Mercado de Corrida – EUA e Brasil

Saiu mais um relatório mostrando com números a força da corrida nos EUA. E alguns dados mais do que impressionam!

GÊNERO. Primeiro, por lá as mulheres são maioria (57%)! No Brasil, elas giram em torno de 30%, algo como 23% nas Meias e quase 40% nas distâncias menores. Maratona? São 15%, mas a quantidade é tão baixa que se dilui, mas evidencia uma tendência nossa: quanto maior a distância, menos mulheres. Nossa realidade aqui é o que acontecia bem parecido na metade dos anos 90 nos EUA.

EVENTOS. Lá foram feitos quase 30.000 eventos ano passado. E aqui no Brasil? Fora do estado de SP tudo é uma anarquia, cada um por si só e Deus olhando por todos. Não há dados, números, histórico, mas há sempre a federação e o poder público local cobrando seu pedágio. Uma vergonha.

DISTÂNCIAS. A prova de 5km ainda é a favorita deles. E nossa também! A diferença é que lá os 10km já são só a terceira opção, atrás da Meia Maratona. Basta acompanhar qualquer evento aqui no Brasil pra ver que os 21km ainda engatinham como 3ª opção, muito distante dos 10km.

42KM? Há no Brasil quem ache que a falta de corredores de 21km e 42km seja falta de oferta, então cria provas. Não! O problema é de demanda! E aí aventureiros vão se dar mal. Antes que alguém com problema de leitura funcional leia isso, a série de provas de Mizuno foi tecnicamente até agora um enorme acerto. Mas a proliferação de Maratonas e uns 21km capengas Brasil afora, mostra que nos sobra empreendedorismo, mas nos falta planejamento e corredores fora dos grandes centros.

IDADE. Os números americanos nos reforçam: a corrida é um esporte para pessoas mais velhas (30 a 45 anos) e espero falar mais a respeito, já que uns se sentiram ofendido comigo dias atrás (risos).

DESEMPENHO x PARTICIPAÇÃO. Parte da política esportiva brasileira se baseia no assistencialismo, baseia-se na ideia paternalista de que precisamos fomentar a prática do esporte com incentivos que não se mostram nem capazes de gerar ganhos na Saúde Pública nem ganhos de desempenho. Justamente por isso, bolsa-atleta, patrocínio estatal e desconto pra idoso em provas é um enorme gasto sem que se consiga provar retornos compatíveis ou justificáveis. Bem, alguém deve ganhar bem pra isso continuar, não é? Tenho certeza disso! Participação NÃO gera medalhas. Enfim, tudo isso pra mostrar números interessantes deles que devem ser parecidos ao do brasileiro médio: Distância (tempo médio do homem, tempo médio da corredora); 5km (28´50”, 34´50”), 10km (56´00”, 1h04´50”), 21km (2h01´40”, 2h19´50”), Maratona (4h16´40”, 4´41´50”) *já falei sobre desempenho de maratonistas brasileiros aqui.

FUTURO. Não banco o visionário porque sou ruim como qualquer outro. Apenas reforço, quer olhar o futuro da corrida aqui? Então veja o padrão americano. Mais mulheres (em quantidade e qualidade), aumento no máximo sustentado, sem explosões e uma pirâmide constante, ou seja, mais gente nos 5km e menos nos 42km. Rejuvenescimento do esporte? Improvável. Pode haver mais jovens (18-25 anos) em quantidade, mas não é a praia deles.

E você? O que mais viu? Do que discorda? Seria interessante ouvi-lo…

running-the-numbers-logo01

Etiquetado , , , ,

8 pensamentos sobre “Mercado de Corrida – EUA e Brasil

  1. Não trabalho com corrida, apenas observo de fora. O maior obstáculo para o crescimento da corrida no Brasil na minha opinião, está na cultura dos corredores e profissionais de saúde. Lá nos EUA se o sujeito quer correr compra um par de tênis e se informa em revistas, livros, etc. “Do it yourself”. Aqui se o sujeito quer correr aparece uma pletora de pessoas, inclusive médicos, dizendo que tem que fazer 527 exames médicos, contratar técnico, nutricionista, 1001 equipamentos, pagar academia pra fazer musculação, tomar suplementos, etc, etc, etc. Aí o sujeito vai pro sofá, que sai mais barato. A simplicidade do nosso esporte foi tragada por uma cornucópia de “necessidades” que gera dinheiro para os envolvidos mas limita naturalmente o crescimento num país que só recentemente deixou de ser pobre para ser, digamos remediado.

    Em tempo: não tenho nada contra o corredor que procura profissionais para ajudá-lo, cada um sabe de si, quem sou para ditar onde cada um deve gastar o seu dinheiro? Mas tenho sérias divergências com essa mentalidade de que todo corredor amador tem que pagar uma exército de profissionais de apoio se quiser praticar o esporte.

    Curtir

    • Adriana Piza disse:

      Seria interessante saber… Quantos desses milhões de americanos correndo correm com supervisão de algum técnico, quantos procuram nutricionistas etc. etc. Aqui quem não tem acaba sendo criticado mesmo, acaba sendo convencido de que está fazendo algo errado!

      Curtir

      • Danilo Balu disse:

        As pesquisas das provas das organizadoras mostra que a maioria dos brasileiros nas provas NÃO está ligado a alguma assessoria (mas pode ter treinador na academia por exemplo). Chute, mas acho que nos EUA esse número de não-treinados é MUITO maior que aqui… aqui há toda uma indústria nesse mercado (e e isso não é ruim!). O problema é a legislação querer obrigá-lo.

        E tb acho que o número de corredores que procura nutricionistas não é dos maiores.

        Enfim, nos EUA há mto menos corrida orientada com treinador (running club, as assessorias esportivas “deles”).

        Curtir

    • Danilo Balu disse:

      O brasileiro e o Brasil são paternalistas…. querem um estado gde, gordo. lento e milagreiro cuidando dele. Nos EUA cada um vai por si, não há esse engessamento do mercado… o cara que jogava bola e hj é advogado vai ser treinador de futebol da escola do filho ou do bairro onde ele mora.

      Ao menos em SP acabou essa indústria de exames e atestados. Quer treinar? Pode ir, ninguém vai te obrigar. Se a sua academia encher o saco, vc bate na porta da do lado. NUNCA fiz exame desses em academia. Infelizmente essa foi uma decisão acertada apenas em SP até onde sei.

      Curtir

  2. Adriana Piza disse:

    Vi pelos números que grande parte, uns 4 milhões são participantes dessas corridas alternativas tipo color run, corrida de obstáculos etc. Essas corridas ainda estão crescendo lá? Aqui no Brasil, elas vão fazer esse sucesso todo como nos EUA?

    Uma dúvida ( curiosidade)… Essas milhares de provas de 5k nos EUA são em sua maioria provas secundárias em provas maiores como aqui? As provas lá também tem várias opções de distâncias ou tem mais provas puras?

    Curtir

    • Danilo Balu disse:

      Essas provas alternativas cresceram MUITO mais do que a média no levantamento 2012-2013…. cresceram mais do que o resto do mercado.

      Essa dos 5km não sei dizer, mas lá são mtos os festivais de corrida que são nada mais nada menos como as corridas daqui. O mercado deles é MUITO rico…. tem de tudo tudo!

      Curtir

  3. Julio Cesar Kujavski disse:

    O sonho de alguns corporativistas é poder chegar no Ibirapuera e multar os corredores que não têm treinador.

    Curtido por 1 pessoa

  4. […] vácuo dos dois textos postei os números do mercado americano de corrida. Se você olhar as idades médias do corredor americano e mesmo os números brasileiros, verá que […]

    Curtir

Duvido você deixar um comentário...

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: