Um pouco mais sobre tênis…

“A natureza é perfeita, construiu o pé cheio de músculos, a sola do pé cheia de receptores que levam a informação ao cérebro para que possamos ficar em pé, andar, correr… aí a gente desde que nasce já coloca aqueles sapatinhos de sola dura onde nem sentimos o chão. E assim crescemos, mal sentindo o chão e querendo cada vez mais conforto (tanto nos pés como em todas as atividades que fazemos no dia a dia). Sempre tratamos os pés como se fossem apenas apêndices para apoio, esquecemos que têm inúmeros músculos, receptores, que foram feitos para funcionar usando esses músculos, usando esses receptores, e não apertando dentro de sapatos duros.

Aí tem as palmilhas, algumas que até ´simulam´ os pontos a serem ativados na sola do pé, querendo consertar o que já é perfeito, quando na verdade bastaria tirar a sola alta, dura, o bloco de borracha, e não colocar mais uma coisa!

Mas o grande problema que vejo é que depois de 20, 30 anos com sapatos duros, tênis altos, com amortecimento, confortáveis…o pé ´já era´, não adianta agora jogar tudo fora e começar a usar tênis flexível, baixo, minimalista. Com o perdão do trocadilho, é dar um tiro no pé! Precisa ser aos poucos, fazer muito exercício, reaprender como se usa a musculatura e sola do pé, porque colocar o pé que temos hoje para correr num desses minimalistas de uma vez só, um pé bobo, sem sensibilidade, sem músculo, sem saber usar os músculos que existem nele, aí sim penso que virá lesão! Precisa de uma adaptação que será desconfortável, mas faz parte do processo.”

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Já pensei algumas poucas vezes em fechar a seção de comentários do blog porque ou aparece algum raivoso, ou me aparece quem me acusa de dizer o que eu nunca disse. Gerenciar o espaço custa tempo. Mas vez ou outra, em bem maior frequência, aparecem comentários que, sem pretensão, apontam coisas geniais nas quais eu nunca pensei antes. Ou como esse acima da Adriana Piza, falando coisas que eu mesmo penso, porém que eu não conseguiria escrever melhor com minhas próprias palavras.

O discurso dela, em maior ou menor grau eu já repeti aqui algumas vezes. Tenho pavor de ver meus sobrinhos de 5 e 7 anos brincando com “mais tênis” do que eu correndo. A culpa é minha irmã e cunhado? Óbvio que não! É só um sintoma! Praticamente todos meus amigos fazem o mesmo com seus filhos. Onde ando com minhas cachorras por vezes aparece alguém com seu cachorro calçado. É o delírio coletivo por segurança e conforto de toda uma sociedade.

Os solados dos sapatos sociais atualmente são mais duros e grossos que a maioria dos móveis baratos modernos. Não pode ser normal isso… Por isso que quando aquele cara com 40 anos resolve mudar de vida e sair do sedentarismo que o acompanha desde o ensino médio, ele recorre a tênis que mais parecem uma bota de astronauta dos anos 80. Fazer esse cara migrar para tênis com menos estrutura deveria ser um fim. Mas quem disse que ele (e seu treinador) tem paciência?

Não é uma meta fácil. É lenta, demorada. Eu mesmo vacilei e atropelei, passei os bois à frente dos carros. Enfim…. o recado vocês já sabem… a assimetria de interesses de quem vende, quem orienta e quem compra promete que esse problema de tênis tem vida ainda muito muito longa.

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21 pensamentos sobre “Um pouco mais sobre tênis…

  1. Hélio Shiino disse:

    “A natureza é perfeita, construiu o pé cheio de músculos, a sola do pé cheia de receptores que levam a informação ao cérebro para que possamos ficar em pé, andar, correr… aí a gente desde que nasce já coloca aqueles sapatinhos de sola dura onde nem sentimos o chão. E assim crescemos, mal sentindo o chão e querendo cada vez mais conforto (tanto nos pés como em todas as atividades que fazemos no dia a dia).”
    (Adriana Piza)

    “O discurso dela, em maior ou menor grau eu já repeti aqui algumas vezes. Tenho pavor de ver meus sobrinhos de 5 e 7 anos brincando com “mais tênis” do que eu correndo. A culpa é minha irmã e cunhado? Óbvio que não! É só um sintoma! Praticamente todos meus amigos fazem o mesmo com seus filhos. Onde ando com minhas cachorras por vezes aparece alguém com seu cachorro calçado. É o delírio coletivo por segurança e conforto de toda uma sociedade.”
    (Danilo Balu)

    Meio Off-topic. (Desculpe, mas tive que vomitar isso!)
    Os relatos acima é o retrato de um período não tão recente.
    Os Tempos mudaram, o comportamento da Sociedade mudou e isso trouxe à baila a Inércia como seu combustível.

    Para as crianças nascidas a partir de, aproximadamente década de 2010 (Ou um pouco antes?), cada vez menos os tênis ou calçados em geral são os malfadados “dispositivos de proteção”, tema desse Post.
    Explico.
    Muito raramente vejo crianças – pequenas – brincando de correr nas ruas, praças ou parques. Geração Feiçibuqui.
    Se não se incentiva a usar as pernas, pra que calçar os pés, não é mesmo?
    Salvo casos de Pais de geração em que se praticou ou pratica alguma atividade física, cujos filhos são educados a esta vida saudável.

    Agora, um retrato do ESPANTO. Porque para mim é de se espantar, e MUITO!
    Crianças de 5, 6, 7 anos sentados em carrinhos de bebê, sendo empurrados, pra lá e pra cá, por Pais e/ou Avós!!!!!!!!!!
    Se isso não é Anormal, me desculpe então porque eu ainda estou na sessão “A Hora do Pesadelo” e não despertei do sono.
    Isso se tornou normal e eu me esqueci de reciclar ou tem gente que coaduna comigo e também entende que isto é uma aberração????

    A tendencia será:
    Crianças sendo calçadas -> Crianças sendo carregadas em carrinhos de bebê -> Crianças sendo carregadas em maca -> ???

    Pra que andar se existe cadeiras de roda, não é mesmo?

    “Pensar enlouquece… Pense nisso!!!!!!”

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    • Acho que essa é uma realidade só das grandes capitais. No interior e em cidades médias acho que garotada ainda brinca muito na rua. Mas de tênis, é fato.

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    • adrianapiza disse:

      Hélio, tenho 2 filhos, nascidos em 2001 e 2004. Tive a preocupação de deixá-los descalços até que aprendessem a andar, mas depois, quando eles já eram mais crescidos, na época não pensava muito com que tipo de calçado, solado, achava que não importava mais. Eles usaram muito tijolinho nos pés (All Star…me sinto até mal por isso hoje…). Quanto a carrinho, lembro que meus filhos quando começaram a andar bem, carrinho nunca mais, não queriam saber, e eu me sentia até frustrada, pois via tantas crianças de 3, 4 anos em carrinho, não dando trabalho… e os meus querendo andar e eu atrás! Hoje penso “que bom que foi assim”. Mas foi só mais recentemente, com tanto problema que já tive nos pés (sim já usei tênis enormes para correr, e com palmilha junto com calcanheira, pode imaginar o que é isso?) e depois de ler bastante (inclusive este blog) que me caiu a ficha, de que o errado era tentar proteger tanto os pés!!! Esse é o grande problema, como você disse, proteção. Lembro dos tantos cuidados de ferver os brinquedos dos filhos….e um dia pegar meu filho que ainda nem andava, mordendo a roda do carrinho depois de andar na rua…Precisamos parar para pensar que não precisamos e não devemos ter tanta proteção. As alergias, asma, etc estão muito ligadas ao excesso de limpeza, assepsia. O sistema imune para funcionar bem, precisa ser “treinado” desde cedo, precisamos nos expor aos micróbios, às “sujeiras”, para que ele funcione bem. O pé não é diferente, precisa ser usado para funcionar bem, o stress ao corpo faz parte.

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      • Hélio Shiino disse:

        Isso mesmo Adriana!

        Somando as questões a respeito do que este Post trata, como a forma inconsciente com que calçamos os nossos pés sem nos atentar que estamos, na verdade, praticando uma tradição, e que toda a tradição não precisa ser coerente nem precisa ter lógica, tem um outro elemento nessa estória que contribui para que usemos um calçado.

        Todo mundo, sem exceção, uma vez na vida já “caiu nesse conto da sereia”.
        Quem disser que não, estará mentindo!

        O Venerado Poder do Marketing.
        Um dos responsáveis por calçarmos nossas crianças e até mesmo nos calçar é o Fabricante de calçado por meio da Hipnose e pela lábia eficiente do Setor de Marketing.

        (Todo mundo não quer ouvir a verdade, porque a verdade dói. O que todo mundo quer ouvir são palavras agradáveis aos nossos ouvidos e ver imagens bonitas aos nosso olhos!)

        Mas o mais importante disso tudo é reconhecermos nossos equívocos.
        Adriana, você reconheceu seu erro e isso que é o mais importante!
        Eu também já pratiquei cada derrapada de dar vergonha.

        Persistir nos nossos erros é que não dá, não é mesmo?

        É só parar e fazer a seguinte correlação LóJica.
        Se você dá ênfase no calçado que você usará para melhorar o desempenho no Treino ou na Corrida, então para você fazer uma saborosíssima comida você terá que se preocupar em importar a melhor panela aço-inox do Universo!
        Ajuda? Claro que ajuda. Mas até um certo limite irrisório.

        Quem aí é fotógrafo, mesmo que amador?
        Quem nunca ouviu, após alguém ver uma imagem fotografada por você, que a imagem é espetacular e emendando um portentoso elogio à sua Câmera fotográfica?
        Eu só respondo, sem querer decepcionar quem fez o elogio a minha câmera, que quem está atrás da câmera é o que tem a maior responsabilidade pelo resultado!

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  2. ricardo disse:

    Estou ha 1 ano e meio, caminhando descalço. Já perdi uma calosidade que me acompanhava ha 26 anos, treinei minha pisada, comecei a tirar o calçado , sempre em ambientes que me permitiam isso( nossa sociedade é foda, não dá pra ficar descalço em todo lugar,rsrsrs), e semana passada comecei a dar uns trotes com minha haruache( sola de borracha de um chinelo e cadarço pra segurar a sola nos pés), estou amarradão!!! e olha que nunca imaginei que ia ser um corredor, quanto mais andar descalço ( tinha pavor) rsrsrs….com 46 anos de vida, só agora descobri como é bom andar descalço!!!! Obrigado Danilo, por esse blog nota 10 !!

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  3. Rafael disse:

    A dúvida que tenho é sobre o alto volume de treinos no asfalto,
    senão é prejudicial para as articulações, tendões e músculos do corpo.

    Vejo os vídeos dos atletas de elite, com treinos sobre terra batida e pista de atletismo.

    outro dúvida era o tênis, mas acho que já foi respondida, rs

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    • Danilo Balu disse:

      Talvez a pergunta não seja nem essa a ser feita… Se o excesso de volume em asfalto seja um problema (pode ser mesmo que seja, tanto acho que eu 3x/semana saio dele), a questão é: os tênis que com mais de 30 anos de estudo até hj não possuem comprovadamente eficácia na redução de lesões seriam capazes de compensar o excesso no asfalto? Eu duvido…

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  4. Ralph disse:

    Não é só esse. Os comentários da Adriana sempre são os melhores.

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  5. Saudações Balu e demais colegas,

    Eu tive dois minimalistas, um Nike Free e uma Puma Faas 100. Especialmente esse último era ótimo, perfeito para treinos mais curtos de até 1 hora. Mais do que isso eu realmente sentia falta de algum amortecimento embora sempre tenha optado pelos modelos mais simples, nunca mais coloquei um Creation ou um Vomero no pé. E eram ótimos também para o crossfit ou treino funcional, dava muito mais confiança na hora de fincar o pé no chão para levantar um peso.

    A questão é que desde que o meu Puma rasgou nunca mais consegui encontrar. Parece que os minimalistas sumiram do mercado. O pessoal aqui tem alguma sugestão de modelo que possa ser encontrado no Brasil?

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  6. Marcel Pracidelle disse:

    Eu aos poucos vou usando tênis mais baixos, em distâncias maiores sofro um pouco. Tenho gostado muito do Kenya Racer da Fila… Quanto as crianças, meus filhos adoram andar descalços e eu permito até bastante, e o Léo, se tem algo no pé é a chuteira de futsal que também é bem baixa…

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  7. GILSON MARIANO NERY disse:

    Ficar descalço em casa é uma boa. Acho que ajuda. Agradeço pelas informações.

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  8. Andre Berlesi disse:

    O Kenya tem a forma larga. Para mim não prestou. Parece que você está pisando em cima de uma maria mole.

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    • Hélio Shiino disse:

      Andre Berlesi,

      Emito minha suposição baseada nos reviews que eu vi deste calçado (Versão 3 – última versão)

      Essa sua sensação de estar pisando em uma maria mole, assim como você relatou, não seria por causa de pelo menos do somatório de 2 fatores?
      1) Esta versão do calçado não tem contraforte. Não é o clip que vem com a logomarca da fila que é de um material bem flexível.
      2) Falta trabalhar a sua Propriocepção.

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  9. Julio Cesar Kujavski disse:

    Não gosto de correr descalço. Mas em casa fico descalço boa parte do tempo, exceto no inverno, pois aqui é muito frio e se ficar descalço a gente pega gripe muito fácil, diz a sabedoria popular.

    Tenho duas sapatilhas de atletismo com zero de amortecimento, uma com pregos, outra sem.
    É uma ótima maneira de forçar a fazer a pisada correta, pois se aterrissar com o calcanhar vai doer.
    Uso geralmente só em provas, de até 5.000 mt, mas de vez em quando faço treinos com elas pra não perder o rebolado.

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  10. Eu trabalho descalça…é muito bom abrir a porta para receber um novo paciente e ver a surpresa estampada no rosto do mesmo…A Fisioterapeuta de pés no chão, mesmo quando o inverno se instala aqui no Sul, aqui estou eu… E melhor ainda, é ver como os pacientes gostam desta minha postura, é como se eu os autorizasse a tirar os sapatos, não só aqui comigo, mas em suas casas também…com seus filhos, amigos, etc.

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