Mais sobre a delegação enorme da CBAt…

Seria muita pretensão minha achar que a entidade máxima do atletismo brasileiro lançou uma nota de esclarecimento em virtude do meu post que fala da irresponsabilidade financeira da inchada delegação brasileira que foi ao Caribe competir. Mas dá pra questionar a carta mesmo não sendo pra mim. Vamos lá:

CBAt: “(as críticas) basearam-se somente no número de integrantes da delegação, sem levar em conta a importância da presença da comissão técnica e da equipe multidisciplinar. Também não buscaram o esclarecimento, deixando de ouvir o outro lado ” *no caso, a CBAt.

Sim, baseei-me em números e somente números, jamais desqualifiquei qualquer profissional convocado e tampouco busquei esclarecimentos da CBAt. Ele veio atrasado numa nota e vou comentar. Não é questionamento de competência, mas responsabilidade nos gastos.

 “O número de pessoas na delegação brasileira que disputará o 1º Mundial de Revezamentos nas Bahamas é compatível com o que temos enviado para os eventos de ponta do Atletismo Mundial.”

quem quer dinheiroDois erros não fazem um acerto. Uma delegação inchada rotineiramente no passado não faz o presente ser menos errado.

 “Entendemos que a equipe seja adequada, em provas que nosso País tem larga tradição e em que há esperanças de bons resultados

Com certeza a CBAt acredita que “a equipe seja adequada (em tamanho)” o que, repito, não faz da escolha um acerto. A fala é completamente subjetiva e totalmente descompromissada com resultados concretos. Fosse a entidade preocupada com eficiência, teria metas e discutiria os feitos passados. Ela está longe, bem longe disso.

 “(a) equipe multidisciplinar de apoio (…) foi (…) ratificada no Fórum do Atletismo Nacional realizado em novembro do ano passado, com mais de 150 técnicos, e aprovada na Assembleia Geral neste ano.”

Novamente: dois erros não fazem um acerto. Ter o apoio de quem quer que seja não faz da delegação menos inchada. A delegação desproporcional não é ditatorial, ela é apenas sinal de certo descompromisso da entidade com controle de gastos públicos.

 “Foi possível enviar a equipe nos principais eventos graças ao suporte financeiro do Plano Brasil Medalhas, implantado pelo Governo Federal

Aaahhh… nada como a benesse pública… essa mesma benesse é o que permite que qualquer contribuinte possa questionar o investimento. Fosse a CBAt uma instituição privada contando com recursos próprios, pouco caberia questionamento de terceiros. Recebendo ela a enorme verba que recebe, deve prestar contas. Deveria explicar de modo OBJETIVO o porquê de termos uma delegação tão inchada.

 “a equipe multidisciplinar são cobertos com o Plano Brasil Medalhas do Governo Federal.”

De novo soa o alarme… dinheiro público e o nosso descompromisso em tratá-lo sem muito cuidado.

 “No Chile, a equipe de atletismo integrou a delegação do COB. Como sempre, há profissionais de apoio do COB que atendem diversos esportes, inclusive o atletismo.”

Perfeito! O blogueiro aqui admite que é um erro a comparação feita no post original…

 “Além da importância do Mundial em si, é uma grande oportunidade também como preparação para o Mundial de Atletismo de Pequim e para os Jogos do Rio.”

Essa resposta é fraca, muito fraca. Faz parecer que apenas a CBAt sabe da proximidade dos torneios; os competidores, desatentos, não se deram conta e estariam levando times menores, enxutos, incompletos, insuficientes. Ou seja, acertamos nós, erraram todos os outros. Tenho certa resistência a pensar desse jeito…

 “lembramos na época da Olimpíada de Barcelona, as equipes da Espanha eram muito fortes, e não sabemos o que ocorre agora, pois as delegações estão menores.”

Números, Sr. Presidente, precisamos sempre de números para comparar.

 “A Jamaica, neste campeonato, está muito perto de Bahamas, e por isso os jamaicanos irão com muita gente, já que a passagem custa entre 150 a 200 dólares.”

Os jamaicanos vão com ONZE pessoas mesmo com o DOBRO de atletas. O Brasil, reforço, com DEZENOVE. A lógica desta resposta é completamente torta. Muito torta. Quanto mais distante, menos staff; a CBAt pensa invertido, quanto mais longe, mais caro aos cofres públicos, mais gente.

 “Só pessoas não esclarecidas poderiam supor que não há profissionalismo em um evento mundial.”

Concordo 100%. Há muito profissionalismo no Mundial. Estarão lá muitos dos melhores atletas do mundo. Apenas insisto é que nesta delegação há profissionais demais. E compromisso de menos com dinheiro público. Só isso.

A carta do Sr. Presidente da CBAt tenta explicar, mas carece de argumentos e ignora números. Quando os critérios e argumentos são subjetivos, você abre espaço para a defesa de que não deveriam ser 19, mas 50 o staff adequado.

Se parassem para comparar com outras equipes, algumas mais fortes que as nossas, veriam o descontrole. Enfim, o problema da CBAt é endêmico às outras confederações que com muito dinheiro público, não precisam de metas, apenas dizer onde e não o porquê de como gastam. Elas recebem sem compromissos, os resultados, fracos nas últimas grandes competições, não aumenta a cobrança, pelo contrário, aumenta o discurso por mais dinheiro. Verba essa que depois vai sendo gasta com justificativas feitas em cartas que não dão dados, apenas explicam subjetivamente ignorando o que fazem os melhores do mundo. Fosse uma empresa privada, a CBAt estaria em apuros numa auditoria. Com benesse pública, não tem muito que se preocupar com o resultado.

trem04

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9 pensamentos sobre “Mais sobre a delegação enorme da CBAt…

  1. Nishi disse:

    Apesar do logo do Trem da Alegria, eu me lembrei de outra música infantil. “Plunct, plact, zum, não vai a lugar nenhum…”

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  2. satrijoe disse:

    Tá ótimo! Já fiz mais uma batelada de pipoca pra ver o próximo round. Tá parecendo Rodrigo Constantino vs. Francisco Bosco, Por falar nisso, o conceito de pipoca se aplica a dirigentes tb? hehe

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  3. Julio Cesar Kujavski disse:

    Mas é dinheiro público mesmo ? Correios, Banco do Brasil, Caixa Econômica são empresas de economia mista que competem no mercado e o dinheiro delas vem de suas vendas. E o COB repassa para as confederações o dinheiro das loterias, que em última análise também não é dinheiro público. Recurso público (ou dinheiro público) é o que sai diretamente dos cofres públicos, dinheiro que entrou sob a forma de arrecadação de impostos. Ou estou enganado ?

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    • Danilo Balu disse:

      Tem os dois. .. tem patrocínio estatal que pra mim já é um enorme descuido e tem verba Federal pra esporte olímpico.

      E vc foi bem generoso dizendo que são empresas de economia mista rsrs

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      • Caixa Econômica e correios não são de economia mista, o capital é 100% estatal. Mas competem sim, no mercado, de forma que é legítimo que patrocinem atletas como forma de propaganda assim como fazem inúmeras empresas privadas. A questão é se o retorno em termos de divulgação e imagem é proporcional ao montante gasto. Mas isso é dificílimo de mensurar…

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  4. […] Antonio Martins Fernandes, o Toninho, queria me receber pessoalmente e sozinho. Seria por causa das minhas críticas recentes? Pode ser que sim, mas pode ser que […]

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