Sevilha e Lodz, duas desconhecidas….

Faz tempo que não tento entender pra onde caminha o mercado… a Maratona de NY sempre foi desejada, ok, mas até tempo atrás ninguém ligava muito para Chicago… De repente virou uma obsessão entre amadores correrem as majors… outras gigantes como Honolulu ou a Marine Corps parecem seguir sendo coisa de americano. Esse domingo rolou a de Sevilha que, assim como a vizinha Valencia, parece que ganhará adeptos.

O que atrai exatamente multidões? A fórmula ninguém sabe a certo, mas exige muito dinheiro. Fosse apenas um percurso plano, Sevilha deveria faz tempo estar entre as maiores, mas é hoje apenas a 3a do país (atrás da líder Valencia e da vice Barcelona com Madri em 4o).

E por que Sevilha deveria receber mais atenção? Ontem 11 corredores fizeram abaixo de 2h08, um recorde que apenas Dubai já conseguiu (2020). Bom, mas dinheiro distorce um pouco a “velocidade” de uma prova quando se paga para profissionais correrem forte… Porém, quando falamos de percursos planos e rápidos (devemos aliar a temperatura e umidade média), Sevilha possui o percurso mais plano da Europa, só que não consegue comunicar isso!

Não é só ela! Um levantamento anos atrás chegou que a prova de LODZ na Polônia é uma das 3 melhores para uma amador correr rápido no velho continente (altimetria no pé da imagem), mas essa é uma grande desconhecida de nós. Planejei ir até lá anos atrás, mas o calendário não deixou.

Enfim….. fica a dica! Se você busca correr rápido, tem preguiça como eu tenho de se inscrever com 1 ano de antecedência em sorteio e tem um orçamento mais limitado (são 2 países BEM mais baratos), Sevilha (Espanha) e Lodz (Polônia) talvez mereçam sua atenção.

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Força!

SEMPRE que vc tiver alguma dúvida da importância da força em se correr bem, repare nesta foto da venezuelana Yulimar Rojas, que bateu essa semana o recorde mundial indoor do salto triplo, metendo 15,43m em Madri.

Acho que é BEM claro até intuitivamente pra todo mundo que quanto mais colocamos força fazendo em um gesto, MENOR é nossa acurácia, precisão, controle deste mesmo gesto motor. A meta da triplista é ir o mais longe possível, mas empurrando seu corpo na reta que é permitido pela regra ela faz muita força e se desloca um pouco lateralmente involuntariamente (lembre-se que ela quer ir para frente, não pros lados!) e ela faz isso mesmo SABENDO que pode lhe custar alguns centímetros. Mas ao “empurrar” perde um pouco da precisão, mas ganha velocidade! E ela só consegue isso fazendo força!Dia desses alguém escreveu “ah, mas os africanos não parecem fortes”… 2 pontos aqui!

No esporte a força funcional leva em conta o tanto de peso que carregamos (o corporal). Quantitativamente os africanos realmente não são fortes, pesam menos de 60kg… Eles precisam fazer quantitativamente bem menos força que um amador de 88kg, por exemplo. A força é assim proporcional!

Dia desses postei na turma dos meus workshops o treino de força de um dos maratonistas mais conhecidos da atualidade… 4 a 5 séries de 5 agachamentos totais com 80kg, algo como 1,3x seu peso corporal… voltando ao corredor de 88kg: você acha que ele consegue fazer com 115kg? Aliás, VOCÊ consegue??

Por fim, o segundo ponto… não confundir força com tamanho… Rojas é longilínea, assim como os saltadores em altura… e eles são ambos EXTREMAMENTE fortes. Duvida? Vá um dia acompanhar um treino desses atletas. Hipertrofia é UMA coisa (estética porque privilegia o volume sobre a força), já FORÇA é funcional! É outra coisa MUITO diferente!

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Leituras de 5a Feira

A Track & Field News, uma das melhores revistas de atletismo do mundo, traz uma entrevista bem legal com o maior velocista da história, Usain Bolt.

Por muito tempo eu usei fones de ouvido em treinos de rodagem ou longos (porque achava chato). De repente passei a usá-los nos tiros também. Chegou um momento que eu não corria mais 1km sem fones. Do dia pra noite repensei aquilo. Se eu gostava tanto de correr, podia fazer sem nada. Hoje acho que nem 10% do meu volume é feito com música. Vira e mexe saem textos provocativos no assunto. Dessa vez é na The Atlantic um desses para nos fazer repensar o uso constante de fones de ouvido.

Desta vez é a Wired quem traz a criação de um site dedicado a pegar maratonistas trapaceiros mundo afora!

6 situações que são um pesadelo aos corredores. Desses aí 2 nunca me abalaram!

Uma das coisas que o podcast 3 Lados da Corrida tem permitido ultimamente é eu rever uma turma do atletismo brasileiro. O discurso tem sido meio unânime: sobrou dinheiro ao atletismo no ciclo olímpico para o Rio/2016 e isso nos atrapalhou! Não tem como concordar quando você lê relatos como o da velocista Brittany Brown que parece mais uma atleta de um país como o Brasil, mas que ainda assim vai lá e brilha! Leia! E verá que o que nos falta NÃO é dinheiro!

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“Smoothness”

Ultimamente não tem se passado um dia sem que eu pense que a melhora na corrida de um amador deveria vir baseada em ganhos de força acima de qualquer coisa. Lembro que quando ainda trabalhava com velocistas, no universitário feminino eu dizia que o melhor revezamento não se ganhava treinando na pista, mas na musculação. No feminino com uma barra e muitas anilhas e você mal precisava levá-las à pista correr!

Dia atrás vi a imagem de uma corredora descalça correndo. Foi angustiante. O pé, nossa ligação primária com o ambiente, era tão fragilizado que você mal enxergava seu arco. Essa pessoa, tenho CERTEZA, se preocupa com tênis, pisada, volume de treino, ritmos e tem um pé que tem menos músculo que um pastel de carne.

Seus joelhos voltados pra dentro, sinalizando pernas e quadris que não suportam sequer seu peso, o que dizer de UMA perna sozinha por vez suportando TODO o peso somado ao impacto?

Todos enxergamos correr como nossa capacidade de GERAR um trabalho, mas ela é ANTES disso derivada de nossa capacidade de ABSORVER a carga INTRÍNSECA da modalidade. É como achar que podemos atacar sem defender! Ou seja, o corredor se preocupa com a chuteira, com caneleira, a tática do adversário, mas não repara que seu time entrou sem goleiro e zagueiros.

CRAIG PICKERING é um ex-velocista que escreve brilhantemente. Ele resolveu se debruçar sobre a suavidade e a fluidez (“smoothness”) na corrida. E a capacidade de ABSORVER IMPACTOS parece ser decisivo nessa história! Uma corrida passiva (que joga ao tênis esse trabalho) é ineficiente. E a fragilidade traz movimentos descoordenados (por trabalhar sempre no limite da exaustão).

Muitos dos corredores (amadores!) que mais admiro têm essa leveza! Parece que suas articulações são mais lubrificadas que a média, mas na verdade olhando a fundo vemos que são pessoas fortes, que faz a corrida parecer fácil, natural, fluida!

Os educativos “quebram” a fluidez da corrida (porque encara tudo em separado) e a fragilidade do conjunto nos impede de qualquer coisa. Pense nisso!

p.s.: não foi à toa que escolhi para este tema foto do velocista de corrida mais linda da história, Tyson Gay.

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Leituras de 6a Feira

A Athletics Weekly é uma das raras revistas que revisitam o passado contando a vida e carreira dos grandes nomes da história. Desta vez nos apresenta à velocista e saltadora britânica Mary Rand. Você lê a matéria muito legal aqui!

Um nerd sentou e fez as contas do quanto os VaporFlys ajudam nos tempos dos seus usuários. Bela matéria!

Dias atrás a jovem sensação Mondo Duplantis bateu o recorde mundial do salto com vara deixando 2 monstros da especialidade para trás. O The Guardian faz uma matéria bacana falando como o atletismo deveria capitalizar em cima de 3 carismáticas promessas. E neste vídeo para seu patrocinador Red Bull o saltador ainda explica como se faz um grande salto.

Nick Willis é um dos mais vencedores, talentosos e longevos atletas do mundo. Na Spikes ele explica sua motivação e como durar tanto assim no alto nível.

O que faz de quenianos e etíopes os melhores corredores do mundo? O canal Corre Nerd tenta explicar abaixo!

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