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O que você não viu na despedida de Usain Bolt

Usain Bolt é o maior velocista da história. Ponto. Maior que Jesse Owens. Maior que Carl Lewis. Maior que Bob Hayes. Maior que Asafa Powell, o recordista de sub-10. Ele já era o maior antes da final de sábado. Recordista Mundial dos 100m, dos 150m, dos 200m, 3º melhor tempo da história nos 300m, sua parcial nos 60m é melhor que o atual WR e detentor ainda do melhor registro de 100m lançados (em revezamento). Porém, hoje foi derrotado.

Foram 85 provas, 53 abaixo dos 10 segundos e apenas 6 derrotas. Duas delas para Justin Gatlin. Porém, pra entender melhor a prova de sábado, precisamos derrotar antes um dos maiores e mais duradouros mitos sobre Bolt… “Ele tem uma saída ruim.”

BOLT GETS A PRETTY GOOD START…”*

Quando olhamos as melhores saídas da história entre TODOS os atletas já medidos, temos:

– 0-10m (*sem o RT, tempo de reação): BOLT

– 0-10m: BOLT tem o 3º melhor da história, perdendo para 2 banidos por doping (Tim Montgomery e Ben Johnson).

– 10-20m: BOLT é o único na história a ter corrido abaixo de 1.00

– 20-30m: BOLT é o único a ter corrido abaixo de 0.90

– 30-40m: BOLT

Bolt teve o 2º pior tempo de reação na final. Porém, essa é uma capacidade pouco treinável, quase randômica, NÃO havendo correlação dela com colocação em grandes competições. Tivesse ele o MESMO tempo que os americanos Gatlin e Coleman, teria ganho. Sim, há sorte no esporte de alto nível.

Bolt largou de 4 a 5 centésimos pior que eles. Repare na linha amarela (*nos pés, JAMAIS no tronco dos atletas). Veja onde Bolt está mesmo saindo DEPOIS. Repare na outra imagem como ele ainda está atrás do chinês que pesa 24kg a menos que o jamaicano. Você não precisa ter CREF (risos) para saber como o peso é uma barreira a ser vencida na estática.

Bolt vem ganhando terreno a prova toda de Coleman. Vai jantá-lo. Mas a pista acaba. De seus cerca de 41 passos, Bolt dá os últimos 10 olhando o americano. Ele sabia que havia perdido. Mas foi pior do que imaginava.

 

“I DIDN´T SEE YOU”**

Como se fosse a final do Mundial de 2015 às avessas, Bolt é quem faz força, perde forma (*repare nos vídeos que ele chega a ultrapassar Coleman, mas perde na chegada), Gatlin se recompõe e ultrapassa ambos. Gatlin havia jantado Coleman, atual líder mundial, na seletiva americana semanas atrás. A experiência batia novamente o jovem talento. Coleman se precavia contra Bolt, mas ninguém viu Gatlin por fora na raia 8. Era a redenção.

Gatlin foi infantilmente vaiado pelo seu passado. Poucos atletas são tão queridos como pessoa no mundo do alto nível do atletismo quanto ele. Tente achar alguém que fale mal dele, não de seus pecados. Não culpe o atleta, “blame the game”***. Só um cara como ele, que tem um ego que não cabe no estádio olímpico, poderia reverenciar o maior velocista da história.

Uma prova para não esquecer. Tecnicamente, ou emotivamente.

 

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*Bolt teve uma largada muito boa (transmissão da BBC)

**Eu não vi você (Bolt para Gatlin)

*** Culpe o jogo

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Na corrida: sobre bro-science ou atalhos que não existem

Há um ditado que diz que todo dia um malandro e um otário saem de casa, se eles se encontram sempre dá jogo. Faça o seguinte exercício: entre nos principais portais de corrida, abra as principais revistas de corrida, ouça o que dizem os maiores “influencers” da corrida. Eu aposto com toda segurança que você irá encontrar dicas “essenciais” de suplementos, palmilhas, bebidas, tênis, equipamentos e gadgets.

Porém, quem fala maravilhas do tênis não revela que ele não paga por um faz um bom tempo. O especialista em Nutrição não irá revelar que ganha bola para vender whey protein. O YouTuber não vai dizer que a empresa de suplemento paga para que ele fale como é essencial suplementar. O treinador não vai revelar que sua assessoria ganha isotônico para ele reforçar o quão essencial é a hidratação a cada treino. O ortopedista não vai dizer que ganha porcentagem a cada palmilha personalizada que ele recomenda. E o influencer não vai dizer que sua única fonte de informação sempre foi o release feito pela própria empresa que o presenteia de tempos em tempos.

Os tempos atuais, com internet e redes sociais, fez explodir como nunca um fenômeno antigo, mas que assumiu proporções incríveis na corrida. O bro-science (sem tradução literal) é uma expressão típica de musculação que atribui a casos anedóticos contados por “brothers” mais peso e credibilidade do que teriam evidências mais sérias, resultado de pesquisas e estudos.

Para cada fisioterapeuta que te empurra uma palmilha ganhando porcentagem sem revelar essa informação, há um nutricionista que diz que 76% de carboidrato é a proporção ideal para quem quer correr bem. Ou seja, não se pode também atribuir sempre à má fé o que pode ser atribuído puramente à incompetência. E no meio da corrida, assim como nas outras áreas, não nos falta muito dos dois. Por vezes, se convergem.

E eu acredito muito nessa conversão. Um misto de ignorância com benefícios e má fé. É a ignorância conveniente.

Arrogância, ingenuidade, ignorância. Há de tudo um pouco. Mas isso acontece por 2 motivos principais a meu ver. O primeiro é a teoria do otário saindo para mais um dia de vida. O malandro vive de enganá-lo. O malandro detecta pelo cheiro quem ele consegue enganar. E é assim há milhares de anos.

E há, arrisco eu, um segundo grupo, o maior deles, aquele que ainda não entendeu ou insiste em não querer entender como funciona a corrida e quase tudo mais na vida: não há almoço grátis. É uma busca por atalhos, por querer as coisas de um jeito muito fácil (e aí abre um mundo de oportunidades aos malandros), é uma tentativa de querer decorar uma casa antes de erguermos as paredes, é querer colocar cereja em um bolo que nem sequer foi ao forno ainda.

Um melhor desempenho na corrida, insisto sempre em dizer, passa sem nenhuma perda de prejuízo, por um longo processo (de consistência, dedicação, volume e paciência) sem a necessidade de tecnologias de tênis, suplementos, equipamentos caros e/ou especiais e equipe de apoio. Porém, não existe bom desempenho com tudo isso só que SEM o tal longo processo (com consistência…).

O debate sobre acessório e um maior conforto até cabe, não faz mal a ninguém, desde que não seja protagonista, central no processo. Não podemos perder o foco achando que há um jeito fácil que mais ninguém saberia. Quando alguém tenta te convencer do contrário ou é por ignorância, ou ingenuidade, ou arrogância ou por pura má fé mesmo.

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Análise: O que diferencia quem corre Boston da média?

Faz um tempinho que estava querendo escrever sobre um levantamento feito pela Runner´s World em cima de dados de usuários do Strava que diferenciariam os maratonistas que fazem a Maratona de Boston (que exige um tempo de qualificação), da média dos demais corredores. Para começar, não custa reforçar que essa necessidade de um índice por si só já diferencia os corredores de Boston dos demais, eles precisam ser mais rápidos que a média! E é justamente essa característica que pode dar uma luz a quem deseja ser assim como eles: mais velozes nos 42km.

A análise é do tipo observacional, limitada pois. Feita com as 12 semanas de treinamento anteriores à maratona e com mais de 30.000 pessoas, pode indicar teorias, não necessariamente apontar causas que fariam alguém correr mais rápido. Mas isso não tira nosso interesse!

Não sabemos de detalhes metodológicos, mas por mais pobres que fossem os dados, as primeiras conclusões são meio que óbvias e de fácil aceitação: quem corre Boston corre mais volume durante TODO o período de treinamento, mais quilômetros na semana de PICO de volume, e mais VEZES durante as semanas!

Outra das conclusões pertinentes ao treinamento também me parece bem óbvia: os maratonistas de Boston correm em média em ritmo mais veloz que os demais. Isso parece ser muito mais uma consequência, não uma causa do treinamento. Eles são mais velozes, treinam em ritmo mais rápido. Não à toa por já SEREM mais velozes, eles conseguem obter o índice. Ou seja, eles correm Boston porque já conseguem treinar mais forte, NÃO que por correr mais forte por um simples desejo consigam seu índice.

E aí chegamos a duas outras conclusões mais interessantes!

A primeira é que quem vai para Boston variaria mais suas velocidades de treino. É difícil ver isso nos números dados, então é mais uma questão de crença. Mas repare: os homens que fazem a Maratona de Boston fazem apenas 15% de seus treinos em velocidade mais veloz que a do índice. Já os não-classificados fazem 57% do volume acima de sua média em maratona! O comportamento das mulheres foi similar: 23% (Boston) vs 64%. É um pouco difícil comparar laranjas com bananas. Quando você compara alguém mais veloz com alguém mais lento, um denominador comum não deveria ser uma velocidade fixa. Mas não é essa a lição a se tirar! O que poucos enxergam aqui é: os melhores corredores, os mais velozes, se diferenciam não pela quantidade de quilômetros feitos em ritmo forte, mas em um volume total (muito) maior, e esses treinos “extras” são feitos em velocidades mais baixas! Leão “qualquer um” consegue ser 1 ou 2 vezes na semana, mas e ser um dedicado nos demais 5 dias?

E por fim uma discussão que torna o tom acalorado para muitos: os corredores de Boston, os mais velozes e mais dedicados, tiram e postam 30% menos selfies que os corredores mais lentos! Os mais dedicados parecem trabalhar em silêncio e de modo mais focado! O que é mais irônico é que os qualificados (acima da média) possuem o dobro de seguidores! Sinal esse que desempenho de certa forma é um chamariz de seguidores, além de abrir a possibilidade de que esses seguidores talvez tenham o efeito de nos motivar a treinar mais forte.

*o que escrevi acima não é muita novidade para quem acompanha este blog ou já leu o livro O Treinador Clandestino (e aqui em e-book). A diferença é que está rolando uma promoção relâmpago para adquirir ele e o livro O Nutricionista Clandestino impresso! Os 2 sem frete, ou seja, frete GRÁTIS, por apenas R$103! Como? Clicando AQUI!

Danilo Balu.

 

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O que o #Breaking2 da Nike ensina sobre Maratona ao amador?

Tempo atrás escrevi um dos meus textos preferidos, o Treinandus Poucus Demasiadus Papus, onde falo do que realmente importa no treinamento de corrida. Quem se ilude ou se deixa enganar com gráficos, luzes, releases, pseudociência e números, acha que há – desculpe o termo e segurando a minha risada – algum legado a vir no treinamento de corredores maratonistas daqui pra frente.

Então… QUAL LIÇÃO TIRAMOS?

No fundo no fundo, NENHUMA. Basicamente não há absolutamente nada que foi aplicado sábado passado que já não soubéssemos há pelo menos algumas décadas. O que houve em Monza essencialmente foi uma prova de que algumas das estratégias adotadas realmente funcionam (como os marcadores de ritmo) e que nada é mais decisivo, mais protagonista que o corredor. E neste, nada mais determinante que o treinamento de corrida. Quem mudou sua abordagem sabemos hoje que era teimoso, não vanguardista.

SOBRE CORRER

Correr é sobre correr, e é isso o que Eliud Kipchoge mais faz. Trecho retirado do site do próprio evento diz aquilo que apenas alguns fan-boys insistem em não ouvir:

“Correr é tudo. Eles não levantam pesos. Ou fazem ioga. Eles simplesmente correm. Para correr rápido você precisa correr. (…) Geralmente, os corredores deste nível de elite não são flexíveis, contrariamente ao que alguns podem pensar, a pesquisa sugere que menos flexibilidade tende a ter uma correlação com um melhor desempenho. A teoria é que as pernas mais rígidas perdem menos energia. Como uma mola rígida, que armazena e libera muito mais energia do que uma mais frouxa.”

Enxadristas jogam xadrez, corredores correm. Não há fisioterapia preventiva, não há musculação, não há atividade complementar. Quer correr bem? Dedique-se à corrida. Volume (de corrida) é “tudo”! Não à toa ele gira mais de 200km semanalmente. Mais tempo nadando são menos quilômetros rodados. Você será um nadador melhor, um maratonista pior. Ponto.

SOBRE TREINAMENTO

Outro ponto é a individualização do treinamento. Qual treinador não gosta de ouvir isso, que soa melhor a ele do que uma Sinfonia de Beethoven? É como se ele tivesse a capacidade de criar uma nova metodologia a cada novo atleta, não que ele use uma receita de bolo já definida há tempos e que a vá adaptando conforme a capacidade de absorção, necessidades e/ou a resposta do corredor.

Correr é o esporte mais simples que existe. Kipchoge, o melhor de todos os tempos tem uma rotina metódica, quase aborrecida de tanta mesmice. Uma vez por semana (às 3as) lá está ele fazendo 13 tiros de 3 minutos com 1 minuto de pausa. Não há malabarismos criando sessões diferentes dia a dia. Isso é coisa de amador chato que enjoa fácil e de treinador que acha que variações de estímulo em quem já treina pouco traz grandes vantagens.

Nos demais dias o queniano treina MUITO lento, ou faz um treino do tipo Tempo Run (moderado) e um Longo.

DIETA e NUTRIÇÃO

Simples, básico, natural. É isso. Variedade é algo MUITO sobrevalorizada na nutrição normal e assim o é na nutrição esportiva. Não deve haver um nutricionista “especialista” da turma dos idiotas pró-ativos que não peça para você variar a dieta. Já entre os quenianos e etíopes, os melhores corredores do mundo, a dieta é – como dito – simples e com comida de verdade. Suplementos? Eles não sabem o que é. BCAA, whey protein hidrolisado? Deixe isso para quem se arrasta no asfalto. Quem corre forte come é comida simples sem variar muito.

TECNOLOGIA e TÊNIS

Kipchoge nunca havia corrido em esteira. Ele nunca havia feito até então teste de VO2. Ele não usa GPS. Preciso falar mais? Vocês sabem bem o que eu acho de exame médico obrigatório… É um mal. Além de não fornecer NADA que lhe seja essencial no treinamento.

Outro ponto que vinha acompanhado de muita especulação, expectativa e mesmo ansiedade era o quanto o tênis iria ajudar os atletas. Por meio de cálculos sabemos agora que o benefício era tão baixo (ou nulo ou mesmo negativo) que toda a pompa de que era um tênis resultado de anos de projeto simplesmente não vale o que custa. Os cálculos que nos dão essa conclusão é o que nos leva ao último ponto, a maior lição aos teimosos…

MARCADORES DE RITMO E QUEBRA-VENTO

Pouca coisa me irrita mais do que ver atleta correndo “sozinho”, encarando o vento em prova. A Nike não reinventou a roda. Qualquer atleta inteligente sabe que é melhor correr escondido, atrás dos adversários. O que o evento nos possibilitou foi mostrar o QUÃO importante vácuo é. Cálculos mostram que Kipchoge teria corrido 2h02:18 SEM os coelhos. Por isso que passa a ser interessante você às vezes correr BEM PERTO e com atletas que estão LEVEMENTE mais fortes do que você, isso irá te proteger do vento e dar o incentivo moral, além de tirar de você o peso e custo de ditar o ritmo. Essa foi a lição mais clara que pudemos rever sábado. Mas não há NADA disso aqui acima que já não soubéssemos. Tivemos, sim, foi um grande reforço positivo. Mas legado mesmo, provavelmente nenhum.

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Breaking2 e os WR com asteriscos

Em 1983 os neozelandeses realizaram uma prova de Milha em uma descida. O queniano Mike Boit e ao menos 4 outros atletas superaram o recorde mundial por cerca de 10 segundos. E nem por isso disseram que uma barreira caíra, que estaríamos um passo mais próximos da Milha em menos de 3´30″…

Depois disso, em 2007 o também queniano Hillary Kimaiyo aproveitou a diferença de quase 400m para superar em 1 minuto o recorde mundial dos 10km correndo 26´01” nos EUA. Outros 2 fundistas superaram o WR. Ninguém disse que estaríamos muito próximo de quebrar a barreira dos 26 minutos…

Cerca de 3 anos atrás foi a vez dos japoneses se anteciparem à Nike e prepararem uma pista com ventiladores para Justin Gatlin correr. Ele melhorou em 13 centésimos o recorde de Usain Bolt nos 100m. Essa festa não fez ninguém achar que em breve os cronômetros marcarão 8.xx nos 100m ou 18.xx nos 200m.

Mas sábado nossos parâmetros de avaliação parecem ter mudado… Gente que parecia entender do riscado diz que estamos mais próximos da quebra das 2 horas. Mas… será?!

Apresentei no meu Facebook cálculos bem interessantes (aqui os originais) sobre as vantagens dada por toda a assistência preparada pela Nike. Basicamente, as vantagens dadas pelo paredão formado pelos 30 coelhos (se revezando em grupo de 6) e pela parede disfarçada de relógio no Tesla forneceram um benefício entre 1´30” e 2 minutos. Neste pacote você já inclui o quebra-vento pelos atletas (principalmente) e a impossibilidade de rajadas de vento que o escudo no carro possibilitam. Além disso, inclua os lasers (a melhor sacada!) que tiram o custo fisiológico de você ter que determinar o ritmo, hoje sabidamente um dos gastos mais árduos além do vento.

Elid Kipchoge foi a maior surpresa! É isso o que fazem os maiores da história! Surpreendem a críticos, comentaristas, patrocinadores e torcedores. Estes mesmos cálculos estimam que seu recorde pessoal hoje está em 2h02:00 e 2h00:20, que é o quanto ele correria sem o auxílio do aparato que a marca preparou.

Tênis, hidratação forçada, técnicas de treinamento, manguitos… para você acreditar que qualquer coisa desta lista empurrou o queniano próximo à barreira, você precisa ter MUITA fé e muita liberdade poética para contar sua história. Seja pela falta de qualquer evidência, seja porque a maioria dos comentaristas caiu num conto antigo, no viés do sobrevivente.

Estamos aqui contando o resultado de UM atleta. Não podemos nos esquecer que 60 foram os candidatos considerados, 18 foram para uma segunda fase e apenas 3 largaram. Destes, um quebrou MUITO feio e outro correu LONGE do que se esperava e do que se queria. Estamos falando que 2 pioraram com a estratégia escolhida e usada. Ou seja, tudo o que NÃO se pode dizer é que um projeto foi um sucesso do ponto de vista prático (mercadologicamente já virou um case) por NÃO atingir um objetivo que ninguém negava ser possível! É muita esquizofrenia! É como achar que Hillary Clinton quase ganhou ou Trump quase perdeu e daí declarar a candidata democrata a nova presidente!

Por fim, ao dizer que caiu a barreira das 2 horas ou de que estamos mais próximos dela é ignorar alguns exemplos já citados. Correr em descida não empurrou o Recorde Mundial da Milha ou dos 10km, mas o talento de 2 dos maiores da história que o fez. Marcas aliás, longe das barreiras feitas em descida. Correr com ventiladores não fez NADA pelo recorde dos 100m. E na ponta do lápis estamos mais próximos de ver alguém correr 200m em 18 segundos do que ver um maratonista correr em 1h59.

Podemos, sim, ver que mesmo que com toda ajuda possível, nem mesmo o talento do maior da história foi capaz de superar a barreira das 2 horas, essa sim bem distante do que hoje pode ser possível. Porém, não espere racionalismo de torcedor. Estranho é ver o nível do debate de quem se apressa a acreditar que correr com rodas ajuda em algo no mundo real, ou que todo o ganho veio apenas na base do “querer é poder”. Parece filme de Hollywood e novela das 6.

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