Leituras de 4a Feira

Um site humorístico (talvez o único de corrida que valha a visita), o Dumb Runner fez um post sarcástico fantástico falando de um cachorro que corre há tempos sem equipamento de corrida, sem saber seu ritmo, volume, tipo de pisada nem FC. Entendeu a piada?

O Strava é interessante porque de tempos em tempos publica algumas estatísticas e dados interessantes. Dessa vez eles fazem um mapa de calor mundial. Eu filtrei com corrida e você consegue ver coisas bem legais quando abre nas regiões que você conhece bem. Por exemplo, na USP as pessoas fazem a volta de 6km e tem gente que vai para a pista de atletismo do CEPEUSP com ele. A Avenida Paulista parece servir de trajeto para muita gente que corre no Parque do Ibirapuera. Aqui o link para você brincar se tiver interesse!

Ontem mesmo esses dados do Strava geraram um debate interessante. Militares americanos desavisados em bases no Oriente Médio estavam correndo usando o aplicativo que “sobe” automaticamente o treino quando concluído. Acontece que isso expõe a rota desses militares em áreas muito perigosas (quase tão perigosas como o Rio de Janeiro, por exemplo). Muito provavelmente enquanto você lê isso alguns desses corredores estarão fazendo flexão de braço antes de ter que limpar o quartel todo com sua própria escova de dente. *o tuíte foi um achado do Igor Oliveira.

Sempre que vejo alguém perguntando se o tênis é pronado, supinado, estabilidade ou controle (de movimento) eu me pergunto baixinho para mim mesmo: de qual caverna ele saiu? Isso é mais anos 80 e 90 que pochete. Mas… ajuda a vender. Ainda que seja… hmmm desonesto. Mas é o que importa! Aqui um texto que me escapou na época que fala sobre a mudança do mercado.

Uma pesquisa com mais de 2.500 leitores tenta analisar as preferências dos corredores pelas marcas de tênis. Alguns dados chamam nossa atenção. Se a liderança da ASICS e Brooks não é novidade (no mercado americano) outros também confirmam o que se pensa do mercado. Nike com forte presença entre jovens (até 20 anos) com as líderes sendo “marcas de velhos” justamente roubando mercado da Nike. Mas o que mais me chamou atenção é ver a Nike ganhando muito terreno em cima da ASICS quanto mais quilômetros o atleta corre por semana. É um comportamento curioso: a pessoa começa correndo de Nike (afinal ela conhece e confia na marca), daí migra ao ASICS/Brooks (tênis especializados), mas se passa a correr muito volume ela larga a ASICS e volta para a Nike. Interessante! Aqui os dados levantados.

Para fechar, um pouco mais de tecnologia. Mesmo ciclistas amadores hoje podem calcular sua potência enquanto pedalam. Alguns gadgets já oferecem de forma precária essa informação ao corredor (eu quase comprei um 3 anos atrás antes de virar modinha). Eu prevejo que daqui 5 a 10 anos teremos uma fauna de corredores que correm 3 vezes por semana um total de 25km semanais, mas que farão um acompanhamento em tempo real de sua (segure o riso) potência de corrida. Espere e verá! Pois Alex Hutchinson explica as limitações desse dado. Me acordem quando houver quenianos e etíopes treinando com isso. Até lá, defino como coisa de pangaré.

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14 pensamentos sobre “Leituras de 4a Feira

  1. Vladimir disse:

    Na verdade já existem corredores africanos utilizando aplicativos em seus treinos. A questão é que eles precisam continuar vendendo a imagem de pobrezinhos correndo na Savana para tornar suas vitórias mais “merecidas”. Não podemos ser radicais com nada neste mundo, caso contrário teremos vaga garantida no IsLãmismo .
    Abs

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  2. Luis Oliveira disse:

    Balu, concordamos mais do que discordamos em muitas coisas, mas não consigo deixar de ver uma certa má vontade com o pangaré, que termina maratonas acima de 4 horas (como você nos disse), que atrai o interesse dos patrocinadores e paga, indiretamente o salário dos profissionais, que, enfim, carrega o esporte nas costas.

    Quando você fala “Me acordem quando houver quenianos e etíopes treinando com isso. Até lá, defino como coisa de pangaré” é como se você dissesse que pangaré não tem espaço neste esporte. E o pangaré tem, não apenas um lugar de destaque, como direito de querer melhorar. Que ele acabe enganado por uma série de treinadores, vendedores de tênis, nutricionistas e compre gatos por lebres diz mais a respeito dos expertos do que a respeito dos pangarés.

    Enfim, quenianos e etíopes não usarão gadgets pois (a) não tem, em média, renda para isso (b) tem, em média, talento de sobra, e (c) não tem interesse em corrida por atividade de laser. Mas pangaré vão. E ficarão pangarés um pouquinho mais rápidos, alguns deles. E não tem nada de errado nisso.

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    • Danilo Balu disse:

      NÃO! Eu disse “me acordem quando houver quenianos e etíopes treinando com isso. Até lá, defino como coisa de pangaré” é porque se não soubesse NADA sobre esse gadget e não lesse inglês meu palpite seria simples: NÃO funciona. Por quê? Porque que tem a pele em jogo (skin in the game) NÃO o utiliza. Como eu sei disso? Porque acompanho alto nível (menos do que mtos de vcs imaginam). Estive na Etiópia, vc sabe disso. É um erro crasso achar que eles não usam tênis modernos ou equipamento por pobreza… os atletas vitoriosos têm patrimônio mto maior do que um brasileiro médio, acredite! Eu vi os carros com os quais eles vão aos treinos. Eu nunca tive um igual. Os treinadores ganham porcentagem da premiação, são instruídos, viajados, têm acesso à tudo (no exterior). Não são ricos, estão longe de ser pobres. Lembre-se: com um GPS posso treinar VÁRIOS atletas, e AINDA ASSIM não vi NENHUM (mas, SIM, eles usam, principalmente em treinos longos e ritmados).
      É um conceito básico, mto básico, o cara que tem a pele em jogo pode dizer melhor do que qq amador estudioso se algo funciona. Por quê? Porque ele VIVE disso… a renda, a VIDA dele, depende disso. Isso vale para o Quênia, para a Etiópia, para o Oregon Project. Se eles não usam, quem usa? Quem acredita em espuma, o pangaré. Seja ele um pangaré que corre 2h59 ou 4h01. É um ENORME erro achar que um queniano não usaria por ter talento… se isso der uma vantagem competitiva de 30seg na Maratona ele vende um rim. Vc viu a chegada da Maratona de Dubai? O campeão levou mais $$ que os demais 10.
      É uma heurística que eu tenho que quase nunca me deixa na mão: quem vive disso faz igual? Não? Então é espuma. Faz? É de graça? Sim? Então deve funcionar. Se vc me perguntar HOJE: vc acredita em massagem? Até outubro eu diria que não. Mas os africanos fazem. Muito. Não devem estar errados….

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      • Luis Oliveira disse:

        Acho que estamos com um problema de definições, pois eu ainda não entendi. Pangaré é quem: (a) Quem corre mal, não tem habilidade atlética e nunca terá? (b) Quem usa gadgets? (independente da habilidade atlética e da eficiência do gadget) (c) Quem não é queniano ou etíope?

        Veja que, por tudo o que eu sei (não estive lá, é verdade) todo skin in the game dos africanos é daqueles que quer fazer isso profissionalmente. Não existe, aparentemente, esse corredor amador. Ou seja, são games diferentes do corredor típico que frequenta o Ibirapuera com a camiseta amarela do MPR.

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      • Danilo Balu disse:

        Acho que minha formação na EEFE-USP me deixou meio “exigente”… chamamos de atletas apenas e tão somente aqueles que vivem (financeiramente) do seu desempenho esportivo… mas o mundo mudou… hj com redes sociais a cocota de 20 anos que ganha $$ correndo a 5min/km é tb pangaré, já que ela vive de ser cocota & correr. Mas aquele cara rápido, que ganha uma prova bate-saco aqui e ali eu tiro da categoria pangaré. Pangaré pra mim é o amador que nunca vai ganhar nada, nem corrida interclasse. Qto mais lento, maior a chance de ele estar usando mais gadgets, qto mais lento, maior o valor do seu equipamento total… é uma heurística que eu desenvolvi ao longo dos anos. Não funciona mto mais do que 80%, mas a credibilidade é boa.

        Qto ao “skin in the game dos africanos” realmente é daqueles que quer fazer isso profissionalmente. Mas aqui um detalhe, se no Quênia eles correm (e correm mesmo como já ouvi e já li a respeito), na Etiópia só parece correr quem (já) vive disso ou quem quer viver disso. Deve haver mais corredores recreativos na São Silvestre do que em Adis Abeba toda. “Não existe, aparentemente, esse corredor amador.”

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      • Luis Oliveira disse:

        Bom, uma vez definido o pangaré (“Pangaré pra mim é o amador que nunca vai ganhar nada, nem corrida interclasse”, que era mais ou menos o que eu achei), voltamos ao ponto inicial. Não vou discutir o seu heurístico (embora ache que isso é um pouco de liberdade demais com a palavra). Mas vou discutir sua má vontade com esse cara, o pangaré.

        Insisto, se ele, o pangaré, usa mal tecnologia e é mal orientado, isso diz mais a respeito dos expertos em corrida, que vendem isso pra ele, do que a respeito dele mesmo, que só está querendo aumentar seu pace de 5:45 para 5:30, correr uma meia, terminar a SS e contar para o cunhado, esses objetivos um tanto rasteiros e triviais, mas perfeitamente legítimos.

        Ele não é mais (nem menos) vaidoso, não é mais (nem menos) crente no expert opinion, não é mais (nem menos) propenso ao erro. Corredor não é melhor (nem pior) do que qualquer outro corte da população. O Sérgio Rocha tem 110 mil seguidores. Nunca vi nem perguntei, mas afirmo, sem medo de errar, 109.950 são pangarés autênticos. Não há SS sem eles. Não há 45 meias no Brasil sem eles. Não há Tribuna, Volta da Pampulha nem nenhuma outra prova com mais de 10 mil sem eles. Por definição.

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      • Danilo Balu disse:

        Ah sim! Não acho que seja culpa “dele” pangaré essa obsessão por tênis especializado, suplemento, alongamento…. Na verdade acho que a culpa TODA é do especialista que orienta mal!

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  3. Julio Cesar disse:

    A última agora é bochechar gel de carboidrato no final da prova pra ganhar até 1,7% de desempenho.

    https://www.ativo.com/corrida-de-rua/treinamento-de-corrida/bochechar-gel-de-carboidrato/

    Vou usar essa técnica na minha próxima corrida de 5 km.

    Curtido por 2 pessoas

  4. jzflores disse:

    https://www.runnersworld.com/rt-web-exclusive/doubling-and-tripling-performance-incentives

    achei essa matéria boa, queria que você desse seu pitaco sobre ela.
    escrita por um dos poucos, eu acho, que você recomenda acompanhar.

    Curtido por 1 pessoa

  5. Maicon Cunha disse:

    Muito legal o heatmap… acho que fui responsavel por alguns trechos perto de casa que não vejo ninguém correndo, hehe

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