Leituras de 4a Feira

Os anos 70 viram um boom das Maratonas impulsionado pelos EUA. Hoje, cerca de 1 milhão de pessoas correm 42km anualmente pelo planeta. Em um mundo onde todos querem ser diferentes e especiais, uma maratona passa então a ser pouco. Ser ultra também não é já tão especial. A alta taxa de conclusão da Comrades, a mais famosa delas, nos atesta que se trata muito mais de teimosia do que dedicação. Só não fale nunca isso pra quem correu. Então partimos para a maldição das sequências de provas em dias seguidos fomentadas pelo livro (ruim) de Dean Karnazes. O Desafio do Dunga e do Pateta são os mais famosos aqui no Brasil. Talento? Coisa de outro mundo? Duvido. Basta ser teimoso. O que também tem seu mérito! Rolou semana passada um desafio de 7 maratonas em 7 dias. 10 correram e 10 terminaram. Como podemos ver, o maior obstáculo era definitivamente a inscrição (U$36.000), não a excelência atlética. Ninguém precisa ficar bravo comigo por achar isso. Eu só me pergunto onde isso vai parar… essa mania de querer ser especial e diferente não vê limites…

Ainda em sobre “não gostar de mim”, tenho enorme asco de ser chamado de polêmico. Isso porque alguns dos mais idiotas que conheço, se orgulham. Eu não. Ontem falei que quem para um treino e fica saltitando parado no semáforo, vai perdendo a dignidade e o meu respeito. Teve quem se magoou ou se ofendeu, sei lá! Eu tenho o “sério problema” de chamar as coisas pelo nome e tratar vocês como adultos responsáveis. A quem se ofendeu, desculpe, não era a intenção. Quando eu quero ofender, sou direto. Faço isso porque gosto de ser honesto com vocês. Quem não gostou, saiba, falo sério quando não tenho respeito por essas pessoas. Eu corro de bermuda de basquete (9”), mas não respeito quem passou dos 40 e usa shortinhos cavado (5”) com regata (só pode um OU outro!). Eu uso fonte mead bold no meu celular, mas não respeito quem usa pochete ou macacão jeans. Eu sou assim. Tenho todos os meus preconceitos e me orgulho de tê-los. Eles de certa forma nos ajudaram a chegar até aqui, Queria ter menos, mas eu fujo na mesma hora de quem me fala que não os tem. Você pode achar bonito gostar do feio, e eu acho bonito ter direito de achar algo feio, só isso. Não se levem tão a sério, afinal, corredor é uma raça muito careta que se acha especial.

Para quem gosta de atletismo, matéria ótima na Spikes recontando onde e quando criaram o atletismo indoor (em pista coberta). Lembrando que começo de ano os atletas no hemisfério norte se concentram nesse tipo de pista.

Um aplicativo bem interessante foi lançado aos maratonistas. O Motigo permite você receber mensagens personalizadas de incentivo durante uma prova. Seus conhecidos gravam uma mensagem que você receberá e, o mais interessante, sem ainda saber quem é! Em formato de surpresa! O RaceJoy faz algo parecido. Aqui mais informações! *por enquanto só para iPhones.

O comercial da Toyota abaixo é estrelado pela paratleta Amy Purdy. Nem é tão legal, mas se repararem, o som dele é o incrível discurso “How Great I Am” de Muhammad Ali antes de sua histórica luta contra George Foreman em 1974.

“Imma show you, how great I am. Last night, I cut the light off in my bedroom and was in bed before the room was dark.

Imma show you, how great I am. Only last week, I murdered a rock, injured a stone, hospitalized a brick.

I’m so mean, I make medicine sick. Imma show you, how great I am. 

This kid’s gonna be the best kid in the world. This kid’s gonna be somebody better than anybody I ever knew. 

Imma show you, how great I am. I have wrestled with an alligator, I done tussled with a whale, I done handcuffed lightnin’, thrown thunder in jail. 

Imma show you, how great I am. All you chumps are gonna bow when I whoop him, all of you. 

I know you got him, I know you’ve got him picked, but the man’s in trouble. Imma show you how great I am.”

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21 pensamentos sobre “Leituras de 4a Feira

  1. Luis Oliveira @slowatfifty disse:

    Te falei no Twitter, parar ou não é a maior, senão a única, questão filosófica relevante pra quem corre. Não espanta a reação.

    Em tempo, eu paro e faço cara de puto. E corro de shorts cavado. Não gostou, cai ai, véi.

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  2. Pinguim disse:

    Correr de camisa regata, não é mais saudável? não é o modelo perfeito para o verão?

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    • Danilo Balu disse:

      Sempre que eu vejo alguém com mais de 40 com shorts cavado E regata eu lembro do Nelson dando uma surra no Bart Simpson (com os 3 capangas dele o segurando pelo braço) falando: e isso é pelo seu pai correr com shorts e regata.

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      • Pinguim disse:

        Retirei do seu blog

        “Em vez de ficar insistindo para que o aluno beba água, um mecanismo bem autocontrolado pela sede, talvez alguns treinadores devessem investir mais tempo explicando aos alunos que os melhores corredores correm de regata e shorts porque facilita a perda de calor produzido no exercício.”

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  3. phrayres disse:

    Já diria o outro, os brasileiros tem sérias dificuldades de lidar com opiniões. Muito melindrados. O sujeito poderia processar a informação de forma simples: “Balu acha indigno saltitar no semáforo, eu saltito no semáforo, Faz diferença o que o Balu acha de mim?”. Mas não, fica cheio de melindres, defendendo o seu ponto. Quando o ponto principal era que fisiologicamente saltitar não melhora o treino.

    Nós, leitores, poderíamos publicar aqui nossos preconceitos! Eu acho meia de compressão esquisita pra cacete! E corredor com gopro e pau de selfie durante a corrida! Eu só levo a chave por pura necessidade, senão nem isso levava.

    Balu, já pensou o estilo provocativo do Ali nos dias de hoje? Iriam cassar a licença de lutar dele por “ofender” os adversários e o espírito esportivo! Se me permite a indicação, caso já não conheça, procure o documentário “Facing Ali”, depoimentos dos principais adversários, a velha guarda, alguns já se foram após esse documentário: Joe Frazier, Henry Cooper.

    Abraços!

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    • Danilo Balu disse:

      Já vi acho que 3 fimes dele (Qdo Éramos Reis, Ali e um documentário). Esse eu não conheço. Tenho enorme apreço por atleta que é mto bom (tipo ele), sabe que é bom e não se esconde por trás de falsa modéstia. Qdo falam que o Cristiano Ronaldo é mascarado eu falo que vc não faz ideia de como eu ia ser MTO mais mascarado que ele se jogasse o que ele joga….

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  4. Um blogger disse:

    Quando eu fico saltitando no sinal com meu tênis para pisa pronada e kinesio tape, fico lendo minhas planilhas com TODAS as informações do meu treino, todas coletadas pelo incrível sinal super preciso do GPS do meu relógio (que eu uso pra ir às festas, claro), assim não “perco” tempo. By the way, eu corro de sunga.

    Aproveitando, se aproveitássemos pra saltitar no sinal com o intuito de melhorar a biomecânica de corrida – afinal, o ‘hopserlauf’ é um educativo muito utilizado – não estaríamos transformando essa suposta falta de dignidade em ideia “je-ni-al”?

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  5. Sim, quando eu corri a Supermaratona do Rio Grande 50 km no ano de 2004 quase ninguém falava de ultra. Éramos sei lá uns 200 gatos pingados cascudos correndo 50 km perto dos 5´00″ min/km num calor de 35 graus. Aliás a Super do Rio Grande agora é o patinho feio das ultras no Brasil.

    Agora inventaram todo tipo de “desafio”, “superação”, as provas e ultramaratonas de montanha, às quais eu chamo de passeio no mato.

    Tirando um ou outro que é atleta e encara como esporte a maioria vai mesmo pra caminhar no mato pra depois se vangloriar na internet.

    E nem vou comentar dos desafios do pateta, dunga, vovó mafalda, onde nêgo trota a 7 min km e volta pro Brasil como herói.

    Até por essas e outras que voltei pra curtas distâncias e agora só corro prova de 5 km ou 5.000 na pista.

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  6. Estevam disse:

    Quando essa loucura de ser diferente chega nas revistas “científicas” é porque a coisa está feia!
    Vejam este link:http://www.springerplus.com/content/3/1/269

    33 Ironman triathlons in 33 days–a case study

    Beat Knechtle12*, Christoph Alexander Rüst2, Thomas Rosemann2 and Normand Martin3

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  7. Gustavo Bianch disse:

    Quando você falou que o sujeito que para no sinal e começa a saltitar “perde a dignidade”, pensei que fosse uma brincadeira sua. Todas essas bizarrices eu encaro com bom humor.

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  8. Domingo estava caminhando na Av. Paulista e lembrei do Balu. O sinal fechou e um cara ficou saltitando na calçada, como o sinal é demorado ele dava umas voltinhas e voltava pro lugar inicial e dava mais uns pulinhos..

    Aliás, parabenizo o corredor que escolhe a Paulista pra treinar num domingo à tarde. Conseguiu escolher o pior lugar pra fazer um treino.

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  9. Marcelo Hideki disse:

    O Balu não gosta de ver corredores saltitando em semáforo fechado,já eu não gosto de ver a palavra “PACE” em textos em português falando sobre corrida.

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  10. Alexandre Andrian disse:

    Os dos saltinhos no semáforo tmb perdem meu respeito.. isso (ao meu ver), nada mais, que um alivio e descansos “obrigatórios” a esses corredores.
    Quanto a ser diferenciado entre esses 1 Mi de corredores.. acho que a VELOCIDADE é um bom indicador. Para ser rápido, não tem teimosia que resolva. Além disso, separa os “saltadores-de-semáforos-tiradores-de-selfie” dos corredores de vdd.
    Abçççççç!!

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  11. martinhovneto disse:

    Nossa, fazia tempo que não andava por aqui. Eu acho que o ser humano tem sempre aquela vontade de ser especial. Aí o que muda, na minha opinião, é: Tenho que ser especial para a plateia ou para mim? Acho que isso que diferencia certas atitudes.
    Com relação aos pulinhos no sinal. Eu gosto de azul, de sorvete de limão e acho historicismo e psicanálise uma ofensa a minha intelectualidade. E quando eu escrever meu BLOG vou dizer isso. porque meu BLOG é minha opinião pessoal.
    Forte abraço a todos.

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  12. wpfigueiredo disse:

    “Se eu quero e você quer
    Tomar banho de chapéu …”
    Vai e faz o que queres!
    #TocaRaul

    Eu não me melindro, mesmo porque leio seu blog pelos conteúdos que posta (sempre ótimos) e não por suas opiniões (que acho irrelevantes, com todo respeito). Abs

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  13. […] Ontem eu falava da mania do aumento das distâncias em busca de diferenciação e o leitor Estevam enviou o que acontece no triatlo quando alguém busca algo do gênero: um cara resolveu fazer 33 Ironman em 33 dias seguidos. Já o Pedro Ayres, que pedala faz tempo, me trouxe o exemplo de um cara que se não ganha na prova que existe, cria uma competição só dele, daí não tem como perder, né? Este caso é o de um ciclista bem amador que quer bater o recorde de quilômetros pedalados em um ano. Sei lá… sou meio old school mesmo… não consigo entender 100% essa necessidade de se diferenciar a qualquer custo… nem eu que sou inseguro demais preciso disso… Não sei se vocês checaram 2 dados que me espantam e coloquei aqui: primeiro é o (baixo) ritmo de quem ganhou as maratonas no desafio 7 em 7 dias. A outra é o ritmo (pace não!!!) de quem correu o Desafio do Dunga. 8´00”/km de média! Ou seja… tinha gente bem mais lento! Se você corre rápido, ok! É que sempre achei muito mais saudável ganhar velocidade em provas menores a expor o corpo tanto tempo a um esforço tão repetitivo como fazem os mais lentos (justamente geralmente os mais pesados!). E isso me fez lembrar do K21 na Serra do Japi que fui acompanhar em dezembro. Havia muita gente fazendo os 10km em trilha acima de 2h00. Pergunta: pra quê?!? […]

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