Leituras de 2a Feira

A conceituada The Economist, em clima de Jogos Olímpicos de Inverno, continua batendo na tecla do doping. Em texto interessante ela fala aquilo que você já leu aqui antes: o combate ao doping interessa a pouca gente. Patrocinadores, organizadores, imprensa e torcedores não ligam para isso! Eles gostam, admiram e premiam os vencedores ainda que seja resultado e fruto de um doping sabido e sistemático.

Na Canadian Running o maior maratonista da atualidade e um dos maiores da história explica por que ele ainda gosta de correr e competir.

A Runner´s World sul-africana lista 12 aplicativos de corrida para todos os níveis de corredores!

Auto-jabá: no outro blog explico o porquê Nutrição não é sobre equilíbrio.

Fiquei com tanto ranço do livro anterior do Alex Hutchison que estou tentando me convencer a ler seu novo livro o Endure. Aqui passagens que se não contêm novidades, dão a entender que deve ter causos que talvez valham a pena serem lidos.

Você acha que é fácil treinar para ficar competitivo contra quenianos? Uma entrevista espetacular com o neozelandês Jake Robertson que foi com seu irmão Zane viver e treinar no Quênia. O perrengue pelo qual passaram é inimaginável! MUITO bom!

Off-topic: um vídeo com um causo que teria acontecido nos Jogos Olímpicos de 1928!

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Leituras de 6a Feira

Off-topic: quem acompanha o blog sabe o que eu acho de consumir carboidrato, suplemento, usar gadgets indiscriminadamente… Mas como chegamos a esse ponto? O curto vídeo abaixo explica muito! *dica do Ciro Violin.

Zwift, aplicativo muito usado para ciclistas treinarem em um ambiente virtual, chega à corrida! No futuro provavelmente nas academias você poderá correr na esteira assistindo e vendo cenários reais. Não posso deixar de perder essa!

Da série nunca é de graça: a revista Runner´s World como todo veículo (portal, site, revista…), não deveria ser vista primeiramente como fonte de informação, mas de certa forma um catálogo de venda de seus parceiros patrocinadores que pode vir com informação boa. Mas não é regra. Dias atrás publicaram “tudo o que você deveria saber sobre supinação”. Supinação em inglês pode ser supination ou ainda underpronation, em um sinal semântico claro que seria uma “falta” de pronação (ideal). Supinar ou pronar é algo normal, natural, não doença. Ainda assim a revista quer nos curar disso. E eles têm a cura para nos vender. A primeira solução é convidar um médico recomendar que visitemos… médicos. Outras soluções: alongamento e fortalecimento. Bisonho. As outras duas últimas? Tênis especiais e órteses, lógico, que anunciam aos montes na revista. Há algo mais canalha do que isso? Sempre que for ler uma matéria dessas JAMAIS se esqueça: nunca é de graça.

Na The Economist matéria explicando que os dopados são pegos raras vezes, que ou se melhoram os incentivos ou o combate continuará incompetente.

Uma das coisas que mais me chamaram a atenção assim que desembarquei na Etiópia é como eles usam roupas “a mais” mesmo em temperatura agradável. Nos treinos o padrão se repetia: eu era um dos que usavam menos roupa (camiseta e shorts). Correr (no treino) muito agasalhado pode gerar benefícios no desempenho do corredor. O que o amador precisa saber é que na prova correr com pouca roupa é que traz benefícios basta ver quantos manguitos, meias de compressão e legging eles usam.

Que vídeo… que vídeo, Nike… que vídeo…

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Sobre “skin in the game”, Maratonas, Câncer, Bitcoins e a Dra. Lorca

OU AINDA: FAÇA O QUE PREGA

Mês passado, em mais um daqueles programas governamentais de conscientização da população, um médico do INCA (Instituto Nacional de Câncer) foi à TV para nos alertar sobre os riscos da doença. Ele falou obviedades como o peso do estilo de vida e da alimentação nas chances de incidência da doença. A coisa ficou mais interessante quando chegou a parte da nutrição: o que fazer para melhorar nossas chances, doutor?

O médico que deveria saber o que fala, não pensou duas vezes: consumir pouca carne e menos alimentos industrializados. Não fez nenhuma menção ao açúcar, nenhuma menção aos óleos vegetais, nenhuma menção ao álcool. Somente carnes e alimentos processados.

Eu nunca teria esse doutor como meu médico! Não é nem o fato de ele não entender muita coisa sobre (prevenção de) Câncer ou Risco (o assunto do qual ele fala, então deve ser sua especialidade), mas é porque ele não tem “skin in the game”. A pele dele não está em jogo.

Falo isso porque o próprio site do INCA estabelece que para evitarmos câncer deveríamos comer menos de 300g de carne por semana. Eu devo comer isso por dia. Eu aposto com muita certeza que este médico também ultrapassa esse valor semanal. O doutor só não sabe do que fala, como também não segue o que recomenda. Então por que eu seguiria alguém que não segue o que prega?

BITCOINS – “Nunca embarque em um avião se o piloto não estiver a bordo.” (Fat Tony)

Eu não tenho criptomoedas, não tenho moral para recomendar que você ou qualquer um a compre. Vamos pensar diferente. Imagine que você contrata um consultor financeiro que lhe recomenda: aplique todo o dinheiro que tiver em criptomoedas, venda seu carro, venda sua casa, viva de aluguel e compre quantas bitcoins puder. No que você pergunta: “por curiosidade, quantas você tem?” No que ele responde: “nenhuma, acho isso muito arriscado”.

Seguindo uma lógica bem interessante defendida por Nassim Taleb, as pessoas que votam a favor da guerra precisam ter, pelo menos, um descendente (filho ou neto) em combate. Na antiga Roma os engenheiros precisavam passar algum tempo sob a ponte que eles haviam construído. Dizem que os ingleses foram ainda mais longe, obrigaram as famílias dos engenheiros a permanecer com eles sob a ponte construída.

MARATONAS – Se for amador, corra com quem já correu pra valer 42km.

Há uma discussão eterna “conhecimento vs prática” no esporte. É uma discussão tola, uma vez que se complementam e não se excluem. Eu treinaria (e já treinei!) com um não-formado, com alguém que não tem CREF (eu não tenho). Mas eu nunca, jamais treinaria para uma Maratona com um treinador que nunca correu para valer os 42km. Nunca. Assim como nunca iria para uma aula de natação com um treinador que não sabe nadar, ou nem aprenderia basquete com alguém que não gosta do jogo. É simples. Muito simples.

A pessoa precisa ter a pele em jogo. E antes que você pergunte se renomados treinadores como Renato Canova ou Steve Magness correm maratona, eu lhes digo que o salário deles, a renda deles, vem da porcentagem que seus atletas ganham se e somente se correrem muito bem. É uma relação de esporte profissional, não amadora. Canova e Magness têm a pele em jogo sem precisarem correr sequer 21km.

Dra Lorca, nutricionista personagem do programa humorístico Zorra Total.

DRA LORCA – Nutricionistas deveriam, sim, ser magros.

Anualmente quando chego ao meu dentista, o Ayman, eu falo a frase que Tony Stark disse ao Capitão América em “Guerra Civil”: “às vezes quero dar um soco nesses seus dentes perfeitos”. Eu nunca teria o Tião Macalé como meu dentista. Assim como nunca teria um treinador que nunca correu 42km, nem compraria bitcoins seguindo conselho de quem nunca comprou.

E eu nunca teria uma nutricionista obesa me orientando. Simples. É sabido que a dieta (aquilo que uma pessoa come ao longo do tempo) é a maior responsável pelo seu peso. Sim, estilo de vida, nível de atividade física têm seu peso, mas são bem menores, muito menores. Doenças e genética também. Mas sabemos que o peso tem a dieta de longe como seu maior componente.

Se a minha nutricionista é obesa, há de forma meio geral 3 opções: uma doença/condição (ex: hipotireoidismo ou depressão), que é de longe a menor das possibilidades. Há a chance ainda dela seguir o que fala e não dar certo. Ou de não seguir o que fala, o ponto central do texto. E isto, não seguir, não me serve (assim como uma dieta que não funciona também não me servirá).

Sendo assim, sim, é de muito bom tom que a/o nutricionista seja magro(a) ou em forma. Ele precisa ter e colocar “a pele em jogo”. Porque na eventualidade de danos causados pela confiança que se deposita na dieta desse profissional, ele precisa ter algo a perder com isso. Ou seja, se ele recomenda low-carb ou low-fat ele tem que seguir a dieta. E se seguir e continuar gordo, já saberemos que o que fala não presta.

Se você não segue o que prega (ou o que vende, treinador!), isso não é opinião. Falar sem fazer (ou ter feito, no caso dos 42km), sem se expor aos danos, sem colocar a própria pele em jogo, sem ter algo em risco, você fica com as vantagens, transferindo a seu cliente todo o risco e todo o prejuízo. É um alargamento na dissociação de interesses. Não me serve.

*sim, como corredor eu também JAMAIS me consultoria com um(a) nutricionista que nunca correu pra valer 42km. Quem corre sabe que a absoluta maioria das diretrizes e recomendações nutricionais não sobrevive à rigidez do mundo real.

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Leituras do Carnaval

Uma das maiores armadilhas da corrida é o de nos compararmos (com amigos, com nós mesmos, com desconhecidos…). O que faz da corrida tão estudada é essa sua quantificação fácil e feita há décadas. É também um perigo. Aqui um texto lúcido e incrível da Sarah Hall, uma profissional uma das melhores no mundo, que teve que lutar muito contra esse equívoco.

Auto-jabá: O Mayco do Canal Corredores, um dos maiores canais de corrida no YouTube, me chamou para falar sobre Mitos na Nutrição (voltada a corredores). Foi tão natural que o bate papo ficou bacana! Veja aqui!

Em tom claramente irônico (e ácido e hilário), mas que você acha inúmeros exemplos em qualquer grupo de corrida, o Igor Oliveira contou o que um amador fictício que não enxerga o que realmente importa faz para correr “melhor”.

Off-topic: nos anos 80 e 90 nem todos os corredores ganhavam medalhas em uma corrida. Elas eram limitadas, por exemplo, 300 em uma prova com mais de 400 ou 500 pessoas. O mesmo valia para camisetas. Eu confesso que não tenho opinião formada à questão das medalhas, mas o mercado se adaptou e ofereceu aquilo que o cliente que paga pelo evento quer (medalha a todos e cada vez maiores e mais pesadas). As medalhas pelas quais que tenho mais carinho não são as mais bonitas, são aquelas conquistadas. Mas esse sou eu. Acredito que no Brasil o único evento que ainda faz algo similar, distinguindo medalha por posição, seja as Golden Run e as Run City. É algo que dá trabalho, mas custa bem pouco. Ia ser bem-vindo se a prática se espalhasse. Falei tudo isso porque cheguei a um texto (antigo) que questiona se em crianças medalhar a todos os mimariam ou seria muito cruel não as oferecer.

Nem tanto off-topic: No The New York Times um texto que fala sobre o que o cross-country (na neve) revela sobre a capacidade humana. Bão!

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Leituras de 3a Feira

Na Spikes um assunto que atinge enorme parte da população de corredores, as complicações (dores) do ciclo menstrual, mas que quase ninguém fala abertamente a respeito. *dica do Igor Oliveira.

Aproveitando a deixa dos militares americanos que expuseram dados de seus treinos em zonas militarizadas e perigosas que falei semana passada, a Revista Piauí também fez matéria mostrando que aqui no Brasil o erro se repete com militares e agentes penitenciários. Vacilo!

Auto-jabá (nem tanto) off-topic: Recebi um agradável convite de ser entrevistado pelo pessoal do Senhor Tanquinho. O Guilherme e o Roney, “donos” do site, fazem aquilo que todos deveríamos fazer quando o assunto é Nutrição: eles não acreditam em nada do que dizem nutricionistas e diretrizes de saúde. Por quê? Porque não existe ciência na nutrição convencional, ortodoxa, apenas boa-fé. E isso não basta! Então conversamos por pouco mais de meia hora falando sobre Nutrição simples e descomplicada. Acompanhe lá! Ouça aqui! *a quem não gosta de podcast, há transcrição de toda a conversa!

Auto-jabá 2: no outro blog (O Nutricionista Clandestino) falo sobre das nuances da nossa relação com a balança, da roubada que é sanduíche natural (e outras pegadinhas falso-fit) e de como o ser humano é frágil ao carboidrato.

Sempre com aquele pachequismo achando que o mundo acontece em solo americano ou britânico, uma lista dom 25 das chegadas mais incríveis da história do atletismo!

Um comercial americano de cerveja com pegada esportiva. Até onde sei isso é proibido pela legislação brasileira. A Skol Ultra (que tem menos de 5g de carboidrato por garrafinha, e que dessa forma pode ser chamada de low-carb) tinha essa pegada (veja o vídeo aqui) e enfrentou problemas por isso. É justamente a única que eu “deixo” meus clientes beberem.

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