Um pouco mais sobre o quanto custa uma corrida…

Óbvio que quando escrevi aqui dias atrás sobre os custos e possíveis lucros de se fazer uma corrida, não queria com 3.000 toques encerrar uma discussão e um assunto que é complexo. Existem casos e casos. Existem provas grandes e provas com 40 pessoas. Existem empresas que só fazem isso e outras que estão fazendo um extra. Há quem ganhe muito dinheiro e há quem pague para trabalhar na esperança do negócio decolar um dia.

O que mais ouvi foi o de não haver empresário que queira trabalhar perdendo dinheiro. Até eu que sou mais bobo não gosto de perder dinheiro. Um empreendimento estar operando não significa que ele necessariamente dê lucro. Ele pode existir na esperança de gerar muito lucro. Existem montadoras de automóveis e empresas aéreas que dão enormes prejuízos. Por que uma pequena agência de eventos não pode operar com baixo ou nenhum lucro? Em que mundo vive quem ignora essa possibilidade?

Apressaram-se apontando algumas ONGs, como CORPORE, por exemplo e as provas incentivadas. Essas funcionam de modo diferente, não precisam ou nem podem gerar lucros, mas pagam os fornecedores escolhidos. Já as organizadoras privadas grandes podem ter eventos que dão muito lucro e outros que operam no vermelho na tentativa de viabilizá-los como produtos rentáveis algum dia. Os que geram receita pagam os deficitários. Esses se não operam no azul, desaparecem. É só você parar e se lembrar, pois exemplos de provas que acabaram sem substitutos não faltam!

quanto-custa-trabalho-

Não podemos confundir também eventos públicos (de pequenas prefeituras) e os proprietários. Não adianta você vir e falar de uma prova que cobra R$15 de inscrição e dá camiseta e ainda prêmios em dinheiro. Esse tipo de prova tem quem financie, quem banque. E como ninguém trabalha de graça, o patrocinador (ou uma prefeitura) banca alguém para “montar a festa”. Esse tipo de evento tem um dono (patrocinador) que coloca muito dinheiro pro evento existir. E ninguém – eu disse ninguém – ali trabalha de graça, inclusive a empresa que “toca” a corrida.

É difícil explicar brevemente, mas uma corrida proprietária assim é diferente de uma corrida organizada pela agência que tentará vender pelo maior preço o seu produto. É como se uma fosse feito por encomenda e a outra fosse criada. Quando a corrida não é da agência organizadora, ele não toma nunca prejuízo, afinal, ninguém trabalha de graça! Se é de uma empresa/prefeitura, essa organizadora vai lá e “apenas” executa, geralmente com lucros bem menores.

O que eu tentei explicar no meu texto é que os lucros são bem menores do que pensam muitos, que há um custo enorme de se desenvolver/inventar uma corrida e que há sim chance grande de dar bastante prejuízo. Não confunda jamais estampa em camiseta com rentabilidade. Quanto mais nomes presentes, menos se paga e se arrecada.

Resumindo: prova exige um investimento enorme e de risco, as provas proprietárias das marcas esportivas dão ZERO lucro, as pequenas organizadoras vivem de alto volume e baixo lucro, as agências grandes têm provas que dão muito e outras que dão prejuízo. Era isso! Se você quiser ficar rico com corrida hoje, já tem que ser rico antes e investir muito dinheiro. Simples assim.

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22 pensamentos sobre “Um pouco mais sobre o quanto custa uma corrida…

  1. Hélio Shiino disse:

    Meio Off-topic ou totalmente Off-topic??? (risos)

    No meio de tanta mesmice mas de que em toda forma sempre há público para todas estas provas, nos últimos 2 a 3 anos, o que de inovador você encontrou do Iapoque ao Chuí???

    A minha opinião é:
    Percebo que provas com preço baixo já não tem como ser parâmetro de que haverá mais público do que provas com preço alto. Já vimos que, se bem divulgado e tiver uma estratégia de marketing agressiva, terá público.
    O que eu diria preço baixo??? No máximo R$40. Esse patamar vai de pessoa para pessoa.
    Então a inovação, que eu me referi aí em cima, é a respeito do formato da prova.
    Mais uma vez. Essas inovações não necessariamente podem provocar um aumento de público.

    Do meu raio e campo de visão limitados, as grandes sacadas que eu gostei nos últimos 2 a 3 anos foram:
    Wings for Life World Run
    Adidas Boost Endless Run

    Claro que não é todo dia que se inventam o fogo ou a roda mas penso eu que o brasileiro tem criatividade suficiente para novidades e entretenimentos que não precisem descambar para corrida com tintas coloridas sobre os corredores, corredores se jogando na lama etc.

    Alguém poderá até falar da Mizuno Up Hill. Para mim, particularmente, não me chamou tanta atenção assim. Não que eu tenha achado ruim. Só que ela não entraria para os finalistas de Provas Inovadoras. Apenas adotaram um prova que exige um esforço maior dentro de um cenário único…

    Sabe aquele cara que é responsável por “quebrar a cabeça” e desenhar o traçado dos circuitos de automobilismo da categoria de Fórmula 1??? Dentro de cada uma das organizadoras de provas também deveria ter uma equipe que pensasse em criar novos formatos de provas. Precisa de investimento??? Sim. Mas é que eu acabo observando um calendário de provas cujos formatos são “produzidos” em série para corredores-zumbis. E estes próprios corredores assinando o atestado de Zumbi.

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    • Sim, a New Balance acabou de lançar um evento onde tem 12 horas de corrida em esteira em revezamento, começa seis da tarde do sábado e termina seis da manhã do domingo.

      Tem Música do DJ Haute, Powerade, Coca-Cola, Burn, Heineken. E buffet da Forneria SP nas 12 horas.

      Os preços começam com R$ 200,00 e vão até R$ 440,00.

      Isso sim é criatividade.

      Se tivesse engolidor de fogo e mulher barbada eu me inscreveria.

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    • Hélio Shiino disse:

      – No meio de tanta mesmice mas de que em toda forma sempre há público para todas estas provas, nos últimos 2 a 3 anos, o que de inovador você encontrou do Iapoque ao Chuí??? –

      Iapoque não né burro (risos)
      Oiapoque (risos)

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    • Nishi disse:

      Não sou muito Aldo Rebelo em relação a isso, mas gostaria que as corridas inovadoras inovassem também em ser menos anglófonas… Wings for life world Run, Endless Boost, Uphill Marathon…

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      • Hélio Shiino disse:

        Garanto que lá dentro tem psicólogos. Os caras sabem que se colocarem na balança uma corrida chamada “Impulso Infinito” e outra chamada “Endless Boost”, a segunda dará de 10 X 0 na primeira mesmo que elas sejam idênticas em tudo. Medalhas, bonés, camisetas etc. com a inscrição “Endless Boost”

        Tal qual o brasileiro compra Marca e não o Produto, o brasileiro estufa o peito quando diz ter ido a um evento com um nome de origem estrangeira. Enche a boca e estufa o peito e solta: “- Eu participei da prova “Endless Boost”.
        De um lado gostam desse detalhe, do outro, sabem o que estes clientes desejam.
        Pronto, divisão exata com quociente zero!

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      • Danilo Balu disse:

        Isso me incomoda bastante tb…

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  2. Hélio Shiino disse:

    – No meio de tanta mesmice mas de que em toda forma sempre há público para todas estas provas, nos últimos 2 a 3 anos, o que de inovador você encontrou do Iapoque ao Chuí??? –

    Iapoque não né burro (risos)
    Oiapoque (risos)

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  3. Enio Augusto disse:

    E essas de prefeitura, a gente paga indiretamente, por meio dos impostos. Estamos sempre pagando.
    Antigamente, achava um absurdo o preço e pensava que “esse pessoal que faz corrida quer ganhar dinheiro em cima de nós com essa inscrição tão cara”. Até quer, mas ganha, quando ganha, muito menos do que se imaginava. Mas é tão difícil explicar para quem já tem essa ideia formada de que “inscrição cara = organizadora cobrando mais do que deveria para lucrar muito”.

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  4. Gustavo Bianch disse:

    Corrida de prefeitura é bom demais. São poucos corredores e geralmente se corre entre os carros, o que rende uma adrenalina danada. Tem inscrição de “graça”, camiseta “gratuita” e água “0800”. Na minha cidade tem duas por ano: uma no aniversario do município e outra pra padroeira! hehehe

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    • Julio Cesar disse:

      Ora, é dever do constitucional do Estado promover o lazer para os cidadãos. E a corrida de rua não deixa de ser um lazer, além de estimular a prática de atividade física, que em última análise faz bem pra saúde e diminui os gastos públicos.

      Corro provas de prefeituras e geralmente são bem organizadas. A maioria contrata empresas para os diversos serviços, como cronometragem, tendas, etc. Algumas (poucas) encaram tudo sozinho colocando os servidores públicos pra realizar o evento.

      E por trás de uma corrida, digamos, pública, sempre tem um ou alguns servidores abnegados que trabalham bastante pra que essa prova seja realizada.

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      • Danilo Balu disse:

        Julio, aqui em SP temos um circuito de corridas de rua gratuito. Não vejo mal ALGUM. Qdo vc tem uma corrida com premiação e mto investimento, vc sai do lazer porque Promoção de Saúde não se faz pagando salário de atleta profissional. Tem provas e provas…

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  5. martinhovneto disse:

    Sobre as provas organizadas pelo Poder Público, acredito difícil existir uma que seja financiada com recursos do tesouro Municipal, Existem recursos de vários Ministérios em programações anuais para atender essa demanda. Fora as Emendas Parlamentares que podem ser destinadas para esse fim. Acreditem, é possível fazer evento com recursos do Ministério do Turismo de forma bastante ordinária. Na verdade o valor mínimo de uma Emenda Parlamentar (nível federal) hoje em dia é de 250 mil. Ou seja, já se sai com um caixa positivo significativo, alem de todo o corpo de servidores para auxiliar o evento e ainda tem a facilidade de mobilizar equipe de trânsito e etc. Então se a prova for Municipal, por favor, exija muito.

    Continuo achando que organizar corrida é risco alto para lucro baixo. Não me atrai a não ser que eu consiga um contrato fixo com um número fixo de provas, com orçamentos fechados, e com minha remuneração não vinculada ao resultado. Ou seja, um sonho kkkkk

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  6. […] Maratona de SP foi a única prova com mais de 3.000 concluintes que ficou de fora (51ª). Ou seja, voltamos àquele debate, se você quer ficar rico fazendo provas, saiba que fora do eixo Rio-SP, há apenas 2 provas que não têm TV ou não sejam revezamentos! E […]

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  7. […] falei sobre isso aqui no Recorrido (e depois aqui também): é fácil reclamar de preços de provas sem saber a base de seu cálculo. Um texto esclarecedor […]

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