Quando a Corrida é sintoma, não tratamento.

Já me perguntaram sobre correr dentro de casa na quarentena e falei mais de uma vez: correr dentro de casa não é parte da cura, mas sintoma de uma doença.

Em inbox me mandaram que um dos argumentos é que se isso dá paz mental à pessoa, deveria ser feito. Porém, quem sofre de TOC e precisa dar 15 voltas no próprio eixo antes de abrir a geladeira, por exemplo, não pode achar normal buscar paz nesse gesto irracional. Dar as 15 voltas não é dar paz mental, não é tratamento! Isso não deixa é de ser um sintoma de um problema.

Pois bem, em “On the Wildness of ChildrenCarol Black explica que durante décadas nosso modelo de dependência de drogas foi baseado em pesquisas realizadas com ratos de laboratório. Em um dos experimentos os animais podiam pressionar uma alavanca para receber água com heroína ou com cocaína. Os pesquisadores descobriram que os ratos pressionariam a alavanca e consumiriam droga até que morressem disso! A droga seria então, segundo as conclusões, a CAUSA do comportamento viciante.

Tudo muito lógico não?!

Porém, foi o psicólogo Bruce Alexander (em The Globalization of Addiction) que notou algo especial. Os ratos que se mataram assim estavam isolados em um ambiente não-natural, artificial, estéril, onde NÃO havia nada de mais, de natural para distraí-los ou ter o que fazer.

Vejamos, quando eles foram colocados em um ambiente mais natural, diversificado, onde eram capazes de interagir livremente com o meio-ambiente e mesmo com outros ratos, o uso de drogas foi reduzido em 80%. Ou seja, se você lhes desse uma VIDA real, um ambiente e um mundo no qual eles QUEIRAM VIVER, eles NÃO se destruíam com as drogas.

Mark Baker argumenta que um animal selvagem não é feliz em uma gaiola, por isso ele manifestará com gestos repetidos e comportamento perturbados. Por isso tenho pavor de entrar em lojas que vendem aves em pequenas gaiolas… você percebe em instantes como estão perturbadas. Liberte o animal e ele volta ao seu normal.

Essa gente pregando “corra dentro de casa” sinalizando virtude (“olha como sou virtuoso sou guerreiro e amo correr, quem sai de casa é egoísta!”) acha que está resolvendo um problema, quando apenas nos mostram sintomas de sua doença.

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5 pensamentos sobre “Quando a Corrida é sintoma, não tratamento.

  1. Alfredo Madeiro disse:

    Fato! Já fui taxado de egoísta e irresponsável por não ter paralisado meus treinos de corrida. Expliquei que resido numa área rural em Sergipe, moro só e treino de madrugada. Não adiantou. Nesse caso ficar calado é a melhor opção. Essa loucura de correr dentro de casa não dá para mim. Os fisioterapeutas estão amando essa modinha.

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  2. Juliana disse:

    Perfeito , Balu.

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  3. tadeugoesblog disse:

    Estou andando de bike na rua , saio às 05:30 da manhã para pedalar 01:30 , mas , as vezes, pedalo no meu quintal uns 45 minutos, a tarde, para espantar o tédio que é trabalhar em casa.

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  4. Carlos Eduardo de Abreu e Lima disse:

    Odeio correr em casa (na verdade,ainda não o fiz). Mas ainda acho que é melhor que nada.

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