Arquivo da categoria: América do Sul

Os números das Meias Maratonas nos EUA e no Brasil em 2014

A Running USA terminou o levantamento dos dados das Meias Maratonas nos EUA em 2014. Os números dos 21km nos EUA são sempre superlativos, quase assustadores. Vou como de costume colocar algumas informações comparando com os dados brasileiros coletados em 2014 em parceria com meu amigo Nelson Evencio, que estão sempre atualizados neste infográfico aqui. Vamos lá:

 

– Em 2014 os EUA tiveram 2.046.600 concluintes, enquanto nós tivemos pouco mais de 99.400.

– Por lá as mulheres são inacreditáveis 61% dos concluintes, por aqui elas são 25,5%. Para colocar em perspectiva: nossa prova MAIS feminina (Meia Maratona da CAIXA do Rio de Janeiro) tinha 44% de mulheres, enquanto a prova MENOS feminina nos EUA tinha 40% de corredoras!

– O tempo médio dos americanos é de 2h02:55 entre eles e 2h21:22 entre as mulheres nos EUA. Somos provavelmente apenas um pouco mais rápidos: 2h00:17 entre homens e 2h15:47 entre elas.

– Outros dados mostram como 21km lá nos EUA é coisa séria: a prova feminina da Nike em San Francisco só com mulheres de 20 a 29 anos seria nossa 2ª maior prova, a Meia Maratona CAIXA do Rio de Janeiro. A Meia Rock´ n´ Roll de Las Vegas tem só de veteranos (+40 anos) o mesmo número de concluintes que nossa maior prova, a Internacional do Rio de Janeiro (Yescom)!

– Por fim, eles tiveram 32 provas de 21km com mais de 10.000 concluintes, nós apenas uma. 40 Meias nos EUA estão entre as 100 maiores provas por lá. Aqui elas são 8 entre as top 50. E enquanto eles têm cerca de 2.200 provas, nós tivemos 91.

 

Deixei fugir algo?

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Os números e a força da Maratona da Disney entre os brasileiros

mickey runDificilmente falo de alguma prova em especial. Mas não dá para ignorar uma prova que leva mais de 800 brasileiros a correr tão longe e por tantos quilômetros. Seus números colocam a Maratona da Disney como a 5ª maior em número de brasileiros, não é pouca coisa! E vou provar que ela tem um peso ainda maior.

No gráfico abaixo faço um paralelo dela e de Buenos Aires (em vermelho), uma prova tecnicamente ótima e a preços honestos. Ano passado ela foi a maratona internacional com mais brasileiros na história, roubando um recorde da própria Disney de meses antes. Se olharmos ano a ano veremos que as duas crescem em uma forma diferente, mas sustentada. A projeção exponencial (linha verde) é que a prova argentina não ultrapasse a americana. Meu chute? Vai passar. Ela precisa crescer metade dos 30% de 2013-2014 para conseguir isso. E aí vem o primeiro de 3 segredos.

Primeiro é que a Disney cresce aos saltos. Ela era a 3ª ou 4ª prova preferida no exterior. Hoje é a líder, ainda que por meses. E ela depende mais do câmbio do dólar (ou da crise, que a Dilma insiste em negar) do que a portenha da paridade Peso-Real. Repare na linha amarela que mostra uma queda no ritmo de crescimento da Disney, sinal claro da atual crise. Não precisa entender muito de logística para saber que correr com o Mickey Mouse envolve mais planejamento.

O segundo segredo é o que os números não dizem. Em 2013 8 brasileiros inscritos não correram a prova. Em 2014 foram 13. E em 2015? TREZENTOS E VINTE brasileiros não foram correr apesar de inscritos. Sinal que – de novo! –  a crise pesou. E muito.

O 3º e último segredo é que a Disney tomou uma proporção tão grande, que esses 320 inscritos poderiam fazê-la páreo às maratonas de Porto Alegre e Curitiba em número de concluintes. Eu não sei vocês, eu acho isso um assombro. Isso mostra que somos um país apaixonado por Orlando e que gosta de correr 42km, desde que seja lá fora.

Comparação entre as maratonas de Buenos Aires e Disney

Por fim, sobre os resultados… vi e soube que vocês andaram batendo boca porque teria havido ufanismo nas vitórias brasileiras na Disney. Sei lá, acho que minha formação em esporte é diferente da maioria… eu gosto de esporte, estou pouco ligando pra nacionalidade de quem ganhou. Não me interessa se é amigo do Fulano, se é bonito ou se é brasileiro ou latino-americano. Não estou nem aí! Não me verão dizendo “orgulho de ser brasileiro” se um ganha ou um “que maravilha de dobradinha”.

O que você não se pode fazer é culpar o(s) vencedor(es) pelos tempos serem tecnicamente “fracos”. Isso é um absurdo! Você tem é que culpar quem acha que uma maratona que não atrai muitos atletas da elite sirva de métrica pra quem pensa que entende do gingado. Deixem os atletas, pô! Por outro lado, parem de encher com essa de “que maravilha, Brasil”, nacionalismo é refúgio de covarde. E isso não é nem nacionalismo, é desconhecimento mesmo. Falo isso porque quando se para pra ver, nem Rio, SP, POA ou Curitiba, que pagam prêmios em dinheiro tiveram dobradinhas brasileiras!

A questão é que todo mundo já sonhou em ganhar uma prova, que fosse uma volta no quarteirão entre amigos. O que dizer então de uma com quase 20.000 concluintes? E o que dizer de uma tão famosa e especial? Vai culpar e criticar o atleta por perseguir esse sonho? Tenha dó, vai! Deixemos de ser implicantes! Todo mundo corre atrás do sonho que quiser.

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O retrato das Meias Maratonas no Brasil em 2014.

Com ajuda fundamental do Nelson Evêncio, meu amigo, treinador e presidente da ATC-SP, consegui fazer o infográfico das Meias Maratonas Brasileiras, com dados colhidos por nós 2 entre os anos de 2011 e 2014. Os dados vocês podem ver clicando aqui. Mas resolvi abaixo colocar outras informações pertinentes que não estão lá.

Em 2014 tivemos no Brasil 91 provas na distância, o maior número de sempre, sendo que isso significa 24 provas a mais que 2013. São mais de 99.400 concluintes, um aumento de 30,8% com as mulheres chegando a 25,5% (*eram 20% em 2011), sendo que nos EUA elas são 61%.

Se o mercado americano é muito distante de nossa realidade com seus quase 2 milhões de concluintes, caem bem uma comparação com os dados argentinos. Lá foram 49 provas com 47.700 concluintes. As nossas 49 maiores tiveram 89.400.

meias 2014 b

Ou seja, o mercado lá pode ser menor, mas é quase tão concentrado quanto aqui já que a capital Buenos Aires sozinha tem 32% dos concluintes. Porém, a Grande SP e o Rio têm 27% dos concluintes cada.

Vale destacar que das 10 maiores por aqui, 8 ficam no eixo Rio-SP. A Golden Four ASICS Brasília (6ª) e a das Cataratas do Iguaçu (10º) são as exceções. Além dessas, a maior da região Nordeste é a Iguatemi Salvador Farol a Farol (18ª com 1.484 concluintes) e a SESC Pará (30ª e 783 concluintes) é a maior da região Norte.

Talvez ainda valha destacar a de Floripa (12ª), a Mizuno Half Marathon Belo Horizonte (15ª) e a Golden Four ASICS Porto Alegre (25ª) como as maiores de seus estados. A Tribuna Praia Grande (SP) não-capital no litoral (13ª) e a Amil Campinas (22a) no interior de SP.

Deixei de fora algo? Comente!

Por fim, refaço o convite para ver o infográfico aqui.

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As Maratonas brasileiras em 2014

Com enorme ajuda do meu amigo Nelson Evêncio, presidente da ATC-SP, consegui terminar esse infográfico aqui, com números e dados das maratonas brasileiras e das participações brasileiras. Os dados estão compilados desde 2011, mas não publicamos na íntegra. Algumas observações e pitacos:

A do Rio de Janeiro se firma como a maior do país, responde por mais de 1/3 dos concluintes no país! SP se firma como a 2ª, e Porto Alegre volta a ser a 3ª à frente de Curitiba (4ª). A de Santa Catarina é isolada a 5ª, depois é um bololô com mais 9 provas, nenhuma delas no Norte.

São ao todo 14 provas, 2 a mais que 2013 sendo que a de Foz foi cancelada. São assim 3 inaugurais. Quer a lista? No infográfico você encontra o nome completo de todas.

O crescimento foi pífio, mínimo. 0,5% a mais de concluintes que 2014. De 2012 pra 2013 havia sido de 21%. De 2011 pra 2012 foi 1,8%. Ou seja, não há muito padrão…

O crescimento foi mínimo em ambos os sexos. Elas agora respondem por 14,9%. Era 14,2% em 2011 e são 43% nos EUA (2013), ou seja, somos muito diferentes deles, mas o padrão é o mesmo: aumenta-se a distância, e o número proporcionalmente delas cai. Mas 14,9% ainda é um número MUITO baixo…

De resto, investir em maratona parece ser arriscado. Somente Rio de Janeiro cresceu substancialmente (7%), salvando os números brasileiros. A da Bahia, por exemplo, encolheu 24%.

No exterior nossa participação só aumenta. Nas 25 maiores em brasileiros, aumentou 21,3% de 2013 pra 2014 (28,9% ano passado). Só Berlim tem padrão de queda (desde 2011). Só ela, Frankfurt e Praga perderam brasileiros em 2014.

Buenos Aires é a líder em brasileiros. E não é só isso, com quase 8.000 concluintes, ela é quase o dobro do Rio. Ela tem quase o tamanho do Brasil sem a do Rio!

Por fim, há lá uma lista das mais rápidas. Infelizmente o número muito baixo de 9 delas fez com que comparássemos somente as 4 maiores e as médias americanas. Há números interessantes. Por exemplo, a UpHill Marathon foi mais rápida que a de SP! Amostragem baixa e selecionada na prova da Mizuno? Pode ser, mas mostra o peso do calor, já que SP foi a mais lenta de todas.

O homem brasileiro corre os 42km a 4h14 e a mulher em 4h34.

Era isso! Esqueci algo?

Dê uma olhada no infográfico e palpite!

https://e.infogr.am/a-maratona-e-os-brasileiros

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Brasileiros nas Maratonas no Exterior

Fiz um pequeno levantamento com as maratonas no exterior com maior número de brasileiros (residentes ou não) concluintes. Cheguei naquelas que seriam as 20 maiores. Basicamente 6 são nos EUA, 3 na América Latina e 11 na Europa. Pra mim, nos EUA a surpresa é Los Angeles, já Miami não. Na América do Sul, além do destaque ser a ótima Buenos Aires, em Punta del Este mais da metade (52,6%) dos concluintes é brasileira! Sugiro ao Itamarati negociar e quem sabe reanexar o Uruguai, aproveitamos assim e até reforçamos a zaga para a Copa de 2018.

Na Europa, apenas Alemanha (Frankfurt, Munique e Berlim) e Espanha (Barcelona e Madri) entram com mais de uma representante. Berlim (-12%) é um caso à parte que discutirei muito em breve no blog: há todo um auê em cima dela, mas ela e Frankfurt (-22%) são as duas únicas que tiveram menos brasileiros em 2014. Enquanto isso, Disney (+55%) e Buenos Aires (+30%) decolaram ainda mais.

MAIORES 42KM COM BRASUCAS 2014

Se por um lado Atenas me surpreende com 26 corajosos, fiquei um pouco surpreso por não termos muito mais gente em provas como Veneza, na dinamarquesa Copenhagen e tantas outras grandes. Se por um lado a distância explica não termos muitos representantes em provas como a gigante Honolulu (EUA) ou nas ótimas canadenses, por outro lado muitas provas ficaram de fora simplesmente porque não possibilitam a busca por nacionalidade, como é na outra gigante Marina Corps (EUA) ou na Du Medoc (França). Ou ainda nas japonesas que têm sites horrorosos que não condizem com a fama hi-tech deles.

De resto, coloquei também um pequeno comparativo com 5 maratonas brasileiras (exclui as 4 grandes: Rio, SP, Porto Alegre e Curitiba) só para dar uma dimensão de como não gostamos de correr 42km aqui no Brasil.

BRASIL X EXTERIOR

Mickey é melhor do que o Beto Carrero… a Champs-Élysées é melhor que o Pelourinho…

Por fim, daqui alguns dias vou postar um retrato dos 42km no Brasil com números bem detalhados. Mas pra que saibam, em 2014 houve um aumento de cerca de 20% nessas 20 provas comparado a 2013. 17 das 20 cresceram. Enquanto pouco mais de 12.000 correm 42km aqui no Brasil, mais de 4.200 correm somente nessas 20 provas! Ou seja, as nossas não viram enormes e não é por oferta interna, é a demanda que é baixa mesmo. O brasileiro quer mesmo é correr prova boa e lá fora!

Perdi alguma coisa, leitor? Comente!

*Frankurt (21a) e Praga (22a) ficaram no limite. Lima, Caracas e Rosário devem ter vários brasileiros, mas não há como saber…

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