Leituras de 4a Feira

Certa vez qual não foi meu susto ao me deparar com uma corredora que eu não via havia muito e ver que, além de ela estar mais rápida, ela parecia uma anoréxica? Uma das partes mais tristes dos problemas de distúrbios nutricionais é a dificuldade de diagnosticar e depois tratar o problema. Em um texto surpreendente, uma profissional conta como essa triste doença quase acabou com sua carreira.

Um vídeo de uma ultramaratona – digamos – diferente. A Burning Man junta 200 corredores para enfrentar 50km, mas alguns dos corredores são um tanto quanto loucos. Só vendo!

No Mundial de Atletismo a emoção superou a razão de forma incrivelmente irracional nos 100m. Eu cometi este “erro”. Basicamente separávamos o “bem” sendo representado por Usain Bolt do “mal” na pessoa de Justin Gatlin. Por quê? Porque um seria limpo e o outro seria dopado. Com as informações disponíveis ao público só há duas conclusões que podem ser feitas. Apenas DUAS: a primeira é a de que o americano já se dopou, não necessariamente de que ele seja hoje um dopado, apesar de seu desempenho atual, crescente após os 30 anos, indicar que há algo atípico no ar. A segunda é que Bolt, outro atípico, nunca foi pego, jamais podemos dizer que ele não se dopa/dopou. Quando assumimos Bolt como sendo o bem, isso mostra como nossa memória é curta e ruim. Marion Jones e Lance Armstrong NUNCA foram pegos em exames. Tyson Gay enganou por muito tempo. Uma pesquisa recente mostrou que 29% dos atletas que correram o Mundial de 2011 se declararam anonimamente como usuários de substâncias proibidas. Pior: em um desvio de caráter, muitos outros dopados não se consideram trapaceiros, basta observar qualquer entrevista do ciclista americano mais famoso da história. Ou seja, isso elevaria ainda mais a porcentagem de atletas dopados na competição. Agora a atenção se volta para a maratonista Paula Radcliffe. A recordista mundial, que vive em campanha contra o doping (como qualquer outro atleta famoso), se negou a abrir seus exames de sangue ao público. Pois eles vazaram e estão sendo estudados com alguns indicadores já apresentando inconsistências semelhante a de famosos trapaceiros. Basicamente ou a britânica libera tudo e corre o rico de se provar dopada, ou não libera e vive sob uma desconfiança cada vez maior. Aqui um texto excelente de Ross Tucker mostrando o que podemos concluir do que caiu em domínio público até agora.

Volto a citar o ótimo Toni Reavis que em seu texto filosofa sobre culpa, política, atletismo, dopingBela reflexão de uma sociedade diferente!

O que limita nosso desempenho? A dor ou o esforço? Seria a dor treinável? Em seu espaço na Runner´s World Alex Hutchinson fala de recentes experimentos originais nessa área.

Abaixo um vídeo bacana da empresa BP, que patrocina a paratleta Marlou van Rhijn.

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4 pensamentos sobre “Leituras de 4a Feira

  1. Seu post de hoje está complicado…
    Quem vai querer ser um corredor (ou acompanhar corrida como torcedor)? 🙂

    Sobre doping: eu sei que é a realidade mas é extremamente chato ler isso. Para ser fã do esporte, eu quero deixar meu lado racional de lado e somente admirar os desempenhos dos atletas. Mas agora toda vez que eu assisto algo fico pensando: será que estava dopado(a)? Melhor acompanhar o tênis mesmo. 🙂

    Sobre a anorexia, é óbvio que é uma doença mas o foco que alguns (poucos, é verdade) corredores colocam em diminuir seus tempos acaba estimulando algo próximo a anorexia.

    Um texto sobre culpa e, por fim, um post falando sobre o que é mais importante: dor ou esforço? Que saco!

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  2. Marcio Manzi disse:

    É Balu, não tá fácil pra ninguém, parabéns e obrigado pelo tempo dedicado em compartilhar os textos.

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  3. Enio Augusto disse:

    Esporte de alto nível sempre deixa aquelas pulgas atrás da orelha. Os caras são bons, sem dúvida nenhuma (certamente, um amador muito dopado perderia para qualquer um profissional não dopado). Mas no dia das provas a gente nunca sabe de fato se aquele desempenho é fruto só de esforço ou se tem algo a mais. Talvez só no futuro para saber ou nem isso. Por isso que gosto dos amadores mais lentos. Minhas tias de mais de 60 anos não se dopam e estão por aí correndo sem suspeitas. 😀

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  4. adrianapiza disse:

    Esse negócio de doping está deixando o esporte sem graça…nunca vão conseguir alguma maneira de pegar todos, os testes são complicados, não pode ter um falso positivo, e por conta disso terão sempre os falsos negativos, sempre escapará uma boa parcela…às vezes dá vontade de imaginar o que aconteceria se liberassem tudo….queria ver as monstruosidades que iam aparecer! É desanimador!

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