Leituras de 3a Feira

Que vídeo espetacular! Seu treinador se preocupa com seu core (sobrevalorizado), fica olhando sua pisada, recomenda tênis, palpita na sua alimentação e presta ZERO atenção ao fato de você ter um pé todo destreinado, enfraquecido… Separe 15 minutos e veja os benefícios de dedicar atenção ao pé!

Autojabá: no outro blog falo do talento dos especialistas estarem sempre errados… até hoje…

O enorme impacto que o assassinato de um jovem talentoso e querido atleta tem em todos ao seu redor.

 

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 Joyride é o novo modelo (lindo!) de tênis da Nike que vem com tecnologia aparente (aquela que se não é visível o consumidor não se encanta e decide pagar menos). Mas há uma coisa no vídeo (abaixo) que parece ser uma tendência que me incomoda cada vez mais na corrida num nível que não imaginam… E não tem NADA a ver com a Nike, marca que mais me agrada e fabricante dos que são, para mim, os melhores tênis dentre as grandes. No começo do vídeo a primeira frase do narrador é: correr é difícil (running is hard) para depois quando aparece sua imagem falar que a ideia do modelo é fazer correr parecer ser fácil.

Questão de 15 dias atrás tomei café com um corredor experiente que treinou a vida toda em assessoria. Segundo ele, ele se afastou um pouco dos grupos porque ver as pessoas correndo sorrindo o incomodava cada vez mais… Running is hard… e ver as pessoas felizes fazendo algo difícil confunde o cérebro, sabe? Como pode? A imagem não condiz com o que esperamos! Que não me levem a mal, mas vejo uns perfis de Instagram com as pessoas correndo às gargalhadas… parecem aquelas fotos de mulheres magras rindo com um garfo de salada na mão… parece que a rúcula é comediante fazendo um stand up!

Parece haver um consenso em quem gosta ou é pago para problematizar tênis de que deveríamos buscar modelos segundo o conforto. Não consigo concordar! No calçado eu busco é AJUSTE, o que é MUITO diferente de conforto. Crocs é confortável. Usar palmilhas de silicone é confortável. Minimalista NÃO e confortável. A pessoa precisa buscar ajuste, acredite! Um dos maiores males do nosso tempo é a busca pelo conforto! A atividade física, a dieta, o jejum… NADA disso é a busca pelo conforto!

Em nome do conforto comeríamos o que quiséssemos, não faríamos esporte (só um teórico, um acadêmico, defende a bobagem de que treinar aumenta nossa disposição) e não faríamos jejum.. comeríamos a cada 3 horas (entendeu o delírio da diretriz nutricional??)… com tênis é assim! Que ele não tenha costura mordendo seu pé, que o tamanho seja justo, mas.. conforto? Não caia nessa! Se correr está assim tão fácil que arranque gargalhadas, você está é se enganando. SEMPRE o melhor momento da corrida é quando paramos, não??

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Um pouco mais sobre correr na grama – parte 2

Continuando raciocínio do último post... Em toda Adis Abeba, capital da Etiópia, acredito haver 3 pistas sintéticas de atletismo. Todas elas de acesso restrito. Em uma apenas atletas profissionais podem treinar, em outra ninguém entra e em outra, a do atleta Kenenisa Bekele, você precisa pagar U$15 (30% do salário médio etíope) por dia para treinar.

No Quênia, as pistas mostradas nos diversos documentários são sempre de carvão (ou terra batida, como preferir chamar). Há um conceito, totalmente equivocado a meu ver, que lamenta o fato de esses locais não contarem com melhor estrutura de treino. Por “melhor estrutura” leia-se pistas sintéticas. Isso é verdade? NÃO!

O aparelho locomotor dos seres humanos se desenvolveu com a espécie se deslocando em terrenos irregulares. Uma coisa é COMPETIR em piso duro e estável, a outra MUITO DIFERENTE é passar a maior parte do tempo (treinando ou não) nele!

Eu acho que o ônus da prova de que é melhor ter pistas sintéticas está com a turma que acredita na tecnologia que insiste em afirmar e propagar promessas antes nunca cumpridas.

Estou falando isso porque recebi da mesma pessoa a leitura de seu GPS em um treino feito em uma pista de carvão, mais barata, mais comum em países mais pobres. Veja como ela se aproxima mais da leitura feita em um piso irregular (grama). Veja ainda como esse tipo de piso, MESMO QUE seja uma pista de atletismo, é irregular.

Não é que quenianos e etíopes são melhores AINDA QUE treinando em pista de carvão. Para mim, eles são melhores TAMBÉM porque fazem isso!

 

 

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Um pouco mais sobre correr na grama

Dias atrás um corredor me mandou o gráfico do treino dele feito em um ambiente gramado “sem subidas íngremes”. Tenho dito nos últimos textos e em meu último livro “Correndo com os Etíopes” o quanto acredito nos benefícios e vantagens de corrermos em pisos irregulares.

Resumidamente temos que esse tipo de terreno (grama, terra, trilha…) cria cargas em diferentes planos (que não apenas centrada no sagital, como é na corrida), além de exigir trabalho de outros músculos e partes do corpo, algo que não se faz na corrida em terreno mais uniforme como esteira, pista de atletismo ou asfalto.

Só que é natural duas coisas. Primeiro é achar que piso irregular significa necessariamente correr em trilhas de alto grau de dificuldade, no meio do mato.

E outro erro é achar que por morarmos em cidades, com pouco acesso a trilhas, essa prática é inviável. Mesmo treinadores que concordam comigo adiantam sobre o enorme desafio que é fazer o corredor de assessoria criar o hábito de por os pés na terra/grama. Sim, quando se vai ao Parque do Ibirapuera, por exemplo, mais de 95% corre no asfalto na volta de 3km. Mais do que isso vai à USP e corre no mesmo piso duro.

Porém, em ambos os locais há muito espaço verde. E o gráfico que esse leitor mandou nos revela que mesmo em um gramado convencional “sem subidas íngremes” já se reproduz muito da irregularidade, aquilo que quenianos e etíopes tanto buscam em seus países que fazem deles alguns dos povos mais rápidos do planeta.

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Leituras de 3a Feira

O grande Craig Pickering falando do treinador como um grande placebo.

No The Wall Street Journal aquele típico texto que tenta vender a ideia de que para correr melhor, é preciso apelar à tecnologia… Parece um classificados escrito ou por quem não entende NADA de corrida ou por quem tenta vender algo (o que é mais provável).

Que relato DURO e sincero o da incrível saltadora Tianna Bartoletta sobre um problema de saúde e todo o drama e consequências.

Detalhes técnicos incríveis e saborosos por trás de um recorde mundial que só um texto primordialmente técnico pode revelar a real importância.

Autojabá: no outro blog falo sobre um grave problema, Diabetes do tipo Nutri Esportivo.

Confesso que eu sabia pouco sobre a vida de um dos maiores fundistas britânicos da história, Basil Heatley. Ex-recordista mundial da Maratona o inglês foi medalha de prata atrás de Bikila justamente no Japão, mas quis o destino que ele não voltasse ano que vem ao local da conquista que lhe deu sua maior fama.

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O que cães podem nos ensinar sobre corrida?

Eu tenho duas… passeio diariamente correndo e andando… as minhas ficam felizes quando saem para correr… acham isso um privilégio! Talvez devêssemos ser um pouco mais gratos pelos nossos treinos…
As minhas saem para correr sem se alongar nem antes nem depois… mas o corredor amador acha que faz algum sentido parar para alongar antes e durante em gestos que nada lembram aquela atividade… nada mais sem sentido!
As duas fazem apenas uma refeição ao dia (jantar)… quando vamos sair elas não me perguntam sobre lanche pré-treino… suplemento durante? Elas não são tontas! Somente alguém que não entende do gingado acha que faz sentido ter que comer antes de fazer atividade…
Elas podem andar o tempo que for, quando tiverem sede, bebem água… e há – acredite! – quem pague um profissional para falar a besteira de que “sede é sinal tardio de desidratação”… bateu sede? Beba água! Sem sede? Segue o jogo!
Falei tudo isso após ler um belo texto da Podium Runner (*dica da Adriana Piza) com mais uma dessas lições… dessa vez é sobre treinamento em calor… os cães do autor correm desde o começo mais lento quando em alta temperaturas… Os escravos dos GPSs e dos relógios ignoram o óbvio (o calor nos faz mais lentos) e fazem força, empurram, querendo repetir o ritmo proposto da planilha cometendo o maior erro de todos: ignorar a realidade.
Sem usar GPS e sem termômetros os cães reduzem o ritmo. Há estudos BEM interessantes evidenciando que nós também saímos mais lentos sob temperaturas mais altas… não vá contra isso… não ignore isso, ignore SIM é a tentação de acelerar para ver um número mágico no visor. O corpo é sábio demais… mesmo um cão tonto como é um labrador parece saber mais que o corredor e o treinador médio… não se esqueça disso!
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