Leituras de 2a Feira

Um texto sobre 7 coisas a não se fazer durante uma corrida e/ou prova.

Um dos maiores, senão o maior especialista não-japonês, a falar sobre a relação japonesa com a maratona é o britânico Adharanand Finn. Em texto ele explica por que o Japão não domina a maratona nos grandes eventos (majors, jogos olímpicos e mundiais).

Uma entrevista em vídeo longa e honesta com a gigante Blanka Vlasic, uma das maiores senão a maior saltadora em altura da história. Semanas atrás postei aqui um texto cortante de emocionante sobre sua aposentadoria. Assisti de uma vez só os 18 minutos! Se preciso te convencer, nele ela revela que bateu o recorde mundial em treino!

Um óculos bizarro de horroroso usado por Ato Boldon 20 anos atrás em Sidney ainda chama atenção. Matéria da Vogue trata do assunto.

Abaixo o trailer de um documentário sobre o primeiro ouro olímpico na maratona feminina pelo Japão! A campeã Naoko Takahashi é uma das maiores da história e merece ter seu feito recontado! Mais detalhes do feito da japonesa aqui.

 

Os erros que você comete e que te fazem correr com mais dores

Correr não é só um esporte que exige dedicação, esforço e paciência, ele é também um esporte de certa forma agressivo com nosso aparelho locomotor, uma vez que para progredirmos correr estressa esse aparelho e durante a recuperação saímos do processo fortalecidos, melhorados, evoluídos.

Na ânsia que muitos temos por resultados, acabamos tentando apressar os processos e isso acaba gerando problemas.

Então:

1. Tiros em excesso. Correr treinos intensos (os chamados treinos intervalados ou de tiros) mais vezes do que deveríamos nos faz correr com mais dores por termos pouco tempo adequado de recuperação;

2. Correr excessivamente rápido. Outro erro comum é corrermos mais rápido do que deveríamos. Seja em tiros, seja na rodagem, seja no treino leve… correr mais rápido não só NÃO é necessariamente melhor, como nos faz correr mais cansados, com mais dores;

3. Não respeitar o leve. Há o momento de correr forte e há o momento de correr lento e leve. Correr os treinos leves mais rápido achando que isso é melhor, não dá condições que o corpo se recupere de forma adequada, faz que tenhamos por mais tempo dores e incômodos residuais, fruto dos treinos mais duros;

4. Correr machucado. Um corpo lesionado precisa se recuperar, não precisa de mais carga. O corredor precisa diferenciar o que é um desconforto de solicitação de um desconforto fruto de lesão. Quando há dor por lesão NÃO deveríamos treinar. Simples assim;

5. Exagerar no volume. Quando corremos mais quilômetros do que deveríamos ou assimilamos isso atrapalha a recuperação e as dores aparecem;

6. Dormir pouco e/ou mal. NADA é melhor do que o sono como ferramenta para recuperação. Sacrificar o sono é sacrificar a qualidade do treino;

7. Comer mal. Nosso corpo precisa de um bom combustível. Quem come alimentos processados e industrializados em excesso piora o combustível. E uma máquina mal alimentada energeticamente é pior, mais inflamada e com mais dores;

Essas dicas não custam nenhum dinheiro, custam apenas uma corrida mais inteligente e segura.

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Leituras de 3a Feira

Você não precisa ser fanático por atletismo para reconhecer a envergadura de Allyson Felix quando ela é capa da Times sendo atleta de um esporte tão pouco popular. Pra mim a maior velocista dessa geração.

No vácuo da suspensão da velocista americana Sha’Carri Richardson surgiu um debate tolo: seria o modelo de antidoping racista? Lógico que não! Um belo texto explica o óbvio, que não.

Quais os efeitos em seu cérebro ao correr uma ultramaratona?

Mais um belo curto e poético vídeo da Tracksmith:

 

Qual a forma correta de se evitar lesões?

Uma frase famosa diz que há duas certezas na vida: a morte e os impostos.

Outra certeza a um corredor regular é: cedo ou tarde você vai se machucar como fruto da corrida.

Então é natural que o assunto ganhe destaque quando vamos falar de treinamento.

Qual treinamento ou qual intervenção é capaz de prevenir ou evitar lesões?

Há muito boato, muita promessa e muito equívoco no assunto.

Tênis, perder peso, musculação, alongamento, “recovery”… NADA disso encontra suporte em evidências minimamente razoáveis. Nada.

Para entender a questão da lesão temos que entender talvez suas razões.

A corrida é um ambiente de certa forma bem controlado, diferente do futebol, por exemplo, onde você tem os choques e um adversário como obstáculo físico tentando impedir sua progressão.

Então vamos deixar de lado as quedas e tropeços correndo.

Lesão assim podemos assumir como sendo uma incapacidade do indivíduo em assimilar uma carga de treino (aguda ou crônica, o que dificulta nosso trabalho) sem prejuízo à funcionalidade de sua própria estrutura orgânica (músculos, ossos e tendões, principalmente).

Dito e compreendido isso, para evitarmos as lesões temos que “ajudar” o corpo. Como?

Termos cargas de treino condizentes, que progridam de forma coerente e razoável.

Além disso, acho que fica claro entender que um corpo fortalecido para o gesto do esporte, no caso a corrida, permite que cargas excessivas sejam mais improváveis de serem executadas.

Tudo de certa forma simples, mas não fácil.

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Como um direcionamento correto do treino pode aumentar seus resultados na corrida?

Eu costumo dizer que a corrida é o esporte mais simples que existe. Mas não é fácil! Exige disciplina, dedicação, paciência, muito esforço…

Mas para melhorarmos e progredirmos nela, o desejo de muitos que se inscrevem e participam de provas, talvez seja necessário ainda um pouco mais. Correr não exige muitas explicações, mas um processo de treinamento exige um pouco mais do que apenas “sair correndo”.

Por exemplo, quem busca melhorar talvez deva respeitar um princípio, o da variação. Einstein dizia para não esperarmos resultados diferentes fazendo a mesma coisa. Aplicada à corrida, podemos dizer: não faça sempre o mesmo treino.

Existem outros. Por exemplo. As cargas devem ser não só variadas, mas de certa forma proporcionais e crescentes.

Outra coisa que pode parecer óbvia a alguns, mas não a todos: corredores correm, enxadristas jogam xadrez. Esse é o princípio da especificidade. Para correr maratonas se corre mais e de certa forma mais lento. Para correr provas mais curtas, seja 100m ou 5km, corre-se menos e mais rápido.

Então mesmo a corrida sendo o esporte mais simples que existe, não é só sair correndo. Mais do que dedicar-se a ela, aqueles que buscam progresso precisam variar seus treinos, ter treinos adequados em quantidade, progressão e que façam sentido àquilo que mais desejam.

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Leituras de 2a Feira

Vão lançar um filme sobre revezamento feminino 4x100m. De cara achei que seria repassando a conquista da equipe de 2008, mas será uma ficção. Bom… dificilmente verei porque achei as cenas de ação tão constrangedoras que não vou ter como ver… Abaixo o trailer.

Uma matéria falando sobre um dos autores mais consistentes quando o assunto é livros de corrida com qualidade ímpar: Adharanand Finn.

Texto interessante da Outside falando sobre aspectos fisiológicos da ultramaratona, uma especialidade pouco coberta nas pesquisas!

Obviamente que a pandemia, o fechamento de parques e tudo mais mudou nossa relação de uma forma ou outra com a corrida. Mas aos que fazem da corrida uma profissão (elite) isso teve um custo mental inimaginável a nós. Matéria no The New York Times sobre o assunto!

Aida dos Santos, ainda que de 4 em 4 anos, vem tendo seu feito e carreira recontados e popularizados em uma série de homenagens ainda em vida (o que é melhor!). Desta vez foi seu clube Botafogo quem faz uma justa homenagem com um busto dela.

Abaixo um dos vídeos curtos da Tracksmith usados durante a transmissão da seletiva olímpica americana do atletismo!

A maior mentira que te contaram sobre emagrecimento na corrida…

É QUE ELA EMAGRECE…

E se alguém te dissesse uma verdade difícil de engolir? A de que a corrida é uma PÉSSIMA ferramenta para emagrecer o praticante.

Por literalmente décadas muitos novos praticantes aderiram à corrida na esperança de que ela fosse uma maneira de queimar o excesso de peso. Em vão.

Não falo isso com orgulho, mas com empatia. Como treinador e alguém que gosta de correr é meio angustiante ver tanta gente abraçar esse esporte porque essa pessoa deseja acima de tudo perder peso.

Falo isso ainda porque a corrida é um esporte extremamente agressivo às articulações e mesmo muito monótono. Então é de certa forma desesperador ver gente se dedicando a algo pelo qual não tira muito prazer, mas insiste na prática talvez ou somente porque correr faria esse praticante emagrecer.

É um raciocínio equivocado achar que correr emagrece somente porque você vê corredores magros e leves. Para usar isso como evidência você precisaria então assumir que jogar basquete ou vôlei te faria mais alto. Você sabe que não faz!

Na verdade, esses esportes (basquete ou vôlei) selecionaram os praticantes mais altos. Assim como o sumô selecionou os fortes e gordos. A corrida por sua vez seleciona pessoas leves.

Ah, mas o gasto energético…

Da mesma maneira que correr te dá mais sede e acabada a sessão você se hidrata, é verdade que correr gasta mais energia, e ela te faz, adivinhe, comer mais!

Evidências não faltam! O maior e mais cuidadoso levantamento nesse assunto envolvendo corrida mostrou que corredores não perdem peso nem mesmo treinando MUITOS quilômetros.

Veja bem, eu teria muito a ganhar caso a corrida fosse um bom emagrecedor, afinal o mundo está obeso e eu sou treinador! Aliás, a falácia de que a corrida te faz emagrecer é um equívoco que tem certamente vida longa, isso porque treinadores ganham ($$) com isso. E o nutricionista tem ainda a quem culpar (dirá que você foi indisciplinado com seus treinos).

Mas é uma verdade inconveniente! A corrida não irá te emagrecer. O que te emagrece é O QUE você come entre um treino e outro.

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DIETA: O que NÃO funciona para melhorar meu desempenho na corrida?

1. SUBSTITUIR “COMIDA DE VERDADE”.

Chamamos de “comida de verdade” alimentos que “encontramos na natureza”. Ao mergulhar na vida e carreira dos melhores do mundo (de hoje e do passado) há uma recorrência enorme no tipo de alimentação. Cada um comia conforme as tradições, culturas e hábitos de seu povo, mas SEMPRE comiam “comida de verdade”!

Você não encontrará na história atletas cuja base vinha em pacotes, embalagens ou pós. Mesmo os que enriqueceram no esporte seguem consumindo comida de verdade. Não é questão de dinheiro.

2. “DIETA ESPECIAL PARA CORREDORES.”

Analisadas as razões que explicam o desempenho de corredores encontramos 3 enormes fatores: volume de treino, a capacidade de dissipar calor (a “máquina” esquenta e não pode ferver) e baixo peso.

A dieta de quem corre não tem que ter alimentos ou elementos específicos, ela tem é que cumprir duas máximas: manter a saúde do indivíduo E seu baixo peso. Não importa como!

Alguém que come muito carboidrato e pesa 85kg vai sempre ser uma versão piorada de si mesmo comendo menos dele e pesando 65kg, por exemplo. Não é qual macronutriente ou vitamina é melhor. A questão é: qual dieta te mantem leve!

 

3. IMITAR A DIETA DOS CAMPEÕES

Eu disse coma “comida de verdade”. É completamente diferente de comer a MESMA comida da elite.

Cada esporte escolhe seus melhores atletas. O amador faz o oposto: ele escolhe o esporte. Os melhores do mundo têm, além de treinamento e dedicação, são natos com capacidades específicas que os fazem elite quando submetidos ao treinamento.

Você aceita não ter a envergadura de LeBron James, a velocidade de Cristiano Ronaldo, a agilidade de Neymar. Por que acha que tem a mesma tolerância ao carboidrato que a elite africana? Uma das coisas que faz o africano correr “naturalmente” a 3min/km é a tolerância pra ingerir carboidrato de uma forma que você não consegue sem demonstrar sua intolerância: o ganho de peso.

A necessidade de estar leve SUPLANTA o consumo de carboidrato. Você não terá isso nem na faculdade!