Leituras de 4a Feira

As pessoas sempre me questionam em tom de truco sobre a desvantagem do low-carb para corredores de fundo. Falam assim como se eu fosse alguém de uma seita engasgando tentando negar o óbvio: de que não há atualmente um grupo grande e/ou consistente de fundistas com dieta low-carb com resultados muito bons e/ou promissores. Um texto bem bom do Alex Hutchinson explica com ciência e estudos que os atletas velozes, precisam, sim, de bastante carboidrato. E que a menos que sejam ultramaratonistas, a opção pelo carboidrato ainda é a melhor. E acho que nem em muitos anos poderemos mostrar que essa não é a melhor opção. Por outro lado é um pouco frustrante quando gente boa se apressa com essas conclusões. Um deles é o Matt Fitzgerald, que é um treinador espetacular, mas sempre que abre a boca para falar de Nutrição, nos mostra como podemos ser bom em algo e um ignorante em outro algo, sem nos darmos conta de que estamos falando bobagem. Semana passada foi a vez de Ashton Eaton se aposentar. Ele é um defensor de uma dieta mais Paleo. Só que a paleolítica NÃO é low-carb por natureza. Por vezes se encontram, por vezes se distanciam. Eaton não está só. Você encontra exemplos do mais alto nível atlético mundo afora. Fitzgerald parece sempre escrever para os 95% mais lentos olhando o que fazem os 5% mais rápidos. Isso é ingênuo demais, para ser polido com as palavras. Primeiro porque o corredor médio corre a maratona em mais de 4h00, fisiologicamente uma ultramaratona. Segundo porque esse sujeito provavelmente terá maior peso (mais gordura). Low-carb e paleolítico, por mais que queiram ignorar, nos faz perder mais peso e gordura. Menos peso, melhor desempenho. Isto se chama ganho indireto, é tão simples. E por último, são mais saudáveis. O que dá mais desempenho não é por natureza mais saudável. Ponto. Se você for um cara MUITO rápido, opte pelo carboidrato. Se for acima do peso e provavelmente será mais lento, aplique o low-carb ainda que de modo periodizado, para ficar mais veloz ao perder gordura. Era isso!

Um texto interessante da Scientific America sobre a corrida descalço. Sabem bem o que acho: penso que, ainda que não funcione 100% das vezes, tênis com menos material e transição muito lenta ao seu uso seja ainda o melhor caminho a um mundo que caminha com tijolos nos pés desde tenra infância.

Auto-jabá: Caso tenha perdido, ontem postei aqui o infográfico com o retrato das Meias Maratonas Brasileiras em 2016. É um serviço exclusivo do Recorrido que serviu de fonte ao Esporte Espetacular.

Um vídeo espanhol sobre cross-country (não se deixe levar pelo nome) nos explica muita coisa. Divulgando um tradicional evento, você vê tantas crianças correndo que tem que admitir que ao menos que em parte, a qualidade sai da quantidade. Quantas crianças e jovens temos competindo no Brasil? Quantas? Ninguém é protagonista esportivo na base da sorte. *dica do Helio Shiino.

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14 pensamentos sobre “Leituras de 4a Feira

  1. Ralph disse:

    “Se você for um cara MUITO rápido, opte pelo carboidrato.” Balu, o que é ser muito rápido, na sua opinião ? Por favor, cite um tempo de maratona ou meia de amador.

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  2. Brunoluiz disse:

    Como pangaré que sou.. Apenas vou citar a experiencia que fiz comigo mesmo. Reduzi o carboidrato, nao cortei, apenas reduzi e estou rodando de 40 a 50
    Km por semana. Até o momento nunca senti queda de energia, perdi peso e me sinto bem nos treinos sem o famoso efeito estufa haha. Só por isso e por mim mesmo, também acho que o assunto ainda da pano pra manga.

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  3. Felipe Carino disse:

    Muito interessante – tanto o seu texto como os links que você colocou (e os artigos aos quais as materias fazem referência).
    No meu caso, estou com 70 dias de dieta LCHF, com algumas semanas de cetose comprovada. Perdi 7 kg facilmente, me sinto muito bem, tô ficando horas em jejum sem dificuldade (pro meu trabalho é otimo ir até 15, 16h sem parar pra almoçar) e tenho comido melhor (eu segui o Banting do livro do Tim Noakes, ao pé da letra). Ainda não refiz o exame de colesterol (um dos motivos pra iniciar o LCHF),mas acredito que tenha melhorado.Por mim, eu continuava assim indefinidamente.
    O único problema é que o LCHF matou a minha corrida.
    De 20 km num longo, a 5:00/km como velocidade de cruzeiro, passei a só aguentar 10 km, me arrastando entre 5:30-6:00/km, e isso não melhorou até agora. A sensação é de que o treino já começa como se eu estivesse no km 37 da maratona.
    Agora preciso reintroduzir os carboidratos, porque não está dando e tem maratona de Porto Alegre em junho. O negócio é descobrir como. Tudo bem que não sou atleta, mas essa estratégia de “sleep low” me pareceu interessante.
    Outra coisa: legal ver que tem livro impresso. Será que consigo comprar um autografado?
    Abs

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    • Carlos Tomita disse:

      Felipe, você já tentou aumentar a ingestão de sal?

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      • FELIPE CARINO disse:

        Nos 1os dias, ate adaptar com a cetose, o sal ajudou sim, na sensação geral. Mas acho que o Balu vai concordar: mais sal não ia alterar a performance…
        PS: como bastante sal rs

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    • Carlos Tomita disse:

      Entendi… o negócio é ir testando até achar o seu ponto ideal, no meu caso Low Carb bem radical funcionou bem, mas cada um é cada um, boa sorte na sua “pesquisa pessoal”!

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      • Felipe Carino disse:

        Obrigado pela dica
        Eu vou partir pra alguma coisa intermediária, reintroduzir carboidratos aos poucos. Como vou tirar uma semana de ferias agora, em lugar de muita comida e frio, então não vou fazer dieta lowcarb e vai dar pra comparar com o estado atual da coisa.

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  4. Felipe Carino disse:

    Muito interessante – tanto o seu texto como os links que você colocou (e os artigos aos quais as materias fazem referência).
    No meu caso, estou com 70 dias de dieta LCHF, com algumas semanas de cetose comprovada. Perdi 7 kg facilmente, me sinto muito bem, tô ficando horas em jejum sem dificuldade (pro meu trabalho é otimo ir até 15, 16h sem parar pra almoçar) e tenho comido melhor (eu segui o Banting do livro do Tim Noakes, ao pé da letra). Ainda não refiz o exame de colesterol (um dos motivos pra iniciar o LCHF),mas acredito que tenha melhorado.Por mim, eu continuava assim indefinidamente.
    O único problema é que o LCHF matou a minha corrida.
    De 20 km num longo, a 5:00/km como velocidade de cruzeiro, passei a só aguentar 10 km, me arrastando entre 5:30-6:00/km, e isso não melhorou até agora. A sensação é de que o treino já começa como se eu estivesse no km 37 da maratona.
    Agora preciso reintroduzir os carboidratos, porque não está dando e tem maratona de Porto Alegre em junho. O negócio é descobrir como. Tudo bem que não sou atleta, mas essa estratégia de “sleep low” me pareceu interessante.
    Outra coisa: legal ver que tem livro impresso. Será que consigo comprar um autografado?
    Abs

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    • Danilo Balu disse:

      Mto bom seu relato! Eu sou bem resistente a generalizar cetogênica para corredores que têm um pé no rendimento… Mesmo LCHF… eu tenho feito os treinos leves em jejum pela manhã, treinos mais fortes tenho comido algo. Gosto da ideia do sleep low. Autografar é a parte fácil de escrever livro! rsrsrs

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    • Ralph disse:

      Olha, no meu caso, também matou a corrida nos treinos, do mesmo jeito que você relata, No começo me preocupou, mas depois aceitei rodar mais lento. Na primeira prova, eu fui mal, muito distante dos tempos de antes, mas depois adotei a estratégia de, na véspera e no pré prova, eu dou uma “carbada” boa. Resolveu, Meus tempos voltaram ao normal. Hoje, faço todos meus treinos pela manhã em jejum, Inclusive os fortes. Testei cetose e não curti, ficava muito fraco. Jejum funciona melhor pra mim.

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  5. Comecei a LC meio de setembro e ate o momento perdi 11kg. Mantive o volume de sempre, em torno de 50k / semana, mostrando que exercicio em si nao resolve pra perda de peso (peso estagnado a anos).

    Entre Outubro / Novembro fiquei um mes parado com lesao na banda iliotibial e voltei aos poucos mas melhor que antes da lesao. Hoje corro mais rapido e com menor esforço. Não preciso mais de remedio pra pressao alta e meu colesterol nunca teve melhor!

    Faço os treinos geralmente de manha e em jejum, sem sentir fraqueza como sentia em treinos mais longos.

    E é isso, o meu relato com LC e treinos.
    Grande abraço!

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  6. Carlos Tomita disse:

    Faço Paleo LCHF há mais de 1,5 ano e me adaptei muito bem a ela, acho que para mim é um caminho sem volta. Inicio todos os meus treinos com +/-12 horas de jejum (desde longos de 30/40k com pace de 5:00 a tiros de 1k a 3:45), fazendo mais de 100k praticamente todas as semanas do segundo semestre do ano passado (pico de 170k). Fiz uma maratona em jejum para 3:09:30 na semana passada (BQ na fx de 35 a 39 anos e estou com 42), tá certo que eu quebrei, mas não foi por motivos metabólicos.

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