Arquivo do autor:Danilo Balu

Leituras de 6a Feira

Longa matéria do Esporte Espetacular acaba recapitulando nomes dos grandes vencedores dos 100m no Troféu Brasil!

Auto-jabá: no blog coirmão, querida, precisamos falar de jejum.

No canal da IAAF no YouTube curtas entrevistas com Sergey Bubka e depois Sebastian Coe falando de seus tempos de atletas.

Recebi a dica de um documentário produzido no ano passado falando sobre a realidade da corrida na Espanha: A grande obsessão. *dica do José Eduardo Castilho.

Um pouco off-topic: uma entrevista com Steve Magness falando sobre treinamento, motivação e como fazer tudo isso de forma mais inteligente e eficiente.

Um texto de Christopher McDougall que me escapou no The New York Times levanta uma improvável hipótese usando a história de um burro sobre por que nós preferimos correr provas e treinos em bandos. Bem interessante!

Já que hoje não tem vídeo do dia, fique com um curta metragem da FloTrack falando sobre aquele que tem tudo para ser a nova estrela do salto com vara, o adolescente americano naturalizado sueco Armand “Mondo” Duplantis!

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O peso do corredor tem relação com lesões?

Tem, mas provavelmente é bem diferente do que você imagina…

Vou arriscar um palpite: saia perguntando entre treinadores de corrida de assessorias se um maior peso do atleta está correlacionado positivamente com ele sofrer mais lesões (mais peso, mais lesões) e acredito que mais de 80% diria que sim. Mas… estaria mesmo!? Quando olhamos na literatura não encontramos essa correlação. *Trato disso em O Treinador Clandestino (versão impressa clicando aqui).

Aliás, o contrário parece ser verdadeiro: atletas mais leves têm mais lesões. Um texto interessante no The Washington Post agora retrata que atletas com baixo IMC inclusive demoram mais para se recuperar de lesões por estresse repetitivo (variações da canelite para o amigo corredor entender).

Ao contrario do que você sempre ouve, o tênis pouco ajuda na prevenção das lesões ósseas…

A primeira ideia parece simples de explicar… Atletas mais pesados geralmente treinam (e conseguem correr) menos quilômetros e em uma velocidade menor, e isso gera menor carga mecânica. Já a ideia do IMC baixo ser um problema exige explicar outras nuances.

O IMC é limitado para se aplicar em indivíduos (apesar de poder ser interessante quando usado com populações) porque junta em um número duas variáveis: massa muscular e massa gorda. A saúde óssea sabemos hoje ser muito dependente de nossos hábitos de atividade física, já a massa muscular é por sua vez muito dependente desta (e não da nutrição, como muito nutricionista gosta de acreditar). Por sua vez, a massa de gordura é algo meio morto atleticamente falando, gera “apenas” carga. Para uma melhor saúde óssea precisamos fazer exercícios, o que por sua vez gera ganho de massa muscular, e causa pouco impacto na massa gorda.

Podemos levantar a hipótese então que essas pessoas de baixo IMC (os leves) que se machucam são aquelas de pouca massa gorda (que não tem muita relação com exercício) e que também fazem pouca atividade física. Assim fica claro entender que não é o peso baixo per se que aumenta a susceptibilidade de se machucar ou atrapalhar na recuperação, como dito no artigo do jornal, mas apenas reforça que é massa muscular que é um indicativo da saúde óssea.

A pessoa pode ser sedentária e ter pouca gordura E pouco músculo. E esses parece que irão lesionar seus ossos não por serem leves, mas por terem pouca massa muscular. E, por incrível que pareça, as pessoas de alto IMC (as que seriam gordas) teriam 2 fatores protetores: elas são um pouco mais fortes (o corpo ganha músculos com o hábito de carregar mais peso) e quando elas se movimentam, o fazem em velocidades e volumes menores. A gordura aqui acaba sendo um protetor dos ossos (e é bom destacar aqui porque a gordura pode proteger os ossos, mas no âmbito geral mais gordura está correlacionada com menor longevidade).

Uma balança prática assim que medisse nossos músculos faria mais pelos ossos do que manter o peso baixo…

O que podemos concluir disso?

Basicamente a limitação do IMC está no fato que ele não difere o que é muita/pouca massa adiposa (o que faz a pessoa poder ser gorda ainda que não pesada, os falsos-gordos) e o que é muita/pouca massa muscular. Mas talvez a melhor lição que fica é que se você quer proteger os seus ossos (hoje e no futuro, leia-se: terceira idade) não basta olhar para a balança, você precisa olhar principalmente para a sua rotina de movimento (o mais importante) e para os aspectos nutricionais (uma dieta que ofereça condições de ganho de massa óssea DESDE QUE esteja treinando). Não é questão de peso, mas de músculo!

 

Se você se interessa por esses mitos da corrida ou outros aspectos das lesões (alongamento, tênis, pronação…) reforço o convite para ler meu livro O Treinador Clandestino (versão impressa clicando aqui) onde trato desse assunto mais profundamente.

Danilo Balu

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Correndo com Maximalista em aula em Esteira…

Questão de 10 dias atrás atendi a um educado convite feito pela Hoke One One do Brasil para uma aula na academia Just Run Club (SP) para conhecer e testar um de seus produtos, o Hupana. Fui lá munido de todos os meus preconceitos. As pessoas adoram falar que não os tem. Pois eu gosto de dizer de cara que tenho vários. Ele nos fez chegar aqui como sociedade. Nosso trabalho é saber pensar 2 vezes antes de tomar decisões injustas achando que raça, gênero, orientação sexual e tantas outras características importam mais do que realmente determinam. Mas tenho meus preconceitos assim como tenho meus 2 polegares opositores.

Por uma questão de agenda não pude atender ao primeiro convite gentilmente feito pela Just Run meses atrás durante sua inauguração. Ela é uma academia, um “estúdio de corrida” com aulas prontas em esteiras. Basicamente é uma mão na roda! Você chega no horário (igual uma aula de spinning, por exemplo), se troca, sobe na esteira e atende aos comandos de um professor. Quando eu trabalhava ali na região da Vila Olímpia perdi muitos treinos por falta de tempo. Por isso digo hoje que esse serviço é uma mão na roda. Achei que não ia gostar dessa experiência. Eu estava enganado, muito enganado! E é bem prático porque você paga somente por aula!

A segunda barreira a vencer era a de correr com um tênis maximalista, como são os da marca. Como não gostar de sorvete de pistache sem experimentar? Era esse meu intuito ao atender o convite.

Quem me conhece sabe que prezo por modelos com menos estrutura. É uma questão conceitual, não acho que conforto a mais seja algo bom. Acredito muito na oferta de feedback sensorial, propriocepção. Acho que amortecimento é uma entidade conceitual, ainda não provada. Tudo indo na contramão do maximalismo. E depois da aula continuo achando tudo isso. Porém, em nenhum momento corri com a sensação desagradável de que havia travesseiros em meus pés. É um maximalista que apesar de ser um dos menos estruturados da marca não me fez lembrar que eu corria com um maximalista. E isso é bom!

Se você chegou até aqui, e é a você que devo alguma explicação, acho necessário salientar que não ganhei nada atendendo aos 2 convites. Continuo a correr com meus 3 ou 4 tênis todos comprados por mim mesmo. Se você simpatiza com o maximalismo (não é o meu caso), o produto é interessante, mas completamente fora do meu escopo (custa acho que R$690 e meu tênis mais caro custou R$225). E se você gosta de esteiras e/ou lhe falta tempo, o modelo da Just Run me agradou bastante, quando me dei conta a aula já havia acabado!

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Leituras de 3a Feira

Uma corrida bem bacana em Tóquio! Um revezamento gigante de 10 atletas correndo cada um uma volta de 1 milha (1609m)! Já houve algo parecido aqui em SP e Rio, mas brasileiro é sempre tão malandro que lembro que ficamos fora do pódio porque ele era repleto de gatos (pessoas que não trabalhavam nas empresas que por sua vez pagavam para esses gatos correrem e assim a empresa ter algum destaque. Pagavam para não-funcionários. Faz sentido!?). São os jênios do marketing que acham que ganhar corrida cheio de amadores-pangarés traz algum benefício que não tirar o incentivo dos funcionários praticarem alguma atividade física. *dica do Helio Shiino.

Aqui vídeo com os melhores momentos da etapa da Diamond League em Oslo. Nos 400m com barreiras o público vai ao delírio com a vitória do compatriota estabelecendo novo recorde nacional. *dica do Helio Shiino.

Por que nossas provas ruins são as que mais doem? Um pouco de psicologia de primeira via Steve Magness bem aplicável aos nossos treinos de corrida! * sou obrigado a discordar completamente do título (mas não da tese) de Magness. Talvez pela diferença entre um amador (nós) e um atleta de ponta (treinado por ele), a realidade é um tanto distante. Um amador em um período fora do competitivo tem dificuldade de “trazer tudo junto” em uma competição quando está (ainda) fora de sua ótima forma. Esse amador ainda não alinhou todas as valências físicas (potência aeróbia, capacidade aeróbia, velocidade específica, força, tolerância ao lactato…), e aí você o vê se arrastando em uma competição porque há limitantes ainda insuficientemente treinados (por uma questão de tempo). E nessas horas nem dói tanto! Dói, mas não são as “que mais doem”. Ao menos é a experiência que sempre tive treinando (e correndo) amador.

Vídeo pós-prova de uma prova de trilha com visual INCRÍVEL! *dica do Helio Shiino.

Off-topic: você tem estômago fraco para lidar com a ineficiência dos exames antidoping? Então não leia esse texto assustador de tão esclarecedor que mostra como o ciclismo é um enorme teatro com quase 100% de atores nas grandes competições. Estaria o atletismo (ao menos ente os finalistas de um Mundial, por exemplo) caminhando a passos largos nesta mesma direção? Texto obrigatório para quem quer entender a magnitude do problema!

Abaixo o vídeo teaser do Origen 2018, uma prova de corrida de montanha:

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Leituras de 2a Feira

Você já sabe quem é o The Freeze? NAAÃO?!? Então veja primeiro este vídeo hilário com o personagem correndo contra um fã! Aqui matéria falando sobre ele o  que explica o final imprevisível do vídeo! Quem acompanha esporte profissional nunca vai ficar achando que aquele seu amigo boleiro duraria 15 minutos em uma partida profissional da Série B nem nunca diria que um jogador profissional não faria muito feio em uma prova de velocidade contra especialistas. Isso é argumento de comentarista de boteco.

Por que alguns continuam a se exercitar enquanto outros param? Alex Hutchinson fala na Runner´s World de estudos que tentam explicar as razões.

No USA Today algo que você leu primeiro aqui no Recorrido: você está correndo muitos quilômetros para perder peso? Então você está é perdendo tempo!

O The New York Times faz uma recapitulação minuciosa e MUITO boa sobre o recorde mundial dos 800m feminino que dura desde 1983 e corre o risco de ser apagado dos livros assim como todos os demais obtidos antes de 2005. A discussão é longa e sem saída fácil, que não tenha danos colaterais. É difícil ficar indiferente ao assunto quando você vê que a foto que ilustra a ótima matéria é de uma mulher que tomava injeções de “vitamina B12”… Leia leia!

Off-topic: 5 coisas que Golden State Warriors fez que pode tê-los ajudado a chegar dias atrás ao título de campeão da NBA! Sempre dá para tentar aproveitar algo na corrida!

Abaixo o vídeo pós-prova de uma das corridas verticais mais incríveis do mundo, a feita na Torre Eiffel! * dica do Helio Shiino.

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