Combinações para: “kinesio tape” …

Você é adepto da Kinesio Taping? Hmmm…

Dias atrás cheguei a 3 textos do Rodolfo Lucena (1, 2 e 3) sobre kinesio taping (KT), aquelas fitinhas coloridas que parecem um esparadrapo brilhantemente definida pelo fisioterapeuta Leonardo Oliveira Pena Costa como “um dos maiores cases de marketing esportivo da história”. Eu nunca conseguiria fazer uma definição tão feliz. E quem é Leonardo Costa? Não o conheço pessoalmente, mas ele fez algo que é uma transgressão, quase um delito quando se fala em Ciências da Saúde: ele resolveu contestar algo porque – veja só que enorme absurdo! – não há evidências de sua real eficácia alegada, no caso as da KT. Pior: descobriu ele que “há comprovação científica de que KT não funciona”.

Antes de tudo é honesto que já saiba minha opinião: considero e coloco as KT no mesmo balaio da inutilidade do bom-corredor-enganado junto com BCAA, cápsulas de sal e meias de compressão. Mais. Considero o profissional de saúde que use ou recomende esses recursos (SEMPRE falando de corrida) como sendo os de 3 tipos:

boy-with-taped-mouth– o desinformado/desatualizado;

– o picareta mal intencionado;

– o que obtém ganho direto ou indireto em sua comercialização. Ou seja, aquele com forte conflito de interesse mesmo.

Voltemos ao Leonardo Costa. O estudo chegou a revisões de quase 500 pacientes em 12 pesquisas internacionais que preenchem critérios técnicos de confiabilidade. Qual a frase usada pelo pesquisador em entrevista? É forte: “o KT não é útil para pacientes e atletas como os criadores da técnica proclamam“. Direto assim, honesto assim.

Os que defendem o KT usam argumentos sem embasamento científico algum. Até porque partem do princípio de que ele pode causar diversas alterações fisiológicas e metabólicas como melhorar o fluxo linfático e ter efeito analgésico. Fica difícil encontrar justificativa plausível para que um pedaço de fita colado na pele provoque tanto efeito sendo superficial para atingir os fusos neuromusculares que regulam o tônus muscular. Imagine o estrago que uma meia de compressão ou uma luva não causariam?

O KT é mais um dos milagres que vira e mexe surgem numa área tão fértil como o esporte, onde atletas vivem buscando resolver um problema crônico, mas imaginam haver algo “salvador”. Junte nessa salada Fisioterapeutas, Médicos, Treinadores e Nutricionistas colaborando com essa maluquice toda e querendo agradar o seu paciente.

mummy-vector-279300Algumas coisas são bem caras ao profissional da Saúde. A primeira é a enorme dificuldade de dizer “não sei” sob o risco de perder um cliente. A outra é o enorme conflito de interesse que ele tem quando seu maior commodity é justamente ele, o paciente. Quanto maior a duração dessa relação, maior o retorno financeiro. Como desagradar justamente quem paga seu salário? Vir com cara feia me negar esse conflito não reduz o problema, só demonstra miopia.

Ainda nos textos do Lucena, talvez tenha lhe faltado um pouco mais de coragem de desagradar alguns colegas, normal a prudência de quem está num veículo grande. Mas anos na área me ensinaram a reconhecer a picaretagem dessa gente pelo cheiro, pelo traquejo, pelo uso titubeante de algumas frases. Não conheço os fisioterapeutas entrevistados, eles podem não ser picaretas (se achasse eu diria!), mas a frase que um usa quase quebrou meu detector de picaretagem: “todo o meu uso atual está embasado em experiência clínica (…), há carência de estudos até pela novidade da KT, e a ciência tem a sua própria velocidade”. Essa argumentação é a de um curandeiro, não de quem diz aplicar ciência, é a técnica milenar do rá-ié-ié no profissional da saúde. Dou muito mais crédito a uma parteira anafabeta de Quipopró que fala assim do que em um estagiário de obstetra com o mesmo princípio. Por quê? Porque esse é o método da primeira e demonstra a falta de recursos do segundo.

A outra fisioterapeuta, também apela à crença: “não baseio em estudos, apesar de buscar uma atuação fisioterapêutica embasada”. Seja lá o que isso queira dizer, reforço, não avalio competências de quem nem conheço, mas ambos estão na turma dos profissionais de Saúde que, para enfeitar e florir seus trabalhos garantindo seu commodity dão um pé na bunda das evidências e, como um ex-boleiro fora de forma, vai na base da “experi”. Vai por mim, eles não são poucos.

A única coisa que me incomoda de verdade é o corporativismo e a reserva de mercado que a categoria sempre reivindica, querendo que você procure por eles, profissionais “qualificados, formados ou especializados” porque “se não aplicar direito, não surte efeito”. Acontece que eles não conseguem jamais provar que funciona, e isso é SIM picaretagem.

Escrevi tudo isso pra dizer que a Kinesio Taping assim como tudo que é Simpatia, pra surtir efeito precisa ter FÉ, muita FÉ. Já dizia o poeta: Felicidade começa com Fé. Mas esses fisioterapeutas, mesmo sem saber o que fazem, vão cobrar um preço. E não é barato.

kinesio tape

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Treinandus Poucus Demasiadus Papus

Você conhece aquele que anda “treinando muito”, querendo “muito melhorar suas marcas” em algumas provas e ainda assim não obtém os resultados que tanto persegue? Pois os tempos atuais fazem necessário falarmos sobre a Síndrome do Treinandus Poucus Demasiadus Papus, uma desordem comportamental muito séria que se caracteriza por um platô do desempenho dessas pessoas na corrida. O indivíduo em questão é acometido por esta doença que impede o seu progresso apesar de todo o dinheiro investido e, muito mais importante, do considerável tempo de dedicação ou das sessões semanais treinando.

Esta síndrome atinge corredores dos mais variados níveis e de variadas idades, que vão em sua maioria entre os 20 e os 45 anos. A manifestação da Síndrome do Treinandus Poucus Demasiadus Papus pode se caracterizar por uma intensa preocupação com mais de um dos fatores abaixo:

– Tipos de pisada;

– Amortecimento do calçado;

– Flexibilidade;

– Equipamentos de vestuário (óculos, meias de compressão, manguitos…);

– Suplementos, BCAA e nutrição;

– Coleta de dados de treinamento (para posterior análise de seu treinador);

– Treinamento individualizado;

– Periodização;

– Fisioterapia preventiva.

O medo de fazer força nos tiros ou rodar em subidas, além de resistência ou preguiça de rodar muitos quilômetros (independente do ritmo) e ausência de treinos em temperaturas que estejam abaixo dos 15⁰C são outras características muito comuns a quem sofre da síndrome.

Não há um grande estudo analisando sua prevalência ou condição sine qua non de que sejam corredores de assessorias esportivas, e não sabemos se o Treinandus Poucus Demasiadus Papus é contagioso, endêmico ou exclusivo apenas de alguma microrregião (ex: Marquise do Ibirapuera), mas podemos estimar que pode afetar até mesmo cerca de ¾ dessas pessoas em maior ou menor grau, condição essa que não a diagnosticam como sofredoras da síndrome, mas sim que é mais fácil uma terapia de remissão ou mesmo cura.

Sabemos, sim, que aspectos sociais e ambientais parecem ter correlação positiva, ainda que não saibamos se de causa ou casualidade nesta síndrome. O que existem são fortes suspeitas como causadoras dela. Podemos teorizar que as fontes de informação por parte desses corredores acometidos são: conselhos de revistas de corrida, portais especializados da internet, além da simplificação advinda de postagens de incentivadores virtuais, os influencers, que em análise rápida de seu conteúdo, em considerável parte parecem sofrer do mesmo mal, em maior ou menor grau.

Mal este que NÃO parece ser adquirido por contato, via aérea ou sanguínea, já que se espalha mesmo em ambientes sem contato físico algum, como os grupos de Facebook e as redes sociais. E parece que pode ser diagnosticado por uma junta médica e de profissionais de saúde, dessas que você encontra facilmente em clínicas multidisciplinares com nome pomposo e/ou em inglês que enfatizam terapias preventivas com o intuito único de ganhar dinheir…OOOPS… de melhorar a saúde e o desempenho desses corredores amadores.

Falemos e discutamos, pois, de sintomas, prevenção, e medidas de tratamento por intervenção comportamental.

UMA SÍNDROME SÉRIA:

Dizem que é um passo importante ao doente admitir que sofre de um mal. Posso não sofrer hoje da síndrome, mas por um tempo considerável de minha vida como corredor apresentei alguns sintomas claros da Treinandus Poucus Demasiadus Papus. Fiz inúmeros testes de tipos de pisada, buscava amortecimento em calçados como alguém que procura o nirvana, alongava antes e depois dos treinos, já corri com tira sub-patelar, com munhequeira, de bermuda térmica e meia de compressão… comprei óculos de corrida, estudei os efeitos de suplementos, consumi BCAA, anotava dados como FC em repouso e volume de treinos… tudo. Por algum motivo que não a ingenuidade achava que meu treinador fosse algum dia analisar esses dados que nem mesmo eu hoje tenho o menor interesse pessoal. Hoje me considero curado. Mas tenho que me policiar a cada vez que alguém resolve me mostrar os belos gráficos que um GPS, aparelho que eu nunca tive, é capaz de criar.

Porém, ainda que curado, me incomoda ver tantos sucumbindo a essa grave doença…

Por outro lado, tive muita sorte por um período ter que treinar sozinho e ter entre meus colegas de equipe, corredores muito old-school. Correndo sozinho eu não tinha a tentação de perder tempo com o que não importa no resultado final, nem de ouvir dicas furadas. Treinando com veteranos rápidos e experientes aprendi o que nenhuma revista ou portal jamais me ensinaria. *Lembre-se sempre, revistas e portais tentam te vender os equipamentos das empresas que pagam por anúncios em suas páginas, e eles tentam ainda vender-lhe atalhos, que na corrida, simplesmente não existem.

Aprendi com eles que: correr bem é resultado basicamente uma questão de muito volume, de muita paciência, de muita regularidade e de muita dedicação. Para correr bem sem um desses “muitos”, você terá que ter a grande sorte de ter os genes certos.

E obviamente que minha sorte não me impediu ainda assim de perder muito tempo com coisa inútil. Porém, provavelmente foi meu interesse na área que me salvou de consumir um volume ainda maior dessas inutilidades e gastar dinheiro com coisas que atrapalham a corrida. Isso porque a base do que aqueles corredores experientes e rápidos me explicaram é que a corrida é simples. É quem vive dela e não quem corre que tenta criar a…

“ILUSÃO DA COMPLEXIDADE”

Alguns gurus, Revistas, Treinadores fracos, Portais, associações de Médicos, Nutricionistas, Fisioterapeutas e muitas outras pessoas da mais alta boa vontade vão tentar te enganar. Vão tentar dizer que o esporte mais simples de todos é complexo e exige cuidados maiores.

Com a internet ficou mais fácil consultar de modo simples as recomendações destes e você consegue chegar a um mesmo padrão de conduta que não encontra suporte nem respaldo em nada que não seja a vontade única deles de te vender um plano “individualizado” ou personalizado. Correr é um pé à frente do outro por milhões de vezes, mas dirão que há necessidade de testes, de equipamentos e planos pessoais e periodizados. Ao contrário de tudo o que fazem os melhores do mundo ou os que mais correm no mundo.

cientificamente

Quando alguém quer te vender milagres ou alguma bobagem, ela usa o termo ”cientificamente comprovado” em seus posts patrocinados nas redes sociais. É o jeito de querer rebuscar o simples. É impossível nos dias de hoje acompanhar toda a informação que é gerada. Por que não recorrer ao que funciona e é barato ou quase gratuito? Os adeptos da ilusão da complexidade tentam apenas encarecer o seu produto.

Na corrida não há muitos segredos.

 

 

 

Vejo corredores que não correm

Ninguém se considera fluente no idioma de Victor Hugo tendo aula na Aliança Francesa estudando 2 horas por semana, nem se considera bailarino dançando em festas a cada 15 dias, mas se considera corredor ao aparecer na assessoria correndo em média duas vezes na semana por pouco mais de 30 minutos. Encaram a maratona como uma tatuagem, uma vez feita, virou maratonista para sempre.

Corredor é quem corre, é tolo DEMAIS o debate de quem é (ou não é) “corredor”. Mas o texto é sobre evolução de marcas, e ela na corrida passa necessariamente sobre volume de sua prática. Pagar o boleto da academia não melhora sua carga no supino, empurrar uma barra pesada é que faz. Quer correr melhor? Vai ter que correr.

Como você pode saber se você vem sofrendo da síndrome?

Se você passa mais tempo aprendendo novos treinos, fazendo exercícios parados, pulando a corrida por treinos alternativos, e não vê suas marcas melhorarem, é bem possível que já sofra dela.

Voltamos então ao fato que corredor precisa correr. Consistentemente. E isso NÃO significa jamais perder um treino na mesma medida que ficar sem correr por meses e achar que vai melhorar é uma meta um pouco irreal.

DIAGNÓSTICO

Abaixo vão alguns dos sintomas clássicos do problema. Se você está em um platô de desempenho não condizente com seu tempo e volume correndo, não é necessário procurar ajuda, bastaria mudar a atitude.

1. Você não é metódico.

Corrida de longa distância é um esporte de paciência, repetição, persistência. Não há necessidade de você mudar seu treino semanalmente. Um dos benefícios das repetições de algumas sessões é você poder se comparar diretamente, aprender as respostas e as sensações que seu corpo lhe fornece. Pode parecer entediante às vezes, mas existem treino-chaves feitos por grandes corredores que os fazem de tempos em tempos para saberem e sentirem como estão.

Treinador que tem que ficar inventando treino para o atleta precisa é educar o atleta. Você não consegue imaginar um atleta de força tendo que a cada sessão inventar novas combinações, novos exercícios, novos aparelhos. O corredor também não precisa.

2. Você acha que precisa fazer muitas coisas.

Não há ainda gráfico assim correlacionando positivamente horas de Treino Mental (ou horas de Treino Funcional) com tempo na Maratona...

Não há ainda gráfico assim correlacionando positivamente horas de Treino Mental (ou horas de Treino Funcional) com tempo na Maratona…

Você pode correr leve (trote, rodagem ou mesmo ritmo de maratona) ou forte (velocidade de limiar ou acima disso, ritmos de intervalados). Você pode correr pouco, médio ou muito (longo). Isto tem sido praticado, testado e retestado há mais de 100 anos com muito mais sucesso do que você leitor encontraria em umas 3 vidas inteiras. Você corre no plano ou em terreno irregular (com subida).

Você não precisa pedalar, fazer spinning, aquarunning, nadar, fazer fisioterapia preventiva, pilates, cross-fit, power yoga… se você faz mais destes, você faz menos daquele (corrida). Corredores correm, grandes enxadristas praticam xadrez. Priorize o que é importante.

Se eu vendo suco de beterraba, vou querer te convencer que ele te faz correr melhor. Mas se eu quero correr bem, eu preciso é correr.

3. Você se preocupa mais com suplementos e BCAA do que com o volume de corrida.

Por algum motivo, que não vale discutir, damos à Nutrição um papel que ela não tem. Uma boa Nutrição é aquela que não atrapalha, não aquela que te faria correr melhor. Correr é o que te faz um melhor corredor. Ponto. O debate gordura versus carboidrato não deveria jamais ter saído do rodapé do apêndice dos livros de corrida.

Mas corredor é uma praga, ele acha realmente que para correr é necessário ter algum suplemento por perto. Sobre suplementos, existem 3 certezas:

– Se ele funciona, ele muito provavelmente já é proibido;

– Se ele não é proibido, ele provavelmente não funciona;

– Deve haver algumas pouquíssimas exceções, que não sabemos quais.

Não há suplemento que compense a sua falta de quilômetros no lombo.

4. Você corre mais volume para manter o peso

Se você corre para manter a forma e o peso, sua dieta é errada. Se ela é errada, você tem um problema. E não serão os suplementos a resolver uma dieta ruim. *a parte complicada é que dificilmente também será um Nutricionista

5. Seus treinos mais parecem uma propaganda de margarina

Você já viu fotos com pessoas comendo salada? A menos que você seja um vegano por opção ou uma capivara por nascença, comer salada é quase uma lição de casa, o maior prazer de uma refeição não está no maço de espinafre, mas está na gordura, na carne, no tempero, na sobremesa.

Tire a salada e o sorriso é parecido com fotos de gente correndo em publicações

Tire a salada e o sorriso é parecido com fotos de gente correndo em sites e revistas

Se você está rodando sempre sorridente, se seus tiros mais parecem um happy hour de 5ª feira, parabéns! Você colocou esporte em sua vida da forma mais prazerosa possível! Mas se você quer muito melhorar e não melhora, é porque ainda não entendeu que alguns treinos doem, incomodam, são desconfortáveis.

E não precisam ser todos! Nem mesmo a maioria! Aprender a correr forte é aprender a conviver na corrida com o desconforto. Quando olhamos aos treinos dos melhores atletas do mundo, vemos que não mais do que 2 ou 3 treinos semanais são realmente difíceis. Poucos treinos são muito difíceis. Mas o desconforto está muito presente, em maior ou menor grau. Ninguém é bom sempre sorrindo.

Por outro lado, é fácil ser “guerreiro” uma vez por semana, ou pior, alguns tiros de um treino na semana. Os melhores são os guerreiros na mesma frequência, mas treinam (ainda que leve!) nos outros dias.

6. Você passa mais do que 5 minutos fazendo abdominal

Se você não enxerga seu abdômen definido, você precisa perder gordura, não ficar fazendo abdominais. Perda de gordura localizada com abdominal ficou lá nos anos 90. Se você faz mais abdominais do que faz flexões de braço, por exemplo, você provavelmente está fazendo isso errado. Abdominais cansam, roubam sua energia e pouquíssimo fazem para melhorar sua corrida.

7. Você faz “core”… e usa Swiss Ball, Bosu ou qualquer outro equipamento que te faz parecer um… deixa pra lá!

Não tem como isso dar certo...

Não tem como isso dar certo…

Você consegue imaginar UM corredor bom (mas bão-bão, não o mais rápido na esteira da sua academia) chegando para treinar carregando uma Swiss Ball (aquela bolona gigante) ou uma pranchinha de (des)equilíbrio? Pois é… Eles servem para gerar… desequilíbrio. Não te deixam forte nem te fazem correr melhor. Foque no que importa. Mais tempo na FitBall é menos tempo correndo

8. Você quer correr como Mo Farah com um corpo de velocista

frangoUma verdade que dói aos homens: quanto mais você correr, mais frango você ficará. Quando maior o bíceps, menos você correrá. Existem alguns vídeos patrocinados com caras fortões tipo cross-fit ensinando como correr melhor… esses caras fazendo exercícios estranhos não aguentam duas voltas no quarteirão em um ritmo forte de 10km. Corrida é sobre deslocar massa, com ombros de estivador você não vai longe. Não vai ser pulando no mesmo lugar que você ensinará seu corpo a se deslocar por 15km. Não será correndo mais que você vai crescer. Tenha isso em mente porque é mais honesto!

 

Menos é mais.

Menos é mais.

9. Você usa canelitos, tiras subpatelares, meias de compressão, kinesio tape, viseiras no escuro, manguito no calor…

Corrida de longa distância é entre outras coisas ensinar e ajudar o corpo a dissipar calor. Se você corre fantasiado com muita roupa, você roda menos, se você roda menos, você corre pior. Deixe o estilo para os dias de muito frio (menos de 12⁰C). E a tira subpatelar você deixa na gaveta mesmo.

10. Você está correndo ou aquecendo? Não consigo ver diferença…

Aquecimento é aquecimento. Ele deve ser leve e é essencial para um melhor desempenho, seja em treino ou prova. Ele não pode cansar nem comprometer seu desempenho (na prova ou treino). Tem vezes que olho para alguém que estaria treinando, mas parece que é tudo um eterno aquecimento. Você deve conseguir diferenciar bem as velocidades de aquecimento, de treino e a que você passeia no shopping. Lembre-se: muitas vezes haverá certo desconforto quando falamos de treino buscando melhora de desempenho. Se o conforto é do mesmo nível que o do aquecimento, o treino não começou. Aquecimento a mais é treino a menos. Desaquecimento a mais é treino a mais. Abrace a diferença.

11. Sério que você faz isso?!? Pra correr melhor!?!

…sério mesmo?!?

12. Sem migué.

Tiros de 1.000m são tiros de 1km, não de 950m. Pausa de 1 minuto são 60 segundos, não 1 minuto e meio. No treinamento de corrida de longa distância, respeito à pausa é FUNDAMENTAL. De certa forma, manipulando as pausas eu consigo fazer alguns treinos do Bekele. Mas ainda que mexendo livremente nas pausas NÃO consigo sequer chegar perto dos fisiculturistas finalistas do Mister Olympia ou do velocista Justin Gatlin. Reforço: as pausas na longa distância são cruciais.

Ou seja, se você termina seu tiro 50m antes, você está também dando migué porque mexeu na pausa. Engana a si mesmo.

13. É sempre você quem corre, não seu treinador.

Treinador ajuda. Mas se você tiver ele sempre ao lado comentando e falando em TODAS as repetições, isso mais atrapalha do que ajuda. Você precisa aprender a correr, a obter os sinais que seu corpo lhe dá, sem treinador palpitando ao lado. Ele não estará lá no último quilômetro da prova. Aprenda a lidar com a realidade. E isso nos leva ao próximo sintoma.

14. Você é obcecado por informação

Corra mais, pense menos. Alguns dias correrá bem, em outros correrá mal. No calor será mais lento, no frio mais rápido. Dados não significam informação. Se fosse, a pessoa com o melhor GPS ganharia. Aliás, dá para falar com grande segurança que quanto mais frequência você obtém dados, PIOR. Isso te cega, tira sua percepção e o foco do melhor gadget que existe: seu corpo.

15. Você acha que treino funcional é fundamental.

Se você não consegue fazer um agachamento completo, até o chão, igual à música Na Boquinha da Garrafa, só com a barra, sem anilhas, você não precisa de exercício funcional, você precisa é fazer agachamento mesmo! Agachamento com barra livre ainda é melhor exercício do que qualquer protocolo funcional jamais criado ou prescrito. É mais simples, mais rápido, mais barato e… funciona muito melhor.

Uma barra faz mais por você do que as Swiss Ball, o Bosu, as pranchas de instabilidade, as máquinas-para-fazer-perna-do-tamanho-de-uma-geladeira… todos esses juntos.

16. Você se desespera porque acha que correr melhor te fará uma pessoa melhor.

As pessoas que mais gostam de você não fazem ideia dos seus tempos pessoais. Eu não sei dizer os tempos dos meus melhores amigos corredores, dos meus ex-atletas. Quem se importa com suas marcas são talvez os que não gostam de você. Isso diz um pouco sobre a importância de melhorar as marcas. A vontade de correr muito melhor tem que vir sempre de dentro porque ela não vem de fora. Você até sabe quem correu abaixo dos 40 minutos nos 10km, mas daí para baixo é tudo igual. 31 é igual 34, 36 igual 39, 41 igual 49, e por aí vai. Isso vale para quase todas as provas, todos os níveis e todas as distâncias.

É uma sensação indescritível bater uma grande marca pessoal, mas ninguém vai ficar mais feliz do que você. Faça por você. E só por você. Senão se decepcionará.

O tipo da sua motivação te levará longe, muito longe.

17. Você tem todas as desculpas para não treinar.

Um grande amigo, estacionado há uns 10 anos nos 43min, esses dias não correu porque quando chove forte “caem mais aviões“. Não ria, eu sei que ele falava sério. É uma arte saber quando o corpo precisa ir mais devagar. Algo muito diferente é você não treinar por lesão ou dor. Diferente é se você não treina aos finais de semana, nos feriados, dias festivos, quando está calor, quando está frio, quando chove, quando garoa, quando está abaixo de 15⁰C, quando está cansado, quando acordou muito cedo, quando dormiu tarde, quando tem provas, quando fez hora extra, quando está tarde…

Empurrado ao limite, há basicamente 2 dias: os com treino e os sem treino. O dia de treino que você não treinou, não importa a razão (que não seja lesão!), conta como dia sem treino, ou seja, reduz o volume, reduz a consistência e reduz a essa hora você já sabe o quê.

As pesquisas e estudos da Síndrome continuam

Obviamente não dá para esgotar os sintomas e características dessa grave doença. Se for caso, vou atualizar este post. Quando estava para terminar, li uma passagem de um texto de Steve Magness que fala um pouco da nossa loucura e delírio coletivo em nossa relação contemporânea com as redes sociais. Cada um tem uma relação própria com elas e também com a corrida, não há certo nem errado neste assunto, mas existem padrões. Sobre os leões de treino que sempre informam seus treinos, Magness disse:

Há um truque simples para reconhecer a falsa raça, quanto mais você falar sobre o quão durão você é, maior é a probabilidade de você ser um falso raçudo. Por quê? É insegurança. No fundo, essas pessoas sabem que realmente não são raçudas. Elas têm de criar uma falsa impressão para convencer os outros de que têm dedicação, perseverança e todas as outras palavras da moda. Elas falam de seus feitos e treinos pesados. Elas são os que postam fotos no Instagram treinando na chuva ou no mau tempo, ou postam no Facebook sobre como treinaram duro no Natal, quando todo mundo descansava. Elas precisam desesperadamente do mundo os vendo como dedicados. Elas não acreditam que são, por isso elas precisam de reafirmação e reforço social.

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*este texto não é um plágio, é uma homenagem xupinhada por completo mesmo do talvez mais incrível artigo já escrito sobre treinamento de força, o Fuckarounditis.

 

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Leituras de 4a Feira

Você gosta da banda The Clash? Pois sabia que o líder e vocalista Joe Strummer correu 3 maratonas sem treinar absolutamente NADA? Pior, bebia MUITA cerveja antes! A VICE traz a inacreditável história!

Provavelmente tudo ou grande parte do que você acha que sabe sobre a história de Jesse Owens e o nazismo, é falsa. Sempre vale a leitura!

Na primeira semana dos Jogos completa-se exatos 50 anos que a África começou seu domínio mundial no atletismo da longa distância!

Esporte Espetacular acertando novamente… conta a história da volta de Gabriele Andersen ao estádio que lhe deu fama em 1984.

Christian Taylor, um dos atletas mais fantásticos da atualidade, tem sua técnica de salto triplo dissecada em um infográfico interativo no The New York Times.

Um artigo merece repostagem por ocasião especial. Dias atrás na final do 4x100m livres na natação, marcas roxas pelo corpo de Michael Phelps obviamente chamaram a atenção. É a nova mania entre muitos nadadores. Fiz uma piadinha no Facebook e já apareceram os mesmos argumentos (“é chinês”, tem 4.000 anos de tradição”, “os melhores do mundo usam”…) para defender seu uso. Por isso que trago Steve Magness para explicar mesmo sem recorrer a estudos como essa promete ser a nova grande papagaiada (no esporte!) desde a kinesio tape em 2008… Vale MUITO a leitura!

Você também acha que a Maratona eram 40km até que em Londres por um capricho da família real britânica  transformou a distância em 42,195km, certo?! Pois é… não foi bem assim! Veja abaixo!

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Leituras de 5a Feira

O doping que assola o atletismo mundial hoje é desanimador. Não dá para acreditar em absolutamente NADA do que você vê. Nada! É triste… Uma longa e cuidadosa matéria da ESPN conta um pouco sobre os únicos punidos: os atletas limpos.

Longa Leitura: Você acredita na papagaiada do Kinesio Tape? Pois é… Já escrevi acho que bastante aqui a respeito de sua não eficácia. Um dos melhores textos sobre o assunto é longo, mas cuidadoso e BEM interessante!

Eu nunca soube detalhes da vida e carreira do americano Bobby Morrow, um dos maiores velocistas olímpicos da história, injustamente ignorado. Aqui o The Guardian traz uma retrospectiva sobre seus feitos. Vale a leitura!

Uma longa matéria explicando a estratégia em boa parte biomecânica de Justin Gatlin para bater Usain Bolt. Tudo muito bonito e igualmente exagerado. Mas não conta tudo, né? Não pode…

Matéria bacana usando como pano de fundo Brenda Martinez em sua trajetória na seletiva americana para explicar como o foco deve estar no processo e não apenas em um resultado. É sobre profissionais, mas dá para transferir muita coisa!

Vídeo lindo sobre os Jogos no Rio com canção de fundo dele… o Rei Roberto Carlos!

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Leituras de 6a Feira

Tempinho atrás eu falei aqui no blog sobre a papagaiada que é a Kinesio Tape (KT) na corrida. Basicamente é uma enrolação travestida de terapia séria. Uma vela vermelha, uma galinha e muita reza são tão eficientes quanto. Agora é a Canadian Running que em um texto e lógicas simples fala o obvio: KT promete, não prova e, mais importante, não entrega.

PREfontaine vive! Demais!

Uma das provas de campo mais legais é o lançamento do martelo. Aqui um vídeo bem legal com a tradicional competição que rolou em Strava.

Off-topic: eu não sei até quando vai a munição do excelente John Oliver em seu programa na TV. Alguns vídeos beiram a perfeição. Para quem gosta de esporte universitário americano, uma das bases dessa potência olímpica, talvez devesse dar uma olhada neste vídeo aqui. *bela dica do Adolfo Neto.

Como Steve Magness, Daniel Kahneman e a Economia Comportamental podem ajudar você a fazer um treino-chave e muito difícil ser menos angustiante.

A mãe do campeão olímpico e atual recordista mundial do Decatlo, Ashton Eaton, dá palestra no TED com o tema: como criar um atleta olímpico.

Abaixo o clip com os melhores momentos do tradicional Strava Golden Spike, importantíssimo meeting que contou com Usain Bolt e cia!

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