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Centro de Gravidade (CG) e Quadril…

A corrida é um esporte antigo que mudou relativamente pouco, bem pouco nas últimas décadas. Faz mais de meio século, por exemplo, que surgiu a ideia de tiros como fazemos hoje.

Como vender novidade em algo que não muda, então? Por isso que de tempos em tempos aparecem as “revoluções anunciadas”.

Sempre acho que amador de preocupa mais com a cobertura do que com a fundação.

As pessoas falam muito que o pé deve tocar o solo abaixo do Centro de Gravidade (CG).

SERÁ?!

Faça um exercício… Parado e em pé com a ponta do pé e joelho levemente flexionado tente tocar o solo SEM flexionar a outra perna. Fez?

Agora faça a mesma coisa só que tocando o chão com o calcanhar, não com a ponta.

Em AMBOS você encosta o solo à frente do CG, PORÉM, para manter a mesma amplitude com ponta do pé você tem joelho flexionado (mais eficiente e protetor) e com o calcanhar você tem o joelho estendido (o oposto).

Mesmo na ELITE o pé toca o solo À FRENTE do CG (a menos que vc esteja trotando ou em ritmo lento pra você). O ponto é:

COMO ESSE PÉ TOCA O SOLO??

A tara por tocar o solo abaixo do CG é ignorar que a corrida é um filme, não uma foto.

📸 @NakanoFotografias (Marcelo Nakano)

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Cada um é cada um??

Poucas coisas me deixam mais nervoso que as afirmações que “dieta deve ser personalizada”… “treino deve ser individualizado”. Me deixam nervoso porque não é verdade! Acredito DE VERDADE que a maioria dos profissionais NÃO fala isso por mal! Mas sei que muitos (não disse maioria!) só fala isso para poder vender um produto, uma ideia: a de que cada um tem um funcionamento único. E apresenta seus serviços.

Será que cada um é único?

O conceito de que cada um é um só seria verdade quando aparecesse um ser humano cuja dieta “ideal” fosse terra e erva cidreira. Não. O ser humano, 100% deles, compartilha de um grupo COMUM de alimentos que, ignorada intolerâncias (glúten ou lactose, por exemplo) individuais, forma sua dieta.

Fossemos nós o rebanho e os Nelores os pecuaristas, os donos de zoológicos, eles nos confinariam e nos dariam uma mesma ração. A todos.

A ideia de que cada um corre de um jeito tb não resiste. Você SABE quando alguém está correndo. Quando alguém NADA à sua frente você sabe que ele NÃO está correndo.

Por isso há SIM um jeito melhor de correr. Nessa foto abaixo você tem à esquerda um corredor que estende sua passada até o último instante… bico do pé ainda na pista, a “empurrando”. Quantos amadores você vê fazendo isso no Parque do Ibirapuera, por exemplo?

Mas quero falar é dos outros 2. Um com perna quase estendida e calcanhar indo a tocar o solo. Outro perna flexionada e pé em supinação (para fora). A essa diferença INDIVIDUAL da técnica de corrida chamados de estilo. Dizer que uns correm melhor tocando o solo do jeito X é como acreditar que alguém corre melhor tocando o joelho na pista. Tem que ter fé. Às vezes é só o equipamento ou – mais provável – o corpo dele que o faça fazer assim.

O maior problema de quem deposita muita fé em tênis é que se esquece que ele muda o jeito como fomos construídos a correr. E isso tem consequências difíceis de se ver de cara.

📷 Foto: Marcelo Nakano – @NakanoFotografias
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Enquanto uns quebram pedras, outros descansam…

Um empurrando a 3-baixo por km e outros de mãos na cintura…

Brincadeiras à parte, veja como o joelho de quem corre está flexionado… Repare!

Se você estiver parado em pé e eu pedir que você salte o mais alto possível, você faz um leve gesto de agachar e salta. ESSE é o jeito que nosso corpo faz para quebrar a inércia de forma mais eficiente, armazenando energia em músculos e tendões.

Se prestarmos atenção, os atletas mais eficientes e mais velozes têm no joelho e NÃO no pé o seu guia, o que vai mais à frente.

O joelho levemente flexionado (pra armazenar energia a ser liberada depois do pé tocar o solo) serve também pra proteger o corpo porque com ele estendido a pancada vem sem proteção.

Corrida nada mais é que uma sucessão de saltos, não?

Mas o pé não deve tocar o solo abaixo do centro de gravidade?
Essa lenda fica pra outro post

📸Foto: Marcelo Nakano – @NakanoFotografias
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Corrida ativa, passiva… causa versus consequência…

Repare no pé do atleta no primeiro plano… Veja como seu pé supina… Com pouca entressola na sapatilha (nome desses tênis de competição) o ser humano (treinado ou que nunca correu com trambolhos nos pés) fica nessa posição pra tocar o solo e fazer N ajustes daí pra cima.

A melhor coisa que a indústria pode fazer pra ela é inventar uma doença (que por ser invenção não existe) e ela mesmo inventar e vender a cura. Surgem os tênis que “corrigem pisada” de supinadores, como se fosse um erro de criação Dele.

Repare ainda no ângulo do joelho do mesmo atleta e do que está escondido atrás dele. Eu disse no post anterior que o joelho NÃO é uma articulação de estabilidade. Quadril e tornozelo são. O que isso nos diz…

Com um contato feito com joelho levemente flexionado você REDUZ a carga de impacto nele, além de armazenar assim energia elástica (em músculos e tendões) pra impulsionar o próximo passo.

Quadril e tornozelo assim é que irão estabilizar a passada, algo que o joelho faz muito mal.

É uma corrida PASSIVA aquela feita com joelho estendido só esperando o impacto, a pancada no solo.

Olhe ainda o pé de trás… Ele vai até o quadril, mas não adianta treinar isso… Isso é CONSEQUÊNCIA não causa da velocidade desse corredor. Por essas e outras que não oriento educativos simulando essa fase.

Foto: Marcelo Nakano – @NakanoFotografias
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Sobre o contato do pé no solo…

Já que vocês gostam dessas coisas, nos próximos e-mails vou aproveitar que achei um monte de fotos lindas que meu amigo Marcelo Nakano tirou nos 3.000m do TUNA pra falar de técnica de corrida.

Infelizmente é MUITO difícil achar material BOM falando sobre técnica de corrida que não fique na pura teoria.

Olhe a entrada (foto abaixo), o contato do pé do Molina (usando New Balance) na pista. Supina? Corre na “ponta do pé”? Repare no atleta descalço ali atrás… Entrada bem semelhante. Faz sentido, sabe por quê?

Os 2 têm pouco suporte (entressola) nos pés, é o jeito natural que o ser humano tem pra “tatear” onde vai pisar. Em um piso irregular isso serve pra fazer TODO o ajuste subsequente. IMPOSSÍVEL fazer isso entrando com o calcanhar sem comprometer os joelhos, uma articulação que NÃO é de estabilidade.

Não é só isso! Repare que o joelho desse pé está flexionado. Isso dá um “grau de liberdade” a mais gerando energia elástica, como se fosse um salto.

Os corredores ineficientes fazem essa entrada, esse contato, com joelho estendido, aumentando o impacto e não aproveitando a energia elástica, pliometria.

Repare ainda onde vão os cravos do calçado e o quão pouco há de entressola. Não há nada a se aprender com os mais rápidos?
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