Dados e mais dados…

Gosto muito de números, acho que eles podem nos revelar muita coisa. O grande segredo de analisar números é saber quando você olha para uma informação que te sinais e quando saber que você olha apenas para algo que é ruído, ou seja, algo que não informa nada, apenas confunde. No esporte talvez o melhor exemplo de dados gerando informação seja a incrível história contada no livro Moneyball. Michael Lewis nos conta como um time de orçamento muito limitado, o Oakland A´s, usou números para montar um time de beisebol repleto de atletas com estatísticas alternativas para chegar com sucesso à fase mata-mata na liga americana.

Por sua natureza a corrida é cheia de dados: quilômetros rodados, Frequência Cardíaca, volume, altimetria, VO2máx, ritmo… Mas será que nós amadores olhamos para os números a serem olhados? Improvável.

Nunca antes os corredores puderam contar com tantos dados de maneira fácil. As redes sociais, os smartphones com seus aplicativos, os aparelhos de GPS e os frequencímetros vieram se juntar a cronômetros de 100 ou mais voltas (laps). E agora estão disponíveis também gadgets que calculam vetores nos tênis calculando pronação, tempo de contato do solo e muitos outros dados.

Corredor se encanta com tanto número. Os gráficos são apaixonantes. Mas serve para algo? Novamente é improvável. Há muito pouca coisa que dê informação ÚTIL, que oriente o treinamento que não seja o volume e o ritmo na corrida. Eu sempre falo que o “corredor moderno” devia ter um desapego muito maior com esses dados e também com os marcadores. O ser humano não consegue processar tanta coisa. Pior, com aquilo que lhe chega ele tenta simplificar, ele busca contar uma falsa história com os números que tem, tentando tirar conclusões de seu real condicionamento. Ele arrisca decifrar tantos números e, na absoluta maioria das vezes, ele erra ao fazer isso.

Ainda que eu acredite fortemente que o atleta deveria treinar muito poucas vezes com esses marcadores, é inegável que eles são um grande motivador de muitos amadores. Se você quer registrar tudo porque gosta, OK, mas saiba que de tudo que ele irá lhe informar, basicamente DOIS dados impactam com segurança seu desempenho. Um deles é o volume semanal, o outro é o ritmo. O resto é muita perfumaria, muito confunde, pouquíssimo ajuda.

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15 pensamentos sobre “Dados e mais dados…

  1. Hélio Shiino disse:

    “Corredor se encanta com tanto número. Os gráficos são apaixonantes. Mas serve para algo? Novamente é improvável. Há muito pouca coisa que dê informação ÚTIL, que oriente o treinamento que não seja o volume e o ritmo na corrida. Eu sempre falo que o “corredor moderno” devia ter um desapego muito maior com esses dados e também com os marcadores. O ser humano não consegue processar tanta coisa. Pior, com aquilo que lhe chega ele tenta simplificar, ele busca contar uma falsa história com os números que tem, tentando tirar conclusões de seu real condicionamento. Ele arrisca decifrar tantos números e, na absoluta maioria das vezes, ele erra ao fazer isso.” (Danil Balu)

    Faz um bom tempo para cá, por uma questão de percepção, eu tenho uma leitura adicional a essa que você fez.

    Antes de ir direto ao ponto, permita-me fazer uma breve analogia com a tão repetida Nutrição.

    A pessoa que passou a maior parte da vida comendo tudo errado, percebe que as suas medidas corporais estão se avantajando, e sabe como reverter essa hecatombe, mas sabe mais ainda que isso levará muito tempo. Faz então o uso de um desvio ardiloso que é (pegando emprestado do jargão do futebol) o “puxar a marcação”.

    Esta pessoa chegou a um ponto em que olhar no espelho, só se for do pescoço para cima. E como é que entra a “puxada de marcação”??? Dar volume, dar cor, dar brilho… claro, do pescoço para cima.

    Cosméticos dão uma felicidade efêmera parecendo uma solução…

    A preguiça “deu um ippon” do pescoço para baixo. Os cosméticos deu uma pseudo-solução do pescoço para cima. E com isso, eles não estão se enganando. É a tentativa de enganar quem os vê.
    É o clássico Quesito: “Defeitos Visuais”!
    Uma cortina de fumaça, Um jogo de espelhos.

    O requinte “driblar o adversário com o jogo de corpo” se estendeu aos mais diversos tipos de Tatuagens. Quanto mais exótica for a tatuagem, mais a sua função de desviar da tragédia estará se efetivando.

    Retomando aos “Adereços e Alegorias” de Corrida, um dos raros dado numérico que importa é a sua melhora de tempo em uma determinada distância com relação ao seu melhor tempo.

    Tocando no ponto da preguiça que também permeia o Mundo da Corrida, o imediatismo de resultados é tão almejado que por conta do seu inacessível alcance, novamente, se vêem do uso da “puxada de marcação”.

    Você finta o adversário tirando o foco do que é o principal e o distraindo com luzes de neon e outras quinquilharias mais.
    Eles SABEM que esses “acessórios de guerra” que eles ostentam fazem pouca ou nenhuma diferença no tempo final.
    A intenção primordial é a de, na preguiça de fazer o essencial, tentar iludir o expectador.

    Ilusionismo estando presente tanto na área da Beleza quanto na área da Corrida!

    As marcas de produtos para Running já sacou todo esse pano de fundo faz tempo, e é em cima de todo esse mise-en-scène que eles depositam a sua sobrevivência e, principalmente, o seu lucro.

    Efetivos Resultados não se conseguem através de atalhos! Muito menos com Ilusionismo!

    P.S. Pegarei emprestado a minha experiência de fotógrafo amador. Quantas e quantas vezes eu já peguei um iniciante, na tentativa de impressionar os leigos, se “armarem” com uma objetiva-canhão e empunhando uma câmera mais cara da loja?
    – Amigo, o resultado não se mede pelo que você tem, mas pela bagagem que você acumulou e consegue mostrar em uma imagem.

    Com uma Rangefinder Leica M3, um camarada pode fazer muito mais do que você com uma Teleobjetiva monstro acoplada a uma digital de última geração!

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  2. GUILHERME LARROYD disse:

    E eu aqui preocupado que não consigo aumentar minha cadência pros 180 spm… Tudo frufru mesmo! Gostei do texto, parabéns!

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  3. Balu, a questão % da frequência cardíaca você não acha relevante? Os ajustes fisiológicos diferem entre quem treina a 60% ou 90%. Já fiz algumas ultramaratonas e achava útil conferir a FC; para mim ela é uma espécie de “marcador global” de como o organismos está operando naquele momento; não apenas reflexo do ritmo imposto mas também de outras sobrecargas e demandas concorrentes. Se o valor começa a subir muito eu posso não sabr exatamente o porque, mas posso reduzir o ritmo enquanto necessário para durar até o fim da prova.

    Seria isso uma grande ilusão?

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    • Danilo Balu disse:

      FC não funciona depois de uma hora. E 60% pra mim não precisa ser o mesmo que 60% pra vc… Com condicionamento diferente, a % tb muda.

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      • nogrun disse:

        “FC não funciona depois de uma hora.” Você tem algumas referências legais para eu ler sobre esse assunto? Pode ser livro texto ou artigo científico, deco consigo pegar na universidade.

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      • Danilo Balu disse:

        Não de cabeça… Vá na parte de desidratação… Corpo perdeu água, aumenta a FC.

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      • Dany disse:

        Vc acha então que é bobagem treinar pela FC? O que acha do metodo Maffetone?

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      • Danilo Balu disse:

        Não acho bobagem… é uma heurística que dá certo mtas (maioria?) das vezes, mas ainda acho que no futuro vamos dar risada de usá-la individualmente. Eu poderia criar o método do pregador de roupas no nariz ou do esparadrapo na boca… como tem zero tecnologia, dariam risada de mim. rsrsrs FC é um feedback lento, individual, de mto difícil mensuração, não específica, que não dura para cargas longas, que é impreciso em fção da temperatura, umidade, fadiga… É um baita quebra-galho de treino de assessoria, é uma ferramenta bem ruinzinha individualmente. O Maffetone é um monstro! O método com FC é como um método de pregador no nariz, mas com grife.

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  4. Walter Santos Filho disse:

    Seria a altimetria acumulada um dado importante para treinos de corredores de montanha?

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  5. Isabel Lopes disse:

    Puxa, eu já juntava grana para comprar um relógio mais mega, mas agora vou ficar com o meu por um bom tempo, porque já tem informação suficiente.

    Vou tentar aumentar o volume de treino, quero fazer 10 km em 55 minutos. A prova aqui da cidade é em maio, 10 km A Tribuna.

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  6. Fausto Flor Carvalho disse:

    Concordo, pois ao usar os dispositivos acabamos distraindo…..E mais, deixamos de treinar com afinco achando que melhoraremos apenas com os apetrechos tecnológicos

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