E se houvesse um teste-cego de tênis?

Quando escrevi meu primeiro livro sobre corrida, O TREINADOR CLANDESTINO, um dos capítulos tratava sobre tênis e prevenção de lesões e nele apontei 2 levantamentos que mostravam relação de associação de maior satisfação e de menos lesões com tênis mais BARATOS. Você leu certo, quanto mais barato, MELHOR.

Quando ainda trabalhava na adidas eu comentava que o ideal era um teste cego com pessoas correndo com o mesmo modelo (sem que obviamente soubessem disso). 

E não é que o estudo foi feito?? Não por uma marca, lógico! Elas já imaginam o resultado!

Eu falo que as fabricantes imaginam porque não passa um dia sequer sem que eu me reforce da ideia de que entre os inúmeros tipos de clientes, há 2 que acabam sendo atendidos pelo mercado: 

1. OS TOLOS. Mas a marca dificilmente tenta falar com esse. Empresa picareta é que tenta fazer isso. Fabricantes vendem pra esses, mas não tentam conversar muito com ele.

2. OS QUE QUEREM SER ENGANADOS. Esses criam uma demanda enorme no mercado de corrida. São a maioria! 

 

Veja bem, existem outros tipos de clientes, ok?!

O estudo deu aos corredores 2 tênis iguais, pedindo ao “atleta” (corredor gosta de ser chamado de atleta) e pedia para comparar o conforto. Um tênis custava U$50 e outro era um lançamento “desenhado para maximizar o conforto” custando U$150. Qual você acha após o teste drive que era eleito mais confortável? O caro, certo?

O problema era: sem saber o “atleta” havia testado o mesmo tênis! 

A precificação de tênis atende a um desejo do mercado. Você cobra caro porque o atleta QUER pagar caro. Eu falo isso há um bom tempo. Ele reclama em público, mas o tênis é antes de tudo um SINALIZADOR SOCIAL.

 

p.s.: um bom tempo atrás escrevi uma série nesse tema….

p.s.2: Effects of deceptive footwear condition on subjective comfort and running biomechanics (CHAN & CHEUNG et al) 

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2 pensamentos sobre “E se houvesse um teste-cego de tênis?

  1. Giuliano Pinheiro Maia disse:

    Boa Balu, suas sacadas são fantásticas. Não tem como discordar. Digo mais, euzinho acabo as vezes entrando nessa “fabriqueta” de sonhos. No entanto, a cada dia estou sabendo lidar com a “roda”, não estou muito afim de girar na mesma velocidade do mercado. E com seus insights fica mais fácil tirar a névoa dos olhos. Parabens

    Curtido por 1 pessoa

  2. Elri disse:

    Tenho uma posição parecida, não apenas sobre tênis de corrida, mas sobre o consumo capitalista, acho que o marketing criou uma casta e vc definiu bem, os Tolos e os que querem ser enganados. Parabéns pelos textos.

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