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Dicas de Nutrição? É só fazer o contrário do que diz a Revista!

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Há 40 anos estamos falando tudo errado, mas gostamos de dizer que a culpa é sua!

“No other area of the national health probably is as abused by deception and misinformation as nutrition” (White House Conference on Nutrition, 1969)

Todos sabem da importância da alimentação, que é necessário comer proteína, fibra, carboidrato, lipídios, minerais e vitaminas todos os dias. Contudo, existe uma enorme variedade de alimentos ricos em cada uma dessas substâncias”.

Difícil discordar do que está escrito no parágrafo acima. Ainda que contrarie uma regra fisiológica fundamental, da qual ainda falarei. É assim que começa matéria recente da Revista O2 sobre Nutrição. Até minha falecida avó, semianalfabeta, não discordaria. Mas… e no resto da matéria? Será que os “especialistas” convidados se sairiam melhor do que um chimpanzé jogando dados? Vamos ver?!? Bom, acho que já sabem o resultado porque o talento da revista em reunir “incompetentes do bem” quando o assunto é Nutrição é de uma tradição e competência enormes. Em frente!

“Para ajudá-lo na tarefa de acertar o relógio da sua alimentação, dividimos o dia em períodos e separamos algumas dicas do que você deve comer em cada momento”.

O “equilíbrio” que nutricionistas pedem não encontra paralelo no mundo real, apenas na fé…

Ainda que não esteja claro que haja ALGUMA ou REAL necessidade de dividirmos quais macronutrientes (proteína, gordura e carboidrato) comer em cada período do dia, a consultora da revista aposta que deve haver “periodização”. Aqui cabe uma reflexão. Na natureza e evolutivamente, nós e os demais animais nunca comemos “equilibradamente”, palavra que elas usam sem seguir NENHUM critério. É um delírio da Nutrição (e de muitos de seus profissionais) achar que temos que comer a cada 3-4 horas e todos os nutrientes. A biodisponibilidade das vitaminas tem épocas na natureza, os nutrientes não caminham juntos, e assim nosso corpo foi programado a conviver e a se desenvolver por milhões de anos. Mais do que isso! A não-linearidade na oferta e consumo de nutrientes é algo NUNCA estudado a fundo na Nutrição. Ainda assim, MUITO nutricionista incompetente do bem, como as 3 que citarei, não cansam nunca de repetir esse mantra que até o momento é uma enorme bobagem. No mundo real, ou seja, na natureza, o animal come carboidrato, OU come muita gordura com proteína. Ou: você consegue imaginar animais caçando e juntando o resultado seguindo um cardápio “equilibrado”? Reforço: Isso é um delírio da Nutrição naquilo que ela tem de pior, que é o de esperar que sua fé encontre suporte na realidade. A Nutrição repetidamente ignora milhões de anos de evolução para justificar muitas de suas diretrizes sem QUALQUER fundamento científico. É uma pena que não se faça uso rigoroso nem da Ciência nem da observação, mas apenas de muita esperança. A nutricionista não tem NADA que sustente sua recomendação sem apelar somente à boa fé. Vamos seguindo…

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Clique para ampliar e veja se ela acertou alguma coisa…

CAFÉ DA MANHÃ: (…) devido ao jejum noturno prolongado. É fundamental que o atleta consuma um café da manhã equilibrado, com alimentos de todos os grupos de nutrientes. (…) Para aqueles que se exercitam logo cedo, a preferência deve recair cobre os carboidratos de baixo índice glicêmico (IG). “Isso fará com que a energia seja liberada lentamente e, dessa forma, garantirá que todo o treino seja suprido com energia, preservando assim a massa muscular”, explica Vivian Ragasso, nutricionista esportiva do Instituto XXXXXXX. Além do carboidrato de baixo IG, o café da manhã antes do treino deve conter também proteína magra. Seguindo essas dicas, o atleta evita o catabolismo proteico (perda de massa muscular) e ainda garante melhor rendimento durante o exercício.

Esqueça essas bobagens ditas pela nutricionista Vivian Ragasso, pois ela acabou por inventar leis fisiológicas. Para ela, o café deve haver carboidrato para não prejudicar a massa muscular e deve haver ainda proteína, sempre magra!, talvez porque em um mundo paralelo a gordura deva trazer algum tipo de problema. A base? Não sei… é provável que nem ela saiba explicar. Mais para frente vou falar do porquê é de um non-sense pedir que se faça consumo de um nutriente não-essencial (carboidrato) logo cedo. A parte do “proteína magra” tem relação com a fobia que ela possa ter de gordura. Com esse raciocínio, a Sra Ragasso provavelmente deve achar que se você comer lentilhas, você fica verde.

A tese dela deve residir primeiro no equilíbrio. Para a matemática, 100 dividido por 3 dá 33,3%. Para ela dá 50-60%, 15-30% e 10-15%. Depois ela sustenta a ideia de carboidrato porque o corpo precisaria dele para se exercitar. Se assim fosse, não estaríamos vivos, o homem passou a ter supermercado e geladeira muito recentemente. Esquimós não têm carboidrato a cada 3 horas. NÃO é necessário NEM MELHOR ter carboidrato pela manhã para treinar (ou não). Mas… seria indiferente? Você verá que a Vivian Ragasso não erra pelo indiferente, pelo azar, mas ela sugere que você faça algumas das PIORES ESCOLHAS POSSÍVEIS. Ela é uma incompetente do bem porque quer fazer o bem, mas por ser incompetente no que faz, ela recomenda que você faça escolhas PÉSSIMAS, NOCIVAS e ERRADAS. Já explico mais!

O delírio de nutricionistas por lanches pós-treino não tem limites e se baseia em MUITA fé.

LANCHE DA MANHÃ: O ideal é comer dentro de intervalos curtos de 3 ou 4 horas. (…) Se você corre pela manhã, aí o lanche é obrigatório no pós-treino, com alimentos ricos em proteínas e carboidratos simples.

Vou atropelar a tara do incompetente do bem com a ideia da estratégia de comer a “intervalos curtos de 3 ou 4 horas”, já que não há NENHUM suporte para isso. Isso porque algo agudo, para o bem ou para o mal, pode ser o oposto no longo prazo. Consumir cocaína aumenta o desempenho imediato em algumas tarefas, enquanto fazer esporte DIMINUI nossa capacidade para outras atividades. Comer a cada 3 ou 4 horas NÃO implica ganhos no futuro! Se ela tentar provar, ela verá que seu único argumento será a fé. Mas é sabido que você não precisa ter fé no low-carb para saber do enorme estresse pancreático ao comer a cada 3 ou 4 horas seguindo as recomendações absurdas e estapafúrdias da matéria.

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Siga o café low-fat da revista e ganhe de brinde uma síndrome metabólica, que tal??

Essa dieta quebrada, um sonho do nutricionista de fazer nosso organismo funcionar como o desejo deles e não o da realidade, é recorrente. Você tem que comer quando tem fome, não quando o alarme do aplicativo do seu celular dispara. E se você treina pela manhã, você tem que comer quando… tiver fome novamente! Mas vamos direto à parte perigosa de dar atenção ao que a Vivian Ragasso fala: novamente não só a nutricionista inventa regras, como ela atropela a fisiologia. Já dá para dizer, a profissional em questão é uma incompetente do bem, isso porque ela quer ajudar, mas sem saber do assunto, ela sugere alternativas que não explica e que ela não tem como fundamentar.

Mas o mais importante, mais do que incompetente, as orientações da Sra Ragasso fazem mal. Ao dizer que “é obrigatório no pós-treino alimentos ricos em proteínas e carboidratos simples” ela faz um desserviço à saúde púbica de que a procura. Ela não só não conhece uma lei fundamental da fisiologia humana, que carboidrato é o único macronutriente NÃO-essencial ao ser humano, como parece desconhecer que o consumo de carboidrato simples está diretamente relacionado a um MAIOR risco cardíaco, à incidência de diabetes e/ou síndrome metabólica. Qualquer nutricionista que recomende a um indivíduo o consumo de carboidrato simples que não seja DURANTE uma competição de muito longa duração (>1h30), mostra que ele não sabe do que fala quando o assunto é esporte e/ou saúde. PIOR: ela pede que se faça, do ponto de vista da saúde, uma das piores escolhas possíveis.

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A esperança do nutricionista que ignora a realidade e pede que você coma “integral” como se isso por si só significasse esperança.

Seguir o que fala a revista aumenta o estresse pancreático, aumenta o risco de contrair diabetes, dificulta a perda/controle de peso e restringe o consumo de um alimento essencial (gordura) em prol de um alimento diretamente ligado à hipertensão e, novamente, diabetes. Ela acerta de tal jeito que basta correr para o outro lado! Muito provavelmente ela não sabe que a cada 150 calorias a mais de carboidrato simples aumenta em 11 VEZES o risco de diabetes. Pague uma consulta com ela e ganhe de brinde um retorno! Mas talvez você ganhe algo mais…

ALMOÇO: Assim como o café da manhã, o almoço deve ser equilibrado e conter alimentos que forneçam todos os nutrientes. De acordo com as recomendações de Vivian, é preciso ingerir carboidratos integrais, pois geram energia para conseguirmos realizar nossas tarefas na parte da tarde. (…) Na hora de escolher a proteína animal, a boa notícia é que as carnes vermelhas não precisam ficar de fora. Basta optar por aquelas que são mais magras.

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Seria interessante as 3 tentarem explicar onde uma dieta com tanto carboidrato pode ser boa fora de um conto de fadas…

A nutricionista Vivian Ragasso acerta em uma coisa porque se ela fala A, corra para o B. Sério! Nosso organismo além de não ler rótulos, não diferencia muito esse lance de “integral”, natural… Basta uma breve consulta para vermos que alguns alimentos integrais têm IG MAIOR do que sua contraparte “normal” (ou refinada). Na imaginação de muito nutricionista, a palavra integral mudaria a composição molecular do alimento, como se um carboidrato integral fosse virar, sei lá, “esperança”, e não açúcar no sangue! Novamente, a Sra Ragasso não só mostra desconhecer que o carboidrato é o macronutriente diretamente relacionado com diabetes como ignora que ao não citar ou restringir gordura, ela abre espaço para aumentarmos AINDA MAIS o consumo de carboidrato. Repare que já “estamos” na 3ª refeição do dia e ela não citou gordura. E do carboidrato ela definitivamente parece não saber de uma característica importante (desculpe a insistência): ele não é essencial ao ser humano. Porém, ainda assim, é a base da dieta que ela sugere. Ela desconhece que o macronutriente que ela sugere está diretamente relacionado com maior risco de doenças cardiovasculares e quando ela pede alimentos magros, por um passe de mágica ela sugere o quê? Que você consuma ainda MAIS dela.

Mas a culpa, dirá o nutricionista, é que VOCÊ vem comendo mal, não que a orientação é tosca...

Mas a culpa, dirá o nutricionista, é que VOCÊ vem comendo mal, não que a orientação é tosca…

Além disso, outro detalhe, sempre me divirto com uma frase que todo nutricionista incompetente do bem gosta de usar: “a dieta deve ser equilibrado e conter alimentos que forneçam todos os nutrientes”. Para essa turma, equilibrado significa “não coma gordura, e coma muito carboidrato”, ainda que… (vocês já decoraram, menos eles) ele seja um nutriente não-essencial e seu consumo (e não o da gordura!) está diretamente relacionado com maior chances de diabetes, maior risco cardíaco e síndrome metabólica. Alguém pode explicar a lógica?

LANCHE DA TARDE: Assim como o lanche da manhã, essa pequena refeição intermediária evita que o organismo fique muito tempo sem glicose. De acordo com a nutricionista Rute Mercúrio (…) se for comer depois das 17h. “Nesses casos, é bom retirar os carboidratos e preferir as proteínas e fibras”. Mas se o atleta ainda for praticar atividade física, ele deve dar uma reforçada no lanche, que deve ser rico em carboidrato, ter pouca gordura e uma quantidade moderada de proteínas magras. Caso o treino ocorra após 2 ou 3 horas do lanche da tarde, a nutricionista afirma que é bom incluir mais uma porção de alimento rico em carboidrato.

MUITAS das diretrizes da Nutrição se baseiam na teoria e na esperança, mas sem suporte da prática...

MUITAS das diretrizes da Nutrição se baseiam na teoria e na esperança, mas sem suporte da prática…

Para a 2ª parte do dia, a revista reforçou o time com outro incompetente do bem, a nutricionista Rute Mercúrio. Ela fala que não podemos ficar muito tempo sem glicose. Como é que é?!? A Sra Mercúrio não sobreviveria a uma aula de biologia evolucionista se ela soubesse que o homem, acreditem!, não teria sobrevivido até aqui se dependesse de glicose nessa frequência que ela diz. Vou repetir: a glicose é um nutriente não-essencial em nossa dieta. Quando será que irão ensinar isso nas faculdades de Nutrição? Ops! ENSINAM! Depois ela insiste que o cardápio pós-treino tem que ”ser rico em carboidrato, ter pouca gordura e uma quantidade moderada de proteínas magras“. De onde tirou isso? Está aí uma boa pergunta! Mas o ponto principal é: a revista convida para dar dicas duas pessoas que pedem que façamos uma dieta rica justamente no macronutriente diretamente mais correlacionado com doenças cardíacas, síndrome metabólica e diabetes! Mas ainda piora aguardem! Porém, quero colocar em perspectiva: se você sair perguntando para um papagaio desses de feira, ele tem mais chance de acertar do que qualquer uma delas, isso porque, sem saber, ele irá para a aleatoriedade, mas as duas nutricionistas não, elas acertam o errado em cheio!

Muito do que as 3 falam se baseia em fé, esperando que funcione. Mas sabemos o que acontecerá...

Muito do que as 3 falam se baseia em fé, esperando que funcione. Mas sabemos o que acontecerá…

JANTAR: Segundo a nutricionista Dione P. S. Silva, essa refeição deve preparar o corpo sem sobrecarregar o organismo, e repor os nutrientes e energias perdidos durante o dia. Alimentos ricos em gorduras também devem ser evitados, uma vez que tornam a digestão mais difícil. Já os carboidratos não podem faltar no prato, pois são importantes para repor os estoques de glicose nos músculos. Se a refeição for feita muitas horas antes de ir dormir, uma pequena ceia talvez seja necessária. Nesses casos, os alimentos sugeridos são iogurtes magros, leite semi ou desnatado, entre outros”, explica a nutricionista.

Agora o time está completo! Agora é a nutricionista Dione P. S. Silva que vem falar uns crimes. Ela também parece ter faltado em todas as aulas que falam que (até vocês sem fazer faculdade de Nutrição já sabem) carboidrato é um nutriente não-essencial e que ele está relacionado com incidência de diabetes, síndrome metabólica e risco cardíaco. Mais do que isso, ela sugere outro crime, que você consuma “laticínios magros”. FUJA de um profissional que fala isso! Ele está parado no tempo e fala o que lhe dizem, ainda que seja um erro. Laticínios magros está na mesma gaveta que adoçantes, é uma categoria de alimento que não deveria ser JAMAIS sugerida. Para um alimento desses ser magro a Sra Dione também deve achar que injetem esperança em seu lugar. Não! Ele ganha em carboidrato e muitas vezes ganha em adoçantes artificiais. Não é possível que em 2015 ainda haja nutricionista que sugira laticínio semidesnatado e saia impune…

É capaz que você tenha chegado aqui achando que não gosto das 3. Sinceramente? Não conheço e fiz questão de não jogar no Facebook para saber a minha relação com elas. Quando li essa matéria, só pensei uma coisa: um ENORME desserviço de saúde pública. Mas é um reflexo de três coisas em especial:

  1. O mundo paralelo no qual vivem MUITOS (maioria) dos profissionais de Nutrição;
  2. Total despreocupação do CFN com o que sai em púbico depois que você os paga;
  3. A idade da Pedra em que se encontra quem é consultado para falar com corredores amadores.

Eu não tenho absolutamente NADA contra a Revista O2, com quem já colaborei no passado, mas ao juntar 3 nutricionistas que falam TANTA besteira, eles só reforçam meu ponto: LEIA, e faça o contrário do que elas dizem, fazendo isso no escuro, é sempre mais seguro!

Ou fiquem com o que já falei e repito com certa tristeza, na saúde, jamais vá a um nutricionista. É mais seguro. Veja que uma revista especializada chamou 3 especialistas que gabaritaram ERRANDO. Se você fizer o diametralmente OPOSTO do que elas regam, você se sai melhor.

Seria interessante ver o que a Revista tem a dizer… enquanto esse dia não chega, esqueça as 3 e vá pelo modelo abaixo!

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Sobre Nutrição Esportiva e o Incompetente do Bem

Dias atrás fui comparado à Bela Gil. A comparação me é indiferente, não me soa como elogio nem como ofensa. Eu conheço bem a vida do pai, o cantor, mas desconhecia detalhes da Bela. Basicamente ela foi denunciada por não poder exercer a profissão de nutricionista. Acho que vocês já sabem o que acho da papagaiada corporativa na Nutrição e na Educação Física (aqui e aqui). As pessoas mais interessantes que escrevem sobre esses temas não pagam o nosso pedágio-pelego…

Não se engane achando que eu defendo que diploma seria bobagem. Não é! É um argumento muito pobre limitar-se a dizer que há gente diplomada incompetente e gente boa que nunca estudou. Mas no caso da Saúde, a coisa assume um ar preocupante porque você pode trocar de mecânico ou de assistência técnica com prejuízos apenas financeiros, sem prejuízo à sua integridade. Porém, quando uma categoria diplomada parece assumir uma posição no assunto corrida, acaba sendo sempre mais seguro irmos para o lado oposto. Isso é o preocupante!

Já falei disso quando foi com “jornalistas corredores” porque eles parecem ter um talento especial para escolherem juntos o lado errado. E a mesma regra funciona sobre revistas de corrida quando falam de Nutrição. A quem recorrer? A um profissional? Porém, isso está longe de ser garantia, ainda assim não falta quem defenda a tese furada.

2009-015-counting-caloriesA Revista Exame, por exemplo, trouxe uma matéria sobre mitos e verdades na corrida. Lá havia questões sobre Nutrição. Vamos ignorar o fato de que não há nada escrito no assunto originalmente em português pelas mãos de algum treinador que não cometa erros crassos e graves. Para alguém minimamente iniciado, não é necessário recrutar muitos neurônios para chegar às conclusões certas da matéria. Nisso o entrevistado não tem culpa. Mas há um trecho da fala que me incomoda muito.

O Renato Sobral é coordenador do curso de Educação Física de um tal IBMR. Para ele (friso meu em negrito), “a orientação especializada por um profissional de educação física é fundamental, pois (…) qualquer forma de exercício físico sem orientação traz riscos à saúde”. A frase do Sr. Sobral contém em sua essência necessariamente uma inverdade, da qual ele estaria ciente, ou um desconhecimento do tema, o que é o mais provável. Eu falo isso com segurança porque profissionais da área da Saúde não estudam nem lidam em seus cursos com Matemática nem com Risco.

Nas palavras de Sobral está implícito um hábito terrível e generalizado de toda uma categoria que é a de aceitar o que alguém mais velho ou antecessor seu praticou ou disse. É o péssimo hábito do não questionamento, é a FÉ substituindo a evidência como método, é o achismo servindo como base lógica de raciocínio deles.

Não há jeito dele, Renato Sobral, conseguir mostrar que a categoria é fundamental. Se tentar, é capaz de chegarmos à esperada conclusão de que um professor de Educação Física AUMENTA as chances de virmos a sofrer na corrida de um determinado grupo de lesões. Será que ele viria então defender o fim da obrigatoriedade? Duvido, sei bem como funciona o corporativismo dessa gente.

Pois se o coordenador repete um mantra tão sem fundamento, o que esperar dos alunos que passam 4 anos a ouvi-lo??

Nas palavras do Sr. Sobral parece quase transparecer boa intenção. Mas há uma categoria que faz a boa intenção virar método e fundamento. Vou roubar uma expressão que ouvi esses dias. A prática da boa intenção sem assegurar resultado prático é o que caracteriza o “incompetente do bem”. O Sobral é mais um incompetente do bem quando acredita em sua própria afirmação. Se você faz isso que ele prega, ou seja, falar de um assunto técnico na base apenas da fé, acredite, você dá um passo em direção à uma prática comum em outra categoria, a da Nutrição.

O Nutricionista Esportivo é, talvez, o maior Incompetente do Bem na Corrida.

low-carbO modo como é ensinada e praticada a Nutrição em nossas universidades transforma o Nutricionista Esportivo, do ponto de vista do risco, um profissional que não deveria jamais ser consultado na saúde. A categoria argumenta que toda orientação nutricional no esporte deveria ser feita sob tutela de um nutricionista qualificado. Porém, o método na Nutrição é justamente o estabelecimento de padrões sem uso total de… método científico. Ou seja, sua fonte é a boa intenção, sem que haja resultado prático comprovado. Esse é o Incompetente do Bem, aquele que acha que deve e pode ser avaliado apenas pela sua boa vontade, não pela competência e/ou resultados práticos.

Obviamente que há gente competente na Nutrição Esportiva. São poucos os nomes e dificilmente estão nas revistas. Recentemente a Revista O2 fez uma matéria que prima pelo acerto. Conseguiram juntar na edição de Abril aquilo que pode ser de PIOR em conceitos nutricionais. Requer um grande esforço e certo talento quando você tem que escrever para uma revista e, ainda que com direito a consulta, você deixe que publiquem conceitos tão tortos e equivocados sobre aquilo que você deveria dominar.

A nutricionista esportiva Carla Stefânia diz que é “perigoso” treinar de estômago vazio, em um misto de ignorância no assunto, desconexão com a realidade e distância da prática (como também dos livros). Não é só isso, a profissional recomenda que “se alimentar com maior frequência pode ajudar na aceleração do metabolismo”, esse um conceito jamais provado, voltando à ideia do Incompetente do Bem, aquele que apela à boa intenção, não ao resultado comprovado. Ela segue dizendo que “importante mesmo é ter um controle calórico”, mesmo que isso não seja a causa do controle do peso. Mas como eu disse, a matéria acertou porque reuniu um grupo de gente falando bobagem. Ao lado dela estava o Rafael Oliveira de Lima, outro que faz o papel do incompetente do bem quando afirma que “o importante mesmo é ter um saldo calórico negativo diário”, uma tese, reforço, jamais provada.

img-20140323-wa0001Mais à frente, quando fala sobre carboidrato, a nutricionista Paula Crook defende o consumo de carboidratos como um nutriente essencial, em sinal claro que, ainda que estudando 4 ou 5 anos, o incompetente do bem continuará a pregar algo que a fisiologia contradiz completamente, independente do que ela confie em sua crença.

Por fim, quando fala sobre macronutrientes, a nutricionista esportiva Carla Stefânia novamente recorre à fé para tentar estabelecer qual seria a proporção deles em uma dieta adequada, ainda que ela pareça não saber sequer as causas do ganho de peso ao dar valor à falácia do balanço calórico.

Enfim, a revista, como disse, foi certeira ao juntar 3 profissionais incompetentes do bem, que recorrem à boa vontade. O problema maior é que a categoria prega a si a tarefa de dizer como é uma alimentação correta, mas nas inúmeras amostras que você encontrará nas revistas, revelam uma capacidade da categoria de ir ao lado diametralmente oposto. Sendo assim, a gente sabe que nutricionistas esportivos assim podem até ser perigosos na saúde, mas ao ler textos com suas orientações, ao menos temos um bom indicativo do que não devemos fazer.

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A Imprensa-parça que corre

Há uma categoria de corredores composta por gente um pouco mais conhecidas porque elas escrevem sobre corrida em Revistas, Jornais, Portais e Blogs especializados. Elas padecem igualmente das fraquezas de ego que faz um trapaceiro cortar caminho, ou ainda da mesma cara de pau que tem um bandido-pipoca que tenta racionalizar o erro. Eles são tão queridos pelo mercado (e já explico o motivo) que até criaram uma categoria para mimá-los melhor, é a categoria imprensa. E lá o que mais tem é a imprensa-parça.

Imprensa-parça é aquela pessoa (jornalista ou não) que faz uso bem conveniente de seus textos obtendo benefícios pessoais em troca de alguns elogios em textos e redes sociais. Um dos artifícios mais recorrentes é fazer questão de demonstrar uma proximidade no âmbito pessoal com uma intimidade que chega a ser forçada, pouco profissional.

Chamou o maratonista de SoloRei? Eu já sei que é imprensa-parça. Elogiou atleta no Twitter e o copiou? Já sei que é jornalismo-parça. Fez elogios superlativos ao (ex-)gerente de marca esportiva? Eu já sei que está bajulando fazendo o papel de imprensa-parça. Postou foto de tênis novo que ganhou (nunca comprou) com a hashtag oficial do novo modelo de tênis da marca? Eu já sei que é o amigão da mídia parça.

Eu tenho um grande amigo que rebate todo jornalista conhecido com uma pergunta: é de graça?

tr7o47É óbvio que não é gratuito! A imprensa-parça é a 2ª profissão mais antiga do mundo! Na corrida também não se faz nada de graça! Nada é gratuito no mercado nem nessa vida. O problema é que não falta paladino (jornalista e blogueiro) na corrida bancando o representante dos direitos dos amadores. Só que é sempre mais honesto você sempre (SEMPRE!) deixar bem claro quem paga a sua conta. Do contrário, você é o mau caráter do jogo. Quando a imprensa-parça faz o papel de amigão tecendo elogios (a provas, tênis, gerente e atletas) em público e críticas no privado, ele faz assim porque recebe favores (mimos, viagens e cortesias). Nessa é o leitor do veículo quem faz o papel de enganado.

Eu tenho pavor, tenho medo de gente da imprensa que se diz isento. Eu não sou isento. Ninguém é isento! Eu tenho preço para tudo! Eu tenho minha agenda como cada um tem a sua. Negar isso é hipocrisia. Quando eu NÃO falava de tênis, é porque eu tinha quem me pagava para NÃO falar dele. Sempre acho mais honesto assim!

Mas a imprensa-parça faz o contrário, ele cobra e recebe (à vista ou a prazo) para falar tentando por um ar de independência. Pois quem trabalha nesse mercado sabe muito bem que a melhor coisa para a sua corrida não ter defeitos aos olhos da imprensa parça é simplesmente bajular quem tem microfone para falar mal dela. Exemplos não faltam. Conheço 3 parças que antes criticavam duramente uma empresa. Pois um foi patrocinado e agora só faz elogios, e outros 2 ganharam bons mimos e se silenciaram. Para sempre.

Já nas marcas esportivas, a melhor inovação para se fazer para um tênis ser “tão bom que mesmo novo ele parece que já está amaciado” é enviá-lo de brinde a quem escreve. A vaidade e a necessidade de não sair do mailing que recebe brindes a cada semestre vai garantir que todos os tênis tenham apenas elogios. E hashtags, lógico!

O mercado é muito viciado, e não é NADA errado que empresas se aproximem levando produtos e serviços para experimentação. Mas a falta de pudor é grande. A imprensa-parça te liga pedindo cortesias para ele, para amigos, familiares. Ela pede tênis, se oferece para ganhar produtos e liga pedindo viagens para Nova Iorque ou para correr uma maratona na Europa. Tudo em nome de “cobertura jornalística”, lógico.

Quando você financia regularmente o parça da imprensa, você tem uma certeza: você terá muitos elogios nos veículos e redes sociais. Mas atenção! Todos eles serão disfarçados de nobre isenção!

Enfim… O mesmo amigo que falei no começo do texto outro dia postou: Vendo opinião imparcial e ponderada. Tratar por DM. Eu acho a franqueza MUITO mais honesta e confiável.

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5 Motivos pra NÃO ler Nutrição em Revistas de Corrida

Não preciso reforçar que considero, em condições de Saúde, a simples consulta a um Nutricionista do ponto de vista do Risco um péssimo negócio. Resumidamente, a Nutrição tradicional como a conhecemos e suas diretrizes, não têm em sua base grande suporte da ciência. Junte-se a isso o péssimo hábito do profissional de Saúde em intervir sempre quando é consultado, não importando a real necessidade, temos ambiente propício para que sejam feitos procedimentos mais do que inúteis, mas nocivos.

Mas se não devemos recorrer ao Nutricionista, onde aprender e se informar sobre Nutrição?

É sempre mais segura a via negativa, você aprender o que NÃO fazer. Assim, o corredor sairá ganhando se NÃO procurar jamais informação sobre Nutrição Esportiva JUSTAMENTE nos periódicos especializados de corrida. São 5 motivos principais.

  1. Você não precisa que sua dieta seja necessariamente composta por suplemento
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Não espere encontrar em revistas de corrida uma fonte imparcial e confiável sobre quem financia a própria publicação.

Uma das manobras comuns para você valorizar o seu trabalho, é tentar convencer os outros de que ele é imprescindível. Assim, transparecer o simples como algo complexo não deixa de ser apenas uma maneira de você poder cobrar mais caro por ele. Quer valorizar um prato? Dê a ele um nome rebuscado. Funciona sempre! Quando você tenta provar que intervenções são necessárias (e só você e sua categoria estão habilitados a fazê-lo), você cria um cliente e uma reserva de mercado. Aí entram nutricionistas e revistas. É o tal “o ideal é sempre procurar um nutricionista para que ele possa manipular a sua dieta de modo que ela lhe traga cada vez mais benefícios para a saúde e a performance nos treinos”. Ainda que a mesma Nutricionista na revista cometa barbaridades arás e barbaridades, texto após texto, sem ficar corada de vergonha, e ainda com uma regularidade incrível…

Há ainda outra particularidade que não deixa de ser questionável: parte considerável do rendimento de uma publicação vem de seus patrocinadores. Qual a solução? Contratar ou convidar o nutricionista que fale a língua de quem vende seus produtos. É uma parceria do tipo ganha-ganha, pois você gera conteúdo e clientes.

Uma revista não discute se suplementar é bom, revistas vendem suplementos.

Uma revista não discute se suplementar é bom, revistas vendem suplementos.

E são poucos os que saem do vício do uso do suplemento. Soube, por exemplo, que em palestra recente de uma Meia Maratona aqui em SP o nutricionista palestrante assassinou a fisiologia. Como diz um grande amigo: “é de graça?” Lógico que não! O patrocinador da prova é uma empresa de suplementos. Você não pode então esperar que uma revista seja imparcial quando vai falar sobre suplementos. Ela nunca é.

Vou ser direto: a preocupação de uma revista não reside na resposta se suplementos são importantes, saudáveis e nocivos. Por estar financeiramente atrelada a quem os vende e produz, uma revista está preocupada em escrever quando eles são importantes, mesmo quando não serão. Faça um exercício, folheie qualquer publicação brasileira de corrida e veja quantas são as páginas de publicidade…

  1. Sua dieta não precisa ser tão rigorosa e inflexível

Um dos maiores “crimes” da Nutrição é simplesmente ignorar completamente a aleatoriedade ou a não-linearidade no consumo e na absorção de macros e micronutrientes. Mais! Não há uma única pessoa que escreva em bom português que fale ou entenda do assunto. NENHUMA. Obviamente que eu não esperava que eles escrevessem em revistas de corrida.

Complicar algo para vendê-lo é agregar valor para cobrar mais caro pelo seu produto.

Complicar algo para vendê-lo é agregar valor para cobrar mais caro pelo seu produto.

A cada vez que um nutricionista escreve na revista que você precisa de “uma dieta balanceada e equilibrada”, Darwin se remexe no túmulo e toda a teoria evolucionista sofre um duro golpe. A cada vez que isto é escrito, eles dão o parecer de que não sabem do que falam. Isso por si só é mais um argumento para não ler Nutrição em revista.

Assim voltamos ao tópico 1, pois ao dizer que temos que carregar lanchinhos, fazer marmitas ou ter controle das calorias ou porcentuais de macronutrientes, eles depõem contra eles mesmos. Se você não é um atleta-olímpico, você não precisa disso. Mas obviamente não serão eles a dizer que não.

Não custa reforçar: A menos que você seja um profissional, você não precisa de toda essa sofisticação. E não será obviamente o Nutricionista que escreve em revista dirá isso para você. Por quê? No próximo ponto mostro o quê Nutricionistas têm em comum com Treinadores.

  1. Exercícios não são fundamentais ou essenciais para o controle de seu peso
As revistas pregam o jamais provado: exercício é bom para perder peso.

As revistas pregam o jamais provado: exercício é bom para perder peso.

É humanamente compreensível que Treinadores não abracem a ideia que exercícios são péssimas ferramentas no controle e/ou perda de peso. Afinal, a carreira de treinadores em parte depende fortemente da não compreensão disso. É improvável que vocês convençam toda uma categoria de algo do qual seu rendimento depende. Essa é a semelhança entre as categorias. Nutricionista não dirá em revista que Nutrição é coisa simples. Porém, quando Nutricionistas abraçam uma ideia nunca sequer jamais provada, como a do exercício como ferramenta eficiente na perda de peso, eles provam que não sabem do que falam.

Bom, se revistas repetem a bobagem dita por Nutricionistas, são elas que viram a bobagem.

  1. Atletas e web-celebridades não são autoridades no assunto

Não importa o que a famosa fez para emagrecer ou o que come a web-celebridade que faz photoshop para parecer mais magra. Sabe o que são inúmeros casos particulares de quem tem genética e tempo para ser magro e bonito? Nada. O peso deles não os tornam autoridade para falar como especialistas do assunto dando recomendações. Seus casos particulares não podem ser jamais tomados como estratégias válidas.

  1. Você não deveria almejar o que faz um atleta

Uma grande estupidez é simplificar o complexo. Buscar na dieta de quenianos a explicação de seu sucesso é de uma miopia vergonhosa. Ficar perguntando o que come aquele amador que melhorou demais não deixa de ser a repetição desse tipo de raciosímio burro. Não importa o que eles comem, até porque Nutrição é muito sobre o que NÃO se come.

Se uma revista traz matéria com a dieta de um amador ou profissional sem que seja de caráter puramente de curiosidade, ela recorre a um enorme erro conceitual. E não torna o erro menor ter um papagaio repetindo que um nutricionista deve ser consultado. Até porque a imensa maioria dos que escrevem nelas cometem erros crassos de Fisiologia.

Fuja delas!

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Nutrição é importante demais para ser tocada por Políticos. Ou por Nutricionistas.

Lei manda tirar o saleiro das mesas para reduzir risco cardíaco OH ESPERA!

Lei manda tirar o saleiro das mesas para reduzir risco cardíaco OH ESPERA!

Semanas atrás veio uma notícia inacreditável no Jornal Nacional: os gênios legisladores do Estado do Espírito Santo decidiram proibir o sal à mesa dos restaurantes. Toda ideia esdrúxula que vira Lei deveria ser lamentada, mas não faltaram médicos, nutricionistas, âncoras e “especialistas” saudando uma intervenção excessiva do estado nesse tipo de assunto. A ideia é tão nonsense que está sendo combatida com o melhor do brasileiro, a criatividade: agora penduram saleiros com barbantes para burlar a lei.

Um Liberal pode argumentar que a Lei é errada por interferir na liberdade e no direito de escolha do indivíduo. Já um libertário paternalista dirá que ela é apenas um nudge, ou seja, um empurrãozinho na montagem da disposição das escolhas que temos que fazer, visando nos ajudar inconscientemente e nos incentivar a escolher o melhor, sem tirar o direito final de escolha. Mas essa Lei está longe de ser essa ajuda. Ela é nada mais do que um atestado de como nossos Médicos e Nutricionistas nos tratam mal quando o assunto é Nutrição e Saúde Pública.

Nutrição é importante demais para ser deixada (só) na mão de Nutricionistas.

Reforço, o Nutricionista pode vir defender a lei, mas isso será apenas um atestado de ignorância no tema. Primeiro porque ele sinaliza de como esse profissional da saúde entende pouco sobre o efeito do Sal em nossa Saúde e na incidência da hipertensão. Segundo porque seu silêncio em outras escolhas que ficaram intocáveis, como o açúcar à mesa, mostra do seu total desconhecimento do que realmente afeta negativamente nossa Saúde. *Tempo atrás eu publiquei aqui a fragilíssima tese sobre a qual se sustentam hoje as recomendações de Sal. Basicamente ela se apoia em um único estudo curto e muito mal feito (mas você pode ler mais aqui).

Menos Sal, menor expectativa de vida... que puxa!

Menos Sal, menor expectativa de vida… que puxa!

Terceiro porque um nutricionista (ou médico) que defende a estrovenga late para a árvore errada. O Sal é muito presente em alimentos processados e fast food porque ele dá sabor e é um grande estabilizador. Mas não é o sal o vilão. É como se adicionássemos brócolis em toda comida ruim e concluíssemos que a culpa é do… brócolis! Reforço: é uma tese equivocada em seu âmago que mostra ignorância de quem criou a lei. Porém, quando o nutricionista a defende olhando para o sal é que ele mostra que ele não sabe do que fala.

Ainda no problema do ignorante pró-ativo, no caso o político legislador, surge outro problema: recentemente no Reino Unido debatia-se se professores poderiam confiscar e jogar fora lanches inadequados de crianças. Veja bem, se eu não acho que nem Nutricionista e Político é adequado para dizer o que é bom para nossa dieta, não preciso dizer quão equivocada é essa estratégia de jogar na mão de um professor. Vou reforçar: Nutrição é tão importante que NÃO deveria ser deixada (só) na mão de Nutricionistas. Tão menos de professores e políticos!

Conselhos ruins…

Dois textos me chegaram por amigos e leitores pedindo que eu os lesse. No primeiro, de 10 dicas dadas, pelo menos 7 estão COMPLETAMENTE erradas. Repito: SETE! (*a saber: 6, 9 e 10 corretas). Sabe o que isso significa? Em uma prova do tipo V ou F, a labradora da minha namorada tiraria uma nota melhor se amarrássemos as opções em 2 ossinhos. Um papagaio na feira, aqueles que puxam o bilhetinho ao som do carrinho, também se sairia melhor. Na boa, não precisamos pagar para comer mal, conseguimos fazer isso sozinho sem o CRN para policiar.

Junte-se a esse texto uma coisa horrorosa que saiu no Jornal da Corrida: nele falta lógica da primeira linha ao último parágrafo. É assim que querem dizer o que é melhor para comer?? Não é que seguindo a total falta de lógica da Nutricionista não terminaríamos sequer um treino longo. Se esse mundo fosse real, é a humanidade que não sobreviveria à primeira estiagem milhões de anos atrás! São 2 textos que desrespeitam toda a Fisiologia! TODA!

CG6v2_-XIAEwZQvAlguns aqui no blog queimam a largada ao dizer que tenho problemas com treinadores ou médicos. Nada mais injusto. Só não acho treinador fundamental nem acho que médico tenha carta branca para sair falando e palpitando sobre Saúde. As lógicas das duas categorias geralmente são fragilistas e corporativistas, dois erros em suas essências. Mas assim como tem Treinador que escreve MUITO bem (Steve Magness e Alex Hutchinson são dois), alguns médicos também vão “reconstruindo” a Nutrição tirando dessa lama. Recentemente foi a vez do médico e pesquisador Assem Malhotra vir falar alto algo que ninguém da área da Saúde quer ou gosta de ouvir: fazer exercícios não te fará emagrecer. O que o Malhotra tem dito está alinhado com outros ótimos profissionais, como a nutricionista Zoe Harcombe, que não entende como nutricionistas possam defender o que foi defendido nos 2 textos citados aqui.

Mas foi também um médico, o brasileiro Luis Claudio Correia, autor daquele que é provavelmente o blog de saúde mais pertinente do pais, o Medicina Baseada em Evidências, quem veio tocar no assunto espinhoso: o mito prejudicial que se tem da falsa correlação entre exercício e perda de peso.

Enfim, algumas vezes as pessoas me cobram porque faço críticas sem dar o caminho das pedras, como se existissem. Apontar o errado sem dizer a receita do certo não tira o argumento. É impossível ser sucinto. Mais do que isso, seria picaretagem da minha parte. Mas abaixo vão algumas dicas. Simplificar é errado, lógico, na mesma medida que tornar complexo também o é, como faz muito profissional que quer transformar o hábito de comer de modo saudável uma arte, orientada e paga por uma classe sempre exclusiva, lógico.

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Por fim, antes que alguém venha dizer que low-carb é perigoso, deixo aqui 9 mitos sobre a dieta. Os nutricionistas fariam um bem à sua área se investissem mais tempo abrindo a cabeça e contestassem o monte de lixo ensinado na graduação. De outro lado, deixo aqui 10 mitos da Nutrição. Ou então, resumidamente, diria para você fazer o inverso do que sai postado na maioria das publicações de corrida brasileira.

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