42km – split negativo ou positivo?

Qual a melhor estratégia para se correr uma maratona? A segunda metade mais rápida (split negativo)? Ou ser mais agressivo e ir mais rápido já na primeira metade (split positivo)?

É um sonho de muito amador mais experiente tentar atingir o Santo Graal da maratona fazendo um split negativo, ou seja, fazendo uma segunda metade mais rápida, acelerando depois da metade. Isso porque os tempos mais rápidos do mundo na elite são assim. Mas seria mesmo essa a melhor estratégia?

É improvável que tenhamos um dia a resposta, pois o modelo de estudo a ser feito tornaria a pesquisa quase inviável. Mas vejamos. Desde 1998 os recordes mundiais nos 42km são feitos em split negativo, portanto a resposta parece fácil e simples…

Porém, um texto MUITO legal do Ray Charbonneau veio questionar isso. Com uma série de cálculos bem interessantes e embasados ele mostra que uma primeira metade mais rápida poderia ser mais interessante e eficaz, apesar de mais arriscada. Mas visto com calma, a fisiologia TAMBÉM dá certo suporte a ele!

Para entender a estratégia que ele preconiza, veja o gráfico abaixo. Veja ainda que o atleta com split positivo (em vermelho) sai mais forte e termina a prova com uma velocidade menor, em queda. AINDA ASSIM, a velocidade média durante os 42km é maior do que aquele atleta que faz uma velocidade uniforme ou mesmo com split negativo.

Split Positivo

Voltemos a um pouco mais de teoria…

Dentre as provas olímpicas os 100m e o 200m têm também split negativo. Isso porque os atletas saem parados (a fase de aceleração tem um custo muito grande), agachados e, no caso dos 200m, porque a física da curva ainda faz a elite perder até cerca de 0,5s a mais do que caso corresse em uma reta. Já nos 400m a ordem se inverte (split positivo). Mas é nos 800m que a coisa começa a ficar interessante.

1976 foi a última vez que um WR nos 800m foi com split negativo. De lá pra cá, e incluindo desde muito antes todas as provas de 5.000m e de 10.000m,  são com a segunda metade mais rápida. Aliás, de 33 de 34 dos últimos recordes mundiais nos 10.000m, o último quilômetro foi sempre o mais veloz. Vamos seguindo…

Já na Maratona, como dito, isso só virou realidade a partir de 1998 com o recorde mundial do nosso Ronaldo da Costa. Isso então seria “A” prova de que o split negativo é superior como estratégia, certo?

Porém, as características da demanda fisiológica de uma prova são determinadas PRINCIPALMENTE pela duração do esforço, não pela distância dela! Comparar um amador que corre 42km em 3h30 com um profissional que faz em 2h10 a mesma distância não parece ser muito preciso, são 2 eventos que, apesar de mesma quilometragem, têm características fisiológicas bem distintas. E aí temos que voltar aos velocistas e meio-fundistas.

Um atleta de elite que corre 800m em menos de 2´00” o faz em split POSITIVO (primeira metade mais rápida). E esse MESMO atleta nos 1.500m fazendo cerca de 3´45” corre a prova em ritmo bem constante ou split NEGATIVO. Ou seja, há um momento nesse intervalo onde ocorre uma transição do positivo para o negativo.

A coisa fica interessante quando você pega um corredor amador (mesmo treinado!) que faz 800m em cerca de 3´10”. Este JÁ faz a prova em split NEGATIVO, assim como nos 1.500m. Ou seja, mesmas provas e distâncias, porém com características distintas porque os tempos são bem diferentes, criando demandas fisiológicas também diferentes.

splits 800 1500

Nos 200m o comportamento distinto entre elite e amadores é similar apesar das distâncias iguais.

split 200

Repare que em ambos os casos há um momento de “quebra” em que reforça que é PRINCIPALMENTE a duração da prova e não a distância que determinaria qual o tipo de split possível ou a melhor estratégia.

Pensando assim, será que ao orientarmos um amador que corre 42km em 3h30 para correr em split negativo não estaríamos cometendo por azar um grande equívoco? Bom, para saber isso temos que ver uma distância em que o profissionais correriam por tanto tempo quanto um maratonista amador. Eis que entram os 50km!

Apesar da dificuldade de estatísticas e dados de ultramaratonas em asfalto, a paixão do americano por números me possibilitou compilar os resultados e as parciais (de 5km em 5km) do Campeonato Americano de 50km de 2014 e de 2015, além do Campeonato Mundial Master de 2014 e do Mundial de 100km de 2015 (Run Winschoten). Para minha sorte não só a prova tinha parciais disponíveis como foram feitas em percurso fechado (voltas), o que tira qualquer efeito da altimetria. Pois os achados são reveladores!

SPLITSDentre TODOS os resultados (121 atletas nos 50km e outros 416 nos 100km), apenas 7 (1,3%) dos atletas correram splits negativos, entre eles o campeão americano nos 50km em 2014. Ainda assim, essas parciais foram em média apenas 2´54” mais velozes para um tempo médio de esforço de 4h26.

Vale lembrar que esse atletas percorrem as distâncias de 50km e 100km no tempo equivalente que a absoluta maioria dos amadores vence os 42km. Compilando, por exemplo, os dados das 4 maiores maratonas brasileiras (Rio, SP e POA em 2016, mais Curitiba/2015), temos que somente 1% dos concluintes (143 em mais de 14.000) correm abaixo de 2h52:17 (tempo do mais veloz de toda a amostra da elite de ultramaratonistas).

Ou seja, do ponto de vista da duração do esforço e não da distância, 42km de uma amador equivale aos 50km ou 100km da elite da ultramaratona. Isso nos leva a crer que tem que ser de muito otimismo um amador que corre por volta de 3h30 achar ser capaz de correr em split negativo quando a maioria dos melhores ultramaratonistas do mundo em competição não conseguem!

É hora então de questionar com força essa busca apaixonada e não muito racional pelo split negativo nos 42km se você corre acima (ou mesmo levemente abaixo) das 3h00. Além disso, os mais rápidos têm que ter em mente que mesmo quando o recorde era na casa de 2h10, os atletas não conseguiam fazer a 2a parte mais veloz. Por que então um amador que corre a 4min/km conseguiria ou deveria?

Será que ao fazer a segunda metade mais rápida ele não acaba deixando alguma reserva no tanque? E existe sensação pior do que essa para alguém que quer vencer o relógio?

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35 pensamentos sobre “42km – split negativo ou positivo?

  1. Rafael disse:

    No meu caso, consigo fazer split negativo na meia maratona e ter bom resultado.
    Já na maratona, tentei e quebrei. Cheguei a conclusão que era devido ao volume de treino.
    Mas lendo o artigo,
    tvz nem com um volume alto, seja possível um amador fazer a maratona forte,
    seria apenas uma prova de superação, administração de ritmo ou coisa do tipo (que não me atrai).

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  2. Breno disse:

    Interessante! Farei minha estreia em maratonas em outubro, em Amsterdam, por coincidência estava conversando sobre isso com um amigo meu ontem, ele, maratonista com marca de 2:49, disse que de uma maneira ou de outra o caldo entorna lá pelo 35 km, portanto não faz muito sentido ficar segurando demais.

    Lógico que aí há um baita risco de exagerar e quebrar feio, na realidade talvez aí more o grande segredo para uma boa maratona, saber qual ritmo viabiliza maximizar o rendimento sem te comprometer totalmente no fim de prova.

    Os treinos estão evoluindo muito bem, mas inegável que o cagaço existe…ainda mais considerando que o clima e altimetria da prova serão bem diferentes daqueles que treino, haja percepção de esforço para eu acertar o pace na prova!

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  3. “Será que ao fazer a segunda metade mais rápida ele não acaba deixando alguma reserva no tanque? E existe sensação pior do que essa para alguém que quer vencer o relógio?”

    Falando de Maratona:
    Para mim existe, a de quebrar e me arrastar nos ultimos 5kms, sem que as pernas obedeçam, e terminar a prova com um tempo pífio…rsrsrsr

    A sensação de terminar “bem” ( muito cansado mas conseguindo correr “forte”), para mim, serve de estímulo para baixar mais o tempo numa próxima prova pois sinto que ainda posso melhorar. Ao contrário de quando termino me arrastando, me querstiono quanto e se ainda consigo melhorar…

    De 5.000 pra baixo acho que vale a pena arriscar mais. Mesmo se quebrar o sofrimento é curto e dá pra tentar acertar os ritmo numa prova próxima ( não ter que esperar 6 meses/ 1 ano para tentar de novo)

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    • Acho que split quase constante ou levemente negativo ( com senssção de esforço ficando mais dificil no decorrer da prova) melhor para correr uma boa Maratona, e não um split muito negativo…

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    • Danilo Balu disse:

      Além de teimosos vcs querem terminar fazendo pose pra foto?!? Se eu termino “conseguindo correr “forte” sei que fiz m&rda porque comecei a acelerar tarde… O que ele fala é justamente que o ideal é terminar desacelerando porque não tinha nada no tanque. rsrs

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      • rsrsrsrsrsrsrrsr boa…

        Balu, uma coisa que me chamou a atenção foi o estudo ser feito com elite em Campeonatos Mundiais. Ou seja, poucos estavam preocupados com tempo, só colocação, certo?? Isso dá uma quebrada na lógica desse estudo não acha?

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      • Danilo Balu disse:

        Há uma limitação… Mas mesmo na seletiva americana, por exemplo… Dos 6 classificados, 5 fizeram positivo. Esse padrão não se repete nem de longe nos 50km e 100km…

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      • ixi, falei um treco parecido no 2o artigo da série sem ter lido este… Me parece também que terminar forte é sinal de que acelerei tarde. Terminar no esforço máximo, mesmo com desempenho pior, significa “raspar o tacho”

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      • Danilo Balu disse:

        O pto aqui é a particularidade dos eventos dentro da janela do tempo… De 5km a 10km tem o lactato. De maratona em diante é sobre reserva de glicogênio. Por isso cada janela de tempo tem seu split mais recomendado.

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  4. Julio Cesar Kujavski disse:

    Na verdade o que vale é o tempo que fica registrado no resultado da prova. Tanto faz se foi split negativo ou positivo.

    Prefiro sair forte e se precisar me arrastar no final 7 km e fazer 3:00:00 do que fazer 3:00:01 e chegar falando que fiz split negativo e que cheguei inteiro.

    No resultado da prova não tem um asterisco ao lado de cada nome com a legenda: “Condições físicas que o maratonista chegou”. Tem só o tempo.

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  5. Felipe disse:

    Acho que primeiro é importante considerar o percurso, se ele favorece o split negativo. Não adianta querer fazer isso em NYC, por exemplo. Se sair negativo, muito provavelmente vc poderia ter corrido mais rápido na prova como um todo, economizou demais na primeira metade.
    Eu me sinto confortável em terminar forte, fazendo a segunda parte mais rápida, a sensação ao terminar é muito mais prazerosa (pra mim), do que terminar fazendo força e vendo o ritmo cair.
    O ponto é saber o quanto vc pode correr na primeira a ponto de conseguir forçar na segunda e terminar com a sensação de que deixou tudo na prova, de que não tinha como tirar 1″ a mais.

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    • Hélio Shiino disse:

      “Eu me sinto confortável em terminar forte, fazendo a segunda parte mais rápida, a sensação ao terminar é muito mais prazerosa (pra mim), do que terminar fazendo força e vendo o ritmo cair.” (Felipe)

      Eu sempre me questionei o porquê dessa, também, minha sensação de prazer na 2ª metade quando adoto o split negativo. (Não estou tomando como referência a Maratona até mesmo porque nunca corri prova nessa distância.)

      Será que nesse processo não está encoberto – e aí você não se deu conta – um aquecimento do corpo ou uma batida de passada que você conseguiu encaixar ou uma CNTP (Condições normais de Temperatura e Pressão) que seu corpo acabou gostando, na primeira metade da prova e aí, ao iniciar a segunda metade, bastou apenas ligar o turbo, “abrir a asa traseira móvel e acionar o KERS????

      Imagine o quão perfeito devemos fazer o aquecimento antes de uma Maratona quando planejamos adotar um Split Positivo!!!! Split Positivo não é para qualquer um não! Vai que a virada do ritmo mais forte para o menos forte se dê bem antes de atingir a metade da prova porque você não aguentou o tranco… E o pior, você foi forçado a andar antes de voltar a correr porque “o pino acabou batendo”.

      Uma vez tentei adotar o split positivo na Meia Internacional de São Paulo. Infeliz idéia por conta da altimetria doida do percurso. Quebrei no Km16, andei por um bom percurso, consegui retomar mas em um ritmo menos forte e a “cereja do bolo” foi quando faltando 2km eu tropecei no pé do bandejão do posto de hidratação e acabei dando um “duplo twist carpado” em plena ladeira abaixo e ficando estatelado no chão com cãibra e ainda por cima uma manada passando ao meu lado…

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      • Danilo Balu disse:

        Hahahaha o split positivo é gostoso porque parece que vc dominou a prova, a distância, terminou bem, acelerando. É sempre uma sensação boa!

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      • Felipe disse:

        Eu até acredito no split positivo, embora muita gente empregue essa estratégia de forma errado. Split positivo não é sair como uma vaca doida e ir até quebrar. É saber usar o percurso a seu favor, tirar um tempo bom e administrar no final, normalmente uma prova mais tática.
        Só que para mim, corrida, especialmente Maratona, é economia de energia e não de tempo. Não adianta querer ganhar minutos na primeira meia se vc não tiver forças pra segurar na segunda, e então acabar perdendo tudo que “juntou”.
        É só olhar os resultados dos 100 primeiros na Maratona, como exemplo POA. Vc vai ver que a maioria fez a primeira metade muito mais rápido que a segunda. Exemplificando: O cara fez a primeira meia para 1h20′ e a segunda para 1h28′. Esse cara quebrou. E aí vc olha os tempos desse sujeito em distâncias menores, e vê que ele fez ou tem potencial para fazer muito mais rápido.
        As vezes esse pessoal estudioso fica martelando em números, mas Maratona nem sempre são números, tem sensação física, condição climática que muda na segunda parte, percurso etc.

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      • Danilo Balu disse:

        1. David Rudisha quebrou em Londres nos 800m?
        2. Matemática não serve na maratona, mas serve pra determinar potencial?!
        3. Economia de Energia não é sobre transportar um corpo de um ponto a outro?

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      • Hélio Shiino disse:

        Desculpe-me mas eu só acho que é querer ser maniqueísta em demasiado para um corredor amador imaginar entre split positivo e split negativo. Para elite que corre de “cara para o vento” até eu aceito mas o pelotão intermediário, vamos combinar que, incoscientemente, adotamos com mais frequencia outras estratégias.

        Veja onde você se encaixa:

        (1) Sprints de 5 em 5km
        (2) Caça ao cara da frente (vulgo coelho), descansa um pouco e caça ao cara da frente, descansa um pouco…
        (3) Se é um trajeto já manjado, caça a um relógio de prédio, depois caça a um monumento, depois…
        (4) Fartleks
        (5) Cadê a droga do posto de hidratação, abastecido, cadê a droga do próximo posto de hidratação, abastecido…
        (6) A cada contorno de 180º eu coloco mais gás e forço mais um pouco.

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      • Felipe disse:

        Essa é a minha opinião. Não adianta você se achar o pica das galáxias, o extremo convencedor de todos. hahahaha
        Sim, em relação ao potencial, por eu conhecer certas pessoas que correram adotando essa estratégia. Não sei de onde vc tirou a palavra Matemática, estou pensando.
        Não, economia de energia é saber dosar suas forças, é saber gastar durante todo o percurso, isso se chama auto conhecimento.
        Split negativo, para mim, não é fazer uma meia muito discrepante da outra, é algo muito mais próximo do linear.
        insisto, para mim não é exato como os cientistas tentam colocar. Agora, se vc quiser falar de diferença de potencial e transposição de corpos, fluxo de corrente, d.d.p, a gente pode discutir em outro post…
        Você precisa aprender a parar de latir quando alguém discorda de você, até porque eu nem discordei, quando disse acima que até acredito no split positivo, mas prefiro negativo, e que se dane se eu poderia correr mais rápido. A minha sensação física é melhor fazendo assim, e eu não ganho pra isso.

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      • Danilo Balu disse:

        Andando então é mais econômico, não? Gasta menos energia….

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      • Felipe disse:

        David Rudisha fez uma prova mais tática, mesmo tendo batido o recorde. Ele estava mais preocupado em vencer do que bater o recorde. Só que ele é tão fora da curva que fez os dois.
        E eu dei exemplos mais próximos de mim, no caso, a Maratona. Nunca corri 800 metros, não gosto e não acompanho. Você trouxe para os 800.

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      • Danilo Balu disse:

        Ele e todos do nível correm assim, por isso o trouxe. E não teve nada de tático…

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    • Felipe disse:

      Viva o split positivo! A única forma se se correr uma prova bem! Não adianta.
      Eu tendo a acreditar que em provas de meio fundo o split positivo seja ainda mais produtivo, de verdade. Economizar energia nesses casos é uma grande bobagem. Meus melhores tempos de 5 e 10km foram em split positivo. Mas, como disse várias vezes, para mim, na maratona, é mais confortável negativar, torna minha experiência mais prazerosa, e isso só EU posso explicar, pois falo de mim.
      Agora deixa eu ir alí fazer um treino progressivo!

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    • Felipe disse:

      O fator psicológico pode influenciar e muito. Muitas vezes o amador não está buscando uma coisa tão mecânica assim. Minha esposa é treinadora, e se você perguntar pra ela o que normalmente é orientado aos alunos, na maioria das vezes, falando de Maratona, é buscar fazer a prova dentro de uma realização pessoal, nada a ver com números, e quase sempre isso bate com terminar uma prova acelerando, levemente mais rápida que a primeira metade. Isso gera confiança e conforto, afinal, ninguém está alí para bater recorde mundial.
      Não sei se você tem essa experiência com alunos, talvez isso fizessa você enxergar o que quero dizer. Embora você seja um cara muito pragmático, e eu admiro muito sua coragem em abordar certos temas out-of-box, eu às vezes percebo que te falta esse tato humano na abordagem. Acredite, ele existe.
      Pergunte ao Heleno, que é um cara muito experiente. Ele vai te dizer que se sente melhor fazendo maratona em split negativo. Isso TEM que ser considerado. Insisto.
      Abraços.

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  6. Cleber Isbin disse:

    No ano passado eu conquistei meu PB na maratona de Buenos Aires fazendo as seguintes parciais:
    primeira metade 01:21′:28″ e segunda metade 01:21′:53″
    Meu pace medio final foi de 03′:52″/km, mas nos ultimos 3km eu não consegui correr mais rápido do que 04′:00″/km e com muuuuita dificuldade.

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  7. Marcel Pracidelle disse:

    Acho que nem tanto ao mar nem tanto a terra, se os splits forem muito diferentes entre si, teve erro. O ideal, na minha experiência é correr o mais próximo do split zerado. E para isso acho importantíssimo fazer alguns longos em ritmo de prova, para conhecer seu corpo… ficar rodando longo 20/30″ mais lento que a meta da prova eu acho uma grande bobagem e perda de tempo.

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    • Danilo Balu disse:

      SIM, mto próximo do split zero… Mesmo quem fez negativo, ficou próximo do zero. Há uma equação que mostra um balanço. Mas fazer negativo chega a ser pretensioso ou sinal que saiu-se lento demais.

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  8. Acho que a maior parte dos amadores (eu incluído) não tem experiência e/ou consciência corporal suficientes para fazer split positivo com eficácia. Se tentar o mais provável é que quebre lá na frente. É preciso muita habilidade para conseguir dosar o esforço – suficiente para ser mais rápido, não tanto a ponto de faltar energia na segunda metade.

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    • Danilo Balu disse:

      Eu já acho o contrário, que a maioria não tem condições nem de tentar um negativo…

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      • Julio Cesar Kujavski disse:

        Eu diria que todas as provas que fiz foram com split positivo. Não vejo vantagem nenhuma (nem consigo) em chegar “sobrando”.
        Se sobrou alguma coisa poderia ter deixado na pista e assim ter feito um tempo melhor.
        Se o corredor prefere chegar sobrando e não liga para marcas, então não precisa entrar em uma prova oficial com número e chip e classificação, basta correr no parque e terminar todas as corridas mais forte do que começou e ficará feliz.

        Curtido por 1 pessoa

  9. g5esportes disse:

    Não, não, pra quem gosta tanto de números o post deixou bastante a desejar… Primeiro que você utiliza dados equivocados! Como você pode escrever que “Desde 1998 os recordes mundiais nos 42km são feitos em split negativo, portanto a resposta parece fácil e simples…” se vejamos, em 2011 o Makau fez 2h03min38seg, com parcial de 1h01min44seg na Meia, ou seja, “POSITIVO”, fazendo a segunda meia um pouco mais lenta (1h01min54seg). Daí em 2013 o Kipsang fez passagem da meia 1:01’32 e final 2:03’23 (ou seja, 1:01’51 na segunda – foi “positivo” mais uma vez). E o atual recorde tem algumas curiosidades que fazem seu post ser mais equivocado ainda, pois veja só, o Kimeto passa a meia para 01h01min45 (02’56/km), e a segunda meia pra 01h01min12 (2’54/km), nossa, split negativo, mas você já analisou a passagem dele nos dois kms finais?? parcial dele nos 2.195 metros 6’28” (2’57”/km) – ou seja, ele “quebrou” Ele bateu o recorde fazendo entre o 30 e 35km 14:09 (2’50”/km), daí do 35 ao 40 fez 14:42 (2″56/km), ou seja, ele terminou a prova efetivamente num split POSITIVO (mesmo a segunda meia sendo negativa em relação a primeira).

    (link dos resultados: http://espn.uol.com.br/post/359300_maratona-de-berlim-a-prova-dos-recordes-mundiaishttp://www.webrun.com.br/h/noticias/saiba-os-detalhes-tecnicos-do-recorde-mundial-de-dennis-kimetto-/15757)

    E mais honestamente dizer que 2seg/km é split negativo não parece fazer sentido, pra quem corre sabe que no momento da corrida uma diferença tão pequena de ritmo é até incontrolável. Pra mim isso é RITMO CONSTANTE, nos últimos 3 recordes por sinal!

    Cada atleta é um atleta, cada organismo responde de um jeito, não há quem possa defender que positivo é melhor que negativo por mais pragmatico que seja, pois cada um tem seus gostos e seu corpo, você prefere X e seu corpo responde bem a isso, eu prefiro Y e posso responder da mesma forma (ou não). Cada atleta (junto com seu treinador de preferencia) deve decidir através de seus treinos e provas qual a melhor alternativa para seu corpo, performance, etc.

    Ah, e por último, com certeza todos sabem o que é competir, correto? Não acham que é natural portanto que os recordes de provas sejam com split negativo? Afinal é uma competição, ganha quem cruzar a linha de chegada primeiro, e não quem fechar o primeiro km mais rápido…

    Att. Prof Gustavo.

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    • Danilo Balu disse:

      Gustavo, confesso que não lembrava que Makau em 2011 e Kipsang em 2013 tinham feito positivo em seu WRs. Me prendi a fato que Ronaldo em 1998 e o atual WR (Kimetto) eram em negativo… um gap que já dura mto tempo… a ideia era chamar a atenção de como é um padrão nos 800m e nos 42km (mudança de paradigma em como encaram a distância).
      O seu argumento de quebrar a prova é que “não vale”… espremendo como vc faz, eu posso tb dizer qq coisa. Split se define pela subtração entre as metades, não na sensação do atleta ou como ele se sentiu entre os 40 e os 42km. Mas, lógico, como vc só quer apontar erros, aí vale qq coisa, até um typo ou vírgula mal colocada rsrsrs
      O ritmo é sim “constante” COM LEVE split negativo. Por que não falar assim? Nos 400m e 1500m são assim… ritmo constante, mas TêM um split. Vcs têm fobia disso?? É uma estatística como outra qq…

      Eu não tenho dúvidas que cada corpo é um corpo… pela milésima vez, eu não estou defendendo que o positivo seja melhor que o negativo! Estou dizendo que o negativo NÃO se mostra melhor! Não é difícil entender isso… Mas MESMO com a individualidade, uma vez que saibamos o que seria melhor no coletivo, vc tem uma 1a abordagem. Apelar à individualidade pra mim é coisa de vendedor… justificaria qq barbeiragem! Agora o que a pessoa vai fazer é problema dela, estou pouco ligando!
      Pra fechar, sobre a lógica de “afinal é uma competição, ganha quem cruzar a linha de chegada primeiro, e não quem fechar o primeiro km mais rápido” é atropelar a fisiologia… não é sobre vontade a discussão, mas sobre as capacidades do corpo. O último km é exatamente o que vc disse, o último km, não a 2a metade de uma prova longa.
      Era isso!

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  10. […] Dias atrás eu postei um texto explicando os porquês um split positivo na maratona, ou seja, correr a primeira metade mais veloz que a segunda, pode ser a melhor abordagem a um amador do ponto de vista fisiológico da prova. […]

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  11. […] um split negativo nos 42km, ou seja, correr a segunda metade mais rápido que os primeiros 21km. Aqui e aqui eu explico melhor, mas basicamente o ponto é: split em uma prova tem uma forte ligação […]

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  12. […] de ritmos de prova. Seja dos 100m aos 42km! Uma coisa eu já defendi aqui em uma série de posts (aqui, aqui e aqui) é que split negativo na maratona (2ª metade mais rápida que a primeira não é […]

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