Leituras de 4a Feira

Abaixo o trailer de um filme francês 1:54 que parece girar em torno de uma equipe estudantil de jovens corredores de 800m.

Eu nunca entendi 100% como alguém pode se submeter a correr em esteiras. Morando fora eu corria em temperaturas negativas, mas esteira não! Ela basicamente rouba o melhor da corrida, que é transformar cada passo em algo diferente. Descobri agora em um vídeo curto e bacana do Facebook do TED-Ed que elas foram inventadas 200 anos atrás para torturar presos! Nunca fez tanto sentido para mim!

Um tênis (muito) caro, um aplicativo cheio de dados e gráficos que encantam, um discurso sempre envolvendo termos tecnológicos e a promessa de sempre que nunca se cumpre: uma tecnologia de calçado que promete corrermos com menos lesões. NUNCA falha, o que não falta é quem compre a ideia! E o produto!

Ritmo de prova é um dos temas mais legais que existem. Fico nervoso quando vejo atleta meu bancando o super-herói puxando prova quando há gente por perto que pode dividir o fardo. Um texto interessante do Alex Hutchinson (mais longo do que precisava) explica bem o custo de ditar o ritmo. Quem lê este espaço sabe que está LONGE de ser só o de quebrar o vento…

Abaixo o vídeo com os melhores momentos de uma Meia Maratona em Verona (Itália) com a temática romântica com o nome dos 2 namorados mais famosos da literatura mundial. Bacana! *dica do Correr pelo Mundo!

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Inferno, doping, ingenuidade e não somos mais crianças

Dan Brown é um baita escritor. Seu livro mais conhecido, O Código Da Vinci, vale ser lido! De todas as críticas que já li, o dono era sempre um pedante necessariamente possuidor de um diploma universitário, como que para nos lembrar de que ele não cai em truques do entretenimento. Por isso pedante, pois só assim para ignorar que Brown fez pesquisa de primeira e a usou em uma obra de ficção, por definição com liberdade poética. É o típico chato que quando vê Star Wars fica nos lembrando que explosões no espaço não geram barulho.

O livro tem um personagem central que participa de 4 de seus livros (praticamente sem ligação entre eles). O mais recente dessa série, Inferno, também virou filme. Nele há uma frase interessante de um dos personagens centrais. Harry Sims diz: “Os jovens me decepcionam. Só os tolero por volta dos 35 *.

Semana passada tivemos duas notícias muito importantes no mundo do atletismo. Domingo caiu mais uma vez o recorde mundial da Meia Maratona entre as mulheres. Já mais para o final dela uma bomba: era pega no exame antidoping o primeiro peixe-grande queniano, a campeã da última Maratona Olímpica.

Existem levantamentos BEM interessantes que mostram como a adoção de testes antidoping influenciou diminuindo o ritmo competitivo em provas como os 10.000m, por exemplo. Existem algumas certezas: uma é que o doping funciona muito bem no aumento do desempenho. Outra é que um número muito baixo de dopados é pego em exames. Outra certeza é ainda que se você GARANTE que um grupo de elite não se dopa, o ritmo deste grupo NECESSARIAMENTE cai. *Por isso ainda se você quer bater a barreira das 2h00 na Maratona com um grupo de atletas, há um conflito de interesse perigoso…

Por isso que as duas notícias, apesar de importantes, vieram acompanhadas de uma sensação de “mais do mesmo”, com desinteresse. É uma pena. Isso porque foi o maior nome já pego e outra porque um recorde mundial deveria ser sempre especial. Sempre. Mas não é mais. Há muito acabou a época da inocência no atletismo. Este esporte virou um grande teatro, muitos torcem, acompanham, mas quando caem as cortinas você sabe que era tudo uma grande encenação, você não fica bravo querendo agredir a Adriana Esteves ao vê-la no supermercado, pois você sabe que na novela como vilã ela apenas atuava, era tudo falso. O atletismo caminha em direção ao ciclismo, ao halterofilismo, ao fisiculturismo, com a diferença que no atletismo ainda imaginamos haver mais atletas limpos. Mas já não sabemos mais quem interpreta e quem não atua.

Não é só isso. Assim como quando assistimos ficção não copiamos tudo o que se passa na tela ou no livro, no atletismo não deveria ser diferente. Porém, um dos maiores males do doping nesse esporte passa despercebido. O doping proporciona ao trapaceiro níveis de força, de resistência e de recuperação inalcançáveis sem o uso dos recursos proibidos. O doping faz assim que sejamos impossibilitados de entender bem como funcionam as diferentes cargas e metodologias de treinamento.

Mas o que eu vi dias depois da queda do recorde foi alguns veículos e pessoas compartilharem com interesse as sessões de treino da nova recordista. O mais incrível é que muito da gente que deveria ser a mais interessada no assunto simplesmente dava de ombros. Por quê? Porque está claro que é tudo um show, uma mentira. São 2 os motivos principais: primeiro é que detalhes de um indivíduo pouca informação nos dá em função da (sempre ela) individualidade biológica. Mas o mais importante é que um organismo dopado suporta cargas não só mais altas, como em uma frequência muito maior. Por isso que amadores se deliciam com a informação, os profissionais pouco comentam.

Basicamente é assim: não há o que tirar de lição quando você é de carne e osso e a pessoa que serve de exemplo e estudo não é. Não é uma questão de metodologia, mas um exemplo de realidades tão diferentes que não vejo outra coisa senão ingenuidade pensar muito diferente. Você analisar esses treinos é o mesmo que analisar o treino de um atleta de força que carrega cargas com o auxílio de um amigo sem você saber. Ou estudar o treinamento de um velocista que dá tiros em descida também sem você saber. Ou você é inocente ou você ainda não entendeu muita coisa.

Estou eu dizendo que o novo recorde é uma fraude? Não mesmo! Nem tenho como! Por outro lado a pessoa não tem também como provar que competiu limpa. Mas a essa altura pelo desinteresse delas acho que você imagina o que acham da nova marca algumas das melhores pessoas do meio.

*Young people are disappointing. I find them become tolerable around 35.

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Leituras de 2a Feira

Incrível! Sensacional! Conheço bem a história de Emil Zátopek, o maior fundista da história quando visto antes, durante e depois da carreira como atleta. Uma de minhas leituras preferidas sobre ele, e sempre criticada pelo meu amigo historiador e corredor Nelton Araújo, é o livro “Correr”, que eu adorei, mas que segundo ele não tem envergadura necessária sequer para amarrar as sapatilhas do tcheco. Não importa! Já tinha lido MUITO sobre ele, e agora chegam mais detalhes que eu NUNCA soube de duas de suas provas olímpicas em Londres 1948. É demais! Você acelera e fica ofegante junto! Já entrei na Amazon para comprar o meu! *dicaça do Helio Shiino.

Quem entra nesse espaço sabe o quanto gosto da questão comportamental. Por vezes temos que ser lembrados de como o mundo à nossa volta mudou. Uma matéria da Runner´s World fala sobre como o atual cenário da sociedade nos EUA faz necessário parar de chamar corredoras apenas de joggers (*não há em português uma expressão condizente). Antes elas eram bem pequena minoria (no Brasil ainda o são, talvez 25%), mas hoje são quase 60% nas provas americanas. Homem na imprensa por lá é chamado de jogger ou de corredor, mas mulheres apenas por jogger. No fundo no fundo é como se nosso inconsciente não entendesse ainda que uma mulher pode ser corredora, como pode ser engenheira, física ou motorista de ônibus, carreiras que por aqui ainda contam com poucas mulheres. Mal na prática não faz nenhum! Mas é necessário entender e aceitar, ainda que forçosamente, que tudo mudou.

Mesmo com escassez de informação a pesquisa sobre a vida e carreira do desconhecido, mas gigante Charles Brooklns, um velocista olímpico de 100 anos atrás, pode nos ensinar DEMAIS sobre comportamento, história e jornalismo de primeiríssima. O autor deste texto ESPETACULAR vai atrás de informações de seu bisavô atleta e descobre um segredo jamais contado, jamais falado a respeito. Eram outros tempos tristes, que envergonham, mas que dão muita esperança. É a longa leitura obrigatória do dia. *obrigado ao Helio Shiino pela dica!

Aqui a 3ª parte (a final) sobre a incrível história de uma das pioneiras da corrida, Chris McKenzie! Muito bom!

Um dos assuntos que mais gosto é sobre análise de ritmos de prova. Seja dos 100m aos 42km! Uma coisa eu já defendi aqui em uma série de posts (aqui, aqui e aqui) é que split negativo na maratona (2ª metade mais rápida que a primeira não é necessariamente a melhor opção aos amadores. Na verdade, os dados indicam que um split levemente positivo seria o melhor). Como tantas outras coisas na corrida, as pessoas, mesmo alguns ditos especialistas, defendem o contrário. Felicidade começa com FÉ. Barry Smith é um irlandês que analisa de modo incrível dados de corredores amadores. Sua conclusão: chegadas rápidas não significam tempos rápidos. Sua conclusão vai no mesmo sentido da minha: acelerou no final, terminou sobrando. Acelerou cedo demais, vai se arrastar.

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Leituras de 6a Feira

Com um pouco de atraso a edição de Março-Abril da revista digital Level Renner.

Tenho certa bronca com a qual escolhem guerreiros e guerreiras na corrida. O Dyestat nos traz aqui a primeira de 3 partes da história incrível da atleta Chris Mckenzie que lutou contra adversidades que hoje são impensáveis! E aqui você tem a segunda parte.

Um estudo interessante tenta por números nos benefícios da corrida. Por ele teríamos que a cada hora correndo ganhamos 7 horas de vida.

A história recente da fundista Kara Goucher é triste e desoladora demais por 3 motivos: primeiro porque nos mostra como o doping é disseminado. Segundo porque mostra que ainda quando há justiça, ela é muito tardia e incompleta (não há premiação retroativa e os órgãos se recusam a fazer cerimônia de premiação para que o público não se dê conta de quantos medalhistas são pegos). E por fim, desoladora porque se você decide denunciar os dopados, você se dá muito mal, o sistema pune muito mais quem é limpo. Muito mais.

A TV Globo, ainda que de leve, entra na campanha contra os corredores-bandidos, os também conhecidos como pipocas. Matéria no SPTV alerta o custo deles aos que pagam pelo evento.

O que uma criança de 9 anos pode te ensinar sobre alcançar as suas metas na corrida….

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Leituras de 3a Feira

Um obituário da The New Yorker sobre um maratonista amador mostra o tamanho da envergadura da carreira do canadense Ed Whitlock, o maior veterano de todos os tempos!

Barry Smith continua muito acima da média. Dessa vez ele faz uma análise fantástica sobre ritmo na Maratona de Boston. Tenho muita vontade de correr essa prova, não a faço sem mergulhar nos números que ele dá!

Uma matéria do Esporte Espetacular falando da premiação olímpica tardia do 4×100 feminino que foi 4º em Pequim/2008 e somente agora ganha seu bronze com a desclassificação da Rússia por doping. À época eu conversava muito com duas dessas atletas sobre patrocínio na empresa para qual eu trabalhava. Garanto que o prejuízo financeiro a elas é inimaginável, muito maior do que passa pela nossa cabeça.

No mesmo dia o programa iniciou ainda uma série tentando acompanhar a carreira de 3 velocistas brasileiros que têm entre outros enormes desafios o de ser o primeiro brasileiro a entrar no seleto clube dos que correm 100m em menos de 10 segundos. Fica sempre parecendo ou que os atletas daqui não treinam forte o bastante, que os treinadores não são capazes ou (os dirigentes adoram essa explicação) que falte mais verba pública. Nada disso é verdade! Nada! Para o leitor entender, quando estive na Lituânia meses atrás vi que a 3ª maior cidade local (que deve ser menor do que Piracicaba, por exemplo) tem mais pistas sintéticas que o Brasil inteiro. A gente não pode esquecer nunca que atletismo é esporte de gente pobre. Mesmo nos EUA ou Reino Unido, quem compete vem das classes mais baixas. SP, a cidade mais rica do país tem 2 pistas públicas sintéticas. Uma delas fica na região do Ibirapuera, que deve ter o IDH da Suécia e outra na região da Vila Mariana, que deve ter o IDH da Eslovênia. Você consegue ir trotando de uma até outra, para entender a péssima distribuição. O pobre da periferia não demora menos de 1h30 para chegar lá. É triste quando você conhece molecada muito talentosa que ou não tem dinheiro para transporte ou para um lanche nessa epopeia casa-treino-casa. Não acharemos atletas procurando nos Jardins, mas na periferia. Não só da cidade, mas como FORA da capital também. Enquanto isso os dirigentes, alguns há mais de duas décadas no poder, seguem pedindo mais dinheiro com as mesmas ideias que nunca funcionaram. Nosso papel de meros figurantes no esporte global tem futuro mais do que garantido!

Em algumas datas especiais ou comemorativas algumas marcas entram na brincadeira. No 1º de abril foi a vez da minimalista Altra Zero Drop fazer sua brincadeira abaixo com um suposto lançamento deles!

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