Arquivo da categoria: 10km

Breaking2 e os WR com asteriscos

Em 1983 os neozelandeses realizaram uma prova de Milha em uma descida. O queniano Mike Boit e ao menos 4 outros atletas superaram o recorde mundial por cerca de 10 segundos. E nem por isso disseram que uma barreira caíra, que estaríamos um passo mais próximos da Milha em menos de 3´30″…

Depois disso, em 2007 o também queniano Hillary Kimaiyo aproveitou a diferença de quase 400m para superar em 1 minuto o recorde mundial dos 10km correndo 26´01” nos EUA. Outros 2 fundistas superaram o WR. Ninguém disse que estaríamos muito próximo de quebrar a barreira dos 26 minutos…

Cerca de 3 anos atrás foi a vez dos japoneses se anteciparem à Nike e prepararem uma pista com ventiladores para Justin Gatlin correr. Ele melhorou em 13 centésimos o recorde de Usain Bolt nos 100m. Essa festa não fez ninguém achar que em breve os cronômetros marcarão 8.xx nos 100m ou 18.xx nos 200m.

Mas sábado nossos parâmetros de avaliação parecem ter mudado… Gente que parecia entender do riscado diz que estamos mais próximos da quebra das 2 horas. Mas… será?!

Apresentei no meu Facebook cálculos bem interessantes (aqui os originais) sobre as vantagens dada por toda a assistência preparada pela Nike. Basicamente, as vantagens dadas pelo paredão formado pelos 30 coelhos (se revezando em grupo de 6) e pela parede disfarçada de relógio no Tesla forneceram um benefício entre 1´30” e 2 minutos. Neste pacote você já inclui o quebra-vento pelos atletas (principalmente) e a impossibilidade de rajadas de vento que o escudo no carro possibilitam. Além disso, inclua os lasers (a melhor sacada!) que tiram o custo fisiológico de você ter que determinar o ritmo, hoje sabidamente um dos gastos mais árduos além do vento.

Elid Kipchoge foi a maior surpresa! É isso o que fazem os maiores da história! Surpreendem a críticos, comentaristas, patrocinadores e torcedores. Estes mesmos cálculos estimam que seu recorde pessoal hoje está em 2h02:00 e 2h00:20, que é o quanto ele correria sem o auxílio do aparato que a marca preparou.

Tênis, hidratação forçada, técnicas de treinamento, manguitos… para você acreditar que qualquer coisa desta lista empurrou o queniano próximo à barreira, você precisa ter MUITA fé e muita liberdade poética para contar sua história. Seja pela falta de qualquer evidência, seja porque a maioria dos comentaristas caiu num conto antigo, no viés do sobrevivente.

Estamos aqui contando o resultado de UM atleta. Não podemos nos esquecer que 60 foram os candidatos considerados, 18 foram para uma segunda fase e apenas 3 largaram. Destes, um quebrou MUITO feio e outro correu LONGE do que se esperava e do que se queria. Estamos falando que 2 pioraram com a estratégia escolhida e usada. Ou seja, tudo o que NÃO se pode dizer é que um projeto foi um sucesso do ponto de vista prático (mercadologicamente já virou um case) por NÃO atingir um objetivo que ninguém negava ser possível! É muita esquizofrenia! É como achar que Hillary Clinton quase ganhou ou Trump quase perdeu e daí declarar a candidata democrata a nova presidente!

Por fim, ao dizer que caiu a barreira das 2 horas ou de que estamos mais próximos dela é ignorar alguns exemplos já citados. Correr em descida não empurrou o Recorde Mundial da Milha ou dos 10km, mas o talento de 2 dos maiores da história que o fez. Marcas aliás, longe das barreiras feitas em descida. Correr com ventiladores não fez NADA pelo recorde dos 100m. E na ponta do lápis estamos mais próximos de ver alguém correr 200m em 18 segundos do que ver um maratonista correr em 1h59.

Podemos, sim, ver que mesmo que com toda ajuda possível, nem mesmo o talento do maior da história foi capaz de superar a barreira das 2 horas, essa sim bem distante do que hoje pode ser possível. Porém, não espere racionalismo de torcedor. Estranho é ver o nível do debate de quem se apressa a acreditar que correr com rodas ajuda em algo no mundo real, ou que todo o ganho veio apenas na base do “querer é poder”. Parece filme de Hollywood e novela das 6.

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Os Maiores eventos de Corrida de Rua em 2016

Para acabar uma série iniciada dias atrás (aqui, aqui e aqui) e depois de publicar o infográfico das Meias Maratonas Brasileiras, o das Maratonas Brasileiras e a das 50 Maiores Corridas do Brasil, abaixo listo os Maiores Eventos de Corrida de Rua do Brasil em 2016.

Nesta lista, limitei apenas os eventos que somam mais de 10.000 concluintes somadas todas as distâncias e provas paralelas.

Em 2015 esses eventos eram apenas 9, mas em 2016 chegaram a 11. Desses, 2 são exclusivos para mulheres e a Night Run (Etapa II SP) ainda tem maioria feminina. Apenas 3 têm distâncias únicas (SS, Tribuna e Pampulha), somente 2 ficam fora do eixo Rio-SP, 4 têm transmissão pela TV e só 2 são noturnos.

Veja a lista completa abaixo! *reforço que são todas as distâncias somadas.

maiores-eventos-de-corrida-2016

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As 50 Maiores Corridas de Rua do Brasil (2016)

O Recorrido publica com exclusividade (aqui completo) os dados das 50 Maiores Corridas de Rua do Brasil em 2016. Este é um levantamento único no nosso mercado e busca principalmente colocar um pouco de luz dando números desse esporte em nosso país, uma vez que dependêssemos das organizadoras, não teríamos estatísticas confiáveis.

Comparado com 2015, pouca coisa mudou no perfil das 50 maiores provas. Os destaques:

– As 50 provas continuam com quase o mesmo número de concluintes (316.000), um aumento de apenas 0,7%;

Há cada vez mais mulheres (42% *já descontadas as provas exclusivamente femininas);

– As provas de 5km são as mais frequentes na lista. Em 3 anos passaram de 15 para 19;

– Já as de 10km são cada vez mais raras (de 13 a 7);

– Talvez por serem mais tangíveis, as provas de até 9km vêm ganhando bastante destaque.

top-50

Já a localização destas provas mostra-se bem concentrada. 29 em São Paulo e 13 no Rio de Janeiro. Apenas essas duas, Brasília e Fortaleza (com 2 cada) são locais de mais de uma das 50 provas.

Nenhuma fica na Região Norte.

Nenhuma na Sul.

Outra característica é notar que 4 organizadoras possuem 36 dessas 50 corridas! E das 5 maiores, todas já foram exibidas ao vivo na TV, mostrando a força desse fator em determinar o sucesso de um evento.

Porém, se ainda assim você acha que fazer corrida é fácil e garantia de muito lucro, vale destacar que mais uma vez duas corridas Top 50 foram descontinuadas de um ano para cá. Ou seja, é um investimento que está longe de ser garantia de sucesso!

O que você não pode deixar de dar é atenção às mulheres. 6 provas são exclusivas delas! E elas são maioria em 20 das demais 44. E talvez tenha que saber que nem toda prova grande é domingo de manhã! 8 são sábado à noite.

Para ver todos os números, fica aqui o convite para você ver o Infográfico das 50 Maiores Corridas do Brasil em 2016!

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Mais pitacos ou: mulher gosta de prova grande ou faz a prova grande?

Estava para escrever comentários sobre os dados que postei aqui no Recorrido referente às Meias Maratonas brasileiras, das Maratonas nacionais e das 50 maiores corridas de rua do país. Faltava tempo, mas consegui!

Minha primeira surpresa foi ver que alguns sites, veículos, e outros me escreveram pedindo para usar e divulgar os dados. Me achei menos estranho porque ficava pensando se não havia interesse em dados que acho importantes para entender melhor o mercado.

Olhando como um todo, a Maratona é bem aquilo que eu esperava, um crescimento tímido, carregado pela Maratona do Rio. Cada vez mais provas (19 ou 36% a mais), mas apenas 4 grandes. Muito mais mulheres correndo, mas ainda pequena minoria. E o exterior ainda atrai bem, mas com a dificuldade de uma crise acentuada.

Na Meia Maratona vem o espanto. Aquela que seria talvez a nova queridinha do brasileiro, patina. Mais provas, mas menos homens correndo, mais mulheres, empate no geral. 2016? Acredito em um cenário parecido…

Em as 50 maiores provas do Brasil por sua vez mostram como a TV tem peso fundamental. A distância também parece ser importante porque a maioria das provas ainda são as de 5km e 10km. Mas algo que pode passar despercebido é como a atenção com as mulheres é fundamental. A prova para crescer e estar entre as maiores precisa atrair muita mulher! Se falhar nesse ponto, acende-se a luz amarela. Mas até onde?

E aí cheguei a um dado. Em conversa informal com o pessoal do Corrida no Ar eu dizia que brasileira gosta mesmo é de prova grande. Então fiz um gráfico cruzando tamanho da prova e a participação feminina. O resultado quando você olha nas Meias Maratonas é que quanto mais concluintes, mais mulheres, em um efeito que não sei se é causa ou consequência (arrisco dizer que é consequência).

Quanto mais concluintes em uma Meia Maratona brasileira (2015), maior a porcentagem de mulheres

Quanto mais concluintes em uma Meia Maratona brasileira (2015), maior a porcentagem de mulheres

Porém, quando você faz o mesmo trabalho usando somente as 50 maiores provas do país, a resultante é invertida, ou seja, mais concluintes, menos mulheres. Explicações eu não tenho. Vocês têm?

Quanto maior o número de concluintes das 50 maiores provas brasileiras (2015), menor a porcentagem de mulheres

Quanto maior o número de concluintes das 50 maiores provas brasileiras (2015), menor a porcentagem de mulheres

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As 50 Maiores Corridas de Rua do Brasil em 2014

Algumas semanas atrás montei uma lista com as maiores provas do Brasil. Agora que a temporada praticamente acabou, consegui colocar finalmente um infográfico com as 50 maiores do Brasil. Números, curiosidades e mais detalhes vocês podem ver clicando aqui neste link. Algumas observações:

statisticQuanto maior a distância das provas (4km-42km), menor o porcentual feminino. Esse é um padrão geral, aqui e fora;

Elas são 37,6% dos quase 300.000 concluintes, mas são 100% em 3 provas e maioria em outras 5;

São Paulo tem mais da metade de todas as provas. Rio tem 11, Brasília 4 e Santos (SP) 2. BH, Cuiabá (MT) e Vitória uma cada. Belém, Florianópolis e Fortaleza são as únicas representantes de suas respectivas regiões.

– O Circuito das Estações (SP e RJ) são um sucesso de público, assim como as provas da Yescom que contam com a força da televisão. TV, aliás, que transmite 4 das 5 maiores e já transmitiu localmente a vice-líder. Entende o porquê a São Silvestre tem regras próprias? “É a TV, estúpido”…

– Não adianta, ainda somos um país apaixonado pelos 10km, a distância mais presente no levantamento, sendo uma delas inclusive feminina;

– Por fim, a Maratona de SP foi a única prova com mais de 3.000 concluintes que ficou de fora (51ª). Ou seja, voltamos àquele debate, se você quer ficar rico fazendo provas, saiba que fora do eixo Rio-SP, há apenas 2 provas que não têm TV ou não sejam revezamentos! E que dessas 50, 33 são organizadas por Yescom, Iguana Sports, Vetor ou CORPORE.

Esqueci de algo?

Aproveite e dê uma olhada aqui no infográfico porque deu um trabalhão! (risos)

https://infogr.am/raio-x-das-50-maiores-provas-do-brasil-em-2014

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