Leituras de 2a Feira

Uma coisa que aprendi em meus estudos é que os quenianos iniciam seus treinos (leves ou não) correndo/aquecendo MUITO leve. Lá na Etiópia, nos treinos leves eu começava o treino quase pisando no calcanhar dos atletas, tamanho é a lentidão do início. Apesar de ser impossível acompanhá-los nos tiros, ao menos por 1/3 do aquecimento dos treinos de tiros eu conseguia ir com eles. Ou seja: eles iniciam o aquecimento do treino correndo de forma MUITO leve. E aqui no Brasil? Em todos os treinos o povo se reúne e já sai em um ritmo nem tão leve (*aqui um adendo: os velocistas e saltadores começam mais leve que os fundistas!). Um texto da Trail Runner explica os benefícios e vantagens de você passar a começar TODOS os treinos de forma beeem lenta. Gostei!

Um tempo atrás escrevi 2 textos (aqui e depois aqui) explicando os motivos pelos quais um amador que corra a Maratona acima das 3h00 (mais de 95% dos atletas) não deveria ter uma estratégia de split negativo (ou seja, a 2ª metade mais veloz que a primeira). Uma das bases argumentativas é que é o TEMPO de duração do evento e não sua distância que deveria guiar nossa estratégia. Eu usei no texto o exemplo dos 800m. Atletas rápidos correm em split positivo e os lentos em negativo por causa de uma característica fisiológica que se altera por volta dos 2 minutos, que é o tempo que separa os muito bons dos lentos. Agora Alex Hutchinson usa este mesmo argumento para explicar a diferença estratégica da elite entre homens (que correm abaixo de 2 minutos) das mulheres da elite (que correm em cima dos 2 minutos) os 800m. Sim, li o texto falando baixinho: “eu avisei”!

No outro blog repliquei o texto falando sobre a Dieta Low-Carb e a Corrida. Ou ainda: o corredor Low-Carb. E caso você seja leitor do Medium, fica aqui o convite para visitar meu espaço lá!

Uma ultramaratona um tanto diferente! A Born to Run (em homenagem ao livro homônimo) acontece em meio a muita festa, cerveja, festa, jogos, festa e eles até correm! Aqui um curto vídeo sobre o evento! *dica do Antal Varga.

 

***********

Na semana passada o Profissão Repórter foi sobre Corrida. Por pouco mais de meia hora, a equipe da Rede Globo entrevistou corredores amadores. Não sei o que achar. É sempre difícil saber o que é imprecisão jornalística de hábitos um tanto quanto radicais. Está lá na reportagem um cara que correria de chinelos 42km duas vezes na semana. Difícil acreditar que ele tenha dito isso. Por outro lado, você tem pessoas às quais faltam ou recursos ou orientações fazendo todo tipo estranho de treinamento. Porém, estão lá também histórias incríveis de como a corrida toca e muda positivamente tantas vidas.

Por fim, no dia seguinte à matéria eu andava pela rua quando vi 2 homens conversando. Um deles falava algo como: ontem na Globo você viu a menina que começou a correr ultramaratonas com 3 ou 4 anos de idade? Eu não sei bem o que achar. Coincidentemente dias antes vi um curto vídeo de um brasileiro dançando animadamente em algum quilômetro avançado da ultramaratona Comrades. Poderia parecer sobras de energia. Não sei. Atrás dele você via uma procissão mais ao estilo Walking Dead de pessoas que “””corriam””” os 89km da famosa prova sul-africana.

Pego Metrô regularmente em SP e afirmo com segurança: na baldeação da Linha Amarela para a Verde as pessoas andam mais rápido que aquilo no horário do rush. Minha mãe até antes de vir a falecer ia anualmente na Páscoa caminhando entre Tietê e Pirapora do Bom Jesus em uma romaria que faz centenas (milhares?) fazerem a rota de bem mais de 100km. Ela era ultramaratonista? Nós nunca pensamos nisso. Mas quando vejo alguém comprar 20 McBurgers para correr a ultramaratona da reportagem e parar beeem antes da metade, ou quando vejo imagens de zumbis andando ao final de provas de “””corrida””” sempre tenho esse misto de sentimentos. Não sei o que achar. Que Deus me perdoe por não ficar emocionado. E que ninguém fique bravo.

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33 pensamentos sobre “Leituras de 2a Feira

  1. Julio Cesar disse:

    Balu, quando estou de espectador em uma maratona também me sinto assim. Na mais recente maratona de Curitiba me posicionei no km 38, sentei no meio-fio e fiquei observando.

    No km 38, depois das 3:45, 4 , 4:20 horas de prova é triste de ver, e realmente também não sei o que pensar sobre isso.

    Mas que não é corrida disso eu tenho certeza.

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  2. Luis Oliveira disse:

    Balu, tem um quê elitista, por falta de palavra melhor, nos comentários sobre corredores lentos. É como se ser lento fosse uma falha de caráter ou falta de discernimento. Como se ser lento diminuísse ou eliminasse o direito deles estarem querendo participar de uma prova.

    Uma coisa é apontar a necessidade de preparação adequada. Outra coisa é menosprezar alguém por ser incapaz de fazer 42k sub 3h. Isso não é uma régua de valor pessoal, de inteligência ou de caráter. E nem o seu contrário. É só o tempo que eles conseguiram, se é que conseguiram, terminar a prova.

    As pessoas correm por diversos motivos e razões, todos eles válidos segundo a única opinião correta em atividades que não produzem efeitos sobre terceiros: a opinião delas mesmas. Durante os treinos enfrentam diversas limitações e restrições, as vezes longe do ideal, do desejado, do planejado. Ainda assim elas querem participar.

    Não cabe a ninguém julgar os motivos de outrem. E nem precisaria dizer isso.

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    • Danilo Balu disse:

      Mas eu não acho fala de caráter! Acho tudo, menos isso! Não gosto de basquete feminino, por exemplo. Não acho esteticamente prazeroso. Mas não teria problema em levar minha filha todo dia para ir treinar se isso lhe deixasse feliz. Só não preciso gostar. EU não preciso gostar. ELA precisa(ria). Eu não preciso gostar de algo porque um terceiro gosta. Ou vc acha que todo mundo gosta de quem corre?

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      • Luis Oliveira disse:

        Lógico que tu não precisas gostar de basquete feminino. O que tu não podes negar é que continua sendo basquete, mesmo que não te agrade. O que tu não deverias fazer é falar pra tua filha que “o bom mesmo é o basquete masculino”.

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      • Danilo Balu disse:

        Mas eu acho bom mesmo NBA. Não vejo NBB. Vejo Copa e não vejo o Paulista. Não tenho que gostar de algo porque outro gosta. Não tenho que gostar de romaria disfarçado de corrida porque milhares que gostam. Se a pessoa faz aquilo para que outro que não ela goste, é um problema sério dela.

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      • Luis Oliveira disse:

        Mas Balu, tu não é um zé mané sentado no meio fio falando de tuas opiniões pessoais sobre basquete ou futebol. Tu é um blogueiro e autor de livros sobre corrida. Quem te lê não está buscando opiniões sobre quais as melhores maratonas para assistir, sobre quais são esteticamente mais agradáveis ou tem os corredores mais bonitos ou rápidos. Tua opinião tem peso para quem corre (ou quer correr), mesmo para quem é lento. Assim como a opinião de pai tem peso para a filha, para ficarmos na sua analogia.

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      • Danilo Balu disse:

        Eu entendo perfeitamente seu pto! Mas não admirar, ou não achar esteticamente prazeroso é diferente de diminuir quem o faça… como eu disse, acho basquete chatinho demais. Paula, Hortência ou mesmo umas meninas que estudaram comigo? São umas monstras!! Acho MUITO bonito esporte bem praticado. Enqto tc isso está rolando BELxPAN e nem estou olhando pra TV esperando o jogo da Inglaterra. Eu já dei treino para srs que corriam os 42km mto mais próximos das 5h00 que das 4h00. Sabe o que eu acho? Que isso exige mta dedicação (ele treinavam mesmo!!). Qdo um deles veio falar da Comrades eu mesmo falei (pra quê?!?). Sabe…. tem gente que chora vendo filme ruim… qdo as pessoas ficam chamando fulano de guerreiro qdo ele correu uma ultra pra 12min/km eu fico sentindo nos joelhos a dor… Não tem NADA de saudável… não é corrida, a gente sabe! Qq pessoa que vier me contratar vai ouvir a mesma coisa… é corrida enqto e pelo tempo que aguentamos correr… é desnecessário ultrapassar esse limite a todos os custos. Não tem relação com caráter, é como eu enxergo o esporte.

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      • PC Lima disse:

        Estou mais alinhado com o Luís Oliveira, Como diz o Sergio Rocha, a corrida um dos esportes mais inclusivos, Posso estar na mesma prova do recordista mundial, e a minha experiência poderá me trans”formar num leão na próxima. “Liberdade ( e muito apoio) para os pangarés”.

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      • Luis Oliveira disse:

        Tenho certeza que estamos falando a mesma coisa e temos opinião mais convergente do que parece. Minha má vontade é com o tom algo condenatório, que resvala para um certo moralismo. Mas pode ser só má vontade minha mesmo.

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      • Danilo Balu disse:

        Eu dou treino pra mais gente lenta do que vc pensa rsrs e não é por dinheiro já que só dou treino porque me “enchem o saco” insistindo rsrs

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    • Julio Cesar disse:

      Não julgo ninguém, apenas acho muito feio correr lento (esteticamente) e também um sofrimento e agressão desnecessários ao organismo.

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    • Antal Varga disse:

      Luis, concordo contigo. Corrida de rua é evento aonde existe uma diversidade enorme de motivações, cada um com a sua.
      Os corredores rápidos de verdade são vistos nas Olimpíadas, mundiais de atletismo ou num pelotão de elite. Os demais são todos lentos.

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      • Julio Cesar disse:

        Negativo.

        Quem corre a 4´00″ é mais rápido do que quem “corre” a 5´30″. Não se trata de opinião pessoa, se trata de aritmética.

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      • Antal Varga disse:

        E no final ambos ganham o mesmo kit fruta + isotônico + medalha de participação. E, é claro, os meus parabéns porque deram o seu melhor.

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      • Julio Cesar disse:

        Eu com certeza dou o meu melhor, treinando pelo menos 4 vezes por semana, sendo pelo menos um treino bem intenso.
        E no dia da prova também dou meu melhor, tento correr bem rápido, faço muitas caretas e muita força.

        Quem “corre” a 5´30″ nem precisa treinar, e durante a “corrida”, te bastante tempo pra confraternizar, dar pulinhos e fazer v da vitória para os fotógrafos, parar para conferir o gps/celular, tirar selfie com os parças..

        Sim, e no final pegam o kit e a medalha.

        Eu não pego mais medalha faz tempo, e sobre o kit na chegada, as vezes pego uma banana e um copo dágua.

        Mas no final somos todos iguais nééééé….

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      • Antal Varga disse:

        Esse cara “corre” a 05’52” (https://www.instagram.com/p/BiMD89_FUI4).

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      • Marcelo Rezende disse:

        exato Julio Cesar. vc fazer 10 km a 40′ te coloca no mesmo balaio da senhorinha que faz a 1h10″. Pagaram para estar ali e levam a mesma premiação para casa. Cada um com seus objetivos e metas… ficar de régua do relógio alheio é perda de tempo total. È igual na pelada o cara que se acha o craque reclamar de mim que sou ruim.. eu to no lugar certo, se ele é bom , deveria estar jogando profissionalmente em algum lugar decente ao invés de pelada

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  3. Rafael disse:

    Balu, vc acredita que para um corredor em forma, só que pesado, correndo no calor, umidade alta (tipo Rio de Janeiro)

    andar poderia ser uma estratégia, boa?ex: uns 20 segundos , em alguns pontos.
    ajudaria a baixar a temperatura do corpo e completar a prova, mais rapidamente do que ir direto?

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  4. Antal Varga disse:

    Balu, o Billy Yang tem uma sensibilidade… aliás se juntar todos os youtubers de corrida do Brasil, não dá meio Billy Yang + Ginger Runner.
    E preciso agradecer ao meu amigo Bruno, por conta dele conheci esses canais e o seu blog.

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  5. Ligia disse:

    Também não sei o que pensar quando vejo estas cenas finais de ultramaratona. Quais seriam os limites entre o esporte (corrida) e testar os limites da “fé”? Uma coisa é ser um corredor lento, outra coisa são estas cenas finais, com alguns “não tão bem” preparados terminando a prova à qualquer custo (isto sem pensar nos que largam assim) por pura força da fé e da superação. Parece-me uma coisa distinta da corrida quando se pensa no “esporte”. Mas é só uma reflexão pessoal, afinal, cada um faz o que quer. Mas também tenho sentimentos controversos e não consigo ver estas cenas com empatia olhando sob “as lentes” da corrida (leia-se o esporte).

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    • Luis Oliveira disse:

      Eu acho que a falta de empatia se manifesta pelo não reconhecimento de que em provas longas há muito espaço para as coisas darem errado, Lígia. Até coisas simples, como uma bolha no pé, um gel que cai torto no estômago, uma condição climática inesperada, podem fazer desandar uma prova para a qual se estava super bem preparado. Aí o cara tem que tomar a decisão de tocar em frente ou não.

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      • Ligia disse:

        Concordo e discordo 🙂 Com certeza nas provas longas há espaço (e principalmente tempo) para que as coisas não saiam dentro do planejado. Nas ultramaratonas em particular, isto é não só normal, mas recorrente. Já dizia um grande amigo e treinador “apenas duas coisas vão te tirar da prova, os pés ou a cabeça”. Acredito que a “força mental” no caso das ultramaratonas é um fator determinante, mas que muitas vezes me parece beirar o fanatismo. Em termos de autoconhecimento e de testar “a força mental”, talvez seja válido chegar ao final da prova quebrado, machucado ou se arrastando. Cada um faz o que quer e é uma decisão e tanto terminar uma prova “a qualquer preço”. Mas mesmo entendendo isso tudo, me pergunto pra quê? E partido do princípio de que “shit happens” somado ao número (reduzido) de participantes das ultramaratonas especificamente, por que estas cenas de competidores walking deads finalizando as provas são tão comuns?

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      • Danilo Balu disse:

        Sim sim! Concordo! Não tenho o link, mas posso achar aqui… o brasileiro dançava, mas atrás parecia uma romaria, me entende? Não é acaso aquilo… era premeditado andar 89km em uma corrida. A pessoa é livre para chamar aquilo de corrida, assim como quem assiste pode achar meio deprimente. Sei lá… não sei mesmo…

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  6. ciro violin disse:

    Desculpa, vou dar minha opinião.
    Muito antes de conhecer o Balu e o que ele escreve, penso que correr NÃO é uma auto agressão apenas QUANDO seja feita numa postura muito eficiente OU QUANDO não por muito tempo.

    Sempre falei para as pessoas, por exemplo, que, se não tivessem treinado o suficiente para fazer uma meia-maratona no limite de 2h, que não entrassem na prova, porque seria sofrimento desnecessário.

    Concordo com o Balu e com o Julio Cesar de que correr nessas velocidades durante muito tempo é sofrimento desnecessário e que a pessoa pode obter o mesmo prazer com outros exercícios e ou correndo muito menos tempo. Não há nenhuma necessidade de se correr por tanto tempo numa postura ineficiente gerando sofrimento.

    EU também não gosto de ver pessoas correndo tão lentamente num 21 ou num 42, MAS NÃO porque eu pense que só vale correr em velocidades abaixo de 4´30″/km, MAS SIM porque eu gostaria muito do upgrade das pessoas, para que elas, depois de decidirem se inscrever para um evento, que corram de forma mais eficiente e que se dediquem mais.

    Na verdade o que não gosto é ver aquele monte de gente sofrendo só porque quer correr uma meia ou maratona.

    Maratonas planas com climas aceitáveis acima de 4horas, é sofrimento agressivo para o corpo e ninguém vai me convencer de que é legal essa agressão, apenas para postar a foto da medalha na mídia social. Eu tenho certeza, como o sol vai nascer amanhã, de que qualquer pessoa com uma saúde do corpo aceitável é capaz de conseguir correr uma maratona bem abaixo de 4h, priorizando, se dedicando e tendo paciência.

    Curtido por 3 pessoas

    • Luis Oliveira disse:

      Ciro, respeito e concordo parcialmente com a sua opinião. Claro que correr uma maratona em 5, 6 horas é sofrimento, não há discussão. Quem não está (e sabe que não está) preparado, deveria ter mais juízo e se preparar melhor para a próxima prova, qualquer que seja a distancia.

      Mas discordo quando voce dá o pulo seguinte e assume que é para postar a medalha na rede social ou qualquer outra razão pueril. Primeiro, não há razão para assumir que este seja o caso de ninguém em particular. Segundo que não são só os lentos que fazem isso. Terceiro, por mais que eu e você achemos postar fotos de medalhas seja pueril (e eu acho), pode ser muito importante para quem posta e ter razões práticas que nos são desconhecidas.

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  7. Maicon disse:

    A impressão que eu tenho é que poucas pessoas conseguem correr uma ultramaratona. Mas os concluintes são muitos. Assim como na maratona/ meia. E mesmo os que conseguem na ultra não fazem isso por muito tempo… É um nicho do nicho. Eu acho demais… Mas tem quem goste de sofrer

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  8. Vinicius Morais Nunes disse:

    Eu acho que cada um faz o que desejar, se tiver dentro do tempo de corte tá beleza

    Isso não que dizer que sou lento ou que não sou competitivo, porém, a corrida pra mim é diversão, passatempo, não desporto. Já fui um desportista e cansei de competir machucado ou sei lá se competi alguma vez com 100% da minha forma, só sei que ganhei muita coisa com isso, mas tudo tem seu peso e seu tempo. Hoje completo uma meia em 1h48, podia ir mais rápido poderia, mas quero? Acho que não. E é isso.

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