De CRN, Incompetentes do bem e das revistas que não acertam!

E lá vamos nós de novo… até parecia uma piada da Revista O2 que, no mesmo dia que postei sobre como erraram rude recentemente, voltaram a publicar mais bobagens sobre Nutrição (já falo delas!). Mais! Foi no mesmo dia que soube que o CRN postou uma nota contra a dieta Paleo.

Bom, de conselhos de profissão não espero nenhum rigor científico. Eles praticamente não precisam ter nenhum compromisso com isso, apenas com sua arrecadação. Basicamente funcionam na prática para assegurar uma reserva de mercado enquanto fazem um belo de um belo de um trocado passando o pedágio obrigatório sobre profissionais que pela força da lei têm que pagar anuidade. Então está lá um texto torto do CRN-3 falando da Paleo:

“A composição da Dieta Paleolítica (..) contêm lacunas e dados de difícil interpretação. Atualmente a mídia divulga os conceitos da Dieta Paleo de formas variadas e nem sempre baseadas em evidências, ressalta-se que para a prescrição de qualquer dieta, cabe ao nutricionista pautar a sua conduta nos fundamentos científicos que regem a prática profissional, buscando informações em fontes seguras, analisando-as com rigor técnico-científico e abstendo-se de aceitá-las quando não houver reconhecimento científico comprovado sobre a correção e eficácia das práticas delas decorrentes”.

CKw5c9lVEAAQRQSÉ um texto muito conveniente quando sabemos que uma enormidade das diretrizes nutricionais não tem suporte científico, apenas desejo que deem certo. Veja bem, eu NÃO me considero um Paleo porque não acho, por exemplo, necessário abrir mão dos laticínios. Porém, sou simpatizante de dietas que restrinjam carboidrato (low-carb). As duas em muito se assemelham, e como o CRN-3, míope em sua avaliação, disse faltar evidências, separei aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui algumas fontes, ok?

Mas vamos deixar o CRN-3 pra lá, afinal, eles fazem o papel deles de irem atrás do dinheiro, como sindicatos, que arrecadaram R$20 BILHÕES em verbas desde 2007. Um dia abrem a caixa-preta dos conselhos. Vamos falar de quem supostamente tenta ajudar o corredor que busca informação.

A Revista O2 soltou uma matéria com 4 passos “para otimizar a perda de peso e motivar uma mudança de hábitos”. Se fizéssemos disso uma prova valendo de zero a 10, os nutricionistas Alessandra Luglio e Marco Jafet tirariam 2.5, pois acertaram um dos passos (4). Porém, é MUITO grave e MUITO sério que uma revista libere um conteúdo tão grave e IRRESPONSÁVEL (na última recomendação). Vamos ver?!?

  1. Quanto mais ativo o metabolismo, mais ele vai funcionar gastando gordura como fonte de energia. (…) Comer de 3 em 3 horas contribui para a manutenção do metabolismo, o controle saudável da glicemia, do apetite e a manutenção da massa muscular.
MUITAS das diretrizes da Nutrição se baseiam na teoria e na esperança, mas sem suporte da prática...

MUITAS das diretrizes da Nutrição se baseiam na teoria e na esperança, mas sem suporte da prática…

Os nutricionistas Alessandra Luglio e Marco Jafet cometem o mesmo erro que falei da outra vez: eles se baseiam na FÉ, na ESPERANÇA de que suas recomendações funcionem na prática. Eles dizem que um metabolismo ativo se conseguiria comendo a cada 3 horas. É a FÉ deles. Eu poderia partir para uma explicação um pouco mais teoria-da-conspiração, dizer que os 2 foram vítimas de recomendação da indústria alimentícia, a quem muito interessa uma população comendo religiosamente a cada 3 horas. Ou então, eu seria um pouco mais comportamental, diria que os 2 defendem essa bobagem porque é um jeito deles sofisticarem o trabalho, afinal, por que pagar um nutricionista que nem sequer estabelece nossa hora de comer?

Mas eu prefiro mesmo sempre acreditar primeiro que uma fala errada pode ser apenas por pura ignorância de quem fala, não má fé! Então vou reforçar: não há suporte em estudos experimentais que reforcem a recomendação deles. MAS pelo contrário há estudos (aqui, aqui, aqui e aqui) que mostram que os 2 nutricionistas estão, SIM, muito desinformados.

Vou pular a parte do quão arrogante, ingênuo, prepotente e furada é a tese de que um nutricionista ou QUALQUER outro profissional poderia regular bem nossa glicemia melhor do que a evolução. Me explico: se precisássemos disso, não teríamos chegado até aqui, simples assim. Os 2 apelam para a teoria ignorando a prática dos estudos. É recorrente na prática deles, vocês verão.

Esses 2 nutricionistas têm noções e abordagens TÃO equivocadas no que diz respeito ao exercício físico e sua relação com o emagrecimento (ou manutenção de peso) que não me espantam suas recomendações. Dietas com esses fins não são sobre balanço calórico, mas isso em muito explica a tara deles na gordura. Eles ignoram completamente que é fundamental alterar os hormônios responsáveis pelo armazenamento dela! Sendo a insulina o mais importante. E em uma estratégia que só encontra fundamento na enorme esperança deles, pedem que você faça consumo aumentando justamente o nutriente que mais aumenta esse hormônio!

  1. Para garantir energia para o nosso corpo, deve-se sempre consumir uma fonte de glicose, o carboidrato. (…) Em hipoglicemia, o mecanismo de defesa é acionado, travando o metabolismo e induzindo ao uso de proteína como fonte de energia. A solução deste problema é simples: consumir carboidratos sempre associados a alimentos proteicos ou ricos em gorduras saudáveis. (…)

Bom, aqui já posso dizer que a Alessandra Luglio e o Marco Jafet tentaram atropelar (de novo) a fisiologia e a bioquímica! Eles dão mostras graves de não saber que a glicose é um nutriente não-essencial à nossa dieta. E é o carboidrato (que eles recomendam!) justamente o nutriente a reduzir a lipólise (queima de gordura)! Faz sentido comer carboidrato, que reduz a lipólise!, para se queimar gordura? Na cabeça deles faz… Se pedíssemos um treino para melhorar a corrida na subida, pela lógica deles é capaz deles dizerem para que déssemos tiros na… descida! Não vou me alongar que escutando os 2, aumentamos nossa chance de adquirir diabetes, aumentar nosso risco cardíaco e sofrer de síndrome metabólica, resultado do consumo maior do carboidrato, nutriente que eles dão mostras de não saber ser o mais correlacionado com isso tudo. E o mais canalha de tudo, é que se você adquirir algo disso, provavelmente os 2 dirão que a culpa é sua e vão aumentar a dose do veneno.

  1. Lanchinhos regulares e equilibrados são os parceiros ideais de quem quer perder peso com saúde e garantir o aporte ideal de nutrientes e energia para as próximas horas. Para montar os lanches intermediários (…) o correto é combinar carboidrato com proteína ou carboidrato com gorduras do bem.
Muito do que falam se baseia em fé, esperando que funcione. Mas sabemos o que acontecerá...

Muito do que falam se baseia em fé, esperando que funcione. Mas sabemos o que acontecerá…

Essa gente não aprende, não insista… não há qualquer base prática, mas na base da FÉ, pedem que você faça lanches temporários que inibem a lipólise, diminuem a capacidade do corpo queimar gordura e trazem estresse pancreático. E qual nutriente mais recomendam? Justamente carboidrato, aquele que é um nutriente não-essencial à nossa dieta. Por que diabos pedir que se consuma o nutriente que INIBE A LIPÓLISE??? Tem que dar uma surra com um livro de bioquímica bem grosso até o livro recitar bem alto as fórmulas!

Para fechar veio o maior crime deles. Sim, crime:

“Quanto menos gordura saturada, mais saudável é o alimento”.

Eu poderia dizer que essa frase está em algo entre o DELÍRIO, a IGNORÂNCIA e a IRRESPONSABILIDADE. A gordura é um alimento ESSENCIAL ao ser humano. Sem ela, nós morremos. E uma dieta rica em gordura saturada E pobre em açúcar (e/ou carboidrato) tem efeito protetor cardíaco por alterar positivamente o padrão de colesterol. Mas o alimento mais citado no texto é o carboidrato, um nutriente não-essencial à nossa dieta. Os 2 profissionais dizem que um nutriente ESSENCIAL deve ser evitado e sua presença é inversamente relacionado à qualidade nutricional! É MUITA ignorância no assunto que dizem entender!

Eu não tenho dúvidas de que a Alessandra Luglio e Marco Jafet são dois incompetentes do bem. Ou seja, até têm boa fé, tenho certeza disso! Mas não entendem do que falaram, recomendam algo na esperança que dê certo, mas no final, apesar da boa vontade, fazem enorme besteira porque suas decisões não são comprovadas pela prática. O medo deles de gordura saturada reside no sonho de MUITOS dos seus pares de que como artéria entupida contém gordura, ela é a vilã na história. Provavelmente ao ver o varal de um obeso mórbido, os 2 dirão que aquele monte de roupa tamanho GG pendurada são evidências de que foi o fato de usar roupa larga que engordou o sujeito.

Os 2 pensam por aproximação! Quando olham inúmeros incêndios, seriam capazes de apostar que foram feitos pelos bombeiros que estão lá. É o raciocínio torto que nem é tão grave, apesar de perigoso. Grave é seguir achando isso mostrando que o que aprendemos na faculdade foi lixo.

Mais do que raciocinar por aproximação, também pensam na base da FÉ (“felicidade começa com fé”). Mas assim como o CRN, nada é de graça, né? Duvido que a enorme ignorância deles no tema alivie o preço da consulta.

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16 pensamentos sobre “De CRN, Incompetentes do bem e das revistas que não acertam!

  1. anaminarelli disse:

    Uau… vc foi fundo… gostei… como sempre, sua opinião baseada em literatura científica atualizada… é por aí! Mas como romper com o folclore? Abraços!

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  2. Diego Santana disse:

    Retirado das dicas da O2:

    “para garantir energia para o nosso corpo, deve-se sempre consumir uma fonte de glicose, o carboidrato. Porém, todo carboidrato tem rápida digestão e, por isso, se consumido sozinho durante o dia, provoca picos de glicemia. E qual o problema disso? Quanto mais rápido sobe a glicemia, mais insulina secretamos e a insulina leva rapidamente glicose para as células do corpo causando o chamado “rebote”, uma queda brusca da glicemia (hipoglicemia). (…) A solução deste problema é simples: consumir carboidratos sempre associados a alimentos proteicos ou ricos em gorduras saudáveis.”

    Então deixa eu entender, se consumo carboidratos terei problema (hipoglicemia). Para resolver teria então que consumir carboidratos junto com proteínas ou gordura. Porque então simplesmente não comer carboidratos????

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  3. Enio Augusto disse:

    Gostei dos vários AQUI.

    Dúvida. Em qual dos 4 passos eles acertaram? Ou é uma soma geral para o aluno não tirar 0 que fez sair um 2,5?

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    • Danilo Balu disse:

      “4. Ao invés de contar calorias, fuja das calorias vazias e escolha alimentos com maior densidade nutritiva, ou seja, o alimento pode até ser calórico, mas suas calorias fornecem mais nutrientes, vitaminas, minerais e fitonutrientes, fazendo com que nosso organismo tenha matéria-prima de maior qualidade para trabalhar. Quanto maior a concentração destes nutrientes em relação à quantidade de calorias, mais saudável este alimento será. Claro que o ideal para quem quer perder peso com saúde é escolher um alimento que tenha muitos nutrientes e poucas calorias, mas a dica principal é saber qual a quantidade e o tipo de calorias presente nos alimentos.”

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  4. Rafael disse:

    sou ignorante no assunto nutrição.
    Tentei a dieta low-carb e não me adaptei, por conta coloquei na dieta
    algumas frutas e Legumes Ricos em Carboidratos.

    Existe alguma diferença em consumir esse tipo de carboidrato, do que os industrializados?
    tento consumir o mínimo de alimentos industrializados

    Vou me informar sobre LIPÓLISE, achei interessante.

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  5. Luis Mello disse:

    Dica: lowcarb-paleo.com.br. Só 7.000.000 de acessos…

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  6. Ralph disse:

    Parabéns Balu. Muito bom o seu post de hoje.

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  7. Luis oliveira disse:

    Estou frustrado. Li pela manhã e voltei agora à tarde pra ver as reações. Todas moderadas e de apoio. Assim não dá, Balu. Vais perder teu posto de blogueiro polêmico.

    Curtido por 1 pessoa

  8. […] FÉ, ou pior, pensa por aproximação, como 5 dos “incompetentes do bem” que citei aqui (e aqui) recentemente. Eles pedem que você faça algo (no caso comer picado) na esperança de que […]

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