Quando a torcida na pesquisa é um desserviço à saúde…

Nos dois últimos dias tentei explicar melhor o porquê é ineficiente a ideia da atividade física como ferramenta para emagrecimento. Busquei sempre fugir de casos particulares, do pensamento comum, da lógica matemática apressada enraizada mesmo entre muitos especialistas. Por quê? Basicamente porque quando apenas apresentei alguns estudos que já dizem isso há muito, fui questionado por profissionais da área. Um deles chamou minha atenção.

Quem? Guilherme Artioli, membro do Laboratório de Nutrição da Faculdade de Educação Física e Esporte da USP.

Ame alguém como o Guilherme e seus pares do laboratório amam suas ideias já preconcebidas.

Estar errado por vezes é libertador. O erro nos faz aprender MUITO mais do que quando você estava seguro de estar certo porque te faz abrir a cabeça para conceitos que antes você evitava. Ou ainda, usando uma frase de Claude Bernard, “é melhor não saber nada (…) do que ter em mente uma ideia fixa baseadas em teorias para as quais buscamos constantemente comprovação.” E o amor que o Guilherme e seus colegas do laboratório têm por suas ideias já preconcebidas é um dos maiores erros e maiores perigos que podem existir na ciência.

13516462_10153877291888650_7753591487391431357_nNão é necessário repetir o que ele disse. Acho preocupante, muito preocupante que futuros profissionais, alunos do melhor curso do país, tenham aulas com quem afirma algumas coisas como as ditas por ele. Ouvir coisas equivocadas é comum no aprendizado. Mas é o método dele que é muito mais – digamos – estranho e – vou falar o porquê – perigoso.

Ao convidar o Guilherme Artioli para um debate saudável, ele negou. OK, é direito dele! Porém, como professor e pesquisador, sua resposta diz mais sobre seu comportamento do que sobre o meu. Guilherme é avesso a ideias que vão a direções opostas às dele. Ele e seus colegas vivem no estranho debate do consenso, aquele do acordo, o do “concordo com você”. E isso tem uma explicação bem humana: normalmente nos cercamos sempre de pessoas que pensam como a gente, porém isso é um PECADO na pesquisa.

Sempre que uma teoria aparece contradizendo tudo aquilo em que acreditamos, encaramos isso como uma ameaça ao nosso mundo. Isso porque criamos desde sempre um modelo em nossa cabeça (no caso dele, que o exercício emagrece e que balanço calórico seria CAUSA e não consequência de engordarmos) que tenta explicar tudo à nossa volta, faz tudo ter certo sentido. E isso nos dá uma sensação de maior controle sobre o que se desenvolve. Essa sensação de ordem dá calma, dá mais segurança. Tememos sempre um mundo que não compreendemos direito.

Quando aparece uma ideia contradizendo nosso mundo dos Ursinhos Carinhosos, de início faremos e fazemos de tudo (TUDO!) para mostrar que ela está errada. E há ainda toda uma questão da reputação em jogo, pois não queremos ser tidos como quem errou em um tema no qual somos especialistas.

Veja bem, eu não sou uma ameaça para ninguém! Mas o Guilherme Artioli e seus pares do laboratório entram em pânico ao imaginar que aquilo que eles defendem com tanto afinco e paixão, possa ser completamente falso, afinal, por serem pós-graduados e pequisadores eles EQUIVOCADAMENTE acham que precisam ou deveriam estar sempre certos do que falam.

exercise-step-forward-300x297_largeEles participam de um blog chamado Ciência in Forma. Mas ciência dá trabalho, caminha a passos muito vagarosos, tortuosos, então eles têm uma solução! Um pouco estranha e questionável, é verdade, mas 100% humana. Qual? Eles atropelam a ciência! A encostam, fazem dela apenas nome de blog. Eles não citam, eles a esquecem, eles escolhem os resultados que os ajudam. Ciência, para eles, parece só ser boa quando ganham dinheiro dando cursos e consultoria sempre destacando seus títulos, omitindo seus métodos. É mais fácil, pois assim ela não os compromete, eles “não erram” e podem assim, às suas maneiras, continuar com a razão. É o jeito deles, enfim, de acabar com a ameaça de uma teoria que contradiga um mundo que funcionaria tão bem segundo suas ideias.

O método é o preocupante!

A forma como ele escolhe e ignora estudos é algo que flutua NECESSARIAMENTE entre o preocupante e a incompetência. Isso sim! Sabe por quê?

Preocupa, por exemplo, que para ele tentar encontrar qual seria o melhor tratamento para emagrecer seja uma discussão inútil. Justo ele, um pesquisador que vive rotineiramente uma realidade de maximizar ganhos reduzindo os custos. Mas esse não é seu ponto mais baixo. Ele e seus colegas acreditam que o exercício é um eficiente promotor de emagrecimento. Até aí, OK! Há gente de bem e inteligente que acredite que o David Luiz deva ser titular da Seleção Brasileira de Futebol, por exemplo. O problema é a argumentação.

O Guilherme fez uso de 2 estudos (aqui e aqui). Um foi feito por 6 dias. O outro foi feito comparando uma dieta low-fat com VEGANOS. Vou reforçar: Um pesquisador, especialista em sua área, tendo acesso e experiência, recorreu a um estudo feito por SEIS DIAS e outro feito com VEGANOS. Veja bem, fiz questão de listar estudos controlados, longos, feito com dezenas de milhares de pessoas, de diferentes países e culturas. Guilherme ou os ignora, ou não os conhece. Ou seja, ele é um professor preocupante.

Mais: Ele poderia ter citado, por exemplo, o talvez mais antigo estudo sobre o tema, de 1919, do Carnegie Institute of Washington. Ou então ter feito uso do provavelmente mais incrível e mais fascinante estudo já realizado, o Minnesota Starvation Experiment. Ou ainda, citar o acompanhamento mais caro e mais ambicioso já feito em toda a história, o Women´s Health Initiative Dietary Modification Trial. Não, ele citou dois “obscuros”, menos charmosos; um de seis dias (*EXCELENTE, diga-se de passagem, mas que NÃO mostra a resposta pela qual ele tanto torce) e outro com veganos (versus low-fat). Por quê?

Basicamente porque os três IMPORTANTÍSSIMOS estudos contradizem TUDO o que ele e os colegas defendem. Ele raciocina assim: se estudos bons são a ameaça, vamos vasculhar então algo que sustente o que defendemos! Dane-se a ciência!

Guilherme Artioli e os seus parecem ter sempre mais certezas do que dúvidas!

Não é só isso. Como o Guilherme não gosta do que ouve, ele vira a mesa como meu sobrinho de 10 anos quando perde nas Damas. Para me criticar, ele se referiu de forma pejorativa a Gary Taubes como sendo “jornalista”. MUITO provavelmente ele não leu o livro de Taubes. Sua obra é tida como a obra mais influente das últimas três décadas na Nutrição, mas ele a ignora. Ele fala, porém, que foi escrita em “estudos de baixo rigor metodológico” o que NECESSARIAMENTE está novamente entre a desinformação e a desonestidade intelectual, dando mais sinais de que provavelmente não leu a obra OU que pratica a ciência como um torcedor de futebol. O que o Guilherme escondeu sobre Taubes é que este é diplomado em Física pela Harvard e tem publicações na Nature, no The New York Times e em muitos outros veículos muito sérios e importantes.

Ele faz isso porque encara essas ideias quase como “inimigas” de sua turma. Isso porque eles vivem uma ilusão de controle e do pensamento mágico. O Guilherme acredita em algo e faz DE TUDO para estar certo, AINDA que esteja errado. Pesquisa não é sobre provar algo certo, mas sobre mostrar algo falso! O conhecimento, vale sempre dizer, é subtrativo, você TEM que provar que algo é errado! É a ideia do princípio da hipótese nula, devemos nela partir da premissa da ausência de um fenômeno e só considerar algo como verdadeiro após sua devida demonstração pelos métodos científicos. Isto é um princípio básico e essencial porque entre outras coisas nos previne de falsas afirmações.

Sendo assim, para mostrar que exercício emagrece, você teria que NECESSARIAMENTE ir atrás de evidências (estudos) que mostrem pessoas treinando e NÃO emagrecendo. E os estudos existem! E muitos! Mas o Guilherme atropela algumas das melhores evidências escolhendo os resultados que comprovem a sua TORCIDA; Para dizer que todos os cisnes do mundo são brancos, ele fecha os olhos quando há uma revoada de cisnes negros à sua frente. Ou seja, nas muitas vezes quando exercício emagrecer, ele IGNORARÁ.

Anos e anos de progresso da ciência e tudo o que você tem pra me dizer é para comer menos?!?

Anos e anos de progresso da ciência e tudo o que você tem pra me dizer é para comer menos?!?

Pois não tem jeito, nesses casos sua teoria é autoimune, a realidade pode espancá-la com as evidências que ele a adapta. Ele pega os fatos e reconstrói a narrativa. Ele IGNORARÁ tudo e qualquer coisa que aponte em outra direção que não a sua! Os equívocos da atual teoria regente, não serão debatidas, serão ignoradas e por ele descartadas. Isso NÃO é Ciência! Isso é só incompetência mesmo.

Para essa turma, se não está escrito no livro que leram na faculdade, não pode ser verdade, simplesmente não aconteceu. É o pensamento mágico dele e dos pares querendo poder mudar uma realidade por causa da titulação. Se ele não consegue explicar, não aconteceu. Se ele explica, TEM que acontecer. É o sonho da ilusão do controle.

Já fui do outro lado…

Por muitos anos acreditei veementemente que emagrecimento era uma questão de comer menos e que exercício era eficiente para emagrecer. Era uma conta matemática como causa. Orientei MUITA gente assim. Eu vinha da Escola Politécnica-USP, adoro números e matemática. Mas errei foi basicamente porque acreditei em meus professores da USP (os mesmos do Guilherme Artioli) sem questionar. Esse foi meu erro! Caí na lorota do recurso da autoridade, aquele em que você deva acreditar no que alguém fala por causa dos títulos. O título de doutorado por si só NÃO serve para mostrar que algo dito é verdade. Ele serve SOMENTE para nos lembrar que mesmo um grupo de titulados, como eles, é  capaz de falar as maiores bobagens possíveis.

Veja bem, eu não sou ninguém. O Guilherme também não é. Aliás, nunca liguei para o que ele acha – ele é apenas um sintoma de uma área toda viciada. Mas eu ainda acredito que ele e TODOS do Laboratório (e MUITO mais gente) terão que um dia vir a público pedir desculpas pelas suas recomendações! A área da Saúde, assim como outras, sofre de uma enorme dissociação de interesses entre eles e os clientes. Ambos buscam coisas muito distintas. Você fala o que quiser e não sofre as consequências por seus erros (o cliente quem sofre!) porque você se protege atrás de um diploma e do argumento de que as pesquisas agora apontariam para um outro lado.

You-Cant-Outrun-A-Bad-DietPorém, quando eles recorrem às práticas ditas aqui, fechando os olhos aos que o método científico nos traz, eles são menos pesquisadores e mais vendedores de martelos, são taxistas. Como eles acreditam em suas ideias, eles pesquisam trabalhando já com uma resposta positiva. Eles farão DE TUDO para estarem certos. E isso é horroroso. São pesquisadores que para provar um ponto fecham os olhos a extensos trabalhos e vão escolhendo apenas o que os interessa em um delírio, em uma tortuosa dissonância cognitiva de ver um resultado dar negativo e ainda assim recomendá-lo. Ou ainda, em um viés de confirmação, selecionam apenas aquilo que confirme seu ponto de vista.

O comportamento deles é um desserviço ao exercício e um desserviço à importância de uma boa dieta porque atropelará o que necessário for.

Por que dar nomes?

Tem uma frase que me é um pouco cara. “Se você vê uma farsa e não fala nada, você é a farsa.” Eu não o acho uma farsa. Mesmo! Ele não é pior que muita gente gabaritada por aí. Mais: Alguém perguntou se eu queria fazê-lo mudar de ideia. Eu não! Nós somos MUITO diferentes. Tenho fascínio enorme por quando alguém vem e nos prova completamente errados. Eu quero é me provar errado! Isso porque é justamente quando eu mais ganho e como mais aprendo. Ele quer apenas é se provar CERTO.

Enfim, o Guilherme Artioli só saiu de forma adolescente dando indiretas sem me citar porque eu penso diferente dele. Ele ficou “realmente incomodado”, ficou ofendido em nome dos nutricionistas (“profissionais por quem guarda tanta admiração”). Isso se explica. Ele acha que é uma espécie de guardião, ele se leva a sério demais a ponto de achar que precisa vir defender uma classe que jamais pediu sua ajuda, uma categoria que em sua maioria pensa EXATAMENTE como ele, como mostram os órgãos e associações oficiais. Ele é da geração que se ofende fácil, que acha que quando você ataca uma ideia, você ataca o caráter de uma pessoa, e não apenas a… ideia. Para ele é questão de caráter estar certo. Eis que ele está errado, desde o princípio.

Por fim, me agrada saber que tenho ideias alinhadas com alguns dos pesquisadores mais interessantes que existem na atualidade (como Bill Lagakos, Jeff Volek, Tim Noakes, Petter Attia, Gary Taubes, Jason Fung, Aseem Malhotra e tantos outros) que falam o que eu disse essa semana e venho dizendo faz certo tempo. E deixo então uma proxy que funciona bem: quando vir um grupo ou categoria valorizando demais algo, desconfie, geralmente é desproporcional com o grau de evidências. E sempre duvide da turma que lucra com suas ideias. O laboratório nesse caso se alinha com o Marcio Atalla, aquele que com CONSULTORIA DOS PESQUISADORES DO LABORATÓRIO diz que “Emagrecimento sem exercício é insustentável”. Para essa turma toda, exercício como remédio de emagrecimento é um baita de um commodity! E isso explica muita coisa no comportamento deles.

Aseem_Malhotra_Eng_Short1 (1)Não é difícil assim entender que esse tipo de pensamento tem, infelizmente, financiamento garantido e um futuro promissor. Por quê? Indra Nooyi, CEO Pepsi, disse “não haver dúvidas que o estilo de vida sedentária é a responsável pela atual crise de obesidade. (…) Se todos se exercitassem, fizessem o que deveriam fazer, o problema da obesidade não existiria”. E ela não é nem de longe a única.

Dá pra ver que eles têm então muitos martelos para vender! Isso baseado em um pensamento mágico, baseado na fé, na esperança, até na boa vontade. Evidências? O problema com muitos acadêmicos é que eles realmente acham que os outros os consideram mais inteligentes do que eles realmente são. Talvez por isso o Guilherme Artioli tenha dito que eu preciso estudar mais. Pode ser que ele esteja mesmo certo, mas pesquisa é sobre comprometimento com uma visão sistemática e científica de enxergar as coisas. Deve haver sempre a intenção de construir o conhecimento explicando as leis do mundo real através de experimentação, da observação e da replicação, não apenas com fé e torcida, ainda que o resultado não seja aquele que gostaríamos tanto de encontrar.

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24 pensamentos sobre “Quando a torcida na pesquisa é um desserviço à saúde…

  1. Luís mello disse:

    Bravo, bravo, bravo, Balu!

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  2. Balu, acho que aquele texto da imagem “you can never outrun a bad diet” é uma das melhores que já vi sobre esse assunto de emagrecimento. Tirando casos nem particulares (tipo aquele primo que come 2 pizzas e não engorda, ou o outro, gordinho, que faz dieta a vida toda e não consegue emagrecer). Ou ajusta a alimentação, ou não tem km em cima de km em cima do transport que vai te fazer emagrecer.

    Abs!

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  3. Bruno Louzada disse:

    Parabéns pela coragem Balu! Lendo seus textos dos últimos dias lembrei de algumas coisas em outras áreas. Tem um professor brasileiro, climatologista, que contradiz as teorias de que o aquecimento global é causado pela atividade humana, o cara é execrado, mas assim como vc ele mostra de maneira clara o pensamento e a farsa da ciência por consenso. Se te interessar, vale a pena ver uns videos dele, Prof. Molion. Essa coisa de desqualificar alguém porque nao tem títulos é de lascar, eu sou arquiteto, e um dos livros mais influentes de urbanismo foi escrito por uma jornalista, Jane Jacobs. A academia está repleta de pessoas assim, em todas as áreas, egos e vaidades…abraço!

    Curtido por 1 pessoa

  4. Bom dia Balu e demais colegas.

    Texto ótimo mais uma vez. Mas já que o Guilherme não quis debater, faço eu a crítica. Um estudo vem rastreando há anos mais de 10.000 pessoas nos EUA que eram obesas, emagreceram e mantiveram o novo peso por pelo menos dois anos.

    A ideia inicial dos cientistas era fazer uma “engenharia reversa”. Ao invés de pegar uma dieta e testar em algumas pessoas inverteram o jogo e foram monitorar as pessoas que conseguiram emagrecer e descobrir afinal de contas qual era a dieta que elas adotaram. Só que os dados são inconclusivos. Essas pessoas emagreceram com os mais diferentes tipos de dieta (o que sugere que a individualidade biológica tem papel forte na obesidade). Mas alguma dieta fizeram: 98% modificaram a alimentação para emagrecer.

    Mas um ponto essas pessoas têm em comum: 90% fazem exercício, uma hora por dia em média. Aqui o site da pesquisa, com todas as informações: http://nwcr.ws/default.htm

    Convido o Balu a comentar esse estudo que, a meu ver, desafia algumas noções defendidas pelo Gary Taubes (que eu li sim!) e os outros autores citados.

    Um forte abraço para todos.

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    • Danilo Balu disse:

      De cara vejo um problema (no fdsemana tento com calma), esse estudo mostra os vencedores… Imagine que temos 10 milhões que fizeram a mesma coisa sem sucesso…. Não seriam rastreados…

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      • Sergio disse:

        Verdade. Mas ainda assim merece uma olhada mais cuidadosa. Afinal, a conclusão poderia ser que fazer exercício não garante o emagrecimento já que não temos os dados de quem não emagreceu, mas não fazê-los quase que impede, afinal só 10% dos que emagreceram e participaram na pesquisa não fazem exercícios. Mas pode também ser um viés dos participantes da pesquisa ou algo do gênero.

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      • Danilo Balu disse:

        Não, não necessariamente…. Vc precisa determinar que é uma relação de causalidade e não apenas casualidade.

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      • Sergio disse:

        Ainda que não implique relação de causalidade e que a causa seja um terceiro fator que os impulsiona tanto a emagrecer quando a fazer exercícios, seria um aspecto importante considerar que apenas 10% das pessoas que emagrecem (se a amostra não for enviesada) o fazem sem exercícios. Sei lá, até pelo benefício da dúvida, me parece que uma pessoa desejando emagrecer pode achar interessante fazer exercícios. Afinal relações de causalidade podem inexistir, mas também podem existir de formas muito indiretas e difíceis de comprovar e levar anos para serem estabelecidas. Corro longas distâncias e há muito tempo para saber que o exercício não é condição suficiente para emagrecer. Mas pode ser que o efeito dele no organismo esteja no lado psicológico, criando uma condição propícia à redução de peso que, aliada a outros fatores, consiga levar ao objetivo. Mas na verdade estou achando esse percentual de pessoas que praticam exercício muito alto, me parece haver algum viés amostral ali.

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      • Danilo Balu disse:

        “me parece que uma pessoa desejando emagrecer pode achar interessante fazer exercícios”… ela não tem que achar interessante… ela tem que fazer! Ela e o magro, mas não somos nós quem temos que decidir por ela, no máximo vc sugere…

        “também podem existir de formas muito indiretas e difíceis de comprovar e levar anos para serem estabelecidas”… isso pode servir de argumento pra qq barbaridade que eu queira fazer… basta eu jogar a culpa na ciência e na pesquisa… achismo, desconfiança, teorias não provadas… posso fazer o que eu bem quiser com esse argumento, não?

        “pode ser que o efeito dele no organismo esteja no lado psicológico, criando uma condição propícia à redução de peso que, aliada a outros fatores, consiga levar ao objetivo”… ninguém nega que ajude…. pouco, mas ajuda. Mesmo os críticos admitem que há um ganho (10%??) na eficiência na perda de peso qdo aliado com exercício… Só que qdo vc por boa fé fecha os olhos pra esse número (10%) vc dá pesos iguais a fatores mto distintos. Aí a pessoa acha que pode só jogar bola 1x/semana e seguir comendo lixo, afinal, “exercício emagrece”…

        A gente precisa esquecer um pouco a questão psicológica na perda de peso porque faz parecer que todo mundo tem distúrbio alimentar…. parece que se não houver uma junta médica com nutricionista, personal trainer e psicólogo, ninguém consegue manter o peso.

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    • Estevão Borges Jorge disse:

      Boa noite Daniel.
      Esse é um estudo retrospectivo, portanto não há correlação causa X efeito. Os melhores estudos para avaliar alguma intervenção, nesse caso a prescrição de atividade física, como abordagem de sobrepeso ou obesidade são os ensaios clínicos controlados, ou RCTs do inglês, Randomized Controlled Trials, que o Danilo inclusive citou algumas metanalises, ou reunião desses ensaios clínicos.

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  5. Sobre a questão de cientistas e pessoas em geral quererem apenas conversar e buscar os estudos que comprovam suas crenças, recomendo este excelente texto sobre John Yudkin traduzido para a Piauí: http://piaui.folha.uol.com.br/materia/conspiracao-amarga/ – caso já não tenham lido

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  6. Marcio Manzi disse:

    Faz tempo que não vejo ninguém com sua coragem. Não é apenas discordar! Que sirva de inspiração para sermos pessoas melhores.

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  7. Tiago Michele Ziruolo disse:

    Parabéns Balu!!! Excelente texto!!!

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  8. Vinicius Morais Nunes disse:

    Amo seus textos e a maneira que escreve. Existem pessoas que buscam o conhecimento para empurrar ideias boca abaixo e isso ganha notoriedade. Esquecem que grandes coisas inventadas pelo homem eles não tinham estudo, tinham paixão e acreditavam que aquilo ia mudar o mundo.

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  9. Estevam disse:

    Parabéns, Balu pela defesa do pensamento crítico! Infelizmente esse tipo de acadêmico que procura evidências que deem suporte às suas crenças existe em todas as áreas. Normalmente eles têm algo a ganhar com isso.
    Mas em relação ao estudo citado pelo Daniel Malaguti, me pareceu um grande estudo de casos, que na hierarquia de evidência está na base (menor nível). E ainda tem o viés de memória, típico dos estudos epidemiológicos em nutrição. Lembrei daquele link que vc postou do Fivethirtyeight (You Can’t Trust What You Read About Nutrition ).

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  10. Amanda disse:

    Certíssimo! Quem não conhece alguém que pratica exercícios diariamente e não emagrece? Exercícios para saúde? SIM, para emagrecer? NÃO. Quando digo isso para as pessoas sempre tem alguém que se lembra de um conhecido ou mesmo já passou por isso. Entretanto nenhum profissional famoso ou esses programas da tv aberta falarão a verdade, pois não se baseiam em evidências e sim em dogmas pré concenidos. Haja vista as recomendações erradas dadas por profissionais diariamente no programa matinal e espetáculos de perda de peso bizarros teletransmitidos. Triste para pessoas que buscam saúde.

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  11. ciro violin disse:

    Balu, dá uma olhada nessa matéria sobre gordura dentro dessa revista PDF:

    http://www.yakult.com.br/yakult/Upload/supersaudavel/131074707762088975_yak_70.pdf

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    • Danilo Balu disse:

      Vi um texto esses dias que me mandaram sobre isso… não sei qual a nova descoberta porque tive isso ainda na faculdade. Não se tira o mérito de descobertas como essa, mas veja qual o padrão de comportamento qdo acontece isso… já querem usar no combate à obesidade. Querem (não os pesquisadores!) sempre criar a pílula do emagrecimento! Tem TANTA abordagem SIMPLES a ser feita (dietaaaaaa), mas vão no complexo… juro que não entendo…

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  12. ciro violin disse:

    Balu…
    Não sei se vc ja viu…
    Mas é que só vi agora…
    Dá uma olhada…

    Quase saiu uma frase do tipo: “Só a fé salva”

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  13. Jeferson ld disse:

    Dae Danilo… Descobri por acaso seu blog! Parabéns pelos seus textos, abraço.

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