Leituras de 6a Feira

Um teaser de um meeting, na sequência do Mundial que acabou de acabar! *dica do Helio Shiino.

The Guardian fez sua lista dos melhores, piores e destaques do Mundial. São britânicos, então relevem a patriotada.

Ainda nessa pegada patriotada, a Flotrack separou as 29 melhores fotos do Mundial.

Um corredor escreveu um texto legal sobre um guia prático para correr. É engraçado como o corredor amador perde tão facilmente o foco daquilo que realmente importa. *dica do Matheus Jacobina.

A Flotrack fez ainda um ranking interessante dos 31 maiores atletas que já disputaram o Mundial em termos de pontuação. Para eu ficar 100% com eles, ainda acho que os revezamentos deveriam contar nele 25% dos pontos. Carl Lewis bate Usain Bolt por bem pouco. Merlene Ottey é a primeira mulher (3º). E dos atletas ainda em atividades e bem posicionados que podem ou devem disputar mais edições, temos a jamaicana Veronica Campbell-Brown (5a), a etíope Tirunesh Dibaba (6ª) e a americana Allyson Felix (10ª).

Off-topic: um podcast sobre um caso improvável: um jogador da NBA decide criar um tênis barato (U$15) achando que isso iria democratizar e dar acesso a quem quer tênis bom e barato. Ele só não poderia imaginar que as pessoas querem mesmo é tênis caro!

Auto-jabá: tive dias atrás uma longa conversa com o Pedro do canal Batata Assando. Ele postou a 1a parte de nosso bate-papo onde falo da falácia do controle de peso ser uma questão de balanço calórico. Espero que gostem!

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Por que vender tênis barato se é melhor vendê-los caros?

Dia desses eu comentava como é inútil o corredor reclamar dos preços dos tênis e serviços (corridas), afinal, a grande maioria PRETENDE pagar caro por tudo. Eis que o Luís Oliveira me mandou o link de um curto podcast com uma história fantástica e improvável que eu não conhecia. Basicamente um garoto que cresceu desejando os caros tênis de basquete que só aumentavam de preço a cada temporada, quando chegou à NBA resolveu lançar um calçado que democratizaria o acesso aos fãs da liga. Afinal, quem não poderia arcar com um tênis de U$15 usado até por profissionais??

O resultado, como mesmo um parco conhecedor da liga pode imaginar, foi longe do que se esperava. O tênis foi um fracasso porque achavam que o tênis era ruim, ainda que a premissa dele era ser IGUAL a um de U$110, apenas mais barato. Basicamente vale mais vender a U$110 do que a U$15 porque isso aumenta as vendas! E consequentemente, o faturamento.

Nós temos essa ideia romântica de que tomamos decisões baseadas sempre e principalmente de forma racional. Ledo engano. Tal qual o texto que falei na 2ª feira e que foi interpretado por alguns como de esquerda (só quem me conhece bem sabe que estou LONGE de ser de esquerda) ou equivocado, o comportamento de quem paga caro por tênis é entre outras coisas uma questão de posicionamento. Você PODE comprar um Nike por ser um fanboy, ou um tênis baixo por ser minimalista, um tênis de marca que não tenha no Brasil apenas para ser diferente (se a marca fosse espetacularmente tão boa talvez vendesse em mais países do que EUA e Canadá)… Queira ou não, admita ou não, saiba ou não, aquilo que você põe no pé diz um pouco sobre o que você é ou quer ser.

Eu estou ficando velho e rabugento para continuar debatendo que “as corridas estão muito caras”, que “os tênis estão em um preço absurdo de caro”, que “tudo virou comércio”… Tudo SEMPRE foi comércio. Ninguém trabalha de graça, a adidas não é uma ONG, aquela medalha da Yescom não cresce em árvore. *maçãs crescem e não são distribuídas gratuitamente!

Diferentemente de outros tempos, o PREÇO de um produto ou serviço não se faz somente pela equação CUSTO + LUCRO. Nessa lógica quanto mais baixo fosse seu custo, maior seria o lucro ou mais baixo poderia ser o preço (P = C + L). Se o consumidor fosse 100% racional, bastaria reduzir um pouco qualquer um dos 3 que a empresa seria a líder de vendas.

Acontece que o preço já foi definido por VOCÊ e pelo Mercado.

Se amanhã você resolver criar a sua marca esportiva e decidir lançar um tênis de corrida, o top de linha de sua marca recém-criada terá que custar R$799. Ou então você terá que atribuir à coincidência que o ASICS Nimbus ou o Mizuno Creation tenham esse preço porque possuem exatamente o mesmo custo, a mesma margem de lucro e o mesmo preço do top de linha das marcas concorrentes. Seria uma coincidência tão grande que o acaso sozinho parece não conseguir explicar. Na verdade é resultado que o Mercado e VOCÊ decidiram que querem e acham esse R$799 “O” valor justo por um tênis.

Um produto não é caro se há quem pague por ele, na mesma medida que ele às vezes pode não ser considerado bom o suficiente se ninguém paga ainda que barato por ele.

Se por competência administrativa você fizer tênis com preço mais barato que seus concorrentes, a diferença não reverterá em liderança de mercado, assim como cobrar mais caro irá prejudicar as vendas ALÉM DE diminuir seu lucro. As próprias marcas inclusive têm modelos mais caros que servem apenas para comparação. Como? Um tênis de R$799 que realmente é um absurdo de caro em um país com média salarial de R$2.100, passa a não ser mais um assombro quando há um sabidamente pior que custa R$1.100. O de R$799 passa a ser assim um bom negócio aos seus olhos.

E aquele modelo de R$225 (*o preço do meu atual modelo)? “Ele deve ser/é ruim”. É isso o que eu ouço de todo mundo que fala do modelo antes de eu falar que corro todos os dias com ele. Assim como na história do podcast, as pessoas têm dúvidas da qualidade. Mais do que isso. Elas querem o que todo mundo quer, ainda que neguem.

No fundo no fundo o que todo mundo quer é pagar barato por aquilo que elas mesmas fizeram ser caro. A qualidade? Pouco importa, isso é o de menos. Diferentemente de carros, onde comparativos existem e são possíveis, aos corredores o que importa mesmo de indicador no tênis é o preço. Por que de diabos vendê-lo então barato?!?

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Leituras de 3a Feira

Quando você perde a fé muita coisa perde a graça. Como eu queria acreditar em Mo Farah… Seria uma história TÃO incrível… e justamente por ser tão incrível, ela parece se afastar da verdade. *dica do Fausto Flor.

Overdose de Usain Bolt: a BBC fez uma sequência bacana de infográficos com as conquistas, feitos e particularidades do velocista jamaicano. Já um outro texto debate os custos e vantagens de sua altura excepcional para um velocista de nível mundial. Por fim, o britânico The Telegraph traz outro infográfico mostrando a superioridade do atleta. *dicas do Helio Shiino.

Off-topic: chega ao fim o projeto de um golfista amador que queria se tornar profissional seguindo a ideia de que para se tornar parte da elite, bastaria dedicar 10.000 horas de treino a alguma atividade. Um projeto natimorto em sua premissa equivocada que mais parece filme de Hollywood que insiste no “querer é poder”.

Por que os mais ricos gostam de sofrer praticando esportes de longa duração?

Algumas das mais belas e melhores fotos tiradas até o sábado no Mundial de Atletismo em Londres!

A Vice Sports vem trazendo textos incríveis sobre atletas. Dessa vez uma longa reportagem conta a história de um enorme talento do salto em altura que arruinou sua carreira ao ser pego no antidoping ainda moleque depois de uma irresponsabilidade de U$5 em cocaína. Tenso saber como uma promissora vida muda por tão pouco…

Que ação ESPETACULAR da Sky promovendo seu seriado mais famoso, o Game of Thrones. E para isso fizeram uma Marathron! 477km entre Roma e Milão! Veja veja veja!!

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A atração da Classe Média pela corrida e triatlo tem explicação. Pouco nobre, mas tem.

Um dos temas que mais me fascinam é a atração maluca que pessoas das classes sociais mais altas têm por sofrer pagando caro em eventos de longa duração. Visto friamente, esse fenômeno não faz sentido algum! Um texto da Outside cobre parte do assunto. Pesquisa americana revela que Maratona é um dos eventos mais baratos (dentre os mais longos) e que o triatlo nos EUA é repleto de gente endinheirada (média salarial de R$30.000/mês). Para efeito de comparação, entre os corredores americanos, 75% deles ganham menos da metade do que ganham esses triatletas (R$12.000/mês). Isso me faz lembrar um dos meus primeiros talentosos companheiros de treino cujo apelido era Mordomia. Seu esporte: triatlo.

Esses números parecem ter MUITA lógica… esses atletas amadores possuem melhor nível educacional que a população e por isso sabem das vantagens da prática esportiva na saúde. Mas muito mais do que isso: eles conseguem arcar ($$) com ela. Por terem mais dinheiro conseguem pagar o treinamento e acesso aos locais para prática. Os melhores locais de treino são geralmente mais próximos dos bairros com melhores índices sócios-econômicos. É muito fácil para mim ir treinar no Ibirapuera ou na USP. E isso por sua vez é bem mais complicado para quem mora no Capão Redondo, que ganhou fama nacional nas letras dos raps do Mano Brown. É mais fácil correr nas praias da Zona Sul ou da Lagoa Rodrigo de Freitas para quem ganha bem no Rio de Janeiro e não precisa enfrentar horas de ônibus descendo o morro.

E para mim o que mais me atrai ainda é outra explicação: quando você participa desses eventos, você sinaliza materialmente à toda a sociedade que você é bem-sucedido, que você pode pagar 4 dígitos por um tênis que não chegará ao 2º semestre (*e aí em breve volto a escrever do porquê como fabricante você não tem vantagens em vender seu produto mais barato). É de certa forma bom para a pessoa dizer que ela vai tentar bater uma marca pessoal bancando uma viagem. Você joga para o campo do habitual aquilo que para o não tão bem-sucedido é a exceção (férias programadas). É a corrida-ostentação.

E quando você se volta para entender o outro lado (a população mais pobre), você descobre que ela não tem próximo à casa dela parques bons (qual foi a última vez que você foi a um deles na periferia?). O cidadão de menor renda tem que passar mais tempo em deslocamento (pela maior distância) e usando transporte público precário (para piorar nossas cidades são desenhadas favorecendo os carros dos mais ricos, não os ônibus dessas classes mais baixas).

Não à toa o corredor brasileiro tem essa obsessão de correr eventos caros… não importa quantas provas gratuitas ou com inscrição mais baixa você ofereça…. o corredor de menor renda, tal qual o de maior, tem atração é pelo luxo, pelo caro, pelo exclusivo. É mais um sinal que você dá a quem o vê. Por quê? “Quem gosta de pobreza é intelectual”. Mesmo o de menor poder aquisitivo quer mais do que só correr, ele quer correr no Ibirapuera a prova que custa R$150.

O texto da Outside não cobre ainda outra faceta: pega bem no ambiente de trabalho fazer provas longas. Esses profissionais, o que é uma grande bobagem, seriam mais disciplinados. Quantas vezes você não teve que perder tempo escutando o gerente ou o diretor se exibindo de suas conquistas atléticas das quais você nunca perguntou?

Chega a ser paradoxal, pois esse tipo de pessoa procura (pagando caro!) por um sofrimento do qual ele foge em sua hora de folga usando carro com ar condicionado e uma casa toda equipada. Na real, buscam nessas corridas e triatlos um sofrimento que lhes faltaria. Mas não sem antes deixar bem claro a todos que o fez. Ou ainda, para fechar, você já deve ter ouvido falar do seguinte dilema: você correria uma Maratona se não pudesse contar a ninguém?

Eu duvido.

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Leituras de 6a Feira

A Outside tenta responder: seriam os praticantes de atividade física de resistência (corrida, ciclismo, triatlo…) mais suscetíveis a adquirir diabetes? Eu confesso que nunca tinha ouvido essa afirmação (pra mim não faz muito sentido). Mas o texto em si vale pelo de sempre: você, amador, provavelmente come muito mais carboidrato de fonte ruim (bebidas esportivas, sucos e géis) do que deveria. Basta dar uma volta nas assessorias de corrida pelo país e ver a quantidade de gordinho/gordinha se esbaldando nisso em seus treinos de 50 minutos 3 vezes na semana…

Fábio Minozzo é um brasileiro vivendo no Canadá e um de seus atuais projetos é ajudar o queniano Daniel Gekara, um talentoso e promissor amador, a correr a Maratona de Toronto. Como? Organizando e divulgando uma vaquinha virtual. Se você quiser ou puder ajudar, vale qualquer quantia! Como? Clicando aqui! Eu garanto a seriedade do projeto!

Na Runner´s World: “em alguns treinos você parece estar on fire”. Aquela sensação de flow que temos poucas vezes numa temporada é indescritível!

A Seiko é uma das patrocinadoras da IAAF e do Mundial de Atletismo. Ela fez um hotsite com infográficos mostrando a magnitude dos atuais recordes mundiais, dando detalhes de como são feitas as medições nas diferentes provas (campo e pista) e ainda um jogo para você tentar parar o cronômetro na marca de 9.58 de Usain Bolt. *dica do Helio Shiino.

Uma lista americana (e feita às pressas, nas coxas, juntando milhares de ignorantes no assunto) com os 50 maiores atletas negros da história. Pelé em 22º atrás de duas ginastas ainda em atividade. Preciso falar mais? *dica do Paulo Braga. **vários nomes do atletismo.

Off-topic: Placebo nos esportes: Ciência ou Fé? Nada tão relacionado à corrida de longa distância em amadores….*dica do Igor Oliveira.

Mais um patrocinador divulga vídeo sobre a aposentadoria de seu atleta Usain Bolt!

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