Leituras de 2a Feira

Barry Smith é um irlandês que trabalha com estatísticas. Quando ele inventa mexer em dados sobre Maratona e ritmo de prova em amadores sempre sai coisa BEM pertinente. Neste longo artigo ele cria um modelo para calcular recordes pessoais nos 42km. MUITO bom!

Um pouco off-topic: O sujo negócio do empreendedorismo fitness. A – soube há pouco pelo Nelton Araújo – autora traça as estratégias dos perfis fitness do Instagram e Facebook. Os picaretas são vários, não preciso listar, qualquer pessoa com um mínimo de experiência em esporte sabe quais são, inclusive os do mercado de corrida… acho complicado, até porque essa gente, além de ser picareta, vive de enganar sempre novos clientes. Não sei como dormem o sono dos justos. Por outro lado, confesso que não tenho muito dó de quem é enganado… alguém que cai na conversa mole de quem promete muito por muito pouco não passa ileso nessa vida. É um Darwinismo social universal e inevitável. Mas o que é interessante é que mais ao final você consegue fazer um paralelo com o mundo do treinamento de corrida vendo limitações do atual modelo de assessoria esportiva que é defendido até por gente boa e muito séria do mercado: a de que as assessorias são boa alternativa a quem quer correr porque fariam “treinos individualizados”. É a tara do mercado em prometer ou exigir “personalização”. Basta uma rápida ginástica mental (desculpe o trocadilho não proposital) para saber que isso é IMPOSSÍVEL. E não é errado! Uma assessoria para ser viável financeiramente (ao dono e a quem paga) TEM que funcionar à base de um modelo fabril de planilhas que NÃO é personalizada. Quem paga finge que é e quem monta o treino finge que personaliza. E a vida segue sem maiores prejuízos. Texto muito bom! *dica do Nelton e também do Igor Oliveira.

O custo do doping é imensurável. Uma matéria incrível do Evening Standard nos traz algo em que nunca pensamos: o preço dessa trapaça lá na frente, décadas depois do esporte de alto nível. Sabemos agora que milhares de atletas do antigo bloco comunista têm consequências graves de saúde. Triste, bem triste quando sabemos que boa parte deles nem sabia o que fazia…

Pra fechar, matéria interessante da Runner’s World falando sobre a conhecida pink tax aplicada à corrida, que nada mais é que o preço extra que corredoras pagam em produtos idênticos aos masculinos, mas que são propagandeados como se fossem diferentes. Espanta que só agora seja tema… mas a explicação também passa necessariamente pelo fato que o consumidor (no caso “consumidora”) muitas vezes quer pagar mais caro. Mas irão todos negar.

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14 pensamentos sobre “Leituras de 2a Feira

  1. Julio Cesar disse:

    Sobre treinador:

    No meu instagram vive aparecendo anúncio de um treinador, acho que ainda é atleta profissional.

    Me interessei pq o treinador/atleta faz/fez pista, e como quero me divertir nos 800 e 1.500 entrei em contato com ele.

    Preenchi a amamnese, que na verdade era só pra tirar o dele da reta, pois só perguntava sobre doenças, dores e contusões anteriores.

    Aí ele falou que estava tudo certo.

    Então fiquei esperando ele fazer outras perguntas, como: Qual seu objetivo ? Qual seu tempo atual ? Quantos km vc roda por semana ? Qual seu tempo nos tiros ?

    Mas ele não me perguntou nada disso. Me escreveu que na segunda-feira eu receberia a planilha.

    Oi ?

    Então escrevi pra ele assim:

    ” Bom Dia.

    Planilha para qual prova ? ”

    Então ele não respondeu ais nada nem enviou a planilha.

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  2. Luis Oliveira disse:

    Balu, vale o lema: Caveat Emptor.
    Que o modelo de assessorias é limitado qualquer um percebe. Como, aliás, tudo na vida tem limitações. Mas se você souber o que quer, fica mais fácil. O Julio Cesar sabia exatamente o que queria e ficou fácil dizer não. Ou o cara percebeu que não poderia dar o que o Julo queria e não continuou (poderia ter sido mais profissional e educado, mas…)
    O fato é que diferentes pessoas procuram coisas diferentes nas assessorias. Suporte social, motivação, alguma estrutura nos treinos, etc. São coisas razoáveis, que as assessorias podem e entregam. Não é individualização/personalização, mas é alguma especificidade (tal prova, daqui a tantos meses).
    Enfim, acho que é também (principalmente?) um problema da demanda, não só da oferta.

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  3. Danilo Balu disse:

    Eu acho que elas oferecem e entregam bem um serviço que mta gente quer!

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  4. Antal Varga disse:

    Balu, essa questão de blogueiros, assessorias etc me parece ser uma questão de gestão adequada das expectativas. Ou seja, de onde não se espera nada é que não vem nada mesmo.

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    • Luis Oliveira disse:

      Concordo que a questão são as expectativas dos consumidores. Mas se as assessorias não entregassem nada, já teriam desaparecido. Entregam alguma coisa, que tem algum valor para quem paga. Tanto que a demanda só aumenta, e as assessorias crescem e se multiplicam. A questão é saber se entregam o que prometem, se o que prometem é razoável, etc.

      Até o Balu acha (mas não quis elaborar) que elas entregam algo que muita gente quer.

      Pra mim, se tem quem adultos que compram e não causam dano a mais ninguem, não cabe julgamento de valor.

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      • Antal Varga disse:

        Luis, concordo contigo. As organizações estão perfeitamente desenhadas para seu atual desempenho, ou seja, entregam valor conforme a demanda.
        Não tenho nada contra blogueiros, assessorias etc. Até curto alguns deles como entretenimento. Mas, não adianta esperar, por exemplo, que um youtuber destrinche um calçado com o jargão técnico da indústria se alguns deles nem sabem a diferença entre engenheiro de produto e de produção. E assim por diante.

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      • Julio Cesar disse:

        Eu de fato pagaria para ter um treinamento mais especializado, voltado para provas de meio fundo.
        Tenho curiosidade sobre como é o treinamento de verdade para provas de 800 e 1.500 e mesmo 5.000 mt.

        Eu entendo que nem é falta de conhecimento do treinador.
        É que para ele simplesmente não vale a pena, pelo preço que ele cobra, oferecer um serviço mais especializado.

        É mais rápido e lucrativo enviar planilhas genéricas pra 10 km, 21 km e maratona.

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      • Luis Oliveira disse:

        Julio, digamos que esse treinador te perguntasse só uma coisa (além da anamnese): quando é a prova de 1500? Ele poderia, sem saber mais nada, te passar uma planilha “personalizada” para que você cumprisse o ciclo até a data da prova (na verdade, seria uma planilha genérica, mas com data de chegada). Já ajudaria um monte, não ajudaria? E pelo preço certo, tu até pagaria e falaria que estava justo.

        Eu já treinei pra maratona com o livro do Método Hanson. Nada mais impessoal, totalmente genérico. Mas eu sabia quando começava e quando terminava. E era o que precisava. Funcionou muito bem.

        Este é o nível de personalização possível e que me parece razoável. Mais do que isso é impraticável (ou ninguem paga).

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      • Antal Varga disse:

        Julio, sua demanda é bem específica mesmo. Se vc for de Curitiba (acho q seja) me disseram que a Equipiazza e a assessoria da Dione D’Agostini são as mais focadas em performance.
        Mas, estou vendendo o peixe do jeito que comprei. Não sei se é o que procuras.
        Ou quem sabe se vc abordar um elite numa dessas provas, quem sabe não te ajuda.

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      • Vinicius Morais Nunes disse:

        Júlio se quiser passo o Contato de um treinador para você. Ele tem esse conhecimento, se vai te satisfazer não sei, mas foi marchador e conhece a pista muito bem. qualquer coisa é só falar.

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  5. Julio Cesar disse:

    Sim Luis, eu entendo.

    Com uma data para começar e terminar já parece personalizado. E de fato é, até certo ponto.
    Data pra começar, data pra terminar e o ritmo dos treinos.
    Não precisa muito mais do que isso, afinal como todos dizemos aqui, corrida não é viagem espacial.

    Mais personalizado do que isso só com o treinador ao lado da pista com aqueles cronômetros profissionais no pescoço.. rsrs..

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