Última Leituras do ano de 2021!

Nunca postei tão pouco no Recorrido quanto em 2021… infelizmente é uma tendência, espero não decepcioná-los. Em todo caso, resistimos! E venho no último dia do ano pra desejar um Feliz 2022 a todos os fiéis leitores!

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O The New York Times separou os 18 melhores momentos do esporte em 2021 que merecem uma revisita. Interessante ver que o atletismo feminino marcou presença!

Quem ainda acompanha a rotina do ex-maratonista profissional Ryan Hall sabe a mudança pela qual passou. É tão radical que a CNN fez uma longa matéria a respeito.

A britânica Athletics Weekly recapitula uma das vitórias mais importante do atletismo deles: o ouro olímpico no 4x100m masculino em 2004.

A lista de melhores do ano no atletismo dos EUA merece sempre destaque, uma vez que se trata da maior potência desse esporte. Aqui você tem os 10 mais votados no masculino e no feminino. Sinceramente? Sem surpresas e mais do que merecidas as vitórias quase unânimes.

O Los Angeles Times publica suas melhores histórias de 2021 com presença do atletismo em duas delas!

Aqui uma matéria sobre a carreira em ascensão daquela que pode ser uma das maiores estrelas do atletismo no futuro: Athing Mu.

Leituras de 2a Feira

Gosto de uns levantamentos peculiares… Neste aqui os pesquisadores cruzaram os cantores e suas músicas e o ritmo do corredor. A ideia é ver quais músicas nos tornam mais rápidos (ou mais lentos). Lógico que a coisa deve ser mais na direção contrária (músicas escolhidas pelos rápidos ou lentos), mas vale pela curiosidade!

Quando me perguntam por que não acompanho esporte profissional eu encaminho matérias como essa aqui na The Times… sobre como a medalha de ouro na prova mais importante e mais clássica do atletismo olímpico passa despercebida porque ninguém acredita naquilo que viu.

Parece bobagem o que vai listado nesse texto aqui, mas aos amadores nunca é bom reforçar o que diferencia os melhores corredores dos mais lentos: consistência, propósito, disciplina saber ler o jogo…

Um texto bem interessante de Alex Hutchinson na Outside, ainda que jogue mais promessas (não ele, o campo de pesquisa!) do que praticidade: as particularidades fariam as recomendações de hidratação serem distintas entre homens e mulheres. Acho que o tema tem muita incompreensão (causa versus consequência), mas um ponto é inegável: os estudos no tema são focados em homens e todos sabemos – quer dizer, os ativistas não sabem – que homens e mulheres são fisiologicamente bem diferentes.

Off-topic: um texto sobre especialização (ou não) reflete sobre como se criar Mozarts e Tiger Woods… se nem Mozart e Woods foram criados no modelo que imaginamos (100% especialização e trabalho duro).

Off-topic 2: Gosto sempre de divulgar aquele que é pra mim um dos vídeos mais bonitos lançados anualmente: o de mais buscados no Google. Veja abaixo!

Leituras de 3a Feira

Você conhece Guto Nyth Brân? Não?!?! Não se sinta mal, eu também não! Ele é segundo diz a lenda autor de algumas das maiores façanhas da corrida em toda a história!

Autojabá: no outro blog explico por que você deveria evitar ao máximo o consumo de açúcar. E finalizo a série sobre dicas britânicas ruins de nutrição.

O texto é longo? É! Mas é uma aula sobre Evolução e Saúde!

Uma pequena lista com alguns atletas de esportes diversos que se arriscaram em fazer algumas corridas de rua com resultados surpreendentes!

Uma das saltadoras mais incríveis da história descobriu que correu abaixo de 11 segundos nos 100m e que quase se classificou para saltar em Tóquio grávidas de quase 2 meses! Ela que tem enorme talento também na escrita reconta essa história improvável.

Leituras de 6a Feira

Matéria falando sobre as irmãs Dibaba, a família mais rápida do planeta.

Um tema bem interessante é sobre o que pensar durante a corrida pensando em melhoras e ganho de desempenho. Os achados não são muito conclusivos. Há quem ache que você tem que pensar em corrida (técnica e respiração) e outra linha dizendo para se pensar “fora da corrida” (paisagem ou tarefas além do exercício, por exemplo). Um texto aborda o assunto de maneira interessante. Acho que apenas quando se falou da elite não foi lembrado que esses caras têm o gesto e tarefa muito automatizados… quanto mais automatizado, menos se pensa tecnicamente na ação.

Nada me deixa mais indignado e desanimado do que ligar a TV e ver comentarista brasileiro dizendo que “Fulano é favorito no sprint porque corria provas mais curtas”. Uma prova não se decide assim! Ela se decide em todo seu desenrolar! A pessoa pode ter corrido 1500m a vida inteira, o quilômetro final de uma Meia Maratona é diferente porque ela chega lá com todo o desgaste dos 20km iniciais. Por isso que o texto de Alex Hutchinson na Outside é MUITO bom! Ele apresenta ao amador conceitos como o de velocidade de reserva, que acaba ajudando a dizer como o desenrolar de toda uma prova afeta e determina as chances dos corredores na volta final de uma competição.

Um curto texto batendo na tecla do básico que mesmo sendo básico precisa ser dito sempre: o corredor melhora como resultado de consistência e disciplina.

Correr é uma ferramenta ineficiente e ineficaz no emagrecimento. Não importa o quanto de evidências apareçam reforçando esse ponto, esse tema parece atrair com mais força profissionais incompetentes e torcedores. Um texto mostra a esquizofrenia nesse debate… os dados mostram uma coisa, mas o texto vai na contramão (“não emagrece, MAS….”).

Você acha que os tênis Pogobol com placa foram os primeiros a serem banidos? Um cara tem guardado na caixa uma sapatilha histórica feita para os jogos de 1968 no México. Ela foi inventada pela Puma e ajudou a bater um recorde mundial nos 200m, depois anulado. O equipamento que foi proibido pela então IAAF por ter muitos pregos (alegavam que ia ferir a pista, além de ter sido inventado e lançado em ano de Jogos Olímpicos). A relação da adidas com a entidade deve ter pesado na decisão? E a relação da Nike com o atual presidente da ex-IAAF também não deve ter pesado na regulamentação dos cheatflyers? Fica pro leitor decidir. Bom, no vídeo abaixo o dono da sapatilha recebe uma proposta de U$90.000 pelo calçado. E aí?!

Um pouco mais sobre como os 5km nos ajudam nos 42km

Os maiores corredores de longa distância da história fazem uma progressão natural de distâncias mais curtas até chegar na maratona. Nurmi, Zátopek, Mimoun, Clarke, Viren, Lopes, Tergat, Gebrelassie, Bekele, Kipchoge

Mas por algum motivo o amador ou desconhece isso (mais provável) ou acredita que a ideia de ir direto aos 5km é um movimento mais esperto do que fizeram os melhores do mundo (possibilidade não descartável).

Tenho feito recorrentemente um paralelo com a academia (musculação). É mais fácil alguém que faça 200kg no supino fazer muitas e muitas repetições com o conjunto da barra pesando 50kg do que alguém treinando com 50kg levantar 200kg poucas vezes. A força é um limitante ao velocista na mesma maneira que a velocidade é um limitador ao fundista.

Ou seja, é muito mais fácil correr devagar por mais tempo do que tentar atingir velocidades não trabalhadas. Por isso quando observamos a elite os atletas migram para provas mais longas, nunca o contrário.

Além disso, o corredor fica mais versátil porque ele trabalha mais valências físicas não trabalhadas quando treinamos para correr 42km.

Uma coisa que fiz questão durante a pandemia, ainda mais no princípio quando as pessoas tinham temor de passar muito tempo na rua, foi concentrar os treinos. Fazê-los enxutos e, para isso, mais intensos.

A pessoa trabalha força (específica), velocidade (específica), marcadores aeróbios como a potência (menos trabalhados e/ou negligenciados em treinos longos) sem sobrecarregar mecanicamente em demasiado o corpo. Como treinador não consigo ver desvantagem!

O que o amador precisa ver é que ele tem muito mais a ganhar em provas curtas, ficando mais versátil, do que ir direto se concentrando em provas longas. Tudo bem gostar de maratonas! Mas mais do que gostar, é preciso treinar com inteligência! No curto prazo. Mas também no médio e no longo. Se arrisque nos 5km treinando direito e verá como todas as demais provas melhoram! Não é uma teoria minha, é a prática feita pelos melhores do mundo!

Leituras de 5a Feira

Uma lista canadense de coisas a fazer e não fazer quando for correr de noite (no escuro). Algumas medidas são mesmo para países com neve e inverno muito rigoroso. Mas a maioria nos serve!

Um estudo MUITO legal usa estatísticas de milhares de resultados pra chegar à temperatura ideal para obtermos as melhores marcas. Nada distante do que sempre se imaginou, mas sempre legal ver que os números são corroborados pela análise da prática e não somente da teoria.

Autojabá: no outro blog falo se existe alguma relação do jejum com o emagrecimento.

O Track-Stats esmiuça em detalhes o recorde mundial de Yulimar Rojas no salto triplo.

Uma matéria incrível fala sobre as coisas que Eliud Kipchoge faz de diferente de tantos outros, mas que seus fãs farão questão de ignorar.

Terminei de ver o especial McFarland da RunnerSpace revisitando a equipe escolar que virou filme da Disney. Bacana! Aqui você vê o episódio número 2. Aqui o 3, o 4 e o final (5).

O que os melhores da história ensinam sobre 42km e 5km?

Você sabe o que atletas como Paavo NurmiEmil ZátopekRon ClarkeHaile Gebrselassie, e Kenenisa Bekele têm em comum, além de estarem em qualquer lista de os 10 maiores da história?

Todos estabeleceram recordes mundiais nos 5000m. Sabe o que mais? Todos se arriscaram na maratona com êxito apenas depois disso. Nenhum deles fez o caminho oposto. Aliás, baseado na memória, eu desconheço algum nome que tenha justamente feito o oposto (êxito primeiro nos 42km e depois nos 5km).

Mesmo o atual recordista mundial, Eliud Kipchoge, foi campeão mundial dos 5000m em 2003, muito antes de a Maratona lhe dar fama mundial. Outro ícone da distância clássica, Abebe Bikila, chegou à seleção por causa de seu desempenho em provas curtas e em um lance do destino acabou correndo a maratona olímpica batendo o recorde mundial em Roma (1960).

Não é assim um pouco de arrogância ou ingenuidade acharmos que nós temos algo a ensinar a esses caras?

Essa migração não parece ser fruto de coincidência, mas algo esperado, ou seja, há lógica e explicação. Uma simples seria: é mais viável um atleta tendo desenvolvido sua velocidade ir trabalhando velocidades mais baixas por tempos maiores.

Ou ainda: ganhar posteriormente resistência é muito mais natural do que ganhar velocidade. Por isso você não observa bons atletas “caindo” de prova, apenas “subindo”. É a ordem natural das coisas. Apenas quando desenvolvemos algumas valências físicas estaríamos prontos a trabalhar outras em sua plenitude. Pular etapas faz com que não nos desenvolvamos plenamente, nunca assim atingindo nossas reais possibilidades.

E quem quer isso?? Ninguém treina sabendo que escolheu propositadamente o caminho errado. Não faz sentido.

Quer melhorar sua maratona ou mesmo sua meia maratona e seus 10km? Pois o caminho que parece menos lógico (fugir da especialização) é talvez a lição que os maiores da história estão há décadas tentando nos contar! Não seria melhor ouvi-los?

Essa história continua!

Leituras de 3a Feira

Uma recapitulação detalhada que explica os seguidos fracassos dos EUA no revezamento mais aguardado do atletismo, o 4x100m.

Autojabá: No outro blog explico por que muitos caem na falácia de contar calorias para o emagrecimento. E em outro texto sobre o que não fazer quando o seu objetivo e emagrecer.

Em 2015 a Disney lançou um filme sobre corrida contando a história incrível de um time escolar de cross-country feito de inexperientes (estudantes e treinador). Obviamente fez sucesso entre corredores! O site RunnerSpace em parceria com a fabricante Hoka traz em 2021 a continuação da história real. Aqui o trailer! E ainda aqui você tem o episódio de abertura.

Na Podium Runner uma bela matéria repassa o tema lesões, o que causaria e como estamos longe de prever algo ou compreender completamente o que envolve esse assunto.

Mais um escândalo de uma equipe que pressiona esmagando atletas para serem magras além da conta. É impressionante o talento que algumas instituições têm para estarem sempre no olho do furacão. Matéria essencial!