Sobre Nutrição e Falácias – parte 3

OU SOBRE “QUANTO PESA” 1Kg DE GORDURA

Digamos que ainda que sem ter como, seu nutricionista ignorando evidências, acredite que ele pode fazer cálculos calóricos e ir contra a lógica e visar emagrecimento na base do balanço calórico. Pois se emagrecer é, como ensinado na faculdade, uma questão de nos movimentarmos mais e comermos menos, temos a alternativa de praticar mais com a prática de atividade física. A outra variável da equação é comer menos reduzindo a ingestão.

Várias fontes orientam que quando estamos em dieta, para perdermos 1kg de gordura precisaríamos perder o equivalente a 7.500 calorias, ou seja, ter um déficit calórico dessa magnitude. Esse seria um preceito bem básico, fundamental e presente em livros de Nutrição e em revistas de saúde. Esse dado está inclusive na orientação de órgãos oficiais que têm o dever de nos informar, como na do British Dietetic Association. Para ser tão usado e propagado, imaginamos que esse valor de 7.500 calorias para cada quilo de gordura deva ser verdadeiro e embasado. Mas não é bem assim. Lembre-se: no histórico, a Nutrição cria teorias, se der tempo, ela tenta provar. Bem antes disso, ela cria sua prática torcendo (e cobrando) para dar certo.

Entre Junho e Julho de 2009, a pesquisadora britânica Zoë Harcombe fez algo que todo mundo poderia fazer com os mesmos resultados na próxima visita a um Nutricionista, Educador Físico ou Médico quando ele afirmar as calorias que há em 1kg de gordura: ela perguntou a fonte. Mas ela não questionou qualquer um, não. Ela cuidadosamente escreveu formal e detalhadamente a 7 dos principais órgãos britânicos, um país que trata a Saúde como coisa séria.

Ela escreveu ao National Health Service (NHS), ao National Institute for Clinical Excellence (NICE), ao Department of Health (DoH), ao National Obesity Forum (NOF), ao Association for the Study of Obesity (ASO), ao British Dietetic Association (BDA) e ao Dieticians in Obesity Management (DOM). E as respostas surpreenderam. 5 deles simplesmente não souberam responder. Os 2 que tentaram, variaram enormemente nas respostas. Essa é a “ciência” do emagrecimento aos olhos da Nutrição.

Pesquisando publicações sobre obesidade, você encontrará que os especialistas trabalham com a hipótese de que 1g de gordura tem entre 8,7 e 9,5 calorias. Estamos desde já falando de uma grande diferença quando formos trabalhar na casa dos milhares de unidades. As mesmas publicações também trabalham com a informação que o tecido adiposo humano possa ter entre 72% e 87% de lipídios. Com isso, novamente estamos falando de uma grande variação. Para ser mais preciso, falamos de algo (cálculos meus) entre 6.264 e 8.265 calorias em 1kg. Uma variação tão grande assim torna a montagem de cardápios para perda de peso fundamentada no déficit calórico uma tarefa extremamente imprecisa, porque sequer sabemos quantas calorias exatamente equivalem ao sobrepeso do tecido adiposo da pessoa. A Nutrição para mim, não se ofendam, é uma questão de fé e muita crença, mas não de Ciência. Vejamos o que falei até aqui:

  1. Seu nutricionista muito provavelmente não sabe o porquê você engorda, invertendo gravemente causa e consequência. Não porque ele seja ruim! NÃO! Ele é bom! Mas foi assim que lhe foi ensinado!
  2. Para combater o 1, ele(a) vai se apoiar no balanço calórico, uma estratégia que se prova não provada pelas dificuldades práticas, pela falta de evidências estatísticas e pela falta de qualquer evidência outra;
  3. Como se fosse um robô, o corpo será tratado como uma máquina ignorando efeitos compensatórios que são impossíveis de calcular.
Harcombe fez o que todo aluno e cliente deveria fazer, questionou a origem quando lhe disseram sobre o balanço calórico.

Harcombe fez o que todo aluno e cliente deveria fazer: questionou a origem quando lhe disseram sobre o balanço calórico.

E o que são esses efeitos compensatório tão ignorados? Vejamos…

Em um estudo, liderado por Timothy Church da University of Louisiana, centenas de mulheres com sobrepeso entraram em uma rotina de exercícios físicos por um período de 6 meses. Um grupo treinava 72 minutos por semana, outro 136 minutos, outro 194 minutos e um quarto grupo era o controle, ou seja, sem treino adicional. Pois contra todas as expectativas, não houve diferença de peso significativa entre os grupos que treinavam e o grupo controle (“sedentário”). Pior, algumas inclusive ganharam peso.

Isso aconteceu porque essas mulheres passaram naturalmente a comer mais já que exercício inevitavelmente dá fome por aumentar nossa necessidade energética. Não há como fugir dessa realidade. Pior, essa compensação às vezes ultrapassa o mero ato de repor uma necessidade fisiológica maior por energia, psicologicamente quem treina pode acabar “se premiando” pelo esforço. Em outros casos, se o prêmio não vinha na forma de muito mais comida, vinha na forma de menor atividade física fora do período de treinamento, o indivíduo descansava mais como fruto de mais movimento momentos antes.

Essas conclusões encontram suporte em outros dados. Um estudo publicado em 2008 sobre obesidade infantil por Steven Gortmaker e Kendrin Sonneville encontrou que, num período de observação de 18 meses, 538 crianças que se exercitavam acabavam comendo mais calorias do que as gastas na atividade. Às vezes, esse “desbalanço energético” era de 10 a 20 vezes maiores do que o da atividade. Ou seja, aquele conceito arraigado que temos de que exercício gera um déficit energético não é necessariamente apoiado pelos experimentos práticos. Mas este não é o mais interessante!

Um outro estudo de 11 anos, de Terry Wilkin com 202 crianças desde seus 5 anos de idade, vem dar apoio a essa tese de compensação. Nele, o autor monitora o peso e o nível de atividade física das crianças. O que ele vem descobrindo é revelador: parece não haver diferença entre os pesos e composição corporal delas não importando se são mais ou então menos ativas fisicamente. O estudo ainda está em andamento e pode ser questionado pelo baixo número de indivíduos, mas vem também questionar fortemente a tal “sabedoria popular” que atribui à atividade física uma ferramenta eficiente de controle de peso. Sobre isso, ainda terá um post especial, a melhor conclusão está por vir!

Um achado muito interessante em todos esses estudos é o fato de haver essa capacidade natural de compensarmos os gastos calóricos ao longo do dia. No estudo com as “crianças de Wilkin”, o grupo com mais aulas de educação física (64% mais, para ser mais preciso), ao chegar às suas casas fez o oposto, se movimentou menos. O grupo com menos atividade, se movimentava mais em casa. O resultado foi que ambos os grupos faziam a mesma quantidade de atividade num efeito compensatório.

Isso faz lembrar a atividade de pessoas que treinam assiduamente para provas mais longas. Um maratonista amador pode sair de casa num sábado de manhã para treinar 25km. O seu nutricionista, desconsiderando esse efeito compensatório, adiciona o gasto e a necessidade energética ao de uma pessoa que treinou 25km “a mais”. O problema é que essa pessoa no sábado após o treino acaba dormindo/descansando, pouco se movimentando no restante do dia e evitando até outros compromissos sociais por indisposição física. Ao final do dia podemos arriscar que ele se aproxima aos gastos de uma pessoa que correu pouco mais de 5km, por exemplo. Se estendermos esse comportamento compensatório para os próximos 2 dias (suponhamos que ele volte a treinar somente na 3a Feira à noite), podemos dizer que ele teve um gasto energético praticamente igual ao de quem nunca sequer sonhou em correr uma maratona. Mas já é tarde demais, em sua dieta prescrita estão lá milhares de calorias pensadas para seus 25km ignorando toda uma compensação das demais 72 horas.

Porém, reforço, não podemos confundir o fato de exercícios não serem ferramentas eficientes para controle e perda de peso com o fato de não recomendá-los. Faço questão de reafirmar que os benefícios da atividade física bem feita são inumeráveis; eles apenas parecem não gerar perda de peso substancial diretamente se não vier junto de mudanças nos hábitos alimentares.

Ou seja, a Nutrição não sabe como engordamos, não sabe o quanto gastamos, não sabe o quanto consumimos, não sabe o quanto de energia está armazenada no sobrepeso e não tem como calcular que não somos máquinas, ou seja, nosso gasto tem fortes efeitos compensatórios. Mas ainda assim a atividade física virou um pilar no emagrecimento porque nos faria gastar mais energia abrindo a possibilidade de um déficit calórico. Será? No próximo texto falo sobre a falácia e da ineficiência do exercício físico no emagrecimento.

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41 pensamentos sobre “Sobre Nutrição e Falácias – parte 3

  1. Cesar Augusto Martins disse:

    Excelente, Balu! Adoro ler seus textos sobre nutrição. São incríveis… tudo faz sentido! Nunca estudei esse assunto, confesso. Mas sempre tive meus princípios, que gosto de seguir sem me preocupar muito com o que ouço por aí. Penso que uma boa alimentação (balanceada e sem exageros) nos ajuda a ter uma boa saúde. Só isso. Nunca me convenci dessa relação do comer com o engodar. Essa tentativa de provar essa tese matematicamente, então… é um absurdo!
    É bem claro para mim que há dois fatores que influenciam o peso de um indivíduo. Um deles é a herança genética que (importante notar) define aspectos do corpo e da mente também. O outro fator é o uso que cada um faz do corpo. Dessa forma, fica simples definir uma estratégia para se emagrecer: 1) Coma de tudo um pouco, sem exageros. Seu corpo agradece e lhe deixa mais saudável, pois encontra os nutrientes que precisa e processa os alimentos com facilidade. 2) Condicione o seu corpo (e sua mente) a alguma atividade física que exija um corpo mais leve. Um corpo condicionado a correr maratonas, por exemplo, vai naturalmente se livrar dos excessos. Na prática, a herança genética impõe duríssimos limites quanto ao nível de condicionamento que cada um pode atingir. Mas ainda assim, condicionamento físico é uma ótima estratégia para se ajustar o corpo (e a mente) de um indivíduo.
    Fazer exercícios físicos não emagrece. Eu concordo com isso. Mas que tal “condicionar o corpo a um trabalho físico específico, que exija um corpo mais leve”? Sei que é simplista demais, mas eu convivo bem com essa forma de pensar. São simples mas fazem sentido para mim.

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  2. martinhovneto disse:

    Muito bom. Senti falta dos nutrucionistas rosnando aqui nos comentários!

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  3. Marcel Pracidelle disse:

    Cara, eu acredito de verdade na eficiência da redução de carboidratos para a perda de peso. Mas, como não consigo viver sem macarrão, pizza e pão, tenho que alcançar meu equilíbrio de outra maneira. Para mim o exercício ajuda, porque quando treino, controlo a alimentação para me ajudar nos meus objetivos e quando estou parado, acabo comendo mais e pior. Por enquanto tem dado certo e tenho me mantido magro. Mas estou sempre alerta.

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    • Danilo Balu disse:

      Mas vc não está “errado” (como se existisse um certo…)… ao treinarmos vc faz o corpo precisar de mais energia, e ainda entra o seu “extra”! Todo mundo em maior ou menor grau faz isso…

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  4. neirobson disse:

    Como é interessante o sentimento de quando a gente se identifica em um texto, não?
    A tese da compensação é perfeita no meu caso. Nos dias em que treino mais forte, eu passo mais tempo em repouso. Não me obrigo a treinar mais do que posso. Tento respeitar essa necessidade fisiológica. Quanto ao praticar exercícios físicos,realmente, não emagrecem. Vive isso. Enquanto, não mudei hábitos alimentares arraigados, não emagrecia, e cada vez mais me via obrigado a aumentar as minhas distâncias percorridas. Era um sofrimento. Quanto aos nutricionistas não saberem porque engordamos, será preciso uma revolução nas bases educacionais dessa profissão. Quanto aos educadores físicos idem para eles.

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  5. Excelente. Esses 3 posts estão sensacionais. O aspecto psicológico têm um peso importantíssimo, mas pode jogar a favor ou contra. Eu, por exemplo, tenho muitas contusões e acabo ficando ansioso de retornar logo aos treinos e descontando tudo na comida… o que me fez reduzir o peso desde que comecei a comer foi ter melhorado minha dieta, reduzindo carbo, principalmente nos refinados, e aumentando a quantidade de saladas nas refeições.

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  6. Gustavo Bianch disse:

    “os benefícios da atividade física bem feita são inumeráveis; eles apenas parecem não gerar perda de peso substancial diretamente se não vier junto de mudanças nos hábitos alimentares”.
    Balu, nenhum nutricionista por pior que seja afirmaria o contrário disso. Até mesmo um educador físico reconhece que sem uma alimentação adequada a atividade física não faz milagre.

    O que percebi que depois que comecei a correr sério, além de ter mudado minha alimentação, senti que posso comer mais que antes, pois meu metabolismo mudou completamente. Mas isso é minha experiencia, ou seja, não é ciência.

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    • Danilo Balu disse:

      Porque vc não viu qtos nutricionistas me escreveram “””explicando””” que atividade fisica é fundamental pra perder peso…

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      • Leidson disse:

        Atividade somado a nutrição é sim fundamental para a perda de peso.
        Além disso deve ser observado os hábitos dos pacientes, muitos deles ignoram tantas coisas que fica difícil de regrar. Apesar que a nutrição não tá aí pra impor nada a ninguém.

        Eu não entendo o que você tem tanto contra a Nutrição.
        Apesar de um texto tão tendencioso, você deixa passar muitos pontos positivos da nutrição.

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      • Danilo Balu disse:

        Oi Leidson! Estudo atrás de estudo mostra EXATAMENTE O OPOSTO, que atividade física NÃO é importante/eficiente na perda/controle de peso… falo disso na 2a.
        Tenho NADA contra a Nutrição. Não estudei à toa o curso…
        Até mais!

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      • Fernanda disse:

        Já perdi 20kg e ainda não corri 1km… Zero exercício! Queria fazer musculação pra definir o corpo, mas ODEIO!

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  7. […] Sobre nutrição e falácias – parte 3 […]

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  8. anaminarelli disse:

    Muito bom!!! Vamos aguardar o texto sobre a relação com a atividade física!!!!

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  9. matonho disse:

    Não tenho sobrepeso, mas pela conta do balanço calórico, considerando o nutricionista mais preciso que exista e utilize o cálculo, era para ser certo uma perda de peso nesse meu último mês. Facilmente devo ter um balanço negativo acumulado nos últimos 30 dias de 10 mil calorias. Estou no pico de volume. Não perdi nada. Tenho certeza que meu organismo se adaptou de alguma forma. Autopoiese. É a terceira vez que acontece isso comigo num ciclo para maratona. Acho que deve acontecer com um monte de gente. Quando chega no polimento perco um pouco.

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  10. Pri McJay disse:

    Oi Balu, parece que o nível dos comentários aqui e´melhor que aqueles do facebook, ein. Lá parece que o povo só sabe mostrar os dentes hehehe. Parabéns pleo texto elucidativo. Tô quase abandonando o meu curso pro commodities 😛

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  11. Ângelo Caexeta disse:

    Quando fazia meus treinos longos para a Maratona, minha mãe, do alto de sua sabedoria intuitiva dizia: “Eu que não quero fazer exercício. Correr pra ficar o dia todo prostrado no sofá? Deus me livre”.

    Não poderia imaginar que ela tinha razão!

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  12. Rafael Libanori disse:

    Parece que os (as) “doutores (as)” nutricionistas estão cada dia mais sumindo daqui, heim Balu? Parabéns por não deixar se intimidar por ameaças infundadas e continuar difundindo sua opinião. Existem deficiências no processo de aprendizagem do brasileiro que afetam o senso crítico da população de uma maneira geral. Por isso muitas pessoas reagem de maneira exagerada. Na verdade elas não tem muita culpa, pois não foram capazes de processar e discernir as informações de uma maneira correta e coerente.

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  13. Carla disse:

    Considerando que sua formação é outra, não sei o que te dá subsídios para afirmar que as faculdades de nutrição não ensinam as teorias expostas por você nesse texto.
    Sou nutricionista e mestre em nutrição humana e conheço TODAS as bases fisiológicas, metabólicas e bioquímicas da eficiência das dietas low carb. E sim, nesse ponto você tem razão, o que a maior parte dos estudos indicam é que elas são super eficientes.
    O que você não sabe (o que é bastante compreensível já que não é da área) é o quanto é difícil para os pacientes seguir tais dietas. Para o sucesso de qualquer dieta é necessário considerar os hábitos alimentares do paciente. E se a maior parte deles não consegue seguir uma dieta low carb, do que adianta elas serem prescritas?
    Comentários tão infelizes só poderiam surgir de uma pessoa 100% inexperiente na prática clínica da nutrição.
    Depois dá uma pesquisada sobre insuficiência renal e o consumo de proteínas antes de “prescrever” uma dieta low carb como a solução para o problema de todos os obesos, ok?

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    • Fabrizio disse:

      Não sou da área, mas fiz uma pesquisa no google sobre “insuficiência renal e o consumo de proteínas” e achei um artigo deveras interessante, assim como as fontes que embasam o mesmo.

      http://www.lowcarb-paleo.com.br/2012/05/dieta-e-perigosa-para-os-rins.html

      Gostaria que a mestre Carla fizesse o obséquio de ler o artigo e suas fontes e indicasse suas falhas…

      Abs

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      • Carla disse:

        Mas em momento algum em mencionei que dietas hipeproteicas induzem a insuficiência renal. Estou falando justamente dos pacientes que já possuem doença renal crônica e por esse motivo é necessária uma avaliação completa antes de prescrever qualquer tipo de dieta. E sim, sei que dietas low carb não são necessariamente hiperproteicas mas essas são mais palitáveis e consequentemente mais facilmente aderidas do que as normoproteicas e hiperlipidicas.

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      • Carla disse:

        *palatáveis

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    • Danilo F. disse:

      Carla, não tenho procuração pra defender o autor, mas até onde sei ele se informou sobre este tema sim. E creio que logo te responderá.

      Mas, também já li várias coisas sobre este tema. Veja o que você acha deste texto, que contrapõe o argumento de que dietas low carb com mais proteínas (não necessariamente precisam ter mais proteínas, by the way) causam danos aos rins.

      http://www.lowcarb-paleo.com.br/2012/05/dieta-e-perigosa-para-os-rins.html

      Acho seu ponto super válido! E o papel do(a) Nutri em tentar adequar a dieta aos hábitos das pessoas me parece super relevante. MAS, por outro lado, por experiência pessoal e leitura de blogs/artigos de Nutris em qualquer lugar que procure, o low carb é quase heresia, ainda mais se colocarmos o consumo de gordura natural, mesmo que saturada, na conta. Concorda?

      O pavor à gordura saturada, ao meu ver sem justificação científica (como a sequência de textos do Balu pretende mostrar), faz com que uma dieta low carb fique restrita e se recorra à mais proteínas (como a Dukan), principalmente “magras”. Ao meu ver, não precisa ser assim.

      Por último, o fato de o autor (ou eu mesmo (não sou da área)) não clinicar, não impede que seus questionamentos levantados sejam válidos, concorda? Se as profissões se fecharem em si mesmas, creio que não evoluem, pois opiniões de outsiders serão desconsideradas e temos a famosa “câmara de eco”.

      Você já leu Gary Taubes? O que acha? Pra mim ele tem pontos super válidos, mesmo nunca tendo atendido um único paciente pra falar de dieta…

      Acredito de verdade que opiniões fundamentadas de Nutris são MUITO bem vindas. E você foi uma das poucas que se propôs a escrever um comentário sem xingamentos (apesar de algumas ironias). Creio mesmo que se você se propuser a debater as ideias, já que conhece as bases teóricas que o autor cita, os leitores e público em geral só tem a ganhar.

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      • Carla disse:

        Como eu disse no comentário acima, não estava referindo que dietas hiperproteicas induzem a insuficiência renal e sim do cuidado que é necessário para não prescrever uma dieta dessas para pacientes renais crônicos. Sou a favor de dietas low carb para perde de peso pois suas vantagens metabólicas em relação a outros tipos de dieta são inegáveis. Porém, meu ponto é que não existe uma dieta “única” para todos os pacientes. E é aí que entra o nutricionista, profissional habilitado em avaliar e determinar qual dieta é mais adequada ao perfil e as necessidades de cada paciente.

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    • Estevao disse:

      Como uma mestre em Nutrição não entendeu que low carb é alta em gordura e apenas moderada em proteínas? Queria ver também apenas UM estudo que diga que excesso de proteínas(sei lá o que significa isso pois duvido que seja possível extrapolar mais que 2-3g/kg sem a saciedade impedir a continuidade de ingesta) leva a insuficiência renal indivíduos saudáveis. Quanto a aderência, é fantástica e os pacientes acham libertador, se livrar do vício e da compulsão por carbos.

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      • Carla disse:

        Querido, quem está equivocado é você. Uma dieta low carb é uma dieta com quantidade reduzidas de carboidrato. Se ela será hiperproteica ou hiperlipidica, isso dependerá da composição da mesma. O que eu afirmei é que pessoas que seguem dietas low carb geralmente acabam comendo dietas hiperproteicas por essas serem mais palatáveis que as hiperlipidicas. Ainda se você gastar 2 min do seu tempo para ler meus comentários acima, verá que em momento nenhum eu disse que esse tipo de dieta induz a insuficiência renal em indivíduos saudaveis e sim estava me referindo ao risco de dietas hiperproteicas para pacientes que já possuem doença renal crônica.

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      • Fernanda disse:

        Foi a “dieta” mais fácil de seguir que já fiz na vida!! Coloco dieta entre aspas, pois pra mim virou estilo de vida! E isso graças ao Balu que me apresentou Gary Taubes e o dr. Souto…

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    • rudregues disse:

      É Carla, maldita mídia que faz da alimentação lowfat tudo de bom. Imagens de uma linda moça sorridente mastigando civilizadamente uma pequena barra de cereal industrializada lowfat (ou zero fat) enquanto tem a imagem de um gordo doente comendo um pedaço de costela natural assado ao forno (lowcarb). E todos são ensinados a repudiar a gordura, então quando vem alguém bem informado convencê-lo de que a melhor forma para perder peso é pela low-carb essas duas ilustrações se tornam presentes e ela repudia com todas as forças essa dieta ‘alternativa’ ou ‘errada’.

      Mas isso está mudando aos poucos, cada vez mais gente tem ciência de que low-fat é quase sempre melhor.

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    • Danilo Balu disse:

      “O que você não sabe (o que é bastante compreensível já que não é da área) é o quanto é difícil para os pacientes seguir tais dietas.”

      1. Vc não sabe minha formação, mas isso pouco importa. Me apresente UM estudo relatando que low-fat é mas fácil que low-carb. Qdo vc afirma isso vc mostra qe não sabe do que fala porque estudo após estudo mostra e prova EXATAMENTE o conrário.

      “Depois dá uma pesquisada sobre insuficiência renal e o consumo de proteínas antes de “prescrever” uma dieta low carb como a solução para o problema de todos os obesos, ok?”

      2. Aponte UMA linha em que eu falo que insuficientes renais (ou pessoas com qq outro problema renal) devam ser low-car… UMA linha! Mas eu aposto TODO o meu dinheiro que vc acha que alto consumo proteico gera insuficiência renal ainda que estudos apontem que não… Sabe por que aposto? Porque está na cartilha de todo nutricionista que faz sem questionar.

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  14. nutricionista Antônio Júnior disse:

    Vem correr aqui na minha cidade!! espero que saiba correr muito bem!

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  15. Nutricionista disse:

    Post ridículo!!! Blog ridículo!!!!! não vejo a hora que o CRN e o CFN tomar suas providencias!!!!!!!!

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  16. […] Semana passada eu falei sobre um estudo de Timothy Church (University of Louisiana) com centenas de mulheres com sobrepeso que, ainda que tendo entrado em uma rotina de exercícios físicos por um período de 6 meses, não houve diferença de peso significativa entre os grupos que treinavam e o “sedentário”. Falei ainda de um estudo de 11 anos com 202 crianças que mostrou não haver diferença entre os pesos e composição corporal dessas crianças não importando se são mais ou então menos ativas fisicamente. […]

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  17. Isabela Garcia disse:

    Vai à merda! Vai estudar para falar algo que preste, mané!

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  18. paulo disse:

    ta quente o troço a e!!!! excelente post balu, parabens mesmo sempre ” doa a quem doer”

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  19. […] Além disso, um dos seus pilares (calorias) é falha no que diz respeito ao consumo, ao gasto, ao fator de compensação e ainda sobre o necessário para possibilitar a perda de peso. Por fim, uma das ferramentas mais acionadas para combater o sobrepeso, o exercício, é […]

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  20. Pedro Rodrigues disse:

    Balu, parabéns pela iniciativa de publicar textos fora da “zona de conforto” ou até mesmo fora da “sabedoria popular”. Outro dia desses estava lendo “Good calories Bad calories” e “Wheat Belly” e depois de assistir no Corrida no Ar a polêmica gerada pelos seus textos e ler seu Blog vejo o grande problema dos seus textos está em quem os lê, pois até o momento não vi críticas fundamentadas aos seus argumentos, mas tão somente agressões desprovidas de qualquer conteúdo – científico ou não – em sentido diverso. Interessante como esses “sábios” atuais desconhecem que o conhecimento científico como um todo é derivado desse processo de argumento x contra-argumento. Uma pena que algumas pessoas não têm o menor senso crítico e – como verdadeiros espantalhos – simplesmente adotam tudo o que ouvem ou lêem como verdade absoluta, ainda mais num campo tão nebuloso como é a Nutrição. Parabéns mesmo mano.

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