Leituras de 3a Feira

Existe entre amadores, que não entendem bem a dinâmica do esporte, um exagero na importância que estratégias de recuperação têm no desempenho e progresso esportivo. A melhor, mais eficiente e mais barata ferramenta de recuperação é de graça, é o sono! Há muito achismo nessa área (ex: quantas horas precisamos dormir). A lenda urbana fala em 8 horas e é um número meio que arbitrário. O que espanta em matéria na Outside é saber que em uma das potências esportivas do planeta, a Austrália, boa parte de seus atletas dorme 1h30 a menos do que eles mesmos julgam como adequado para sua própria recuperação. Lembrando aqui que é no sono que o corpo se recupera, entra em fase anabólica (“crescimento”) e em deficiência (em qualidade e quantidade) temos aumentado o risco de lesão.

A Bloomberg criou um infográfico espetacular com as medalhas olímpicas! Confira lá!

Como surgiram algumas provas um pouco mais – digamos – exóticas no atletismo como o lançamento de martelo e o salto com vara…

Ato Boldon é de longe o melhor comentarista do mundo do atletismo. Obviamente que ele não fala de todas as provas (ele nem tenta e as TVs nos EUA não deixam, diferente daqui). Eu não sabia como ele tinha começado nessa. Aqui matéria nos revela. Bom demais!

É de certa forma uma justiça que os 2 recordes mundiais (masculino e feminino) dos 400m com barreiras tenham caído no espaço de alguns dias. Talvez assim uma das provas mais difíceis do atletismo ganhe um pouco de justo reconhecimento que sempre mereceu. Se você não entende por que ela é tão dura veja o vídeo abaixo. Muito bom!

 

Leituras de 6a Feira

Uma análise técnica cuidadosa e impecável sobre o recente recorde mundial de Sydney McLaughlin nos 400m com barreiras semanas atrás.

O Japão é um país repleto de grandes maratonistas. Mas seu único ouro olímpico no masculino foi conquistado por um coreano naquelas histórias que revelam as atrocidades de guerra que o país cometeu. A história que o país prefere manter calada é contada nesta matéria.

Uma matéria incrível, emocionante, relembra alguns dos grandes, dos maiores, a ficar sem glória material (medalhas) nos Jogos Olímpicos ao longo da história.

A vencedora da Western States 100, uma das ultramaratonas mais importantes e desejadas do mundo, faz uma carta tentando dar dicas a homens corredores de como serem menos sexistas.

O maratonista japonês Kokichi Tsuburaya tem uma das histórias mais tristes dentro da maratona olímpica mesmo saindo medalhista. Saiba aqui em bela matéria do The New York Times.

Matéria na Outside tenta ajudar na dúvida: quando nos preparamos para uma prova no calor fazer sauna é tão efetivo quanto treinar no calor? É bem decepcionante que as variáveis analisadas sejam marcadores fisiológicos e não desempenho, como se corrida fosse um esporte como ginástica artística, dependente de nota.

5 erros que você provavelmente comete treinando força

Todo corredor já ouviu dizer que “é importante fortalecer pra não se machucar”. Será verdade? Não, não é. Basta encontrar um corredor que não fortalece pra derrubar isso. Na África os melhores do mundo não contam com academias, personal ou barras olímpicas. Como conseguem?

1. VOCÊ PODE SE FORTALECER FORA DE APARELHOS;

Não é verdade que a corrida “exija” musculação! O ser humano sempre correu, mas academias são ambientes contemporâneos, modernos. O movimento olímpico surgiu muito antes da primeira academia tradicional. E de lá pra cá a incidência de lesões não diminuiu. Sinal que corredores se fortalecem também fora da academia tradicional.

2. FORTALECER É MAIS SOBRE COMBATER FRAGILIDADES DO QUE MELHORAR FORTALEZAS;

Um corredor muito mais forte não é mais rápido. Já um corredor fraco é mais lento e se machuca mais!

Isso quer dizer que existem níveis ótimos e mínimos pra sua corrida ser segura! Muito acima disso os benefícios são limitados. O problema é que a modernidade torna o amador médio fragilizado! Então um fortalecimento mais do que atingir níveis elevados é pra compensar níveis mínimos! Aguentar levantar 1 tonelada não vai te fazer correr mais, mas aguentar apenas seu peso vai te fazer correr mal e se machucar.

3. FORÇA É LOCAL

Acho que é bem claro que treinar supino não te fará correr melhor. Assim como fazer agachamento não te ajudará a fazer barras. Porém, muitos amadores mesmo sabendo que ela é específica esquece outro mandamento…

4. FORÇA É GESTUALMENTE ESPECÍFICA

Um dos exercícios mais populares entre os corredores é em um aparelho que pouco ou mesmo nada traz de benefícios: a mesa extensora. O fato de trabalhar a perna pouco ajuda porque aquilo não tem nada de corrida! E assim chegamos a mais um mandamento, o último de hoje!

5. O TREINO SER TRANSFERÍVEL

O gesto precisa se parecer com o esporte. Ficar sentado fazendo força com o quadril suspenso não se transfere à corrida. É um mandamento mais fácil falado do que executado, mas tenha em mente que apenas ter pernas grandes não necessariamente se transfere à sua corrida! Busque exercícios que sabidamente gerem força gestual durante a corrida.

Etiquetado ,

Leituras de 2a Feira

Um texto sobre 7 coisas a não se fazer durante uma corrida e/ou prova.

Um dos maiores, senão o maior especialista não-japonês, a falar sobre a relação japonesa com a maratona é o britânico Adharanand Finn. Em texto ele explica por que o Japão não domina a maratona nos grandes eventos (majors, jogos olímpicos e mundiais).

Uma entrevista em vídeo longa e honesta com a gigante Blanka Vlasic, uma das maiores senão a maior saltadora em altura da história. Semanas atrás postei aqui um texto cortante de emocionante sobre sua aposentadoria. Assisti de uma vez só os 18 minutos! Se preciso te convencer, nele ela revela que bateu o recorde mundial em treino!

Um óculos bizarro de horroroso usado por Ato Boldon 20 anos atrás em Sidney ainda chama atenção. Matéria da Vogue trata do assunto.

Abaixo o trailer de um documentário sobre o primeiro ouro olímpico na maratona feminina pelo Japão! A campeã Naoko Takahashi é uma das maiores da história e merece ter seu feito recontado! Mais detalhes do feito da japonesa aqui.

 

Os erros que você comete e que te fazem correr com mais dores

Correr não é só um esporte que exige dedicação, esforço e paciência, ele é também um esporte de certa forma agressivo com nosso aparelho locomotor, uma vez que para progredirmos correr estressa esse aparelho e durante a recuperação saímos do processo fortalecidos, melhorados, evoluídos.

Na ânsia que muitos temos por resultados, acabamos tentando apressar os processos e isso acaba gerando problemas.

Então:

1. Tiros em excesso. Correr treinos intensos (os chamados treinos intervalados ou de tiros) mais vezes do que deveríamos nos faz correr com mais dores por termos pouco tempo adequado de recuperação;

2. Correr excessivamente rápido. Outro erro comum é corrermos mais rápido do que deveríamos. Seja em tiros, seja na rodagem, seja no treino leve… correr mais rápido não só NÃO é necessariamente melhor, como nos faz correr mais cansados, com mais dores;

3. Não respeitar o leve. Há o momento de correr forte e há o momento de correr lento e leve. Correr os treinos leves mais rápido achando que isso é melhor, não dá condições que o corpo se recupere de forma adequada, faz que tenhamos por mais tempo dores e incômodos residuais, fruto dos treinos mais duros;

4. Correr machucado. Um corpo lesionado precisa se recuperar, não precisa de mais carga. O corredor precisa diferenciar o que é um desconforto de solicitação de um desconforto fruto de lesão. Quando há dor por lesão NÃO deveríamos treinar. Simples assim;

5. Exagerar no volume. Quando corremos mais quilômetros do que deveríamos ou assimilamos isso atrapalha a recuperação e as dores aparecem;

6. Dormir pouco e/ou mal. NADA é melhor do que o sono como ferramenta para recuperação. Sacrificar o sono é sacrificar a qualidade do treino;

7. Comer mal. Nosso corpo precisa de um bom combustível. Quem come alimentos processados e industrializados em excesso piora o combustível. E uma máquina mal alimentada energeticamente é pior, mais inflamada e com mais dores;

Essas dicas não custam nenhum dinheiro, custam apenas uma corrida mais inteligente e segura.

Etiquetado , ,

Leituras de 3a Feira

Você não precisa ser fanático por atletismo para reconhecer a envergadura de Allyson Felix quando ela é capa da Times sendo atleta de um esporte tão pouco popular. Pra mim a maior velocista dessa geração.

No vácuo da suspensão da velocista americana Sha’Carri Richardson surgiu um debate tolo: seria o modelo de antidoping racista? Lógico que não! Um belo texto explica o óbvio, que não.

Quais os efeitos em seu cérebro ao correr uma ultramaratona?

Mais um belo curto e poético vídeo da Tracksmith:

 

Qual a forma correta de se evitar lesões?

Uma frase famosa diz que há duas certezas na vida: a morte e os impostos.

Outra certeza a um corredor regular é: cedo ou tarde você vai se machucar como fruto da corrida.

Então é natural que o assunto ganhe destaque quando vamos falar de treinamento.

Qual treinamento ou qual intervenção é capaz de prevenir ou evitar lesões?

Há muito boato, muita promessa e muito equívoco no assunto.

Tênis, perder peso, musculação, alongamento, “recovery”… NADA disso encontra suporte em evidências minimamente razoáveis. Nada.

Para entender a questão da lesão temos que entender talvez suas razões.

A corrida é um ambiente de certa forma bem controlado, diferente do futebol, por exemplo, onde você tem os choques e um adversário como obstáculo físico tentando impedir sua progressão.

Então vamos deixar de lado as quedas e tropeços correndo.

Lesão assim podemos assumir como sendo uma incapacidade do indivíduo em assimilar uma carga de treino (aguda ou crônica, o que dificulta nosso trabalho) sem prejuízo à funcionalidade de sua própria estrutura orgânica (músculos, ossos e tendões, principalmente).

Dito e compreendido isso, para evitarmos as lesões temos que “ajudar” o corpo. Como?

Termos cargas de treino condizentes, que progridam de forma coerente e razoável.

Além disso, acho que fica claro entender que um corpo fortalecido para o gesto do esporte, no caso a corrida, permite que cargas excessivas sejam mais improváveis de serem executadas.

Tudo de certa forma simples, mas não fácil.

Etiquetado , , ,

Como um direcionamento correto do treino pode aumentar seus resultados na corrida?

Eu costumo dizer que a corrida é o esporte mais simples que existe. Mas não é fácil! Exige disciplina, dedicação, paciência, muito esforço…

Mas para melhorarmos e progredirmos nela, o desejo de muitos que se inscrevem e participam de provas, talvez seja necessário ainda um pouco mais. Correr não exige muitas explicações, mas um processo de treinamento exige um pouco mais do que apenas “sair correndo”.

Por exemplo, quem busca melhorar talvez deva respeitar um princípio, o da variação. Einstein dizia para não esperarmos resultados diferentes fazendo a mesma coisa. Aplicada à corrida, podemos dizer: não faça sempre o mesmo treino.

Existem outros. Por exemplo. As cargas devem ser não só variadas, mas de certa forma proporcionais e crescentes.

Outra coisa que pode parecer óbvia a alguns, mas não a todos: corredores correm, enxadristas jogam xadrez. Esse é o princípio da especificidade. Para correr maratonas se corre mais e de certa forma mais lento. Para correr provas mais curtas, seja 100m ou 5km, corre-se menos e mais rápido.

Então mesmo a corrida sendo o esporte mais simples que existe, não é só sair correndo. Mais do que dedicar-se a ela, aqueles que buscam progresso precisam variar seus treinos, ter treinos adequados em quantidade, progressão e que façam sentido àquilo que mais desejam.

Etiquetado ,