Tênis mais caro é melhor?

Qual a relação da qualidade de um tênis com seu preço? Seria o preço uma medida direta e confiável da qualidade desse equipamento tão presente na corrida?

Pois com tantas opções no mercado a métrica mais fácil, direta e simples seria confiar que os produtos mais caros, teoricamente os de melhor qualidade, nos garantiriam melhores produtos, mais capazes de diminuir a incidência de lesões, por exemplo. Infelizmente a coisa não funciona assim.

Dois estatísticos fizeram uma análise baseados em 134.867 revisões de 391 tênis de corrida de 24 marcas diferentes no site RunRepeat. Foi possível assim comparar o preço dos tênis com o quão bem classificados eles são pelos corredores consumidores. A principal conclusão que se tira é que tênis caros não são melhores do que os mais baratos. Na verdade, tênis baratos são melhores classificados dos que os mais caros. Quanto maior o preço do calçado, mais baixa é a avaliação do tênis.

Esta análise encontrou que os 10 tênis de corrida mais caros (média de preço de U$181) são classificados como 8,1% pior do que os 10 tênis de corrida mais baratos (média de U$61). Com nota média de 86 (de cem possível), apenas 18,9% de todos os 391 tênis avaliados têm nota superior aos dez mais baratos!

Ainda que deixemos de lado a avaliação pessoal e optemos para os dados encontrados em algum experimento mais independente vemos que a coisa não melhora para a métrica “maior preço” como indicador de mais qualidade. Por exemplo, os corredores usando tênis caros estariam 123% mais propensos a se lesionar que aqueles corredores com tênis mais baratos.

Isto foi o encontrado em um estudo da University of Bern que investigou 4.358 corredores. O estudo encontrou ainda que a variável mais relacionada com lesões não era a superfície de treino, a velocidade, a quilometragem semanal, nem mesmo o peso corporal ou o histórico de lesão, mas o preço do tênis!

Aqueles corredores com calçados que custavam mais de U$95 eram duas vezes mais propensos a se machucar do que os corredores com produtos que custavam menos de U$40. Os pesquisadores constataram que “usuários de tênis caros (…) se lesionam significativamente mais frequentemente que os corredores que usam tênis baratos”.

Este estudo não é único em suas conclusões. Podemos citar ainda um estudo de Steven Robbins (1990) que encontrou que tênis caros não compensavam um maior investimento, podendo mesmo aumentar o risco de lesões.

Obviamente que seria quase uma irresponsabilidade (além de uma conclusão equivocada para não dizer burra) afirmar que o preço do tênis é, por si só, uma variável direta por lesões. Bastaria assim apenas uma promoção ou liquidação sazonal para um tênis ficar melhor ou mais seguro. Isso porque há o fato comportamental. Lembremos que há uma relação entre expectativa e realidade, você é mais rigoroso com aquilo que paga mais caro, no caso do levantamento da RunRepeat. Já nos outros 3 casos, nem mesmo os autores chegam à conclusão de que o preço determina o risco, eles apenas tentam deixar claro que pagar a mais não te protege a mais.

Porém, há explicação. Um estudo interessante também feito por Steven Robbins (1997) viu que tênis mais caros podem, pela propaganda intencional de seu fabricante e indiretamente pelo seu maior preço, transpassar a impressão de que oferecem maior proteção de amortecimento ao corredor, ainda que não haja evidências científicas de que eles consigam de fato fazer mesmo isso. Essa falsa sensação de segurança dadas pelo preço e pela propaganda das empresas diminui a atenuação do impacto feito pelo usuário que corre com pior técnica e causa mais lesões. Ou seja, é um fator comportamental induzido por um produto que não pode entregar aquilo que promete.

E no Brasil? Teríamos dados para fazer algo parecido?

Eu resolvi então analisar de forma simples as avaliações (“reviews”) feitas pelo canal de YouTube Corrida no Ar. Por que ele? Por várias razões.

Primeiro porque ele é o maior canal do mundo falando sobre corrida! Isso não é pouca coisa! Outro motivo é que o canal faz avaliações diretas com notas (de 0 a 5) usando 10 quesitos (entre eles “preço”, ainda que com outros menos relacionados com qualidade, como beleza). Com isso podemos fazer comparações diretas e objetivas entre modelos diferentes usando valores numéricos.

A metodologia pode não ser perfeita, mas é interessante para tentarmos ver com dados brasileiros se um maior preço traria realmente maior qualidade. *aqui vale atentar para algumas particularidades. A primeira é o conflito de interesse. O canal é patrocinado pela adidas. Eu fiz os cálculos com e sem os tênis dessa marca. Os resultados foram praticamente os mesmos, então escolhi postar incluindo os tênis da marca alemã uma vez que isso dá um maior volume de dados sem nesse caso prejudicar a confiabilidade da resultante. As médias das notas foram feitas excluindo-se a nota dada para “preço” (1 dos 10 quesitos) justamente porque a ideia era encontrar uma nota média independente do preço do calçado. E o detalhe que deve ser reforçado é que as notas dadas pelo Corrida no Ar não têm nenhuma correlação com lesões ou segurança, elas são apenas indicadores da qualidade de um tênis usado por pouco menos de 100km em média. Ou seja, NÃO podemos retirar ideia de maior segurança (menos lesões) ou não em funções dessas notas, ao contrário de alguns dos estudos supracitados!

Analisando-se o gráfico com as avaliações de 31 modelos de 13 marcas feitas pelo canal, temos que há realmente uma correlação positiva entre preço e qualidade. Mas talvez valha citar que os 2 tênis mais caros estão abaixo da média enquanto o mais barato está acima da média custo-benefício. Esse ganho de qualidade com maior preço pode não ser tão forte e garantida, mas ela existiria!

Mas insisto em dizer que aqui não discutimos se os tênis mais caros são mais seguros (menos lesões), mas apenas que seriam “melhores”, seja lá o que isso signifique na prática.

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20 pensamentos sobre “Tênis mais caro é melhor?

  1. Marcos disse:

    Balu, muito boa a abordagem. Aproveitando, não quer divulgar o nome dos três tênis abaixo de R$400,00 que estão com essas médias mais altas? Vai me poupar um bom tempo na escolha dos próximos modelos… eheheh 😜
    Parabéns pelo trabalho.

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  2. Hélio Shiino disse:

    “Porém, há explicação. Um estudo interessante também feito por Steven Robbins (1997) viu que tênis mais caros podem, pela propaganda intencional de seu fabricante e indiretamente pelo seu maior preço, transpassar a impressão de que oferecem maior proteção de amortecimento ao corredor, ainda que não haja evidências científicas de que eles consigam de fato fazer mesmo isso.” (Danilo Balu)

    E por aí mesmo.
    Ao passar pelos 3º e 4º parágrafos, a minha opinião já veio tomando forma que corrobora com a citação acima.

    (abrindo parêntese)
    Um outro agravante é que a maior parte dos brasileiros não vai ao estabelecimento em busca de um produto tendo em mãos as suas características. Ele desfila pelas gôndolas guiando-se, primeiro, pela leitura do Nome das Marcas! Ou seja, se compra a Marca e não o Produto! E o Lojista que simplesmente faz o seu papel orientado pelo Teoria do Marketing, posiciona as Marcas, da frente para o fundo da Loja, a partir do maior para o de menor preço.
    (fechando parêntese)

    Infelizmente a realidade mostra que a tendência do Mercado Brasileiro continua sendo esses “cal$$$ados de corrida”.

    Por que cada vez mais está sendo difícil encontrar os reais calçados de performance e/ou de competição?????
    [Pensando Alto] “- Qual a diferença entre os de performance e os de competição?”
    Simplesmente porque há baixíssima ou quase nenhuma procura! (ponto)
    Então não compensa trazer para o Brasil!
    Todas as tentativas de se estabelecer no Mercado Brasileiro serão em vão!
    Encalham! (Sinônimo de Prejuízo!)

    Antes de mais nada, é preciso mudar a Cultura!
    Antes de mais nada, é preciso não jogar a responsabilidade do ato de correr para o calçado!
    Antes de mais nada, é preciso incutir na cabeça que quem corre é você utilizando o calçado e não o inverso!

    Enquanto não refinarmos o conhecimento a respeito da Corria de Rua, o que encontraremos nas vitrines é aquilo que coaduna com o pensamento da grande maioria dos Corredores Brasileiros.
    Calçados Shing Ling!!!!!

    (abrindo parêntese)
    Para quem incentiva a diminuição da utilização dos veículos, seja particular, seja coletivo, é preciso se atentar para NÃO divulgar a equivocada legenda de que troquemos o automóvel pelo tênis!!!!
    O Correto é dizer: “- Troquemos o automóvel pelas Pernas!”
    O tênis é meramente um Acessório!!!!!
    (fechando parêntese)

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  3. Olhando o gráfico da pra ver que na faixa de R$599,00 existem vários tênis, com notas entre 3,5 e 4,3, assim como na faixa de R$499,00-R$549,00. Nessa faixa de preço dá pra comprar modelos com boa avaliação e outros nem tanto. Chutando, parece que é o preço mais praticado no mercado.

    Mas pra mim essa faixa tá bem acima do que eu pago num tênis, prefiro procurar os modelos com notas 4,00-4,25 ( pra mim, claro) de no máximo R$299,00, com melhor custo x benefício.

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  4. Julio Cesar Kujavski disse:

    Tem suas exceções, pelas quais eu pagaria: New Balance no Brasil são caros mas são tênis excelentes (modelos 1400, 1500 e mais um ou outro).

    Alguns Adidas também, com o Adidas Takumi Sem, que é um dos melhores do mundo, que é caro e excelente.

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  5. Neilson disse:

    A correlação entre tênis caro e lesão me lembra um comentário num artigo, não sei se seu, que dizia que o simples fato de tomar um complexo multivitamínico gerava em alguns indivíduos a sensação de ser um super-homem – que ao tomá-las se protegia menos, se achava mais resistente e, consequentemente, se lesionava mais…
    Quantas lesões similares não serão facilitadas por kinesiotaping, palmilhas e meias de compressão…

    Curtido por 1 pessoa

  6. P_C disse:

    O que deu para entender com seu texto é que a linha vermelha é a média da nota para cada faixa de preço… já que vc citou que os mais caros estão abaixo da média e o mais barato acima da média. Mas essa linha parece ser alguma análise de tendencia do word… já que se há somente um tenis em uma faixa de preço, este deveria ser a média.

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  7. Danilo Balu disse:

    A linha vermelha é a tendência. Qto maior o preço, maior a percepção de qualidade.

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  8. msanches35 disse:

    Aí cara, você coloca o link para um estudo irrelevante que só quer atrair tráfego para o Website e não coloca o link para os estudos sérios, que provavelmente são furados também (talvez foi por causa disso que vc não colocou o link). Que tal promover a ciência ao invés de promover o seu ponto de vista? Vc parece ver o problema com a ciência da nutrição mao não nas outras áreas? Pra vc é ok usar reviews como indicador de qualidade? Qual a marca do seu tênis?

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    • Danilo Balu disse:

      São princípios básicos… o blog é meu, as regras são minhas, a pto de eu, como deve já saber, nem colocar mata-burro na entrada de comentários. Coloquei palavras-chaves, a universidade, ano de publicação, nome de autor… Logo mais irá vir gente querendo que eu traga traduzido de modo juramentado. Quem conhece esse espaço sabe que nunca coloco link dos estudos, mas sempre dei detalhes dos estudos que geram interesse particular, mesmo não ganhando nada sobre isso..
      Sobre reviews, vc não leu e não gostou, não vou nem discutir isso… Sobre meu tênis, eu já respondi a questões mais inteligentes, dias atrás inclusive. Hj é um Fila ao qual eu paguei. Fritas acompanha?

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      • msanches35 disse:

        Blog meu, regra minha, mata-burro, vc costumava dar respostas melhores do que esta não resposta.

        A razão pela qual resolvi comentar é que o primeiro artigo que encontrei usando palavras chaves foi esse:

        http://journals.sagepub.com/doi/abs/10.1177/036354658801600316

        O artigo diz que as variáveis mais associadas com lesões são quilometragem e história. Tá vendo, por não colocar o link vc não só faz um desserviço à ciência como também dá um tiro no pé! EU não vou gastar mais tempo procurando artigos pois esse assunto não é minha prioridade, e porque esse que eu achei já me deu a dica que os que vc menciona são provavelmente furados, ou não existem, ou não dizem o que vc diz que eles dizem.

        Vc não coloca um link para uma publicação científica para facilitar a vida do leitor, embora essa é uma consequência. Vc coloca o link para retribuir àqueles que fazem a ciência que vc usa, para a promover e reconhecer o trabalho deles. Uma alternativa seria vc citar o artigo no final do texto. A ciência no artigo que vc mencionou, ainda que provavelmente furada, é muito mais difícil de ser feita do que o lixo do artigo para o qual vc colocou o link. Me diga uma coisa, vc cita artigos no seu livro? Espero que sim, senão é provavelmente furado também.

        Obviamente vc ganha com isso. Vc atrai pessoas para seu blog onde vc faz propaganda de seu livro que não é de graça, vc dissemina o seu ponto de vista dando a ele fundação científica mas com trabalho científico que vc não teve trabalho para fazer, e sei lá mais o que vc ganha com isso. Estou até desconfiado que vc tem alguma relação com o RunRepeat. Mas o problema pode ir além disso, para o de promover falsa ciência, ou interpretá-la incorretamente, por interesse próprio. Me parece que vc conhece bem tal problema!

        Ah, eu li sim o texto todo. A melhor frase foi a última: “seja lá o que isso signifique na prática.”. Pelo menos vc é sincero que vc não sabe o que tá analisando. Uma sugestão para facilitar a sua vida: use a função “=rand()” do excel, ela vai te poupar o tempo de baixar reviews. Ah, me diga uma coisa, quando vc compra livro, vc vai pelos reviews? Eu ficarei impressionado se vc dizer que sim!

        Obrigado por mencionar a marca do tênis. No momento eu não estava pensando em conflito de interesse (mas agora vejo que é preciso ter cuidado), queria apenas verificar se vc segue o que prega de que tenis barato é melhor. A minha opinião pessoal é semelhante a sua em termos de preço e a maioria dos aspectos da qualidade, mas minha impressão é que tenis baratos duram menos e no final das contas eu gasto a mesma coisa pois tenho que comprar outro logo.

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      • Danilo Balu disse:

        Bom, vc errou o artigo, continue tentando… dica: está lá no livro…

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    • liporati2002 disse:

      O Dr. Robbins é figura carimbada na comunidade de corredores descalços. O artigo dele de 1997 é este aqui:
      “Hazard of deceptive advertising of athletic footwear”
      http://bjsm.bmj.com/content/bjsports/31/4/299.full.pdf
      Neste artigo ele cita o estudo do Dr. Marti (Bern Grand Prix) falando dos 123%. É a referência 5, ou seja, o capítulo 31 deste livro: https://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&id=N9xsAAAAMAAJ&dq=the+shoe+in+sport&focus=searchwithinvolume&q=relationship+between

      Mas acredito que as referências do Balu não sejam os artigos originais mas, talvez, Chris McDougall e o seu “Born To Run”. No capítulo 25 são “citados” os estudos dos Drs. Marti e Robbins, entre outros. O início deste capítulo é fantástico:
      “Barefoot Ted was right, of course. Lost in all the fireworks between Ted and Caballo was an important point: running shoes may be the most destructive force to ever hit the human foot.”

      Como alguns corredores descalços já devem ter percebido, a indústria do tênis de corrida é como a indústria tabagista: tira seu dinheiro diminuindo sua saúde! Cigarro associado a esporte, cigarro com filtro, cigarro light, …

      Para uma lista de outros artigos/estudos comparando corrida com e sem tênis acesse:
      https://pes-descalcos.org/run/index.php?n=Recursos.Artigos

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    • liporati2002 disse:

      O Dr. Robbins é figura carimbada na comunidade de corredores descalços. O artigo dele de 1997 é este aqui:
      “Hazard of deceptive advertising of athletic footwear”
      http://bjsm.bmj.com/content/bjsports/31/4/299.full.pdf
      Neste artigo ele cita o estudo do Dr. Marti (Bern Grand Prix) falando dos 123%. É a referência 5, ou seja, o capítulo 31 deste livro: https://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&id=N9xsAAAAMAAJ&dq=the+shoe+in+sport&focus=searchwithinvolume&q=relationship+between

      Acredito que as referências do Balu não sejam os artigos originais mas, talvez, Chris McDougall e o seu “Born To Run”. No capítulo 25 são “citados” os estudos dos Drs. Marti e Robbins, entre outros. O início deste capítulo é fantástico:
      “Barefoot Ted was right, of course. Lost in all the fireworks between Ted and Caballo was an important point: running shoes may be the most destructive force to ever hit the human foot.”

      Como alguns corredores descalços já devem ter percebido, a indústria do tênis de corrida é como a indústria tabagista: tira seu dinheiro diminuindo sua saúde! Cigarro associado a esporte, cigarro com filtro, cigarro light, …

      Para uma lista de outros artigos/estudos comparando corrida com e sem tênis acesse:
      https://pes-descalcos.org/run/index.php?n=Recursos.Artigos

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      • Danilo Balu disse:

        Seu comentário ficou preso porque qdo há 2 ou mais links ele deixa pendente… Abrax

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      • msanches35 disse:

        liporati2002, obrigado pelas referências. Eu tentei acessar a referência 5 do paper no seu primeiro link, mas não achei. Eu teria que ir a biblioteca aqui da universidade para ler isso. Eu achei um paper que cita ele, dizendo:

        “Some authors suggest a positive correlation between higher cost of the shoe and higher injury rates in the runner”.

        Isso não parece muito convincente.

        O paper que achei é este, que em geral diz que não existe muita evidência que correr descalço previne lesões, e que não está na sua lista de artigo no seu terceiro link:

        Murphy, Kelly, Emily J. Curry, and Elizabeth G. Matzkin. “Barefoot running: does it prevent injuries?.” Sports Medicine 43.11 (2013): 1131.

        Minha opinião, no entanto, é que correr descalço é provavelmente okay.

        Balu, eu olho o artigo se vc colocar o link, mas se não colocar beleza, eu analizo a sua opinião com o conhecimento que tenho, que é pouco, mas considerando sua opinião como simplesmente sua opinião. Eu não estou interessado em ‘tentar denovo’, isso não é importante para mim, não e prioridade. Minha ligação é mais com ciência, menos com corrida. Minha opinião é e vai continuar sendo de que vc está tentando promover uma opinião pessoal, para a qual não existe boa evidência, quando diz que preço é associado com mais lesões. Vc simplesmente escolheu um estudo conveniente para transformar sua opinião em ‘evidência científica’. Isso em si não é surpreendente na medida que eu estou acostumado, todo mundo faz. Mas é um problema. E eu não esperava isso de vc, dado que eu considerava a sua crítica à Nutrição e conflitos de interesse razoáveis. Agora vejo que sou obrigado a também questionar tudo aquilo que vc escreve a respeito da nutrição, e checar as fontes se eu quiser saber qual a verdade.

        ‘Vc errou o artigo’ também adiciona ao meu ponto acima. Vc quer passar a idéia de que o artigo que eu achei é incorreto, de que existe um que apoia o que vc diz. Eu estaria disposto a aceitar se vc tivesse algum argumento razoável, até porque tenho certeza que vc entende mais dessas coisas do que eu. No entanto, por enquanto o artigo que achei é o correto na milha opinião, e ele contradiz o seu texto! Minha conclusão, no momento, é que vc ‘cherry pick’ os artigos que são convenientes para vc, pior ainda, nem cita a referência desses artigos. Assim como um monte de gente.

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      • Danilo Balu disse:

        Faz o seguinte, me diga onde eu digo que maior preço dá mais lesões ou que menor preço protege mais…. Mostre onde eu digo que acredito nessas teorias.

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      • msanches35 disse:

        Na verdade eu não penso que vc acha que maior preço causa mais lesões. Essa minha frase, ness último parágrafo foi um pouco extrema. Vc diz haver publicação científica fazendo tal associação e vc enfatiza as conclusões dessas publicações:

        “corredores usando tênis caros estariam 123% mais propensos a se lesionar que aqueles corredores com tênis mais baratos”
        “a variável mais relacionada com lesões não era (…) mas o preço do tênis!”
        “Aqueles corredores com calçados que custavam mais de U$95 eram duas vezes mais propensos a se machucar do que os corredores com produtos que custavam menos de U$40.”
        “Os pesquisadores constataram que “usuários de tênis caros (…) se lesionam significativamente mais frequentemente que os corredores que usam tênis baratos””
        “encontrou que tênis caros não compensavam um maior investimento, podendo mesmo aumentar o risco de lesões”

        5 vezes! Eu queria checar a qualidade disso, e acabei achando o artigo que achei, que contradiz parte do que vc disse, talvez tudo. Eu entendo que vc então segue timidamente desqualificando todas essas conclusões, mas o dano está feito, elas te ajudam a promover seu ponto de vista na medida que ele fica qualificado como baseado em ciencia. Aqui eu estou assumindo que tais artigos mencionados (mas não citados) existem, mas a existência deles não importa para que vc lucre ao mencionar a ciência data que poucos fazem como eu e tentam se aprofundar.

        Na verdade eu até mencionei que minha opinião é semelhante à sua, que maior preço não significa maior qualidade, exceto, possivelmente, em relação à durabilidade. De qualquer forma, iss não é meu ponto, o meu problema não é com sua opinião, eu não tenho intenção de debater o conteúdo com vc pois é a sua área, não a minha. Eu prefiro poder acreditar no que vc diz, e se não posso, eu vou simplesmente deixar prá lá, não é minha prioridade pesquisar isso.

        O que me levou a escrever o primeiro comentário, e acho que isso tá claro lá, é que vc promoveu um texto lixo do RunRepeat, o qual eu acho que vc deveria ter criticado. O problema é que muita gente lê essas mer** e pensam que é ciência, e sai espalhando por aí. Vc então segue e fez o mesmo com dados do Youtube. Vc recomnhece que sua análise não diz nada, mas ao mesmo tempo também vemos nos comentários que tem gente interessada nessa análise que não diz nada. Finalmente, vc usa vários textos científicos, mas não os cita. Assim, à primeira vista vc se encaixa num perfil que conheço muito bem:

        1 – Tá ok com texto lixo se ele concorda com seu ponto de vista.
        2 – Cherry-pick textos científicos que concordam com seu ponto de vista.

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      • Danilo Balu disse:

        Então a gente pode fazer assim. Vc como guardião de estudos. Daí mandamos pra vc escolher quais textos podem ou não ser lidos. Acho interessante… Uma vez que vc acha que uma análise feita com tantos dados, agora é uma associação, ainda que não gera conclusão, mas pode formular hipótese, tem que ser jogada fora porque não gosta dela.

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      • msanches35 disse:

        Como assim não podem ser lidos. Tudo pode ser lido.

        O estudo no RunRepeat e o seu no Youtube são claramente associação que a gente nem sabe o que quer dizer. Mas o RunRepeat e vc têm o direito de conduzir estes estudos, e divulgar, e eu o direito de criticá-los. Agora, se vc entende um pouco de ciência e do método científico, dá para ver que o RunRepeat tá longe de oferecer bom nível de evidência para a hipótese de qualidade. Na verdade vc precisa fazer muito malabarismo para ligar aquilo a qualidade de forma minimamente científica.

        Vc, se preza a ciência, deveria escrever um post alertando os seus leitores que infelizmente tem muito lixo por aí que se passa por análise de dados confiável e por ciência. E dar o link para o RunRepeat, e apontar os problemas. É ok vc usar o estudo desde que vc é transparente que é um lixo se a hipótese é qualidade, que precisa muitas suposições para inferir relação causal e ausência de viès de seleção, ausência de confundimento. Mas o estudo é tão ruim que não compensa. Eu nunca usaria pois na minha opinião se eu tenho que citar aquilo então eu tô na lama mesmo em termos de evidência pra minha hipótese.

        Sobre os outros estudos que vc menciona mas não cita, eu pro-ativamente tentei encontrá-lo, eu estava legitimamente interessado em apenas acessar o nível de evidência deles para satisfazer minha propria curiosidade, não pensava em criticar nem nada. Vc devia concordar que seria bom senso vc simplesmente oferecer o link ou citação do estudo. Veja o outro comentário aí que tentou achar o paper e não tem certeza se achou. Citar o paper vai dar mais credibilidade e transparência, não citar deixa quem entende um pouco de ciência com suspeita de que os estudos são ruims.

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