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Na corrida vale Força, Músculo, Gordura ou Peso?

Eu me contorço quando vejo “especialista” de Nutrição falar em “peso ideal” de corredor… quando ouço isso já sei que não sabe do que está falando! Não existe peso ideal! No desempenho na corrida o peso mais baixo é melhor. Por isso os melhores corredores NÃO são sinônimos de saúde… eles parecem que estão fugindo de um hospital!

Ah, mas é que músculo…” Bobagem! Você nunca verá um fundista com ombro de estivador ganhando prova! O peso daquele músculo que possibilita ele fazer 90kg no Press ATRAPALHA sua corrida! Hipertrofia e desempenho na corrida (de longa distância!) NÃO se conversam! Elas discutem entre si!

O que importa no esporte é o GESTO, é a funcionalidade! Músculo PODE fazer isso, não que ele VÁ fazer isso. Exemplo? Mesa extensora e flexora na academia… ela te dá músculos, mas ela NÃO trabalha o gesto esportivo. Ela não dá força GESTUAL, FUNCIONAL à corrida. Você pode ficar a tarde inteira nesse lixo de aparelho, ele pouco lhe ajudará a correr.

Estou escrevendo isso porque li essa semana um artigo incrível apontado por 2 profissionais que tenho na mais alta conta. Nele um grupo de velocistas mulheres foi acompanhado. E aí vem o choque a alguns…

As que melhoraram mais não foram as que mais ganharam músculos, mas as que mais PERDERAM GORDURA! Quando perdemos gordura, ganhamos eficiência, mas quando ganhamos músculo esse ganho NÃO é garantido porque GERALMENTE (não sempre!) o ganho de força vem com ganho de peso de massa muscular que o atleta precisa carregar sempre!

Falei tudo isso porque vivem perguntando nas enquetes do meu Instagram (@danilobalu) se deve haver fortalecimento (com pesos) ao corredor. DEPENDE. A ideia é desempenho? NÃO NECESSARIAMENTE (fortalecimento gera sim ganhos ao corredor que é fragilizado). A intenção é Saúde? SIM! Fortaleça!

O importante é: o fortalecimento mal feito, que gere ganho de massa e força NÃO funcional à prática da corrida vem a um custo grande… com PERDA de desempenho… aí o foco é MUITO mais inteligente se feito na perda de massa gorda. E sabemos que o que não falta é corredor BEM acima do peso, ainda que a Nutrição insista com a balela de que corrida emagrece.

p.s.: no livro SPEED TRAP (desculpe a insistência) ao menos em 2 episódios Francis reclama que Johnson está 5kg de MÚSCULO nas PERNAS pesado demais para competir. A solução? Perdê-los mantendo a força FUNCIONAL!

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O corredor parece querer e gostar de ser enganado…

Ou ainda: o que Picasso nos ensina sobre o mercado de corrida

 

Em 1952 um Pablo Picasso de certa forma envergonhado, mas não arrependido, escreveu uma carta a Giovanni Papini na qual fala de um motivo pouco nobre, mas não menos inteligente que acabou por valorizar seu trabalho inegavelmente genial. Na carta separo o trecho abaixo… leia, por favor.

Na arte o povo não procura mais consolação e exaltação, mas os refinados, os ricos, os ociosos, os destiladores de quintessências buscam o que é novo, estranho, extravagante, escandaloso. E eu mesmo, desde o Cubismo e além dele, eu contentei esses mestres e esses críticos com todas as bizarrices mutáveis que me passaram pela cabeça, e quanto menos eles me compreendiam, mais eles me admiravam.

(…) eu fiquei célebre, e muito rapidamente. E a celebridade para um pintor significa vendas, lucros, fortuna, riqueza. E hoje, como o senhor sabe, eu sou famoso, eu sou rico. Mas, quando estou sozinho comigo mesmo, não tenha a coragem de me considerar um artista no sentido antigo e grande da palavra.

Giotto, Ticiano, Rembrandt e Goya foram grandes pintores: eu sou apenas um divertidor do público que compreendeu o seu tempo e explorou o melhor que pode a imbecilidade, a vaidade, a avidez de seus contemporâneos. É uma amarga confissão a minha, mais dolorosa do que ela parece. Mas, ela tem o mérito de ser sincera.”

*****

Penso exatamente como o Pedro Ayres, que foi quem me apresentou por e-mail o texto: na corrida é a mesma coisa… O trabalho diário, monótono, cansativo, que rende resultados lentamente não é atraente. Isso vale para qualquer atividade humana.

Eu vivo diariamente com certos dilemas. Cada vez mais sou da opinião de que o corredor amador médio parece QUERER ser enganado. Não me leve a mal! Sempre que abro meu Instagram às perguntas vocês se surpreenderiam com quantas vezes me perguntam atualmente sobre suplementação de Glutamina e Coenzima Q10. São o BCAA da década!

Elas não vêm de corredores com 100km semanais de treino ou triatletas fazendo 12 sessões semanais de treino, não! Elas vêm de corredores que não chegam a treinar dia sim dia não.

Dias atrás eu percebi que o segundo melhor corredor que oriento acabou dando uma volta de 1km a mais no aquecimento. Eu perguntei se ele tinha se confundido (todos tinham parado nos 2km). Ele disse que não, ele disse que havia reparado ultimamente que quando aquece por cerca de 15 minutos, uma volta de 1km a mais, ele se sente mais calmo, menos ofegante para começar o treino, então 3 vezes na semana ele passou a fazer esse adendo antes do treino. Isso gera 15 minutos em uma semana. Ou ainda, para quem treina cerca de 60km/semanais, 5% a mais de carga.

Uma mudança simples, gratuita, de poucos minutos que indubitavelmente gera melhoras em seu desempenho (maior volume). Eu não pedi. Ele não perguntou. Ele fez. Eu costumo dizer que os melhores corredores não são apenas aqueles que treinam mais, mas aqueles que sabem o que os fazem melhores corredores.

Esse atleta jamais, nunca me perguntou sobre suplemento. Ele nunca buscou em um subterfúgio fácil aquilo que só vem das próprias pernas. Ou como disse Ayers: o trabalho diário, monótono, cansativo, que rende resultados lentamente não é atraente.

No mesmo dia, conversava com uma amiga nutricionista que admiro muito. Ela dizia para mim que tem dificuldades em Nutrição Esportiva. Veja bem, quando falamos de amadores, não existe Nutrição Esportiva! Esse é apenas um campo inventado para se posicionar no mercado! É um jeito de, no bom sentido, “poder enganar” um cliente. O que se diz nutricionista esportivo tem menor concorrência, ele(a) pode assim cobrar mais.

Essa colega dizia que tem dúvidas sobre nutrição na hipertrofia muscular. Vivemos em um mundo tão esquizofrênico que faz as pessoas, por preguiça, ignorância ou delírio coletivo, procurarem um nutricionista ANTES de fazer força empurrando bastante peso, uma condição sine qua non, essencial para haver hipertrofia! O aumentado consumo calórico E proteico é uma resposta natural e esperada do treinamento de força que proporciona hipertrofia! É como achar que você tem que procurar um nutricionista antes de correr porque tem medo de morrer de sede se ele não prescrever quando se deve beber água.

O que eu falei a essa amiga foi: você já sabe tudo, mas terá que enganar o cliente. Por quê? Porque “o povo não procura mais consolação e exaltação, (…) buscam o que é novo, estranho, extravagante, escandaloso”. Você como profissional tem assim que mentir porque é uma necessidade do mercado, mas mais do que isso: porque o corredor quer ser enganado. Ainda que ele não admita.

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Obesidade e aposentadoria no Esporte – parte 2

Joe Thomas é um ex-jogador da NFL com 10 participações no Pro-Bowl, o All Star do futebol americano, sua modalidade. Ele é lembrado como um dos maiores da história em sua posição. Recém-aposentado, ele queria se livrar do excesso de peso que traz vantagem competitiva na NFL. Para isso ele perdeu 34kg de 148kg!

Recentemente Thomas deu uma entrevista e explicou não como emagreceu, mas como ele fazia para engordar, ficar “grande”. Ele disse que ele era considerado “pequeno” (undersize). Sabe como ele fazia? Nas palavras DELE:

  1. Ele comia a cada 2 horas;
  2. Ele consumia açúcar, carboidrato e massa (pasta);
  3. Ele não podia pular refeições “para não emagrecer”;

O Esporte e a Pecuária sabem como engordar MUITO melhor do que a Nutrição sabe emagrecer. Por quê? Porque esporte e pecuária vivem de resultados, a nutrição vive de intenções. Os primeiros têm skin in the game, pele em jogo, a nutrição não. Isso explica quase tudo.

Thomas é hoje um aposentado, treina BEM menos e pesa BEM menos. Ele é mais magro do que quando era um dos melhores e mais bem pagos atletas do mundo em uma das ligas mais excruciantes do planeta. Como isso é possível?

Semanas atrás eu falava sobre o drama que companheiros de liga dele vivem ao engordarem quando param de jogar. O que recomendam os “especialistas” de sempre? O OPOSTO do que Thomas fez para emagrecer! Recomendam o OPOSTO do que a Pecuária faz para engordar grandes mamíferos.

  1. Pedem para comermos regularmente, a cada 3 horas para acelerar o metabolismo. Um sinal CLARO de que não têm IDEIA do que estão falando.
  2. Pedem para cortar gorduras, aumentando assim o consumo de carboidrato, macronutriente usado para engordar Thomas e os rebanhos.
  3. Condenam o jejum, deixando o corpo em constante estado anabólico.

 

Faz sentido para você? Lógico que não faz!

Entre a prática eficiente e o sonho de quem nega a realidade, vocês sabem com quem eu fico!

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O Esporte tem “Skin in the game” (pele em jogo). A Nutrição NÃO.

Dias atrás postei no meu instagram (@DaniloBalu) minha lista de melhores livros de corrida/atletismo. Essa semana irei atualizar a lista. Nela agora irá “Tigerbelle”, a biografia da ESPETACULAR Wyomia Tyus, primeira pessoa (homem ou mulher) a ser bicampeã olímpica dos 100m (1964 & 68). Era uma mácula que eu carregava.

Leia abaixo o trecho que separei e traduzi:

Você está muito grande! Você nunca foi tão grande! E você está perto da prova mais importante da sua vida. Nós vamos ter que fazer algo. Você precisa se afastar da mesa. Você precisa se afastar das batatas, precisa se afastar do arroz e precisa se afastar do pão.”

 

A frase foi dita por Ed Temple, primeiro americano a ir duas vezes seguidas a Jogos Olímpicos como treinador de atletismo, algo que era proibido. Isso dá um indício de como ele era especial.

Mr. Temple, como era chamado, sem saber a diferença entre insulina e glucagon tinha apele em jogo. Pedia à sua melhor velocista para perder peso. Como? Jejum e evitando arroz, massa e pão. Resultado? Ouro e recorde mundial!

Aí vem nutricionista e pede o quê ao amador? Comer de 3 em 3h e ênfase onde? Carboidrato! Minha bronca é ENORME quando vejo nutricionista falando em “peso ideal” ou em empurrar carboidrato goela abaixo de atleta amador é porque para mim fica CLARO justamente que eles NÃO entenderam NADA ainda desse esporte!

Temple entendia como o peso é CRUCIAL. Por isso que em 2008 o americano Chris Solinsky assombrou o mundo do atletismo. Não era só um recorde. Ele era o primeiro atleta na história com mais de 70kg a entrar no clube dos sub-27minutos nos 10.000m!

Entre os maratonistas o clube sub-2h06 tem uma MINORIA de atletas com mais de 60kg. Por quê? Porque peso (baixo) importa MUITO! Por isso que algumas atletas japonesas APANHAM de seus treinadores quando ganham peso.

A imagem abaixo que ilustra esse texto e é uma plotagem do peso dos fundistas nos Jogos Olímpicos do Rio/2016. Este é um padrão que se reproduz, não importando a edição olímpica!

Quando um nutricionista oferece carboidrato a um atleta acima do peso, ele dificulta que ele PERCA peso, um ENORME limitante de desempenho. Sabemos que low-carb é a estratégia nutricional que MELHOR traz perda de peso e que torna mais FÁCIL a manutenção de um baixo peso.

NÃO há correlação de (maior) consumo de carboidrato com desempenho. Mas HÁ uma relação de (menor) peso com melhor desempenho. Entendeu, nutricionista? Se você empurra carboidrato a um atleta eu SEI que você ainda NÃO entendeu esse esporte. Controle do peso vem À FRENTE de qual macronutriente consumir quando falamos em desempenho!

Simples assim.

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GEL em prova de… 12km?!?

Coisa rápida…. Participei tempinho atrás de uma prova noturna em SP. Ela foi na distância de 6km e 12km. Já no quilômetro DOIS eles ofereciam – que rufem os tambores! – GEL de carboidrato!

E no quilômetro 5!? Isotônico! Daquele famoso, que criou sua fama com estudo malfeito, análise torta e pagando meio dúzia de professores que farejam dinheiro melhor do que qualquer pastor alemão de aeroporto é capaz. Alguns até foram professores meus (os picaretas! Não os cães!)! Quer nomes? Eles sempre assinam diretrizes dessas sociedades “idôneas”.

Água, já disse aqui, eu não bebo em prova nessa distância. Falo o mesmo para quem eu treino e corre mais ou menos na minha velocidade, independente do clima. Agora.. GEL…?!

Costumo dizer a quem oriento que sou portador também das notícias ruins, ainda que quem pague não queira sempre isso. Não sei qual seu ritmo, mas há uma regra praticamente universal: se você precisa de gel durante uma prova de 12km, tenho uma má notícia, você NÃO está pronto pra ela! Deixe-a de lado, treine mais. Você tem mais a ganhar treinando mais para encarar a distância no futuro e menos a perder ($). Talvez você até perca peso!

Se seu treinador pede que você use um gel nos 12km, troque de treinador!

Se seu nutricionista recomenda gel (ou isotônico), troque de nutricionista!

Se seu médico recomenda um dos 2, não precisa trocar! Minha dica é: não dê ouvidos apenas quando ele tocar no assunto esporte ou nutrição, igual os 2 de cima, ele muito provavelmente não sabe do tema!

E se trocar, procure um profissional que se perguntado se você precisa de gel/isotônico pra encarar 12km, ele(a) abra o jogo pra você explicando que você NÃO está pronto! Mesmo que você o faça com o olhar do Gato de Botas da foto…

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