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A tara por “recuperação”

OU AINDA: essa é talvez a maior prova da não-compreensão da dinâmica do treinamento por parte de corredores e nutricionistas.

 

Acho que não há UMA sessão de perguntas em meus stories que eu não receba: “fazer/tomar X acelera a recuperação?

Vamos lá… Vou contar uma história real e bem didática. Uma das melhores corredoras amadoras que eu já treinei tem namorado que corre na mesma pegada, mas treina com assessoria. Um dia ele teve que faltar no treino de 5a feira. Ao fazer o longo no sábado ele se sentiu bem. Melhor que ela! Qual a conclusão que ele tirou? Que se ele NÃO treinasse mais às 5as feiras ele faria melhor os longos. Dito e feito. Jantou ela em todos os longos. Lá pelo 30km em Boston sua namorada (treinada por mim) o ultrapassa. Ele não tinha mais condições. Por meses ele treinou MELHOR aos sábados, porém, treinou MENOS no período.

Dos corredores que eu conheço não deve haver UM POR CENTO que precise de qualquer artifício pra recuperação. Se você acha que precisa se recuperar porque treina 4x na semana deixa te falar algo que seu treinador por um motivo óbvio não pode te dizer: você ganha de UM golzinho do seu “eu” que fica na rede (4×3)… Você tem que ter VERGONHA de achar que precisa de algo, filho!

O que um treinador mais quer é esmagar, é escovar, é mastigar o atleta porque é na RETIRADA dessa carga que a mágica acontece. Você não precisa fazer nada, é só retirar. Um atleta treinando cansado AUMENTOU sem saber sua carga de treino. É na IMPOSIÇÃO do estresse que há a sinalização para a adaptação.

Sempre que vejo um corredor tomando pós-treino prescrito por Nutricionista IPI eu penso: coitado, se esforça tanto e ainda não entendeu nada…

O objetivo do treinamento NÃO é e NEM PODE ser TREINAR bem! A tara por recuperação é o mesmo que achar que correr na descida é melhor do que na subida porque a média de ritmo ficou maior! É o não-entendimento do TODO.

O processo do treinamento tem que ser visto em seu significado… como PROCESSO. Quando você acha que tem que estar BEM e TREINAR bem (recuperado) é sinal claro de que você não entendeu absolutamente nada…

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Uma aulinha básica e gratuita de Fisiologia…

Uma das maiores lições que tive na corrida foi – como sempre – na prática. Na minha preparação pra uma Maratona adotei alguns treinos do Jack Daniels sem entender muito bem. É assim (e recomendo pra qualquer corredor mais rápido, na casa das 3h00, com ambições na Maratona):
 
2km Aquecimento
3x3km no Limiar
Desc.: 2’30”
1h30 Rodando
 
Ou então:
 
Aquecimento
2x3km (Limiar)
1h00
3x1km (Limiar)
 
Nesses dias meu relógio parecia trabalhar diferente… eram os 60-90min mais longos da vida! Porque eu entrava na MESMA sensação de desgaste de um longo de 30km só que DOIS dias depois eu já estava treinando novamente em alto nível! Porque há um desgaste mecânico MUITO menor.
 
Funciona assim. O gráfico desse post mostra a concentração de glicogênio muscular antes e depois de algumas sessões de treinos. As curvas mais acentuadas, mais verticais, ou seja, que causam perdas de glicogênio em MENOS tempo são de treinos MAIS intensos.
 
E aqui vou dizer algo que nenhum nutricionista esportivo nunca vai entender, porque não estudam nem entendem de esporte (nem os que dão aula em faculdade): o objetivo agudo do treinamento na longa distância NÃO é correr mais e/ou melhor. Se fosse isso, levaria meus atletas pra correr na descida de patins.
 
O objetivo maior do treino é EXPOR o corpo a uma situação de baixa disponibilidade energética (de glicogênio, que é a parte finita, gordura nunca é, então esquece a m&rda do TCM) pra que NA “AUSÊNCIA” de glicogênio o corpo SE ADAPTE e busque ele alternativas (melhor queima vinda da gordura).
 
Quando você fica ingerindo carboidrato DURANTE e mesmo ANTES (pré-treino) você IMPEDE que o corpo entre JUSTAMENTE no estado que o treinador mesmo sem muitos saberem MAIS quer!
 
Em minha preparação para minha única ultra remodelei e recomendo. Como? Eu ia ao studio do Léo Moratta, fazia treino de cerca de uma hora de kettlebell para SÓ DEPOIS sem ingerir NADA na sequência ir rodar. Meu objetivo NÃO era fazer longo “bem”. NUNCA foi. O objetivo é ENSINAR o corpo a correr (rápido) na AUSÊNCIA de substrato.
 
É isso que o Nutricionista IPI NUNCA vai entender (pois IPI) sobre NÃO suplementar ou treinar em jejum!
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Live/Palestra Beneficente: Como emagrecer (CORONAVÍRUS)

Amanhã (3a feira 02 de junho) às 19h00 vou realizar uma live 100% beneficente em forma de palestra interativa (aberta a perguntas)! Tema? COMO EMAGRECER fazendo diferente de tudo que já te disseram!
Todo o valor arrecadado com as inscrições será revertido em prol ao Fundo Emergencial para a Saúde – Coronavírus Brasil. A aula terá duração de cerca de uma hora e será transmitida via YouTube (em link fechado compartilhado com os inscritos duas horas antes). Para ajudar é bem simples! Basta se inscrever neste link aqui.
São apenas R$50 que podem fazer a diferença a quem precisa! Posso contar com sua ajuda??
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As mentiras que nos contam…

Não sei vocês, estou me divertindo (e me emocionando) com o The Last Dance (Netflix). Uma das coisas que a gente sempre especula na faculdade é como seria a rotina dos melhores do mundo… devem fazer fisio preventiva, profilaxia, devem seguir o que os nutricionistas esportivos tanto pregam por aí… pffff…

No meu tempo de faculdade era um mundo de pouco fluxo de informação, baseado em desejo, teoria e especulação. Aí você vai conhecer a realidade…. A experiência que eu tive até hoje acompanhando e ouvindo é essa do The Last Dance

Para quem não viu ou nem vai ver a minissérie, ela revela jogadores da principal liga de basquete do planeta (NBA) terminando jogos decisivos. O que acontece? Gelo? Botas pneumáticas? Lanche com proteína 4:1 carboidrato? Não… charuto, cerveja, vestiários sem cuidados…

Futebol? Idem. Minha experiência com atletismo? Idem. Handebol, rugby, natação, ciclismo…? Idem.

AH O AMADOR… como é fácil iludi-lo… Basta dizer você DIZER o que supostamente prós fazem para eles (literalmente) comprarem a ideia (pagando bem)…

 

p.s.: os melhores com quem treinei e competi faziam (e fazem!) coisas INIMAGINÁVEIS após os treinos… e andavam na frente… já os que andam lá atrás…. nossa… que vida triste… que morte horrível.

p.s.2: mas esses caras treinavam horrores…. igual um cachorro!

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Obesidade e aposentadoria no esporte – parte 3

Ontem trouxe aqui o caso do ultramaratonista Michael McKnight que correu 160km à base de água e eletrólitos, o que vai na contramão das diretrizes nutricionais esportivas, que são fundamentadas em muita fé, pouca prática e nenhuma observação. Hoje lhes trago Marshal Yanda, um dos melhores guards da NFL.

Yanda se aposentou de um esporte que exige uma montanha de músculos. Muito acima do peso de um não-profissional, do que é saudável, ele decidiu perder o excesso de gordura. Em 3 meses o ex-jogador perdeu 30,5kg. Bom, né? Vamos ver como?

Na imagem 2 desse post eu coloco sua dieta típica de jogador e a adotada pra derreter o excesso de gordura. A base da Nutrição estabelece que nosso peso é fruto do balanço calórico. Gaste mais do que consome e você emagrece, coma mais, engorde. Ou seja, trata as calorias como IGUAIS, seria QUANTO comemos e não O QUE comemos.

O problema: associação não é necessariamente causa. Se você perguntar ao meu professor na USP que ainda fala essas bobagens por que sua sala tem gente, ele dirá que é porque entrou mais gente na sala do que saiu e não necessariamente a CAUSA de termos que estar lá (assinar a lista porque ninguém merecia ver aquilo). Entrar mais gente que sair foi uma CONSEQUÊNCIA da real CAUSA (termos que estar presentes lá pra ter presença).

Você pode argumentar: “Balu, a dieta pós-NFL tem menos calorias”. SIM, tem! Até meu ex-professor acertaria essa. A Física e a Matemática estão certas! Energia não vira esperança (apenas quem pede pra comermos carboidrato complexo acha isso!). Mas repare no que vai em amarelo. São alimentos ricos em carboidrato. Yanda decidiu por cortá-los da dieta e é a retirada deles (e NÃO das calorias!) que dá condições ao corpo para que se queime gordura! O motivo: é com baixos níveis de insulina que ocorre a lipólise. Isto está em qualquer livro vagabundo de fisiologia, mas as faculdades fingem não estar.

Repare o que vai ainda em lilás. Yanda cortou um shake/smooth (“calorias líquidas” dão baixa saciedade) e antecipou sua última refeição, aumentando o jejum, que é o MELHOR jeito não-medicamentoso de se diminuir os índices de insulina possibilitando assim: (sim!) acesso às reservas de gordura (que ele quer queimar)!

Se ele cortasse igualmente as calorias e não os carboidratos, ele ainda teria níveis elevados de insulina, não tendo acesso à gordura corporal e assim teria fome! É o que acontece quando você segue a dieta padrão do Nutri-Nesfit. POR ISSO ninguém a segue por mais que poucas semanas e POR ISSO que a profissão é um fracasso, já que o histórico da dieta hipocalórica é de redundante fracasso.

p.s: Yanda cortou ainda parte do consumo de gordura porque um corpo high-fat como ele era não precisa de gordura exógena… ele assim precisa é ser low-carb para ter acesso, para poder queimar o high fat corporal.

p.s.2: já escrevi duas vezes sobre NFL, obesidade e aposentadoria… a primeira aqui e outra vez também usando um exemplo prático aqui.

 

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