Maratonistas brasileiras seriam mais conservadoras que os homens?

Uma das conclusões que observei quando saí pesquisando o padrão dos resultados nas Maratonas de Porto Alegre de 2012 a 2015 é que não só o split negativo não se mostra melhor, como há uma clara diferença entre homens e mulheres quando o assunto é ritmo.

Em 2014 (caraca, como o tempo voa!), um estudo ganhou fama porque suas conclusões diriam que mulheres são melhores que homens para determinar ritmo na maratona. Bobagem! Ele não fala nada disso! É impossível deduzir isso com esses números! Apenas podemos dizer que mulheres parecem ser mais conservadoras na largada dos 42km e quebram menos. E aí vai uma dose de macho-man entre os homens que acham que são super-homem, saem super otimistas e exibidos e quebram durante a prova. Além disso, há a questão da temperatura corporal: homens são maiores e pagam esse preço com o superaquecimento da “máquina”.

Pois uma nuvem com os dados brasileiros mostra homens quebrando mais (mais esparsos, ângulo maior no vértice) e mulheres com uma nuvem mais concentrada (ângulo mais fechado), que significaria menos quebras e uma saída mais conservadora. Mas atenção: mulheres são cerca de apenas 20% dos concluintes, então a curva poderia ainda enganar.

Mas aqui vai meu palpite: mulheres brasileiras parecem ser mais conservadoras (realistas??) que os corredores brasileiros homens e quebram menos, o que parece ser similar ao estudo original.

Para mim isso é puramente comportamental (são menos competitivas e menos agressivas). Você arrisca algo?

Splits POA

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18 pensamentos sobre “Maratonistas brasileiras seriam mais conservadoras que os homens?

  1. Cesar Augusto Martins disse:

    Balu, já fui fã dos seus textos, por isso me vejo na obrigação de dizer. De uns tempos para cá a qualidade dos seus textos despencou. Você deixou de ser apenas “polêmico” e provocador para ser incoerente.
    1) Você insiste em dizer ter demonstrado que “split negativo não se mostra melhor”. Mas seu estudo NÃO confirma isto, como eu já me preocupei em explicar anteriormente.
    2) O estudo que você faz referência me parece bastante sério. Onde exatamente você constatou que é uma “bobagem”? Desculpe. Confesso que fico meio irritado quando alguém faz referência a estudos sérios para escrever coisas sem seriedade alguma…
    3) Neste texto você quer enxergar no seu gráfico conclusões sobre ritmo marculino versus feminino, mas inclusive já percebeu que não é possível isso, pois a quantidade de pontos rosas teria que ser próxima de quantidade de azuis e sabemos que não é. Mas continua querendo tirar conclusões!?
    Ok. Só achei que tinha que dizer isto e falei. Mas prometo não incomodar mais. Siga feliz com seus palpites!

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  2. Danilo Balu disse:

    1. Cesar, meu pto no outro texto foi que com os dados disponíveis o negativo NÃO se mostra melhor. Pto. O que é diferente de dizer que o positivo o seja. O padrão da curva deveria ter sido outro. Mas poderíamos fazer como vc sugeriu, entrevistar uma um, ver se estão felizes com a marca, se for positivo ignorar e explicar que negativo seria melhor, ir espremendo e espremendo até achar aquilo que vc acha que é o correto, ainda que o padrão não mostre: que split negativo seria melhor. Estou me lixando para qual split é melhor, só me incomodo qdo afirmam sem provar que A é melhor que B.

    2. O estudo é sério! Bem sério! Bem bom, aliás! Acredito que tenha algumas falhas (usam maratonas mto distintas, por exemplo). Queria EU ter feito esse estudo! Sabe qta bobagem sai publicada? Se ela fosse, não sairia destacada no Recorrido aqui e em 2013 como saiu mais de uma vez (duas vezes). Bobagem foram as conclusões tiradas nos diversos portais que a publicaram…. basta vc googlar aí o que publicaram! A conclusão DOS ATORES, a saber, é: The sex difference in pacing is robust. It may reflect sex differences in physiology, decision making, or both. O que saiu foi algo mais ou menos assim: mulheres são melhores que homens em determinar ritmo de maratona. Releia a frase em inglês da conclusão DOS AUTORES. São similares? Não, bobagem é quem não leu o estudo, não entendeu, mas tirou suas próprias conclusões, no caso, os portais ou mesmo o NYTimes… o estudo NÃO determina isso.

    3. Vc NÃO precisa disso (N de homens igual ao de mulheres)… o próprio estudo que vc cita e chama de sério (e é) NÃO tem isso…. o que vc precisa saber é o padrão de comportamento entre os sexos Os homens têm um ângulo da dispersão dos tempos mais abertos (acima da diagonal), indicando uma quebra ao longo da prova. Quem arrisca mais, quebra mais; é a hipótese. O ângulo das mulheres é mais fechado, sugerindo um tempo mais conservador. É o padrão, e não a qtide que determina isso. Se fizermos um filtro pegando 1/3 ou 1/4 dos concluintes homens para equivaler ao número de mulheres, o ângulo CONTINUA mais aberto. É um erro conceitual achar que “a quantidade de pontos rosas teria que ser próxima de quantidade de azuis”… não mesmo!

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  3. Mauro Leão disse:

    Pelo bate-papo com alguns treinadores, as mulheres são mais disciplinadas na planilhas de treinos também. Homens são mais “aventureiros” rs, forçam mais que a planilha pedia.

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  4. Cesar Augusto Martins disse:

    1) Você pressupõe que eu seja à favor do positivo? Onde eu disse isso? Ora… ao contrário de você, eu me importo muito em saber qual o melhor. Por isso tive curiosidade em ler seu texto. Se hoje eu entender que uma dessas duas hipóteses é a mais provável, com certeza eu traço uma estratégia de fazer positivo ou negativo na maratona Asics deste domingo! E falo sério.
    Mas olha aí a incoerência: você afirma, “com os dados disponíveis o negativo NÃO se mostra melhor”. Quem não é burro, entende dessa afirmação que você sugere o oposto, ou seja, “com os dados disponíveis o positivo se mostra melhor”. Agora… se você me disser que também não quis afirmar o oposto, então você não tem outra alternativa a não ser concordar comigo que seu estudo não traz qualquer evidência sobre o que é melhor ou pior.

    2) Legal. Gostei do que você disse aqui. Mas note que está INCOERENTE com o que você disse no seu texto. Deveria ter tido maior cuidado para explicar antes. Essa falta de cuidado é típica de quem não trata as coisas com seriedade e só tem o objetivo de gerar polêmica. Se esse foi o objetvo incial, então deu certo.

    3) Se você quer demostrar isso visualmente, usando o seu gráfico, então você tem SIM que apresentar quantidades próximas. Sim, claro que dá para demonstrar com quantidades diferentes, mas tem que fazer separadamente. Não é difícil. Com os dados que você tem dá para fazer com facilidade. Eu usaria conceito de desvio padrão para comparar o resultado dos homens com o das mulheres.

    Prometi que não ia mais incomodar, foi mal. Despeço-me agora então, fui!

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    • Sergio disse:

      Cesar,
      Discordo de vocês nos pontos 1 e 2, e concordo parcialmente no 3.
      No ponto 1, na literatura acadêmica dizer que “a não se mostra superior a b” é diferente de dizer que “b é melhor que a”. E mais, é uma informação bastante relevante. Só acho que o estudo não teve o rigor estatístico necessário para chegar a essa conclusão. Existem ferramentas para isso. Mas isso não invalida a análise. Para mim foi bem interessante.
      No ponto 2, o Balu deixou claro que o problema estava na conclusão que foi tirada do texto por quem o leu, não pelos autores (quando diz “bobagem! Ele não fala nada disso!”).
      No ponto 3 acho que você tem uma certa razão, mas o Balu também tem. Não que seja necessário que haja o mesmo número de pontos rosas e azuis, mas concordo contigo que há ferramentas estatísticas para fazer a comparação “fugindo” do visual. Só acho que ele também tem razão porque “no visual” a conclusão me parece bem razoável e, muito provavelmente, se confirmaria em uma análise quantitativa.
      Danilo, se quiser passar os dados para que possa fazer alguma análise estatística junto contigo, será um prazer.
      abs
      Sergio

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      • Cesar Augusto Martins disse:

        Sergio, no ponto 1, só há as hipóteses A e B. Se A é melhor, B necessariamente é a pior e vice-versa. Simples. Não precisa de literatura para entender. No ponto 2, o Balu editou e corrigiu o texto. Seria elegante da parte dele dizer que o fez, mas deve estar se remoendo de raiva de mim e não vai me dar esse gostinho, rs.
        No ponto 3, se você pretende trabalhar nisso, acho que posso ajudar mais um pouco. Mas trate de compartilhar aquilo que você encontrar! 🙂
        Imagine essa “nuvem” como uma “montanha” de pontos (na verdade é). À medida que você acrescenta mais pontos, a montanha aumenta em largura e em altura. Por outro lado, estatisticamente falando, aquilo que o Balu chama de “ângulo de dispersão”, vai se manter constante, não importa quantos pontos você coloque ou retire (desde que a quantidade se mantenha significativamente grande). Perceba então que: quanto mais pontos você coloca, mais larga fica a nuvem, enquanto que a “dispersão” permanece constante. Não é tão difícil de entender isso.
        Logo, o Balu comete um erro quando sugere que “maior área da nuvem” implica em “maior ângulo de dispersão”. Isso é falso. Só daria para (tentar) enxergar isso naquele gráfico se a quantidade de pontos rosas e azuis fosse a mesma.

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  5. Marcio Manzi disse:

    Balu,
    Eu entendo o que defende sobre o Split negativo.
    Ouvi muito isso, quase um mito/culto, antes da minha primeira maratona.
    Eu acho muito difícil e senti na pele as 4h07 correndo, mas me diverti.
    O que os números dizem é com vc!
    Agora sobre as mulheres, não arrisco nada, tem hora que é difícil entender até a minha.
    Abraço

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  6. Cesar Augusto Martins disse:

    Estava conversando com alguém que me deu uma ideia legal. Só para descontrair e tornar a coisa mais interessante, vou propor um desafio a vocês que acompanham este Blog, estendido a qualquer pessoa (divulguem à vontade). O objetivo do desafio é o seguinte:
    Com relação ao item 3 discutido acima. Consiga os dados e construa o mesmo gráfico apresentado pelo Balu (ou consiga com ele). Remova aleatoriamente os pontos azuis até obter uma proporção inversa aos rosas. Por exemplo, se hoje há 80% azuis e 20% rosas, você deverá remover aleatoriamente os azuis até chegar a uma proporção de 20% azuis e 80% rosas. Analisando o novo gráfico obtido:
    1) Se o padrão mostrado pelo gráfico não mudar, conforme afirma o Balu: à primeira pessoa que me demonstrar isto, darei o troféu que ganhei na maratona de Boston deste ano.
    2) Se, ao invés disso, o padrão se inverter (rosa virar azul e vice-versa), o que derrubaria integralmente a tese do Balu: à primeira pessoa que me demonstrar isto, darei meu troféu de primeiro geral dos 10K da Track&Field Cidade Jardim deste ano.
    Notas: o SEDEX fica por conta do vencedor; todos podem paricipar, inclusive próprio Balu.

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  7. Cesar Augusto Martins disse:

    Esqueci… mandem por email: cesarmartins27@hotmail.com

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  8. Cesar Augusto Martins disse:

    Dica para remover os pontos aleatoriamente: coloque a lista dos concluintes masculinos em ordem alfabética e remova os pontos (linhas) de baixo para cima (ou de cima para baixo, tanto faz) até sobrar a quantidade de pontos desejados. Coragem, tá fácil !!!!

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  9. Cesar Augusto Martins disse:

    Mais uma coisa que me lembraram: o prazo máximo para me apresentar uma das duas demonstrações é 31/07. Vence o primeiro que demonstrar.

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  10. Cesar Augusto Martins disse:

    E aí, Balu? Já fez a simulação? Come on, man! O desafio é bem objetivo. Você tem os dados e o gráfico. Pode fazer essa simulação em menos de 5 minutos! Vale meu glorioso e estimado troféu de Boston! E mais a chance de você comprovar se seu gráfico realmente mostrará o que você diz lá no item 3:

    “Se fizermos um filtro pegando 1/3 ou 1/4 dos concluintes homens para equivaler ao número de mulheres, o ângulo CONTINUA mais aberto. É um erro conceitual achar que ‘a quantidade de pontos rosas teria que ser próxima de quantidade de azuis’… não mesmo!”

    Meu palpite é que você já fez a simulação, comprovou que EU é que estou certo, só que VOCÊ não tem humildade para reconhecer que disse uma bobagem. Pois bem. Prove que este meu palpite está errado e… lhe darei meu troféu da T&F!

    Viu? Você só tem a ganhar. Prove que estou errado eu você leva um dos meus troféus. Depois, claro, pode quebrar o troféu ou jogar no lixo de raiva 🙂

    Ou… permaneça em silêncio. E assim prove que estou certo em tudo que eu disse aqui.

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    • Danilo Balu disse:

      Cesar, vc deve achar que eu não trabalho, que eu não faço nada e que, mais importante, vou parar de fazer o que eu faço porque vc me ofereceu… um troféu!? Vc me deu um deadline sendo que nem os deadlines dos meus chefes eu faço questão de cumprir! Jogue milho para outro… me oferece Chicabon vencido, mas não me venha com troféu… eu, aliás, não pago para receber via SEDEX o seu ou o troféu de qq um aqui, eu pago para sequer alguém me oferecê-los! Os meus estão jogados largados e tem até uns quebrados na casa do meu pai! Estou há dias fora de casa, só na base do celular em uma viagem que ainda vai longe, e como eu postei hj um texto programado há dias vc acha que estou à toa atrás do note com medo de rodar uma macro com os dados… Mais grave é que vc faz uma acusação que flerta ao indecente ao dizer que eu fiz, vi que estaria errado e me acovardei no silêncio! Tenho mais o que fazer! Nem correndo o que eu gostaria de estar correndo tenho feito desde que cheguei em Aracaju! Eu posso ter um milhão de dados, vc acha que qdo eu digo que o negativo não se mostra melhor, vc acha que estou sendo manipulativo a dar a entender que o positivo é melhor. Vc enxerga o mundo em 2 tons: negativo e “menos negativo” (porque tem medo que seja positivo)… eu faço questão de tratar as pessoas aqui como pessoas adultas E inteligentes… se um picareta dá chá de limão para o maratonista e uma galera acredita que ele faz bem, ao tentar achar números que mostrem que ele NÃO é melhor, em nenhum momento estou dizendo que “não dar chá faz vc correr melhor”… é sobre a nulidade de uma afirmação! Mas vc acha que sou tendencioso ou acho vcs burros. Não posso pegar na sua mão para tentar fazê-lo entender que quero mostrar que os números NÃO dizem ser o negativo melhor. Mas tb não vou ficar aqui falando 55 vezes que NÃO posso dizer que positivo seja melhor só porque vc acredita que quero induzir (ainda que acredite que um leve positivo o seja). Enfim, ter um blog como o meu me deixa escrever sobre aquilo que eu quiser, ler e postar aquilo que eu quero, qdo eu bem entender. O dia que eu estiver à toa, rodo esses números. Se vc quiser que eu o rode com deadline curto, eu passo o qto eu custo. Mas vai te custar mais do que custou ir buscar o seu troféu em Boston.

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      • Cesar Augusto Martins disse:

        Pô… que chato. Entendo que você seja muito ocupado e que não tenha curtido minha oferta (é um prêmio simbólico, meu troféus já foram quase todos pro lixo). Não rola uma contra-oferta, renegociação de prazo…?

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  11. Marcio Manzi disse:

    Balu, será que vai chover ????? Hummmmm

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  12. ciro violin disse:

    Uma pergunta:
    Existe algum estudo que diz que mulheres talvez possam suportar mais a dor durante uma corrida, por serem mulheres, por causa do “sofrimento de dor do parto” ?

    Se não me engano tem uma mulher americana que corre ultra maratonas, tipo 100 milhas nas montanhas que, ou vence o geral, ou é 2a ou 3a, sempre.

    Existe alguma relação entre ser mulher e suportar mais a dor, e correr suportando mais dor?

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  13. Josiane disse:

    Não sei se as mulheres são mais conservadoras de propósito ou não, só sei que a minha primeira maratona será no ritmo confortável porque não quero quebrar. Talvez a falta de mais mulheres com experiência em maratonas (falo das amadoras) seja a principal causa deste “sossego”. E quem sabe, lá pela minha quinta maratona ( se eu não traumatizar nesta primeira) em pense em splint positivo ou negativo…

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