Arquivo do autor:Danilo Balu

Leituras de 6a Feira

Uma pequena lista com provas onde os atletas comemoraram um tanto quanto cedo demais…

Um belo vídeo em conjunto da RunnerSpace, Athletic Net e DyeStat fala sobre nos mantermos unidos em um momento de separação física forçada por quarentena.

Na Outside um levantamento BEM legal mostra os benefícios competitivos do doping sanguíneo. É tão grande (e a chance de ser pego tão pequena) que explica o uso cada vez mais frequente.

O canal do COI no YouTube fez uma lista de 10 sprints nos Jogos Olímpicos. A lista foi feita por algum britânico e que não tem lá muuuita intimidade…

Etiquetado ,

Treinamento é mais palpite e menos controle do que imaginamos

Um tipo muito frequente de pergunta que recebo aqui é algo como: corro 5km em 25’00”, como faço pra baixar pra 22’00”?
 
Duas considerações importantes daqui. A primeira diz respeito ao quão distante são 2 corredores que fazem 5km com 3 minutos de diferença. Eles não pertencem à mesma gaveta, ao mesmo grupo. Não no momento. O que corre em 25’, se correr 100 vezes contra o de 22’, irá perder 98 vezes. Quem corre em 25’00” primeiro tem que tentar 24’00”, depois 23’00”, assim por diante.
 
A segunda consideração é o EQUIVOCADO conceito de que definimos com grande controle o andar da carruagem e aqui vai uma má notícia: temos pouco controle. Isso porque não se pode forçar adaptações! Não somos nós que criamos o cronograma de progresso! O que o treinamento faz é criar CONDIÇÕES, não determinar o ritmo do progresso.
 
Já falei antes, treinamento é sobre criar variações e gerenciar variações de um estresse controlado. O cálculo é feito de maneira tal que o corpo possa assimilar a carga e assim o progresso acontece!
 
Por isso mesmo o treinamento deve ser feito a partir de onde estamos, e não exatamente DE onde ou PARA onde queremos chegar. Então, voltando ao exemplo de nosso corredor de 25′ nos 5km, se hoje ele corre a prova a 5’00″/km não existe algo que faça você daqui a X dias correr a 4’45″/km. O treinador vai ter que DESCOBRIR o que é possível. Isso é BEM diferente de DETERMINAR o que seja possível.
 
Não é você ou o treinador quem decide onde chegar, mas nos cabe sim criar condições pra que isso aconteça. Como?! No processo de treinamento vamos estressando o corpo continuamente. E como CALCULAMOS a carga?
 
Vivemos tempos em que os profissionais adoram usar a expressão “baseado em evidências”. Sinceramente? Uma tremenda BOBAGEM. Treinamento é sobre PALPITES, APOSTAS e AJUSTES. A experiência vai nos afiando como treinador no “cálculo” (que nada mais é que um palpite, uma aposta) das cargas de treino. Sempre serão CHUTES.
 
Tenho aversão cada vez maior pela expressão “baseado em evidências” porque isso implica em decisões baseadas em retrospectivas. Isso nos diz o que deveríamos estar fazendo. Mas treinamento é sempre um processo CONTÍNUO, o atleta de hoje é DIFERENTE do atleta de ontem!
Etiquetado

Corrida em tempos de Coronavírus – parte 3

Toda situação incomum, época de crise, serve também para revelar não só caráter, mas comportamento.
 
O que vinha discutindo nos bastidores do podcast 3 Lados da Corrida é como seria pra muitos conviver sem a corrida por causa da quarentena. Cada um lida de um jeito.
 
Eu disse em off que achava que seria um alívio a uns que usam as redes sociais pra declarar amor à prática por JUSTAMENTE NÃO poder correr. É a motivação INTRÍNSECA versus a EXTRÍNSECA. Motivada internamente ou externamente.
 
Percebi agora que pra uns desses influenciadores é que a corrida não faz sentido algum sem posts sobre a pessoa correndo.
 
Então vivemos um embate de quem posta seu treino (um direito legítimo que as recomendações dão suporte e que não me agrada, ainda que seja um direito).
 
E de outro lado perfis que buscam demonstrar virtudes postando dizeres do tipo “não corra” ou ainda “faça como eu , corra em esteira e aproveite e use esse meu cupom de desconto“. NUNCA é de graça!
 
A corrida parece a esses apenas um meio de demonstrar virtudes. E por isso ela é um porre (sucks) e um alívio qdo sua prática é mal vista.
Etiquetado , ,

CORRIDA EM TEMPOS DE CORONAVÍRUS – parte 2

Eu gosto do Liam Neeson. Em uma cena de “Busca Implacável” a filha dele o liga desesperada porque está prestes a ser sequestrada. Ele calmamente fala que ela já “está” sequestrada e pede que ela passe por telefone o máximo de informações possíveis.
 
Menos de um mês atrás achávamos que viveríamos um apocalipse zumbi, tipo em Guerra Mundial Z.
 
Precisávamos de TEMPO pra aprender com um inimigo invisível. GANHAMOS esse tempo. Menos de 5.000 mortos na China, 13.000 no mundo. A gente mata isso em briga de bar por ano no Brasil! E a curva passou do pico em muitos países. Na China, onde morrem 7 MILHÕES de pessoas por ano por “morte morrida“, 3.000 é um número gerenciável.
 
Igual no filme de Neeson, nós JÁ FOMOS SEQUESTRADOS. NÃO HÁ MAIS O QUE FAZER. É como disse brilhantemente meu amigo Dr. Eduardo Senra: o avião foi sequestrado, como recontado no filme Voo 93. Alguns vão morrer (da doença).
 
Mas em um país com 11 milhões de desempregados, dezenas de milhões na informalidade e outras dezenas de milhões no SPC a gente NÃO PODE ficar parado.
 
EU NÃO SEI A SOLUÇÃO. A solução LUNÁTICA que estão oferecendo em SP (tudo fechado até 30/abril) vai fazer mais vítimas.
 
Para cada Itália onde morre muitos, tem uma Austrália, uma Índia onde morre muito menos… Não dá pra ficar parado. A gente só precisava de tempo pra ver que NÃO É o fim do mundo.
Etiquetado

Corrida em tempos de CORONAVÍRUS – o que fazer?

Antes de QUALQUER coisa: sua corrida é APENAS uma corrida. Em tempos de crise devemos ter prioridades. Seu hobby, seu passatempo, seu Instagram NÃO é prioridade. PORÉM… sua saúde é!
Steve Magness tuitou algo mais ou menos assim: Vamos esclarecer uma coisa. Correr em local aberto sozinho (ou com quem você vive) é perfeitamente ok. Na verdade, é provavelmente benéfico à sua saúde física e mental no momento. Não vamos demonizar atividades que não arriscam a propagação de doenças.
Li nesses dias recomendações de Médicos e Fisiologistas falando sobre treinos e imunidade. Esqueça essa gente. Médico não mexe com atividade física, Fisiologista dá treino pra ratinho. Ignore o que dizem, mas sem ser rude, por favor.
1. Você NÃO deveria fazer longões por agora!
Seja por imunidade, seja por se expor menos tempo externamente, seja porque NÃO temos provas. NÃO HÁ COMO SUSTENTAR longões por meses. Nem prós conseguem isso! A temporada este ano será LONGA, reduzir os longões é um jeito de conseguir esticar a temporada.
2. Não faça simulados!
Uma vez que não há competições, NÃO caia na tentação de fazer simulados. Motivo: competições e simulados estressam nosso organismo de um jeito IRREPLICÁVEL em treinos. Competições e simulados abalam nossa imunidade, 99% dos treinos NÃO. Fazer simulados é correr riscos desnecessários.
3. Torne os intervalados (tiros) mais extensivos.
Por uma questão de imunidade? Relaxa, Adelaide! É porque é – de novo! – um jeito de ESTENDER, de esticar uma temporada que parece que será mais longa que o normal. É um jeito de podermos sustentar a intensidade por meses. NINGUÉM aguenta treinar “pé embaixo” o tempo todo. Você também não, vai por mim!
4. NÃO treine em grupo!
Não preciso explicar, né? Achatar a curva blablablá…
Sigo correndo sozinho enquanto não há toque de recolher e parques e academias estão abertos. Não peço que faça o mesmo, mas vou na linha do Magness: NÃO treinar me faria MUITO mais mal.
5. Tome os cuidados básicos.
Lavar as mãos blablablá…
Era isso!
Não deixe um medo irracional te dar a desculpa que seu inconsciente mais quer: parar com o desconforto da atividade física! Medo de sair na rua? Treine em casa!
Etiquetado ,