160km e 0 calorias

Você conhece o ultramaratonista Michael McKnight? Tudo bem, não é preciso. Como você só precisa de UM caso pra derrubar TODA uma teoria, McKnight nos serve! É o conceito do Cisne Negro, você precisa de apenas UM cisne negro pra derrubar a ideia de que todo cisne é branco.

Dias atrás um leitor me mandou o link de uma dessas revistas ruins (dessa vez era de triatlo) com uma nutricionista-vendedora explicando que carboidratos são essenciais ao desempenho (de triatletas) na longa distância.

De cara 2 erros. Primeiro, quem já trabalhou com isso sabe que uma revista nada mais é que um catálogo de vendas. Ela lutará para defender seus chefes, os anunciantes, no caso, fabricantes de suplementos esportivos. Nada melhor que uma vendedora diplomada pra fazer o serviço. E segundo, você JAMAIS deveria ouvir o que nutricionistas têm a dizer sobre esporte e desempenho. Quando um atleta meu deixa mexerem em sua dieta, eu tiro meu corpo fora, não respondo pelo que irá acontecer.

Basicamente os Nutricionistas IPI dizem que uma vez que nossa reservas de glicogênio (muscular e hepático, no fígado) são (bem) limitadas (e são!), você precisa toda vez que sair de casa, andar com um sachê de gel. Se eles tirassem a b&nda do consultório e fossem a UMA competição na vida veriam que esse raciocínio não sobrevive.

UM DOS objetivos do treinamento é fazer o corpo criar adaptações para fazer aquilo que atualmente lhe é inviável. E aqui entra McKnight e a restrição de carboidrato.

McKnight aderiu à dieta cetogênica para mostrar que é possível correr 160km sem ingerir nada além de água e eletrólitos. Como isso é possível? Vou falar em algumas linhas o que 99% dos nutricionistas não conseguem entender em 4 anos de faculdade…

Na restrição de carboidratos da dieta (seja ela low-carb, seja cetogênica, que é uma “very low-carb”, com menos de 50g diários desse nutriente) o corpo passa por adaptações fisiológicas, metabólicas e bioquímicas por semanas ”aprendendo” a retirar energia da gordura, quase “ilimitada” no corpo. Como? Com uma condição essencial: com níveis baixos de insulina que só é possível nas dietas de restrição de carboidrato (low-carb ou cetogênica). Reforço: você só fica BÃO em queimar gordura, restringindo o carboidrato. E o que manda o Nutricionista IPI? Que você coma MUITO carboidrato. Ou seja… o Nutricionista IPI é um OBSTÁCULO ao seu desempenho. Fuja deles!

 

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Vamos ajudar correndo? (Coronavírus)

Nós do podcast 3 Lados da Corrida juntamente com a Iguana Sports estamos organizando uma Corrida Virtual totalmente beneficente!

Nas distâncias de 5km e 10km todo o valor arrecadado com as inscrições será revertido em prol ao Fundo Emergencial para a Saúde – Coronavírus Brasil.

Para ajudar fazendo aquilo que mais gosta é bem simples! Basta se inscrever neste link aqui.

Você terá 5 dias para completar a distância, entre 4a feira dia 27 de maio e Domingo 31 de maio.

São apenas R$30 que podem fazer a diferença!

A prova pode ser feita no horário que melhor lhe convier, em casa (esteira) ou na rua! O que importa é ajudar!

Posso contar com sua ajuda??

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Corrida, depressão e vício

Aproveitando a deixa falando de corrida como um sintoma psicológico, vou colocar aqui de novo o que escrevi pouco mais de um ano atrás aqui mesmo no Recorrido sobre o que penso da corrida como tratamento na depressão ou como sendo “viciante”.

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Se tem algo do qual NÃO gosto muito de falar a respeito é da associação que vira e mexem fazem com a corrida nos campos (do tratamento) da depressão e sobre ela causar vício e dependência. Da depressão não gosto nem de falar quando associam a corrida como tratamento para ela. É uma doença TÃO terrível e TÃO estigmatizada que o simples debate com o público dá a entender que a corrida seria uma espécie de remédio. Corrida só pode ser remédio para quem GOSTA minimamente de correr. O indivíduo com depressão não deveria buscar a corrida, mas o ESPORTE como ferramenta de auxílio, NÃO como remédio.

Ser viciado é BEM diferente de ter prazer. Gostar de correr não te faz um viciado. Minha crítica ao debate da sua prática ser viciante é porque SEMPRE sugerem ou dão a entender que ela vicia mais do que realmente pode viciar.

Eu tenho prazer em correr (são muitos anos correndo), mas não tenho graves e sérias crises de abstinências quando não corro. Aliás, estou há 10 dias sem conseguir correr (mas treinando força) porque meu calcanhar dá sinais de que precisa de uma cirurgia iminente. Experimente deixar um viciado sem narcótico ou droga todo esse período.

Não é nada simples definir quando algo “te vicia”. Quando falamos de uma substância ser viciante (e eu sei que a corrida não é uma substância) a American Psychological Association (APA) define 7 pontos dos quais havendo AO MENOS 3 você tem algo viciante. Porcamente resumindo seria: tolerância, abstinência, “bingeing” (overdose, uso excessivo de uma vez…), desejo de largar, procura/desejo (craving), interferência (negativa) na vida e consumo APESAR do mal que causa.

Para alguém ser MESMO viciado em correr tem que ser alguém que corre MUITO. Mas MUITO. Em frequência e tempo (nem estou falando de ritmo!). Outras coisas REALMENTE e claramente viciam a muitos… açúcar, entorpecentes, cigarro, álcool, fármacos, sexo, jogo… Não precisa ser especialista para saber que não entram todos no mesmo balaio. De uns é mais fácil sair do vício que de outros. Fora que por vezes confundimos hábito com dependência… o hábito (por exemplo, parar para correr dia sim dia não num parque na volta do trabalho pra casa) facilita o trabalho ao nosso cérebro (MUITO preguiçoso) porque esse hábito é uma tomada de decisão A MENOS que tem que ser feita. Se você come uma tapioca sempre e SOMENTE SE você corre há assim ainda a questão de associar a corrida com o fim do expediente ou de uma recompensa. Seria a corrida o vício? Não!

Como disse, é complexo. E o debate da corrida ser viciante ou ajudando pessoas com depressão não só acho simplista como quase insensível (com viciados, dependentes e doentes).

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O Esporte deve ser visto em seu, processo, não em seu fim.

OU AINDA: A Nutrição Esportiva é míope!

Sempre falo que você JAMAIS deveria deixar um Nutricionista mexer em NADA de seu treino. Nem antes nem depois da sessão. Nem mesmo durante. É como pegar dicas de pesca com um engenheiro hidráulico e não com um pescador. Ambos mexem com água, mas o doutor fará você passar fome. Nunca conheci um Nutricionista que entendesse de Esporte. Não que não exista! Apenas nunca vi um, então me resguardo. P.s.: deve existir engenheiro que pesque bem, espero que tenha entendido meu ponto! E fiz questão de dar o exemplo na direção da pesca e não de pedir ao pescador que construa uma obra, daria a impressão que o título acadêmico é o que importa, e não o expertise… e vocês sabem bem o que penso de acadêmicos fora de laboratórios.

Estou apaixonado pelo Last Dance, a série de Netflix que retrata o Chicago Bulls da era Michael Jordan. No episódio 4 tem uma passagem emblemática. Após apanhar fisicamente nos playoffs contra Detroit Jordan decide que precisa “ir para a academia” ganhar massa muscular no que seu treinador explica a dificuldade que é para Jordan, um dos maiores atletas que já passou por esse mundo em uma modalidade de força tem em ganhar… músculos!

“GANHO FORÇA MUITO FÁCIL”

Qualquer treinador já passou nervoso ouvindo a famosa frase vindo da aluna com menos proteína que um pastel de palmito: “sabe… é que eu ganho músculo muito fácil”. Sim… verdade… o Jordan com mais testosterona que todo o lado feminino da sua família penava para ganhar 2kg, mas você quando faz supino na máquina com 3 tijolos ganha fácil. Faça-me o favor…

Ou ainda o aluno (homem) que quando você pede para fazer 4×5 agachamentos fica preocupado com “medo de ficar pesado pra correr”… O JORDAN NÃO CONSEGUIA! Você corre 10km em 50!! Você agacha com 60kg! Devia ter é vergonha, não preocupação!

Sabe… ganhar músculo é tão, mas TÃO difícil (mais difícil que ganhar força, o que é diferente!) que existe uma atividade que os caras tomam hormônios, produtos que dão câncer para acelerar esse processo, de tão difícil que é!

 

A NUTRIÇÃO É MÍOPE PORQUE O PROCESSO IMPORTA!

Falei tudo isso porque eu farejo a ignorância de um nutricionista nesse assunto quando ele fala em pós-treino pra amador. Falou pós-treino sei que não entende do gingado, passaria fome se a grama mudasse de cor. Isso porque O PROCESSO IMPORTA! Acho que é bem claro pra todo corredor (mesmo os iniciantes) que existem N maneiras de você treinar 10km. Todas te levam para o mesmo lugar (o FIM)! Mas… O PROCESSO IMPORTA!

Você pode andar 10km. Você pode fazer 10km subindo, no plano, descendo… pode dar tiro moderado de 5min e andar 1min até completar 10km. Ou pode dar tiro forte de 3min e descansar os mesmos 3min. O FIM (10km) é o mesmo, mas o PRODUTO final é DISTINTO sabe por quê?? PORQUE O PROCESSO IMPORTA!

 

Não é só que seu Nutricionista por não entender de esporte (já disse que não conheço nenhum que entenda de Esporte??) não entende que um pró precisa de pós-treino ao treinar 15 sessões por semana e tem ENORME tolerância ao carboidrato (que entre outras coisas o faz pró!) e o amador que treina 7 sessões NÃO precisa… é que ele não entende que O PROCESSO do trabalho muscular -veja só – IMPORTA!

A MANEIRA que você atinge o fim (seja 10km, seja 30km ou ganho de massa muscular) é ESSENCIAL porque muda a natureza desse fato. É como achar que correr 10km ou dirigir 10km seja a mesma coisa porque o fim é igual (10km) AINDA QUE a maneira tenha sido distinta.

Sempre que eu falo “olha, não consuma glutamato monossódico” vem alguém e pergunta: “mas qual o prejuízo comprovado do consumo dele?” Sei lá! DANE-SE! Não quero saber! Eu NÃO PRECISO experimentar seu prejuízo para deixar de fazê-lo! É o princípio da precaução. Você não tem medo de comer carne de um gado que foi anabolizado com hormônios e recebeu muito antibiótico? Eu não sei listar todos os prejuízos, eu não preciso saber deles! Como é um processo não naturalístico eu sei que não é bem-vindo sabe por quê? PORQUE O PROCESSO IMPORTA!

 

OU SEJA, a maneira como você treina importa MUITO. “Se a maneira que você ou alcançou é diferente de outra maneira, o que você criou é, de alguma maneira diferente”. Ainda que não saibamos como.

Todo o conceito estúpido do pós-treino imediato se sustenta em 2 ENORMES erros conceituais (o que reforça minha tese de que Nutricionistas Esportivos não entendem de Esporte, já disse alguma vez pra vocês?).

A primeira é a da janela metabólica de oportunidade (e suas variações de nomes). É o unicórnio da profissão. Parte do princípio que o nosso organismo é burro, mas que uma profissão não-essencial e que historicamente mais errou que acertou veio para corrigir esse problema. Desde que você pague, óbvio.

A segunda é que o catabolismo é ruim. Veja só, o catabolismo é ESSENCIAL ao processo de treinamento. Se catabolismo fosse ruim, seja na saúde, seja no Esporte, você teria que PARAR de treinar. Catabolismo faz parte do processo, faz parte da VIDA.

Há um histórico balanço ESSENCIAL de catabolismo-anabolismo. O nutricionista que sugere pós-treino acha que ele deve ser inibido. Com qual propósito ou argumento? FÉ. O processo contínuo de crescimento é deletério, prejudicial, não-natural, nocivo ao ser humano. Uma profissão da área da saúde que ainda não entendeu isso não te ajuda, te atrapalha.

A busca por um contínuo anabolismo sem fim é em si mesmo uma inibição da nossa natureza, do equilíbrio entre anabolismo e catabolismo. Não tem como dar certo. A gente pode não saber COMO, mas isso é o que menos importa. Basta termos em mente que não há lógica neste raciocínio,que ela é não-natural. Tão não-natural como ir de carro por 42km e achar que completou uma Maratona.

 

 

 

 

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Quando a Corrida é sintoma, não tratamento.

Já me perguntaram sobre correr dentro de casa na quarentena e falei mais de uma vez: correr dentro de casa não é parte da cura, mas sintoma de uma doença.

Em inbox me mandaram que um dos argumentos é que se isso dá paz mental à pessoa, deveria ser feito. Porém, quem sofre de TOC e precisa dar 15 voltas no próprio eixo antes de abrir a geladeira, por exemplo, não pode achar normal buscar paz nesse gesto irracional. Dar as 15 voltas não é dar paz mental, não é tratamento! Isso não deixa é de ser um sintoma de um problema.

Pois bem, em “On the Wildness of ChildrenCarol Black explica que durante décadas nosso modelo de dependência de drogas foi baseado em pesquisas realizadas com ratos de laboratório. Em um dos experimentos os animais podiam pressionar uma alavanca para receber água com heroína ou com cocaína. Os pesquisadores descobriram que os ratos pressionariam a alavanca e consumiriam droga até que morressem disso! A droga seria então, segundo as conclusões, a CAUSA do comportamento viciante.

Tudo muito lógico não?!

Porém, foi o psicólogo Bruce Alexander (em The Globalization of Addiction) que notou algo especial. Os ratos que se mataram assim estavam isolados em um ambiente não-natural, artificial, estéril, onde NÃO havia nada de mais, de natural para distraí-los ou ter o que fazer.

Vejamos, quando eles foram colocados em um ambiente mais natural, diversificado, onde eram capazes de interagir livremente com o meio-ambiente e mesmo com outros ratos, o uso de drogas foi reduzido em 80%. Ou seja, se você lhes desse uma VIDA real, um ambiente e um mundo no qual eles QUEIRAM VIVER, eles NÃO se destruíam com as drogas.

Mark Baker argumenta que um animal selvagem não é feliz em uma gaiola, por isso ele manifestará com gestos repetidos e comportamento perturbados. Por isso tenho pavor de entrar em lojas que vendem aves em pequenas gaiolas… você percebe em instantes como estão perturbadas. Liberte o animal e ele volta ao seu normal.

Essa gente pregando “corra dentro de casa” sinalizando virtude (“olha como sou virtuoso sou guerreiro e amo correr, quem sai de casa é egoísta!”) acha que está resolvendo um problema, quando apenas nos mostram sintomas de sua doença.

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