Leituras de 2a Feira

Semana passada coloquei aqui um texto do The New York Times sobre como melhor escolher seu tênis de corrida. Eu falei que tinha preguiça do texto (e não do estudo!) porque fica dançando na parte que fala do conforto. Acreditar (ou confiar) no conforto vai contra TODA uma ideia de evolução, adaptação e de anti-fragilidade. É um erro enorme, crasso, rude! Correr é desconforável, fazer exercício é desconfortável. Ficar em pé é desconfortável, mas é o tipo de estresse controlado que traz ganhos na conta final. Resumindo: optar por tênis com controle de movimento e ~amortecimento~ pode ser péssimo, mas conforto definitivamente NÃO pode ser intuitivamente a melhor das respostas. Independente disso (me alongo no futuro sobre essa nossa mania nociva por conforto na corrida), o doutor e fisioterapeuta Alexandre Lopes deixou um comentário muito pertinente. Reproduzo abaixo:

Tirando o título da matéria do The New York Times, os caras comentam sobre o artigo científico publicado por um dos principais pesquisadores e pioneiro de estudos sobre biomecânica corrida, Benno Nigg (que por sinal também desenvolveu muita coisa para a adidas no seu laboratório de Calgary). Ele praticamente é o pai da ideia de que “pronação” e “tênis com amortecimento” poderiam prevenir lesões… Pois bem, depois de 30 anos o cara faz um “mea-culpa” e sugere que esqueçamos esses fatores como risco para corredores! Nada como o tempo para por as coisas no seu devido lugar…

Edição de colecionador: o novo manual da IAAF com detalhes da progressão de todos os recordes mundiais (WRs) do atletismo.

Leitura Obrigatória - BLOGLeitura Obrigatória: Já falei algumas vezes aqui no blog como acredito que o doping é o recurso de uma minoria no atletismo de alto nível. Já me chamaram de ingênuo e idealista, mas desinformado nunca porque você parte da suposição de que ninguém sabe toda a verdade. Desde o momento que estouraram 3 excelentes documentários citados no Recorrido (Poisoned Spikes, o do Salazar-Pro Republica e por último o do escândalo Quênia-Rússia-IAAF), eu confesso que mudei radicalmente minha opinião após ver os 3 vídeos… simplesmente não acredito mais na absoluta maioria… Quando você quer acabar com um ídolo, é só humanizá-lo, basta estudar e saber mais sobre ele…. É muito triste… Desta vez cheguei a uma reportagem com um nome grande que fala como nos Jogos Olímpicos de 1988 e 1992 presenciamos desempenhos incríveis e turbinados. E Victor Conte dá nome para vários dos bois… é de jogar um balde de água gelada em quem gosta desse esporte.

Um estudo ainda vai dar o que falar em seus desdobramentos. Feito com atletas de elite, basicamente afirma que corredores agonizam enquanto correm, não gostam do que fazem. Eu sempre achei que o TREINAMENTO de corrida é uns 90% do tempo bem aborrecido. Você corre 1000km para ter delírios de felicidade após a prova de 10km. Compensa? Hmmmm sei não… correr é um misto que requer masoquismo e vaidade… Um dia me estendo no tema!

Abaixo vídeo novo da campanha It´s Runderful da Mizuno:

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10 pensamentos sobre “Leituras de 2a Feira

  1. Balu, realmente correr não é gostoso.

    Talvez seja menos ruim e até um pouquinho agradável se for uma corridinha leve durante uns, sei lá, 30 minutos.

    Mas um treino de verdade ou uma prova não tem nada de gostoso. gostoso é quando termina.

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  2. Treinos em ritmo tranquilo (os longões ou regenerativos) muitas vezes são prazerosos para mim. Gosto de ter um tempo tranquilo para pensar, rezar, o relaxamento do “runner’s high” e por aí vai.

    Agora correr rápido (em provas ou treinos de tiro) realmente é sacrificante.

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  3. Enio Augusto disse:

    Gosto de correr.
    Correr só fica ruim quando tem treino forte, ou prova para correr rápido. Aí não é tão bom. Na maioria das vezes, é sofrido. E só é bom quando acaba.

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  4. Me faz lembrar dos 5.000 no meu primeiro Inter, prova desgraçada e você gritando : “vai zé todo mundo ta sofrendo igual”. Boa Balu, sou partidário dessa teoria, misto de masoquismo e vaidade

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  5. Rafael disse:

    Acho que procuramos na corrida uma forma de nos preencher, nos completar, de buscar a tão sonhada felicidade. Só que o efeito é passageiro, então precisamos mais, mais e mais.

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  6. adrianapiza disse:

    Algumas corridas fluem tão bem, mesmo sendo sofridas, a sensação é tão boa que elas ficam na memória e quando relembro sou capaz de sentir um pouco daquela sensação de novo. Acho que isso faz querer mais…

    Falando em edição de colecionador, lembrei que encontrei outro dia aqui guardado nas gavetas uns posters que vieram na Istoé em 1992, onde estão os resultados dos primeiros 3 colocados de todas as provas de todas as olimpíadas desde 1896 (na verdade são vários posters de todos os esportes…). Claro que hoje tem tudo online, mas é gostoso abrir aquele poster enorme e ver tudo em uma folha só.

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  7. Tem um trecho do livro Running with the Kenyans em que o Adhanarand FInn escreve:

    “Somente depois faz sentido, embora mesmo assim seja difícil racionalizar o porquê. Você simplesmente se sente bem. Após uma corrida, você se sente em harmonia com o mundo, como se uma necessidade inata e inespecífica tivesse sido satisfeita.” (Tradução de Heitor Lopes)

    “It’s only afterwards that it makes sense, although even then it’s hard to rationalise why. You

    just feel right. After a run, you feel at one with the world, as though some unspecified, innate

    need has been fulfilled”.

    (Adharanand Finn, no livro Running with the Kenyans)

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  8. Nishi disse:

    Correr não é gostoso. Gostoso é saber que você pode e consegue correr.

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  9. Gustavo Bianch disse:

    Treinar é chato, correr é gostoso. Corro pela endorfina e pela sensação de competir comigo mesmo. Mas fazer treinos fortes é tenso.

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