Leituras de 5a Feira

Cada um tem seus próprios motivos para se esforçar para correr uma Maratona (ou qualquer outra distância). Aqui você tem o belo vídeo com uma atriz explicando os seus para encarar a de Boston daqui alguns dias.

Philip Hersh no Chicago Tribune fala se o imbróglio de Michael Pelps e Justin Gatlin são casos de justiça comum

Longa Leitura do Dia: a ciência versus a maratona e a história muito bem contada de uma atleta contra o que seria seu limite físico.

Um texto curioso e interessante fala o que um campeão de Boston considerava o mais correto na corrida e treinamento na década de 30. Tempo atrás eu li o livro de Norman Harris At Last he comes: the greatest race in history. É uma aula do que faziam os melhores do mundo na virada do século passado.

Vivo falando mal do uso exagerado de GPS entre amadores, mas um dos grandes frutos disso são os levantamentos como os que o Strava faz às vezes. Com uso de quase 2.000 corredores na Maratona de Londres eles conseguem estimar a média de velocidade em cada milha, onde a maioria quebra, quão rápido saem, etc. Logicamente que não tem validade científica, mas são dados que jogam muita luz onde não há nada. Dentre os analisados vemos que saímos meio forte, quebramos depois de onde o senso comum prega, e nos 2km finais damos aquele gás. Demais!

O que mais me intriga na corrida é o peso que damos às coisas erradas. Nos preocupamos com um monte de frescuras para recuperar nosso corpo, debatemos treinamentos e treinadores, fazemos dos tênis protagonistas quando eles no máximo atrapalham e pouco ajudam. Há dois fatores, entretanto, que são MUITO ignorados. Se você for à largada de uma Meia ou Maratona verá MUITA gente usando roupa demais. Voltei do “Hell de Janeiro” no final de semana e ao meu lado tinha muita calça e meiões. Para quê esquentar ainda mais? Outro fator subestimado é o nosso peso. A predominância de atletas com menos de 65kg entre maratonistas sub-2h06 é maior do que a dos africanos diante da amostra. Maior! O mesmo vale para atletas com menos de 70kg. Há mais não-negros sub-27 nos 10.000m do que atletas com mais de 70kg! Peso baixo é FUNDAMENTAL para correr bem (ou melhor!) em distâncias acima dos 21km. Quer correr bem? Volume, baixa temperatura (pouca roupa!) e baixo peso! Isso levado ao extremo! Aqui um bom infográfico que dá números às vantagens da temperatura baixa na maratona.

Eu só vou me realizar como corredor quando presenciar uma cena impagável como essa abaixo! *a Paris-Roubaix é uma competição muito famosa em um país rico e apaixonado por esse esporte. **na Grande SP tem uma prova que era imperdível e que eu já corri (Meia Maratona Trilheira, em Ribeirão Pires) que, segundo consta, já teve algo parecido que definiu o campeão! ***uns 15 anos atrás na extinta Volta da Lapa, um grande bate-saco, eu fiquei preso num semáforo enquanto os líderes se afastavam na 1ª metade dos 10km…

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6 pensamentos sobre “Leituras de 5a Feira

  1. martinhovneto disse:

    Eu fico pensando como um profissional de saúde e muitos pesquisadores tendem ao determinismo. As vezes estes esquecem que o resultado de uma pesquisa é, normalmente, uma tentativa de se ter uma delimitação geral de fatores que concorrem para um determinado evento. Entretanto a ciência burra impõe um resultado de um teste como limite da realidade.
    Em uma situação dessas do vídeo, como a organização da prova procede? Foram “fatos de força maior”? rsrs.

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    • Martinho, sobre a prova de ciclismo: a organização tenta sempre sincronizar o horário da largada + velocidade média do pelotão com o horário que o trem vai passar, pra não encavalar.
      Mas deu problema dessa vez.

      Se vc procurar no youtube, tem vários vídeos de coisas parecidas, inclusive no Tour de France! hehe

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      • phrayres disse:

        Chris, não existe sincronia. Numa prova que pode durar de 5 a 6 horas, sem saber o ritmo da prova, é impossível. O que existem são regras com descrevi abaixo quando a cancela do trem fechar.

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  2. Pedro Ayres disse:

    Não é incomum que provas longas de ciclismo passem pelos caminhos do trem. É expressamente proibido cruzar as cancelas fechadas. Na prática, o pelotão que passou antes é “neutralizado” pela organização (entenda-se: diminui a velocidade até reagrupar novamente). O que aconteceu ali é completamente bisonho, e numa das provas mais importantes da temporada….

    Outro dia, pulando de link em link sobre o doping, cheguei numa matéria que dizia que ciclistas profissionais estão cada vez mais usando antidepressivos, o que explicaria em parte tantas quedas bobas no meio do pelotão, por distração.

    O esporte de alto nível agoniza, infelizmente. E nós, como platéia do Coliseu, adoramos o sacrifício…

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  3. renataster disse:

    Corri Volta da Lapa! Era a que saia do Pelezinho? A gente tinha que correr desviando dos carros…

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