Arquivo da categoria: Leituras

Leituras de 2a Feira

O pessoal do The Way to Win faz análises interessantes sobre velocistas. Dessa vez foi sobre Flo-Jo, a recordista mundial dos 100m e 200m. Quando você fala da atleta e de suas marcas sem passar a fundo na questão das drogas, ou minimizando seu papel, o vídeo fica pobre, vira coisa de Pacheco (com sotaque americano), de torcedor. Pena.

Desde quando trabalhava na ASICS o treinamento de produto batia na tecla: não usar amaciantes no vestuário esportivo (da marca ou de qualquer outra). Há motivos para isso. Sergio Rocha do canal Corrida no Ar acabou de fazer um vídeo explicando o óbvio, mas que é novidade à maioria dos corredores.

Na Runner’s World um texto bacana com dicas e da corrida vista por Molly Huddle, uma das maiores fundistas americanas da história.

A Vivo Barefoot é uma das poucas marcas que quero MUITO ainda comprar um de seus modelos (a Altra, outra marca, quando fui comprar em promoção dei azar). Ela vai ao encontro daquilo que acredito sobre tênis de corrida e para o dia a dia… De que é o produto que tem que se adaptar aos nossos pés, não o contrário. Além disso, ela reconhece que hoje TODA a indústria é voltada a vender uma ideia de que as marcas podem melhorar nosso “pé”, argumento esse que fica entre a mentira e ignorância. A fabricante americana colocou no ar um site que fala do assunto. O nome é sugestivo Shoespiracy (calçadonspiração). O vídeo mais curto (abaixo) é super didático, tem apenas 4 minutos e vem com legendas em inglês! Para quem quiser ver o estendido, basta clicar aqui e entrar no site!

Etiquetado ,

Leituras de 3a Feira

Uma cerveja americana de baixo carboidrato (low-carb) fez um comercial bacana. Não dava pra deixar corrida de fora.

Auto-jabá: participei dias atrás de um bate-papo MUITO legal no canal Atletas Low-Carb com a nutricionista Letícia Moreira e o Andre Burgos, corredor amador dos rápidos. Quem quiser assistir, basta clicar aqui!

Auto-jabá 2: no outro blog escrevi sobre obesidade e a aposentadoria no esporte e sobre como os especialistas de sempre entenderam tudo errado!

Uma empresa entrou no mercado de corrida chutando a porta patrocinando várias grandes provas. Eles aproveitaram para contar a relação de 4 pessoas com esse esporte. Uma delas é a da Adriana Aparecida, maratonista profissional que tem uma história incrível, típica dos grandes talentos brasileiros do atletismo! *dica do Carlos Gueiros.

Etiquetado ,

Leituras de 4a Feira

Auto-jabá: No outro blog falo sobre a relação da saúde com nosso consumo de leite e como pode ser BEM diferente do que imaginamos…

*****

Se tem algo do qual NÃO gosto muito de falar a respeito é da associação que vira e mexem fazem com a corrida nos campos (do tratamento) da depressão e sobre ela causar vício e dependência. Ontem falei de mais um texto desses. Da depressão não gosto nem de falar quando associam a corrida como tratamento para ela. É uma doença TÃO terrível e TÃO estigmatizada que o simples debate com o público dá a entender que a corrida seria uma espécie de remédio. Corrida só pode ser remédio para quem GOSTA minimamente de correr. O indivíduo com depressão não deveria buscar a corrida, mas o ESPORTE como ferramenta de auxílio, NÃO como remédio.

Também ontem, respondendo a dois comentários, tentei explicar que ser viciado é BEM diferente de ter prazer. Gostar de correr não te faz um viciado. Minha crítica ao debate da sua prática ser viciante é porque sempre sugerem ou dão a entender que ela vicia mais do que realmente pode viciar.

Eu tenho prazer em correr (são muitos anos correndo), mas não tenho graves e sérias crises de abstinências quando não corro. Aliás, estou há 10 dias sem conseguir correr (mas treinando força) porque meu calcanhar dá sinais de que precisa de uma cirurgia iminente. Experimente deixar um viciado sem narcótico ou droga todo esse período.

Não é nada simples definir quando algo “te vicia”. Quando falamos de uma substância ser viciante (e eu sei que a corrida não é uma substância) a American Psychological Association (APA) define 7 pontos dos quais havendo ao menos 3 você tem algo viciante. Porcamente resumindo seria: tolerância, abstinência, bingeing (overdose, uso excessivo de uma vez…), desejo de largar, procura/desejo (craving), interferência (negativa) na vida e consumo apesar do mal que causa.

Para alguém ser MESMO viciado em correr tem que ser alguém que corre MUITO. Mas MUITO. Em frequência e tempo (nem estou falando de ritmo!).

Outras coisas REALMENTE e claramente viciam a muitos… açúcar, entorpecentes, cigarro, álcool, fármacos, sexo, jogo… Não precisa ser especialista para saber que não entram todos no mesmo balaio. De uns é mais fácil sair do vício que de outros. Fora que por vezes confundimos hábito com dependência… o hábito (por exemplo, parar para correr dia sim dia não num parque na volta do trabalho para casa) facilita o trabalho ao nosso cérebro (MUITO preguiçoso) porque esse hábito é uma tomada de decisão A MENOS que tem que ser feita. Se você come uma tapioca sempre e somente se você corre há assim ainda a questão de associar a corrida com o fim do expediente ou de uma recompensa.

É a corrida o vício?

Como disse, é complexo. E o debate da corrida ser viciante ou ajudando pessoas com depressão não só acho simplista como quase insensível (com viciados, dependentes e doentes).

*****

Eu não faço ideia do quão sério seja o problema entre amadoras brasileiras, mas um belo e tocante vídeo com as ultramaratonistas Kaci Lickteig, Amanda Basham e Meredith Edwards toca em um assunto que poucos abordam: distúrbios alimentares (anorexia e bulimia) entre corredoras. Aqui mais informações.

Etiquetado ,

Leituras de 3a Feira

Vira e mexe os portais de corrida vêm trazer a possibilidade de a pessoa ser “viciada em corrida”. Dessa vez é hora da Athletics Weekly. Eu NUNCA vi ou conheci alguém viciado, mas apenas aqueles que QUERIA ser viciado em corrida… aí conseguiriam correr mais do que a disciplina manda. Eu acho um pouco engraçado esse debate porque uma atividade como a corrida que envolve liberação de dopamina, endorfina, etc, vai ou pode mesmo gerar dependência, só que em 0,0001% da população… só que a gente sabe que 99% das pessoas gastam com atividade física MENOS calorias do que deveríamos para ficar dentro de uma normalidade saudável. Porém, o ser humano ADORA se achar especial (por isso paga rios de dinheiro pra ter tênis pra sua pisada, suplemento manipulado, dieta personalizada, treinamento periodizado…)… então ele QUER se enquadrar nessas síndromes de meia dúzia… então fala que é viciado em corrida só que corre 2 ou 3x/semana… só que quando você alarga para o médio/longo prazo você vê que ele correu 1.7 vezes na semana nos últimos 30 meses… ele AMA falar que está com síndrome de sobretreinamento (ter overtraining é MUITO mais chique) e na verdade ele exagerou em 5 treinos seguidos e o corpo reclamou. A verdade é que povo que vive em laboratório enxerga o mundo de um jeito muito particular. Eu NUNCA dei treino pra um cara viciado em corrida (até porque tem que ter uma vida muito triste pra ser viciado em algo que dói e é monótono) ou alguém que tenha tido overtraining consistente, não algo adquirido em meia temporada… NUNCA. *dica do Carlos Gueiros.

Cada vez mais se simpatizo com a ideia de alguns grandes desafios físicos BEM esporádicos. Mas atenção! SEM treinar para ele. Quero fazer isso. Fazer provas de 30km SEM treinar para ela, por exemplo. Um cara que gosto muito completou um desafio de 1 mês 250 flexões diárias. Nem vou discutir aqui que do ponto de vista de saúde esse tipo de desafio é MUITO melhor do que aqueles do tipo X quilômetros até o final do ano que sempre pipocam lá pra novembro. Aí um pesquisador descobriu um desafio que é insano (no sentido depreciativo mesmo): 1.000 horas seguidas correndo/andando 1 milha por hora. Ou seja, mais de 40 dias sem dormir mais do que 1h30 seguida. Faz sentido? Lógico que não faz. Você não acha? Agora lhe pergunto: Maratona é saudável? Para haver coerência da sua parte só existe UMA resposta para ambos. *queria o destino que esse desafio das 1.000h se chamasse Barclay de pronuncia muito similar ao da ultramaratona mais difícil, a Barkley.

É bom deixar claro: eu NÃO acredito em teoria da conspiração. Porém, as pessoas sempre me perguntam por que na corrida a ideia de beber APENAS quando tiver sede ou a ideia do Jejum (intermitente) NÃO ganham adeptos dentro da academia (universidades). É simples: NÃO HÁ quem as financie ($$). Abra o documento sobre diretrizes de hidratação da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte, por exemplo. De olho aponto que metade de quem assina aquilo ganha/ganhou da indústria de isotônico. Eles TODOS são tão independentes quanto um taxista com passageiro. Abra QUALQUER portal grande de corrida, em 3 minutos você acha ali gente que ganha para defender o “beber antes da sede“, ideia que deveria ter morrido ao menos faz 10 anos. Você tem MUITA gente pagando para vender a ideia de “coma a cada 3h“, “sede é um sinal tardio de desidratação“, “jejum é coisa de gente fraca” (essa é nova e foi dito faz pouco por um ex-professor meu que não deve conseguir fazer uma flexão sem usar o joelho). Mas você NÃO tem quem financie (com $ porque professor universitário AMA dinheiro) falando que NÃO beber é uma estratégia melhor. Sem vender “snack” e isotônico a indústria (e seu professor e treinador) não ganha! É simples! NÃO é orquestrado. Mas é assim. NUNCA é de graça.

Etiquetado

Leituras de 6a Feira

Mais um matemático brinca com números e dados para prever quando será quebrada a barreira das 2h00 na Maratona. Eu acho desnecessário e impreciso, mas é um exercício por vezes divertido.

Um relatório do mercado de organização de corridas de rua foi publicado recentemente. Nele há números interessantes! É difícil generalizar para todo o mercado, visto que são dados de uma única empresa, mas como árvores não crescem até o céu, podemos dizer que o crescimento está ano a ano mais discreto e difícil. Mas o pessimismo já foi maior. O mercado americano, que é mais maduro, tem duas diferenças claras. A primeira é que lá eles parecem ter preferência pelos 21km sobre os 10km. E o consumidor meio que exige que a inscrição tenha valor diferente. Quanto mais longa a prova, mais cara (U$35 nos 10km versus U$68 da Meia Maratona). Por aqui o preço é muito mais similar. Por último destaco que lá no EUA a preferência é por provas realizadas aos sábados e não aos domingos! Estranho, não? O relatório completo você acessa gratuitamente aqui! *dica do Carlos Gueiros.

Auto-jabá: No outro blog falo para que Bruno Covas, prefeito de SP, deixe nossas crianças em paz!

No The Boston Globe o perfil da personagem de uma das melhores histórias que 2018 nos reservou: a enfermeira Sarah Sellers.

Etiquetado