Arquivo do autor:Danilo Balu

Leituras de 6a Feira

Depois da lista masculina que postei dias atrás, a Track and Field News fez sua lista feminina dos 10 maiores nomes do atletismo do ensino médio da década passada. Conhecia 5 da outra lista e 4 dessa. E você?

Leitura obrigatória do dia: talvez por eu ter morado na Irlanda, talvez por conhecer a fundo o nome dos atletas citados ou talvez só porque foi brilhantemente escrito como você observa nos comentários, mas este texto repassando o feito de Ronnie Delany é de ler em um só respiro. Demais demais demais!

Nick Symmonds, ja falei aqui, é especial. O ex-atleta, agora YouTuber além de outros negócios, bateu o recorde mundial dos 400m usando Crocs. Um monstro! Um monstro! Aqui matéria com o link pro vídeo hilário!

Camille Herron e Jim Walmsley foram eleitos os detentores dos 2 feitos do ano na ultramaratona!

Dawn Harper Nelson é uma das barreiristas mais talentosas e vitoriosas de sua geração. Ela tem uma vida e uma carreira INCRÍVEIS. Agora após ser mãe e se aposentar decidiu voltar às pistas para tentar vaga no grupo mais difícil do mundo. É um relato no mínimo MUITO interessante às mães corredoras!

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Sobre low-carb em amador

É MUITO comum corredores me perguntarem: se a elite não faz low-carb por que um amador deveria fazer?
 
Ou ainda, dessa vez é a leitura míope de nutricionistas: a elite, para correr rápido, consome muito carboidrato, então você amador também deveria consumir.
 
Ambos raciocínios estão errados, ainda que façam algum sentido (do amador se perdoa o equívoco, de nutricionistas não! Mas como não sabem nada de esporte, é de certa forma compreensível). Cada esporte deveria ser visto em função de suas demandas que nem sempre são aquilo que nos aparece em um olhar mais apressado.
 
As pessoas acham que os jogadores de basquete são altos. São mais do que altos! Eles têm é uma ENVERGADURA enorme. O corredor de longa distância, quanto mais longa a especialidade, MENOR deve ser seu peso.
 
Não temos que olhar o esporte SOMENTE pelo que fazem a elite porque isso por si só NÃO explica serem fora da curva.
 
É legal ver que o baixinho gosta de jogar de basquete ou o cara lento insiste em correr provas de 800m. O filme da Disney e de Hollywood gostam de dizer que “tudo é possível“. Você até PODE escolher o seu esporte, mas é o ESPORTE quem escolhe quem fará sucesso nele. E na corrida ele escolhe pessoas rápidas E leves! Isso por uma questão mecânica!
 
E a elite do atletismo, igual o defensor da NBA tem envergadura MAIOR que a altura, acaba tendo enorme tolerância ao carboidrato. Tolerância essa que permita que ele se ENTUPA de carboidrato sem efeitos adversos (ganho de peso, hipertensão, resistência à insulina). Desses efeitos o peso é o que MAIS nos interessa (amadores). E sabemos que uma dieta de baixo carboidrato é a de mais fácil manutenção de um baixo peso.
 
SIM, uma dieta rica em carboidrato na elite permite maior POTÊNCIA aeróbia, capacidade determinante em provas de 5km e 10km. Então nada melhor do que eles comerem muito já que são tolerantes.
 
O amador não! Come muito, tem poucos benefícios com a potência aeróbia em provas de 10km em diante, engorda, fica lento… Ficou mais claro?
 
É sempre MUITO pertinente olhar o que faz a elite. Mas SEMPRE que o fizer saiba que aquilo ali não explica tudo afinal eles foram ESCOLHIDOS pelo esporte deles. Você não. Com você as regras podem ser diferentes.
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As 50 Maiores Corridas de Rua do Brasil – ANUÁRIO 2019

O Recorrido publica com exclusividade (aqui completo) os dados das 50 Maiores Corridas de Rua do Brasil em 2019. Como sempre vem sendo este é um levantamento único no nosso mercado e busca principalmente dar números, apontar em quais cidades acontecem, quais são as distâncias mais procuradas e de maior sucesso, além de listar quais são as nossas maiores corridas de rua do país.

Comparando com 2018, temos:

– Das 50 provas 12 entram na lista (8 delas pela primeira vez desde 2014, ano do primeiro levantamento);

– O número de concluintes aumentou 6% (333.000);

– As provas de 5km continuam sendo as mais frequentes na lista;

– Mulheres são maioria em 25 das provas sendo que 5 dessas são exclusivamente femininas.

Já a localização destas provas mostra-se bem concentrada. 26 em São Paulo e 14 no Rio de Janeiro. Apenas essas duas, Belo Horizonte e Brasília são locais de mais de uma prova.

Nenhuma fica na Região Norte e somente Santos (SP) e Maringá (PR) fora das capitais.

Outra característica é notar que 3 organizadoras possuem a absoluta maioria das 50 corridas! E das 6 maiores, todas já foram exibidas ao vivo na TV, mostrando a força desse fator em determinar o sucesso de um evento.

Para ver todos os números, fica aqui o convite para você ver o infográfico das 50 Maiores Corridas do Brasil – Anuário 2019!

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BIOMECÂNICA x LESÕES – Parte 2

Minority Report é um filme de 2002 de Steven Spielberg estrelado por Tom Cruise. O trabalho de Tom Cruise neste filme de enredo futurista é chegar nos assassinatos antes que eles aconteçam. Como? 3 videntes têm premonições usando tecnologia.

Não seria melhor com equipamento sofisticado e gráficos apaixonantes prevermos uma lesão ANTES de ela ocorrer? LÓGICO! Depois do primeiro texto recebi no inbox comentários de 2 fisioterapeutas que são BEM interessantes. O primeiro é que dá pra fazer essa detecção prévia.

Tenho que discordar por um problema conceitual. Se consigo prever o que NÃO aconteceu, eu atribuo a mim a prevenção de 17 brilhões de lesões somente em 2019. Quer correr sem lesão? Me contrate! É desonesto? Não se eu acredito nisso.

Um estudo de Jauhiainen (e colaboradores, 2020) usando sofisticados algoritmos e inteligência artifical NÃO encontrou relação de lesão com os mais diversos padrões de corrida. E por que é importante? Porque um dos comentários foi que essas análises poderiam JUSTAMENTE detectar padrões – digamos – incorretos.

E aqui há OUTRO problema. Seu treinador deve ser CAPAZ de analisar “fraquezas” ou “imperfeições” técnicas (contato muito à frente, quadril que cede demais, etc.) SEM ir ao laboratório! Se ele NÃO consegue isso você tem 2 problemas: um é a SUA técnica e outro é o SEU técnico.

Só que – reforço – MESMO as análises NÃO conseguiram prever um padrão de lesões. E aí vira aquela conversa de fé: “não, mas não foi feito direito”. Novamente é papo socialista: “Não! É que na Venezuela não foi o socialismo verdadeiro”.

Eu queria MUITO ser capaz de prever lesões. Na minha carreira eu NUNCA consegui fazer isso e nunca em minhas conversas tive dicas de treinadores de como conseguir. Veja só… mesmo atletas PROFISSIONAIS com TODOS os recursos possíveis, ficam de fora de eventos muito importantes por lesões inesperadas e atípicas. A lesão é pelo número de suas variáveis, DE CERTA FORMA, um Black Swan, e cisnes negros são POR DEFINIÇÃO imprevisíveis. Mas lógico… você não vai ter trabalho pra achar quem diz que consegue prever mesmo os Black Swans.

p.s.: uma coisa BEM diferente é o fato de lesões serem recorrentes. Uma vez que você teve problema, por exemplo, no posterior da coxa, a chance disso ser recorrente no local é enorme.

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Biomecânica x Lesões – uma obsessão

Tem vezes que penso em bloquear uns de vocês no Instagram… dias atrás alguém me marcou num post com “perfis essenciais pra se seguir”. Não conhecia ninguém ali e entrei pra ver. Eram basicamente dôtores videntes que descobrem pela biomecânica de corrida quem e como se lesionam. Cobrando, lógico… Quanta bobagem…

O escândalo envolvendo Alberto Salazar me fez lembrar de um artigo clássico sobre ele na The New Yorker. Salazar seria o mago da biomecânica. Os ingênuos compraram essa história feito cachorrinhos.

Ele era obcecado com biomecânica. Queria “consertar” todo mundo. Dathan Ritzenhein é talvez sua vítima mais famosa. Salazar queria fazer Ritzenhein correr parecido com Kenenisa Bekele e Haile Gebrselassie.

 Voltando aos videntes de jaleco que preveem lesão, essa semana entrevistamos no podcast 3 Lados da Corrida o Nélio Moura, um dos maiores nomes da história do nosso atletismo. Sem constrangimento Nélio disse que nunca viu nada de mais na Maurren Maggi ou no Jefferson Sabino ainda jovens.

Na minha carreira como treinador eu NUNCA consegui prever uma lesão em atleta meu. NUNCA. Mesmo estando por mais de 10 horas semanalmente com alguns deles na pista. Mas tem quem acha que consiga olhar gente na esteira correndo e fazer aposta. É na melhor das hipóteses ingenuidade.

Depois de visitar esses perfis, agora no meu Instagram aparecem anúncios patrocinados de consultas para análise prevendo lesão (por isso que de raiva quero bloquear alguns de vocês). Acho que é mais honesto você prever números da Megasena!

Corrida é uma manifestação harmônica de individualidades biológicas! O que parece ser certo a NÓS, ao nosso olhar viciado por uma base de dados de corredores rápidos, nada mais é que NOSSO OLHAR vendo uma harmonia na NOSSA leitura do que é corrida. Mas o certo, para AQUELE individuo correndo, é seu corpo fazendo ajustes para otimizar aquele gesto, muitas vezes o protegendo! Quando você tenta fazer ajustes para protegê-lo VOCÊ acabando o machucando!

Bom treinador não é quem faz ajustes técnicos de corrida, mas quem pouco se mete no corpo que está se expressando na corrida. O corpo É PROGRAMADO para SABER correr. Tire as arestas! Não jogue o atleta naquilo que VOCÊ achar ser o certo!

E pare de prever lesão! Isso é golpe sujo na praça! Por quê? Porque é falso, é ignorância, porque demonstra uma leitura equivocada da mecânica de corrida ma longa distância já que cada um se expressa ao seu jeito. Mesmo que não pareça harmônico aos nossos olhos viciados.

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