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Livro novo na área?!? O VETERINÁRIO CLANDESTINO

É com enorme satisfação e alegria que venho até você, que compartilha muitas das minhas ideias, dizer que minha nova obra finalmente ganhou vida! Sou dono (ou como gostam de dizer, tutor) de duas cadelas.

Uma delas ficou obesa enquanto eu morava no exterior. Isso resultou em questionamentos, uma pós-graduação em Nutrição Animal e um livro que questiona tudo – absolutamente TUDO! – o que os especialistas acham que sabem sobre a silenciosa epidemia recente de obesidade em nossos amigos de 4 patas.

Em O Veterinário Clandestino faco questão de trazer estudos esquecidos, alguns escondidos, outros ignorados sobre como combater esse problema tão grave. Você irá se surpreender, eu te GARANTO!

Caso você queira saber mais, basta clicar e entrar no site do livro (e-book)!

http://www.oclandestino.com.br/veterinario

Muito obrigado!

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Sobre Corrida, Jejum, Ramadã e o delírio de não encarar a realidade

Faz questão de uns 4 anos que publicações de corrida voltaram a dar destaque a algo que se faz há décadas: correr (ou fazer qualquer exercício) em jejum. Há um motivo fundamental para isso: é que para se gerar conteúdo, esses canais fazem um loop infinito, tal qual as antigas revistas de adolescente, eles revisitam de tempos em tempos o mesmo tema, afinal, algo precisa ser postado e publicado sempre, não importa sua qualidade.

Impressiona o hábito e tamanha insistência equivocada dos veículos em chamar treinadores para falar de Nutrição. Há um detalhe aí: você não deveria tratar desse assunto com treinadores como consultores, uma categoria que não estudou isso de modo central em sua formação. É como convidar um médico para falar em revista de veterinária, ou ter um engenheiro civil falando de Física no portal. Eles até sabem um pouco, mas seu raciocínio é quase sempre por aproximação, incompleto, falho.

E aí os veículos completam ainda com outro problema: convidam nutricionistas que têm enorme talento para falar bobagens. Não vou citar, vocês sabem quem são eles. Eles têm colunas fixas, uma característica muito comum de quem sabemos não ser muito bom.

Talvez o cerne da questão é que quem deveria entender a teoria criando hipóteses observando o mundo real faz tudo no sentido contrário, ou seja, eles dão mostras de não entender absolutamente nada. Por décadas as pessoas fizeram (e fazem!) atividade física em jejum sem NENHUM grande problema. Alguém estabelecer uma diretriz nutricional diferente não transforma a realidade!

Indo muito mais longe temos que o homem pré-histórico tinha que ter PELO MENOS um desempenho MUITO BOM em jejum. Houvesse hipoglicemia, tontura, desmaio, fraqueza ou perda de massa muscular quando não comesse de 3 em 3 horas, o homem antes do advento da geladeira, do supermercado e do micro-ondas, teria desaparecido, não teria conseguido correr atrás de sua próxima refeição. Quando um predador corre perseguindo sua presa ele não alonga, nem come “uma porção de carboidrato e proteína magra” antes. Sua preparação é a necessidade e a vontade. Seu corpo foi construído para que ele possa fazê-lo, não importando a bobagem que diga o colunista especialista.

Porém, o profissional da Saúde atual parece viver em um mundo de fantasia. Delírio esse sabemos não ser exclusivo da categoria dos nutricionistas, uma visita breve a portais como o da Sociedade Brasileira de Medicina Esportiva prova meu ponto. Aquilo é uma sequência de bobagens feitas por iletrados no assunto Nutrição. *e aqui nem vou perguntar se aquilo é de graça ou entrega de alguma compra, não creditemos ao mau-caratismo o que pode ser apenas explicado pela incompetência mesmo.

Quando fui escrever o capítulo sobre jejum para meu livro O Treinador Clandestino, eu tinha dificuldades em encontrar estudos que explicassem a segurança e mesmo efeitos benéficos talvez exclusivos do jejum na corrida. Eu não precisei ir até a Pré-História nem ficar nesses textos de 2013 para cá. Aliás, usava esses textos apenas para saber o que era errado. Não falham nunca! E minhas buscas meio que por acaso caíram em um termo conhecido que me abriu um mundo. Não era ele fisiológico, era ele religioso. Mais precisamente o Ramadã.

Os muçulmanos fazem jejum religioso um mês por ano, comendo e se hidratando apenas entre o pôr e o nascer do sol. Este ano, como ele sempre muda, foi de 26 de Maio a 24 de Junho. Quando você observa o comportamento de atletas que fazem jejum (seja nos países islâmicos ou entre os religiosos espalhados pelo mundo) você observa que: não há queda de desempenho, não há redução nas sessões de treino, não há aumento do número de lesões nem aumento de ocorrências médicas entre praticantes.

E uma matéria recente da Dyestat me chamou atenção porque trata de algo que deveria já ter ser sido visitado por quem escreve no assunto: como é a rotina de alguns atletas muçulmanos durante o Ramadã. Ou seja, como é a realidade deles (e não o delírio dos especialistas) para lidar com seus treinos e competições sem poder comer nem beber absolutamente nada durante o dia claro?

Impressiona que mesmo entre atletas que precisam competir bem, ou seja, entre pessoas que não são meros participantes recreativos. Esses corredores ou competem em jejum ou quebram o jejum apenas em competições, não em treinos. E vale reforçar que o jejum religioso não possibilita sequer beber água. Já o jejum intermitente não-religioso é mais brando porque permite ao praticante se hidratar com água, chás e café (sem açúcar), e mesmo refrigerantes light/diet.

A alucinação coletiva de nutricionistas, médicos e treinadores que dizem que jejum compromete a massa muscular ou a segurança do atleta não sobrevive a uma pesquisa preguiçosa de estudos ou, reforço, do mundo real de décadas de atletismo ou de milhares de anos que não viram pessoas definhar sua massa muscular. Isso porque o jejum aumenta a liberação de adrenalina (maior atenção e maior queima de gordura) e aumenta ainda a liberação de GH (que promove a preservação de massa muscular, não à toa um hormônio muito utilizado nos anos 80 e 90 entre atletas que queriam se dopar).

Pois bem, essa questão de jejum é só mais um exemplo de como devemos primeiro olhar o que acontece, para só depois formarmos nossas hipóteses que expliquem a realidade. Gostem ou não, pratiquem ou não, acreditem ou não, o jejum (com ou sem atividade física) existe há milhares de anos. Estabelecer por diretriz que ele faz mal não o fará… nos fazer mal. Isso é apenas pensamento mágico! *para não dizer pensamento burro.

 

Lição de Casa

Você deveria treinar em jejum para correr melhor? Eu acredito que incluir algumas sessões leves em jejum pode ser muito beneficial, sim. Porém, é puro achismo. A minha aposta é porque jejum é uma quebra de homeostase, pivô no treinamento físico. Mas esse texto não é sobre DEVER, mas sobre PODER.

Então podemos treinar em jejum sem maiores prejuízos? A prática diz que não sendo sessões extenuantes em volume e/ou intensidade, que sim. E mesmo entre os habituados, até essas sessões podem ser feitas em jejum. Ou ainda, escrevendo em um modo um pouco mais mundano: não havendo fome, POR QUE DIABOS ter que comer antes de sair pra correr?!?

Mas nunca faltará “especialista” que em seu delírio ou ignorância no tema não vá tentar negar a realidade.

 

*como dito, no meu livro O Treinador Clandestino falo sobre corrida em jejum. Pouco falo disso no livro O Nutricionista Clandestino, mas eles estão sendo vendidos impressos em um combo com valor promocional, basta clicar aqui!

 

 

 

 

 

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Análise: O que diferencia quem corre Boston da média?

Faz um tempinho que estava querendo escrever sobre um levantamento feito pela Runner´s World em cima de dados de usuários do Strava que diferenciariam os maratonistas que fazem a Maratona de Boston (que exige um tempo de qualificação), da média dos demais corredores. Para começar, não custa reforçar que essa necessidade de um índice por si só já diferencia os corredores de Boston dos demais, eles precisam ser mais rápidos que a média! E é justamente essa característica que pode dar uma luz a quem deseja ser assim como eles: mais velozes nos 42km.

A análise é do tipo observacional, limitada pois. Feita com as 12 semanas de treinamento anteriores à maratona e com mais de 30.000 pessoas, pode indicar teorias, não necessariamente apontar causas que fariam alguém correr mais rápido. Mas isso não tira nosso interesse!

Não sabemos de detalhes metodológicos, mas por mais pobres que fossem os dados, as primeiras conclusões são meio que óbvias e de fácil aceitação: quem corre Boston corre mais volume durante TODO o período de treinamento, mais quilômetros na semana de PICO de volume, e mais VEZES durante as semanas!

Outra das conclusões pertinentes ao treinamento também me parece bem óbvia: os maratonistas de Boston correm em média em ritmo mais veloz que os demais. Isso parece ser muito mais uma consequência, não uma causa do treinamento. Eles são mais velozes, treinam em ritmo mais rápido. Não à toa por já SEREM mais velozes, eles conseguem obter o índice. Ou seja, eles correm Boston porque já conseguem treinar mais forte, NÃO que por correr mais forte por um simples desejo consigam seu índice.

E aí chegamos a duas outras conclusões mais interessantes!

A primeira é que quem vai para Boston variaria mais suas velocidades de treino. É difícil ver isso nos números dados, então é mais uma questão de crença. Mas repare: os homens que fazem a Maratona de Boston fazem apenas 15% de seus treinos em velocidade mais veloz que a do índice. Já os não-classificados fazem 57% do volume acima de sua média em maratona! O comportamento das mulheres foi similar: 23% (Boston) vs 64%. É um pouco difícil comparar laranjas com bananas. Quando você compara alguém mais veloz com alguém mais lento, um denominador comum não deveria ser uma velocidade fixa. Mas não é essa a lição a se tirar! O que poucos enxergam aqui é: os melhores corredores, os mais velozes, se diferenciam não pela quantidade de quilômetros feitos em ritmo forte, mas em um volume total (muito) maior, e esses treinos “extras” são feitos em velocidades mais baixas! Leão “qualquer um” consegue ser 1 ou 2 vezes na semana, mas e ser um dedicado nos demais 5 dias?

E por fim uma discussão que torna o tom acalorado para muitos: os corredores de Boston, os mais velozes e mais dedicados, tiram e postam 30% menos selfies que os corredores mais lentos! Os mais dedicados parecem trabalhar em silêncio e de modo mais focado! O que é mais irônico é que os qualificados (acima da média) possuem o dobro de seguidores! Sinal esse que desempenho de certa forma é um chamariz de seguidores, além de abrir a possibilidade de que esses seguidores talvez tenham o efeito de nos motivar a treinar mais forte.

*o que escrevi acima não é muita novidade para quem acompanha este blog ou já leu o livro O Treinador Clandestino (e aqui em e-book). A diferença é que está rolando uma promoção relâmpago para adquirir ele e o livro O Nutricionista Clandestino impresso! Os 2 sem frete, ou seja, frete GRÁTIS, por apenas R$103! Como? Clicando AQUI!

Danilo Balu.

 

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De homeopáticos e por que também não recomendo tênis

Soubemos dias atrás que remédios homeopáticos vendidos sem necessidade de prescrição nos EUA agora terão que conter um aviso dizendo que são baseados em teorias antiquadas “não aceitas pela maior parte dos médicos” e que “não existe evidência científica de que o produto funcione”. Outra particularidade que poucos sabem é que para você vender um suplemento nutricional você NÃO precisa demonstrar que ele serve para algo. Você precisa apenas demonstrar que ele é seguro no CURTO prazo! Nem sua composição é controlada devidamente. Ambos, homeopatia e suplementos, têm um mercado que ultrapassa a casa da centena de bilhões de dólares.

Faz um tempo que eu me pergunto o que aconteceria se do dia para a noite fosse exigido das fabricantes de tênis de corrida para que colocassem nas caixas dos tênis um aviso explicando que os alegados benefícios com controle de pisada, redução de impacto, de capacidade de amortecimento e redução de lesões são promessas baseadas em teorias antiquadas “não aceitas pela maior parte dos especialistas” e que “não existe evidência científica de que o produto funcione”.

tipos-de-pisadasAssim como aconteceu com o cigarro, ainda acho que um dia a indústria de refrigerante e açúcar vai começar a lidar com problemas judiciais de consumidores que não foram devidamente alertados do custo fisiológico de consumir seus produtos, já que são piores do que apenas calorias vazias.

Pois será que um dia a indústria de tênis também terá algo semelhante, uma vez que alega proporcionar benefícios que quase 40 anos de pesquisas ainda não econtraram resultados consistentes?

Essas eram ideias que compartilhava em conversas com o Alexandre Lopes, a quem convidei para escrever comigo um capítulo em meu livro explicando que redução de lesões, controle de pisada, amortecimento, arco do pé, drop… que tudo, absolutamente tudo o que a indústria promete e propagandeia, ela não entrega evidências mínimas de que sirva para algo em NOSSO benefício.

Pois ontem publiquei um vídeo postado pelo Sergio Rocha do Corrida no Ar no qual ele explica o porquê ele não indica tênis algum. Sem calcular comentei que concordava com 99,6% do conteúdo. E motoboys de treta me perguntam onde exatamente eu discordo. Se ainda não viu, antes de continuar você terá que ver o ponto de vista dele aqui.

Em grau bem menor eu também ficava recebendo muitas dessas perguntas. Acho que de tanto explicar meus pontos, hoje ninguém perde seu tempo me questionando. Tal qual o Sergio, gosto de tênis baixo, flexível, drop pequeno, leve e, principalmente, barato. Me distancio dele apenas quanto à questão do amortecimento. Ele gosta de pouco. Eu já vi cabeça de bacalhau, mas amortecimento e tipo de pisada ainda não. Então nem entra como quesito de compra para mim. Seguindo. Tal qual ele, não acredito na bobagem de tênis de acordo com prova e peso do corredor ou de quilometragem antes de trocar (estou atualmente correndo com um que está comigo desde 2011)… Essas teorias são de dar risada…

capa_treinador-clandestino_altaUma metáfora que ele usou é dizer que tênis bom é igual árbitro bom, você não o vê, é um mero coadjuvante. Pois meu único adendo é justamente na questão do conforto. Acho que o tênis tem que ser confortável apenas nas costuras e em não apertar seu pé. SÓ. Os corredores buscam tênis com solas macias e protetoras que atrapalham a técnica de corrida porque tiram um feedback sensorial fundamental. Correr é desconfortável. Fazer força na academia é desconfortável. Jejuar é desconfortável. Mas um desconforto assimilável é FUNDAMENTAL. É após o estresse que o corpo assimila a carga e se adapta. É com o estresse e o desconforto em NÃO ter muito suporte durante a pisada que o corpo encontra o melhor jeito para correr. Treinador ajuda, lógico. Mas ele NÃO compensa NUNCA um pé escondido em cima de um bloco de borracha porque seu treinador não dará o feedback sensorial ao qual você abriu mão. Era só isso.

Este post é uma explicação sucinta, eu sei. Se você se interessa no tema, me orgulho demais de ter escrito ao lado do Alê Lopes, o cara que para mim mais entende desse assunto no Brasil, um capítulo inteiro mostrando estudos nunca antes listados em uma publicação brasileira. Em O Treinador Clandestino está tudo lá! Era isso!

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Obrigado pela recepção!

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Em seu ensaio de 1973, Theodosius Dobzhansky, biólogo evolutivo ucraniano naturalizado americano, afirma logo em seu título que Nothing in Biology Makes Sense Except in the Light of Evolution (Nada na Biologia faz sentido exceto à luz da evolução). Danilo Balu discorre sobre o que deveria ser óbvio: um predador tem que sobreviver e ter, no mínimo, um bom desempenho quando em jejum. A primeira mutação em uma espécie que provocasse, digamos, hipoglicemia e tontura durante o jejum, a levaria à morte por inanição no dia seguinte ao seu desmame. Entretanto, teorias baseadas em suposições e wishful thinking, difundidas por profissionais com importantes credenciais e até mesmo suas associações oficiais, nacionais e internacionais de renome, invertem toda a fundamentação da Ciência. Para eles, os fatos devem obedecer à teoria e não o contrário. Mas esses são os fatos: quando um guepardo prepara-se para caçar, ele não come uma barrinha de cereal. Seu pré-treino é a fome, a gana de comer e vencer, numa caçada a 110km/h, a luta pela sobrevivência.

***

capa_treinador-clandestino_altaPoderia ter sido eu, mas somente o médico Erik Neves, um dos caras que mais respeito, poderia ter essa elegância de escrita e raciocínio. Espero que aqueles que se aventurarem em O Treinador Clandestino possam entender melhor o rumo do debate atual da corrida no Brasil.

Pude ainda contar com menções na Contra Relógio, no Webrun e no Sua Corrida. Além de participação em entrevista no Corrida no Ar!

Obrigado a recepção!

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