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Os Maiores eventos de Corrida de Rua do Brasil – 2018

Para encerrar a série dos dados das provas brasileiras em 2018, publico agora os maiores eventos de corrida do país em 2018. Nas últimas semanas publiquei os dados das Maratonas e maratonistas brasileiros, os números das Meias Maratonas do Brasil e quais são as 50 Maiores Corridas de Rua do Brasil.

Não é surpresa a liderança de nossa corrida mais tradicional. A São Silvestre muito provavelmente apenas em 2 dos seus mais de 90 anos de existência perdeu esse título (uma vez para a Maratona Pão de Açúcar de Revezamento e outra para a finada Nike 10K Human Race nos anos 2000).

Nesta lista vão apenas os eventos que somam mais de 10.000 concluintes somadas todas as distâncias em suas provas paralelas. Em 2015 esses eventos eram 9, em 2016 chegaram a onze, voltaram a ser nove e agora repetem o recorde histórico de 11.

Desde 2016 um evento exclusivamente feminino quebrava a barreira das 10.000 concluintes (*elas são maioria em apenas dois eventos, no Circuito das Estações carioca). uma delas é noturna (a Corrida de Reis em Brasília). Apenas 3 têm distâncias únicas (São Silvestre, 10km Tribuna FM e Volta da Pampulha), e dos 11 somente 3 ficam fora do eixo Rio-SP.

Mais. 6 têm transmissão pela TV e 3 (os Circuitos das Estações, todos no Rio de Janeiro) entraram pela primeira vez na lista.

Veja a lista completa na imagem abaixo!

*A Wrun (SP), as Night Run (SP), a Vênus (SP), a M5K (SP) e a Maratona de São Paulo são provas que já figuraram na lista em ano anteriores.

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Nosso atletismo está piorando?

A britânica Athletics Weekly , talvez a mais importante revista do mundo voltada ao atletismo ainda publicada, fez um longa e completa reportagem abordando a evolução da marcas britânicas no atletismo. Eles pegaram assim o ranking nacional e, para anular o efeito dos fora-de-série, consideraram não o líder, mas o 10o colocado do ranking. Para poder entender se aumentou também em quantidade a qualidade, consideraram ainda o 30o colocado. Aqui no link você tem o que eles fizeram nas provas de pista.

Resolvi então fazer uma análise do atletismo tupiniquim. O primeiro enorme e mais importante problema foi que (absurdo!) ninguém quis me pagar para fazer isso. O próximo problema foi a falta de dados. Dinheiro para isso não falta, mas a CBAt sempre tem outras prioridades, como mandar Nutricionista para campeonato em Bahamas.

Para fazer algo similar, enquanto os britânicos puderam regredir até 1978, eu tive que me limitar a 1998, 2008, 2016 e 2018. O correto seria 2017, mas acreditem, esses dados não existem!

Contentei-me ainda com os marcas do 10o e as do 20o colocado, que é até onde o ranking nacional cobre. E o que encontrei?

A primeira grata surpresa é que quando falamos de provas de velocidade (100m, 200m, 400m, 100m&110m com barreiras e 400m com barreiras) temos uma constante melhora das marcas do 10o e do 20o colocado, o que indica que temos mais gente de melhor qualidade competindo nessas provas.

O gráfico masculino, assim como todos os demais em diante, deve ser interpretado assim. A linha amarela é o nulo, ou seja, sem melhora nem piora. O que vai acima indica piora e abaixo dela, melhora! Veja o que acontece nas marcas masculinas de velocidade em pista:

 

Pode optar por ignorar as legendas que fiz questão de manter aos mais curiosos (ex: H100A é o 10o colocado nos 100m masculinos. F1500B é o tempo da 20a mulher nos 1.500m). O que tem que se tirar é que de 1998 para cá as marcas foram melhorando, mesmo passado o ano olímpico, o que é uma boa notícia! Agora as mulheres!

Nova tendência de queda, ou seja, de melhora! Ótimo! Porém, quando vamos ao fundo e meio-fundo feminino o terreno fica mais duro… Reparem:

O 800m feminino é representado na curva que vai (bem) acima da média, em amarelo destacado. E as marcas das demais provas (1.500m, 5.000m em pista e 3.000m com obstáculos) possuem melhora bem mais discreta. Mas a coisa fica preocupante quando vamos aos números masculinos. Mesmo com o caminhão de dinheiro de COB, CBAt, veja o resultado:

Fiz questão de mudar as cores das curvas para enfatizar como regredimos (acima da reta em amarelo forte). Ou seja, de 1998 para cá pioramos nessas provas em pista (800m, 1.500m, 3.000m com obstáculos e 5.000m e 10.000m) no masculino!

Seria porque as competições de rua, que hoje movimentam muito dinheiro aqui e no exterior, estariam roubando os atletas correndo rápido na pista (mais precisamente 1.500m e 5.000m)? Quando olhamos as marcas masculinas brasileiras vemos que não parece ser esse o caso, porque na rua também estamos piorando nossas marcas! Vejam:

Os homens brasileiros estão mais lentos dos 800m à Maratona, ou seja, rua e pista comparado com 1998 para cá. O lado bom é que na provas de velocidade vimos numa melhora. Como podemos melhorar as marcas masculinas na rua e fundo? Não sei! Seria excesso de prova? Não sei! Seria uma geração? Duvido! Seria investimento ($)? Certeza que não!

Eu só juntei os números. Respostas não são comigo. O mais triste é que duvido que mesmo na CBAt, a maior responsável e que seria a interessada, tenha alguém preocupado com isso. E você?! Tem algum comentário?

p.s.: eu deixei de lado um gráfico feminino dos 10km à Maratona porque era tudo tão amador e a falta de dados tão grande que as curvas ficaram distorcidas. As 20as estão muito mais velozes (em função do amadorismo), mas as 10as continuam piorando, tal como os homens.

 

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As 50 Maiores Corridas de Rua do Brasil – Anuário 2018

O Recorrido publica com exclusividade (aqui completo) os dados das 50 Maiores Corridas de Rua do Brasil em 2018. Como sempre vem sendo este é um levantamento único no nosso mercado e busca principalmente dar números, apontar em quais cidades acontecem, quais são as distâncias mais procuradas e de maior sucesso, além de listar quais são as nossas maiores corridas de rua.

Comparando com 2017, temos:

– Das 50 provas 8 entram na lista (5 delas pela primeira vez desde 2014, data do primeiro levantamento);

– O número de concluintes aumentou 1% (310.000);

– As provas de 5km continuam sendo as mais frequentes na lista;

– Mulheres são maioria em 17 das provas sendo que 3 dessas são exclusivamente femininas.

Já a localização destas provas mostra-se bem concentrada. 30 em São Paulo e 12 no Rio de Janeiro. Apenas essas duas Belo Horizonte e Fortaleza (duas cada) são locais de mais de uma prova.

Nenhuma fica na Região Norte ou Sul e somente Santos (SP) fora das capitais.

Outra característica é notar que 3 organizadoras possuem a absoluta maioria das 50 corridas! E das 6 maiores, todas já foram exibidas ao vivo na TV, mostrando a força desse fator em determinar o sucesso de um evento.

Para ver todos os números, fica aqui o convite para você ver o Infográfico das 50 Maiores Corridas do Brasil – Anuário 2018!

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Os números das Maratonas e do maratonista brasileiro! – Anuário 2018

Antes do que era habitual, publiquei meu relatório anual com os números das MARATONAS brasileiras e o perfil do maratonista médio brasileiro. Como vem sendo, este é um levantamento único e exclusivo no nosso mercado (aqui você tem ele completo) e busca principalmente colocar um pouco de luz dando números na prova mais famosa da corrida de longa distância.

Quando falamos de 42km, Japão e EUA são líderes mais que absolutos em concluintes. Os países somados produzem 1 milhão de concluintes, nós giramos na casa dos 30.000. Europeus são também quase tão bons em completar a distância! Em compensação ficamos à frente dos argentinos, por exemplo.

Dados a destacar:

– Número recorde de maratonistas nas provas brasileiras (quase 32.000), um aumento de 22%!
– Um novo aumento de mulheres correndo que hoje são cerca de 22% dos concluintes.

Além de Rio de Janeiro, as provas de Porto Alegre e a de Floripa (agosto) vêm empurrando os números delas!

O nosso mercado de maratona vem crescendo de forma contínua e sustentada desde 2011. Para ser bem sincero nunca acreditei muito nisso. Até porque organizar um 42km traz bem menos retorno do que organizar 4 provas de 10km, por exemplo.

Mas não é só aqui no Brasil que brasileiros se testam nos 42km! Cada vez mais temos mais de nós completando a distância nas principais provas do mundo. Talvez pelo preço, praticidade, fama e qualidade, as duas mais “brasileiras” são agora aqui na América do Sul (Buenos Aires e Santiago). As majors ChicagoBerlim e Nova Iorque seguem de perto.

Juntando-se os dados temos que o maratonista médio brasileiro é:
– Homem (78%);
– Idade entre 30 e 49 anos (70%). Mais precisamente, ele tem 41.9 anos de idade!
– Ele correu no Rio de Janeiro, em São Paulo ou no exterior (62%);
– Corre os 42km em 4h20. E se for mulher, em 4h46! *ano a ano, com a entrada de novos corredores, o desempenho do brasileiro médio cai.

E se você quer correr rápido em solo brasileiro, sabidamente Porto Alegre sempre foi rápida, mas talvez valha dar uma chance para a Internacional de Floripa (a de agosto)!

E fica novamente o convite para acessar os dados completos do Infográfico das Maratonas Brasileiras clicando aqui!

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Os defensores da corrida têm um histórico fraco..

Ontem estive na SP City Marathon que, confirmado seu sucesso, passará a ser a segunda maior maratona do Brasil. Não é pouco para uma prova sem TV nem total apoio da administração! “Em off” descobri também que já no ano que vem a Iguana Sports irá oferecer medalhas Top 100 para homens e agora também mulheres (que recebiam 30 até então). Sei que estou ficando velho quando vejo minha enorme preguiça de saber que oferecer medalha Top 100 às mulheres virou textões. No plural.

Isso é sinal que os tempos, ao contrário do que dizem, estão BEM menos sombrios. Antes mulheres tinham necessidades mais urgentes e essenciais, sinal claro de nossa evolução como sociedade. Mas talvez seja necessário explicar melhor.

Essa história de medalha top-não-sei-o-quê veio com mais força em 2011 na finada e repaginada Golden Four ASICS. Apenas (e minha memória pode me trair) em 2014 ela virou Top 100 para homens e Top 20 para mulheres. Por quê 20 e não 30 ou 50 ou 100? Vários motivos:

  1. Números redondos são maluquices da cabeça de corredor;
  2. Mulheres eram à época apenas 20% das concluintes. Não fazia sentido distribuir um número iguais de medalhas porque…
  3. A ideia era despertar desejo;
  4. Por fim, custo.

Uma das críticas é que Top 20 (ou 30) não é proporcional à participação feminina. Bobagem. Quem quer só reclamar reclama. Qualquer que fosse o número, mesmo que fosse estendido à terceira casa depois da vírgula, resultaria em reclamação, afinal, a participação feminina flutua evento a evento. Havia a necessidade de o número ser arbitrário.

Enfim, foi 20 porque o intuito sempre foi despertar desejo. É e foi assim em todas essas provas.

Por fim, o custo.

Algumas pessoas vão dizer que sim, mas afirmo com segurança uma frase cunhada por um Nobel em Economia: não existe almoço grátis.

Medalhas banhadas à ouro têm um custo que tenho certeza que nenhum corredor amador imagina qual seja. Quando alguém vem e diz que é injusto e fruto de machismo “por um valor tão baixo” não premiar 100 mulheres, se a pessoa for REALMENTE honesta, tem a obrigação moral de arcar com o valor. Ao não fazer isso, não pagar, você não defende um princípio de igualdade, você apenas endossa e aceita um princípio (machismo) que diz condenar. Você combate o machismo independentemente dos demais e das demais instituições.

Falo isso porque, sim, houve a acusação GRAVE de chamar ou sugerir machismo a um evento que não premia 100 mulheres. Se eu abro o perfil da pessoa que faz essa argumentação e a acuso de racista porque ela não tem muitas fotos com negros, essa é uma acusação grave e rasa. Se eu vou no perfil de outra e a acuso de homofóbica, esta é uma acusação grave, muito grave. Por que sugerir machismo quando há menos medalhas para mulheres?

Porque talvez nem todos entendam direito o esporte.

Homens e mulheres não são iguais. Ponto. Mas devem, SIM, ser tratados iguais. Devem. E são. Recebem medalhas e prêmios iguais. Mas há nuances que o esporte tolera. Por quê? Porque o esporte se pauta, entre outras coisas, em firmar regras para buscar de forma justa aceitar a inaceitável e inegável diferença.

No atletismo homens e mulheres lançam e arremessam implementos de pesos bem diferentes (cerca de 100% de diferença), correm com barreiras de alturas distintas . Essa é uma forma encontrada para:

  1. Aumentar a intensidade do esporte, aumentando nosso interesse;
  2. Evitar comparações que inevitavelmente desvalorizariam as mulheres, naturalmente mais fracas que homens.

Tempinho atrás esses “defensores do esporte igualitário” fizeram seu estrago nos EUA. Nas categorias menores os meninos corriam provas de 3 milhas e mulheres de 2 milhas. Qual era a reivindicação? Que os adolescentes corressem todos a mesma distância. O que os tolos não sabiam é que a intensidade do esforço era a mesma, visto que meninos e meninas corriam quase no mesmo tempo. Ao igualarem a distância, elas fizeram as garotas correrem agora por mais tempo, em menor intensidade, sendo diretamente comparadas com meninos (perdendo a disputa) e despertando menor interesse (o ser humano tem prazer em descobrir quem é o melhor, sem se importar se ele é cromossomo XX ou XY).

Agora imagine o cenário hipotético, que as crianças disputassem a prova por tempo. Garotos em provas de 10 minutos e meninas em provas de 13 minutos. Os organizadores seriam acusados de machistas por exporem garotas a um maior tempo de esforço. Faz sentido? Não, não faz.

As regras em várias modalidades esportivas “facilitam” as regras femininas (o termo correto seria “adaptam”) para gerar interesse, desejo, aumentando a intensidade.

2019 nem chegou e a organização já espera reclamação de corredoras que irão reclamar da facilidade. Isso porque quem briga pelo direito das mulheres nem está envolvido! Eles têm zero skin in the game! Nos 3 anos que trabalhei com o Top 100 exclusivo presenciei inúmeras mulheres que queriam ser top 100 porque ela não era exclusiva aos homens. ESSE era o desejo. Isso também foi tirado (ainda que a um bem maior, utilitarista, o “greater good”).

Pois vejamos…

A diferença média do desempenho entre homens e mulheres no atletismo é da ordem de 11%. A diferença entre o homem Top 100 e a Mulher Top 30 nas 3 últimas edições das City Run (Rio, SP e DF) é de 12,8%. Sabe qual a diferença entre os mesmos homens e a Mulher Top 100? 22,6%!

Na ânsia por serem visionários, justiceiros, justos, feministas, na base da marretada tiram um dos motivadores no esporte: o desejo que a escassez gera. Pior: vindo de pessoas que NÃO são prejudicadas nem estão envolvidas nas atuais regras!

E por que alguns fazem isso? Para explicar destaco um daqueles textos que não canso de reler.
Seria legal, seria interessante ver o pessoal parar de tentar ser inteligente. Sério: esse negócio de ficar pensando muito profundo deixa ruga em vocês. Além disso, causa uma certa sensação de que você é um gênio: “nossa eu sou perspicaz pra caralho, eu enxergo além do que as pessoas comuns enxergam“. Não enxerga, não, meu filho; você é normalzinho como nós também. 99% das análises muito aprofundadas na internet vêm dessa doença de achar que você é capaz de fazer uma análise mais profunda que a patuleia. Quando você fica mexendo com o intelecto e achando que foi premiado, você esquece de OLHAR PRO MUNDO. É daí que vem tudo que é tipo de escrotidão, porém a escrotidão das mais perversas (que são as escrotidões cientes de si). Por exemplo: “tem que ver o que está ‘por trás’ da prisão do Cunha” e começa toda uma análise crítica do porquê teriam prendido o Cunha, sendo que a resposta está bem ali à vista, explicada, mostrada, basta abrir os olhos e parar de achar que teu cérebro vai desvelar o que ninguém desvela. Porque não há sustentação teórica que se sobreponha à realidade concreta. Essa é a diferença entre uma pessoa “ANALISAR” a realidade e uma pessoa ENXERGAR a realidade. Toda análise vem EM DETRIMENTO da realidade que está ali, ela é dada, como um presente. Mas que você se nega a ver porque ela é acessível a todos e você não quer ser todos. Você quer ser o cara que “vê além“. Isso é uma doença. Sem contar que é chato pra caralho. Pensa assim: a vida real é como você ali esperando pra atravessar a rua. Tem o sinal vermelho e o sinal verde. Você olha o sinal verde e ele SIGNIFICA que você pode atravessar; você olha o sinal vermelho e ele SIGNIFICA que você não pode atravessar. Você não precisa parar e pensar “nossa, mas será que o verde realmente quer dizer o que ele quer dizer?”, “será que o sinal vermelho não é alguém que está querend…” – e o sinal fechou de novo. O resumo de tudo é que não há significado FORA da realidade. Tentando achar algo assim ou você é atropelado ou não atravessa a rua nunca.

Enfim, se dar mais medalhas às mulheres não tira o direito dos demais homens, outro argumento que traz em si uma acusação grave de machismo, afirmo que deixar de dá-las também não mexe com o direito de ninguém!

A coisa está melhorando para as mulheres corredoras, e isso é ÓTIMO. Mas tentar na marretada acelerar essa mudança naquilo que VOCÊ acha melhor, pode ser um belo tiro pela culatra.

Vamos todos correr mais e fazer textão de menos!

p.s.1: quem teve uma saída com estilo foi a New Balance que em sua prova de 15km distribuiu 15 medalhas para cada sexo.

p.s.2: a alternativa mais fácil à organizadora é tirar TODAS as medalhas Top. O desgaste (e o custo) é menor. Quando isso acontecer, os defensores do “medalhas Top banhadas a ouro a TODOS os corredores” não estarão aqui para serem responsabilizados.

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