Arquivo da categoria: Atletismo

O que você vê na foto?

O quadril cedendo? Uma pisada errada? Braços desalinhados?

Biomecânica is overrated”, é sobrevalorizada. Me sinto um ET vendo o debate acalorado de vocês sobre técnica de corrida. Se vocês ao menos soubessem quão baixo é o meu número de “inputs” e observações que dou aos atletas…

Pra mim o papel maior do treinador é o de não atrapalhar! É evitar ou deixar que o atleta faça bobagem! Na pista eu só supervisiono. ELES que fazem o resto! Na verdade, fazem TUDO! Tomo TÃO pouco crédito quando vejo meus corredores batendo marcas… vocês não fazem ideia… tenho vergonha até de postar. Eles fazem 99% do trabalho! Não é falsa modéstia, não!

Um dos meus maiores motos é: não vou deixar eles fazerem neles o que me deixaram fazer em mim!

O que eu vejo na foto é um grupo de atletas meus aquecendo pra correr uma competição de pista NA GRAMA! Pista machuca, maltrata, é agressiva… tanto quanto o asfalto (mais mole, mas mais estável, o que os igualam).

Quanto MENOS correr na pista (e no asfalto e na esteira), melhor! Um amigo treinador dias atrás falou sem nenhuma maldade ”Filosofia do Balu” sobre minha teimosia com o piso (enquanto muito se insiste com ângulos biomecânicos). Por que eu insisto?

Domingo dia 19 de Maio fui pra Santos correr os 10km da Tribuna FM e abandonei a prova muito chateado na metade. Meu calcanhar não me deixa correr NADA fazia 13 semanas. Nunca havia ficado tanto tempo sem correr. O médico (incrível!) que operou meu outro calcanhar há 6 anos disse que em 5 eu iria ter que operar o outro.

Boca de sapo! Estou aqui que não posso correr. Já me fizeram fazer tanta coisa errada… correr 1h00 no primeiro treino, 10 x 1km “muito forte” na chuva que me fez chorar sozinho escondido na pista… exercícios que acabariam com qualquer joelho…

Zequinha, um camarada mais velho que treinava comigo, no alto de sua experiência, falava pra eu nunca correr no asfalto. Ele nunca foi à Etiópia, mas já sabia disso. NUNCA um treinador pediu que eu não corresse no asfalto. Nunca. Corrigia meu braço, meu quadril, mas me fazia dar muitos tiros 3 vezes na semana.

SEMPRE que vou a USP e vejo um MAR de gente no asfalto e as trilhas VAZIAS penso: os meus NÃO VÃO fazer isso por não saber… não vão! Não vou deixar que descubram por eles mesmos…
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📷 @nakanofotografias (Marcelo Nakano)
*Se você gostou do que leu aqui, estou certo de que vai gostar do que vai encontrar de surpreendente no e-book O Treinador Clandestino! (a versão impressa você acha clicando aqui!)

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Centro de Gravidade (CG) e Quadril…

A corrida é um esporte antigo que mudou relativamente pouco, bem pouco nas últimas décadas. Faz mais de meio século, por exemplo, que surgiu a ideia de tiros como fazemos hoje.

Como vender novidade em algo que não muda, então? Por isso que de tempos em tempos aparecem as “revoluções anunciadas”.

Sempre acho que amador de preocupa mais com a cobertura do que com a fundação.

As pessoas falam muito que o pé deve tocar o solo abaixo do Centro de Gravidade (CG).

SERÁ?!

Faça um exercício… Parado e em pé com a ponta do pé e joelho levemente flexionado tente tocar o solo SEM flexionar a outra perna. Fez?

Agora faça a mesma coisa só que tocando o chão com o calcanhar, não com a ponta.

Em AMBOS você encosta o solo à frente do CG, PORÉM, para manter a mesma amplitude com ponta do pé você tem joelho flexionado (mais eficiente e protetor) e com o calcanhar você tem o joelho estendido (o oposto).

Mesmo na ELITE o pé toca o solo À FRENTE do CG (a menos que vc esteja trotando ou em ritmo lento pra você). O ponto é:

COMO ESSE PÉ TOCA O SOLO??

A tara por tocar o solo abaixo do CG é ignorar que a corrida é um filme, não uma foto.

📸 @NakanoFotografias (Marcelo Nakano)

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Cada um é cada um??

Poucas coisas me deixam mais nervoso que as afirmações que “dieta deve ser personalizada”… “treino deve ser individualizado”. Me deixam nervoso porque não é verdade! Acredito DE VERDADE que a maioria dos profissionais NÃO fala isso por mal! Mas sei que muitos (não disse maioria!) só fala isso para poder vender um produto, uma ideia: a de que cada um tem um funcionamento único. E apresenta seus serviços.

Será que cada um é único?

O conceito de que cada um é um só seria verdade quando aparecesse um ser humano cuja dieta “ideal” fosse terra e erva cidreira. Não. O ser humano, 100% deles, compartilha de um grupo COMUM de alimentos que, ignorada intolerâncias (glúten ou lactose, por exemplo) individuais, forma sua dieta.

Fossemos nós o rebanho e os Nelores os pecuaristas, os donos de zoológicos, eles nos confinariam e nos dariam uma mesma ração. A todos.

A ideia de que cada um corre de um jeito tb não resiste. Você SABE quando alguém está correndo. Quando alguém NADA à sua frente você sabe que ele NÃO está correndo.

Por isso há SIM um jeito melhor de correr. Nessa foto abaixo você tem à esquerda um corredor que estende sua passada até o último instante… bico do pé ainda na pista, a “empurrando”. Quantos amadores você vê fazendo isso no Parque do Ibirapuera, por exemplo?

Mas quero falar é dos outros 2. Um com perna quase estendida e calcanhar indo a tocar o solo. Outro perna flexionada e pé em supinação (para fora). A essa diferença INDIVIDUAL da técnica de corrida chamados de estilo. Dizer que uns correm melhor tocando o solo do jeito X é como acreditar que alguém corre melhor tocando o joelho na pista. Tem que ter fé. Às vezes é só o equipamento ou – mais provável – o corpo dele que o faça fazer assim.

O maior problema de quem deposita muita fé em tênis é que se esquece que ele muda o jeito como fomos construídos a correr. E isso tem consequências difíceis de se ver de cara.

📷 Foto: Marcelo Nakano – @NakanoFotografias
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Enquanto uns quebram pedras, outros descansam…

Um empurrando a 3-baixo por km e outros de mãos na cintura…

Brincadeiras à parte, veja como o joelho de quem corre está flexionado… Repare!

Se você estiver parado em pé e eu pedir que você salte o mais alto possível, você faz um leve gesto de agachar e salta. ESSE é o jeito que nosso corpo faz para quebrar a inércia de forma mais eficiente, armazenando energia em músculos e tendões.

Se prestarmos atenção, os atletas mais eficientes e mais velozes têm no joelho e NÃO no pé o seu guia, o que vai mais à frente.

O joelho levemente flexionado (pra armazenar energia a ser liberada depois do pé tocar o solo) serve também pra proteger o corpo porque com ele estendido a pancada vem sem proteção.

Corrida nada mais é que uma sucessão de saltos, não?

Mas o pé não deve tocar o solo abaixo do centro de gravidade?
Essa lenda fica pra outro post

📸Foto: Marcelo Nakano – @NakanoFotografias
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Corrida ativa, passiva… causa versus consequência…

Repare no pé do atleta no primeiro plano… Veja como seu pé supina… Com pouca entressola na sapatilha (nome desses tênis de competição) o ser humano (treinado ou que nunca correu com trambolhos nos pés) fica nessa posição pra tocar o solo e fazer N ajustes daí pra cima.

A melhor coisa que a indústria pode fazer pra ela é inventar uma doença (que por ser invenção não existe) e ela mesmo inventar e vender a cura. Surgem os tênis que “corrigem pisada” de supinadores, como se fosse um erro de criação Dele.

Repare ainda no ângulo do joelho do mesmo atleta e do que está escondido atrás dele. Eu disse no post anterior que o joelho NÃO é uma articulação de estabilidade. Quadril e tornozelo são. O que isso nos diz…

Com um contato feito com joelho levemente flexionado você REDUZ a carga de impacto nele, além de armazenar assim energia elástica (em músculos e tendões) pra impulsionar o próximo passo.

Quadril e tornozelo assim é que irão estabilizar a passada, algo que o joelho faz muito mal.

É uma corrida PASSIVA aquela feita com joelho estendido só esperando o impacto, a pancada no solo.

Olhe ainda o pé de trás… Ele vai até o quadril, mas não adianta treinar isso… Isso é CONSEQUÊNCIA não causa da velocidade desse corredor. Por essas e outras que não oriento educativos simulando essa fase.

Foto: Marcelo Nakano – @NakanoFotografias
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