Mais um pouco sobre split positivo e negativo na Maratona

Dias atrás eu postei um texto explicando os porquês um split positivo na maratona, ou seja, correr a primeira metade mais veloz que a segunda, pode ser a melhor abordagem a um amador do ponto de vista fisiológico da prova.

Obviamente não dá para esgotar o tema porque provar isso com estudos é quase inviável, ainda que os defensores do split negativo também não utilizem nenhum argumento que não seja a fé. Mas tentemos sair um pouco dela.

splits 800 1500Basicamente temos que uma prova tem suas demandas fisiológicas (e por conseguinte qual split é o mais recomendado) em função do tempo de esforço da prova. Assim sendo, uma mesma prova (200m, 800m ou 1.500m, por exemplo), têm atletas correndo splits opostos em função do nível do corredor (tempo para concluir a distância).

Basicamente estou dizendo que um maratonista amador pratica um esporte que é mais parecido com um ultramaratonista correndo 50km (~3h00) do que com um queniano que corre 42km em 2h05. Se a elite dos 50km (em asfalto e plano) é em split positivo, e esses atletas correm mais rápido do que cerca de 99% dos amadores, por que insistir no split negativo que não seja querer IMITAR algo que não conseguimos, que é o que os quenianos fazem ao correrem 42km em 2h03?

Os argumentos mais apressadamente repetidos não me convencem. Não que eu seja chato, é que são argumentos frágeis mesmo.

A elite da maratona faz”. Sim, faz, mas eles correm em 2h03. Quando corriam em 2h10 não conseguiam fazer. A elite dos 50km corre mais rápido que 99% dos amadores correm 42km. E não consegue fazer negativo.

Split PositivoSplit positivo é arriscado”. VIVER é arriscado. Correr maratona é arriscado. Quando alguém argumenta que correr a 1a parte mais veloz pode quebrar o atleta, gosto de lembrar que rodando por 42km também há o risco de se quebrar. MUITAS das pessoas que tentam correr split negativo quebram. É mais ou menos assim, jogando ao extremo: se eu afirmar que fazer um Ironman com uma bicicleta speed italiana é melhor do que fazer com uma Mountain Bike, isso não faz do Ironman algo fácil. Estou apenas dizendo que com ela há mais chances de você conseguir uma marca que seja mais rápida. De qualquer jeito, com Speed ou Mountain Bike, você vai penar durante a prova.

A Fisiologia diz que split negativo é melhor”. É mesmo?! Não! Ela não diz NADA sobre a distância! Pelo contrário, ela mostra que é mais correto você basear qual o melhor split baseando-se no tempo de esforço da atividade, não no nome da corrida!

Ah, mas é que eu…” A corrida é cheio de “eguizofrenia”, uma mistura de egocentrismo (o corredor tende a achar que o mundo gira em torno da corrida dele) com esquizofrenia, pois não adianta você espancá-lo com evidências, ele vive em outra realidade, algo paralelo, só dele, regido por regras próprias. Porém, sinto informar, ninguém dá a mínima para nossa experiência pessoal. Ela é no máximo uma anedota, um causo… pode ser usada na conversa do bar, mas não para construir um todo com algo baseado na individualidade.

Mas aí chegamos ao coletivo de anedotas. O que será que ela nos mostraria?

Separei dados dos quase 6.500 corredores das Maratonas de Porto Alegre de 2012 a 2015. Por quê? Porque ela é plana, relativamente fria (o calor interfere muito na 2a parte), brasileira e, mais importante de tudo, essas edições são as que oferecem as parciais dos corredores nas duas metades. Repare na distribuição dos tempos! Homens em azul, mulheres em rosa. Volto depois!

Splits POA

Você tem que ler o gráfico da seguinte maneira: splits negativos ficam “abaixo” da linha preta (que por sua vez é quem corre em velocidade muito constante as duas partes e, por isso mesmo, fiz dela bem grossa, quase que encobrindo todos aqueles que fazem em um split muito leve, seja ele negativo ou positivo).

Vou repetir: a linha preta é grossa justamente para anularmos aqueles que fazem a prova em ritmo constante e/ou em leve split, seja ele positivo ou negativo. Por quê? Porque splits baixos (30 segundos por exemplo, equivalem a menos de 1 segundo por quilômetro) são muito ruído e pouca informação. Continuando…

Consequentemente, o split positivo fica “acima” dessa diagonal preta. Quanto mais para a esquerda E mais para baixo fica o atleta, mais rápido é o corredor.

Pois eis que se o split negativo fosse melhor, NÃO seria esse o perfil da nuvem!

Lógico que sempre podemos negar a realidade. Um grande amigo costuma dizer que é muito duro quando a realidade não obedece nossas vontades. É um pecado quando buscamos algumas respostas que não sabemos e misturamos torcida com o que temos de fato em observações. Conheço alguns corredores amadores bons, outros nem tanto, que tiveram sucesso (recorde pessoal) com split negativo. Como explicar?

Não há como explicar, até porque eu poderia ser desonesto intelectualmente afirmando que ele poderia ser mais rápido ainda se usasse o split positivo. Isso seria mentira. Ouvi ainda muito argumento bem interessante, assim como ouvi muito argumento burro mesmo, dizendo para olhar para a lógica. A lógica não é quem diz primeiro uma regra. Ela tem que ter alguma base. Os livros de fisiologia não dizem absolutamente nada sobre isso. Basta buscar. Foi quando me deparei com o texto do Ray Charbonneau (a quem não canso de referenciar) e me perguntei se não estávamos apenas repetindo uma informação sem questionar. Aí saí atrás dos números e me deparei com essa surpresa.

*esse texto ficou pronto sem um levantamento de dados do Nelton Araújo com dados da Maratona de Berlim de 2015. Nele, temos que os atletas correndo abaixo de 3h00 (6,6% dos atletas) fazem split negativo somente em torno de 15 a 25% das ocasiões, sem um claro padrão entre ritmo e split. Ou seja, os mais rápidos e mais experientes NÃO teriam o negativo como padrão. É muita fé achar que o menos experientes teriam maior controle que esses.

**antes de mais nada, eu mesmo acredito que o melhor split (desconsiderando altimetria) seja um levemente positivo… um split negativo seria mais conservador, mas menos eficiente e fica aquém das reais possibilidades do atleta. Mas o positivo é também mais arriscado, ainda que coisas especiais não aconteçam sem uma certa dose de risco.

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61 pensamentos sobre “Mais um pouco sobre split positivo e negativo na Maratona

  1. OK, Balu, você diz para não usar o egocentrismo, mas vou quebrar essa regra de cara… Correndo 5K, 10K, 21K, maratona, andei me perguntando se tentar o split negativo não acaba deixando “gás no tanque”: o atleta sai mais lento e acaba não conseguindo compensar o tempo perdido (em relação a um potencial tempo ideal que ele faria se corresse flat). Nesse caso, talvez fosse melhor dar o máximo o tempo todo, mesmo que isso significasse sair forte e conviver com uma queda do desempenho ao longo da prova. Uma análise sem nenhum rigor científico também, apenas usando bom senso. Que nem sempre é tão bom assim, vai saber…

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    • Danilo Balu disse:

      Mas tem todo o lance da fisiologia…. Um cara que corre a 4min/km, vai fazer com que essas provas seja em uma janela em que o positivo é melhor. Vc sai em uma velocidade média e deixa para no final (10-20%) acelerar para acumular ácido láctico aos poucos até poder fechar a prova sem travar. Em provas mais longas não é ácido láctico, é sobre reserva de glicogênio.

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  2. “Pois eis que se o split negativo fosse melhor, NÃO seria esse o perfil da nuvem!”

    Para mim, tanto essa análise de dados, como a no Nelton em Berlim (e como pode ser que ocorra na maioria das Maratonas planas e frias) me mostra apenas que ” a maioria das pessoas que correm Maratona o fazem em SPLIT POSITIVO”. Ou o que a maioria das pessoas faz é melhor ou pior??

    Pode ser que o cara que fez Split negativo melhorasse o tempo se fizesse positivo? Pode.
    Pode ser que o cara que fez Split positivo melhorasse o tempo se fizesse negativo? Também pode. Só com esses dados nunca saberemos, não acha??

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    • Danilo Balu disse:

      Não acho. Se o negativo fosse a melhor opção, a curva seria diferente. Não estou dizendo que o positivo é o melhor, mas que não dá pra dizer que o negativo o é.

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  3. Ou ” Não estou dizendo que o NEGATIVO é o melhor, mas que não dá pra dizer que o POSITIVO o é.”

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  4. Entendi seu ponto. Ai sim concordo… Abs

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  5. Marcos disse:

    Acho que se criou o “sonho” de negativar. Quem vai decidir mesmo o que acontece é o corpo lá pelos 35km. Não tenho dúvida que geralmente ele obrigar a positivar. Valeu pelo bom debate para formar convencimentos Balu!

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  6. Nishi disse:

    Eu simplesmente acho meio besta adotar um split positivo ou negativo como se fosse um objetivo a ser alcançado. O objetivo a ser alcançado, pra quem se importa com tempo (e nisso excluo os que correm só para completar), é o próprio tempo. A forma como esse tempo é alcançado, a verificação do split pra mim é só uma consequência.

    Lógico que esse split-consequencia pode ser utilizado para balizar uma performance, analisar o que pode ser melhorado etc. Legal, eu mesmo faço isso. Qualquer informação é importante nesse aspecto, assim como também é importante analisar se a segunda metade da prova é mais fácil ou difícil (talvez tenhamos muitos splits negativos na Asics Golden Run São Paulo da Garoa City Marathon) se o clima melhorou ou piorou, se tem gente gritando o seu nome no terço final da prova, se vc achou um cara que te serviu de pacer etc etc

    Mas usar o split como objetivo a ser alcançado, para amadores, como se fosse o Santo Graal da performance é algo que não me convence.

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    • Danilo Balu disse:

      Sim sim… penso parecido. .. Nem entrei no detalhe da altimetria porque é meu óbvio o peso dela em provas assim difíceis. Mas não dá tb para o corredor sair correndo sem um mínimo plano prévio na cabeça. Split é consequência, mas tem que haver um norte.

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  7. Cesar Augusto Martins disse:

    Eu discordo RADICALMENTE do texto. Não da discussão sobre split positivo versus negativo. Antes disso. Na minha opinião é pouco sábio analisar médias e padrões com o objetivo de melhorar na corrida. Isso produziria apenas corredores medíocres, nada mais. Esses números servem apenas para matar curiosidades, nada mais.
    Ao contrário do que diz o texto, o mais importante é analisar as experiências INDIVIDUALMENTE. Temos que aprender repetindo os sucessos e evitando os fracassos. Imagino que há muitos fracassos naqueles pontinhos do gráfico e não temos como distinguí-los dos sucessos. Portanto, achar que esse gráfico vai nos ensinar also sobre ser bem sucedido na corrida, é uma idéia burra e medíocre.
    Eu já corri mais de dez maratonas. Na média, sou um péssimo maratonista! E vocês?

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    • Danilo Balu disse:

      Sempre acho que parar pra analisar individualmente é uma bela de uma desculpa de qdo não temos a menor explicação pra dar sobre algo….

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      • Cesar Augusto Martins disse:

        De forma alguma! Aprender analisando resultados individuais é muito comum e adequado. Por exemplo, um executivo que busca se desenvolver. Ele se baseia em padrões e médias dos resultados de mlhares de outros executivos? Claro que não. Ele lê entrevistas, biografias, ou seja, busca aprender com experiências indivduais, de outros executivos de destaque.
        Em corrida, aprender através da análise de experiências individuais é muito comum e benéfico. Eu sempre aprendi muito conversando com outros corredores, lendo e trocando experiências. Mais ainda quando chegou a Internet, os fóruns e blogs. Por isso, fico desapontado quando leio um blogueiro influente (que eu admiro muito) dizer que “ninguém dá a mínima para nossa experiência pessoal. Ela é no máximo uma anedota, um causo”. Vindo de um defensor da ciência… isto não parece um pouco anti-científico?! Enfim, eu sempre me importo e aprendo MUITO com a experiência pessoal dos outros SIM!!!!

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      • Danilo Balu disse:

        Mas o individual não pode pautar o todo! Justamente porque ele serve pra um e não necessariamente para todos. Qual o motivo de acharem que split negativo é melhor? Porque a elite mundial da maratona faz. Simples. Se vc quer correr 2h06, vc TENTA ir negativo. Jogue pros 800m… Eles fazem positivo. Vc não pode negar isso porque é contra a fisiologia. Então vc olha para o padrão que existe aos milhares e tem um norte. Vc TEM que ter um norte. Não dá pra reinventar a roda, vc pode adaptar para o seu carro. O Interessante é qdo vemos que o norte não tinha mto critério.

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  8. Enio Augusto disse:

    O split vai ser consequência, mas não pode ser o foco. Eu já saio pensando no ritmo que tenho que fazer. Não aguento mais uma informação para ficar processando haha
    Só para indivualizar 😀 Fiz seis maratonas e nenhuma foi split negativo A melhor da vida foi em 1:58:56 e 2:00:45. Pertinho da linha preta \o/

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    • Danilo Balu disse:

      Sim, TUDO é consequência nesse caso, jamais causa. Mas tem que haver um norte, essa é minha única discordância com o Nishi. Minha bronca com a busca pelo split negativo é a fisiologia mostrar que ele é a minoria da minoria MESMO em pessoas MUITO bem treinadas e ele NÃO se mostra superior. Só isso.

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      • Nishi disse:

        Não, não tem discordância. É lógico que tem que ter planejamento, concordo. Só critiquei a obsessão pelo split. Ás vezes você vê pessoas fazendo um tempo aquém do planejado, mas se consolando com um “mas eu fiz split negativo (ou positivo)”. Ora, se ficou aquém do planejado é porque não cumpriu e pronto. Não tem consolo.

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  9. Marcel Pracidelle disse:

    Acho que para nós amadores, os treinos balizam o quanto queremos buscar. Por exemplo, coloco uma meta de fazer determinada maratona em 3:05h que dá um pace de 4:23. Quero fazer a prova toda o mais próximo disso, já que o ideal é praticamente zerar as metades. Dependendo de N fatores do dia, eu posso melhorar ou piorar do meio para o final da prova e no fim veremos como foi o split. Não dá só para ser tonto e correr a primeira metade 10″, 15″ distante do pace final alvo. Isso sim não existe na minha opinião.

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    • Breno disse:

      Simples assim, treinou para rodar próximo de 4:20/km, não tem milagreiro que consiga fechar a prova a 4’/km. Sobre isso, apenas vejo uma dificuldade: treinar em condições consideravelmente diferentes do dia da prova. Estou treinando para Amsterdam em outubro e treinando aqui em Brasília, sobretudo em agosto e setembro, infelizmente tenho que me adaptar a condições bem distintas, temperatura em torno de 25 C° e umidade próxima a 30%. Portanto, me parece razoável fazer algum ajuste de pace para prova, mas de quanto, 5” por km para menos talvez seja razoável? Haja correta percepção de esforço para uma estreia decente e sem quebra…

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      • Breno disse:

        HUhuau Sou administrador, Balu, tô achando até melhor trabalhar com 4:30/km nos cálculos porque 4:23/km vai dar muito trabalho pra calcular no meio da prova 🙂 Mas enfim, já tive algumas experiências de quebra em distâncias menores bem traumáticas, imagino que do 35 km pra frente a coisa deve entrar num campo meio imprevisível, fechar a 5’/km sinceramente nem considero quebra, talvez uma queda de rendimento grande. Quebra pra mim e aquele esquema de ter que alternar corrida e caminhada praticamente, se acontecer isso faltando ainda 7 kms, um abraço pra qualquer ideia de tempo.

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    • Danilo Balu disse:

      Vc é engenheiro e corredor… Quem corre +40km a 4’23″/km acha 4’15″/km fácil, concorda? Assim vc tira 8seg/km por 35km. Isso dá 4’40” de folga para dividir em 7km. Vc pode então rodar isso a 5’03″/km que AINDA fará no MESMO tempo. Foi só um exercício.

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      • Marcel Pracidelle disse:

        O Engenheiro é o Breno?
        O duro nesse caso, Balu, é quando vem aquela quebra que vc estilhaça, aquela que não te permite subir de 4:15 pra 5, e sim que te faz lutar entre o 6 e o caminhar…

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      • Danilo Balu disse:

        Sim! Foi só um exercício…. Vc está mais do que certo! Vc é advogado? Viajei….

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      • Cesar Augusto Martins disse:

        Vamos ver… Na primeira quebra de recorde do Rudisha, o coelho passou os 400m em 48,65 e o Rudisha fechou em 1’41,09. Na segunda quebra,o coelho passou em 48,20 e o Rudisha fez 1’41,01. Em Londres, na terceira quebra, não teve coelho. O próprio Rudisha passou com 49,28 (!!!!) e fechou com 1’40,91. Mesmo adicionando uns centésimos entre o coelho e o Rudisha, ainda assim, o melhor tempo dele foi quando ele se aproximou mais do split negativo!!!!
        Sei que não sou especialista em meio-fundo, mas não me parece razoável crer que o split positivo em 800m seja explicável com teoria/fsiologia, pois nem na prática isto me convence! É como dizer que caras da altura do Bolt não serviriam para correr 100m, ou que caras com gordura quase zero nunca bateriam recordes em maratonas.
        Mas, voltando às maratonas, que é o que interessa, posso retomar minha proposição anterior? Nada de teoria, apenas um exercício individual, introspectivo. Você, maratonista, atleta profissional, de elite ou amador, que já concluiu um número significativo de maratonas. Compare suas 2 ou 3 melhores performances com todas as demais. Separem-nas em dois grupos: melhores performances versus todas as outras. Qual dos dois grupos mostra splits mais próximos do negativo? Eu acho que já sei a resposta, mas é só uma hipótese, não importa. O importante é você encontrar algo mais confiável para acreditar e seguir.

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      • Danilo Balu disse:

        César, vc já tem certeza… O 800m é positivo desde 76 e vc fala que o mentir é o “menos negativo”… Não tenho o que dizer. Vc tem uma fobia de olhar para a realidade. Sinto mto…

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      • Marcel Pracidelle disse:

        Trabalho na área comercial, mas de formação eu sou publicitário…
        abraço

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      • Ralph Tacconi disse:

        Entendi a conta inteira, mas boiei numa coisa: Quem treina pra 4’23”/km corre fácil 35k em 4’15”/km? É isso mesmo ? Novidade pra mim…kkkk

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      • Danilo Balu disse:

        Quem quer correr 42km a 4’23″/km tem que achar confortável 35km a 4’15″/km…

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      • Ralph Tacconi disse:

        Entendi a conta inteira, mas boiei numa coisa: Quem treina pra 4’23″/km acha 4’15″/km fácil pra 35k ? É isso mesmo! Novidade pra mim.

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      • Balu, voltei pra ler os comentários,

        Seguindo essa lógica de 35km pra 4’15”/km ser fácil, então não seria absurdo o cara correr os mesmos 35km a 4’15”/km depois de correr os 7km iniciais em um ritmo mais tranquilo, como 4’25”/km ou 4’30”/km. E correndo com essa estratégia, o tempo final da prova seria bem abaixo do que se diminuisse pra 5’03”/km nos 7km finais. Tbm só um exercício.

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  10. rlucchesi disse:

    Pegando um pouco do que o Nishi e o Ênio falaram, concordo que o assunto split não deveria nem ser assunto. O planejamento da prova deve focar em ritmo, tempo, o resto seria consequencia. Meu ritmo deve ser x, se no final eu cansar e diminuir um pouco, faz parte (o que gera um split positivo, mas quem liga?).

    Se nós corredores já somos chatos perto dos amigos não-corredores quando falamos de corrida, imagina ficar analisando split positivo, negativo… É para perder todos amigos!

    E entendo que o principal ponto do Balu é justamente criticar mais um modismo que não se sustenta em números, mais uma “regra de ouro” falha que criaram para os corredores, como a indústria adora criar. Você deve usar meia de compressão, você deve se alongar, você deve fazer split negativo, entre outras rsrsrs

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  11. Cesar Augusto Martins disse:

    Eu teria zilhões de argumentos para continuar discordando dessa abordagem estatística/empírica que o Balu usa querendo provar (cientificamente) sua tese de que split positivo seria melhor que negativo. Porém, para deixar a coisa mais simples, vou insistir em apenas um ponto. Pensem em dividir esse gráfico da maratona de POA em dois: um gráfico mostrando os splits dos maratonistas que ficaram SATISFEITOS com sua performance e outro gráfico com os INSATISFEITOS.
    Minha hipótes é:
    1) O gráfico dos SATISFEITOS terá MENOS PONTOS;
    2) O gráfico dos SATISFEITOS mostrará a grande maioria dos pontos muito PRÓXIMOS ou ABAIXO da reta, contrariando a tese do Balu.
    Além disso, proponho um exercício individual a vocês maratonistas. Comparem suas melhores performances com suas piores. Quais estiveram mais próximas da reta, as melhores ou as piores?

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    • Danilo Balu disse:

      1. Não sei qual o melhor. CHUTO o positivo. 2. Meu pto é: o negativo não se mostra melhor. 3. Eu tb acho que próximo à reta seja melhor, só que acho que próximo, mas levemente acima dela o seja melhor. 4. Sua hipótese de baseia na fé, não posso trabalhar e afirmar com essa premissa.

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      • Cesar Augusto Martins disse:

        Pois então… Se estivermos argumentando baseado em pesquisa científica, estamos querendo evitar chutômetro, achômetro ou “fé”, como você mesmo diz. Como pesquisador, você deve saber que toda pesquisa pode (e deve) partir de hipóteses (premissas). Através da aplicação de método e trabalho científico, ao final, essas hipóteses são comprovadas ou derrubadas. Até este momento, tanto você quanto eu só apresentamos hipóteses. As suas, baseadas numa compilação de resultados que não permite chegar a lugar algum, e as minhas baseadas, não na minha “fé”, mas no senso comum que você tenta derrubar sem sucesso (na minha humilde e respeitosa opinião, não me leve a mal).

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      • Danilo Balu disse:

        Mas vc há de concordar que com o que há disponível vc tem que encaixar uma narrativa? “A maioria corre positivo, mas está errada…”

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  12. Cesar Augusto Martins disse:

    Minha crítica ao gráfico é que ele NÃO possibilita qualquer análise conclusiva sobre split negativo ou positivo. O gráfico mistura sucessos com fracassos. Se o método aqui é procurar por uma “boa prática” (split positivo versus negativo), no mínimo, teríamos que partir de um universo que considerasse APENAS os resultados bem sucedidos.
    Enfim, se buscamos entender e repetir as práticas que nos levaram a bons resultados… aquelas maratonas em que “quebramos” são contra-exemplo e não como boa prática!

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    • Danilo Balu disse:

      Eu trouxe a elite dos 50km (fazem positivo). Mas vc deve achar que ali todos estão chateados com o tempo… Não há o que eu possa fazer… Uma pequenina minoria em 6.500 fazem negativo, e vc acha que todos da ampla maioria saem tristes com os resultados =/

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      • Cesar Augusto Martins disse:

        Tristes não, rsrsrs… Acho que o fato de terminar uma maratona é uma alegria indescritível, não importa o tempo! Mas há que se analisar aquelas que você sabe que correu mal, as que correu bem, muito bem etc. Algumas você não corre bem porque não conseguiu treinar como queria, ou porque o clima não ajudou… pouco importa o motivo. A performance não tem nada a ver com estar triste ou feliz ao final da prova.
        O que eu quero dizer é que há aquelas provas que você corre com “excelência”. E são essas – e somente essas – que devem entrar na análise de “boas práticas”. A pergunta é: o que as pessoas fazem de certo quando correm suas MELHORES maratonas? Split positivo ou negativo? Esta deve ser a abordagem.
        Se você me apresenta um gráfico mostrando que “a maioria corre positivo” eu posso tirar a conclusão óbvia de que “os melhores resultados não são alcançados na maioria das vezes”. Logo, posso concluir apenas que esse gráfico não me ajuda em nada a encontrar as “boas práticas”.
        Agora, faça um gráfico mostrando apenas os melhores resultados de maratonistas de elite ou não, que tenham corrido um número significativo de maratonas… Daí sim podemos começar a tirar conclusões interessantes.

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  13. Cesar Augusto Martins disse:

    Apenas um último comentário, sobre as provas de 800m contrariarem a “regra” do split negativo. Ela é a prova sem balizamento mais rápida do atletismo. Este é um ponto importante, que não deveria ser negligenciado. Nas provas sem balizamento, o bom posicionamento é essencial. Portanto, é bastante compreensível que os atletas gastem mais energia na primeira volta, buscando o melhor posicionamento para desenvolver sua corrida, mesmo sabendo que o ideal, em termos fisiológicos, seria fazer uma corrida progressiva. Em outras palavras, há um componente estratégico que se sobrepõe ao fisiológico. É apenas uma hipótese, mas… se houvesse balizamento do início ao fim, talvez os melhores tempos fossem feitos com split negativo, assim como nas provas mais longas.

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    • Danilo Balu disse:

      Essa teoria dos 800m não sobrevive à realidade. QUALQUER recorde na distância é SEMPRE armado com split positivo. Esquece a tática! Recorde armado não tem essa…

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      • Cesar Augusto Martins disse:

        Mmmm… não sei se entendi o que você quis dizer com recorde “armado”. O Rudisha bateu o recorde mundial nas olimpíadas de Londres, 2012. Não havia coelhos e o field era bem forte. Se bem me lembro, ele correu como sua “boa prática” manda, ou seja, se esforçando mais que os outros para se desbalizar na dianteira, se esforçando para se manter na dianteira e “pagando” no final com split positvo. Ou seja, ele correu sempre na raia um (menor distância), não foi atrapalhado em nenhum momento, mas “pagou” pela estratégia fazendo split positivo. Foi assim que EU enxerguei a prova.

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      • Danilo Balu disse:

        E antes do Rudisha teve WRs de 76 pra cá TODOS em split positivo e em NENHUM deles em uma major, ou seja, foram “armados” no sentido que sabiam que ia haver tentativa de quebra de recorde, inclusive acertando com o coelho qual seria a parcial. Enqto o teórico ganha com a hipótese (split negativo), o atleta ganha é com a prática, no caso dos 800m, 1.000m e dos 400m, positiva.

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  14. Cesar Augusto Martins disse:

    Vamos ver… Na primeira quebra de recorde do Rudisha, o coelho passou os 400m em 48,65 e o Rudisha fechou em 1’41,09. Na segunda quebra,o coelho passou em 48,20 e o Rudisha fez 1’41,01. Em Londres, na terceira quebra, não teve coelho. O próprio Rudisha passou com 49,28 (!!!!) e fechou com 1’40,91. Mesmo adicionando uns centésimos entre o coelho e o Rudisha, ainda assim, o melhor tempo dele foi quando ele se aproximou mais do split negativo!!!!
    Sei que não sou especialista em meio-fundo, mas não me parece razoável crer que o split positivo em 800m seja explicável com teoria/fsiologia, pois nem na prática isto me convence! É como dizer que caras da altura do Bolt não serviriam para correr 100m, ou que caras com gordura quase zero nunca bateriam recordes em maratonas.
    Mas, voltando às maratonas, que é o que interessa, posso retomar minha proposição anterior? Nada de teoria, apenas um exercício individual, introspectivo. Você, maratonista, atleta profissional, de elite ou amador, que já concluiu um número significativo de maratonas. Compare suas 2 ou 3 melhores performances com todas as demais. Separem-nas em dois grupos: melhores performances versus todas as outras. Qual dos dois grupos mostra splits mais próximos do negativo? Eu acho que já sei a resposta, mas é só uma hipótese, não importa. O importante é você encontrar algo mais confiável para acreditar e seguir.

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  15. Pow Balu, agora fiquei confuso… Não podemos usar os WRs de Maratona com split negativo como exemplo… mas os WRs de 800m podemos? Seguindo seu racioncinio, um 800m de amador pangare seria equivalente tempo/esforço a um 1.500m de profissional, certo? E nessa caso o split negativo, para amador nos 800 seria melhor então???

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  16. Cesar Augusto Martins disse:

    “César, vc já tem certeza… O 800m é positivo desde 76 e vc fala que o mentir é o ‘menos negativo’… Não tenho o que dizer. Vc tem uma fobia de olhar para a realidade. Sinto mto…”
    Respondendo a este ataque pessoal… Quem sente muito sou eu, Balu. O texto do Charbonneau, no qual você se baseou, é excelente. Ele apresenta gráficos e informações muito precisas e detalhadas, mas toma o cuidado de não direcionar o leitor a conclusões precipitadas. Ele sabe que para provar o que ele argumenta, seria necessário muito mais pesquisa, e deixa claro isso. Inteligentemente, o autor coloca a opnião INDIVIDUAL de um treinador experiente para corroborar com os argumentos dele. Isso nos faz concordar, discordar e refletir de uma forma bastante positiva.
    Já você, por descuido ou ingenuidade sua, ousa afirmar que seu gráfico prova que “se o split negativo fosse melhor, NÃO seria esse o perfil da nuvem”. Talvez, a essa altura você já se deu conta do equívoco. Mas não teve humildade para reconher, o que é lamentável para um “pesquisador”. Ou então, sua fobia em encarar a realidade é maior ainda que a minha 🙂 Afinal, eu humildemente reconheço que todos temos um pouco dessa fobia, não?

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  17. Péricles disse:

    Bem,
    Quem sou eu para falar alguma coisa, mas talvez no fundo não seja uma questão de melhor ou pior esse ou aquele split, mas sim que, pelo TEMPO gasto para cumprir a distância da maratona, o amador MÉDIO simplesmente não consiga executar um split negativo eficiente, isso por conta da fisiologia. Leis da natureza estão aí e não dá para brigar com elas. E para o split positivo “Lembre-se de que a linha de chegada está no final de uma prova. Não gaste toda a sua energia antes de alcançá-la” (Jack Daniels).

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  18. Rafael disse:

    achismo puro
    Lactato: pace negativo
    glicogênio: pace positivo

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  19. adrianapiza disse:

    Estive pensando um pouco e surgiu até uma dúvida….seria treinável o uso do split negativo em distâncias maiores para amadores? O que quero dizer…se para os treinos de maratona, os amadores realizassem sempre os longos em split negativo, repetidamente, fazendo o início mais lento e acelerando, não conseguiria “ensinar”o corpo a agir dessa forma? Ensinando o corpo a driblar o cansaço? Tudo bem, talvez seja uma questão fisiológica, mas entra aí até o psicológico também, não se deixar abater pelo cansaço…Fiquei pensando nessa possibilidade!

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  20. […] das conclusões que observei quando saí pesquisando o padrão dos resultados nas Maratonas de Porto Alegre de 2012 a 2015 é que não só o split negativo não se mostra melhor, como há uma clara diferença entre homens […]

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