostem do resultado!

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