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Maratona de Frankfurt. Ou ainda: nunca seremos.

Vou tentar ser breve nos meus comentários da Maratona de Frankfurt. Isso porque sou suspeito de falar do país, pelo qual tenho paixão e admiração, e por não ser novidade a vocês de que eu acho a forma como os europeus encaram a (organização de) Maratona um primor. Seja porque é tudo muito vertical, direto, pragmático, eficiente, simples….

Antes de mais nada, com apenas 45 brasileiros concluintes ela disputa com Hamburgo o título de a 2ª maior maratona da Alemanha, atrás de Berlim. E é ainda uma das 10 maiores da Europa.

Estamos falando de 10.000-12.000 concluintes (além dos competidores no revezamento). É um monstro de evento. Impecável. Plano, temperatura fria (10⁰C), germanicamente organizado e, como lembrou bem o Marcel Pracidelle para mim ontem, tem tudo o que tem uma major com a vantagem que você pode pagar na 6ª feira e ainda retirar o kit no domingo antes da largada! Sempre que me sugerem correr Berlim eu respondo que não sei onde estará minha vida assim com tamanha antecedência. Como não amar essa possibilidade??

Por fim, vamos à EXPO que diz muito da relação deles com a corrida.

Uma diferença clara nos eventos aqui no exterior é a presença lado a lado das diversas marcas esportivas, ainda que haja patrocinador. Por exemplo, aqui na prova alemã a ASICS era a marca, mas havia loja da adidas e multimarcas com inúmeras concorrentes (Mizuno, Hoka, Nike, Brooks, Altra…).

O corredor brasileiro é um consumidor que tem um comportamento que chega a ser engraçado. Ele parece querer sempre muito mais do que correr achando que não há consequências ao bolso. Nunca há almoço grátis. Nunca. Aqui havia massagem simples para os corredores. Coisa bem simples mesmo. Estava vazio de tão simples. Tente você organizar massagem com maca e veja o custo disso.

Mas o maior exemplo vai nas fotos. Repare no modelo de loja das fotos. Volto depois.

 

 

Lógico que ninguém é obrigado a saber o orçamento de se montar uma loja temporária. É muito mais do que você imagina. Estamos falando de 5 dígitos. Qual a solução alemã? Quase um faça você mesmo. Eles empilharam os tênis (todos em promoção) e você tinha que achar seu tamanho, seu modelo e ir direto ao caixa pagar (apenas em dinheiro). Isso é algo impensável no Brasil por 2 motivos: primeiro porque o Marketing das marcas acha um absurdo (ainda que o Comercial adore!) e segundo porque o consumidor brasileiro quer ser paparicado. O único problema é que ele finge não saber que para essa comodidade ele tenha que pagar os tênis mais caros do mundo. E por que uma marca faria no Brasil algo que torna mais barato se o corredor acha normal pagar pelos tênis mais caros do mundo?

Por fim, a cidade abraça a prova. Não há um lugar (transporte público, restaurantes, hospedagem, cafés…) onde as pessoas não saibam do evento. O seu número de peito vale no transporte público do dia (tirando milhares de carros das ruas) e há ônibus públicos fazendo “transfers”. Fica difícil você exigir que as prefeituras brasileiras façam isso quando você tem 2 maratonas em SP, umas 6 Meias Maratonas no Rio ou mesmo em Brasília, Florianópolis ou BH, que não têm mercado nem para metade disso. É padrão fora do Brasil: uma prova em cada distância por cidade. Ponto.

Se vale correr a Maratona de Frankfurt? Vale 100%!

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Running with the Irish*

Esta é minha 2a temporada treinando aqui em Dublin. Já posso dizer que aprendi bastante com eles e também sobre o jeito deles correrem. O frio e o clima são bem duros e sempre acho que sabendo enfrentar isso, o atleta tem muito a ganhar. Mas a metodologia deles também é muito boa, não à toa, mesmo com uma população pequena, têm uma história de enorme destaque e protagonismo na longa distância! Muito maior do que nós, por exemplo, que vivemos de raros talentos isolados.

A primeira coisa que notei aqui, não custa reforçar, é que eles tratam a corrida como um esporte muito básico. Corrida é tecnicamente o esporte mais simples que existe. Basta muita paciência, dedicação e força de vontade.

51YvjUa5StL._SX321_BO1,204,203,200_Quando falo em simplicidade, falo em ir direto ao ponto mesmo! Não tem aquecimento elaborado (2 ou 3km correndo leve e só), não tem “espera meu GPS achar o sinal”, não tem alongamento (nem antes nem depois), não tem hidratação, não tem debates de tênis, não tem equipamento, fit ball, não tem suplementos, não tem nada. Nada. Chegou, aqueceu, vamos ao que interessa!

A segunda coisa impossível de não se notar é o valor aos tiros. Não tem mimimi, não tem muito tiro de média intensidade. Entrou na pista, vai doer. Os lentos correm rápido e os velozes correm ainda mais rápido. É o jeito deles de trabalhar velocidade, coordenação, Vo2máx, limiar anaeróbio… tudo! Historicamente tem dado certo.

Eles dividem os atletas em grupos, mas poucos grupos. Quando são “de 10 a 12” tiros, você sabe que vão fazer 12 (praticamente todos) ou 10 quem estava machucado ou teve/tem competição. Os grupos vão se formando de acordo com o ritmo, mas ficam entre 3 a 5. Ou seja, muita gente junta e pouquíssima variação nos tempos!

No Brasil criamos a ideia sobrevalorizada da individualidade biológica, cada um teria que ter a sua planilha, o seu treino, o seu ritmo, a sua pausa. Bobagem! Treinador brasileiro tem pavor de ouvir a expressão “receita de bolo” quando o treinamento do amador É e DEVE SER, SIM, uma receita de bolo. E um dia falo com calma o porquê é assim e o porquê que tem que ser assim.

A planilha é ridiculamente generalizada (“50 a 60 minutos rodando”), os tiros são geralmente de uma a duas vezes por semana. E eles correm com folga muito mais rápido que a gente. Por quê? Basicamente por 2 motivos.

O primeiro é que rodam muito. Treino leve são 50 minutos. Meu primeiro dia, há meses sem tiros, era 12x600m. Você tem que correr muito, ainda que seja lento (mas não na pista!). Eles querem que você rode. Sem medo.

Start-Line-800x456O segundo é porque simplificam. Treino individual no amador para eles (e para mim) é overrated (desculpe o anglicismo). Você fica bem na fita com o aluno que paga seu salário, mas é fumaça, muito investimento, baixíssimo retorno. O que te faz correr bem é volume de corrida, baixo peso corporal e paciência. Se receita fosse perigoso, haveria um genocídio em massa nos EUA (e na Europa), país que consome livros e revistas com planos e fórmulas generalizadas de treino.

E tem mais, nas férias, a orientação é: rode. Quanto? Quanto você quiser. É loucura? Lógico que não. O iniciante não consegue rodar mais volume ou em ritmo mais forte do que deveria. O avançado já tem bom senso e experiência. A natureza e seu pulmão garantem que você não vai fazer bobagem. O treinador aqui te trata como adulto e a corrida como ela é: o esporte mais simples que existe. Eu gosto disso.

*o nome do post eu roubei do nome do belo livro Running with the Kenyans.

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Os Brasileiros nas Maratonas no exterior

O ano da maratona no Brasil ainda não acabou. Faltam a importante Maratona de Curitiba neste domingo e a Maratona da Bahia em dezembro (?!?). Mas as grandes maratonas em participação de brasileiros no exterior acabaram este domingo. Em qualquer ângulo que se veja nunca houve tantos brasileiros (homens ou mulheres) correndo os 42km em nossas provas. E nunca houve tantos brasileiros correndo a distância no exterior. Recorde nacional histórico aqui e lá fora!

Computadas as 25 provas internacionais com maior procura por parte dos brasileiros (dentre as que disponibilizam a quantidade de brasileiros corredores), pela primeira vez a casa dos 5.000 concluintes foi ultrapassada, um aumento de mais de 17%. E de mais de 2.300 corredores se voltarmos até o ano de 2011.

É difícil tirar muita conclusão com muita confiança quando você parte de uma base pequena. Mas dá para arriscar que a subida do dólar e do euro fizeram a busca por provas nos EUA uma alternativa preterida por provas como Buenos Aires (+16%) ou Santiago (+80%).

Atenas em 12º (+112%) e Frankfurt em 13º (+257%) impressionam pela busca relativa, mas carecem de bases maiores para dizer se há mesmo maior interesse por parte de brasileiros. Por outro lado, Munique (-50%) e Punta del Este (-25%) também não vivem dos melhores dias quando o assunto é número de brasileiros.

Olhando os dados abaixo, provas de cidades grandes como Florianópolis (387) e Brasília (229), ou mais conhecidas como Foz (518) ou a Mizuno UpHill (494), estão longe de se posicionar bem se considerarmos toda a logística dessas provas no exterior.

As provas mais procuradas por brasileiros no exterior

As provas mais procuradas por brasileiros no exterior em 2015 e o número de concluintes

*queria poder contar com dados de maratonas com as de Rosário (Argentina), Cidade do México, Caracas e tantas outras, mas foge da alçada

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O que a Irlanda me ensinou 2. Ou: por que 4 anos para correr??

Ontem falei do que aprendi sobre corrida aqui na Irlanda. Porém, o que mais me chama atenção é a diferença de como o brasileiro é paternalista quando o assunto é saúde & corrida. Nem questiono o fato de muitos profissionais de Saúde que trabalham com corrida tentarem fazer o treinamento transparecer como sendo algo complexo, que requereria um acompanhamento minucioso. Isso, logicamente, serve para valorizar a quem vende o produto. Mas corrida é justamente o esporte mais simples que existe em sua prática e essência.

Se fosse complicada como dizem, os americanos morreriam às dúzias diariamente porque lá é fortemente promovida a prática com treinamento autodidata, à base de livros não-técnicos e sem ninguém obrigatoriamente tendo que estudar NADA para ser orientador. Por outro lado, se fosse por uma questão de desempenho e não segurança, os africanos seriam ruins e a classe média brasileira traria medalhas olímpicas. É o que acontece? Não mesmo…

risk-management1Toda e qualquer entrevista com Treinador ou Nutricionista Esportivo cairá no mesmo parágrafo de encerramento: devemos procurar um profissional formado, habilitado, registrado, blábláblá. Dá sono. É alguém tendo que nos lembrar de que ele seria fundamental. Se precisam nos lembrar disso, é porque já perdeu essa condição.

Não há exagero maior nessa ideia equivocada de necessidade por um profissional formado e habilitado. Esse profissional não te dá NENHUMA garantia extra. Nenhuma. Se alguém duvidar, que traga antes qualquer evidência. Qualquer uma. E esse é um pilar à crítica quanto à regulamentação. Eles exigem reserva de mercado sem riscos, mas se um dia provado que fazem mal, a categoria não será, com todo o direito, extinta. E não custa reforçar que não provaram que fazem necessariamente bem.

O TRAJETO DA HABILITAÇÃO

Sabe o que você precisa fazer na Irlanda para ser nutricionista? Um curso de 13 meses de 2 a 4 vezes por semana. Sabe o que é necessário para você ser treinador de corrida habilitado no Reino Unido, uma potência nesse esporte? Segure-se: ser maior de 18 anos e ter feito um curso de CINCO DIAS.

Dias atrás falei de como o coordenador de um curso dizia que treinar com um treinador é fundamental e arriscar fazê-lo era perigoso. Navegue em qualquer seção de nutrição de revista de corrida e a frase só muda o sujeito, ainda que os profissionais convidados não respeitem a fisiologia e preguem bobagens como balanço calórico ou “carboidratos essenciais”. Justamente por isso que reforço que o perigoso é IR ao nutricionista.

A cultura da corrida no Brasil mostra um lado perverso, demonstra a visão de uma sociedade que na base da lei precisa do papai-estado e de um especialista para cuidar de nós no melhor estilo “mamãe, posso ir?” assumindo as rédeas, tomando o cargo de decidir por nós justamente, preciso reforçar, no esporte mais básico que existe. E aí quando algo de muito errado acontece (uma morte em prova, por exemplo), volta com mais força o discurso apressado de que é preciso ainda mais controle, ainda que não haja prova NENHUMA de que ele seja benéfico, se ele sequer se pague ou que não seja contraproducente, como provavelmente deve ser. Basta um acidente vascular de alguém praticando atividade física que alguns médicos interessados em ganhar cliente na canetada (leia: obrigatoriedade de exame clínicos) venham falar sobre o Risco da Atividade Física, algo que nunca estudaram a fundo.

rubber stamps marked with regulations and rules

Veja bem, exigir que tenhamos Treinador (formado, habilitado, blablabla….) e/ou exames médicos obrigatórios parte da premissa de que a CHANCE de algo indesejado acontecer é mais grave do que a ocorrência em sua essência. Não! Não é! E achar isso já é por si só um absurdo e a ignorância no raciocínio por parte das categorias!

Ficar pregando CREFs, cursos, especializações e eletrocardiograma ANTES do exercício é achar que há uma entidade, no caso capitaneada pelo estado, que possa (e consiga!) cuidar de todos nós. Seria como deixar para um órgão improdutivo, incompetente e inútil como o CREF cuidar da decisão de analisar quem pode nos dar treinos. Não é sobre controlar, naquilo que o estado e o CREF se mostram incapazes, mas sobre punir quando necessário, em uma tarefa que o estado também não consegue fazer de maneira adequada. Então que ao menos ele (e o CREF!) saiam da frente não sendo obstáculos a quem quer um estilo de vida mais saudável.

Médicos e Treinadores NUNCA provaram que são fundamentais (ou mesmo efetivos!) para reduzir nosso risco, mas querem, SEM NENHUMA prova, que paguemos sem a menor certeza de um resultado prático favorável. Eles querem remuneração para exercer o papel de Incompetente do Bem.

Acontece que correr é uma atividade normal que como qualquer outra envolve riscos e que pode sair do controle machucando ou mesmo – toc toc toc – matando. E essa realidade enche os olhos de quem quer legislar em causa própria, ou seja, fazendo reserva de mercado e podendo cobrar mais pelo seu produto que só ele poderá vender, ainda que não consiga demonstrar que faz de maneira mais segura do que seria sem uma regulamentação.

ESSA é uma enorme diferença entre o Brasil e o mercado americano e europeu. Aqui, o treinador não precisa de formação “elaborada”, a categoria não tem como interferir na decisão individual de seu próprio cliente. É por isso também que com um curso de 5 dias você sai orientando muita gente. Porque aqui acham que 5 anos não são necessários e acham que é menos coisa para se preocupar. E não atrapalham assim quem quer apenas correr.

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Coisas que a Irlanda me ensina sobre corrida.

Quando eu era moleque, a coisa que eu mais gostava era competir fora. Ali você tinha a chance de descobrir in loco o que os caras usavam, como treinavam, como se comportavam, quão bons eram. A internet meio que acabou completamente com a magia. Hoje me debruço mais sobre números (mensuráveis) e a relação das pessoas (imensurável). Se um dá a medida do grau da febre (o mercado), o sintomático fica por conta do comportamento da sociedade.

16 August 2014; Ireland's Sarah Mulligan during the women's marathon. European Athletics Championships 2014 - Day 5. Zurich, Switzerland. Picture credit: Stephen McCarthy / SPORTSFILE

A primeira coisa que você descobre ao vir treinar na Europa (e assim também o é nos EUA) são os equipamentos. A pista que escolhi para treinar fica perto de casa e custa uma anuidade de 130 euros. Repito: anuidade. Neste valor estão incluídos ainda halteres, a orientação técnica e o livre acesso aos treinos. O tartan dela é equiparado ao de qualquer pista sintética brasileira, com a vantagem dos vestiários serem muito melhores e mais higiênicos. Há mais pistas sintéticas em Dublin, uma cidade do tamanho de Piracicaba (SP), do que eu sei existir em todo o Brasil.

A 2ª diferença é a impessoalidade. O serviço de assessoria técnica é algo que só existe no Brasil nos moldes como o conhecemos. Em Buenos Aires já há algo nessa linha brasileira, mas ainda sem o excesso que existe em SP, Rio, BH e outras grandes capitais, que por vezes tratam os alunos como grandes crianças em busca de um psicólogo que lhes dê atenção, num gesto claro de atender à demanda dos que pagam. Os treinos por aqui são mais focados, mais diretos, verticais, sem mimos aos clientes que – olha que engraçado – buscam grupos de corrida porque querem correr sem precisar fazer necessariamente de lá uma espécie de grande e constante HH. Veja bem, acredite, não critico os laços que a corrida possibilita, mas sou sempre meio refratário quando o assunto é “vestir o manto”, ”família assessoria XYZ” e essas analogias de assessorias.

No treino você chega (com pouca antecedência até porque não há a imprevisibilidade do trânsito ou de ficar preso no trabalho), treina e vai embora porque ninguém tem empregada doméstica e o frio não permite ficar deitadão com o corpo molhado de suor. Um pouco menos mimimi, muito mais corrida. É melhor? Aí vai de cada um, eu diria que é diferente, não necessariamente melhor.

_IMG3550cropEra natural que esse tipo de comportamento se refletisse também nas provas. Já participei de outras 2 provas recentemente. Em uma de 5km paguei 20 euros e o kit era bem parecido com as brasileiras. Mas 3 detalhes me chamaram muito a atenção. O primeiro é que não havia medalhas. O segundo é que havia apenas UM posto de água a pelo menos 500m DEPOIS da chegada. O tipo de medida que evita que você se desloque se não estiver realmente com sede, diminuindo custos sem comprometer nada. O terceiro é que eles correm demais. Foi minha pior colocação em muito anos de corrida, justamente em uma prova que tenho certo domínio do meu condicionamento.

Depois fui encarar a Rock n´ Roll Half Marathon daqui, da franquia americana de maior sucesso mundial. Novamente a simplicidade e a objetividade de um povo que sabe fazer negócio como ninguém. Largada minimalista, em ondas, tudo perfeitamente redondo. Se você tiver a oportunidade um dia, CORRA! É demais! Os incentivos pelo trajeto com bandas e placas sinalizadoras são incrivelmente originais. Mas é na largada que você vê a diferença de um povo civilizado.

Não havia na entrada das baias nenhum controle, você ia calmamente para a sua seção indicada no número de peito. Nunca tinha visto nada igual na minha vida. Foi um choque de civilização. Sem empurra-empurra, nada.

Aqui a corrida é um negócio tal qual no Brasil. Nem mais nem menos comercial. Mas com as particularidades da cultura local.

Outra grande diferença do mercado europeu eu conto amanhã!

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