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Uma aulinha básica e gratuita de Fisiologia…

Uma das maiores lições que tive na corrida foi – como sempre – na prática. Na minha preparação pra uma Maratona adotei alguns treinos do Jack Daniels sem entender muito bem. É assim (e recomendo pra qualquer corredor mais rápido, na casa das 3h00, com ambições na Maratona):
 
2km Aquecimento
3x3km no Limiar
Desc.: 2’30”
1h30 Rodando
 
Ou então:
 
Aquecimento
2x3km (Limiar)
1h00
3x1km (Limiar)
 
Nesses dias meu relógio parecia trabalhar diferente… eram os 60-90min mais longos da vida! Porque eu entrava na MESMA sensação de desgaste de um longo de 30km só que DOIS dias depois eu já estava treinando novamente em alto nível! Porque há um desgaste mecânico MUITO menor.
 
Funciona assim. O gráfico desse post mostra a concentração de glicogênio muscular antes e depois de algumas sessões de treinos. As curvas mais acentuadas, mais verticais, ou seja, que causam perdas de glicogênio em MENOS tempo são de treinos MAIS intensos.
 
E aqui vou dizer algo que nenhum nutricionista esportivo nunca vai entender, porque não estudam nem entendem de esporte (nem os que dão aula em faculdade): o objetivo agudo do treinamento na longa distância NÃO é correr mais e/ou melhor. Se fosse isso, levaria meus atletas pra correr na descida de patins.
 
O objetivo maior do treino é EXPOR o corpo a uma situação de baixa disponibilidade energética (de glicogênio, que é a parte finita, gordura nunca é, então esquece a m&rda do TCM) pra que NA “AUSÊNCIA” de glicogênio o corpo SE ADAPTE e busque ele alternativas (melhor queima vinda da gordura).
 
Quando você fica ingerindo carboidrato DURANTE e mesmo ANTES (pré-treino) você IMPEDE que o corpo entre JUSTAMENTE no estado que o treinador mesmo sem muitos saberem MAIS quer!
 
Em minha preparação para minha única ultra remodelei e recomendo. Como? Eu ia ao studio do Léo Moratta, fazia treino de cerca de uma hora de kettlebell para SÓ DEPOIS sem ingerir NADA na sequência ir rodar. Meu objetivo NÃO era fazer longo “bem”. NUNCA foi. O objetivo é ENSINAR o corpo a correr (rápido) na AUSÊNCIA de substrato.
 
É isso que o Nutricionista IPI NUNCA vai entender (pois IPI) sobre NÃO suplementar ou treinar em jejum!
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Kiev, Brad Pitt e Hipocrisia

Ontem revi pela enésima vez “Guerra Mundial Z” (vejo todos os filmes com o Brad Pitt, não pelos motivos pelos quais mulheres assistem). No começo há um pedido: a OMS pede que todos fiquem em casa e não saiam, pois uma vacina está em pesquisa. A vida imita arte, não? Mas Brad Pitt tem que sair às ruas pra nos salvar.

Essa semana vi ainda o documentário “Winter of Fire” que reconta os protestos na capital ucraniana entre novembro de 2013 e fevereiro de 2014. Por cerca de 100 dias a população acampou na praça central pra lutar pelo fim de uma ditadura que se formava. Resultado: 100 mortes.

Não seria mais fácil “ficar em casa” protegendo a vida dessas 100 pessoas? Teria ditadura? Teria, mas veja bem… fique em casa!!!!

No debate de correr sem máscara uma coisa me chama a atenção: quem argumenta contra a prática não tem NENHUMA boa índole (pode até ser ignorante, Boa índole? NÃO!). Essa pessoa, quando o faz publicamente, apenas e tão somente está exercendo SINALIZAÇÃO DE VIRTUDE. Ela é apenas uma pessoa tentando disfarçar uma patológica VAIDADE (ou ignorância) como se fosse empatia ou desapego.

Reforço: a pessoa que fala pra não correr sem máscara em prol do bem comum TEM QUE se comprometer a NÃO correr sem máscara até o fim do ÚLTIMO caso de COVID! Do contrário nós saberemos que ela NUNCA fez isso por bondade, mas apenas e TÃO SOMENTE por marketing pessoal. Se correr com UM caso de COVID no Brasil essa pessoa é FALSA.

Uma pessoa REALMENTE boa não faz algo bom porque a lei assim determina, mas porque ela ACREDITA ser o certo a fazer! Se correr sem máscara pode matar alguém, a máscara pode ser encostada SÓ quando o ÚLTIMO caso for curado! POUCO IMPORTA a lei!

Ninguém faz posts no Instagram sobre todas as leis que ela obedece. Isso não faz sentido! A pessoa faz post no Instagram sobre uma lei que ela segue quando ela quer MOSTRAR aos outros, faz isso quando o post serve apenas a UM PROPÓSITO: marketing pessoal.

Sabemos que quem posta “não corro/ não corra” não é bondoso na concepção da palavra, é apenas alguém fazendo marketing pessoal em meio a uma tragédia. Isso pega mal e ainda fica tudo registrado.

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Eu sou especial!

O Rodrigo Bomeny (médico) ontem postou a seguinte frase: “Você não é a exceção, você é a regra”. NADA é pior ao marketing do que você NÃO dizer ao seu cliente que ele é especial. Ele quer pagar MAIS para alguém JUSTAMENTE dizer isso a ele!

A Nutrição e o Treinamento recorrem insistentemente em duas falácias: de que todos precisamos de uma dieta individualizada e de um treinamento individualizado. Torne um problema complexo, venda a solução. NUNCA demonstraram estarem certos, mas essa é a base da argumentação.

O tempo nos mostrou (e o tempo é a MELHOR ferramenta e variável de análise de segurança) que população humana INTEIRA sobrevive com saúde se alimentada de uma MESMA dieta base (composta por alimentos naturais à espécie). Não chega a 100% por causa dos intolerantes (ex: glúten ou lactose), de algumas doenças particulares (ex: diabetes 1), etc.

Mas é ruim pro marketing, então grite sem provas: “todos precisam de dietas individualizadas”.

Com Treinamento é igual. TODOS os meus clientes fazem o MESMO treino. Dos 5km à Maratona. Falo isso porque sou bobo? Pode ser, mas é mais honesto. Se eu dissesse que monto treinos individualizados corro o risco de se encontrarem e descobrirem que não são. E se acharem que minto, nunca mais compram minhas ideias.

 

O EFEITO “ACIMA DA MÉDIA

Um estudo clássico encontrou que 88% dos motoristas acham que dirigem acima da média. Mas como pode?! Somente 50% dirigem melhor que a média. De cada 100 que fizer 4 a 5 tiros de 1500m em ritmo de 10km, teremos que 99% desses corredores irão melhorar o desempenho (isso é feito desde os anos 60). De cada 100 pessoas 30kg acima do peso que passar um tempo fazendo Dieta Paleo teremos que 99 perderão um bom peso de forma saudável.

O problema é: nosso ego quer nos fazer acreditar que não somos o 99%. Queremos ouvir que somos o 1%. Eu sou especial e único. Minha mãe sempre me falou isso! O problema é que eu acreditei.

E eu vou literalmente pagar caro por isso, pois não faltará profissional da saúde que pegue na minha mão e diga: vem aqui, que vou fazer um plano individualizado para você. De Treino e de Dieta.

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Um pouco de história de biomecânica

Já que vocês gostam de divagar sobre biomecânica nas perguntas, vamos trazer um pouco de história? Semana passada em bate-papo pro podcast (que ainda não foi ao ar), o Fabio Pierry quando perguntado sua opinião sobre o que explica o crescimento da corrida em Balneário Camboriú disse: o Instagram. TODOS rimos. Toda piada parece explorar um fundo de verdade.

Por que as pessoas querem TANTO correr bonito? Pra melhorar? Lógico que NÃO! Tiros de 400m fazem melhorar MAIS que QUALQUER educativo ou suplemento. Mas dói, incomoda. É o Instagram!

Eu sempre falo aqui que acho bobagem educativos em corredor amador por 2 motivos. É total falta de foco e totalmente improdutivo. “Não se ensinam pássaros a voar”, mas o acadêmico acha que precisamos ensinar alguém a correr. A foto que ilustra o post tem na esquerda a imagem em uma ânfora datada de 4 séculos antes de Cristo.

Vemos nela a reprodução de alguém correndo retratada puramente com a MEMÓRIA de um pintor que não tinha CREF nem diploma. Será que Bolt se inspirou na ânfora? Ou seguiu a escola egípcia sem tradução no atletismo? Ou ele apenas CORREU?

Correr é 100% natural, competir com regras não. Vamos à história.

Cerca de 150 anos atrás um australiano percebeu que largar em 4 apoios trazia vantagens e após isso o mundo todo copiou na velocidade (só um desavisado Peter Snell largava de 4 nos 800m em Roma/1960). Depois disso houve RARÍSSIMAS mudanças técnicas. Na primeira metade do século passado os velocistas corriam desde a largada olhando pra frente. Na segunda metade percebemos que era melhor por até cerca de 40m correr olhando pra BAIXO. E só.

Um bom treinador sabe que velocistas correm DIFERENTE nas pistas de carvão (até Tóquio/1964 era esse o piso) e nas sintéticas (tartã). Correm DIFERENTE com sapatilha ou com tênis. (*muda se puxa mais que empurra, aumenta tempo de contato, etc)

E só!

Ah o relaxamento o Bolt…” BOBAGEM! Wyomia Tyus dançava na largada em 64, Tommie Smith falava disso já em 68… Mudou pouco, bem pouco.

Dá pra melhorar a técnica? Dá, lógico! Inventar a roda? Já talhavam a roda com pedra antes… é mais simples do que parece. Não problematize.

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O que o Cócoras nos fala sobre o mundo da corrida…

Os amadores migram rotineiramente entre algumas insistências, manias, como se tivessem descoberto o Santo Graal da corrida. Buscam a alquimia que transformaria chumbo em ouro porque garimpar com uma picareta dá trabalho. Dá mesmo! Por isso também encontrar ouro enriquecia!

Palatinose, educativos, suco de beterraba, BCAA… Repare: há SEMPRE alguém VENDENDO a solução. E quando ela não é palpável (ex: educativos), o vendedor a torna complexa pra ser o intermediário que dará o atalho, igual um coiote de fronteira que foge no meio da noite porque NÃO irá entregar a promessa!

O Thadeu Miranda falou um negócio brilhante pra mim: “vivemos tempos estranhos, da complicação e metodolização de coisas que até um cachorro é capaz de fazer sozinho”. SIM, eu não preciso calcular necessidade hídrica de um labrador, por que preciso fazer pra corredor??

Ele segue: “somos ainda muito pautados pelo positivismo, tudo que é natural e funciona parece que acreditamos que se sistematizado será melhor”. Perfeito! Nutricionista ADORA fazer cálculo assim seja porque NÃO entende, seja porque te APRISIONA (sempre recebendo, lógico) seja porque acha que estruturar apresenta vantagens. Não, NÃO apresenta.

 

Andam me perguntando sobre “treinar” cócoras! Isso NÃO existe! Cócoras é sobre CONSEGUIR chegar e sustentar uma posição NATURAL ao ser humano. Você não treina isso, você pratica para RECUPERAR um gesto que é NATURAL e se perde o no mundo moderno. E se você NÃO chega à naturalidade envolvendo duas das três articulações mais importantes na corrida é porque há algo de MUITO errado.

Acabei ontem um desafio proposto pelo Léo Moratta que é ficar 30 minutos seguidos por 30 dias seguidos de cócoras. Sem folga! Dói! Visitar o desconforto o nome já diz… exercício, jejum, restrição de carboidratos… TUDO vem com… desconforto! Sou mais uma vez grato ao Léo porque sem ele “individualizar” (BULSHITAGEM DESGRAÇADA) o resultado foi surreal!

A extensão ótima da passada na corrida não se consegue VENDO imagens, fazendo educativos, mas tendo os RECURSOS (Mobilidade e Força) necessários!

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