O dilema do atletismo e os tênis com placas…

REGRA 143.2 do atletismo: (…) sapatos, no entanto, não devem ser construídos de modo a dar aos atletas qualquer assistência injusta ou vantagem. Qualquer tipo de sapato usado deve ser razoavelmente disponível para todos no espírito da universalidade do atletismo.

Tivemos na Maratona de Chicago um recorde mundial dito “inquebrável” sendo destruído. Vimos um dia antes um circo derrubar a barreira das 2h00. Algo precisa ser feito pela “universalidade do atletismo”. O homem mais poderoso da modalidade, Sebastian Coe, é patrocinado (U$100.000/ano) pela marca fabricante e acredito que por isso, não toca no assunto. É nojento.

Eliud Kipchoge corria antes de ter tênis customizado 42km em 2h03. Com eles correu 2h01. Kenenisa Bekele? 2h03. Com eles? 2h01. As melhores marcas da história têm TODAS menos de 18 meses. Há um padrão. Todas com o mesmo modelo. Mas muita gente finge não ver.

A discussão sobre ser contra tecnologia é TOSCA. A F-1 tem em sua ESSÊNCIA o embate tecnológico e percebeu ainda em 1993 (!) que isso MATARIA o esporte e proibiu N recursos tecnológicos. Hoje apenas estrelas patrocinadas pela Nike correm com o produto mais recente. Ou seja…

NÃO

UNIVERSALIDADE

“Ah, você é contra a tecnologia…

Pistas sintéticas são para TODOS os competidores. Os tênis não. Sapatilhas NÃO conferem a mesma vantagem (em desempenho), além de serem universais. Você NÃO TEM no atletismo QUALQUER coisa semelhante.

Coe foi GIGANTE como atleta. Como cartola é medíocre.

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23 pensamentos sobre “O dilema do atletismo e os tênis com placas…

  1. Antal Varga disse:

    Pois é, pois é, pois é….diria a Chiquinha. Mas, Balu, lembro que vc escreveu (ñ lembro qdo) que no alto desempenho ninguém é 100% limpo. A diferença é que esse doping é na “caruda”, totalmente visível, dá “barato” pq o povo adora usar e ainda rende uns bons trocados e mkt para a marca.
    Só que na minha teoria da conspiração, neste caso os calçados ñ são examinados ao contrário dos atletas. Quem garante que ñ tem só a tal placa de carbono ? Pelo menos na F1 os carros passam por inspeções.
    E durmamos com esse barulho pq as outras marcas já estão pegando carona nessa tecnologia.

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    • Mário disse:

      Balu, não querendo entrar na polémica por desconhecimento, lembro que todos os profissionais elite das marcas usam nas provas calçados feitos unicamente para eles e não para os demais profissionais não elite e amadores, quer sejam os da Nike (no canal tênis certo mostraram que nos Jogos do Rio os elite já usavam um protótipo do VP), quer os da Salomon ( o Killian Jonet usa e testa protótipos no UTMB), a.Asics ( o Roheniss falou agora que o Frodeno usou um MetaRacer), e os da NB, Saucony e Adidas.
      A um certo ponto, estes atletas elite são sempre as cobaias e montras tecnológicas/publicitárias para as marcas e não consigo ver como é que a IAAF poderá criar um regulamento técnico para os calçados como.sucede na.F1.
      O que sugere? Que cada atleta só poderá usar um calçado que esteja à venda nos últimos 3 meses antes dessa prova? Que se use o.exemplo dos.ralis(só serão utilizados calçados que estejam à venda livre para o público em, pelo menos, x unidades)?

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  2. Nuno disse:

    Também acabaram os shark suits na natação, no ciclismo até há regulamentação para o tamanho das meias, e o peso do dardo (javelim) aumentou pois estava a passar para a pista do outro lado.
    Quando a todo o corredor não ter acesso, parece-me que será apenas permitir modelos de tenis homologados, e com venda comercial, tal como acontece nas competições automoveis.
    Quanto a ter acesso, muito poucos têm disponibilidade financeira para comprar uma bicicleta de ironman de topo de gama.

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  3. Rafael disse:

    Acho um caminho sem volta. Como no ciclismo, as rodas de carbono, capacete aerodinâmico.
    É uma pena, será uma disputa de marcas.

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  4. Marcelo Vassari disse:

    Em minha opinião, todos os acessórios/uniformes são voltados para de alguma forma aumentar o conforto/rendimento dos atletas.
    Veja as roupas de tecido tecnológico, são pensadas para não acumular suor (peso) e melhorar a troca de calor do atleta, consequentemente aumentar o rendimento do atleta (4% talvez? como precisar?).
    E por que não se corre com meias de algodão? alguns dizem que dão bolhas nos pés, mas se você reduzir seu pace ao usar meias de algodão o efeito das bolhas não seriam minimizados? novamente, quantos % esse acessório melhora o desempenho?

    Quanto ao tênis, eu acredito que todos competem em condições iguais e possuem acesso ao vaporfly, haja visto que até atletas patrocinados por outros fabricantes utilizam. Talvez outros atletas de elite não o utilizem por causa dos próprios compromissos comerciais, mas isso não torna o vaporfly indisponível.

    Realmente há uma onda de quebra de recordes com a introdução do tênis, porém não vejo isso como um problema. Se fosse ilegal todos teríamos que correr com as roupas e acessórios com tecnologias de anos atrás.
    Para mim deve ser discutido se é bom para o esporte, mas não a sua legalidade.

    Acho que os profissionais de atletismo, no fundo, ficam incomodados com a audácia de uma campanha de marketing dizer que voce irá melhorar 4% (ainda que seja muito difícil de quantificar). Isso me lembra os comerciais da Hyundai com “O MELHOR CARRO DO MUNDO”, é apenas uma guerra comercial.

    A propósito, nunca pisei num vaporfly, corro com tenis de outras marcas.

    Abraços Balu, gosto muito do seu conteúdo, mesmo nem sempre concordando.

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  5. . disse:

    Vaporfly nao funciona é um delírio coletivo
    Por meio de cálculos sabemos agora que o benefício era tão baixo (ou nulo ou mesmo negativo) que toda a pompa de que era um tênis resultado de anos de projeto simplesmente não vale o que custa.

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  6. Vinícius disse:

    São apenas tênis Larry! kkkkk brincadeiras a parte, trata-se de uma questão bastante complexa. Recordo de quantas vezes ouvi você, Balu, dar rizada sobre as estimativas de quantos milhões a indústria dos tênis gastava com projetos, será que nesse caso do vaporfly foi por acidente ou por milhões realmente em investimento? A alguns anos ninguém poderia imaginar, principalmente os leitores do blog recorrido, que um par de tênis poderia gerar um efeito semelhante ao de um dopping “raiz” rsrs, ou pelo menos gerar tamanha desconfiança, incluindo inesperadamente o editor deste blog que sempre foi tão cético com relação a isso. De qualquer forma, imagino que se realmente as placas de carbono vieram para ficar, quanto tempo vai demorar para termos um tênis a preço de carro popular com compostos tipo 10% espuma 90% carbono. Acredito que ou se breca agora esse movimento ou será um caminho definitivamente sem volta (talvez já seja). Abraço!

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    • Rafael disse:

      acredito que não tenha volta. Veja os 3 primeiros colocados no masculino do mundial de Ironman no Havai.
      3 protótipos de tênis. De outras marcas que não são nike. (Asics, Hoka e New Balance).

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  7. Sandoval junior disse:

    outro dia o adios da Adidas era p tênis mais rápido, agora é a nike , daqui a pouco quem sabe NB. a tecnologia no tênis tá disponível pra todos e nem é assim carissimo.U$300. na f1 e outros a tecnologia dispensa o piloto, aqui não amigo, aqui e preciso pes, foco, treino, conjunto, e mais uma tanto de coisa. foi uma ajudinha pra dizer pra ciência e pros pangarés: sim é possível sub2, daqui a pouco vai ser oficial e tomara nem seja com nike.

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    • Danilo Balu disse:

      Estou sinceramente assustado com o qto de gente veio dizer que o Adios é o mais rápido… fica fácil entender como uma empresa cobra R$1500 por um modelo e tenha quem compra… as pessoas REALMENTE compram QUALQUER ideia que esteja no site da própria marca! No caso que o Adios e o Boost oferecem vantagens….

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  8. Rafael disse:

    Danilo, nas postagens que vc faz/fez sempre afirmou que o tênis não ajuda o desempenho e ele faz muito quando não atrapalha. Tanto que vc sempre ressalta mais o treinamento, e no caso do evento breaking os pacers que quebram o vento e controlam o ritmo. Então quer dizer que fizeram um tênis que aumenta consideravelmente o desempenho? O que ele oferece a mais? Impulso? Se o kipchogue não estivesse com esse tênis ele não teria corrido abaixo de duas horas? Pois ele ficou alguns segundos abaixo de duas horas e para tirar a influência do tênis ele teria de correr em 1 hora e 57 minutos?

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    • Kipchoge correu dentro do limite do sub2h, objetivo do projeto. Se fosse para fazer 1h57, talvez até conseguisse também, não sei, mas não foi o objetivo. Se fosse com outro tênis, também talvez conseguisse. Mas o projeto utilizou tudo o que fosse possível para não dar margem ao erro.

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  9. Balú, vc acha possível desenhar algum tipo de estudo randomizado para comprovar a eficácia dos tênis com placa de carbono??? Se não, fica difícil provar a real vantagem, não?? Como afirmar se é placebo ou a placa que trazem a melhoria??? Abs

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      • Deixa eu reformular …
        1)Como esconder de quem está sendo testado se ele está usando um Vapofly ou um outro tênis? Se ele sabe que está com um tênis X ou Y o resultado não pode ter interferências???

        2) Você realmente analisou esses 4estudos pra ver como foram feitos?? Os que eu vi comparavam tempos de Maratonas passados sem Vaporfly com Maratonas recentes com Vaporfly… Da pra afirmar que não foi efeito placebo?? Sei lá, não sei se dá pra tirar grandes conclusões … Foi levado em consideração as condições de cada uma dessas Maratonas?? Etc..

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      • Danilo Balu disse:

        1. A própria Nike já tem tênis que estruturalmente (mas não visualmente) possuem placas em um e em outros não.

        2. Não, não tenho os estudos comigo. Ross Tucker não compartilhou sendo que 1 é da própria Nike e 3 são independentes. Os estudos não falam em desempenho, mas em melhora da Eficiência de Corrida que e indiretamente melhora o desempenho. TODA a base técnica da argumentação é sobre uma melhora OBSERVADA em análise dessa valência física (e pra informação, ficou de 2.6% a 4% de melhora da EC), não tem NADA a ver com os recentes resultados atléticos profissionais.

        É uma argumentando de marcador laboratorial, não tem NADA relacionado com o campo.

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      • Ah, entendi Balú, valeu…Pensei que alguns desses estudos era aquele levantamento da NYT…
        Sendo assim já fica bem mais evidente a vantagem de quem usa.
        .
        .
        Agora, consigo entender porque alguns amadores já bons (~2h59) viraram muito bons (2h45<) em questão de meses ou menos de ano… Ganharam parte com o esforço e treino e parte com a EC do tênis.
        Pra não ser hipócrita, confesso que comprei o tênis pois estava com essa pulga atrás da orelha, mas como só usei 3x não tinha uma opinião muito bem formada…

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      • Balu, vc ouviu o ultimo Podcast do @stevemagness??
        O número de classificados para o Trials Americano DOBROU de 2016 para 2020.. e isso que ainda não entraram na conta CHI, NYC e CIM… Por que será???? -> http://tiny.cc/26nyez

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  10. Thiago disse:

    Não me interesso na questão desse tênis ser ou não ser permitido daqui em diante.
    Gostaria de mais opiniões a respeito do que eu e um colega estávamos debatendo: o tal “circo” do sub2, que eu chamo de “evento”, ser chamado de “maratona”.
    Meu colega considerou maratona pois, independente de como foi feita, um atleta percorreu 42km e sugeriu que eu buscasse maratona no wikipedia, ao que eu argumentei que ele olhasse na mídia especializada.
    Curiosamente, o argumento dele me favoreceu, pois no wikipedia, fala que maratona é a disputa entre um grupo de atletas e, até onde vi, não houve disputa nenhuma naquele evento. Porém, ironicamente o meu argumento foi o que me desfavoreceu, já que aparentemente, quase toda a mídia especializada parece ter se convencido de que foi uma quebra na maratona.
    Do meu ponto de vista: foi um evento com a distância de uma maratona, não uma maratona. Não tendo sido seguidas as regras da IAAF, tendo sido usado um tênis que talvez venha a ser considerado doping tecnológico, aparentemente não se enquadrando nem na definição do que é uma maratona, como a mídia tem divulgado que foi uma maratona sub 2h?

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