BIOMECÂNICA vs TREINAMENTO

OU AINDA: é possível “ensinar” um guepardo a correr mais rápido melhorando sua técnica?

Muitos anos atrás me apaixonei pela história do cavalo Seabiscuit. E tempos atrás mergulhei no mundo das corridas de cachorro para escrever meu livro O Veterinário Clandestino. Ambos os mundos conseguem uma proeza: fazer animais incríveis correrem ainda mais rápido.

Como? Treinando suas CAPACIDADES. Cavalos e cães não fazem educativos. O que sobra é melhorar suas valências (níveis de força e resistência, por exemplo). Você nunca verá cavalos na academia nem cães fazendo educativos de corrida. Ok, não são racionais como nós humanos.

Será que poderíamos fazer o guepardo, o animal mais rápido do mundo, correr ainda mais? Sim! Com certeza! E se ele fosse racional como o Haroldo amigo do Calvin? Poderíamos dizer COMO ele deveria correr para ser mais rápido?

Fiz um vídeo dias atrás porque me perguntaram o que achava do enfoque na biomecânica. O que vejo que muito amador não percebe é que o PADRÃO biomecânico de uma pessoa REFLETE, é uma expressão de suas capacidades físicas, enquanto muita gente entende a biomecânica como sendo CAUSA da corrida.

Como “melhorar” alguém tecnicamente/biomecanicamente se à medida que a força, resistência e potência aumentam sua biomecânica TAMBÉM muda, uma vez que ela é a expressão dos anteriores?

Esse é (mais) um dos motivos pelos quais interfiro ZERO na mecânica de meus atletas. Ao treinar suas CAPACIDADES, elas se refletirão no novo padrão de corrida da pessoa. Duvida? Venha em janeiro em um treino meu, filme meus atletas e volte em maio! E verá como mudarão sem fazer UM exercício educativo sequer! Como isso é possível?

Eu tento olhar o padrão de corrida como indicador de CAPACIDADE que faltam ser treinadas. E apenas querer ou falar (faça isso, pise assim) POUCO ou NADA muda. Para você fazer o fadeaway do Jordan ou enterrar como LeBron, não basta educativos. Você precisa ter capacidades físicas mínimas e brutas, além de praticar o gesto POR COMPLETO. Focar primeiro em ângulos não te levará a lugar nenhum. E DENTRO do gesto completo seu corpo encontrará as alternativas mais adequadas de ajuste.

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Leituras de 5a Feira

Na Canadian Running uma matéria BEM legal falando sobre o maior velocista canadense da história. (não, não é nem Ben Johnson nem Donovan Bailey!)

Mais um curto documentário da NN Running Team, dessa vez falando sobre treinos intervalados e de velocidade.

Não deixemos esquecerem de Alvin Kraenzlein, o homem que revolucionou o atletismo (barreiras) e que ganhou 4 medalhas individuais nos mesmos jogos (1920)!

Um lançador de disco com um talento raríssimo vê sua forma se esvair sem explicações. E aí acontece algo de diferente. Um longo texto que li em um respiro. Demais!

A Podium Runner fala sobre como treinar melhor “socialmente” uma equipe feminina. Tudo dito ali funciona 99% em uma assessoria ou grupo de corrida. Qualquer treinador moderno de corredores amadores tem que saber o que vai ali no texto! Mas nossa formação olha para as células, para mitocôndrias e não para o ser humano.

Quando os EUA decidiram boicotar os Jogos Olímpicos de Moscou/1980 era preciso fazer algo com toda uma geração dos melhores atletas do mundo. Especulou-se um torneio alternativo que nunca vingou e uma competição internacional que não foi à altura dos planos, mas entrou para a história. A incrível Lope Magazine nos conta a história dessa histórica competição que poucos sabem que ocorreu.

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Comer como atleta vs Comer para ser atleta

Conheço o Ivan Razeira há um tempo, e dias atrás ele se saiu com uma frase incrível: “antes eu comia como um atleta, hoje eu come pra ser um atleta”.

Ele postou uma foto das duas épocas. O que pouca gente sabe é que a foto do “antes” é temporalmente mais próxima de sua fase como atleta profissional de triatlo disputando etapas do circuito mundial. Como isso é possível?

Um dos maiores e mais vergonhosos erros da Nutrição Esportiva é estruturar sua prática observando o que faz a elite para então aplicar em atletas amadores (que é onde está o dinheiro e o grosso do mercado). O atleta da elite é um ET, um fora da curva, um “outlier” com características bem particulares.

Uma delas, e a maioria dos profissionais da área parece não compreender, é que esses atletas possuem uma ENORME tolerância ao carboidrato, o nutriente que oferece a melhor relação energia por consumo de O2. Então não é que os grandes corredores (e triatletas) comem muito carboidrato e isso os faz ser da elite, mas é que eles PODEM, eles TOLERAM consumir tudo isso (assim como toleram cargas incríveis de treino) e POR ISSO podem ser da elite.

Quando o Ivan resolveu mudar radicalmente sua dieta após sua aposentadoria, reduzindo radicalmente os carboidratos, seu corpo mudou. Quando um organismo não mais tolera tanto carboidrato ele aumenta sua resistência à insulina, aumentando o peso, trazendo maior carga mecânica e assim pior desempenho.

Um corpo atlético na longa distância precisa ser ANTES DE TUDO leve. Mas a Nutrição Esportiva decidiu funcionar às avessas, decidiu tentar mudar a realidade que é sempre teimosa. Por isso ela não funciona. Ela decidiu primeiro que você deve encher o rabo de carboidrato (porque não compreende a dinâmica do esporte) e depois sugere saídas ineficientes para você se livrar de um peso que subiu ou que não baixa.

Faz sentido? É lógico que não! Mas com sua incompreensão da dinâmica ela culpa o cliente por estar acima do peso, não o seu não entendimento. A busca deve ser por uma dieta de um corpo magro, não a dieta dos corpos magros!

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Choque, Pânico, Medo e a Cinta-liga

Temos os piores políticos do mundo. Mas AINDA ASSIM os brasileiros passaram a achar uma boa ideia seguir o que pedem. NEM no Brasil a prática da corrida deve (por lei) ser com máscara.

A sinalização da virtude é um dos males desse século. Não basta fazer, tem que anunciar “corro de máscara, sou virtuoso”! Quer correr com? CORRA, tente comer gente postando no IG, mas não me encha o saco! Aqui seguirei correndo sem dentro do parque igual a quem reduz a velocidade qdo vê o radar!

Se amanhã o Átila fizer live dizendo que cinta-liga previne, compre a sua! Poste fotos com ela e mude o avatar! Eu seguirei sem usar! Se amanhã o Dória exigir supositório que explode caso você saia do setor, coloque, faça story, seguirei sem usar! Se Bolsonaro importar a vacina russa, sigo SEM tomar.

A imagem do post é uma subprefeitura tacando veneno nas ruas contra o COVID! E as pessoas LOUCAS nos comentários pedem mais! É esquizofrenia!

CHOQUE vs PÂNICO

Um texto antigo do Malcolm Gladwell fala da diferença entre os 2. CHOQUE é a paralisia por não saber o que fazer. É a quarentena! É o mecanismo de sobrevivência. PÂNICO é ação inconsequente, correr pro lado errado, FAZER A COISA ERRADA, um tb mecanismo de sobrevivência.

O Brasil é campeão mundial de tuberculose e nunca tivemos que usar máscaras. Meningite, SARS, pneumonia, sarampo, gripe… TUDO pega pela via aérea, mas nunca vimos virtuosos de plantão exigindo máscaras.

Viver é correr riscos

Ao ir correr posso ser atropelado, tropeçar, cair um meteoro e CONTRAIR TUBERCULOSE (já disse que somos campeões mundiais??). SEMPRE houve esse risco. Ao ficarmos em casa 15 dias estávamos em choque tentando entender a doença. O mundo liberou correr sem máscara, o mundo não PANICOU. Mas o brasileiro panicou, e acha certo ouvir o que tem a dizer os piores políticos do mundo.

Obedeça a Lei”… amigô, se fosse obedecer a lei eu estava carpindo um canavial tomando chicotada e pagando CREF. Deixe que eu me resolvo com a lei!

Miasmas & o passado se repete

Essa semana com a reabertura voltei a correr nos parques. A regra pede uso de máscara. Natural que me perguntem. Eu poderia desconversar ou poderia ser franco. Bom, a resposta está acima.

Essa semana também voltei a andar de trem e metrô (pra ir correr). Já viu o tamanho do segurança mais fraco da Linha Lilás? Óbvio que uso máscara! Uso máscara em supermercado (imposição), dentro dos vagões (opção), dependências das estações (imposição) e táxi (imposição).

Apenas o desprendimenrto da lógica mais elementar e da realidade e de conceitos técnicos alimenta o uso de máscaras em ambientes abertos ou em um parque ou na corrida. O trem que peguei pra ir quase agora ao Bosque do Morumbi pode carregar 2 MIL pessoas. O Metrô que me leva ao Ibirapuera pode andar com lotação de 8 pessoas por metro quadrado. Tanto trem e metrô estão longe do pico, mas não há onde sentar.

Você sai da estação Morumbi e no shopping vizinho tem que medir a temperatura e tem que intercalar degraus na escada rolante. Sabe o nome disso? Dissonância cognitiva. Não cruzei com 10 pessoas nos parques onde corro. Usar máscara??

Seguindo ótima dica de uma amiga li “Ghost Map”. Se você usa máscara que NÃO seja dentro de um metrô, não leia, você terá vergonha de você mesmo. Se você ler e AINDA ASSIM achar que faz sentido usar máscara na rua, releia.

O livro conta a investigação de John Snow pra entender a disseminação da cólera na Londres de 1850. O comportamento social de 170 anos atrás é o MESMO do nosso comportamento atual. Snow lutava contra a tese que cólera se transmitia por miasmas (“ar ruim”), seria futuramente o nascimento da agora vigente teoria microbiana.

Você acha que Snow convenceu as pessoas? Não. Foi rejeitado, inclusive pelo The Lancet. Irônico que vocês ainda o sigam.

O esporte preferido do brasileiro é odiar político! Mas é irônico que políticos que são odiados e nunca viram um trem decidam com apoio popular o que deve ser feito. É o delírio coletivo. Em trilhos, são quase 8 milhões de paulistanos por dia segurando corrimão em vagões sem janelas (climatizados). Mas o vírus tem consciência social! Ele pega mesmo só quem anda ou corre na rua sem máscara.

 

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