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De Trump, bolhas, volume e Maratonas

Uma fórmula que não funciona conosco não a torna necessariamente errada na mesma intensidade que dar certo para meia dúzia não a torna certa. Previsões, médias, medianas… funcionam de certa forma assim. Isso me leva até o Donald Trump, que daqui 2 meses será o homem mais poderoso do Planeta. A cegueira dentro de uma bolha era tão grande que parecia que era impossível que ele ganhasse. É o vício de buscar reforço em nós mesmos ou naqueles de quem estamos próximos. Até agora os jornalistas-torcedores, teimosos e míopes, não entenderam. “Se não aconteceu entre os meus, não pode dar certo”, é o que pensam. Semanas antes foi com Freixo, candidato carioca, o mais-novo-melhor-quase-prefeito que esse mundo já produziu, quase tão bom quanto outra “unanimidade sem voto”: Haddad. Freixo ganhou no Leblon e em meu Facebook, porém, perdeu no mundo real, aquele que importa de verdade. “Não conheço UM eleitor do Crivella, não pode ser verdade…”

Pois alguns dias atrás falei de uma tabela para previsão de tempo na Maratona. Sua grande novidade para mim é que ela se baseia em apenas duas informações. Esqueça VO2máx, FCs, métodos de treinamento, Ritmo nos Longos… ela pede tão somente seu volume semanal de treino e um tempo em uma prova recente na preparação. É, ainda que com todas as suas limitações, de certa forma incrível.

Eu tento ao máximo não partir para o campo do pessoal. E obviamente que algumas pessoas não perderam tempo para dizer: “não funciona, no meu caso deu X minutos mais lento (que a realidade)”. *E ela parece de fato ser conservadora dentro do padrão de treino dos brasileiros.

A maior sacada dela é que ela reduz a distância mais “magia” da corrida em algo que pode ser decifrada usando 2 dados simples. O que não é matemático quase passa a ser. O pessoal do 538, que fez o algoritmo, considera que correr 42km exige volume de corrida e uma determinada velocidade. Ele tira daí sua estimativa. Periodização, estratégia de hidratação, tática… nada! Eles acham que precisam saber quantos quilômetros você corre. Não importa o ritmo! Repito: não deixa de ser uma abordagem incrível. E ela é mais do que isso. Ela é lógica!

Correr 42km é muita coisa! Sempre que vejo corredor amador se preocupando com suplemento, equipamento, recuperação pós-treino eu penso: esse cara quer ganho marginal quando aos 95% que realmente importam ele não dá a devida atenção. Ele treina de menos, mas massageia de mais. Ele roda de menos, mas toma suplementos/BCAA de mais nos treinos. Ele tem quilômetros de menos, mas equipamento de mais. Isso é generalizado! Duvida?

Em uma matéria sobre treinamento de Maratona na Runner´s World, a mais importante revista de corrida do mundo, eu contei os caracteres. Nutrição ocupou quase METADE (47,8%) do espaço! Longos e Volume de treino ocuparam (juntos!) – atenção – 15% dos caracteres. QUINZE. Não pode ser possível… 42km é uma Maratona de corrida, não de comida!

Nutrição ajuda, mas não decide! Volume e Longos são ESSENCIAIS. Você pode correr a prova com uma dieta de lixo, porém você NÃO a corre fazendo a dieta dos sonhos, PORÉM SEM treino. A revista praticamente acha que a primeira coisa que um jogador de futebol precisa fazer é primeiro escolher por muito tempo a trava da chuteira e depois, talvez se der tempo, nos 15% finais ir jogar bola.

Voltando à fórmula, é óbvio que não há mal NENHUM em você apontar uma inconsistência de uma fórmula usando um exemplo pessoal. Duvido que os criadores não contavam com isso. Para mim o diferencial dela é justamente simplificar o que parece tão complexo.

Pretendo em 2017 voltar a correr novamente uma Maratona. Quero fazer um treinamento completamente diferente de tudo o que eu já fiz na vida. Mas tenho uma certeza, tal qual Steve Magness quando relatou semanas atrás o que encontrou ao olhar seus treinos do passado e percebeu quando mais melhorou: era uma questão de volume (muito) e consistência (muita).

Os céticos dirão que foi porque ele tomava BCAA e lanchinhos pós-treino. E rodava nos 15% restantes.

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Obrigado pela recepção!

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Em seu ensaio de 1973, Theodosius Dobzhansky, biólogo evolutivo ucraniano naturalizado americano, afirma logo em seu título que Nothing in Biology Makes Sense Except in the Light of Evolution (Nada na Biologia faz sentido exceto à luz da evolução). Danilo Balu discorre sobre o que deveria ser óbvio: um predador tem que sobreviver e ter, no mínimo, um bom desempenho quando em jejum. A primeira mutação em uma espécie que provocasse, digamos, hipoglicemia e tontura durante o jejum, a levaria à morte por inanição no dia seguinte ao seu desmame. Entretanto, teorias baseadas em suposições e wishful thinking, difundidas por profissionais com importantes credenciais e até mesmo suas associações oficiais, nacionais e internacionais de renome, invertem toda a fundamentação da Ciência. Para eles, os fatos devem obedecer à teoria e não o contrário. Mas esses são os fatos: quando um guepardo prepara-se para caçar, ele não come uma barrinha de cereal. Seu pré-treino é a fome, a gana de comer e vencer, numa caçada a 110km/h, a luta pela sobrevivência.

***

capa_treinador-clandestino_altaPoderia ter sido eu, mas somente o médico Erik Neves, um dos caras que mais respeito, poderia ter essa elegância de escrita e raciocínio. Espero que aqueles que se aventurarem em O Treinador Clandestino possam entender melhor o rumo do debate atual da corrida no Brasil.

Pude ainda contar com menções na Contra Relógio, no Webrun e no Sua Corrida. Além de participação em entrevista no Corrida no Ar!

Obrigado a recepção!

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Ir ao Nutricionista na Saúde faz mal.

Um dos estudos mais interessantes que li este ano fala sobre a REDUÇÃO na mortalidade por complicações cardíacas quando os cardiologistas estavam FORA do hospital*. Basicamente funcionaria assim: com os médicos presentes eles se sentem na necessidade (e na exagerada confiança e obrigação!) de intervir nos pacientes, matando alguns (que não morreriam sem a intervenção deles!) e salvando outros. Em sua ausência, não tendo quem fizesse a barbeiragem, a Mãe Natureza tomava conta da situação. É a arrogância e ingenuidade tão humanas personificadas em doutores que usam jaleco achando que nossa intervenção pode controlar com enorme segurança sistemas complexos.

Ainda este ano terminei de ler também Antifrágil – coisas que se beneficiam com o caos de Nassim Taleb que explica com calma como que, durante a saúde, cada visita nossa ao médico nos aproxima da morte. Basicamente deveríamos buscar a intervenção humana em assuntos da Saúde se e somente quando estivermos muito necessitados (doenças graves). Por quê? Porque toda intervenção humana, sem exceção, implica riscos grandes, muitos desses riscos ainda subestimados e desconhecidos. É por isso que ao contrário do que pensamos, exames de rotina da próstata NÃO aumentam a sobrevida e mamografias deveriam ser postergadas ao máximo (provavelmente aos 50 ou 60 anos) **. Erros médicos matam mais do que qualquer câncer nos EUA, por exemplo. É como ter um revólver hipotético com espaço para muitas balas e cada ida funcionar como uma rodada de roleta russa com essa arma.

E é por isso também que treinador deveria ser fundamental apenas e somente quando NÃO buscamos saúde (não é o objetivo maior dele te oferecer isso), mas quando você quer correr uma prova como uma Maratona, ou ainda uma prova como 10km em um tempo específico. Mas hoje encostemos um pouco a corrida, falemos de um dos maiores assessórios supérfluos, perigosos e subestimados em seu risco: a Nutrição.

A Nutrição, resumidamente ainda é uma falsa ou pseudociência por motivos bem simples, mas bem claros. Primeiro, ela estabelece a prática em função da teoria SEM examinar sua validade, e não o contrário, o que deveria ser a regra. Em muitas de suas diretrizes, há enorme carência de evidências básicas, como as que dizem respeito sequer à eficácia e, talvez mais importante, segurança. Exemplo? Consumo de Sal, balanço calórico, consumo de QUALQUER nutriente, razões que levam ao emagrecimento (ou engorda).

Quando eu digo que você não deveria ir ao Nutricionista, não é questionando a boa-vontade, mas sobre a ENORME incapacidade dele de diminuir os riscos da intervenção. Ir ao nutricionista, é como o dito sobre o cardiologista, ele faz uma intervenção em sua dieta trazendo enormes riscos à sua saúde. O Nutricionista assim somente deveria ser buscado na hipótese de doença (ainda que no caso da diabetes, um nutricionista convencional é muito perigoso).

Com certeza há nutricionistas competentes no mercado. O problema é que o modelo da profissão implica que ele vá seguir o que é dito pelos conselhos, ou seja, sem evidências científicas e sob o risco de ser fiscalizado e punido caso não siga o regimento. E também porque uma vez paga a consulta, há uma pressão enorme para que ele(a) intervenha, ainda que ele(a) não seja necessário, ou mesmo inconveniente.

Um nutricionista, assim, não deveria JAMAIS ser procurado na saúde. Uma vez procurado, ele não deveria JAMAIS prescrever uma dieta*** e deveria haver ainda estímulo para que se o fizesse, fosse o mínimo possível.

E onde procurar informação sobre Nutrição?

Dentre os livros mais incríveis que li até hoje sobre Nutrição, apenas um (Obesity) foi escrito por uma nutricionista, Zoë Harcombe (ainda que ela não seja nutricionista de formação). Todos os outros foram escritos por pessoas de outras áreas. Isso porque o progresso aos saltos não acontece em reuniões de conselhos, geralmente vem por mentes que pensam diferente, olham de fora, questionam sem os vícios. Por experiência própria e por estatística, NÃO espere um livro incrivelmente bom se ele tiver sido escrito por um nutricionista. Mas isso não é uma razão forte por si só.

E onde ir? Revistas e sites?

Definitivamente não. A escolha de um colunista em revista obedece a combinação de alguns critérios. Um deles é a sua titulação. E ela não tem muita importância em uma ciência que não cumpre o básico. Um doutor em Macumba não faz a Macumba virar ciência. Outro critério é a base do “companheirismo”, se é brother, conhecido de quem comanda a seção. Outro critério é se o Nutricionista é um bom vendedor de produtos e suplementos. São os anúncios da revista que pagam a conta, não a fidelidade dele com o assunto. Então o colunista vai servir para explicar o porquê você deve comprar produtos.

Para acabar, fica aqui o aviso: NÃO há nas publicações brasileiras coluna regular de Nutrição que não cometa erros graves no tema. E por fim, uma coluna de Nutrição regular infringe uma lógica cruel; ela vai sair independentemente de haver ou não assunto a ser tratado. E nessas horas, vale tudo, até escrever qualquer coisa. Nutrição em livros escritos por nutricionistas ou em colunas de revista raramente sobreviveria se o critério fosse qualidade. É melhor não arriscar.

*para entender melhor, você pode ler sobre esses estudos em 3 textos excelentes no The New York Times, no Huffpost ou em português no excelente blog Medicina baseada em Evidências do monstro e médico Luiz Correia.

**aqui recomendo a leitura de Reckoning with Risk, do monstro Gerd Gigerenzer.

***Por que não prescrever dieta? Porque a Nutrição simplesmente desconhece quase que por completo a ideia do quão fundamental é a não-linearidade do consumo de nutrientes e energia. E um cardápio é JUSTAMENTE em sua essência a ideia do profissional controlar por você linearmente o consumo desses. Ou seja, é um profissional indo perigosamente na contramão da segurança e efetividade.

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De comer em 3 em 3 horas, incompetentes do bem e venda de martelos.

Dia desses um grande amigo e treinador dos “bãos” mandou um texto com uma fala que todo mundo tenho certeza que já ouviu alguma vez: “comendo (…) de 3 em 3 horas nosso organismo sabe que daqui a um determinado período ele terá mais combustível e irá digerir e usar esta energia. Resumindo: comer várias vezes em pequenas quantidades durante o dia é uma forma de acelerar nosso metabolismo”.

Na próxima vez que você ouvir um Nutricionista dizendo isso, por favor, pergunte por mim: você come manga com leite? Já explico o motivo…

Estudos epidemiológicos dão certo sustento à tese de fracionar nossa dieta, ou seja, pessoas saudáveis comeriam várias vezes ao dia. Mas nunca é demais lembrar que em um hipotético planeta em que TODAS as pessoas fumassem pelo menos de 1 a 10 maços de cigarro por dia, seriam aqueles que fumam 20 cigarros por dia os mais saudáveis da população. O que é causa? O que é consequência? O que é correlação causal nos hábitos?

5d58e5622f2bee013dcfffb8e7e56655Quem sustenta que comer de 3 em 3 horas é o ideal tem muita FÉ, ou pior, pensa por aproximação, como 5 dos “incompetentes do bem” que citei aqui (e aqui) recentemente. Eles pedem que você faça algo (no caso comer picado) na esperança de que funcione, querem em sua ingenuidade (e por que não muita ignorância em nutrição?) que você acelere o metabolismo na base da pancada ou na crença deles. Mas… e quando colocamos à prova essa recomendação? Será que eles estão certos querendo enganar a evolução?

Em um estudo com uma dieta extremamente hipocalórica por 3 dias NÃO houve modificação da taxa metabólica basal. Em outro, alternando uma dieta normal em um dia com jejum em outro dia por 22 dias seguidos, a taxa metabólica em repouso NÃO se alterou do início ao fim do estudo. Em um 3º estudo com jejum induzido por 12, 36 e 72 horas houve AUMENTO da taxa metabólica basal. Por fim, voluntários alternando a dieta entre duas e 7 refeições por dia NÃO tiveram mudança em sua taxa metabólica. Agora peça para que o nutricionista que defenda o fracionamento traga estudos não-epidemiológicos que sustente a tese do “3 em 3 horas”. A recomendação dos nutricionistas incompetentes do bem não encontra respaldo que não seja em vã esperança. Eles devem achar talvez que comer manga com leite faz mal porque assim alguém disse lá atrás. Por isso a pergunta! Minha falecida avó semi-analfabeta dizia que eu poderia morrer comendo manga com leite. E eu já voltarei a ela.

Dias atrás um leitor me mandou um texto do Reinaldo Tubarão Bassit. O Tubarão definitivamente não é um incompetente do bem. Sabe por quê? O Tubarão também pensa por aproximação quando fala em emagrecimento e, como minha avó, repete sem saber ou confirmar a origem de algo. Está lá em seu texto que “o papel do exercício na regulação do peso corporal e sua utilidade na obtenção da redução da gordura está bem estabelecido”. Será que está? Mais à frente um equívoco que não consigo deixar passar sem ter calafrios: “a regulação do peso corporal total depende de fatores como: balanço energético total entre a ingestão de energia e o gasto em um determinado período de tempo”.

Em seu texto, sem afirmar com todas as letras, Tubarão pensa torto, atribui o controle do peso a uma questão simplista de balanço calórico. Em uma teoria jamais comprovada, ele confunde causa com consequência. A miopia dele no assunto é bem clara. Tubarão ainda não entendeu sequer a causa do problema, mas quer dar marretadas com um martelo. Como sempre diz um grande amigo, para quem só tem martelo, todo problema é prego. No caso dele, ele não só tem martelo, mas em um questionável conflito de interesses, ele VENDE os martelos, então é fácil entender o porquê ele só enxerga pregos. É uma miopia um tanto conveniente que o tira o papel de incompetente do bem.

Eu não posso dizer que o Tubarão é uma fraude ou um charlatão, mas entre os meus, eu costumo classificar todo profissional que não difere causa de consequência, como uma fraude. E costumo dizer aos meus que todo profissional que vende martelos quando somente vê pregos, como sendo um charlatão. Ele me disse certa vez que isso (vender suplementos, ter relação com empresa de suplementos, prescrever e vendê-los) “é do mercado”. Pode até ser, mas sempre acho que isso não faz de alguém menos charlatão. Definitivamente o Tubarão não é um incompetente do bem, pois ele sabe muito bem o que faz ao prescrever e vender suplementos.

Simpsons-Homer-DOHO papel do exercício na regulação do peso corporal” DEFINITIVAMENTE NÃO está bem estabelecido como ele acredita (para não repetir tudo, explico em ordem aqui, aqui e aqui as falácias). Homer Simpson diz que você prova qualquer coisa com números, que 45% das pessoas sabem disso. Homer também costuma inverter causa com consequência, como o Tubarão em seu texto. Separo aqui um trecho espetacular de um ótimo texto que fala do mito: (…) devemos abandonar a fantasia e considerar que o efeito do exercício na perda de peso é um mito que cria uma expectativa prejudicial. Esse mito pode ser comparado ao Mito do Amor Romântico, ele cria uma expectativa que prejudica o relacionamento de casais, pois pressupõe que as partes devam se complementar plenamente, correspondendo com perfeição aos anseios mútuos, como Romeu e Julieta. Esta expectativa leva a frustração e insatisfação de uma pessoa para com a outra. Evitando o Mito do Amor Romântico seremos mais tolerantes e aprenderemos a admirar eventuais diferenças de nossos companheiros. Evitando o Mito do Exercício na Perda de Peso, teremos mais foco na medida que de fato impacta no peso, a dieta. Assim como no amor, o pensamento de vanguarda deve abandonar a visão romântica quanto aos benefícios do exercício, evitando uma distorção da realidade que acaba por inibir o aprimoramento de medidas realmente efetivas.

Quando falamos em emagrecimento, Tubarão é como Homer Simpson, mais do que pensar por aproximação, ele pensa como uma adolescente apaixonada. Poderia ser só isso, mas não é.

“(…) O aumento da intensidade (de treino) irá aumentar substancialmente (…) o metabolismo energético de repouso (e) aumenta o gasto calórico total no período pós-exercício devido ao aumento do metabolismo basal”.

O Peru faz previsões confiante até onde sua visão alcança...

O Peru faz previsões confiante além de onde sua visão alcança…

Novamente ele se atrapalha, vai na base da fé (felicidade começa com… FÉ). Nesse raciocínio, o Tubarão sofre a Síndrome da Falácia do Peru. O Peru é o professor da USP, cheio de títulos, que vai analisando os dados e vendo que ele é alimentado dia após dia e assim conclui em uma série de dados que vai continuar a ser engordado. Em uma projeção a perder de vista, com árvores crescendo até o céu, ele conclui que um treino que, de fato aumenta o gasto energético nas horas após o exercício, como faria o Peru, projeta o metabolismo acelerado continuamente. E eis que chega o dia de Ação de Graças, e o Peru não sabendo prever, vira nosso jantar.

O organismo humano, tal qual economias, é mais complexo do que isso e mais inteligente do que nutricionistas querendo enganar a natureza. Após treinos aeróbios, o corpo, em um processo de compensação, reduz o metabolismo. Mas pensando como o Peru, com confiança e no curto prazo, muito nutricionista acha que o metabolismo se acelera. Aumentando o gasto calórico, a fome faz a compensação, o sujeito querendo ou não, acreditando ou não. O que vai interferir no controle do peso são hormônios regulatórios de nosso estoque de gordura. E O MAIS IMPORTANTE DELES, a insulina, SEQUER é citada pelo Tubarão em um texto sobre… controle de peso!!

Enfim, mais de uma vez eu já disse nesse espaço que você não irá encontrar quase NUNCA algo realmente bom ou muito interessante em colunas de Nutrição em revistas de corrida (e triatlo)! Por quê? Por 3 motivos bem simples.

O primeiro de tudo é que editor de revista, entende de… revista! Não de corrida! O editor, ao não ser um especialista, facilmente compra coelho por lebre, afinal, ele não entende de fisiologia ou treinamento.

Segundo porque revistas têm metas. Não há como produzir material bom no ritmo que uma revista mensal precisa sem recorrer à matérias enchendo linguiça. É como um jornal diário. Vai ter que ser impresso, não tendo o que escrever, inventa-se ou enrola-se.

E por fim, talvez o mais importante, revistas vivem de anúncios. Empresas de suplementação esportiva ajudam a sustentar o negócio. E não há mal NENHUM por si só. Neste caso, acredite, a revista irá encontrar alguém que fale o melhor discurso, aquele mais conveniente. Não é difícil assim ver escrever em publicações impressas profissionais com um tom bem sincronizado, que vivem vendendo martelos onde ele só enxerga pregos.

Minha avó semi-analfabeta achava venda casada um absurdo. Tem gente que não acha, fala que “é do mercado”.

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De CRN, Incompetentes do bem e das revistas que não acertam!

E lá vamos nós de novo… até parecia uma piada da Revista O2 que, no mesmo dia que postei sobre como erraram rude recentemente, voltaram a publicar mais bobagens sobre Nutrição (já falo delas!). Mais! Foi no mesmo dia que soube que o CRN postou uma nota contra a dieta Paleo.

Bom, de conselhos de profissão não espero nenhum rigor científico. Eles praticamente não precisam ter nenhum compromisso com isso, apenas com sua arrecadação. Basicamente funcionam na prática para assegurar uma reserva de mercado enquanto fazem um belo de um belo de um trocado passando o pedágio obrigatório sobre profissionais que pela força da lei têm que pagar anuidade. Então está lá um texto torto do CRN-3 falando da Paleo:

“A composição da Dieta Paleolítica (..) contêm lacunas e dados de difícil interpretação. Atualmente a mídia divulga os conceitos da Dieta Paleo de formas variadas e nem sempre baseadas em evidências, ressalta-se que para a prescrição de qualquer dieta, cabe ao nutricionista pautar a sua conduta nos fundamentos científicos que regem a prática profissional, buscando informações em fontes seguras, analisando-as com rigor técnico-científico e abstendo-se de aceitá-las quando não houver reconhecimento científico comprovado sobre a correção e eficácia das práticas delas decorrentes”.

CKw5c9lVEAAQRQSÉ um texto muito conveniente quando sabemos que uma enormidade das diretrizes nutricionais não tem suporte científico, apenas desejo que deem certo. Veja bem, eu NÃO me considero um Paleo porque não acho, por exemplo, necessário abrir mão dos laticínios. Porém, sou simpatizante de dietas que restrinjam carboidrato (low-carb). As duas em muito se assemelham, e como o CRN-3, míope em sua avaliação, disse faltar evidências, separei aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui algumas fontes, ok?

Mas vamos deixar o CRN-3 pra lá, afinal, eles fazem o papel deles de irem atrás do dinheiro, como sindicatos, que arrecadaram R$20 BILHÕES em verbas desde 2007. Um dia abrem a caixa-preta dos conselhos. Vamos falar de quem supostamente tenta ajudar o corredor que busca informação.

A Revista O2 soltou uma matéria com 4 passos “para otimizar a perda de peso e motivar uma mudança de hábitos”. Se fizéssemos disso uma prova valendo de zero a 10, os nutricionistas Alessandra Luglio e Marco Jafet tirariam 2.5, pois acertaram um dos passos (4). Porém, é MUITO grave e MUITO sério que uma revista libere um conteúdo tão grave e IRRESPONSÁVEL (na última recomendação). Vamos ver?!?

  1. Quanto mais ativo o metabolismo, mais ele vai funcionar gastando gordura como fonte de energia. (…) Comer de 3 em 3 horas contribui para a manutenção do metabolismo, o controle saudável da glicemia, do apetite e a manutenção da massa muscular.
MUITAS das diretrizes da Nutrição se baseiam na teoria e na esperança, mas sem suporte da prática...

MUITAS das diretrizes da Nutrição se baseiam na teoria e na esperança, mas sem suporte da prática…

Os nutricionistas Alessandra Luglio e Marco Jafet cometem o mesmo erro que falei da outra vez: eles se baseiam na FÉ, na ESPERANÇA de que suas recomendações funcionem na prática. Eles dizem que um metabolismo ativo se conseguiria comendo a cada 3 horas. É a FÉ deles. Eu poderia partir para uma explicação um pouco mais teoria-da-conspiração, dizer que os 2 foram vítimas de recomendação da indústria alimentícia, a quem muito interessa uma população comendo religiosamente a cada 3 horas. Ou então, eu seria um pouco mais comportamental, diria que os 2 defendem essa bobagem porque é um jeito deles sofisticarem o trabalho, afinal, por que pagar um nutricionista que nem sequer estabelece nossa hora de comer?

Mas eu prefiro mesmo sempre acreditar primeiro que uma fala errada pode ser apenas por pura ignorância de quem fala, não má fé! Então vou reforçar: não há suporte em estudos experimentais que reforcem a recomendação deles. MAS pelo contrário há estudos (aqui, aqui, aqui e aqui) que mostram que os 2 nutricionistas estão, SIM, muito desinformados.

Vou pular a parte do quão arrogante, ingênuo, prepotente e furada é a tese de que um nutricionista ou QUALQUER outro profissional poderia regular bem nossa glicemia melhor do que a evolução. Me explico: se precisássemos disso, não teríamos chegado até aqui, simples assim. Os 2 apelam para a teoria ignorando a prática dos estudos. É recorrente na prática deles, vocês verão.

Esses 2 nutricionistas têm noções e abordagens TÃO equivocadas no que diz respeito ao exercício físico e sua relação com o emagrecimento (ou manutenção de peso) que não me espantam suas recomendações. Dietas com esses fins não são sobre balanço calórico, mas isso em muito explica a tara deles na gordura. Eles ignoram completamente que é fundamental alterar os hormônios responsáveis pelo armazenamento dela! Sendo a insulina o mais importante. E em uma estratégia que só encontra fundamento na enorme esperança deles, pedem que você faça consumo aumentando justamente o nutriente que mais aumenta esse hormônio!

  1. Para garantir energia para o nosso corpo, deve-se sempre consumir uma fonte de glicose, o carboidrato. (…) Em hipoglicemia, o mecanismo de defesa é acionado, travando o metabolismo e induzindo ao uso de proteína como fonte de energia. A solução deste problema é simples: consumir carboidratos sempre associados a alimentos proteicos ou ricos em gorduras saudáveis. (…)

Bom, aqui já posso dizer que a Alessandra Luglio e o Marco Jafet tentaram atropelar (de novo) a fisiologia e a bioquímica! Eles dão mostras graves de não saber que a glicose é um nutriente não-essencial à nossa dieta. E é o carboidrato (que eles recomendam!) justamente o nutriente a reduzir a lipólise (queima de gordura)! Faz sentido comer carboidrato, que reduz a lipólise!, para se queimar gordura? Na cabeça deles faz… Se pedíssemos um treino para melhorar a corrida na subida, pela lógica deles é capaz deles dizerem para que déssemos tiros na… descida! Não vou me alongar que escutando os 2, aumentamos nossa chance de adquirir diabetes, aumentar nosso risco cardíaco e sofrer de síndrome metabólica, resultado do consumo maior do carboidrato, nutriente que eles dão mostras de não saber ser o mais correlacionado com isso tudo. E o mais canalha de tudo, é que se você adquirir algo disso, provavelmente os 2 dirão que a culpa é sua e vão aumentar a dose do veneno.

  1. Lanchinhos regulares e equilibrados são os parceiros ideais de quem quer perder peso com saúde e garantir o aporte ideal de nutrientes e energia para as próximas horas. Para montar os lanches intermediários (…) o correto é combinar carboidrato com proteína ou carboidrato com gorduras do bem.
Muito do que falam se baseia em fé, esperando que funcione. Mas sabemos o que acontecerá...

Muito do que falam se baseia em fé, esperando que funcione. Mas sabemos o que acontecerá…

Essa gente não aprende, não insista… não há qualquer base prática, mas na base da FÉ, pedem que você faça lanches temporários que inibem a lipólise, diminuem a capacidade do corpo queimar gordura e trazem estresse pancreático. E qual nutriente mais recomendam? Justamente carboidrato, aquele que é um nutriente não-essencial à nossa dieta. Por que diabos pedir que se consuma o nutriente que INIBE A LIPÓLISE??? Tem que dar uma surra com um livro de bioquímica bem grosso até o livro recitar bem alto as fórmulas!

Para fechar veio o maior crime deles. Sim, crime:

“Quanto menos gordura saturada, mais saudável é o alimento”.

Eu poderia dizer que essa frase está em algo entre o DELÍRIO, a IGNORÂNCIA e a IRRESPONSABILIDADE. A gordura é um alimento ESSENCIAL ao ser humano. Sem ela, nós morremos. E uma dieta rica em gordura saturada E pobre em açúcar (e/ou carboidrato) tem efeito protetor cardíaco por alterar positivamente o padrão de colesterol. Mas o alimento mais citado no texto é o carboidrato, um nutriente não-essencial à nossa dieta. Os 2 profissionais dizem que um nutriente ESSENCIAL deve ser evitado e sua presença é inversamente relacionado à qualidade nutricional! É MUITA ignorância no assunto que dizem entender!

Eu não tenho dúvidas de que a Alessandra Luglio e Marco Jafet são dois incompetentes do bem. Ou seja, até têm boa fé, tenho certeza disso! Mas não entendem do que falaram, recomendam algo na esperança que dê certo, mas no final, apesar da boa vontade, fazem enorme besteira porque suas decisões não são comprovadas pela prática. O medo deles de gordura saturada reside no sonho de MUITOS dos seus pares de que como artéria entupida contém gordura, ela é a vilã na história. Provavelmente ao ver o varal de um obeso mórbido, os 2 dirão que aquele monte de roupa tamanho GG pendurada são evidências de que foi o fato de usar roupa larga que engordou o sujeito.

Os 2 pensam por aproximação! Quando olham inúmeros incêndios, seriam capazes de apostar que foram feitos pelos bombeiros que estão lá. É o raciocínio torto que nem é tão grave, apesar de perigoso. Grave é seguir achando isso mostrando que o que aprendemos na faculdade foi lixo.

Mais do que raciocinar por aproximação, também pensam na base da FÉ (“felicidade começa com fé”). Mas assim como o CRN, nada é de graça, né? Duvido que a enorme ignorância deles no tema alivie o preço da consulta.

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