Com ou sem Treinador? E por que não?

Eu sou do clube que diz que se alguém não entendeu direito uma ideia exposta, é por pura falha de comunicação de quem escreveu, não de quem leu. Dias atrás em um post não me fiz claro deixando alguns achando que eu ache que para um corredor o Treinador é dispensável ou uma perda de tempo. Muito longe disso! O Treinador, serei direto, está apenas longe de ser fundamental. A prática da corrida apenas não é complexa o suficiente para torná-lo indispensável, o que também é muito diferente de torná-lo inútil.

Mario Mello, amigo e grande treinador, comentou dizendo que um treinador não pode ser considerado irrelevante justamente porque é muito solicitado por amadores em busca de informação. Eu não poderia concordar mais! Não ser essencial é diferente de ser inútil, desnecessário ou irrelevante. Dias depois do meu texto um corredor iniciante veio perguntar sobre com quem e onde ele deveria se informar para correr 21km. Eu fui direto: procure um Treinador ou Assessoria.

299318_10151245324766430_65801154_nPara quem começa a correr, ela é uma atividade que, apesar de ser um gesto esportivo muito básico, é cheia de mistérios e nuances em suas variáveis intensidade, ritmo e volume. Ou a pessoa senta e sai estudando ou busca uma fonte. E quem melhor do que um profissional especializado?

Vocês sabem o que penso do corporativismo na área da Saúde. Acho que sua sanha por reserva de mercado mais atrapalha do que ajuda. Sempre. Exames Médicos obrigatórios, conselhos regionais, “””especialistas”””… ter um mercado regulamentado parece sadio, ter ele fechado é pilantragem. Apesar da minha formação, não sei sequer onde ficam o CREF ou o CRN, conselhos de Educação Física e o de Nutrição. Nunca escondi isso apesar de ainda ser remunerado para treinar 3 pessoas justamente porque adoraria comprar a briga judicial se algum pelego vier me notificar.

Sempre que alguém, no caso um Treinador ou sua associação, levanta a bandeira pregando que são indispensáveis (e sabemos bem que não são) ou que uma Lei deva exigir que seja, esse profissional se imagina e se coloca num altar como se fosse super competente e inteligente como um Pep Guardiola descartando a ENORME possibilidade de que ele é no máximo um Felipe Scolari, ou seja, ultrapassado, desatualizado, arcaico, prepotente, mas um bom motivador.

Se você está começando agora na corrida, procure um Treinador/Assessoria! De verdade! Ele vai te proteger de MUITA barbeiragem! Se você já não se acha iniciante nem precisa de alguém te incentivando, vá por mim, há também um mundo com a possibilidade de treinar sozinho e completamente por conta. Não é nem melhor nem nada pior. É diferente. É isso o que eu quero e sempre quis dizer.

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22 pensamentos sobre “Com ou sem Treinador? E por que não?

  1. Hélio Shiino disse:

    – Se você já não se acha iniciante nem precisa de alguém te incentivando, vá por mim, há também um mundo com a possibilidade de treinar sozinho e completamente por conta. –

    E é no “tomar das rédeas” que você, realmente, será testado no quesito Disciplina, dia após dia, para a vida toda.

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    • Tadeu Góes disse:

      Concordo.

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    • Hélio Shiino disse:

      A respeito da “Motivação que uma Assessoria Esportiva/um Treinador imprime” que muitas pessoas se agarram.

      O atleta amador consciente, seja com, seja sem Assessoria Esportiva/Treinador, manterá o mesmo ritmo adequado porque conseguiu absorver a importância da atividade física no seu hábito de vida.

      Praticar a corrida quando se está matriculado em uma Assessoria/um Treinador e mergulhar no submundo do sedentarismo a partir do momento que, por n razões, deixar a Assessoria/Treinador, é porque aquilo era tão somente pouco ou nada importante como forma de atividade física.

      Para o camarada, ou a atividade física é importante ou não é. Não há meio termo. Se é, terá a mesma motivação com Assessoria/Treinador ou sem ela.

      O disciplinado não escolhe situações, simplesmente busca soluções seja qual for a situação.

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  2. Julio Cesar Kujavski disse:

    Devo dizer que não sou totalmente contra um trabalhador/corredor ter treinador. De fato o desempenho e motivação aumentam quando temos treinador. O que acontece em geral, e falo por experiência própria, é a cobrança exagerada por parte do atleta amador e do treinador. Ambos inspiram-se em treinos de atletas profissionais e o trabalhador-atleta quer que o seu treinador passe treinos iguais aos do Marilson, e o treinador sente-se empolgado com a empolgação do aluno e acaba passando mesmo treinos com a metodologia utilizada por atletas profisssionais.

    Isso não pode dar certo. Vai acabar em desmotivação, contusão e outras coisas desagradáveis. Pode até funcionar durante um tempo, mas não muito longo.

    O trabalhador-atleta tem que ter consciência de que ele é isso: Uma pessoa que trabalha em outra área e tem a corrida como hobby. Não tem como tentar ficar imitando treino de atleta profissional.

    Acho que o treinador de atleta amador tem que ter em primeiro lugar o discernimento disso e deixar bem claro para o aluno: Você não é atleta profissional e não vamos tentar imitar treinos de atletas profissionais.

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  3. Acredito nisso também. Um treinador para iniciantes é bem útil. Até os que parecem saber menos já vão ajudar o iniciante a não passar dos limites. Depois de um tempo a gente vê que não precisa tanto assim de treinador e vai seguindo sozinho. Fiz isso.

    A parte da disciplina é a mais trabalhada, já que não tenho mais planilhas me cobrando e nem a própria mensalidade de quase 100 reais. Isso meio que me disciplinava quase por obrigação.

    Conheço pessoas, porém, que precisam de um treinador, de uma planilha, de alguém dizendo o que fazer, senão ficam perdidas e não tem motivação para correr. Sou dos que perceberam que “há também um mundo com a possibilidade de treinar sozinho e completamente por conta”.

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  4. Nelton Araujo disse:

    Tirando o lance do Pep, assino embaixo. E vou mais: assessorias, em geral, trabalham com receitas de bolo tanto quanto as planilhas de revista. Vão jurar até a morte que não, mas o Pipo Carun já explanou muito bem: três planilhas, um pro avançado, um pro intermediário, outro pro pangaré ou iniciante. O que muda da planilha de revista é que te mimam: dão alongamento, colocam em convívio social, te entopem de gatorade. No máximo trabalham com motivação, e mesmo assim, o contato é baixíssimo. Imagina: vc tendo 60 alunos pra treinar, como saber o treino de cada um, como ver o feedback dele? Vc bate o olho e pum: joga a receita da semana, quinzena ou mês seguinte. Análise psicológica, motivacional, ver se o aluno está em overtrainning ou não se adaptando a metodologia aplicada, refazer treinos durante a semana, é pra poucos. E cobram caro por esse treinamento genérico. MUITO CARO.

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  5. Luis Oliveira disse:

    Todo mundo falando em motivação, mas o termo correto seria “accountability” (desculpa, desconheço palavra similar em português). Quanto o seu compromisso com a corrida e com o seu desempenho é pra vales, incluindo aqueles dias de chuva, aqueles dias em que tu foi dormir tarde, aqueles dias em que tem tanta coisa mais interessante pra fazer do que correr. Tanto um treinador (mesmo no esquema Felipão) quanto um GPS (olha o Balu ficando bravo) podem desempenhar esta função.

    De resto, eu proponho um teste simples pra identificar treinador sério. Faça uma pergunta tecnica, qualquer uma (tenis certo para a sua pisada, importancia do alongamento, etc). Qualquer resposta que não começe com “depende” elimina o bugre.

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  6. Motivação é algo subjetivo. Para algumas pessoas ter um treinador e um punhado de colegas esperando na tenda da equipe pode ser a diferença entre treinar ou ficar no sofá. Se o cara se enquadra nesse perfil contrate uma assessoria e bola pra frente.

    No mais minha posição é igual a do Balu. Treinador é bom mas não essencial. Mesmo o iniciante não precisa mas aí tem que correr atrás e se informar. Se simplesmente for numa loja comprar o tênis que o vendedor indicar e sair correndo tem grandes chances de se estrepar de algum jeito.

    No mais eu gosto da corrida como um esporte simples: nada de treinador, GPS, suplementos complicados e sei lá mais o que. Tênis leves e simples, relógio digital comum, treinamento simplificado, no estilo “long slow distance”.. E só. Talvez fizesse um tempo melhor se tivesse treinador, fizesse musculação e usasse as mais avançadas técnicas de treino. Mas com certeza não me divertiria tanto… Mas isso é opção de cada um;

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  7. Jefferson Lino Thosi disse:

    Parabéns ao texto descrito Balu, foi muito direto e objetivo, sem priorizar nenhum dos lados da historia. Simplesmente colocou uma opinião que sempre valeu antes do surgimento das assessorias, mas faço uso de suas palavras que uma assessoria é legal, mas não indispensável. Depende de cada corredor e o quanto está disposto a treinar isolado ou em grupo.

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  8. Adriana Piza disse:

    Penso que hoje em dia a procura por uma assessoria por um iniciante seria por um desses 3 motivos:
    -busca de informação, para aquele que realmente fica perdido, não sabe por onde começar…
    – busca pela parte social de fazer parte de um grupo com encontros, tenda etc…
    -busca de alguém que estimule, incentive e cobre, que sem isso acabaria se desanimando e abandonando a atividade.

    Mas diria que hoje existe ainda mais um a razão (errada) para se procurar uma assessoria, que é aquela que você faz sem saber muito porque, talvez porque todo mundo diz que tem que ser assim, ou quando você diz que corre acaba sempre ouvindo a pergunta “Qual sua assessoria?” como se fosse obrigatório ter uma! Você acaba sem pensar achando que se não tem uma…você está errado, é melhor ter!! Isto é, cada vez menos somos estimulados a fazer qualquer coisa por nós mesmos! O que quero dizer é, tem muita coisa que é possível fazer sem orientação super especializada, e quem quer fazer sozinho, deve fazer. O que está errado é achar que se existe o profissional, quem corre tem obrigação de procurar um (e muitas vezes é o próprio profissional que acha isso). É como achar que para cortar a grama do jardim de casa é obrigatório procurar um jardineiro. Você pode ter mil razões para ter que ou querer procurar um, mas dependendo dos seus objetivos e como quer atingi-los, pode seguir sozinho. Você escolhe, e estará certo das 2 maneiras.

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  9. Danilo, não sei se os acho TÃOOOO imprescindíveis… Minha experiencia pessoal: Nunca tive um treinador, admito que as vezes sinto falta principalmente do ponto de vista de motivação.. mas ao mesmo tempo, sinto que já consegui ir tão longe e fazer tantas coisas sem eles, sem apoio, “””sem instrução””” (algumas dessas coisas eu me orgulho muito, como um sub 3h nos 42km de SP, um 1:22 em meia maratona.. etc..). Isso tudo, sempre da minha maneira, (porém, estudando muito, admito). Fico me perguntando se eles realmente vão me ajudar, ou talvez me atrapalhar.

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  10. Mario Mello disse:

    Boa tarde Balu

    Concordo plenamente que o treinador é apenas uma escolha. Existem atletas profissionais no Tenis, na corrida e em outros esportes que não possuem treinador ou técnico, alguns até já tiveram, ficaram sem eles e a vida seguiu, alguns com sucessos outros nem tanto! Foi apenas uma opção!
    Acredito fielmente que existem corredores felizes de ambos os lados, com treinadores e sem treinadores. Afinal ter opções é ótimo! Acredito que existam corredores que correm melhor com um treinador e outros que até corram pior mesmo com um treinador acompanhando, como vimos em diversos relatos em seu blog e o inverso também, conheço muita gente que corre muito bem sem auxilio de técnicos e outros que correm muito mal e poderiam melhorar com orientação especializada, mas nem sempre querem esta situação.
    Eu também posso afirmar que todo mes faço as planilhas de meus alunos individualizadas, faço de 50 a 60 programas um a um, pensando no aluno que estou treinando. Dá muito trabalho, mas é assim que faço. Os treinadores de minha equipe cuidam dos demais atletas. Se um aluno treina em minha assessoria no ibirapuera e quem cuida do treino lá é o Professor Laércio por exemplo, este treinador é quem cuida do programa deste aluno. Por isso, vejo que nem sempre o que as pessoas pensam de como funciona determinada assessoria pode ser generalizado! Com isso, não quero dizer que muitos não o façam, nem sei quantos fazem planilhas por niveis, mas com certeza muitos fazem. Mas o fato é que pelo menos eu, não faço! Será que quantos mais são que nem eu? 1, 5, 10, não sei!
    De qualquer maneira, não devemos discriminalizar quem treina com treinador e quem não treina, embora aqui quem esta sendo “discriminado” ( entre aspas, claro!) é quem tem treinador!
    Querer estar acompanhado por alguém que teoricamente pode lhe passar dicas, orientações, planejamento, etc não deveria ser visto como algo ruim e sim como uma opção.

    Tenho alunos que poderiam facilmente estar sem treinador, pois já treinam a tanto tempo que tem experiencia de sobra para tal e outros que ainda tem muito a aprender na corrida e querem e buscam aprender mais. Ambos querem continuar como estão, porque não? é uma livre escolha! Tenho também muitos alunos que por diversas razões teriam de se ausentar da assessoria e não se ausentaram porque foi concedido um convite a continuar, sem custo, para voce ver que nem sempre é só dinheiro! E olha que não são apenas um ou dois!

    Mas acho muito sadio e interessante estas discuções, fazem todos pensar e refletir.
    Afinal o que seria do vermelho se todos gostassem do amarelo?

    Grande abraço a todos

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  11. satrijoe disse:

    Minha história foi o contrário. Sempre treinei sozinho, estudei, me informei e fui levando. Este ano, vou correr Nova York. Minha primeira prova-teste foi em Março, uma meia maratona. Quebrei. Achei que era tempo de procurar um treinador pra me guiar nos treinamentos e atingir o objetivo que me propus para a maratona.

    Vamos ver no que vai dar.

    Ah… O texto do Balu? Depende.

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  12. Gustavo disse:

    A corrida pra mim é hobby. Não corro por performance, embora faço treinos intervalados e de tiros pra tentar desenvolver melhor minhas passadas. Nunca fui treinado por ninguem. Corro sozinho ou com amigos. O pouco que sei é através do Corridanoar, Revista Runners, Webrun e outros sites aleatórios que visito. Isso tem sido bastante positivo pra mim. Um dia, quem sabe, posso ate entrar para um grupo assessorado por um treinador. Mas no momento não vejo necessidade.

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  13. Nishi disse:

    Auto-conhecimento eu acho mais importante até que um treinador. Mas um iniciante provavelmente não terá esse auto-conhecimento e possivelmente não terá conhecimento teórico e prático para correr. A probabilidade de fazer besteira, ou ficar aquém do que pode render é bem maior desse jeito. Corredor mais calejado é uma outra história, mas mesmo assim tem muito corredor que simplesmente tem preguiça e prefere que alguém o oriente. Normal, eu sou assim. Fora esses fatores como motivação, sociabilidade, procurar namorado(a), intercâmbio de informações, comodidade etc.

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  14. […] falei sobre ter ou não treinador dias atrás, destaquei que ele é um baita de um motivador importante pra quem precisa. O Adolfo Neto trouxe um […]

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