O melhor educativo de Corrida é… CORRER!

Estou há uma semana na Cidade do México, capital que fica a 2.200m de altitude. Campos do Jordão (SP), onde muitos brasileiros vão treinar na “altitude”, tem meros 1650m. Ar rarefeito respondesse sozinha pelo resultado na corrida, mexicanos e quem usa aquelas máscaras toscas pra correr se dariam muito bem. A coisa, sabemos, é mais complexa.
O best-seller “Nascidos para Correr” (Born to Run) trouxe fama à tribo dos Tarahumaras, repleta de grandes corredores. Repare na foto (ruim) que tirei no fantástico Museu Nacional de Antropologia! Aos pés o índio retratado usa as sandálias huarache.
Mas mais que isso, há algo que não se compra. Veja sua extensão de quadril ao correr. Bonito demais! Repare no pé no ar… joelho e ponta do pé à frente guiando a corrida, nada de pé de bailarina… que leveza! Aí te pergunto: quem ensinou esses caras a correrem??
NÃO SE ENSINA PÁSSAROS A VOAR!
NÃO SE ENSINA HOMENS A CORRER!
No meu Instagram (@danilobalu) uma das perguntas era novamente sobre educativos de corrida… se eu recomendaria sua execução na pista ou em terreno mais mole (grama, terra). Então vai lá:
 
NO TRABAJAMOS CON EDUCATIVOS!
NENHUM orientado meu faz educativos! As pessoas me procuram para CORRER bem/melhor, não para fazer EDUCATIVOS bem! Educativo em corredor amador de longa distância é ineficiência bem remunerada, é PERDA DE TEMPO é querer ENSINAR PÁSSAROS A VOAR… é nonsense!
Quando me virem na pista em breve, os treinadores dos velocistas, barreiristas e saltadores não precisam me bater! Transpor barreira correndo a mais de 30km/h NÃO é natural, largar de 4 apoios NÃO é natural, salto triplo NÃO é natural, saltar 1,95m de costas pro sarrafo NÃO é natural, correr com um dardo NÃO é natural! Esses caras PRECISAM fazer educativos de corrida! Agora fundista? Pra quê?!?!
Quer melhorar a técnica de um fundista? O faça correr rápido… na subida, na reta, e busque leveza… correr rápido e relaxado! De novo… e de novo… e de novo… e de novo. Não erre como eu que literalmente por mais de década perdi o meu tempo e o dos meus fundistas mandando fazer dribbling, skipping, passeio no bosque… a eles, peço perdão!
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Na corrida vale Força, Músculo, Gordura ou Peso?

Eu me contorço quando vejo “especialista” de Nutrição falar em “peso ideal” de corredor… quando ouço isso já sei que não sabe do que está falando! Não existe peso ideal! No desempenho na corrida o peso mais baixo é melhor. Por isso os melhores corredores NÃO são sinônimos de saúde… eles parecem que estão fugindo de um hospital!

Ah, mas é que músculo…” Bobagem! Você nunca verá um fundista com ombro de estivador ganhando prova! O peso daquele músculo que possibilita ele fazer 90kg no Press ATRAPALHA sua corrida! Hipertrofia e desempenho na corrida (de longa distância!) NÃO se conversam! Elas discutem entre si!

O que importa no esporte é o GESTO, é a funcionalidade! Músculo PODE fazer isso, não que ele VÁ fazer isso. Exemplo? Mesa extensora e flexora na academia… ela te dá músculos, mas ela NÃO trabalha o gesto esportivo. Ela não dá força GESTUAL, FUNCIONAL à corrida. Você pode ficar a tarde inteira nesse lixo de aparelho, ele pouco lhe ajudará a correr.

Estou escrevendo isso porque li essa semana um artigo incrível apontado por 2 profissionais que tenho na mais alta conta. Nele um grupo de velocistas mulheres foi acompanhado. E aí vem o choque a alguns…

As que melhoraram mais não foram as que mais ganharam músculos, mas as que mais PERDERAM GORDURA! Quando perdemos gordura, ganhamos eficiência, mas quando ganhamos músculo esse ganho NÃO é garantido porque GERALMENTE (não sempre!) o ganho de força vem com ganho de peso de massa muscular que o atleta precisa carregar sempre!

Falei tudo isso porque vivem perguntando nas enquetes do meu Instagram (@danilobalu) se deve haver fortalecimento (com pesos) ao corredor. DEPENDE. A ideia é desempenho? NÃO NECESSARIAMENTE (fortalecimento gera sim ganhos ao corredor que é fragilizado). A intenção é Saúde? SIM! Fortaleça!

O importante é: o fortalecimento mal feito, que gere ganho de massa e força NÃO funcional à prática da corrida vem a um custo grande… com PERDA de desempenho… aí o foco é MUITO mais inteligente se feito na perda de massa gorda. E sabemos que o que não falta é corredor BEM acima do peso, ainda que a Nutrição insista com a balela de que corrida emagrece.

p.s.: no livro SPEED TRAP (desculpe a insistência) ao menos em 2 episódios Francis reclama que Johnson está 5kg de MÚSCULO nas PERNAS pesado demais para competir. A solução? Perdê-los mantendo a força FUNCIONAL!

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A sanha dos justiceiros faz a primeira vítima fatal…

Vale a máxima: toda morte nos diminui...

Um corredor amador ganhou destaque porque teria batido o recorde mundial da Maratona em sua categoria (70-74). Porém, descobriram que ele cortou caminho e a internet não perdoa. O corredor, que era médico, no olho do furacão não aguentou a pressão e se suicidou.

O corredor amador tem enorme interesse no que os OUTROS acham de sua corrida e na relação do OUTRO com a corrida. As redes sociais e a digitalização da cronometragem tornaram a vida dos trapaceiros muito mais difícil.

Há uma onda recente de perseguição a essas pessoas. Não envolvendo dinheiro ou benefícios diretos acho tudo MUITO sem sentido! O que descobri ao ir atrás de um famoso trapaceiro brasileiro é que se tratava de alguém claramente doente, perturbado… crucificá-lo era desumano… larguei mão… ele precisava era de tratamento… até sua filha, sóbria, já sabe disso.

Este corredor americano foi a primeira vítima direta. Meses atrás um brasileiro foi vítima parecida. Era outro claramente em situação patológica. Que a organização continue desclassificando essa turma. Que a turba entenda que a perseguição é cruel… desnecessária…

Ver a família ainda insistindo em sua inocência dá uma ideia da magnitude da dor deles… nos faz entender melhor o ser humano…

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Leituras de 2a Feira

Autojabá: no outro blog eu falo o que o filme Batman versus Super-Homem nos diz sobre quem vigiaria a Nutrição

 

No vácuo de seu novo livro sobre ultramaratonas, uma matéria de Adharanand Finn contando sobre o crescimento dessas provas. Os outros 2 livros de corrida dele são incríveis, dizem que este é ainda melhor, mas o tema não me atrai, então vou pular. Porém, a matéria dá pistas do que ele acabou descobrindo!

 Autojabá 2: no outro blog falo novamente sobre um inegável vício que muitos profissionais fazem questão de não enxergar, o vício do açúcar.

 40 anos atrás Sebastian Coe fez um dos maiores feitos do atletismo ao bater 3 tradicionalíssimos e importantes recordes mundiais em uma janela de somente 41 dias. Aqui reduzido a Athletic Weekly reconta.

 Ganhou destaque a notícia de um estudo mostrando que ratos que receberam bactérias encontradas no intestino de corredores da Maratona de Boston. Um texto da Outside explica detalhes interessantes de forma bem didática.

Veja a imagem abaixo que ilustra o blog hoje… No ótimo livro Speed Trap o treinador Charlie Francis faz uma longa reflexão sobre doping. Sou contra, não vem ao caso. Bom, Francis foi treinador de Ben Johnson até 1988, ele sabe do que fala. Na foto abaixo a atleta Brigid Kosgei ganhou U$58.000 pela vitória da Peachtree Road Race. Já a segunda colocada Agnes Tirop levou pra casa U$2.500. Percebe?? Em menos de décimos de segundo houve uma diferença de U$55.500. 22 vezes a menos! Em um mundo onde SÓ a vitória interessa se pavimenta o futuro glorioso do doping.

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O corredor parece querer e gostar de ser enganado…

Ou ainda: o que Picasso nos ensina sobre o mercado de corrida

 

Em 1952 um Pablo Picasso de certa forma envergonhado, mas não arrependido, escreveu uma carta a Giovanni Papini na qual fala de um motivo pouco nobre, mas não menos inteligente que acabou por valorizar seu trabalho inegavelmente genial. Na carta separo o trecho abaixo… leia, por favor.

Na arte o povo não procura mais consolação e exaltação, mas os refinados, os ricos, os ociosos, os destiladores de quintessências buscam o que é novo, estranho, extravagante, escandaloso. E eu mesmo, desde o Cubismo e além dele, eu contentei esses mestres e esses críticos com todas as bizarrices mutáveis que me passaram pela cabeça, e quanto menos eles me compreendiam, mais eles me admiravam.

(…) eu fiquei célebre, e muito rapidamente. E a celebridade para um pintor significa vendas, lucros, fortuna, riqueza. E hoje, como o senhor sabe, eu sou famoso, eu sou rico. Mas, quando estou sozinho comigo mesmo, não tenha a coragem de me considerar um artista no sentido antigo e grande da palavra.

Giotto, Ticiano, Rembrandt e Goya foram grandes pintores: eu sou apenas um divertidor do público que compreendeu o seu tempo e explorou o melhor que pode a imbecilidade, a vaidade, a avidez de seus contemporâneos. É uma amarga confissão a minha, mais dolorosa do que ela parece. Mas, ela tem o mérito de ser sincera.”

*****

Penso exatamente como o Pedro Ayres, que foi quem me apresentou por e-mail o texto: na corrida é a mesma coisa… O trabalho diário, monótono, cansativo, que rende resultados lentamente não é atraente. Isso vale para qualquer atividade humana.

Eu vivo diariamente com certos dilemas. Cada vez mais sou da opinião de que o corredor amador médio parece QUERER ser enganado. Não me leve a mal! Sempre que abro meu Instagram às perguntas vocês se surpreenderiam com quantas vezes me perguntam atualmente sobre suplementação de Glutamina e Coenzima Q10. São o BCAA da década!

Elas não vêm de corredores com 100km semanais de treino ou triatletas fazendo 12 sessões semanais de treino, não! Elas vêm de corredores que não chegam a treinar dia sim dia não.

Dias atrás eu percebi que o segundo melhor corredor que oriento acabou dando uma volta de 1km a mais no aquecimento. Eu perguntei se ele tinha se confundido (todos tinham parado nos 2km). Ele disse que não, ele disse que havia reparado ultimamente que quando aquece por cerca de 15 minutos, uma volta de 1km a mais, ele se sente mais calmo, menos ofegante para começar o treino, então 3 vezes na semana ele passou a fazer esse adendo antes do treino. Isso gera 15 minutos em uma semana. Ou ainda, para quem treina cerca de 60km/semanais, 5% a mais de carga.

Uma mudança simples, gratuita, de poucos minutos que indubitavelmente gera melhoras em seu desempenho (maior volume). Eu não pedi. Ele não perguntou. Ele fez. Eu costumo dizer que os melhores corredores não são apenas aqueles que treinam mais, mas aqueles que sabem o que os fazem melhores corredores.

Esse atleta jamais, nunca me perguntou sobre suplemento. Ele nunca buscou em um subterfúgio fácil aquilo que só vem das próprias pernas. Ou como disse Ayers: o trabalho diário, monótono, cansativo, que rende resultados lentamente não é atraente.

No mesmo dia, conversava com uma amiga nutricionista que admiro muito. Ela dizia para mim que tem dificuldades em Nutrição Esportiva. Veja bem, quando falamos de amadores, não existe Nutrição Esportiva! Esse é apenas um campo inventado para se posicionar no mercado! É um jeito de, no bom sentido, “poder enganar” um cliente. O que se diz nutricionista esportivo tem menor concorrência, ele(a) pode assim cobrar mais.

Essa colega dizia que tem dúvidas sobre nutrição na hipertrofia muscular. Vivemos em um mundo tão esquizofrênico que faz as pessoas, por preguiça, ignorância ou delírio coletivo, procurarem um nutricionista ANTES de fazer força empurrando bastante peso, uma condição sine qua non, essencial para haver hipertrofia! O aumentado consumo calórico E proteico é uma resposta natural e esperada do treinamento de força que proporciona hipertrofia! É como achar que você tem que procurar um nutricionista antes de correr porque tem medo de morrer de sede se ele não prescrever quando se deve beber água.

O que eu falei a essa amiga foi: você já sabe tudo, mas terá que enganar o cliente. Por quê? Porque “o povo não procura mais consolação e exaltação, (…) buscam o que é novo, estranho, extravagante, escandaloso”. Você como profissional tem assim que mentir porque é uma necessidade do mercado, mas mais do que isso: porque o corredor quer ser enganado. Ainda que ele não admita.

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