Arquivo do autor:Danilo Balu

Leituras de 3a Feira

Um texto MUITO bom, mas que não conta lá muuuita novidade para quem acompanha esse espaço aqui. Eu já fui mais paciente (ou mais ingênuo, ou mais teimoso), já perdi mais tempo discutindo (numa boa, outras vezes nem tanto) com “especialistas”, influenciadores e jornalistas sobre tênis de corrida, desempenho e incidência de lesões. Hoje estou trabalhando duas regras pessoais. Uma delas é a regra dos 2 desvios. Ela estabelece que “nunca devemos brigar se o adversário estiver a mais de dois desvios-padrão de você em qualquer dimensão: conhecimento, ideologia, inteligência ou porte físico.” Se um influenciador ou jornalista ou especialista vem e diz que o tênis controla sua pisada, amortece e por isso mesmo diminui as lesões e te impulsiona melhorando o desempenho, é perda de tempo discutir com ele. Falta-lhe inteligência ou conhecimento do assunto. A outra regra é não discutir quando o discurso da pessoa não é gratuito. A experiência me faz detectar pelo cheiro quando o discurso dela é tão independente quanto um taxista com passageiro. A pessoa tem que ter skin in the game. Antes que você pense que eu não gosto de quem ganha dinheiro para falar essas besteiras, saiba que é um mal-entendido. Acho mais honesto quando ela fala já emitindo a nota fiscal pela fala. Não falta gente assim no mercado da corrida. Sei o nome da maioria. Reforço: não acho errado! Pois um texto da Quartzy nos fala do óbvio: as marcas de tênis de corrida vendem o mito de que seu produto nos ajuda a prevenir lesões. Amortecimento, controle de pisada, drop… o que falta de evidência de benefícios sobra de estratégia de marketing. Acreditar é do jogo, enganar terceiros é da moral da pessoa. *dica do Adolfo Neto.

Lá vou eu mais uma vez…. Vez ou outra todos (todos!) deveríamos correr sem fazer uso de gadgets e equipamento (ainda que você deixe o GPS ou o cronômetro fazendo registro, mas sem você checá-lo durante o treino)… Nossa sensibilidade a qualquer coisa depende de duas variáveis basicamente: da magnitude da exposição a isso e/ou da frequência da exposição. Veja a relação de baianos e mexicanos a pimentas, a reação de pessoas que moram próximos a rios fétidos como o Tietê e não sentem seu fedor. Não usar gadgets é um modo de você aumentar a sensibilidade aos sinais que seu corpo te envia. A GQ fala a respeito e dá umas dicas de como começar isso.

A Runner’s World também fala sobre essa tendência do mindful running. Não gosto quando fazem disso um produto… mindful running é sobre “menos” e o mercado só lucra quando há “mais”.

A cabeça do corredor é maluca. Mais uma vez a Western States observou que os corredores fazem um esforço enorme para bater uma marca redonda. Os ultramaratonistas fazem muita força para correr os 160km em menos de 24 horas para depois relaxar e novamente fazer força só para superar o tempo-limite de 30 horas. Na Maratona se observa o mesmo comportamento (picos na chegada dos sub-3h, 3h30, sub-4h, 4h30…) e na Meia Maratona também (2h00).

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Leituras de 5a Feira

Alex Hutchinson na Outside fala um pouco sobre a fadiga mental. Apesar de ultimamente exagerarem na sua importância, entendê-la melhor torna mais compreensível os motivos porque alguns treinos (ou tomadas de decisões) são mais desgastantes que outros.

Ainda no assunto, a Runner’s World também dedicou um espaço bacana ao tema!

Um pouco na linha do que falei ontem, em um mundo que vive em mudança, fazer o mesmo treino que faziam décadas atrás gera desconfiança. Mas é importante lembrarmos sempre que as coisas andam muito devagar em um esporte como a corrida. Quem promete revolução está apenas querendo vender, repare! Texto de Matt Fitzgerald explica que nosso corpo não evolui como um smartphone.

A Western States é a mais famosa e desejada ultramaratona em trilha do mundo. A Canadian Running fez sua pesquisa anual com os corredores. O mais interessante é saber quais as marcas de calçado preferia entre os que encaravam os 160km. A Hoka One One é líder, a Altra vice-líder, depois Salomon e Brooks. BEM interessante também é saber que a grande maioria NÃO tem treinador. Aqui os números! *outra coisa legal é ver a força que as pessoas fazem para correr abaixo das 24 horas

No outro blog falo sobre como a sabedoria das multidões pode reforçar como as diretrizes nutricionais estão equivocadas mais uma vez.

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TRATAMENTOS DA MODA. Ou ainda “A Natureza sempre dá um jeito”

Uma teoria apresentada em um congresso recente com resultados preliminares encontrou que corredores que pisam com o calcanhar têm economia de corrida similar àqueles que pisam com a parte mais anterior. Basicamente aquele tem uma extensão maior da panturrilha enquanto este teria maior carga. Ou ainda, usando um clássico de Jeff Goldblum em Jurassic Park (1993): a natureza sempre dá um jeito.

A corrida, não podemos nos esquecer nunca disso, é extremamente simples, antiga, facilmente mensurável, acessível e bem disseminada. Tudo que você tentar (e achar revolucionário), é improvável que não tenham tentado antes, então não assuma a priori que nunca alguém tenha pensado e tentado o que você tem mente. É assim que eu vejo alguns especialistas que vivem de enchê-la de espuma.

 

Quando o gelo engana o fisioterapeuta

O mundo dá voltas e a natureza dará sempre um jeito. Parece ter virado praxe a recomendação de aplicar gelo em atletas mesmo em indivíduos não-lesionados. Ignoremos de cara duas verdades do amador: a primeira é que se você paga uma consulta e seu fisioterapeuta/ortopedista fala que você pode voltar para casa sem recomendar nada, você o avaliará como menos competente. Então ele vai mandar você fazer algo que não te prejudique, mas que não o torne um profissional malvisto. A segunda é que todo corredor amador gosta de ser visto como especial, como mais próximo de um atleta profissional (uma mentira) do que alguém sedentário (uma verdade)*. Então ele gosta de ser orientado a fazer algo que seria “para ele” (personalizado) ou próximo do que faz, por exemplo, um LeBron James, que faz gelo ao final do jogo 2 da apertada série de 7 partidas.

*gosto muito da definição da Runner’s World sul-africana que meio que prega que alguém que corra 30 minutos 3 vezes por semana (a maioria absoluta dos corredores) não tenha um estresse fisiológico que impacte e/ou faça qualquer alteração ser necessária.

Não é de se espantar que estudo atrás de estudo encontre que aplicar o gelo após a sessão de treino traria apenas adaptações negativas, contraproducentes ao corredor não lesionado. Eu sempre me pergunto os motivos das pessoas seguirem orientações esportivas de fisioterapeutas, médicos e nutricionistas… sempre acho que é como perguntar sobre hidrodinâmica a pescadores. As coisas se parecem, mas cada um tem seu funcionamento distinto.

Falo isso porque esporte é basicamente gerenciamento de estresse aplicado a um sistema orgânico complexo buscando adaptação. Qualquer prática incidindo em qualquer uma dessas variáveis vai impactar seu resultado. O nutricionista que sugere a ideia estúpida de oferecer uma refeição com proteína e carboidrato (sempre a 4:1!) sem fome impacta o resultado. O fisioterapeuta ou médico que sugere gelo sem lesão impacta a carga. Costumo dizer que essas são ideias tão esdrúxulas, de quem ainda não entendeu o básico, porque seria o mesmo que pedir que a pessoa corra sempre em descida porque as velocidades médias de treino serão maiores, quando no dia da competição a pessoa correrá no plano (ou na subida).

 

O estresse é essencial

O corpo precisa ser submetido ao estresse. Fazer gelo é tirar as condições para que isso ocorra. Isso porque o estresse revela e propicia benefícios que ficam escondidos no conforto. No conforto do gelo para tirar a dor (que não é fruto de lesão), o conforto da palmilha de silicone ou o conforto da refeição a cada 3 horas. Basicamente, podemos dizer que oferecer nutrientes que ele ainda não “pede” é alterar negativamente toda uma rede complexa que é intrinsecamente regulada. O homem parece ser o único animal que vai à mesa sem fome ou que sai dela sem estar satisfeito. E é o único que sofre de algumas doenças crônicas por causa disso. Por isso mesmo…

Não tente enganar a natureza

Por fim, chego a outro estudo interessante, um envolvendo maximalismo e impacto. O resultado de um levantamento é que aqueles que correram com o que é estupidamente apontado como solução por vendedores (mecanismos para reduzir o impacto na corrida) tiveram maiores cargas de impacto em sua corrida. Ou seja, tênis maximalistas geravam maiores cargas de impacto que tênis neutros.

Veja bem, para vender (mais) tênis, vendedores disfarçados de pesquisadores vieram nos dizer que um pedacinho de borracha ao calcanhar melhoraria um trabalho de milhares de anos Do Criador (seja lá quem seja Ele para você). Não tinha como dar certo! A natureza criou e cria o jeito dela de passar por cima disso. Era óbvio que usar tênis grandes mudaria nosso padrão de corrida. Que ao corrermos enfatizando uma parte do pé fariam as lesões apenas migrarem de lugar.

 

O que os profissionais da saúde fazem é mudar para menos a carga de estresse. Só que, ainda que o condicionamento aeróbio seja calibrado pela média da distribuição de cargas, parte deles, os níveis de força, são calibrados pelos extremos (dessas cargas), então, SIM, diminuir essa carga oferendo as intervenções da moda (gelo, crioterapia, meias de compressão, lanche pós-treino, glutamina….) só pode ser contraproducente.

Não caia nessa pegadinha!

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Leituras para o Feriado de 9 de Julho (SP)

A Runner’s World fez uma lista com os 25 melhores filmes com a temática corrida envolvida.

Para quem corre usando Spotfy para ouvir música, a Runner’s World disponibilizou a lista de sugestão dela de músicas!

Auto-jabá: no blog coirmão falo sobre a Dieta Mediterrânea ser um enorme equívoco. Um equívoco bem conveniente a quem a vende!

Na Runner’s World sul-africana uma longa matéria sobre a prova mais importante do continente africano e aquela que é a maior e que deve ser a ultramaratona mais famosa e talvez mais desejada no planeta: a Comrades!

No The Guardian o autor de 2 livros incríveis sobre corrida fala sobre sua participação em uma ultramaratona de trilha de 120km!

Um tempo atrás uma pessoa me escreveu e disse ter ficado surpresa quando descobriu que eu não era adepto (ou praticante) da dieta cetogênica. Eu não sei bem de onde ela tirou que eu seria algo que eu nunca disse ser. As pessoas confundem low-carb com cetogênica que seria basicamente uma very low-carb, uma dieta restrita de bem baixo carboidrato. Acredito ser muito pior quando encontro treinadores que dizem não ser possível correr com baixo carboidrato. Geralmente por mera coincidência ou eles estão claramente acima do peso ou não correm muito. Correr bem é uma questão de treinar bastante corrida, não do que vai ao prato. Nutricionista é aquela categoria profissional que acha que nutrição tem enorme importância na corrida. Acham isso porque vivem de que acreditemos nisso. Não existe nutrição boa, existe nutrição ruim. Eu não faço cetogênica por um motivo simples: gosto muito de pizza e tapioca. Não posso pedir aos outros que façam aquilo que eu não faço. Acontece que quem é dedicado o suficiente para entrar em cetose (um dos objetivos da dieta cetogênica), geralmente perde peso e tem estoque quase ilimitado de energia aeróbia. É óbvio que ela vai correr bem! Só treinador que não entende de corrida e nutricionista que não entende de nutrição não enxerga o básico. O New York Post traz uma matéria sobre um corredor surpreso com o que lhe aconteceu no desempenho quando resolveu virar keto.

Vídeo Nike novo na área!

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Leituras de 3a Feira

O povo japonês é o que mais corre maratonas no mundo! Precisamos de cerca de 2 décadas para correr o que eles correm! Um texto bacana explica os motivos que fazem de Tóquio a capital mundial da corrida!

Treinar (ou correr) pra morte”. Eu sei, é uma expressão meio forte. O corredor a usa quando fala que vai correr forte, “até onde der”. O equivalente na musculação (ou do treino de força) é o “até a falha concêntrica”, quando há um “tetanismo” (um tecnicismo) e você fica tremendo sem o peso subir. Uma vez ouvi o pesquisador Tim Noakes falando dos tempos em que ele era remador. Ao acabar um treino de – sei lá – 6 tiros de 2.000m, o treinador avisou que haveria um tiro surpresa. Houve um 7º tiro. Depois um 8º. E um 9º. Justamente quando todos achavam que não haveria energia sequer para um 7º. Na minha experiência na Etiópia quando acabamos o 5º e último tiro, após o intervalo o treinador veio com a surpresa: haveria mais uma repetição. Eu achei que estivesse morto, tive que ressuscitar e correr mais 2 minutos. Há todo um tolo debate recente de que o que importa na longa distância seria 90% mental. Obviamente que não é. Se fosse eu faria meditação, não tiro me esguelando. Você vai encontrar treinadores que afirmam com segurança que você deveria ser capaz de terminar o último tiro capaz de dar mais um. Não é a minha linha. Sempre encaro que em um treino de 8x800m, por exemplo, você não deveria ser capaz de fazer um 9º, mas talvez um extra de 400m após uma pausa um pouco estendida. Porém, você vai encontrar outros que acham que não deveria haver condições para mais nada, que cada sessão é uma guerra, atitude comum em muitos treinadores e preparados físicos de esportes coletivos, notadamente nos EUA. O que funciona melhor? É como comparar bananas com peras. Tudo no esporte tem seu tempo. Tudo. Contexto e timing. A arte está em saber quando usar cada coisa e na intensidade certa. Posso dizer que é como curry, um pouco a mais e tudo está estragado. Quando dava treinos na minha assessoria tinha que ficar explicando isso para marmanjo adulto que treinava forte uma vez a cada 15 dias e queria fazer daquele o treino mais intenso do mês. Enquanto agora oriento universitários na casa dos 18 a 20 anos, tenho que fazer o oposto, tenho que invadir a pista impedindo que eles se matem em praticamente todos os treinos. Já estive lá, sei como é. Associamos naturalmente o mais a melhor, dando para um peso de menor importância a coisas como frequência ou recuperação. Um texto bem bacana (meio técnico, é verdade) de Steve Magness explica como esses treinos “pra morte” geram um estresse enorme (talvez só reproduzível em bem maior escala nas competições) e inibem o anabolismo do atleta. Descansamos depois de provas, porém não muito após treinos. Já os treinos “quase lá” seriam o estímulo perfeito de adaptação (melhora). Mas é só quando enganamos o corpo, indo ao limite, que conhecemos melhor qual seria esse limite, além de reforçar para nós mesmos que algo “dá”, é possível. É uma lição de casa fundamental para o dia da competição: sempre há um pouco a mais. Só que se tentarmos muitas vezes visitar esse local, seja em treino ou prova, não há corpo ou cabeça que aguente. Pense duas vezes antes de ficar entrando semana sim semana não em provas…

A RUNVI é a uma “palmilha inteligente- promete ser o melhor treinador de corrida que você pode ter”. Este é uma das armadilhas sem fim na corrida, as pessoas achando que dado é informação. E na ingenuidade tentam tirar alguma coisa desses números. Menos é mais. Mas não vende. Aqui mais informações. *dica do Antal Varga.

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