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Até logo, Etiópia!

Parece que foi dia desses que eu pensava “faltam 3 semanas… Dá pra treinar direito até lá”… Semana atrás cheguei e pensei “são vários treinos”… E agora já estou tomando um café etíope de despedida em minha última noite…

Falar até logo é a parte dura… Dura como um tiro de 800m num pasto… Um povo impressionantemente carente materialmente vive sempre sorrindo e ensinando a pessoas que fazem questão de não enxergar que quando o assunto é corrida você tem que calar a boca, assumir sua ignorância e observar… E aprender… E não ficar bancando ser mais esperto que eles.

Não me deram um “input” biomecânico, não se falou de nutrição, não se falou de tênis, não se faz educativos… mas corremos todos os dias, 6h00 todos prontos… Em jejum e sangrando na subida.

No tempo que você faz overthinking tem um etíope e um queniano esquentando o lombo fazendo aquilo que os faz os melhores do mundo.

Enquanto você busca atalho e corre mal. Ele trabalha duro e corre bem. Nada supera o trabalho. Nem seu fancy shoes, nem sua cápsula. Recovery é pra quem treina, não pra você, aceite que dói menos.

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O que a Etiópia nos ensina…

Na primeira vez que vim à Etiópia era um pouco angustiante ver a confirmação de MUITO do que acreditava e ter que relatar com palavras. A vantagem de enganarQUERO DIZER convencer outros a virem comigo experimentar torna a coisa menos angustiante, pois não viro o louco falando sozinho.

Foi assim ano passado, está sendo assim agora. Ao final de um treino leve e guiado pela floresta pude conversar com o André Savazoni (que também é treinador) sobre a simplicidade dos melhores do mundo.

Não há lojas de suplemento… E o que não falta no Brasil é nutricionista e vendedor fantasiado de especialista empurrando suplemento… Uns deles são só burros mesmo, outros são apenas picaretas lucrando com mentiras.

Os melhores tênis (na verdade os mais caros ou novos) estão nos pés dos amadores (nós). GPS? Nada! Eles aceleram e ditam ritmo na sensação 100% do tempo. Como fazem isso? TREINANDO.
Por fim, a técnica, ou como vocês gostam de chamar, a biomecânica. Sabe quantos toques recebemos ou vimos até agora? ZERO. Por quê? Como ensinar pássaros a voar, peixes a nadar?
A hierarquia do treinamento exige que se dê prioridade ao que é importante. Enquanto a corrida for um esporte que ganha quem chegar na frente e não quem corre bonito, o foco é esse.
Tenho poucos minutos com meus atletas. Se o homem é um animal corredor, tenho que focar no que interessa! Se eles aqui não ligam pra isso, eu vou fazer como eles, focar naquilo que ELES mostram ser importante.
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Corrida e Trapaça

Está circulando o episódio de um corredor brasileiro que, tudo leva a crer, trapaceou cortando caminho na Maratona de Boston desta 2a feira. A prova é especial porque exige índice de qualificação. Como ele nem de longe teria condições, ele teria TAMBÉM trapaceado na Maratona de Chicago onde “correu” a marca exigida. O custo para alguém daqui fazer as duas provas não gira em menos que R$10.000-12.000 entre transporte, hospedagem e inscrição.
É óbvio que a indignação explodiu. “O que leva alguém a trapacear desse jeito?” “Por quê?!” “É injusto com os demais corredores“.
Eu sinceramente não sei o que achar. O que leva alguém a pagar a sair para correr 42km?, pode perguntar quem odeia correr. O que um comportamento que NÃO nos afeta diretamente tem a ver com injustiça? Por que se indignar??
Uns 2 anos atrás eu tentei entrar em contato com um conhecido cortador de caminho em provas. Na casa dos 60 anos eu pude notar que claramente falava com uma pessoa doente, perturbada, que necessitava de tratamento, uma vez que ele insistia ter corrido na 3a idade em ritmo queniano, mandando dados de GPS que revelavam ritmos sobre-humanos.
A coisa andou de um jeito que sua filha interveio, reconhecendo ser doença e pedindo compreensão. E eu me retirei. Igual um jogador profissional que é punido por doping quando cai no vício das drogas, esse corredor brasileiro não merece ser defenestrado em praça pública. Ele precisa, talvez não saiba, de tratamento. Por isso que é em vão querer expô-lo aqui. Pra quê!? Ele já foi punido demais! Não faz mais sentido.
Acabei de ler uma obra prima. “Em Busca de Sentido” é um clássico mundial de Viktor Frankl que fala sobre sentido em viver. Por que VOCÊ corre? Semanas atrás vi uma matéria na TV com uma garota que falhou numa prova de longa distância e estava em lágrimas porque queria que “se orgulhassem” dela. Tive certa pena daquilo tudo… ela fazia tudo aquilo pelos outros, não por ela. Correr já é chato, correr pelos OUTROS?!?
No fundo no fundo, esse brasileiro queria algo parecido. Ele buscava aprovação social que, ainda que você negue, todos buscamos. Nessa mesma semana assisti a Fyre, um documentário na Netflix que fala de um cara que engana milhares de pessoas criando um produto que seria de certa forma uma vida de Instagram só que real. Ele é ao mesmo tempo doente e manipulador (picareta mesmo). Ele só se deu bem por tanto tempo porque é muito fácil enganar as pessoas.
Esse falso maratonista vinha enganando a todos (e a ele mesmo). Mas foi pego. Linchá-lo publicamente não adianta nada. É até desumano. Doentes precisam é de tratamento.
*a foto deste texto é do perfil do maior trapaceador amador que a corrida já conheceu, Marathon Man na New Yorker.
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“Correndo com os Etíopes” impresso… LANÇOU!!!

É com ENORME alegria que trago a vocês o resultado e o fruto de duas viagens incríveis que pude fazer a esse país incrível que é a Etiópia para aprender um pouco da cultura da corrida desse país que produziu alguns dos melhores corredores que o mundo já viu!

Tentei ao meu modo dar uma palhinha aqui a você leitor do Recorrido de como fiquei encantado e era surpreendido. A ideia tomou corpo e virou um livro.

Espero que gostem dele tanto quanto eu gostei de vivenciar o que agora é impresso em escrita.

Para adquiri-lo (na forma impressa) você pode comprá-lo clicando aqui.

p.s.: caso você prefira ler na versão digital você compra o e-book clicando aqui.

 

 

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“Correndo com os Etíopes” – LANÇAMENTO! (e-book)

É com enorme prazer que trago a vocês o resultado de duas viagens que mudaram completamente a maneira como eu enxergo a corrida! Falei já algumas vezes: fui à Etiópia esperando confirmar algumas (muitas?) de minhas teorias. E o que encontrei lá foi diferente e muito mais do que isso!

Atravessar um oceano e passar alguns dias longe de tudo (com pouca internet e pouco tempo para trabalhar à distância) não é para muitos. Então essa foi minha maneira de tentar dividir com vocês parte desse privilégio e do que aprendi por lá.

Sempre fui avesso à ideia de escrever um livro sobre corrida. Sim, este não é meu primeiro, então tentei agora ser menos professoral para explicar como um dos países mais pobres do mundo, até então sem tradição alguma em esportes olímpicos, adotou a corrida de longa distância e a dominou.

O que faz dos etíopes tão especiais, tão vitoriosos e vencedores? Como muitos já tentaram explicar, fui até lá, ver, sentir, vivenciar. Minha tarefa é nesse livro com as palavras tentar fazer dessa experiência algo também agradável a você.

Está convidado!

Vamos “rodar” comigo?

O livro Correndo com os Etíopes em versão digital (e-book) você encontra à venda aqui!

*mais informações sobre “Correndo com os Etíopes – O mergulho dentro da cultura da corrida do país que produziu alguns dos maiores corredores que o mundo já viuvocê encontra aqui.

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