Leituras de 2a Feira

Um texto MUITO legal da Molly Huddle, uma das melhores americanas da história, explicando como ela se comporta mentalmente durante juma corrida, quando a fadiga vai se acumulando. Uma aula!

“O mito do tênis para corrida” é o nome do texto de Alex Hutchinson. Poucos assuntos são debatidos com tanta paixão e torcida. Mas há uma coisa que pode ser dita com segurança é: NADA que existe atualmente no mercado consegue demonstrar sua eficiência em reduzir lesões. Quem defende o contrário é apenas torcedor ou mal informado. Ultimamente MUITA gente BOA defende que o parâmetro a se seguir na escolha deveria ser o conforto. Não consigo comprar essa ideia… não consigo! Tênis não tem que ser confortável! O conforto NÃO traz necessariamente NENHUMA vantagem nessa questão. Não no atletismo! Pergunte a um velocista ou mesmo fundista se ele GOSTA do que vai aos pés. Não, não gosta.

Dias atrás um perfil escrito no The New York Times falava de uma incrível ultramaratonista que queria bater o recorde mundial das 24 horas em pista. No mesmo evento foi outra americana, Camille Herron, quem arrebentou a antiga marca! Uma entrevista MUITO boa na Sports Illustrated fala do feito dela. Algumas coisas chamam a atenção. Herron sabe que é especial, que é privilegiada geneticamente, ela sai daquele discurso de auto elogio falando sobre sua dedicação que sabemos ser enorme, não importa quão talentosa ela seja. Outras coisas também saltam aos meus olhos. Uma é o fato dela gostar de correr à noite. Outra é ela saber que atletas assim têm enorme tolerância “digestiva”, digamos assim… a ponto de comer Taco Bell e tomar cerveja durante a prova! Por fim, mais sobre o treinamento, ela fala como ela corre longos curtos… eu sempre me questiono e me indago se esses amadores indo pra Comrades fazendo longões de mais de 50km mais se ajudam ou mais se sabotam. Eu tenho meu palpite…

Vem ganhando muita força aquela recomendação de escolhermos o tênis em função do conforto. Não consigo… não consigo… Esporte tem TUDO, menos relação com conforto, senão justamente com desconforto! Um texto BEM interessante que me mandaram reforça aquilo que alguns autores vinham falando e no qual eu acredito muito: tênis que prometem (mas não entregam!) amortecimento e com grande entressola macia nos faz executar um padrão de corrida passiva, deixando para o tênis (que não consegue!) fazer o trabalho de proteger o corpo. Roubada completa! Por que o tênis não deve ser confortável? Porque VOCÊ é quem tem que ser eficiente, não ele confortável! Viu que são duas coisas SEM relação?? Você TEM que fazer algo e busca algo SEM relação nenhuma em um terceiro. Não TEM como dar certo! Esqueça a ideia de tênis confortável!

Os maratonistas estão ficando mais rápidos? Ou seriam os tênis?

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13 pensamentos sobre “Leituras de 2a Feira

  1. Varga disse:

    Balu, esta questão do conforto em calçados é muito relativa. O que é confortável para um, pode ser desconfortável para outro e vice-versa. Não necessariamente significa ser aquela banheira maximalista que está na moda hoje.
    Quem nunca recebeu de um amigo/conhecido iniciante (que todos foram um dia) um pedido para recomendar um calçado ? Minha resposta agora é: qq um…vc mal consegue andar, então por hora qq xis satisfaz a equação.
    Todavia, para não ser totalmente mal educado, digo que opte por algo que “suma” nos seus pés. Que não incomode, aperte etc e que seja também barato e vc ache bonito, pois calçado não melhora em nada a sua corrida. Assim, é um item a menos para preocupar-se.
    Depois, com o tempo e experiência cada um define o que mais gosta nos pés, já que é possível correr até descalço.

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    • liporati2002 disse:

      Discordo veementemente do “já que é possível correr até descalço”. De fato, é possível correr até com tênis, até mesmo com aquele queijo minas amarrado aos pés conhecido como Hoka One One!
      Concordo com “esta questão do conforto em calçados é muito relativa”! O calçado que uso para correr é o mais confortável possível para mim, ou seja, nenhum! Qualquer adição causa desconforto.
      Como disse Antoine de Saint-Exupéry: “A perfeição não é alcançada quando já não há mais nada para adicionar, mas quando já não há mais nada que se possa retirar.”
      Para o atleta profissional pode fazer sentido não buscar o conforto mas, Balu, para nós, meros profissionais atletas, o conforto é fundamental. Não coloco nada nos pés que não seja confortável!

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    • Danilo Balu disse:

      JUSTAMENTE por conforto confundir é que ele não pode ser um norte. Tênis bom pra mim é aquele que vc nem sabe que está usando… Porque ele não aperta nem faz o chão parecer um colchão… Croc é confortável? Eu acho MUITO! Isso é bom pra correr? Não mesmo!

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  2. Tô tendo que vir aqui, neh Balu?! rs

    O Luis Oliveira, logo acima, matou a charada. A questão é que o conforto é ao correr, ao praticar o esporte, e não ao caminhar, ao ficar sentado, de pernas pro ar.

    “Aquilo que te deixa a vontade e sem incomodo” – perfeito.

    O estudo que fundamentou o conceito de conforto foi feito em militares. Eles escolhiam e avaliavam uma série de palmilhas em relação ao uso durante atividade. O grupo experimental pegou a mais confortável e teve menos lesões. Outro grupo não teve esse privilégio.

    Outro estudo foi feito em indivíduos com dor patelofemoral – não corredores. Foram fornecidas palmilhas pra mulheres com dor e feitos vários testes. O objetivo era identificar quais fatores prediziam uma melhora clínica.

    O teste de agachamento com apoio unipodal foi o que apresentou relação mais importante. Ou seja, quando havia diminuição da dor ao realizar esse teste, a pessoa obteve maior benefício 12 semanas de uso depois.

    Ambas evidências MUITO indiretas. Mas qual a proposta que existe? Corredor competitivo vai ter de verificar o peso do calçado também mas, se o calçado estiver pinicando, apertado ou de alguma outra forma fazendo ele lembrar do calçado, certo que vai escolher outro. O não competitivo talvez não se importe tanto com o peso.

    Testar vários calçados, na corrida, e ver o melhor, o mais confortável, talvez não seja prático (qual loja de calçados tem esteira hoje em dia? Não tenho reparado), mas pra mim ainda parece o mais sensato.

    Abrass,

    Claudio

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    • Danilo Balu disse:

      Não reclamo com vc vindo, não! Longe disso! Eu concordo MUITO com o que vcs 2 disseram sobre a questão do conforto… só acho uma “métrica” difícil… a frase do Luís foi MUITO feliz… mas há quem ache que conforto é maciez… não acha difícil uniformizar com percepções tão distintas?

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      • O pouco que temos de evidência foi embasado na percepção de conforto, sem distinção de maciez ou não. Coloca e vê o que fica mais confortável, e deu resultado… em militares. Fala pro atleta colocar o calçado e correr. Compara vários calçados e vê o melhor.

        O que você sugeriria? Como você diria pro atleta escolher o calçado? Não vale as dicas básicas de um número maior, não apertar os dedos… etc.

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      • Danilo Balu disse:

        Eu não estou querendo dizer que tenho essa resposta (da recomendação “ideal”)… estou querendo dizer que não acho que recomendar “conforto” seja uma boa, muito menos a melhor. Gosto da ideia de que a pessoa não “sinta” que o tênis esteja ali… O tênis não precisa e não deveria fazer mais NADA que não seja o… fazer nada! rsrs

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