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GASTO ENERGÉTICO: uma entidade pouco compreendida

Fiz 3 anos de Engenharia Civil. Eu achava que seria engenheiro porque sempre gostei de contas. Tanto no colégio quanto no Laboratório de Física, já na POLI-USP, fazíamos experimentos de termodinâmica. Aquecíamos materiais isolados fazendo cálculos pra ver como se comportavam.

A Nutrição, em um reducionismo, num “pensamento por aproximação”, passou a tratar nosso organismo (biológico!) como uma lâmpada incandescente ou uma esteira ergométrica, ou seja, considera tudo pelo lado físico, matemático, ignorando inúmeras DEZENAS de hormônios que regulam nosso organismo, seu peso e funcionamento. Não tinha como dar certo, por isso é um fracasso no controle do peso!

Sábado fui treinar na volta da grade do Ibirapuera com um amigo de longa data. Pelo pensamento por aproximação e reducionista da nutrição, você poderia ADICIONAR o gasto do treino ao total energético de nosso dia. Na faculdade ensinam equações de gasto energético que funcionam PURAMENTE por FÉ. A base dessas equações NÃO passariam em “Laboratório de Física Elementar pra Iniciantes” se existisse. Por quê? Elas se baseiam em PURA e PORCA extrapolação.

Na POLI se você errasse UMA conta o professor de Resistência de Materiais dava zero e dizia “o caminhão derrubou a ponte” (aconteceu COMIGO!). Na Nutrição você faz a conta, a pessoa não emagrece e você dá zero é pra ele.

No mesmo sábado dormi de tarde. Foi a primeira vez em semanas! Motivo? Foi meu treino mais longo no período! Foi o jeito que meu corpo encontrou pra me trazer ao equilíbrio, de COMPENSAR um maior gasto energético matinal! Eu NÃO gastei mais energia no dia, eu CONCENTREI o gasto pela manhã! POR ISSO que aumento de volume de treino NÃO vem com gasto energético ou perda de peso equivalentes! Já disse antes: eu DORMIA TODO sábado (longos) em minhas últimas maratonas. Não CONSEGUIA ficar acordado.

O gráfico do post mostra um modelo compensatório de gasto energético porque ele parte da premissa de que nosso corpo NÃO funciona como uma máquina, mas como um organismo biológico, VIVO. A extrapolação de gasto calórico NÃO faz sentido porque o gasto NÃO é linear.

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A Nutrição Esportiva é míope

Dos maiores males da sociedade é a busca por conforto. Modernidade, progresso e tecnologia tornaram tangível conforto entorpecente a preço módico. Era de se esperar que um dos males do corredor moderno fosse a busca por conforto. As perguntas mais recorrentes são sobre o que tomar durante e após treinos. Corredores querem nadar sem se molhar, correr sem se cansar.

Que os bons nutricionistas (vários!) me perdoem, mas buscar nutricionista esportivo é um fracasso em seu fim, só faz sentido a quem estiver acima do peso. Isso porque lhes faltam um entendimento BÁSICO, MÍNIMO, ELEMENTAR de treinamento. O papo é sempre o mesmo: pré treino, suplemento durante e pós-treino. Isso é um ATESTADO de que não compreenderam absolutamente NADA do esporte. Sabe por quê?

Porque a busca pelo conforto é CONTRAPRODUCENTE. Vai na CONTRAMÃO do esporte. À medida que treinamos mais, nosso condicionamento aumenta porque é ISTO que queremos. A meta NÃO é bem-estar ou conforto, mas desempenho, o fim maior. Porém, fadiga/cansaço/desconforto TAMBÉM aumenta nesses períodos de treino intenso. Digo mais: eles PRECISAM aumentar. No Esporte DESCONHECEMOS atletas que ganharam desempenho SEM desconforto.

Após um período de treino, de grande desconforto, você NÃO vê muito progresso, melhoria. E É ISTO que Nutricionistas não são capazes de enxergar porque não ENTENDEM do esporte! Sabe por que progresso não vem DURANTE o treino? Justamente porque só quando as cargas de treinamento são REDUZIDAS (polimento!) e a fadiga DESAPARECE que um melhor condicionamento aparece.

É ao REDUZIRMOS a fadiga (e não evitá-la!) que VIVENCIAMOS ganho de desempenho. É NESTE momento que estamos fisicamente melhor.

Como disse Steve Magness: estar desconfortável é um sinal de que estamos em uma condição pra crescer. Adaptação e desenvolvimento NÃO acontecem quando estamos em conforto, mas sim quando estamos ultrapassando nossos limites.

E o que quer um nutricionista com seus lanchinhos? Que evitemos um estado SINE QUA NON para ganho de desempenho. NÃO TEM COMO DAR CERTO!

Aos meus orientados sou sucinto: NÃO vá ao Nutricionista. A menos que você não queira melhorar. Ou a menos que esteja bem acima do peso.

 

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Coenzima Q10 (CoQ10)

Acabei 4a feira outro experimento pessoal. Como sempre faço com essas papagaiadas que aparecem na corrida, terminei um período de 60 dias de suplementação com a CoQ10, a Coenzima Q10, uma das preferidas dos atuais “vendedores”.

Por que faço isso?

No começo, em meus tempos mais ingênuos, eu fazia porque acreditava. Foi ainda em 1997 que usei um tempo BCAA. Ex-professores, que não correm, não dão treino nem trabalham com corrida, apenas vendem para corredores, falavam de seus (supostos) benefícios. Então comprei (por isso ninguém tem que ter vergonha quando for enganado. Você só precisa rever por que você QUER SER enganado).

Eles ainda vivem de vender essas coisas. Deve ser duro 20 anos buscando evidências sem sucesso que não seja comissão…

Pra quem já usou palmilha de silicone, multivitamínico e até recovery pós-treino, 60 dias de Q-10 era fácil. Então comprei.

Comprei porque é mais honesto. 2 ou 3 telefonemas e teria amostras em casa (vez ou outra um desavisado me oferece “parceria” de suplemento… Ninguém elogia isso em rede social de graça!).

Primeiro efeito colateral: estou R$75 mais pobre. Único benefício observado: estou livre da ideia de que CoQ10 sirva pra algo na corrida.

Tem gente muito boa que acompanho que usa esse suplemento. Pedem que seus clientes (NÃO-corredores!) usem algumas semanas quando estão em transição de uma dieta “junk” para uma dieta low-carb.

Alguma intenção de desempenho? Não! Para evitar fadiga mitocondrial, buscando melhora de disposição e cognição nessa mudança de dieta.

Não há lógica para o desempenho. Dá um alívio ouvir isso dos 2!

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O Esporte sempre ensinou à Nutrição

Estou lendo a biografia da velocista Betty Robinson (EUA). O livro “Fire on the Track” conta o triunfo das primeiras velocistas olímpicas da história. Na viagem transatlântica da delegação americana até Amsterdã, sede dos Jogos Olímpicos de 1928, aconteceu um equívoco que se repetiria em 1936 na viagem até Berlim. Para oferecer o máximo de conforto aos seus atletas, os dirigentes resolveram oferecer um conforto que nunca serviu para construir excelência atlética.

A bordo do S.S. Roosevelt os atletas tinham à sua disposição acesso livre a: biscoito com molho de carne, galinha frita, panquecas com cobertura, tortas, cookies, licor, chocolate e sorvete. Para surpresa dos dirigentes, e acho que somente deles, os atletas chegaram à Europa muito acima do peso.

Um jornal inglês fez piada com o ocorrido, isso porque à bordo do navio britânico os atletas tinham: chá, salada, galinha, carne bovina e vegetais cozidos. E o que aconteceu com a delegação da rainha? Mantiveram a forma.

De um lado por décadas a Nutrição Esportiva tenta nos convencer que um praticante qualquer de atividade física não só pode como até mesmo “deve” comer alimentos ricos em carboidratos refinados (farinhas). Isso seria essencial ao desempenho.

E de outro lado a Nutrição insiste com sua teoria nunca testada de que a causa do ganho de peso é o balanço calórico positivo (consumo maior que gasto).

A Nutrição vive de teorias, o Esporte de prática. Para manter a forma de seus atletas, o comitê britânico manteve longe do navio alimentos “engordativos”. Já os atletas americanos mesmo treinando diariamente e incessantemente pelo cais e academias da embarcação só viu seu peso subir.

Um dos maiores delírios das diretrizes atuais à sociedade é ficar repetindo o mantra ineficaz de que para manter a forma ou perder a obesidade que assola o planeta deveríamos nos mexer mais. Isso não serviu para manter a silhueta dos melhores e mais dedicados atletas do planeta um SÉCULO atrás. Mas a Nutrição insistentemente ignora um célebre ditado: é BURRICE esperar resultados diferentes fazendo sempre a mesma coisa.

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De Daniel Komen, corrida descalço e “estar faminto”..

Você conhece Daniel Komen, o queniano que nos anos 90 parecia que ia reescrever os recordes mundiais? Uma matéria INCRÍVEL tentou descobrir o que aconteceu com ele.

O que Haile, Bekele e Kipchoge compartilham de especial, além de recordes, é a longevidade.

Sábado fomos assistir à corrida infantil da The Great Ethiopian Run. Nunca vi nada tão grande. Sempre me perguntam se etíopes correm descalços. NÃO. Nesse dia vi somente 2 meninos descalços. O da foto (que GANHOU sua prova) e um outro que foi VICE.

Komen parece que depois dos prêmios ($) cansou daquela vida. Eu conversava aqui sobre o que faz:

1. Os etíopes tão bons;
2. A maioria desaparecer;

Não há uma única explicação. O alto nível mundial, lesões, azar… Mas uma não sai da minha cabeça.

Como ganhar de quem tem fome?? Quem MAIS precisa e mais QUER é que vai estar disposto a sangrar mais. Enquanto uns buscam conforto nos pés, o outro “empurra” até o DESCONFORTO SUPERAR a dor das pedras do asfalto enquanto corre descalço.

Você NUNCA vai se superar enquanto não ABRAÇAR E ACEITAR O DESCONFORTO.

É isso que um nutricionista NUNCA vai entender quando vem com a miopia de pré-treino:

NÃO EXISTE RECOMPENSA SEM PRÉVIO ESFORÇO.

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