O período de base no MAF não faz sentido… não entre corredores!

Sempre achei que treinos feitos de forma longa e lenta produzem corredores lentos.” (Sebastian Coe)

 

Antes de falarmos sobre o Método MAF, temos que falar de peculiaridades do esporte. Quando comparamos natação e corrida temos que a prova mais clássica na água (100m livres) tem uma demanda aeróbia muito maior que a demanda aeróbia dos 400m do atletismo, AINDA QUE ambos sejam feitos na casa dos 45 segundos. Isso por causa da natureza intrínseca de ambas modalidades, pois correndo assim se recruta mais fibras de contração rápida do que nadando assim.

Philip Maffetone, criador do MAF, sugere que na base o treinamento seja sempre mantido abaixo do limiar anaeróbio do corredor. Porém, Maffetone trabalha muito é com triatlo. A natação (como visto, mais aeróbia que a corrida) e o ciclismo são ambas modalidades sem impacto. Triatletas experimentam no geral cargas muito menos excêntricas que os corredores.

Ser capaz de suportar as cargas excêntricas e mais potentes é vital a um corredor, não apenas na prática rápida (intervalados e provas), mas vital também na Economia de Corrida.

Variar os estímulos no período de transição e também de base parece ser importante, quase crucial a corredores. Seja porque é prudente preparar o corpo para que em fases futuras da temporada ele tenha como lidar com ritmos maiores que geram mais impacto.

Tem mais. Se faz necessário trabalhar com maior variedade de velocidades para conseguir maiores amplitudes de movimento (amplitude de passada) e isso só é possível quando atingimos velocidades maiores. Além do que correr dessa forma motiva mais e melhora a confiança dos atletas.

Correr rápido não é pecado! A economia de corrida pode ser influenciada positivamente também pela melhoria de componentes anaeróbios! Vou dizer mais uma vez: na corrida é necessário um certo grau de recrutamento alático dos músculos ao menos semanalmente quando se quer melhores resultados. E isso NÃO acontece por meses no método em questão!

A corrida precisa MUITO mais que na natação e ciclismo que se desenvolva a força, potência e mobilidades articulares em maiores amplitudes. Isso se faz como? Correndo rápido! E isso precisa vir antes dos treinos em velocidade específica.

E mesmo que pareça contraditório, cargas em maior magnitude PROTEGEM tendões e ligamentos porque é ISSO que a variedade de sobrecarga impõe. Treinos lentos e iguais NÃO conseguem isso.

 

NADA” É COMPLETAMENTE DIFERENTE DE “POUCO

Os efeitos do treinamento não são lineares, são NÃO-lineares! Por isso que um maratonista treina um longo de 30km no mês da Maratona, mas se ele distribuir esse volume correndo 1km a mais por dia o efeito NÃO é o mesmo! Aliás, o efeito é COMPLETAMENTE diferente. Para guardar: os efeitos do treinamento são NÃO-lineares em nosso condicionamento!

Se você deseja correr rápido você precisa SEMPRE no ano treinar eventualmente acima do Limiar Anaeróbio (recrutando fibras rápidas, ignoradas no período de base do MAF) porque o corpo somente se adapta em cargas intermitentes. Sem quebra de homeostase NÃO há progresso. Estimular as fibras rápidas gera adaptação positiva. Não estimulá-las não gera nada.

 

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Eu digo que o período de base do MAF é como homeopatia por algumas semelhanças. A primeira porque homeopatia tem um remédio inerte e inócuo, ainda assim, seus adeptos acham que cura. MAF não estimula a corrida veloz, ainda assim seus defensores dizem que é um treino para se correr…. veloz. No fundo no fundo até os que fazem uso da homeopatia sabem que ela não funciona. Em um acidente eles nunca correm ao homeopata, mas à medicina tradicional porque até eles sabem que não funciona. O adepto do MAF tanto sabe que correr devagar não funciona que ele mais à frente aumenta as velocidades de treino.

Homeopatas listam casos de sucesso do tratamento. Não demora muito para listarem Mark Allen, o incrível triatleta dos anos 90. Allen é fora da curva. Os fora da curva são assim. Não é que necessariamente ele tenha sido bom por isso (ou foi! Porque o MAF faz sentido no triatlo), mas pode ser que ele tenha sido bom apesar disso! Tal qual Usain Bolt sendo o homem dos Jogos Olímpicos de Pequim/2008 mesmo se alimentando somente com nuggets. A verdade é que sempre me questiono porque maratonistas trazer Allen como exemplo de sucesso se deve existir hoje estudantes do ensino médio mais rápidos que ele nos 42km. Não entra na minha cabeça…

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8 pensamentos sobre “O período de base no MAF não faz sentido… não entre corredores!

  1. Rafael disse:

    e no triathlon, um esporte tem impacto no outro.
    natação -> ciclismo ->corrida . Por isso o treinamento de corrida de triatletas devem ser diferentes do treino de corrida dos Corredores

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  2. José Eduardo Castilho disse:

    Em 2014 eu praticava musculação (3 x na semana), natação (2 x na semana) e pedalava nos finais de semana de forma recreativa. Sem preocupação com performance. Não era uma pessoa sedentária. No final do ano teve uma corrida de 4,5km promovida e realizada no meu local de trabalho. Participei do evento, fazendo os 4.5km em 32 minutos. No dia seguinte eu mal conseguia andar, de tanta dor muscular. Aquilo chamou minha atenção e fui ler sobre as praticas esportiva que fazia e comparando com a corrida. A minha conclusão foi que as atividades que fazia eram de baixo impacto. Li um artigo que falava de ciclistas profissionais, que tinham problemas de osteoporose. Depois desse dia passei a praticar corrida. A performance continua não sendo meu principal objetivo, mas aqueles 4,5km do trabalho estão saindo com 25 minutos.

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  3. Balu, desculpe o “off”, mas vc acha isso viável pra amadores (ainda mais pangarés como eu, hahahaha)

    https://www.runnersworld.com/training/a20855022/how-and-why-to-add-extra-interval-reps/

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  4. […] Quando resolvi escrever sobre a BAAASE do Método MAF me deparei com algo pelo qual já esperava, seus defensores ferrenhos. Há quem defenda aveia, suco… há até quem defenda óleo vegetal! Então com certeza haveria quem defende o MAF (e olha que só falei mal da BASE! Nem acho o resto ruim!). […]

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