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Top 25 marcas do atletismo Brasileiro (Feminino)

Usando as fórmulas de cálculo da World Athletics (ex-IAAF) fiz um ranking de marcas. Nelas entram apenas uma atleta por prova (indoor ou outdoor) excluindo-se os revezamentos.

O teto é 1400 pontos. Eu ainda normalizei as marcas de salto e velocidade em função do vento e da altitude da cidade em questão. Por isso umas marcas mais fortes nos 100m e 200m, por exemplo, ficam atrás de outras.

Por fim, vale destacar que (nessa ordem) Luciana Mendes, Keila Costa, Vitória Cristina, Maria Magnólia Figueiredo e Ana Claudia Lemos são as que aparecem duas vezes no ranking. E apenas Maurren Higa Maggi que, além de líder, aparece três vezes.

Amanhã eu trago o masculino.

 

 

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A maior revolução da história do atletismo

Nos últimos dias fiz no meu Instagram uma contagem regressiva das 5 maiores revoluções da história do atletismo. Após passar pela 5a (o Brasil revolucionando a técnica do 4x100m em 1996), passando pela 4a (o campeão olímpico de 1908, Gilbert, introduzindo um buraco no corredor do salto com vara).

Passei depois pelo hipotético pódio com o 3o (as varas feitas em material ultramoderno, o equipamento responsável pelo segundo maior aumento de desempenho na história do esporte olímpico). Feito esse que contou novamente com Gilbert (EUA) que usava varas de bambu e não mais madeira.

O segundo lugar fica com 2 iconoclastas: Dick Fosbury (EUA), o mais famoso e a então jovem canadense Debbie Brill que revolucionaram sua prova, o salto em altura. Agora o primeiro!

Bobby McDonald foi um famoso velocista indígena australiano. Em 1887 ele apresenta ao mundo uma nova técnica de largada, à época chamada de “largada canguru”. Isso porque inspirado no animal, McDonald percebeu que tinha vantagens ao sair “agachado” ao contrário da norma vigente, de largar em pé.

Foi um militar americano (C. H. Sherrill) quem levou à inovação aos EUA. Nas primeiras vezes, assim como Fosbury, Sherrill era motivo de piada diante do público que o achava exótico e de árbitros, que achava que ele não sabia o que estava fazendo e tentavam demovê-lo da ideia.

Em um dos jornais da época lê-se: “Apesar de Sherrill ter parecido tombar na largada da prova, ele ainda assim se recuperou e venceu”.

Depois disso a técnica chegou à Europa e é usada por todos os atletas do mundo até hoje.

p.s.:nos destaques dos meus stories estão os 5, além do por que não se pode comparar o avanço das varas com os cheatflyers.

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Quem é o velocista?

Quem você acha que é lo velocista da figura de cima? A ou B? Pense bem…m olhe, repare e pense. Um deles é um velocista e outro um jogador de futebol americano dando um tiro. Abaixo dou a resposta…

Eu coloquei ontem esse teste nos meus stories pra saber quem seria o velocista da foto (sombras reais). As respostas ficaram em mais ou menos 52% pela opção errada. Eu não esperava tantas respostas e explicações que me ajudarão a guiar a ”explicação”. Primeiro, não existe 100% certo ou errado. Não acho difícil errar o teste, mas de certa forma fácil explicar que o atleta de BAIXO é o velocista.

Eu tive um treinador que pedia pra corrermos como se estivéssemos segurando um ovo. Se apertar ele quebra, se abrir a mão (como fazem e PODEM fazer muitos velocistas), ele cai. Então lição número 1: mão aberta na velocidade NÃO é obrigatório.

Escolhi A porque o quadril está projetado pra frente”. Não ganha a prova quem mais projeta o quadril, mas quem corre a distância da prova o mais rápido possível. Não esqueça isso! Ao projetar o quadril o atleta BAIXA o Centro de Gravidade (running tall). Quando a gente quer MUITO uma coisa, a gente pode ir na contramão dela. A maior aula da história foi Usain Bolt ultrapassando Justin Gatlin nos metros finais da final do Mundial de Londres de 2015. Gatlin faz força excessiva (ele queria MUITO correr mais rápido), desce o CG, perde velocidade, perde o ouro. Um exemplo de como buscar o que mais se quer pode ser obstáculo.

 

“Do not show yours spikes to Jesus”

O jogador exagera no braço! Ao projetar o quadril (e não o mantendo alto, na MELHOR prosição possível de se EXPRESSAR a velocidade) o tronco também vai à frente, para compensar a perna lá pra trás cometendo o pecado de mostrar os cravos da sapatilha pra Jesus Cristo, forçando toda a cadeia posterior.

Por fim (somente daquilo que ME fez identificar o B): repare no olhar do velocista…. à frente… é uma posição de força MELHOR do que a cabeça caída pra trás do jogador… Pense: como você faria um agachamento pesado? Olhando pra frente ou pro teto da academia?

Existem outras nuances que não caberiam no espaço… o A parece rodar (o que é causa e o que é consequência? Eu não sei… de verdade não sei… o braço exagerado parece ser consequência dessa cambalhota). O joelho alto pra MIM NÃO me disse nada… o dedão do velocista parece mais pra cima… me disse mais que o joelho.

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Um pouco de história de biomecânica

Já que vocês gostam de divagar sobre biomecânica nas perguntas, vamos trazer um pouco de história? Semana passada em bate-papo pro podcast (que ainda não foi ao ar), o Fabio Pierry quando perguntado sua opinião sobre o que explica o crescimento da corrida em Balneário Camboriú disse: o Instagram. TODOS rimos. Toda piada parece explorar um fundo de verdade.

Por que as pessoas querem TANTO correr bonito? Pra melhorar? Lógico que NÃO! Tiros de 400m fazem melhorar MAIS que QUALQUER educativo ou suplemento. Mas dói, incomoda. É o Instagram!

Eu sempre falo aqui que acho bobagem educativos em corredor amador por 2 motivos. É total falta de foco e totalmente improdutivo. “Não se ensinam pássaros a voar”, mas o acadêmico acha que precisamos ensinar alguém a correr. A foto que ilustra o post tem na esquerda a imagem em uma ânfora datada de 4 séculos antes de Cristo.

Vemos nela a reprodução de alguém correndo retratada puramente com a MEMÓRIA de um pintor que não tinha CREF nem diploma. Será que Bolt se inspirou na ânfora? Ou seguiu a escola egípcia sem tradução no atletismo? Ou ele apenas CORREU?

Correr é 100% natural, competir com regras não. Vamos à história.

Cerca de 150 anos atrás um australiano percebeu que largar em 4 apoios trazia vantagens e após isso o mundo todo copiou na velocidade (só um desavisado Peter Snell largava de 4 nos 800m em Roma/1960). Depois disso houve RARÍSSIMAS mudanças técnicas. Na primeira metade do século passado os velocistas corriam desde a largada olhando pra frente. Na segunda metade percebemos que era melhor por até cerca de 40m correr olhando pra BAIXO. E só.

Um bom treinador sabe que velocistas correm DIFERENTE nas pistas de carvão (até Tóquio/1964 era esse o piso) e nas sintéticas (tartã). Correm DIFERENTE com sapatilha ou com tênis. (*muda se puxa mais que empurra, aumenta tempo de contato, etc)

E só!

Ah o relaxamento o Bolt…” BOBAGEM! Wyomia Tyus dançava na largada em 64, Tommie Smith falava disso já em 68… Mudou pouco, bem pouco.

Dá pra melhorar a técnica? Dá, lógico! Inventar a roda? Já talhavam a roda com pedra antes… é mais simples do que parece. Não problematize.

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Treinamento às vezes é mais sobre não perder do que ganhar

Uma vez o Léo Moratta enfatizou que a questão do Cócoras e do Agachamento é sobre RECUPERARMOS uma capacidade perdida ao longo de décadas de conforto e modernidade. Ele sempre fala que o agachamento é um movimento que não é “da musculação” (ou de qualquer outra atividade!), mas sim um gesto, uma capacidade, que pertence ao ser humano!

Em ANOS orientando eu NUNCA encontrei alguém que não pudesse correr ou fazer agachamento. FUJA do profissional que diz isso! Talvez você não possa (ou não deva!) correr Maratona ou já no dia 1 “agachar total”, mas não correr e nunca agachar? FUJA dele!

Uma das coisas mais irônicas de quem bate na tecla do educativo a um padrão básico como a corrida de longa distância é se enrolar diante das evidências mais explícitas. Roubei a foto do post. É MUITO fácil em qualquer parquinho encontrar crianças que repetem o gesto NATURAL da nossa corrida sem NUNCA terem feito educativos ou terem treinadores. Mas você NÃO encontrará uma criança fazendo um gesto esportivo complexo porque ele PRECISA SER ENSINADO.

O complexo você adquire. O fundamental você refina (treino) ou PERDE (sedentarismo). No fundo você JÁ O TEM, ele vem de fábrica! “NÃO SE ENSINA PÁSSAROS A VOAR”.

A um adulto que resolve ser corredor migrando de outro esporte você não perde tempo falando que correr é um pé na frente do outro. A um sedentário tampouco! Porém, este está destreinado. O treino não é TRAZER esse algo, APRESSANDO ou querendo acelerar o processo. Tolos fazem isso! O treinamento é CRIAR CONDIÇÕES pra que algo intrínseco POSSA voltar à tona.

O que não treinamos, perdemos. Exemplo? Velocidade. O correr PERTENCE à espécie! Essa bobagem de ficar olhando cadência e amplitude em amador ou iniciante… Boa amplitude é resultado de pernas fortes, não de VONTADE, de ESPERANÇA ou informação! Deixe acontecer! Foco nisso é coisa de quem estudou e não entendeu nada!

Essa obsessão com ensinar a correr é porque gostamos de justificar resultados, queremos dar explicações pra tudo. É a ilusão do controle! “Faça skipping e correrá com joelho elevado”. É o jeito de enganar o cliente. E a si mesmo.

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