Obesidade e aposentadoria no Esporte – parte 2

Joe Thomas é um ex-jogador da NFL com 10 participações no Pro-Bowl, o All Star do futebol americano, sua modalidade. Ele é lembrado como um dos maiores da história em sua posição. Recém-aposentado, ele queria se livrar do excesso de peso que traz vantagem competitiva na NFL. Para isso ele perdeu 34kg de 148kg!

Recentemente Thomas deu uma entrevista e explicou não como emagreceu, mas como ele fazia para engordar, ficar “grande”. Ele disse que ele era considerado “pequeno” (undersize). Sabe como ele fazia? Nas palavras DELE:

  1. Ele comia a cada 2 horas;
  2. Ele consumia açúcar, carboidrato e massa (pasta);
  3. Ele não podia pular refeições “para não emagrecer”;

O Esporte e a Pecuária sabem como engordar MUITO melhor do que a Nutrição sabe emagrecer. Por quê? Porque esporte e pecuária vivem de resultados, a nutrição vive de intenções. Os primeiros têm skin in the game, pele em jogo, a nutrição não. Isso explica quase tudo.

Thomas é hoje um aposentado, treina BEM menos e pesa BEM menos. Ele é mais magro do que quando era um dos melhores e mais bem pagos atletas do mundo em uma das ligas mais excruciantes do planeta. Como isso é possível?

Semanas atrás eu falava sobre o drama que companheiros de liga dele vivem ao engordarem quando param de jogar. O que recomendam os “especialistas” de sempre? O OPOSTO do que Thomas fez para emagrecer! Recomendam o OPOSTO do que a Pecuária faz para engordar grandes mamíferos.

  1. Pedem para comermos regularmente, a cada 3 horas para acelerar o metabolismo. Um sinal CLARO de que não têm IDEIA do que estão falando.
  2. Pedem para cortar gorduras, aumentando assim o consumo de carboidrato, macronutriente usado para engordar Thomas e os rebanhos.
  3. Condenam o jejum, deixando o corpo em constante estado anabólico.

 

Faz sentido para você? Lógico que não faz!

Entre a prática eficiente e o sonho de quem nega a realidade, vocês sabem com quem eu fico!

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O Esporte tem “Skin in the game” (pele em jogo). A Nutrição NÃO.

Dias atrás postei no meu instagram (@DaniloBalu) minha lista de melhores livros de corrida/atletismo. Essa semana irei atualizar a lista. Nela agora irá “Tigerbelle”, a biografia da ESPETACULAR Wyomia Tyus, primeira pessoa (homem ou mulher) a ser bicampeã olímpica dos 100m (1964 & 68). Era uma mácula que eu carregava.

Leia abaixo o trecho que separei e traduzi:

Você está muito grande! Você nunca foi tão grande! E você está perto da prova mais importante da sua vida. Nós vamos ter que fazer algo. Você precisa se afastar da mesa. Você precisa se afastar das batatas, precisa se afastar do arroz e precisa se afastar do pão.”

 

A frase foi dita por Ed Temple, primeiro americano a ir duas vezes seguidas a Jogos Olímpicos como treinador de atletismo, algo que era proibido. Isso dá um indício de como ele era especial.

Mr. Temple, como era chamado, sem saber a diferença entre insulina e glucagon tinha apele em jogo. Pedia à sua melhor velocista para perder peso. Como? Jejum e evitando arroz, massa e pão. Resultado? Ouro e recorde mundial!

Aí vem nutricionista e pede o quê ao amador? Comer de 3 em 3h e ênfase onde? Carboidrato! Minha bronca é ENORME quando vejo nutricionista falando em “peso ideal” ou em empurrar carboidrato goela abaixo de atleta amador é porque para mim fica CLARO justamente que eles NÃO entenderam NADA ainda desse esporte!

Temple entendia como o peso é CRUCIAL. Por isso que em 2008 o americano Chris Solinsky assombrou o mundo do atletismo. Não era só um recorde. Ele era o primeiro atleta na história com mais de 70kg a entrar no clube dos sub-27minutos nos 10.000m!

Entre os maratonistas o clube sub-2h06 tem uma MINORIA de atletas com mais de 60kg. Por quê? Porque peso (baixo) importa MUITO! Por isso que algumas atletas japonesas APANHAM de seus treinadores quando ganham peso.

A imagem abaixo que ilustra esse texto e é uma plotagem do peso dos fundistas nos Jogos Olímpicos do Rio/2016. Este é um padrão que se reproduz, não importando a edição olímpica!

Quando um nutricionista oferece carboidrato a um atleta acima do peso, ele dificulta que ele PERCA peso, um ENORME limitante de desempenho. Sabemos que low-carb é a estratégia nutricional que MELHOR traz perda de peso e que torna mais FÁCIL a manutenção de um baixo peso.

NÃO há correlação de (maior) consumo de carboidrato com desempenho. Mas HÁ uma relação de (menor) peso com melhor desempenho. Entendeu, nutricionista? Se você empurra carboidrato a um atleta eu SEI que você ainda NÃO entendeu esse esporte. Controle do peso vem À FRENTE de qual macronutriente consumir quando falamos em desempenho!

Simples assim.

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Leituras de 3a Feira

Uma cerveja americana de baixo carboidrato (low-carb) fez um comercial bacana. Não dava pra deixar corrida de fora.

Auto-jabá: participei dias atrás de um bate-papo MUITO legal no canal Atletas Low-Carb com a nutricionista Letícia Moreira e o Andre Burgos, corredor amador dos rápidos. Quem quiser assistir, basta clicar aqui!

Auto-jabá 2: no outro blog escrevi sobre obesidade e a aposentadoria no esporte e sobre como os especialistas de sempre entenderam tudo errado!

Uma empresa entrou no mercado de corrida chutando a porta patrocinando várias grandes provas. Eles aproveitaram para contar a relação de 4 pessoas com esse esporte. Uma delas é a da Adriana Aparecida, maratonista profissional que tem uma história incrível, típica dos grandes talentos brasileiros do atletismo! *dica do Carlos Gueiros.

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Leituras de 4a Feira

Auto-jabá: No outro blog falo sobre a relação da saúde com nosso consumo de leite e como pode ser BEM diferente do que imaginamos…

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Se tem algo do qual NÃO gosto muito de falar a respeito é da associação que vira e mexem fazem com a corrida nos campos (do tratamento) da depressão e sobre ela causar vício e dependência. Ontem falei de mais um texto desses. Da depressão não gosto nem de falar quando associam a corrida como tratamento para ela. É uma doença TÃO terrível e TÃO estigmatizada que o simples debate com o público dá a entender que a corrida seria uma espécie de remédio. Corrida só pode ser remédio para quem GOSTA minimamente de correr. O indivíduo com depressão não deveria buscar a corrida, mas o ESPORTE como ferramenta de auxílio, NÃO como remédio.

Também ontem, respondendo a dois comentários, tentei explicar que ser viciado é BEM diferente de ter prazer. Gostar de correr não te faz um viciado. Minha crítica ao debate da sua prática ser viciante é porque sempre sugerem ou dão a entender que ela vicia mais do que realmente pode viciar.

Eu tenho prazer em correr (são muitos anos correndo), mas não tenho graves e sérias crises de abstinências quando não corro. Aliás, estou há 10 dias sem conseguir correr (mas treinando força) porque meu calcanhar dá sinais de que precisa de uma cirurgia iminente. Experimente deixar um viciado sem narcótico ou droga todo esse período.

Não é nada simples definir quando algo “te vicia”. Quando falamos de uma substância ser viciante (e eu sei que a corrida não é uma substância) a American Psychological Association (APA) define 7 pontos dos quais havendo ao menos 3 você tem algo viciante. Porcamente resumindo seria: tolerância, abstinência, bingeing (overdose, uso excessivo de uma vez…), desejo de largar, procura/desejo (craving), interferência (negativa) na vida e consumo apesar do mal que causa.

Para alguém ser MESMO viciado em correr tem que ser alguém que corre MUITO. Mas MUITO. Em frequência e tempo (nem estou falando de ritmo!).

Outras coisas REALMENTE e claramente viciam a muitos… açúcar, entorpecentes, cigarro, álcool, fármacos, sexo, jogo… Não precisa ser especialista para saber que não entram todos no mesmo balaio. De uns é mais fácil sair do vício que de outros. Fora que por vezes confundimos hábito com dependência… o hábito (por exemplo, parar para correr dia sim dia não num parque na volta do trabalho para casa) facilita o trabalho ao nosso cérebro (MUITO preguiçoso) porque esse hábito é uma tomada de decisão A MENOS que tem que ser feita. Se você come uma tapioca sempre e somente se você corre há assim ainda a questão de associar a corrida com o fim do expediente ou de uma recompensa.

É a corrida o vício?

Como disse, é complexo. E o debate da corrida ser viciante ou ajudando pessoas com depressão não só acho simplista como quase insensível (com viciados, dependentes e doentes).

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Eu não faço ideia do quão sério seja o problema entre amadoras brasileiras, mas um belo e tocante vídeo com as ultramaratonistas Kaci Lickteig, Amanda Basham e Meredith Edwards toca em um assunto que poucos abordam: distúrbios alimentares (anorexia e bulimia) entre corredoras. Aqui mais informações.

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Leituras de 3a Feira

Vira e mexe os portais de corrida vêm trazer a possibilidade de a pessoa ser “viciada em corrida”. Dessa vez é hora da Athletics Weekly. Eu NUNCA vi ou conheci alguém viciado, mas apenas aqueles que QUERIA ser viciado em corrida… aí conseguiriam correr mais do que a disciplina manda. Eu acho um pouco engraçado esse debate porque uma atividade como a corrida que envolve liberação de dopamina, endorfina, etc, vai ou pode mesmo gerar dependência, só que em 0,0001% da população… só que a gente sabe que 99% das pessoas gastam com atividade física MENOS calorias do que deveríamos para ficar dentro de uma normalidade saudável. Porém, o ser humano ADORA se achar especial (por isso paga rios de dinheiro pra ter tênis pra sua pisada, suplemento manipulado, dieta personalizada, treinamento periodizado…)… então ele QUER se enquadrar nessas síndromes de meia dúzia… então fala que é viciado em corrida só que corre 2 ou 3x/semana… só que quando você alarga para o médio/longo prazo você vê que ele correu 1.7 vezes na semana nos últimos 30 meses… ele AMA falar que está com síndrome de sobretreinamento (ter overtraining é MUITO mais chique) e na verdade ele exagerou em 5 treinos seguidos e o corpo reclamou. A verdade é que povo que vive em laboratório enxerga o mundo de um jeito muito particular. Eu NUNCA dei treino pra um cara viciado em corrida (até porque tem que ter uma vida muito triste pra ser viciado em algo que dói e é monótono) ou alguém que tenha tido overtraining consistente, não algo adquirido em meia temporada… NUNCA. *dica do Carlos Gueiros.

Cada vez mais se simpatizo com a ideia de alguns grandes desafios físicos BEM esporádicos. Mas atenção! SEM treinar para ele. Quero fazer isso. Fazer provas de 30km SEM treinar para ela, por exemplo. Um cara que gosto muito completou um desafio de 1 mês 250 flexões diárias. Nem vou discutir aqui que do ponto de vista de saúde esse tipo de desafio é MUITO melhor do que aqueles do tipo X quilômetros até o final do ano que sempre pipocam lá pra novembro. Aí um pesquisador descobriu um desafio que é insano (no sentido depreciativo mesmo): 1.000 horas seguidas correndo/andando 1 milha por hora. Ou seja, mais de 40 dias sem dormir mais do que 1h30 seguida. Faz sentido? Lógico que não faz. Você não acha? Agora lhe pergunto: Maratona é saudável? Para haver coerência da sua parte só existe UMA resposta para ambos. *queria o destino que esse desafio das 1.000h se chamasse Barclay de pronuncia muito similar ao da ultramaratona mais difícil, a Barkley.

É bom deixar claro: eu NÃO acredito em teoria da conspiração. Porém, as pessoas sempre me perguntam por que na corrida a ideia de beber APENAS quando tiver sede ou a ideia do Jejum (intermitente) NÃO ganham adeptos dentro da academia (universidades). É simples: NÃO HÁ quem as financie ($$). Abra o documento sobre diretrizes de hidratação da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte, por exemplo. De olho aponto que metade de quem assina aquilo ganha/ganhou da indústria de isotônico. Eles TODOS são tão independentes quanto um taxista com passageiro. Abra QUALQUER portal grande de corrida, em 3 minutos você acha ali gente que ganha para defender o “beber antes da sede“, ideia que deveria ter morrido ao menos faz 10 anos. Você tem MUITA gente pagando para vender a ideia de “coma a cada 3h“, “sede é um sinal tardio de desidratação“, “jejum é coisa de gente fraca” (essa é nova e foi dito faz pouco por um ex-professor meu que não deve conseguir fazer uma flexão sem usar o joelho). Mas você NÃO tem quem financie (com $ porque professor universitário AMA dinheiro) falando que NÃO beber é uma estratégia melhor. Sem vender “snack” e isotônico a indústria (e seu professor e treinador) não ganha! É simples! NÃO é orquestrado. Mas é assim. NUNCA é de graça.

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