Leituras de 2a Feira

Steve Prefontaine, o maior ícone do atletismo americano na história, aos olhos de Galen Rupp. Lindas imagens!

A Economia Comportamental vai à Corrida! Se você ainda não leu, pode fazê-lo desta vez no blog do Grupo de Estudos de Economia Comportamental da FEA-USP.

O papo é meio nerd, mas sabia que a conversão de milhas a quilômetros pode ser facilitada pela sequência de Fibonacci?

 

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Um texto novo do Alex Hutchinson vem nos reforçar de uma informação que não é nova, mas por muitas vezes subestimada. Basicamente ele nos lembra que os amadores (ou os mais lentos dos amadores) treinam mais leve os treinos fortes e mais fortes os treinos leves. O que faz a elite? Treina leve quando é (muito) leve e forte quando é forte. Parece algo básico, não é. Vou repetir o que disse um bom tempo atrás em ”Treinandus poucus, Demasiadus papus”: Sem migué! Tiros de 1.000m são tiros de 1km, não de 950m. Pausa de 1 minuto são 60 segundos, não 1 minuto e meio. No treinamento de corrida de longa distância, respeito à pausa é FUNDAMENTAL. De certa forma, manipulando as pausas eu consigo fazer alguns treinos do Kenenisa Bekele. Mas ainda que mexendo livremente nas pausas eu NÃO consigo sequer chegar perto dos treinos dos fisiculturistas finalistas do Mister Olympia ou do velocista Justin Gatlin. Reforço: as pausas na longa distância são cruciais. Ou seja, se você termina seu tiro 50m antes, você está também dando migué porque mexeu na pausa. Engana a si mesmo.”

Ainda no mesmo texto “é fácil ser ‘guerreiro’ uma vez por semana, ou pior, alguns tiros de um treino na semana”. Complicado é fazer força quando temos que fazer força. E naquele comportamento meio machoman, sair acelerando em treino leve. Tive MUITOS colegas de treino assim… que davam migué um dia e no treino leve aceleravam para desespero justamente de quem fazia certo. Uns nem fazem por maldade, óbvio! Muitos são só inexperientes. É muito mais gostoso correr leve. E mais gostoso ainda conseguir correr mais rápido do que o leve programado. Aí entra o papel do treinador. Nisso caio em um (ótimo) livro que estou acabando de ler. Em GRIT, Angela Duckworth bate na tecla da dedicação, mas também no propósito. Você pode correr 10km todo dia. Para a saúde é bom, mas não é ótimo. Se falamos de desempenho, está longe de ser ótimo, muito menos sequer bom. Existe (olha a palavra aí!) um propósito pelo qual se corre forte (poucos dias) e leve (a maioria deles). Ou como diz a célebre frase sobre treinamento de maratona de Michael Joyner: corra muitas milhas, algumas delas acima da sua velocidade de prova e descanse de vez em quando. Por isso também que o princípio do Run Less, que já me perguntaram aqui, considero uma bobagem sem tamanho porque ataca o mais básico do básico: correr leve é predominante quando falamos de provas longas. Aqui o belo texto de Hutchinson!

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21 pensamentos sobre “Leituras de 2a Feira

  1. Rafael disse:

    Concordo com o texto,
    testei um tempo o princípio do run less, e não tive bons resultados. Foi bom, serviu como aprendizado.

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  2. Julio Cesar disse:

    Sobre tiros, outro dia tinha um rapaz na pista fazendo tiros de 1.000… Só que ele estava usando GPS e olhava pra ele a cada 20 segundos.
    Em todos os tiros ele parava uns 50 mt antes da marca dos 1.000 mt… não é nada não é nada mas dá no mínimo uns 9 segundos de diferença..

    Eu até ia falar com ele, mas deixei pra lá né…

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  3. Julio Cesar disse:

    Sobre o FIRST.. eu tenho o livro e já usei este método.

    O que me parece crucial neste método são os dias off de corrida, onde se deve fazer outra atividade aeróbica, que aliás nem é tão curta e leve assim.

    Se não fizer a atividade no dia OFF realmente o método vai ter poucas chances de funcionar, pois 3 treinos por semana é pouco para quem quer melhorar tempo.

    Um ponto interessante é que este método pode servir melhor para atletas com idade avançada, como eu, onde a recuperação dos treinos fortes é muito mais lenta.

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  4. Antal Varga disse:

    Balu, eu tenho uma questão com relação ao treino de tiros. Minha rotina é bem simples: terças e quartas feiras eu corro 15 km, sendo que nas quartas, 5 km dos 15 km são em ritmo desconfortável. Nas sextas corro 20 km e nos domingos de 20 à 35 km. Confesso que não sou muito fã de tiros, muito menos de dar voltas mas…. surgiu uma oportunidade.
    Minha esposa trocou de CNPJ pagador e no clube da nova empresa existe uma pista de atletismo de ~400 m ao redor do campo de futebol.
    Estou pensando em fazer um dos treinos de terça ou quarta nesta pista com tiros variados (200, 400, 800 m). Considerando que meu foco é muito mais resistir às agruras das Maratonas do que propriamente corrê-las rapidamente, qual a sua opinião sobre o valor dessa oportunidade ?
    Uma outra pergunta off-topic é: existe alguma ultra de 50 km no Brasil além da Super Maratona de Rio Grande e que não seja de montanha/trail ?

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  5. aleef456 disse:

    O David Roche, treinador de trail running do USA, martela demais sobre isto que você escreveu. E basicamente usa de mantra consigo, com seus leitores e com seus atletas. Para correr rápido, você precisa correr devagar, para correr forte, você tem que correr leve.

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  6. Luis Oliveira disse:

    Não tem nada com o seu texto, mas eu tenho uma curiosidade danada (e diversos comentários vão nesta direção): por que a gente escolhe fazer as provas que a gente escolhe? Eu nunca correria uma ultra que fica dando volta em um Lago, mesmo um grande, como em BSB. Acho loucura mesmo. Mas entendo que não estou em posição de criticar ninguem, pois faço triathlon, que tem alguns dos percursos mais enloquecedores de chatos. Alguma ideia?

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    • Danilo Balu disse:

      Provas distância ou local?

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    • Antal Varga disse:

      Luiz, pelo que entendi a Volta ao Lago é “só” uma volta…de 100 km. Então não é chata, é longa….bastante.

      Curtido por 1 pessoa

      • Luis Oliveira disse:

        Pareceu um pouco mais interessante, Antal. A chatice ficaria então só para a paisagem de BSB (ops)

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      • Danilo Balu disse:

        Eu acho que a pessoa tende a gostar de correr… Aí o local vira coadjuvante.

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      • Antonio disse:

        Posso estar errado, mas se achava que daria pra “ficar dando voltas” no lago paranoá, não deve saber como são diversas e bonitas as paisagens.

        Venha conhecer no ano que vem! Essa prova eu só não fiz quando fui atropelado na semana anterior, imperdível pra mim

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      • Luis Oliveira disse:

        Eu sabia que o pessoal de BSB iria ficar chateado. Me desculpa, Antonio, nada contra. Já fiz uma prova de triathlon alí no Lago e pareceu mesmo um lugar bacana, embora eu não tenha noção do tamanho. E que pena que tu não pode fazer a prova (motoristas de BSB, mas não de lá, me deixam nervoso).

        Balu, eu acho que é um pouquinho mais complicado. Pode ser um coadjuvante, mas é um coadjuvante importante. Do contrário não teriamos só a Volta da Ilha, a Bertioga-Maresias, a Glasgow-Edinburgh… Teríamos, por exemplo, a Osasco-Guarulhos, passando por toda a Marginal do Tietê. A vida é muito curta pra correr em lugar feio.

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  7. Antonio disse:

    Nem chateado, nem precisa se desculpar.
    O atropelamento foi há dois anos, correrei, felizmente sem sequelas!

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