Leituras de 5a Feira

Não faz muito meu tipo, mas um vídeo bem legal com um resumo da vitória do canadense Jayden Dalke na The Canadian Death Race (Corrida Canadense da Morte). A ultra tem 125km e é feita em mais de 13 horas!

Auto-jabá: No outro blog explico que dieta não é sempre sobre aquilo que você come, mas sim sobre o que você NÃO come!

No The Guardian um novo texto sobre o elefante na sala sobre o qual todos fingem não ver: atletas trans competindo entre mulheres. A patrulha ideológica torna tudo TÃO bizarro que defender o lógico (trans não deveriam competir) virou sinal de intolerância.

A ESPN fez uma lista dos 20 atletas mais dominantes no esporte mundial. Eliud Kipchoge é o vice-líder! Não é pouca coisa, não!

Um texto bacana na Outside ensina um pouco sobre como funciona a lógica do controle de temperatura em nosso corpo. Ciclistas engoliram termômetros minúsculos para saber sua temperatura corporal. Na temperatura em que era esperado os atletas terem uma síncope eles ainda estavam “empurrando” e fazendo força. E quem mais esquentou não foram os menos preparados, mas justamente os mais preparados, num sinal claro de que o treinamento melhora nosso limite! Quanto mais curta e intensa a prova, mais o corpo esquenta!

Falei tempos atrás de um episódio pouco conhecido da maioria no atletismo que nos dá pistas e ensina como as coisas funcionam quando falamos de calçados no esporte. No final da décadas de 60 a PUMA criou uma sapatilha de velocidade que em vez dos até 6 cravos vinha com 68 pequenos cravos (uma referência aos Jogos Olímpicos de 1968 na Cidade do México?). Logo após sua invenção caíram 2 recordes mundiais (dos 200m e dos 400m). É mais do que provável que tenha sido tudo uma enorme coincidência, pois foram quebrados em altitude e no pico da preparação americana, que tinha hegemonia nessas provas. Isso e a reclamação das concorrentes foi o suficiente para que o equipamento fosse proibido, o que deu enorme fama à marca, que é lembrada até hoje por isso. Já nos anos 80 (e depois em 2010) foi a vez da NBA proibir um calçado. O que aconteceu? Suas vendas explodiram. Lógico! As fabricantes não fazem tênis para a elite usar, mas para os amadores comprarem! A proibição gerou desejo e (muitas, mas muitas) vendas. E assim chegamos ao Vaporfly 4% da Nike. Ainda muito se debate se ele gera algum ganho (com enorme segurança podemos dizer que nem todos terão benefícios). O argumento em comum usado nos 3 modelos proibidos (no atletismo e na NBA) era a vantagem desproporcional que seus usuários tinham. O debate com o atual modelo da Nike para Maratonas já faz toda a campanha que uma marca deseja. Se não proibir ele vira um trunfo, se for proibido, vira um trunfo para amadores, o maior público consumidor. É um jogo do tipo ganha-ganha! Abaixo a história sobre a histórica sapatilha!

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Os números das Maratonas e do maratonista brasileiro! – Anuário 2018

Antes do que era habitual, publiquei meu relatório anual com os números das MARATONAS brasileiras e o perfil do maratonista médio brasileiro. Como vem sendo, este é um levantamento único e exclusivo no nosso mercado (aqui você tem ele completo) e busca principalmente colocar um pouco de luz dando números na prova mais famosa da corrida de longa distância.

Quando falamos de 42km, Japão e EUA são líderes mais que absolutos em concluintes. Os países somados produzem 1 milhão de concluintes, nós giramos na casa dos 30.000. Europeus são também quase tão bons em completar a distância! Em compensação ficamos à frente dos argentinos, por exemplo.

Dados a destacar:

– Número recorde de maratonistas nas provas brasileiras (quase 32.000), um aumento de 22%!
– Um novo aumento de mulheres correndo que hoje são cerca de 22% dos concluintes.

Além de Rio de Janeiro, as provas de Porto Alegre e a de Floripa (agosto) vêm empurrando os números delas!

O nosso mercado de maratona vem crescendo de forma contínua e sustentada desde 2011. Para ser bem sincero nunca acreditei muito nisso. Até porque organizar um 42km traz bem menos retorno do que organizar 4 provas de 10km, por exemplo.

Mas não é só aqui no Brasil que brasileiros se testam nos 42km! Cada vez mais temos mais de nós completando a distância nas principais provas do mundo. Talvez pelo preço, praticidade, fama e qualidade, as duas mais “brasileiras” são agora aqui na América do Sul (Buenos Aires e Santiago). As majors ChicagoBerlim e Nova Iorque seguem de perto.

Juntando-se os dados temos que o maratonista médio brasileiro é:
– Homem (78%);
– Idade entre 30 e 49 anos (70%). Mais precisamente, ele tem 41.9 anos de idade!
– Ele correu no Rio de Janeiro, em São Paulo ou no exterior (62%);
– Corre os 42km em 4h20. E se for mulher, em 4h46! *ano a ano, com a entrada de novos corredores, o desempenho do brasileiro médio cai.

E se você quer correr rápido em solo brasileiro, sabidamente Porto Alegre sempre foi rápida, mas talvez valha dar uma chance para a Internacional de Floripa (a de agosto)!

E fica novamente o convite para acessar os dados completos do Infográfico das Maratonas Brasileiras clicando aqui!

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Leituras de 6a Feira

A Wired fez um pequeno documentário explicando por que é quase impossível correr 100m em 9 segundos.

Não é de hoje que a chatice da patrulha ideológica ou de gente querendo lacrar ou tentando ficar bonito na torcida tem consequências (ou a opção de só ser desconhecimento técnico mesmo). Desta vez foi um belo texto da The New York Times. Não bastava “só” falar do excepcional talento da ultramaratonista Courtney Dauwalter. A autora, torcedora ou ignorante no assunto, tinha que falar que as mulheres, conforme aumenta a distância de uma prova, se aproximam dos homens, o que sabemos não ser verdade. Nos anos 80 falávamos que a Amazônia era o “pulmão do mundo” e que mulheres um dia bateriam as marcas masculinas em provas muito longas. Não falamos mais em pulmão do mundo, mas contrariam a lógica e os números seguindo esse discurso de que maior a distância, mais elas se aproximam. Por fim, ela ainda vem e insinua que as mulheres poderiam superar homens pela força mental. Muito bonito se não fosse inverdade. A pergunta é: ela teria coragem de insinuar que homens são mentalmente mais fortes que mulher no esporte? Duvido. Por que para falar bem dela a autora precisava falar mal do outro?

Auto-jabá: no outro blog explico que não é- que o açúcar faz mal!

Para os corredores nerds com talento matemático, um difícil desafio de cálculo no site americano 538.

Bela campanha da montadora Mercedez-Benz usando seu carro como mote de uma campanha inspiradora:

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GEL em prova de… 12km?!?

Coisa rápida…. Participei tempinho atrás de uma prova noturna em SP. Ela foi na distância de 6km e 12km. Já no quilômetro DOIS eles ofereciam – que rufem os tambores! – GEL de carboidrato!

E no quilômetro 5!? Isotônico! Daquele famoso, que criou sua fama com estudo malfeito, análise torta e pagando meio dúzia de professores que farejam dinheiro melhor do que qualquer pastor alemão de aeroporto é capaz. Alguns até foram professores meus (os picaretas! Não os cães!)! Quer nomes? Eles sempre assinam diretrizes dessas sociedades “idôneas”.

Água, já disse aqui, eu não bebo em prova nessa distância. Falo o mesmo para quem eu treino e corre mais ou menos na minha velocidade, independente do clima. Agora.. GEL…?!

Costumo dizer a quem oriento que sou portador também das notícias ruins, ainda que quem pague não queira sempre isso. Não sei qual seu ritmo, mas há uma regra praticamente universal: se você precisa de gel durante uma prova de 12km, tenho uma má notícia, você NÃO está pronto pra ela! Deixe-a de lado, treine mais. Você tem mais a ganhar treinando mais para encarar a distância no futuro e menos a perder ($). Talvez você até perca peso!

Se seu treinador pede que você use um gel nos 12km, troque de treinador!

Se seu nutricionista recomenda gel (ou isotônico), troque de nutricionista!

Se seu médico recomenda um dos 2, não precisa trocar! Minha dica é: não dê ouvidos apenas quando ele tocar no assunto esporte ou nutrição, igual os 2 de cima, ele muito provavelmente não sabe do tema!

E se trocar, procure um profissional que se perguntado se você precisa de gel/isotônico pra encarar 12km, ele(a) abra o jogo pra você explicando que você NÃO está pronto! Mesmo que você o faça com o olhar do Gato de Botas da foto…

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Leituras de 6a Feira

Se você estiver um pouco desmotivado com os treinos, experimente vera esse vídeo do Jake Robertson treinando no Quênia. O neozelandês está vivendo lá para melhorar sua corrida. As imagens são incríveis!

Auto-jabá: No outro blog eu falo sobre o que é mais saudável na Nutrição.

Quando você ler isso é mais do que provável que já tenha lido a sequência de tuítes que um cara postou sobre sua entrada no mundo da corrida. Eu mesmo não sei quantas vezes já recebi de N pessoas diferentes inbox. Eu NUNCA reclamo quando as pessoas me mandam repetidamente material (mesmo os mais populares) porque demonstra boa-vontade e sempre recebo pérolas que me escapariam. A sequência (hilária!!) ganhou fama, mas é um retrato do nosso mercado! Um home comum resolve correr e vai passando por “especialistas” que ou não sabem NADA do que falam OU ganha um bom dinheiro cobrando pedágio (serviços e comissão). É assim que funciona. Triste, mas verdadeiro.

Por que correr maratonas? Texto do The New York Times.

A Canadian Running fez uma matéria listando a dieta e os treinos do dia de um ultramaratonista de montanhas. Ela deve ser vista como aquilo que ela é: mera curiosidade! Eu tiro duas conclusões (nenhuma delas relacionada com Fisiologia ou Nutrição): o enorme peso do privilégio genético que possibilita que com uma dieta tão “trash” uma pessoa possa desempenhar tão bem. E outra um pouco mais prática: na ânsia por ser “correto” o ser humano come lixos como hambúrguer vegetariano. Ou seja, nessa, a emenda sai pior que o soneto.

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O mundo da Nutrição parece ser um mundo que tem por prática corriqueira negar a realidade. Quem lucra com isso é a indústria da atividade física que, além de vender aquilo que ela pode entregar (saúde) e aquilo que lhe cabe (músculos & movimento), ela segue vendendo aquilo que ela NÃO pode entregar: emagrecimento.

Muitos profissionais são francos ao dizer: corrida não emagrece. Outros fingem não ver o elefante na sala. Precisa vir alguém de um canal de corrida sem formação (mas experiência na área, Skin in the Game) explicar didaticamente que corrida é uma boa muleta, JAMAIS a ferramenta principal no processo de emagrecimento!

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