Arquivo do autor:Danilo Balu

O que a Etiópia nos ensina…

Na primeira vez que vim à Etiópia era um pouco angustiante ver a confirmação de MUITO do que acreditava e ter que relatar com palavras. A vantagem de enganarQUERO DIZER convencer outros a virem comigo experimentar torna a coisa menos angustiante, pois não viro o louco falando sozinho.

Foi assim ano passado, está sendo assim agora. Ao final de um treino leve e guiado pela floresta pude conversar com o André Savazoni (que também é treinador) sobre a simplicidade dos melhores do mundo.
Não há lojas de suplemento… E o que não falta no Brasil é nutricionista e vendedor fantasiado de especialista empurrando suplemento… Uns deles são só burros mesmo, outros são apenas picaretas lucrando com mentiras.

Os melhores tênis (na verdade os mais caros ou novos) estão nos pés dos amadores (nós). GPS? Nada! Eles aceleram e ditam ritmo na sensação 100% do tempo. Como fazem isso? TREINANDO.
Por fim, a técnica, ou como vocês gostam de chamar, a biomecânica. Sabe quantos toques recebemos ou vimos até agora? ZERO. Por quê? Como ensinar pássaros a voar, peixes a nadar?
A hierarquia do treinamento exige que se dê prioridade ao que é importante. Enquanto a corrida for um esporte que ganha quem chegar na frente e não quem corre bonito, o foco é esse.
Tenho poucos minutos com meus atletas. Se o homem é um animal corredor, tenho que focar no que interessa! Se eles aqui não ligam pra isso, eu vou fazer como eles, focar naquilo que ELES mostram ser importante.

Leituras de 2a Feira

Leitura Obrigatória: o relato de Mary Cain, uma dos maiores promessas americanas recentes na longa distância joga mais lenha na série de denúncias envolvendo Alberto Salazar e Nike. Todos sabemos como a vida no alto nível é dura, mas o que fizeram com ela transpassa qualquer coisa. Leia e veja o vídeo! É INACREDITÁVEL.

As pessoas assistem às glórias, mas poucos vêm os tombos que a gente leva. David Rudisha, o homem que assombrou e encantou o mundo correndo 800m, luta contra o corpo e tenta superar os obstáculos comuns que a vida apresenta não somente aos mortais, mas também aos recordistas mundiais. Texto incrível na Spikes!

Sempre que você ouvir brasileiro amador reclamando da falta de incentivo por aqui, saiba que até o rico Canadá sofre com isso. A equipe deles de corrida de montanha abriu uma campanha de financiamento coletivo para virem competir no Mundial que será na Argentina. O vídeo ficou BEM legal!

CNN tenta explicar os motivos pelos quais os quenianos de uma mesma região são tão bons.

O The New York Times trouxe a história incrível do atleta etíope que apesar de – hãaaa – etíope surpreendeu a todos e foi 3o lugar na Maratona de Nova Iorque sem contar com as vantagens reservadas à super elite! *dica da Adriana Piza.

Você conhece Memo? Não? O The New York Times traz a história INCRÍVEL de um amador. Leia leia leia! Veja veja veja! Não conheço Memo, mas juro defendê-lo a qualquer custo!

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O delírio do pré-treino

Duas perguntas recebidas no Instagram me reforçam o delírio coletivo de toda uma sociedade (que os autores das perguntas não se ofendam, os exemplos são apenas sintomas sociais). Ei-las:

1. Quanto tempo após comer se pode correr sem perder rendimento?

2. O que comer antes de treinar?

Na minha experiência – vamos lá – eu NUNCA conheci um Nutricionista que entendesse de esporte. Eu não disse que eles não existem! Só disse que não conheço nenhum. NEM. UM.

Certa vez conversava com um cliente acima do peso e ele me dizia que queria perder peso correndo. Expliquei que ele, nordestino, poderia vir caminhando de sua cidade até SP e AINDA ASSIM lhe sobraria gordura corporal de sobra. Aqui 2 pontos:

– Corrida/caminhada gasta poucas calorias;

– O desafio não é gastar, é conseguir ACESSAR sua reserva energética.

Porém, e esses Nutri-Nesfit que recomendam suplemento e pré-treino JAMAIS entendem – até porque não sabem NADA de esporte – , você NÃO TEM acesso à sua reserva pré-alimentado! Por vários motivos. Um fisiológico é que comer eleva os níveis de insulina que INIBEM a queima de gordura. Isso está na aula 2 de Fisiologia (na primeira o professor se apresenta e fala as datas da prova). O nutricionista que prescreve pré-treino em amador deve ter faltado nessa aula.

O motivo conceitual é mais simples! Não faz sentido NENHUM comer antes de atividade física porque em nosso modelo evolutivo os ancestrais quando jejuavam por não TER comida estavam procurando por ela, eram fisicamente ATIVOS. Sendo assim, o padrão é fazer ATIVIDADE FÍSICA enquanto estiver em jejum! Nenhuma criatura selvagem adulta descansa quando não possui calorias!

Tem mais! É JUSTAMENTE quando temos grande fonte de energia endógena (gordura corporal) que nosso cérebro avisa ao corpo de que NÃO precisamos mais ser ativos pra encontrar comida. Já disse aqui: é um ENORME erro interpretativo esperar que alguém com sobrepeso seja MAIS ativo, mais disposto.

Energia endógena –> letargia e sedentarismo.

Energia exógena –> descanso.

A Nutrição como prática VIVE de negar a realidade. Por isso é um fracasso.

A Corrida fragiliza – pergunte ao Hamilton

Uma velocista perguntou no meu Instagram: por que esporte (buscando desempenho) e bem-estar não combinam?

Por partes…

Primeiro a questão do “pra desempenho”. Ela não usou a expressão. Ela não precisa. Ela deixa o “running do the talking”. Ela é uma das melhores velocistas amadoras que conheço. Quem fala que busca algo “pra desempenho” acaba tendo que me avisar porque no fundo no fundo a pessoa nem sabe que na verdade NÃO faz algo pra desempenho. Você não “vai pra desempenho”…

Na mesma rodada de perguntas me perguntaram de um tal gel Maurten. Me avisaram depois ser o usado por Kipchogue. Eu não sabia. Já repararam que as pessoas não querem rodar o volume que a elite TEM QUE rodar, mas querem comprar os docinhos que a elite SÓ toma porque é paga? De novo: o lento NÃO tem leitura do esporte. O veloz SABE o preço e que NÃO há atalhos.

O FÓRMULA 1 DE HAMILTON…

Lewis Hamilton foi hexacampeão este domingo. Seu carro é incrível. Mas tente tirá-lo da fábrica da Mercedez e andar pelas ruas. Ele não vai longe. Ele quebra. Para ser incrivelmente veloz e ter enorme aceleração ele PRECISA ser especialista. Ele abre mão de outras valências para ser absoluto em apenas algumas. E POR ISSO ele é MUITO frágil.

Quanto mais você corre para – sei lá – correr 21km abaixo de 4min/km, você trabalha apenas algumas capacidades EM DETRIMENTO de outras. Não é que o treino de resistência o torna lento. Isso é um TREMENDO ERRO interpretativo. É que correr demais (e ficar apenas treinando no plano sagital) faz com que você NÃO treine outras capacidades, inclusive a velocidade. E aí, sem leitura, você fala que perdeu velocidade por causa do aeróbio. Bobagem.

E o que não é treinado, se perde. Quanto mais você corre, menos você faz outras coisas, mais frágil você fica… você vira um bom fundista em DETRIMENTO do restante.

SIM, quanto mais corrida, PIOR no global. A corrida nos FRAGILIZA. Pergunte ao Hamilton se o carro que o leva à glória pode levá-lo até sua casa.

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Leituras de 5a Feira

Por indicação recebi o vídeo de uma canção usando os mexicanos Tarahumaras como pano de fundo!

Autojabá: no outro blog mas sempre comemos arroz-feijão e não éramos obesos

O mundo da corrida viu aposentar uma de suas maiores e mais incríveis atletas, Shalane Flanagan. Obviamente que alguém mais rigoroso (pra não dizer “chato”) listaria outras 10 atletas africanas que dariam uma surra nela em seu auge. Sim, é verdade. Mas eu sempre insisto aqui: os amadores buscam desempenho, mas mais ainda EMPATIA nos grandes nomes. Eu te garanto que uma corredora brasileira de classe média se identifica com ela mais do que com 99% da elite feminina brasileira ou africana. É errado? Não me cabe julgar, é apenas uma observação. Flanagan com sua competência e consistência assustadoras teve papel enorme no crescimento desse esporte entre as mulheres!

Bela matéria no The New York Times sobre grupos que correm (de verdade!) pela cidade americana. Nunca deixo de me espantar como americanos e europeus correm pesado! A coisa lá é MUITO mais embaixo…

Um vídeo da The Economist tenta explicar por que os exames antidoping não pegam a grande maioria dos dopados.

A Sara Hall é uma das maiores, mais consistentes e mais versáteis atletas americanas da atualidade, além de ser uma das que mais competem. Isso dito, acho que vale a pena ler as dicas que ela tem a nos dar.

No YouTube explico sobre o uso de cápsulas de sal em treinos longos e maratonas…

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