Leituras de Feriado

Durante os Jogos de Tóquio aquele torcedor que se aproxima do esporte olímpico a cada 4 anos decidiu fazer campanha em redes sociais dizendo que nossos atletas precisam de mais apoio (leia-se melhores salários). É uma inverdade. Um vídeo bem legal mostra a realidade americana.

Uma rara e ótima e longa entrevista com o talvez maior ultramaratonista da história, o grego Yiannis Kkouros. (ler que ele é contra treinos longos é de uma lento sem igual pra mim)

Um artigo questiona se Eliud Kipchogue seria o maior maratonista da história. A impressão que dá é que é um texto mais provocativo que argumentativo. Até porque o único nome que gera um debate sério, Abebe Bikila, sequer é citado.

Em uma entrevista fantástica com um dos maiores de todos os tempos, o barreirista Edwin Moses conversa com Neil deGrasse Tyson sobre física aplicada nos 400m com barreiras.

Um levantamento interessa te mostra que as pessoas fisicamente melhores bebem mais álcool que a média. Logicamente que você verá influenciador recomendando álcool para melhora desempenho, quando provavelmente a pessoa bebe mais para se premiar. Ou seja, vendedores tentarão inverter causa e consequência. Neste belo texto da Outside uma boa discussão no assunto.

Leituras de 2a Feira

Já que muitos estão com saudade dos jogos olímpicos, aqui uma lista (americanizada demais, é verdade) com 10 momentos emocionantes do atletismo em Tóquio.

Dois textos separados por poucos dias fazem uma curta análise sobre o treino de atletas profissionais. Em um o autor fala sobre a divisão de intensidades dos treinos da maratonista americana sensação do momento, a Molly Seidel. E em outro o autor tenta explicar motivos para o sucesso dos irmãos noruegueses Ingebrigtsen. Confesso que olhava esse tipo de coisa com muito mais atenção e interesse, hoje olho mais é com um pouco de pavor. No caso da maratonista, por exemplo, é inevitável alguém trazer o princípio do 80:20, quando ele parece somente fazer sentido quando o volume é muito alto, ou seja, na elite. Já no caso dos noruegueses há tanto talento, dedicação e disciplina envolvida que você fica sem saber o que é ruído e o que é sinal.

Talvez alguém um pouco mais atento tenha percebido a quantidade de africanos correndo por Israel em Tóquio. O país ajuda muito aos refugiados etíopes, eritreus e sudaneses. Tachlowini Gabriyesos é um eritreu que hoje reside em Israel e que correu a maratona pelo time de refugiados em sua terceira competição na distância! Sua história para conseguir isso beira o inacreditável. *dica de Adriana Piza.

Qual a razão pelas marcas quase boas-demais-para-serem-verdade no atletismo em Tóquio? Primeiro: foi mesmo acima da média? Um texto explica que sim e lista com bons argumentos os 4 fatores principais: as sapatilhas, a pista, o material humano e aquele forte argumento o qual os donos do produto não gostam de falar, o doping.

O que herdeiro nigeriano nos ensina sobre dicas de blogueira e mailing de trouxas

Qualquer um que tem e-mail já recebeu e-mail de um príncipe nigeriano perseguido buscando ajuda pra sacar uma herança de milionária. Ele escreve a um desconhecido (eu! você! nós!!) e promete dividir tudo.

Se repararem o e-mail é tosco. Burrice do golpista? NÃO! É proposital. A lógica é genial! Ele dispara o e-mail milhões de vezes e por ser tosco serve como um filtro! Apenas os muito ingênuos seguem lendo APESAR dos erros! Ou seja, os erros PROPOSITAIS fazem com que ele atinja o público-alvo dele! Ingênuos (trouxas?).

Um tempo atrás o The Guardian desbaratou uma empresa que vendia um mailing de trouxas. Funciona assim: você comprava uma base de e-mails com milhares de trouxas cadastrados. Estou falando sério! Mas isso não é novidade!

O MARKETING DE FABRICANTES DE TÊNIS

Quando você não paga pelo produto, VOCÊ é o produto”.

Tenho certo orgulho de estar sempre 98% por fora do que acontece no mercado de corrida (mas não de treinamento). Isso porque de certa forma quer dizer que eu NÃO estou no mailing de trouxas.

Funciona assim. Você cria um produto. Inventa uma mentira qualquer sobre ele. Que ele foi feito em laboratório pra quem tem a cadência X, a amplitude Y, o ritmo/pace Z. Obviamente que é tão mentira quanto o príncipe querer te dar dinheiro.

Pra quem você consegue vender? Pra ingênuos (trouxas?). E onde encontro trouxas? Nos mailings que – ACREDITE! – já existem. Qualquer marca sabe que existem! Onde??

As marcas sabem que alguns influenciadores adubam uma horta de ingênuos (trouxas?). Pra esses você consegue empurrar qualquer coisa usando uns gatilhos (“tecnologia”, “feito pra você”, “responsivo”…)!

Você pode até não saber, mas quando você segue algumas pessoas, VOCÊ é o produto (trouxa?). Você pode até não ser trouxa (falo MUITO sério!!), mas ainda que não goste é assim que a marca esportiva te vê. Você talvez só não saiba!

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Leituras de 3a Feira

O uso de sauna é antigo e justamente por ser usado por países de tradição no esporte acaba sendo adotado. Estudos vão mostrando que o uso de sauna realmente melhora nosso corpo em sua capacidade de se adaptar ao exercício no calor. Aqui matéria canadense a respeito.

O UOL nos reconta os bastidores de uma das medalhas olímpicas mais legais de nossa história: a prata do revezamento 4x100m em Sidney.

O DyeStat, um importante site de corrida, relembra a carreira do treinador brasileiro Luiz de Oliveira que treinou Joaquim Cruz e outros grandes.

Por que Eliud Kipchoge é tão melhor que os outros maratonista do mundo.

Um vídeo com um infográfico bem legal sobre o desenrolar da Maratona olímpica de dias atrás!

Leituras de 3a Feira

Existe entre amadores, que não entendem bem a dinâmica do esporte, um exagero na importância que estratégias de recuperação têm no desempenho e progresso esportivo. A melhor, mais eficiente e mais barata ferramenta de recuperação é de graça, é o sono! Há muito achismo nessa área (ex: quantas horas precisamos dormir). A lenda urbana fala em 8 horas e é um número meio que arbitrário. O que espanta em matéria na Outside é saber que em uma das potências esportivas do planeta, a Austrália, boa parte de seus atletas dorme 1h30 a menos do que eles mesmos julgam como adequado para sua própria recuperação. Lembrando aqui que é no sono que o corpo se recupera, entra em fase anabólica (“crescimento”) e em deficiência (em qualidade e quantidade) temos aumentado o risco de lesão.

A Bloomberg criou um infográfico espetacular com as medalhas olímpicas! Confira lá!

Como surgiram algumas provas um pouco mais – digamos – exóticas no atletismo como o lançamento de martelo e o salto com vara…

Ato Boldon é de longe o melhor comentarista do mundo do atletismo. Obviamente que ele não fala de todas as provas (ele nem tenta e as TVs nos EUA não deixam, diferente daqui). Eu não sabia como ele tinha começado nessa. Aqui matéria nos revela. Bom demais!

É de certa forma uma justiça que os 2 recordes mundiais (masculino e feminino) dos 400m com barreiras tenham caído no espaço de alguns dias. Talvez assim uma das provas mais difíceis do atletismo ganhe um pouco de justo reconhecimento que sempre mereceu. Se você não entende por que ela é tão dura veja o vídeo abaixo. Muito bom!

 

Leituras de 6a Feira

Uma análise técnica cuidadosa e impecável sobre o recente recorde mundial de Sydney McLaughlin nos 400m com barreiras semanas atrás.

O Japão é um país repleto de grandes maratonistas. Mas seu único ouro olímpico no masculino foi conquistado por um coreano naquelas histórias que revelam as atrocidades de guerra que o país cometeu. A história que o país prefere manter calada é contada nesta matéria.

Uma matéria incrível, emocionante, relembra alguns dos grandes, dos maiores, a ficar sem glória material (medalhas) nos Jogos Olímpicos ao longo da história.

A vencedora da Western States 100, uma das ultramaratonas mais importantes e desejadas do mundo, faz uma carta tentando dar dicas a homens corredores de como serem menos sexistas.

O maratonista japonês Kokichi Tsuburaya tem uma das histórias mais tristes dentro da maratona olímpica mesmo saindo medalhista. Saiba aqui em bela matéria do The New York Times.

Matéria na Outside tenta ajudar na dúvida: quando nos preparamos para uma prova no calor fazer sauna é tão efetivo quanto treinar no calor? É bem decepcionante que as variáveis analisadas sejam marcadores fisiológicos e não desempenho, como se corrida fosse um esporte como ginástica artística, dependente de nota.

5 erros que você provavelmente comete treinando força

Todo corredor já ouviu dizer que “é importante fortalecer pra não se machucar”. Será verdade? Não, não é. Basta encontrar um corredor que não fortalece pra derrubar isso. Na África os melhores do mundo não contam com academias, personal ou barras olímpicas. Como conseguem?

1. VOCÊ PODE SE FORTALECER FORA DE APARELHOS;

Não é verdade que a corrida “exija” musculação! O ser humano sempre correu, mas academias são ambientes contemporâneos, modernos. O movimento olímpico surgiu muito antes da primeira academia tradicional. E de lá pra cá a incidência de lesões não diminuiu. Sinal que corredores se fortalecem também fora da academia tradicional.

2. FORTALECER É MAIS SOBRE COMBATER FRAGILIDADES DO QUE MELHORAR FORTALEZAS;

Um corredor muito mais forte não é mais rápido. Já um corredor fraco é mais lento e se machuca mais!

Isso quer dizer que existem níveis ótimos e mínimos pra sua corrida ser segura! Muito acima disso os benefícios são limitados. O problema é que a modernidade torna o amador médio fragilizado! Então um fortalecimento mais do que atingir níveis elevados é pra compensar níveis mínimos! Aguentar levantar 1 tonelada não vai te fazer correr mais, mas aguentar apenas seu peso vai te fazer correr mal e se machucar.

3. FORÇA É LOCAL

Acho que é bem claro que treinar supino não te fará correr melhor. Assim como fazer agachamento não te ajudará a fazer barras. Porém, muitos amadores mesmo sabendo que ela é específica esquece outro mandamento…

4. FORÇA É GESTUALMENTE ESPECÍFICA

Um dos exercícios mais populares entre os corredores é em um aparelho que pouco ou mesmo nada traz de benefícios: a mesa extensora. O fato de trabalhar a perna pouco ajuda porque aquilo não tem nada de corrida! E assim chegamos a mais um mandamento, o último de hoje!

5. O TREINO SER TRANSFERÍVEL

O gesto precisa se parecer com o esporte. Ficar sentado fazendo força com o quadril suspenso não se transfere à corrida. É um mandamento mais fácil falado do que executado, mas tenha em mente que apenas ter pernas grandes não necessariamente se transfere à sua corrida! Busque exercícios que sabidamente gerem força gestual durante a corrida.

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