Um pouco mais sobre conforto…

M. N. Shyamalan era um promissor diretor que fez alguns filmes bem interessantes, como o Sexto Sentido e meu preferido, Sinais (2002). Em um dos mais fracos, há um personagem que me lembra bem o comportamento na corrida. Em A Dama na Água (2006) há um jovem que só treina musculação em um dos braços. Ele fica com um braço de Popeye e outro como um de um frango.

Na corrida por algum delírio nós treinamos as pernas, mas protegemos os pés. Já reparou o que acontece quando alguém fica com um braço (ou perna) imobilizado por semanas após uma fratura? Ao tirar a imobilização é NÍTIDO o enfraquecimento muscular do membro.

A BUSCA PELO CONFORTO

Por MUITOS anos eu sempre corri com esses tênis gigantes de quase 400g. Eu acreditava nessas balelas de controle de movimento, amortecimento, estabilidade. Porém, nas provas SEMPRE optei pela leveza. Meus amigos eram obcecados por modelos ultraleves. Motivo? É um tanto óbvio. O peso é um limitante mecânico.

A corrida é o ÚNICO esporte em que o amador usa equipamentos DIFERENTES do usado pela elite do seu esporte, repare! A elite corre com tênis leves, os amadores com trambolhos. Isso SÓ ACONTECE na corrida! É um misto de ingenuidade (por não ter a leitura correta do esporte que se pratica) com petulância, de achar que um amador possui necessidades especiais que nem mesmo a elite mundial tem.

Quando aderi mais fortemente ao minimalismo uma coisa me chamou atenção. Mesmo eu há tempos SEMPRE usando tênis com menos estrutura (há muitos anos jogo fora as palmilhas de todos os meus tênis, por exemplo) eu acabava com a musculatura da SOLA do meu pé MUITO dolorida. Mas não era dor do tipo traumática, mas FUNCIONAL. A musculatura intrínseca do meu pé (essa “da sola”) estava ACABADA, assim como quando você sai de um treino FORTE e PESADO de musculação.

Ao passar a usar minimalistas acabava ali a proteção aos meus pés. Era a vez de fazer a musculação dos pés. Não faz sentido NENHUM protegê-los. É na EXPOSIÇÃO que você o fortalece. O CONFORTO apenas nos AMOLECE. E isso, sabemos, serve pra tudo na vida. Do contrário, o braço forte e atlético do personagem seria o protegido, não o submetido ao treino.

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3 pensamentos sobre “Um pouco mais sobre conforto…

  1. tadeugoesblog disse:

    Parabéns! Ótimo texto, se superou. Líquido e certo tudo o que disse, sigo a alguns anos isso de tirar as palmilhas, correr com ALL star.

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  2. Varga disse:

    Balu, assista à A Vila do msm diretor. Muito bom. E é uma pena que os calçados minimalistas sumiram do mercado brasileiro e deram lugar a essa onda maximalista tosca, mais parecendo Gene, Paul, Ace & Peter correndo.

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